Setor sucroenergético

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Usina Cevasa suspende pagamentos de empréstimos, dizem fontes

A usina de cana Central Energética Vale do Sapucaí (Cevasa), no interior de São Paulo, na qual a Cargill tem uma fatia majoritária, suspendeu pagamentos de juros e do principal de um empréstimo de 700 milhões de reais, em meio a um racha entre acionistas sobre uma injeção de capital, disseram cinco pessoas com conhecimento do assunto.

A Cevasa enfrenta problemas de liquidez devido à alta nos custos e margens ruins no setor de etanol, disseram as fontes.

Com uma fatia de 63 por cento na usina, a Cargill pediu que os sócios minoritários se unissem a ela para injetar recursos na Cevasa, ou que aceitassem diluição de suas participações, disseram três das fontes.

A gestão da Cevasa é dividida de maneira igual entre a Cargill e um grupo de produtores de cana reunidos sob uma companhia chamada Canagril.

O impasse entre Cargill e Canagril levou a Cevasa a interromper pagamentos de empréstimos a algumas das maiores instituições de crédito do país, até que um plano de reestruturação seja formulado, disseram duas fontes.

Três das fontes disseram que os credores da Cevasa incluem Bradesco, Santander Brasil e Itaú Unibanco. Outra fonte disse que o Banco do Brasil está no grupo de credores.

A Cargill disse em comunicado que não iria comentar "sobre assuntos relacionados a companhias individuais que não são controladas pela Cargill". Cevasa, Canagril e os bancos não estavam disponíveis para comentar.

As fontes pediram anonimato devido à sensibilidade do tema.

MUDANÇAS DE CONTROLE

A situação da Cevasa reforça a crescente tensão entre acionistas de empresas brasileiras endividadas que enfrentam a maturação de suas dívidas em um momento de recessão econômica.

Em outros episódios similares recentes, bancos pediram que seus devedores se colocassem à venda como condição para reduzir o saldo de suas dívidas ou para oferecer algum alívio nos pagamentos exigidos.

Bancos dizem que a mudança no controle dessas empresas poderia ajudá-los a reduzir as provisões para créditos de liquidação duvidosa, que pressionaram os lucros do setor no ano passado pela primeira vez desde 2009. Na semana passada, executivos do Bradesco e do Santander Brasil disseram que as provisões podem cair lentamente neste ano à medida que os tomadores de crédito corporativos ainda enfrentam fortes dificuldades.

Em março, a Cargill propôs aos credores uma injeção de 300 milhões de reais na Cevasa, mas prometeu reter os recursos até que a Canagril concordasse em capitalizar a Cevasa, disseram duas pessoas.

Com sede em Patrocínio Paulista, no interior de São Paulo, a Cevasa tem capacidade anual de processar 2,5 milhões de toneladas de cana.

Muitas usinas brasileiras continuam em situação financeira difícil, pressionadas por grandes dívidas acumuladas na última década. A alta dos preços do açúcar em anos recentes não foi capaz de impulsionar os resultados e melhorar a situação de caixa, disseram recentemente líderes do setor. (Reuters 03/05/2017)

 

Unica discute teto para biocombustíveis e cenário pós-quota de açúcar na UE

A proposta de redução da utilização de biocombustíveis na União Europeia (UE) e o acesso do açúcar exportado pelo Brasil após a extinção das quotas de fabricação do produto no velho continente foram temas que motivaram a participação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em dois importantes eventos realizados pela empresa de Consultoria Platts em Genebra, na Suíça.

Na segunda quinzena de abril, por meio de uma parceria da entidade brasileira com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para promover os derivados da cana no exterior, a assessora sênior da presidência para Assuntos Internacionais da Unica, Géraldine Kutas, marcou presença na 7ª edição do Platts Kingsman Sugar Conference (24 e 25/04) e no 6º seminário Platts EU Biofuels (26/04).

No primeiro evento, a representante da Unica fez uma palestra para mais de 240 executivos ligados à indústria mundial do açúcar destacando o tema “A Visão do Brasil e do Mundo após a Abolição das Quotas de Produção na UE”. Após ter apresentado os desafios e as oportunidades no mercado internacional para o açúcar brasileiro, Geraldine argumentou sobre as mudanças no regime açucareiro europeu. “Qualquer reforma que é mais orientada para o mercado e que reduz o intervencionismo dos poderes públicos é bem-vinda. E este é o caso da abolição das quotas de produção de açúcar na UE. Porém, esperamos que a próxima reforma seja dirigida a uma abertura maior dos europeus para as importações”.

Em sua intervenção, Kutas, cujo painel de discussão incluiu também as participações do diretor-geral da Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA, na sigla em inglês), Abinash Verma, e do vice-presidente da multinacional Tate&Lyle, Gerald Mason, também falou sobre duas consequências das quotas destinadas ao Brasil e que são decorrentes de processos de ampliação da UE a outros países.

“As condições de mercado na Europa mudaram de forma radical, já que a UE passou por duas reformas do seu regime açucareiro. Não aceitamos que a tarifa intra-quota de 98 euros/tonelada de açúcar imposta em 1995 com a adesão da Finlândia seja mantida, bem como que a EU divida a quota com o Reino Unido no contexto do Brexit”, afirmou a executiva, acrescentando que a Unica continuará atenta em relação aos subsidio que a UE e seus estados membros dão ao setor do açúcar.

Etanol

As alterações propostas na nova Diretiva Europeia para Promoção de Energias Renováveis (RED-II), em especial o trecho que reduz participação de combustíveis renováveis de primeira geração (1G) – categoria na qual o etanol brasileiro está inserido, no setor de transporte de 7% em 2020 para 3,8% em 2030, também foram analisadas pela assessora internacional da Unica no Platts EU Biofuels Seminar. Reunindo aproximadamente 120 pessoas, o evento teve a presença de Geraldine Kutas no último painel de debates. Moderado pelo jornalista Tim Worledge, a sessão também teve a participação do diretor da GEA Biodiesel, Alfredo Langesfeld.

“Minha principal mensagem foi demonstrar que o atual texto da RED-II em relação aos biocombustíveis convencionais prejudicará o processo de ‘descarbonização’ no segmento de transportes europeu”, disse Kutas, que continuou: “Os critérios da RED-II são injustos por tratar todos os biocombustíveis convencionais da mesma forma. O etanol de cana do Brasil, por exemplo, é considerado avançado nos EUA por apresentar um poder de redução das emissões de gases de efeito estufa que pode chegar a até 90%”.

A RED-II ainda precisa ser discutida e aprovada no Parlamento europeu e no Conselho da UE, que deverá se debruçar sobre o assunto somente a partir do segundo semestre deste ano. (ÚNICA 03/05/2017)

 

Gargalos à vista no escoamento de açúcar para exportação

Usinas e tradings de açúcar estão preocupadas com os possíveis gargalos no escoamento da safra atual para o exterior nos próximos meses. Esse receio não é fruto do tamanho da produção esperada pelas usinas, que não deve ser muito diferente da registrada na última safra, mas da concorrência com a enxurrada de grãos atualmente represada pelos agricultores em virtude dos baixos preços.

Além de boa parte dos produtores de soja estar segurando a comercialização de soja por causa do mercado adverso, em cerca de um mês começa a ser colhida uma volumosa safrinha de milho, com boa parte destinada à exportação. No ano passado, apesar da produção recorde de 35,6 milhões de toneladas de açúcar no Centro-Sul, não houve gargalos, em parte graças à quebra da safrinha de milho.

“Como o ritmo da produção de açúcar está mais lento este ano, uma vez que as usinas estão demorando mais para processar cana do que no último ciclo, é possível que o período crítico para o escoamento comece no fim de maio ou em junho”, disse Henrique Akamine, gerente de análise de mercado da trading Czarnikow.

Isso também vai depender de quando os produtores de grãos vão acelerar a comercialização de seus produtos. “Quanto mais demorar a exportar soja, maior a possibilidade de o escoamento encavalar com o da safra de açúcar”, disse Akamine.

Nesse contexto, a expectativa é de aumento no custo com caminhões para transportar açúcar. Danilo Caprara, trader da Olam International, acredita que as usinas poderão pagar mais pelo frete, mas afirma que esse será um problema “pontual, no pico da safra”.

Segundo Akamine, da Czarnikow, por enquanto os preços do frete de açúcar não subiram de forma expressiva, “porque a safra ainda não começou a ser escoada fortemente”.

Já há quem esteja se precavendo contra eventuais gargalos. A usina Alta Mogiana, por exemplo, decidiu antecipar em um mês a contratação das transportadoras que levarão seu açúcar até os portos. Mas o valor do frete já foi um pouco superior ao do ano passado, disse Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial da companhia.

Trader da Sucden, Eduardo Sia não descarta possíveis congestionamentos de caminhões nos portos, o que pode gerar custo com estadia dos veículos. Ele pondera que a demanda por açúcar costuma “vir bem distribuída”, o que ajuda a não congestionar os portos.

Na última semana, houve um grande aumento da fila de navios que esperam para carregar açúcar nos portos, mas a quantidade é considerada dentro do normal. Na quarta-feira passada (26 fde abril), haviam 42 navios na fila, oito a mais do que uma semana antes, segundo a agência marítima Williams Brazil.

A capacidade dos portos não preocupam, até porque, neste ano, o mercado de açúcar ganhou uma nova via portuária. A VLI vai inaugurar na sexta-feira sua nova estrutura no porto de Santos, que inclui um berço de atracação de navios com capacidade para embarcar 4.5 milhões de toneladas de açúcar por ano. (Brasil Agro 03/05/2017

 

Efeito Odebrecht atrapalha desenvolvimento na América Latina

As investigações de corrupção envolvendo o grupo Odebrecht S.A. estão atrasando o desenvolvimento de grandes projetos de energia e infraestrutura em toda a América Latina, criando efeitos negativos para governos, empresas e bancos, afirmou a agência de classificação de risco Moody's em relatório nesta quarta-feira.

"Várias concessões de infraestrutura foram interrompidas e precisarão ser relançadas como resultado do escândalo de corrupção da Odebrecht. Os obstáculos jurídicos e administrativos para esses projetos provavelmente levarão outros 12 a 24 meses", disse o vice-presidente da Moody's, Adrian Garza.

Um dos principais alvos da operação Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago 788 milhões de dólares em propina a funcionários de governos em 11 países além do Brasil, incluindo 9 na América Latina.

Diversos contratos de concessão de grandes projetos, desde gasodutos até iniciativas de navegação fluvial, foram cancelados em vários países , incluindo Peru, Colômbia e Panamá. Uma investigação também foi aberta no México.

As repercussões foram sentidas em toda a economia, contribuindo para reduções recentes das previsões da Moody's para o crescimento de vários desses países.

As empresas que participam desses projetos estão enfrentando agora pressões de fluxo de caixa e os bancos, que emprestaram tanto às concessões como diretamente às empresas envolvidas, estão enfrentando maiores riscos de ativos, afirmou a Moody's.

Para a agência, os cancelamentos de projetos agravam desafios que os desenvolvedores de infraestrutura já enfrentam na região, como lento crescimento econômico, pressões fiscais que limitam o investimento público, e os riscos de taxa de juros e de moeda.

Por outro lado, a investigação levará a um impulso regional para fortalecer os procedimentos anticorrupção e, no longo prazo, os projetos de infraestrutura se beneficiarão de medidas em prol de maior transparência, conclui o relatório. (Reuters 03/05/2017)

 

Ministro cumpre agenda de encontros com o setor sucroenergético

Em diversos encontros realizados nos últimos dois dias com representantes do segmento sucroenergético, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, discutiu temas importantes para a retomada do crescimento do setor e conheceu de perto a sustentabilidade da produção de cana no Estado de São Paulo (SP).

Na segunda-feira (01/05), após participar da abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), a agenda ministerial incluiu visitas à Cooperativa Agroindustrial de Jaboticabal (Coplana), para conhecer de perto as culturas de rotação amendoim-cana, e à fazenda Santa Isabel, onde Maggi acompanhou avançadas técnicas de manejo agrícola utilizadas nos canaviais brasileiros.

Na terça-feira (02/05), o ministro esteve na usina São Martinho, empresa associada à União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e considerada um modelo de produção sustentável no setor. Na edição de 2016 do anuário “As Melhores da Revista Dinheiro Rural”, publicação sobre práticas exemplares de gestão de empresas no Brasil, a São Martinho, juntamente com as companhias Raízen e Vale do Verdão, foi escolhida como uma das vencedoras da categoria “Açúcar e Biocombustíveis”.

Em tour pela unidade localizada no município de Pradópolis (SP), Maggi foi acompanhado por executivos da indústria sucroenergética, incluindo o presidente do Conselho Deliberativo da UNICA, Pedro Mizutani, a presidente da entidade, Elizabeth Farina, e o presidente do Siaesp e membro do Conselho de Administração do Grupo São Martinho, Marcelo Campos Ometto. Maggi observou inovações em todas as etapas agrícolas e industriais da fabricação de etanol, açúcar e bioeletricidade.

Os avanços no processo de colheita mecanizada, o plantio de mudas pré-brotadas (MPB), que vem diminuindo custos de produção no setor e uso de drones para pulverização de defensivos nos canaviais, este último ainda em fase experimental, chamaram a atenção do ministro durante a visita.

Elizabeth Farina acredita que o encontro “foi excelente oportunidade para mostrar a capacidade e o comprometimento do setor com a produção combustível, alimento e energia de forma competitiva e sustentável, além de discutir medidas que valorizem os inúmeros benefícios ambientais e socioeconômicos gerados pela atividade no Brasil, como o RenovaBio, por exemplo”.

Lançado pelo governo no final de 2016, o RenovaBio tem como objetivo principal tornar a matriz energética brasileira mais renovável até 2030, tendo em vista as metas de desenvolvimento sustentável assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris.

Diferenciação tributária entre o etanol e a gasolina, metas anuais de emissões de GEEs por segmento de combustíveis (ciclos Otto e diesel), linhas de financiamento mais adequadas à realidade econômica das usinas, expansão da bioeletricidade, inovações tecnológicas, aumento da eficiência dos veículos flex e instrumentos para a precificação de carbono foram algumas das contribuições da UNICA durante a fase de Consulta Pública do projeto, que deverá submetido à aprovação do Congresso Nacional no segundo trimestre deste ano.

Em apresentação feita ao ministro, Farina também mostrou uma radiografia da indústria canavieira no Brasil, destacando o papel que 380 unidades produtoras e 70 mil fornecedores de cana têm na geração de um Produto Interno Bruto (PIB) setorial de US$ 40 bilhões e para a manutenção de mais de 840 mil empregos diretos em 2016. A executiva também enfatizou o crescimento sustentável no cultivo de cana no País. Desde a década de 1970, a produtividade média dos canavais vem apresentando uma evolução de 3,5% ao ano. (ÚNICA 03/05/2017)

 

Índia quer vender apenas carros elétricos a partir de 2030

Além da China, outra grande economia emergente promete revolucionar seu próprio mercado interno com apoio maciço à chegada dos elétricos. Trata-se da Índia, que anuncia nesta semana a ambiciosa meta de comercializar unicamente carros de propulsão elétrica a partir de 2030. O feito será alcançado com apoio do governo, por meio de subsídios, bem como com a ampliação da demanda por meio do “despertar” do consumidor para a tecnologia.

As palavras são de Piyush Goyal, ministro da Energia, que acredita na meta como algo razoavelmente alcançável. “Nós vamos introduzir veículos elétricos de uma maneira muito grande. Vamos fazer veículos elétricos autossuficientes. A ideia é que até 2030 nem um único carro a gasolina ou diesel deva mais ser vendido no país “, disse.

Ele complementa: “O custo dos veículos elétricos vai começar a se pagar e os consumidores já começam a ter essa percepção. Gostaríamos de ver a indústria de veículos elétricos funcionar por conta própria”. O plano é que o governo dê apoio por 2 ou 3 anos e que, depois disso, o mercado tenha condições de crescer sozinho.

A Índia enfrenta sérias questões com as consequências da poluição e a popularização dos elétricos é vista como alternativa verde para este problema. Segundo estimativas do Greenpeace, até 2,3 milhões de pessoas morrem prematuramente no país todo ano por causa da baixa qualidade do ar. (UOL 04/05/2017)