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Governo na economia pode levar à corrupção, diz controlador da Cosan

Presidente do conselho de administração da Cosan, o empresário Rubens Ometto Silveira Mello defendeu a proximidade do setor produtivo com a política, mas afirmou que a participação do governo na economia é "ineficiente" e pode levar à corrupção.

Ometto foi homenageado na noite desta quinta-feira (20) na cerimônia do prêmio Lide Empresarial, concedido pelo grupo que era, até 2016, comandado pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e hoje é liderado pelo ex-ministro Luiz Fernando Furlan.

No momento em que as relações entre grandes empresas e políticos estão sob investigação, em especial após revelações feitas por delatores da Odebrecht na Lava Jato, o controlador da Cosan afirmou que dificuldades criadas pelo sistema tributário e por outras regras "levam as pessoas a achar convidativo tentar um caminho mais fácil, que pode levar até a corrupção".

"O governo tem de deixar de querer participar da economia, deixar de querer ser empresário. Ele é ineficiente. Quanto mais o governo está perto do setor privado, mais possibilidade de corrupção existe", declarou.

O empresário disse ainda que o "grande desastre do último governo foi a tentativa de interagir artificialmente na economia".

Ometto foi premiado pelo Grupo Doria, controlado pela família do prefeito de São Paulo, que marcou sua campanha eleitoral no ano passado e seus primeiros meses de gestão por uma relação próxima com o setor produtivo. O presidente do conselho da Cosan defendeu o envolvimento do empresariado na política.

"Nós, empresários, temos de participar da política. Não a política partidária, de ganhar eleições. Mas de estar perto do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Poder Executivo, para fazer uma série de mudanças", declarou.

REFORMAS

O controlador da Cosan fez uma defesa enfática do presidente Michel Temer e disse vislumbrar sinais de recuperação da economia.

"O Brasil passou, nesse ano passado, por uma série de turbulências como impeachment, déficit, inflação, Lava Jato, mas felizmente hoje a gente começa a ver uma luz no fim do túnel", afirmou.

Para Ometto, não há "ninguém no Brasil com as características e as qualidades de Michel Temer para enfrentar e aprovar" as reformas como a trabalhista e a previdenciária.

"O Brasil tem sorte porque temos hoje um presidente como é Michel Temer. Mais difícil do que saber o que tem de ser feito é ter a coragem de enfrentar. Ter a capacidade de convencer nosso Congresso e nossos cidadãos a aceitar essas reformas, que são tão necessárias". (Folha de São Paulo 25/04/2017)

 

EUA ameaçam retaliar caso o Brasil volte a taxar importações de etanol

Os Estados Unidos ameaçam retaliar o Brasil caso seja aprovada qualquer taxação sobre a importação de etanol, conforme apurou o Valor. Washington definiu essa posição num momento em que, por um lado, as indústrias americanas buscam ampliar mercados e, por outro, o setor produtivo brasileiro tenta se proteger contra a disparada recente das importações.

Segundo uma fonte a par do assunto, o governo americano enviou uma carta à Câmara de Comércio Exterior (Camex) após a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) pedir, em março, um imposto de 16% sobre o produto importado. Procurada, contudo, a Camex informou que "não tem conhecimento" sobre a ameaça americana. Praticamente todo o etanol importado pelo país vem dos Estados Unidos.

Semanas antes do pedido da Unica, grupos regionais de usinas, lideradas pelas do Nordeste, haviam demandado o retorno de uma taxa de 20%. O etanol está na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul (Letec) desde 2010.

Atualmente, os dois países estão trocando comunicações sobre o assunto, afirmou ao Valor Ernest Carter, economista sênior de biocombustíveis do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que participou ontem de um evento da consultoria F.O. Licht's sobre o segmento.

Do lado brasileiro, há forte pressão da indústria produtora, especialmente do Nordeste, para desestimular as importações. Além de o etanol americano chegar mais barato que o brasileiro na época da entressafra do Centro-Sul, o biocombustível tem facilidade para entrar pelo Porto de Itaqui (MA), já que o Estado não cobra ICMS no desembarque do produto.

O argumento da Unica, que representa as usinas da região Centro-Sul do Brasil, é ambiental. A entidade sustenta que a tributação é necessária porque o etanol americano, produzido a partir do milho, emite mais gás carbônico que o brasileiro, feito a partir da cana.

Do lado americano, a possibilidade do Brasil voltar a taxar o bicombustível aumenta a pressão sobre as indústrias do país, já que esta não foi a única ameaça recente para o comércio americano de etanol. Em janeiro, a China elevou seu imposto de importação sobre o biocombustível de 5% para 30%, o que pegou os EUA de surpresa, de acordo com Carter.

Brasil e China aumentaram suas participações em os destinos para as exportações do etanol americano nos últimos anos. Em 2016, foram o primeiro e o terceiro principais destinos, respectivamente.

Essas duas ameaças surgiram em um momento em que a indústria dos EUA quer ampliar sua presença no mercado internacional. "Atualmente, o consumo americano de etanol tem caído, então a expansão tem que ser via mercado externo", argumentou Carter.

Como o USDA considera que o comércio global ficará estável na próxima década, a idéia é ganhar participação tomando espaço do Brasil. Para Carter, o etanol americano tem potencial para crescer por causa do menor custo de produção em relação ao etanol brasileiro e também porque há perspectiva de incremento da demanda doméstica no Brasil.

Carter afirmou, ainda, que a pegada de carbono do etanol americano tem diminuído nos últimos anos, embora na média ainda seja maior que o etanol brasileiro. (Valor Econômico 26/04/2017)

 

Maioria das usinas brasileiras de cana ainda enfrenta dificuldades financeiras

Muitas empresas brasileiras de açúcar e etanol ainda passam por uma situação financeira difícil, uma vez que grandes dívidas limitam investimentos que poderiam melhorar sua renda, disseram usinas e consultorias nesta segunda-feira (24).

Enquanto grandes grupos como Raízen, Biosev e São Martinho podem buscar formas alternativas de financiamento, a maioria das empresas de médio porte assumiu mais dívida ao longo dos últimos anos e estão tendo dificuldades para processar mais cana, disseram especialistas durante o seminário internacional de açúcar da F.O. Licht em São Paulo

Reberth Machado, presidente da Bioenergia do Brasil, disse que a situação de sua empresa ilustra a atual crise da indústria. Sua dívida cresceu para R$ 246 milhões ante R$ 157 milhões há três anos.

A Bioenergia decidiu mais cedo neste ano parar de pagar suas dívidas com bancos e fundos como o norte-americano Amerra Capital Management, disse Machado, e procurou negociações de reestruturação com credores.

"Tivemos que decidir o que fazer: pagar bancos ou investir em plantio. Escolhemos investir no plantio de cana", disse ele, acrescentando que bancos como Banco do Brasil e Santander estão perto de alcançar acordo sobre novos termos para a dívida da Bioenergia.

Machado disse que muitos de seus fornecedores de cana também tiveram problemas financeiros ou escolheram plantar outros cultivos, como a soja, diminuindo a quantidade de cana que forneceriam à Bioenergia.

No novo ano safra, a usina irá processar apenas 1,1 milhão de toneladas de cana, cerca de metade de sua capacidade.

"Essa é a realidade de muitas usinas", disse Jaime Fingerut, um consultor autônomo de gestão do setor sucroalcooleiro.

Fingerut disse que o endividamento aumenta os custos de produção das usinas e atrasa investimentos que poderiam melhorar as operações.

René Sordi, assessor do grupo de usinas São Martinho, disse que a situação limita os investimentos em expansão da capacidade no Brasil. "As companhias estão sendo prudentes", disse ele.

O recente declínio nos preços do açúcar bruto em Nova York foi citado por Sordi como um novo obstáculo para as usinas brasileiras à medida que a nova safra começa.

"Estávamos esperando um preço muito melhor para o açúcar do que os níveis atuais", disse ele.

O açúcar está sendo negociado em Nova York a cerca de US$ 0,16 por libra-peso, após tocar cerca de US$ 0,23 no fim do ano passado. (Reuters 24/04/2017)

 

Produtores investem em técnicas para aumentar produtividade e reduzir custos em canaviais de SP

Uso de mudas pré-brotadas e da meiosi também têm feito aumentar a produtividade dos cultivos de cana-de-açúcar no estado.

Uma nova maneira de plantar a cana-de-açúcar está reduzindo o custo e aumentando a produtividade da lavoura. Agricultores e cientistas de São Paulo, estado que mais produz cana no Brasil, falaram sobre a novidade.

Cana-de-açúcar no Brasil é uma atividade que engloba centenas de usinas, milhares de agricultores e trabalhadores e um cultivo que se espalha por 8 milhões de hectares. Para manter essa engrenagem funcionando, todos os anos uma parte dos canaviais brasileiros tem que ser replantada. Isso ocorre porque um cultivo costuma ter boa produtividade durante cinco safras. Depois, a produção tende a cair. É a hora de fazer a chamada reforma ou replantio do canavial.

O replantio da cana-de-açúcar pode ser feito de várias maneiras. Atualmente, o método mais comum é uma operação grandiosa. Um trabalho que envolve máquinas pesadas, tratores, transbordos. Tudo para fazer o transporte e replantio da cana-de-açúcar nas áreas que precisam de reforma.

Na fazenda no munícipio paulista de Motuca, o trabalho é feito com plantadeiras, que despejam nos sulcos as mudas, também chamadas de rebolos ou colmos. São pedaços de cana que vão brotar no solo para dar origem a um novo cultivo.

O problema é que o trabalho mecanizado acaba ficando caro, principalmente para os agricultores médios e pequenos. Outro ponto negativo é que as mudas de cana ficam passando de uma máquina para outra sacudindo e batendo, o que reduz a taxa de brotação. Com menos brotação, os produtores acabam usando uma grande quantidade de mudas por hectare, o que torna a operação ainda mais trabalhosa e cara.

Nos últimos anos, o custo alto da reforma se somou a um momento delicado: a cadeia da cana enfrentou uma crise, com preços baixos, clima desfavorável e endividamento. Com menos dinheiro, agricultores e usinas reduziram o ritmo do replantio.

“Nós ficamos aí com índice de renovação de 12% a 13% nas últimas duas safras. O ideal seria uma reforma de 18% da área colhida anualmente para ter um bom canavial, um canavial equilibrado”, diz o economista Antônio de Pádua Rodrigues.

De uns meses para cá, com a melhoria dos preços do açúcar, a reforma dos canaviais voltou a crescer, mas permanece abaixo da taxa ideal de 18%.

Foi justamente o cenário de crise dos últimos anos que acabou dando impulso para uma nova maneira de replantar os canaviais. O objetivo é reduzir custos e melhorar a eficiência da reforma.

Um dos pilares da mudança é a muda pré-brotada de cana ou MPB. A unidade do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) em Ribeirão Preto é referência nesse tipo de tecnologia. O agrônomo Marcos landell explicou que a grande mudança é abandonar o plantio baseado em toneladas de colmos e passar a plantar cana com espaçamento preciso, muda por muda.

A produção da MPB não é complicada. No IAC, o primeiro cuidado é obter colmos de qualidade, vindos de cultivos livres doenças. No viveiro, eles são cortados em pedaços pequenos, com apenas uma gema; recebem um tratamento anti-fungos e depois vão para a bandeja para o cultivo em substrato. Tratadas com todo o cuidado, as mudas brotam e crescem rapidamente. Em dois meses estão prontas para o plantio no campo.

As mudas pré-brotadas podem ser usadas no plantio de talhões inteiros de cana. Mas na prática a MPB tem sido mais usada num manejo diferente, chamado meiosi. Um método de replantio dos canaviais que surgiu nos anos 1990 na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jabotical. Mas só nos últimos começou a ser mais usado por agricultores, principalmente em São Paulo.

O agrônomo Igor Pizzo é diretor técnico da Coplana, cooperativa do norte do estado que abriga 1,2 mil fornecedores de cana e vem estimulando o uso de meiosi em parceira com o IAC. “Meiosi é método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente. O objetivo geral é a gente formar o viveiro de mudas dentro da própria área de renovação”, diz.

O método funciona da seguinte maneira: em uma área que será reformada, logo após a colheita, pelos meses de setembro e outubro, os agricultores preparam o terreno e plantam linhas de mudas pré-brotadas. O espaçamento é de 15 metros entre as linhas e 60 centímetros entre plantas. São essas mudas que, mais a frente, vão ser usadas para o replantio de toda a área. No restante do terreno, os agricultores semeiam leguminosas, como soja e amendoim.

Atualmente, esse modelo está sendo utilizado por 32 cooperados da Coplana, como Rogério Bonaccorsi. Ele tem 400 hectares de canaviais no município paulista de Luiz Antônio. Com orientação da cooperativa e do IAC, o agricultor passou a produzir as suas próprias mudas pré-brotadas e formou áreas de meiosi com cana e amendoim.

Segundo Rogério, a primeira vantagem da meiosi é que a cobertura com amendoim aumenta a umidade do solo e protege o terreno contra erosão. Outro benefício de plantar amendoim ou soja nas áreas de reforma é quebrar o ciclo doenças e pragas da cana, como o nematoide.

Seis meses depois do plantio da cana e quatro meses depois do plantio do amendoim, a área de meiosi está com as linhas de cana altas e bem formadas. E o amendoim está verde e forrando bem o solo. Nessa fase começa a colheita.

A colheita do amendoim ocorre entre fevereiro e março e tem duas etapas. Primeiro, esse o implemento arranca as plantas e revira o amendoim que estava embaixo da terra. Depois, outros equipamentos terminam a colheita e despejam o produto em caminhões. Todo o trabalho é feito por empreiteiros que arrendam as terras de Rogério. Eles cuidam do amendoim, desde o plantio até a venda final, e pagam um preço fixo de R$ 1 mil por hectare.

Terminada a colheita, a área que antes estava coberta com amendoim começa a receber a cana-de-açúcar. É a repicagem da cana, etapa final da renovação feita com meiosi.

A fazenda de um cooperado da Coplana em Jaboticabal começou a usar meiosi em 2012. O agrônomo Ismael Perina Júnior cultiva 580 hectares na propriedade. Na área em que o amendoim foi colhido há três dias a repicagem está sendo realizada por oito funcionários da própria fazenda. Eles cortam a cana das fileiras, plantadas com mudas pré-brotadas, e depois levam os colmos para os sulcos. Eles não ficam empilhados, como no plantio convencional, mas alinhados um a após o outro.

“A grande vantagem é que eu utilizo muito menos muda por hectare do que sistema convencional. Então, eu saio do uso de 20 toneladas para algo em torno de 4 a 4,5 toneladas por hectare”, diz o agrônomo.

Essa redução ocorre porque na meiosi a cana usada no plantio foi produzida a partir de mudas pré-brotadas. Um material uniforme, jovem e que, crescendo na própria área, não passa por transbordos ou máquinas pesadas, não sofrendo com batidas e ferimentos típicos do plantio convencional. Por tudo isso, os colmos têm grande capacidade de brotação.

Mas, afinal, quanto custa fazer a reforma com MPB e meiosi? Os valores variam de uma fazenda para outra. Enquanto o replantio convencional fica por cerca de R$ 7,5 mil o hectare, no caso da fazenda de Ismael, a reforma teve um custo médio R$ 4,8 mil por hectare. Isso já incluindo os gastos com mão-de-obra, insumos, mudas pré-brotadas, que ele compra de uma empresa privada, e a renda obtida com amendoim. Houve redução de 36%.

Além de conquistar fornecedores de cana, aos poucos, MPB e meiosi também estão sendo adotadas por algumas usinas de cana de São Paulo. Os pesquisadores do IAC avaliam que as tecnologias devem continuar ganhando espaço nos próximos anos em todo Brasil.

Os agricultores e cientistas ouvidos na reportagem afirmam que os canaviais formados por meiosi são mais vigorosos e produtivos, mas ainda vai precisar de mais tempo de pesquisa para saber qual é o real ganho médio de produtividade provocado por esse modelo de cultivo. (Globo Rura 25/04/2017)

 

MT: Conab prevê recuo de 16,6% na produção de etanol hidratado

Conab prevê recuo de 16,6% na produção de etanol hidratado na safra 17/18 de cana-de-açúcar

A produção de etanol hidratado em Mato Grosso, utilizado para abastecer veículos flex, deverá ter uma redução de 16,6% na safra 2017/2018. É o que aponta a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu levantamento de safra divulgado neste mês de abril. A retração é decorrente a projeção de queda de 2,5% na produção de cana-de-açúcar. Ainda segundo relatório, estima-se um decréscimo de 21,3% na produção de açúcar no Estado.

Conforme levantamento da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab), a perspectiva para a safra 2017/2018 de cana-de-açúcar em Mato Grosso é de 15,936 milhões de toneladas, 2,5% a menos que as 16,341 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2016/2017.

O Estado deverá ser responsável, se confirmada à projeção, por 2,46% das 647,6 milhões de toneladas previstas para o Brasil.

"Em relação à área dedicada às lavouras, na safra 2017/18, verifica-se leve perda do espaço dedicado à cultura em relação ao ciclo 2016/17, em 3,5%, entre áreas próprias das unidades e de fornecedores. Esta estagnação é reflexo da falta de investimentos nas lavouras nos últimos anos devido à crise no setor sucroalcooleiro, pois o plantio de novos talhões não acompanhou a erradicação da soqueira. No atual ciclo, estima-se rendimento médio das lavouras de 71.853 kg/ha, número 1,1% superior ao registrado na safra passada. Quanto à produção, projeta-se volume de 15.936,4 mil toneladas, volume 2,5% menor do que na última safra, influenciado pela menor área da safra atual”, pontua a Conab.

Das 15,936 milhões de toneladas a serem colhidas em Mato Grosso devem ser destinadas para a produção de etanol (anidro e hidratado) 13,601 milhões de toneladas que devem resultar em 1,107 bilhão de litros de etanol. O volume é 9,3% inferior aos 1,220 bilhão de litros produzidos no ciclo anterior.

Somente em etanol anidro, misturado na gasolina, projeta-se 526,1 milhões de litros, 0,5% a mais que os 526,1 milhões de litros da safra 2016/2017. Já em etanol hidratado, usado para abastecer veículos flex, 581,5 milhões de litros, 16,6% a menos que os 697,2 milhões de litros do ciclo anterior.

Já em açúcar, de acordo com a Conab, para Mato Grosso são esperadas 312,8 mil toneladas. Um volume 21,3% inferior as 397,7 mil toneladas da safra passada.

A Conab explica que em Mato Grosso o calendário de desenvolvimento da cana-de-açúcar abrange do mês de maio de 2016 a abril de 2017, enquanto o de colheita de maio de 2017 a janeiro de 2018. (Agro Olhar 25/04/2017)

 

Queda na demanda limita importações da açúcar da Índia, diz associação

Uma queda nas vendas de açúcar na Índia, maior consumidor global, deixou o país com estoques suficientes para seguir até a próxima safra, disse a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês) nesta terça-feira, descartando a necessidade de novas importações no fim deste ano.

As vendas de açúcar no país são estimadas em queda de 1 milhão de toneladas desde o início da temporada em outubro de 2016, disse o diretor-geral da Isma, Abinash Verma, em uma conferência do setor em Genebra.

Ele disse que o declínio no consumo é explicado parcialmente pela alta nos preços doméstico e pela desmonetização, que retirou de circulação cédulas de dinheiro de maior valor.

A decisão do governo de abolir um subsídio para açúcar dado a famílias pobres, que respondem por 10 por cento das vendas de açúcar, também afetou o mercado, disse o executivo.

"As famílias pobres vão ter que comprar o mesmo açúcar por um preço três vezes maior", disse Verma em uma conferência da Kingsman. "Esta costumava ser uma fonte muito barata de energia para elas."

A demanda total de açúcar está estimada em 23,8 milhões a 24 milhões de toneladas em 2016/17, ante uma demanda anual típica de cerca de 25 milhões de toneladas.

A Isma projeta uma produção de 20,2 milhões de toneladas nesta temporada, ligeiramente abaixo de uma previsão anterior de 20,3 milhões de toneladas.

Contudo, os estoques finais foram projetados entre 4,55 milhões e 4,75 milhões de toneladas, o que dá ao país excedente suficiente para abastecer o consumo até que a nova produção de 2017/18 chegue ao mercado no fim de outubro, disse Verma.

"Uma coisa é clara, nós temos bastante açúcar no país, se você somar os estoques iniciais, e ainda temos alguma coisa que vai ser carregada para o próximo ano", disse o executivo.

No início do mês, a Índia liberou importações de 500 mil toneladas de açúcar bruto livre de tarifas. O volume foi menor que o esperado, disparando especulações no mercado de que o país poderia permitir mais importações até o fim do ano. (Reuters 25/04/2017)

 

Risco de protecionismo ao comércio de açúcar na China leva Brasil a se queixar na OMC

O Brasil se queixa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a possibilidade de que seu maior destino de exportação do açúcar, a China, imponha novas barreiras ao comércio bilateral. O caso foi alvo de uma intervenção do Brasil no Comitê de Salvaguardas da entidade em Genebra, nesta segunda-feira, dia 24.

Segundo a diplomacia brasileira, a China deveria considerar que a imposição de salvaguardas é um instrumento que deve ser aplicado apenas em "situações especiais".

Por enquanto, não se trata ainda de uma disputa legal. Contudo, os negociadores brasileiros não descartam subir o tom e transformar a preocupação em um novo contencioso, caso os exportadores nacionais considerem que estejam sendo prejudicados de forma ilegal.

Representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior indicaram durante o encontro a "preocupação do Brasil" com o risco de uma barreira, alertando que isso terá um "impacto significativo para os exportadores".

Como resposta, Pequim indicou que tem sido "muito cuidadosa" e que a investigação sobre o açúcar é a única sobre salvaguardas a ser iniciada desde 2001. Os chineses alegaram que a importação de açúcar é "um caso especial" e que a entrada do produto vem aumentando de forma significativa desde 2009, com um impacto para 20 milhões de produtores agrícolas da China.

Desde o ano passado, o Brasil passou a ser um dos países incluídos em investigação do governo chinês sobre o comércio do açúcar. O tema tem deixado produtores, diplomatas e a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) preocupados.

Em resposta, os chineses indicaram que estão agindo "com total transparência". Em um documento enviado à OMC, Pequim ainda explicou que decidiu abrir investigações depois de ter constatado que o açúcar importado já representava 47% da produção nacional. Em 2011, esse índice era 27%. Além disso, os chineses apontam que, hoje, o produto importado ocupa 32% do consumo nacional de açúcar. Em 2011, era 21%.

Austrália, Tailândia e Coreia do Sul também estão sob investigação. Mas, como o Brasil representa mais de 50% da importação chinesa do produto, uma eventual salvaguarda imposta pelos chineses teria um impacto especialmente importante para o exportador nacional.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo e a China é seu maior cliente. O país asiático, por exemplo, comprou quase 10% das exportações do centro-sul do Brasil em 2015.

De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviço, "em 2015, as exportações de açúcar brasileiro para a China alcançaram 2,5 milhões de toneladas, o que representou mais de US$ 760 milhões". "Esse valor já foi maior. Em 2011, apesar de a exportação ter sido menor em volume (2,1 milhões de toneladas), o valor apurado foi de US$ 1,2 bilhão", indicou.

A China aplica uma tarifa de 15% para o produto que esteja dentro de uma cota anual de até 1,95 milhão de tonelada. "Acima disso, a tarifa passa a ser de 50%", diz o governo. O temor é que a salvaguarda determine um imposto que tornaria as vendas nacionais impraticáveis.

Pequim diz que a investigação foi lançada depois de um aumento importante nas importações de açúcar. Sua indústria nacional teria exigido uma resposta, em mais um sinal de que Pequim não estará disposta a permanecer apenas como consumidora de produtos básicos de diversos países.

No caso do açúcar, Pequim já indicou ao Brasil que a investigação vai avaliar as vendas nacionais nos últimos cinco anos. O processo deve levar seis meses para ser completado. Mas o governo chinês indicou aos diplomatas brasileiros que uma salvaguarda provisória poderá entrar em vigor, até que o processo seja concluído em maio deste ano. (Agência Estado 25/04/2017)