Setor sucroenergético

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Da Shell para a Shell

A Raízen Fuels Finance, subsidiária da Raízen, está na disputa por ativos da Shell na Argentina: uma refinaria e uma rede de distribuição de combustíveis com 600 postos.

As ofertas chegam a US$ 2 bilhões e o acordo deverá ser fechado, no máximo, em três semanas.

Estão também no páreo Luksic, Trafi gura, YPF e Vitol.

Curioso: se a Raízen fechar o negócio, indiretamente a Shell estará vendendo os ativos para ela própria, sócia da joint venture ao lado da Cosan. (Jornal Relatório Reservado 08/05/2017)

 

Empresas de máquinas projetam avanço das vendas de colhedoras de cana no país

Apesar da forte queda nas vendas em abril, as principais fabricantes de colhedoras para cana do país estão confiantes na recuperação do mercado até o fim do ano, embora as cotações internacionais do açúcar tenham registrado baixas expressivas nos últimos meses.

Segundo divulgou na sexta-feira a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidas 99 colhedoras de cana no mês passado, queda de 23,8% em relação a abril de 2016. No primeiro quadrimestre, foram 378 unidades, ante 390 em igual intervalo do ano passado.

Em boa medida, o tombo de abril pode ser explicado pelo menor número de dias úteis ­ 18, sem contar a greve geral do dia 28. Em encontro com jornalistas na sexta-feira, Antonio Megale, presidente da Anfavea, lembrou que esse pequeno número de dias úteis influenciou negativamente o mercado de veículos em geral no país.

Mas, apesar da retração, os fabricantes de colhedoras de cana apostam em uma retomada, apesar de reconhecerem que muitas usinas ainda se preocupam com as dívidas contraídas do passado e que o mercado para essas máquinas no país não deverá registrar crescimento expressivo em 2017, em 2016, foram vendidas cerca de mil unidades vendidas no ano passado.

"Não vemos o segmento de cana com uma perspectiva de crescimento grande. Mas, devido aos anos de crise, há uma demanda reprimida e esperamos que nossas vendas de colhedoras aumentem até 20% este ano", disse Alexandre Vinícius de Assis, gerente de contas estratégicas da Valtra, marca do grupo AGCO, durante a Agrishow, maior feira de agronegócios do país, realizada na semana passada em Ribeirão Preto.

A marca Valtra detém 7% desse segmento. Mas Assis avalia que há espaço para avanços nos próximos anos. Para ele, até 2018 deverá haver uma estabilidade nas vendas de colhedoras em geral, mas aposta que as usinas passarão por uma nova fase de consolidação que poderá posteriormente abrir espaço para crescimentos mais expressivos.

César Di Luca, diretor comercial da Case IH no Brasil, marca do grupo CNH Industrial, observa que os resultados de muitas usinas, sobretudo as que já estavam mais capitalizadas, melhoraram em 2016 e, com isso, projeta crescimento de 3% do faturamento com colhedoras de cana este ano. (Valor Econômico 08/05/2017)

 

Etanol já remunera melhor que açúcar em usina longe do porto

Deixado de escanteio na última safra pelas usinas, o etanol hidratado está começando a oferecer uma remuneração mais alta que o açúcar em Estados mais distantes do porto de Santos, principal via de exportação do adoçante. Conforme levantamento da consultoria FCStone, já está mais vantajoso para as usinas em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul produzir etanol em detrimento do açúcar.

Nesses Estados, o preço do etanol hidratado, convertido à medida do açúcar no mercado internacional (libra-peso), está acima do fechamento de ontem do contrato mais negociado do demerara na bolsa de Nova York (para entrega em julho), de 15,37 centavos de dólar a libra-peso.

Em Goiás, o etanol hidratado está valendo o equivalente a 15,85 centavos de dólar a libra-peso; em Mato Grosso do Sul, a 15,60 centavos de dólar a libra-peso; e, em Mato Grosso, a 17,40 centavos de dólar a libra­peso. Os valores foram apurados na sexta-feira passada, mas pouco variaram nos últimos dias, diz Ricardo Nogueira, consultor da FCStone.

A diferença é maior nos Estados mais afastados do litoral porque o cálculo considera o custo com frete, que aumenta conforme a distância do porto, explica Nogueira. Além disso, enquanto o custo do frete de açúcar recai sobre a usina, o frete de etanol é responsabilidade da distribuidora, acrescenta.

Essa virada no mercado ocorre justamente em Estados onde mais houve movimentos em 2016 para a produção de açúcar, seja de destilarias que instalaram fábricas de açúcar, seja de usinas que compraram novas máquinas e mexeram em suas estruturas para elevar a capacidade de produção de açúcar.

Mesmo nos Estados onde o preço do etanol hidratado ainda está abaixo do açúcar, a produção do biocombustível pode ser mais vantajosa. Como a venda do etanol oferece mais liquidez, porque o pagamento à usina se dá assim que o produto é posto nos caminhões da distribuidora, nem sempre é preciso que o produto esteja remunerando mais a usina para estimular a produção do biocombustível.

Uma das usinas que investiu em fábrica de açúcar em 2016 foi a Bioenergética Aroreira, com uma usina no município mineiro de Tupaciguara, que passou a ter capacidade para produzir 120 mil toneladas de açúcar por safra. Segundo José Rubens Bevillaqua, diretor da companhia, a unidade só não vai mudar o "mix" açucareiro, programado em 80% para esta safra, porque boa parte de sua produção já está com preço fixado. "Já para o ano que vem, podemos ter que rever", indicou.

Quando a Aroeira tomou a decisão de investimento, o açúcar estava acima de 20,5 centavos de dólar no mercado internacional e o dólar estava em cerca de R$ 3,40. Atualmente, tanto a commodity como o câmbio estão menos favoráveis para os exportadores.

Nogueira, da FCStone, lembra que cerca de 60% do açúcar para exportação teve seu preço fixado até agora, o que significa que 40% ainda está por ser negociado. "Não é pouca coisa, é a maior safra do mundo. Se o preço em Nova York cair mais, pode retirar da safra de 2 milhões a 3 milhões de toneladas", estima ele.

As perdas nas cotações do açúcar têm se aprofundado nos últimos dias com mais liquidações de posições por parte dos fundos. No último dia 25 de abril, os gestores de recursos ("managed money") reduziram seu saldo líquido comprado em Nova York em 56%, para 13.656 papéis, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).

Enquanto o açúcar amplia suas perdas, os preços do etanol não estão caindo com a mesma força nas últimas semanas. No fim de abril, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado em São Paulo chegou a acumular alta de 0,9% em quatro semanas, enquanto os contratos de segunda posição de entrega do açúcar demerara na bolsa de Nova York cederam 7,4%.

Os preços do etanol estão inclusive mais altos que um ano atrás. Depois de uma entressafra com valores pressionados, o etanol tem variado menos. O indicador Cepea/Esalq para São Paulo na semana até 28 de abril ficou 11% acima do valor até 29 de abril de 2016. (Valor Econômico 05/05/2017)

 

Etanol hidratado cai 2,56% e anidro recua 0,22% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas teve queda de 2,56%, esta semana, de R$ 1,4974 o litro para R$ 1,4591, o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro recuou 0,22%, de R$ 1,6632 o litro para R$ 1,6596 litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 08/05/2017)

 

CTNBio vai analisar em junho liberação de cana-de-açúcar geneticamente modificada

Programas de melhoramento genético têm alcançado eficiência no aumento de biomassa ou do teor de açúcar.

Um pedido de vista adiou para junho a decisão da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sobre o primeiro pedido de liberação comercial de cana-de-açúcar geneticamente modificada no país. O processo em análise é uma demanda do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que desenvolveu uma variedade da planta resistente à broca do colmo (Diatraea saccharalis), praga comum no centro-sul do país. O pedido de liberação comercial foi protocolado em dezembro de 2015.

Segundo o diretor de Negócios de Melhoramento Genético do CTC, William Burnquist, essa praga está presente em todos os canaviais do centro-sul do Brasil, chegando a causar perdas equivalentes a R$ 5 bilhões por ano. "Isso representa 500 mil hectares de cana-de-açúcar. Ou seja, nós estamos alimentamos esse inseto aqui no Brasil com um espaço superior a toda a área de cana plantada na Austrália, em Cuba ou nos Estados Unidos."

De acordo com ele, programas de melhoramento genético têm alcançado eficiência no aumento de biomassa ou do teor de açúcar, por exemplo, mas ainda não se mostraram capazes de gerar resistência a insetos. "Hoje, os controles químico e biológico não são 100% eficazes, há dificuldade de aplicá-los corretamente e sempre existe uma incidência residual, quer dizer, não é possível baixar além do limite de 2% de infestação da broca."

Biossegurança

A liberação comercial concede permissão para uso no meio ambiente, registro, transporte, consumo humano e animal, comércio (importação e exportação) da espécie e descarte.

Ao avaliar e aprovar a liberação comercial de um produto, a CTNBio elabora um parecer que examina o risco associado ao OGM em relação à biossegurança para o uso proposto. Em seguida, a empresa precisa requerer ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a autorização e o registro do item a ser comercializado. (Canal Rural 06/05/2017)

 

CMAA investe até R$ 500 mi em usina de açúcar e etanol

Aclamado por seus pares ao chegar ao almoço anual que promove para marcar a abertura da safra de cana-de-açúcar em Minas Gerais, José Francisco Santos, 61, fundador da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) e da JF Citrus, exala carisma ao cumprimentar todos os cerca de 300 convidados. No discurso, dispara frases como: “Criei meus filhos para serem gestores, e não herdeiros”, referindo-se a Francisco José, diretor da JF Citrus, uma das quatro maiores produtoras de laranja do país; Carlos Eduardo, presidente da CMAA; e Luiz Gustavo, membro do conselho da JF Citrus e da CMAA.

É com toda essa energia contagiante que José Francisco Santos, presidente do conselho de administração da CMAA e da JF Citrus, fala também do novo investimento do grupo, uma usina de açúcar dentro da unidade Vale do Pontal, em Limeira do Oeste, no Triângulo Mineiro, que será inaugurada no dia 16 de maio. O investimento total, incluindo a compra da usina, a plantação e a área de açúcar, Santos calcula que foi de R$ 450 milhões a R$ 500 milhões. “Serão 2,5 milhões de toneladas de cana. Ela vai produzir álcool, açúcar e energia”, conta Santos. Só para adaptar e criar a fábrica de açúcar foram investidos R$ 80 milhões para a produção de 60 mil toneladas de açúcar. A área plantada é de 20 mil hectares.

A outra usina da CMAA, a Vale do Tijuco, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, já está com a moagem anual de 4 milhões de toneladas de cana numa área plantada de 50 mil hectares. Lá são produzidos 35 mil sacos de açúcar por dia. “Ficamos em terceiro lugar no ano passado. Prefiro estar entre os melhores do que estar entre os maiores”, dispara Santos, diante de um crescimento sustentável do grupo.

Empregos gerados. O presidente da CMAA, Carlos Eduardo Turchetto Santos, conta que as duas usinas geram 2.000 empregos diretos, sendo 1.300 na Vale do Tijuco e 700 na Vale do Pontal. “Com a fábrica de açúcar, houve um incremento de quase cem pessoas já contratadas e em treinamento”. Juntas, as duas usinas vão faturar R$ 1 bilhão neste ano.

Questionado sobre se tem mais alguma unidade sucroenergética no radar, Santos, antes de responder, pensa por instantes, olha para o horizonte e responde: “Pode ter. Mas o mercado melhorou. Usina que tem cana boa para moer e boas terras não está passando dificuldades”, desconversa.

JF Citrus está entre as 4 maiores

Mineiro de Oliveira, José Francisco Santos é um dos quatro maiores produtores do país com sua JF Citrus. “Neste ano vamos produzir 8 milhões de caixas de laranja, sendo 90% para exportação. Trabalhamos mais com suco concentrado”, diz, animado. Cada caixa de laranja tem 40,8 kg, acrescenta o empresário, que tem 700 empregados e outros 2.000 na safra.

Com uma área plantada de 12 mil hectares para o negócio da laranja, Santos explica que as plantações estão distribuídas entre Minas Gerais e São Paulo, sendo que esse último detém 70% da produção. “Temos laranja em Avaré, Mogi Mirim e Bebedouro (as três em São Paulo) e, em Minas, na cidade do Prata, onde temos mais de 1 milhão de pés irrigados, e em Comendador Gomes”, afirma.

Santos conta que paga US$ 400 para cada tonelada de suco de laranja que exporta, por isso ele é a favor de uma taxa para o Brasil importar etanol. (O Tempo 04/05/2017)

 

Órgão do Cade recomenda aprovação de fusão de Dow e DuPont com desinvestimentos

A Superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apresentou parecer pela aprovação no Brasil da fusão mundial entre Dow Chemical e DuPont, desde que condicionada à assinatura de um acordo que irá prever desinvestimentos pelas companhias.

O parecer agora segue para o tribunal do órgão de defesa da concorrência, responsável por uma decisão final sobre a operação entre as empresas, que atuam nos segmentos de produtos químicos, agroquímicos e diversos outros negócios.

"Verificou-se que a operação geraria elevada concentração nos mercados de defensivos agrícolas, especialmente inseticidas e herbicidas utilizados em diversas culturas; de copolímeros de ácido e ionômeros, que são produtos petroquímicos utilizados em ampla variedade de aplicações finais; e de sementes de milho", afirmou o Cade em nota à imprensa.

Diante dessas preocupações, Dow e DuPont propuseram acordo em que se comprometem a desinvestir no Brasil e no mundo de um "conjunto substancial de ativos" nos mercados afetados pelo negócio.

Em defensivos agrícolas, as empresas estão dispostas a se desfazer globalmente de parte relevante das atividades da DuPont em inseticidas e herbicidas. O acordo também inclui também ativos relevantes em pesquisa e desenvolvimento da empresa no mundo.

No segmento de sementes de milho, as companhias propõem desinvestir parte relevante da atividade da Dow no Brasil, onde a concentração das atividades entre as duas empresas é especialmente significativa. O pacote de ativos inclui banco de germoplasma, unidades produtivas, centros de pesquisa, marca, produtos em desenvolvimento (pipeline), entre outros.

O Cade disse que Dow e DuPont também se comprometem a desinvestir, globalmente, os negócios de copolímeros de ácido e ionômeros de propriedade da Dow.

Segundo a análise da superintendência do Cade, "os desinvestimentos propostos pelas partes reduzem significativamente as concentrações nos mercados afetados, no Brasil e no mundo, e, por isso, são suficientes para afastar as preocupações concorrenciais geradas pela operação". (Reuters 06/05/2017)

 

Setor de máquinas agrícolas se prepara para ‘arrancar’ em 2017

O setor de máquinas agrícolas projeta um crescimento de 15% para 2017, na comparação com o ano anterior, quando a fabricação de tratores foi de 43.442 unidades e a produção total de colheitadeiras chegou a 5.759 máquinas. A aposta é na safra recorde de grãos, que, conforme o Indicador Brasil da Expedição Safra, deve ultrapassar 217 milhões de toneladas, além da necessidade de renovação da frota.

No Agrishow 2017, que reúne em Ribeirão Preto (SP) as principais empresas do segmento, o tom geral é de otimismo. Após uma largada para se esquecer em 2016, a situação começou a mudar ao apagar das luzes daquele ano. Tanto que, na comparação do primeiro trimestre de 2017 com o mesmo período do ano anterior, o crescimento no segmento de tratores foi de 50% (total de 7.919 máquinas) e o aumento na produção de colheitadeiras chegou a 30%, com 1.248 unidades fabricadas. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“Estamos num momento bastante favorável, a safra foi recorde em todos os lugares, do sul ao nordeste”, salienta o gerente da John Deere para a região Sul do país, Tangleder Lambrecht. “E o Agrishow é um termômetro para o segundo semestre, e tudo indica que vai ser bom”, complementa. (Gazeta do Povo 04/05/2017)

 

Syngenta e Canaplan premiam vencedores de produtividade

Competição avaliou o desempenho do uso de maturadores nos meses de maio e junho e o incremento de rentabilidade gerado para o produtor.

Na quinta-feira, 27 de abril, o setor sucroalcooleiro conheceu os grandes vencedores do Desafio MultiplicAção, da Syngenta. Um programa, criado com o objetivo de avaliar o desempenho do maturador Moddus nos meses de maio e junho, período em que, geralmente, se faz pouco uso de maturadores, e demonstrar que essa ferramenta pode incrementar rentabilidade para o setor sucroenergético, com ganhos significativos de ATR (açúcar total recuperável) por hectare, mesmo nessa época de baixa adoção.

Em um almoço especial, em parceria com a consultoria Canaplan, em Ribeirão Preto (SP), a Syngenta anunciou a Usina Cerradão, como a grande vencedora do Desafio MultiplicAção 2016.

As Usinas Santa Fé, Santa Teresinha unidade Paranacity e Usina Araporã, completaram o ranking das quatro usinas mais bem colocadas, considerando os percentuais de aumento da rentabilidade e retorno sobre o investimento, puxados pela maior concentração de ATR.

No evento, além das premiações e da apresentação dos trabalhos que evidenciaram os bons resultados alcançados pelas empresas com o uso da solução Syngenta, a empresa realizou o lançamento da edição 2017 do MultiplicAção que, mais uma vez, propõe a soma de forças para aumentar a rentabilidade e produtividade do setor, compromissos alinhados aos pilares que compõem o nosso Plano de Agricultura Sustentável [The Good Growth Plan]. (Brasil Agro 05/05/2017)

 

Justiça condena trio por aliciar trabalhadores do Nordeste para cortar cana para a Cosan

MPF informou que funcionários de Pernambuco moravam em Minas Gerais com a família em alojamentos sem geladeira e dormiam em colchões. A Cosan ainda não retornou sobre o assunto.

A Justiça condenou três homens por aliciar e transportar 42 trabalhadores de Pernambuco para realizar atividade de corte de cana-de-açúcar para a Cosan em Delta (MG). De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o trio, de idade não informada, foi condenado há mais de quatro anos de prisão cada e pagamento de multa. O G1 entrou em contato com a Cosan e aguarda retorno.

De acordo com a ação do MPF em Uberaba, em 2007 a equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho (MTE) tomou conhecimento da existência de um alojamento em Delta, onde estariam trabalhadores contratados para fazer corte de cana vivendo em péssimas condições. Ao chegar ao local, a equipe encontrou uma construção precária, na qual moravam 42 trabalhadores, juntamente com familiares e crianças.

Devido ao episódio, em 2009, a Cosan foi incluída no Cadastro de Empregadores Acusados de Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, também conhecido como “lista suja”. Segundo esclarecimento da empresa na época, a cana era destinada à Unidade Junqueira, localizada no norte paulista e próxima da divisa com Minas Gerais.

Entre os 42 trabalhadores contratados havia um adolescente, o que é proibido por lei. A fiscalização apurou que todas as pessoas foram levadas de Araripe (PE) para trabalharem no corte de cana da Usina Cosan S.A. com promessas de bons salários e alojamentos.

Os trabalhadores viajaram em um ônibus clandestino contratado pelos condenados e pagaram R$ 210 cada um pela viagem. O valor foi descontado do salário que eles receberam posteriormente. Os funcionários moravam em alojamentos sem geladeira e dormiam em colchões.

Segundo a denúncia do MPF, a ordem para se conseguir os trabalhadores partiu de um encarregado de mão de obra da Cosan. No entanto, de acordo com o MP, as vítimas eram registradas irregularmente em outra empresa.

Na ação, o MPF informou que após a constatação das irregularidades, a Cosan reconheceu a responsabilidade, assumiu os encargos trabalhistas e providenciou o retorno dos trabalhadores à cidade de origem por meio de transporte seguro e regular. (G1 05/05/2017)

 

Açúcar: Fundos estão vendidos e aumenta o medo de mais quedas

O mercado de açúcar em NY fechou a semana a 15.31 centavos de dólar por libra-peso no vencimento julho/2017, uma queda de 82 pontos na semana, ou o equivalente a mais de 18 dólares por tonelada. Os demais meses de negociação também não aliviaram. Quedas de 73 a 30 pontos, de 16 dólares por tonelada até 6 dólares por tonelada, com maior peso para os vencimentos mais curtos.

O cenário macro está prejudicando a análise mais criteriosa acerca do mercado de açúcar. O volume de vendas de commodities e ativos de risco em todo mundo embaralha a visão e nos faz perder o foco. No acumulado do ano, gasolina e açúcar caíram 21%, petróleo 17%, etanol 12%. Até os fundos “viraram a mão” e agora estão vendidos a descoberto no açúcar (estima-se em 20 mil lotes). Não é exatamente o tipo de notícia que gostaríamos de ouvir.

Apesar desse quadro sombrio para as usinas, acreditamos que o risco descendente do açúcar, nesse patamar de 15.31 centavos de dólar por libra-peso, é limitado. Não vai conseguir ficar muito tempo abaixo dos 16 centavos de dólar por libra-peso por questões estruturais: custo de produção (do Brasil e de outros países), proximidade com a paridade do etanol, aperto no fluxo de caixa afetando cuidados culturais e eventuais expansões para os próximos anos. Quanto mais o mercado cair de forma irracional e especulativa, mais violenta será a correção.

Em 17 de fevereiro último, em relatório exclusivo para nossos clientes, quando NY negociava a 20.30 centavos de dólar por libra-peso, dissemos que os preços do açúcar a partir de abril poderiam sofrer uma queda violenta caso não houvesse uma mudança significativa nos fundamentos. Não houve mudança e daquela data até 28 de abril assistimos atônitos ao contrato futuro de NY mergulhar de 20.30 para 16.04 centavos de dólar por libra-peso, ou seja, uma desvalorização de 21%. Existem muitas lições a serem tiradas desse mercado, mas a principal delas é a disciplina. Esse é um dos pontos que mais insistimos em nossas considerações acerca do mercado de açúcar e de qualquer commodity: é necessário haver disciplina para uma gestão de risco adequada.

Nosso modelo matemático (lembrem-se que modelos falham) indica que o preço médio para o mês de maio é de 16.51 centavos de dólar por libra-peso, ou seja 1% melhor do que o preço médio observado no mês abril, que foi de 16.34 centavos de dólar por libra-peso. Apesar de o fechamento de sexta ter sido muito abaixo desse valor e a média no mês de maio até aqui de 15.76 centavos de dólar por libra-peso, 16.51 parece otimista demais. Nossa visão é de que o mercado antecipou a pressão que ocorreria no pico da safra em julho. Esse tipo de antecipação já ocorrera antes. Em maio do ano passado o modelo indicava 14.78 e a média foi de 16.68 (ou seja, melhor), depois em novembro o modelo indicava 22.72 e a média efetiva acabou sendo menor: 20.87. Será que a queda apontada pelo modelo para ocorrer em julho, se antecipou?

Para junho, o modelo aponta para uma ligeira queda: 16.36 centavos de dólar por libra-peso. Julho deve ter a maior pressão e o modelo aponta para um desconto de 100 pontos em relação ao junho, ou seja, 15.36 centavos de dólar por libra-peso. A partir de agosto, o modelo acredita que os preços começam a se recuperar lentamente.

Especulativamente, pode-se dizer que a venda de uma put (opção de venda) com preço de exercício de 15.00 centavos de dólar por libra-peso (prêmio de 45 pontos no fechamento de sexta) e a venda de uma call (opção de compra) com preço de exercício de 17.50 centavos de dólar por libra-peso (prêmio de 12 pontos no fechamento da semana) se constituem em uma estratégia condizente com o que o modelo aponta. Caso o julho expire abaixo de 15.00, você estará comprado a 14.43 centavos de dólar por libra-peso; caso expire acima de 17.50, você estará vendido a 18.07 centavos de dólar por libra-peso.

Ao fazer uma projeção sobre a produção de cana para as próximas safras (até 2021/2022) englobando o Centro-Sul e o Norte/Nordeste, assumimos uma expansão total do canavial de 2% ao ano e mantivemos o mix de açúcar em torno de 47-48%. O resultado foi um déficit de cana acumulado de 115 milhões de toneladas ao longo dos próximos cinco anos. Esse volume corresponde a 10.6 bilhões de litros de etanol. Se o setor não investir na expansão da agroindustrial teremos forçosamente que importar etanol de milho e/ou gasolina A. Como assumimos na projeção que o mix vai atender prioritariamente ao mercado de açúcar, este não apresenta déficit.

Os dados são relativamente conservadores uma vez que estimam a frota de veículos leves para 2021 em 41.5 milhões de unidades, das quais 9 milhões a gasolina e 32 milhões de veículos flex. Conservadoramente, estimamos também uma frota ativa de motocicletas de 14 milhões de unidades. Mudanças nesses números em função de eventual melhora na economia depois de 2018 refletirão, obviamente, no déficit informado acima.

Quanto à estimativa do RenovaBio, objeto de nosso comentário da semana passada, de que o Brasil deverá consumir em 2030 cerca de 50 bilhões de litros, os números da Archer dão conta de que naquele ano o consumo total de combustíveis deverá ser de 75.7 bilhões de litros, dos quais 40.1 bilhões de litros de gasolina A (sem mistura) e 35.6 bilhões de litros de etanol (14.8 de anidro e 20.8 de hidratado).

A 28ª. Edição do Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo-SP, no Hotel Paulista Wall Street. Não deixe para a última hora e aproveite os descontos.

Caso você queira receber nossos comentários semanais de açúcar diretamente no seu e-mail basta cadastrar-se no nosso site acessando o link http://archerconsulting.com.br/cadastro/.

Para todos aqueles que estão indo para Nova Iorque para atender ao Sugar Dinner, boa viagem e bons negócios (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)