Setor sucroenergético

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Setor sucroenergético pode viver nova onda de fusões e aquisições

Perspectivas para o mercado de aquisições de usinas ainda divide especialistas, mas surgem indícios de possível retomada das operações.

Apesar de leilão frustrado, unidade da Renuka teria atraído interesse do Grupo Fatima, da Proterra Investments Partners, do fundo Castlelake e da RK Partners.

A reação esboçada pelo setor de açúcar e etanol a partir do ano passado tenderá a reanimar em alguma medida o mercado de aquisições, esperam consultores e especialistas, ainda que a intensidade desse movimento provoque discordâncias naquelas áreas. No ano passado, segundo números da EXM Partners, da PwC, da Deloitte, da Czarnikow e da RPA Consultoria, cinco usinas trocaram de dono, somando uma capacidade instalada muito próxima de 20 milhões de toneladas, em torno de 3% da cana da região Centro-Sul, em negócios estimados em alguma coisa acima de R$ 2 bilhões, evolvendo desembolsos diretos e assunção de dívidas.

O ritmo das transações já havia sido mais promissor do que em 2015, quando, na estatística do diretor de corporate finance da consultoria Czarnikow, Luis Felipe Trindade, foi registrada apenas uma aquisição.

Em uma transação concluída em dezembro daquele ano, o Grupo Ruette, dono de duas usinas de cana em São Paulo, com capacidade para 4,5 milhões de toneladas, foi comprado pelo fundo de private equity Black River Agriculture Fund 2, da gestora Black River, em um investimento de R$ 151 por tonelada de capacidade. Neste momento, assinala ele, havia "uma série de processos em andamento na área de corporate finance (finanças corporativas, em tradução aproximada), incluindo alguns de fusão e aquisição ainda no forno, depois de cinco anos com poucas operações fechadas nesta área".

"De fato, o ambiente tende a favorecer a volta das operações de fusões e aquisições no setor de forma progressiva, em uma intensidade diferente daquela observada em 2010 e 2011, mas com elevação no número de operações e nos valores de transações", observa Trindade. Segundo ele, o mercado registra, atualmente, uma presença mais forte de players que já atuam no setor, em busca de sinergia para o seu negócio. Da mesma forma, percebe-se o interesse também de investidores estrangeiros, sobretudo do Oriente Médio e da Ásia. "Em resumo, 2017 pode ser um ano mais ativo do que 2016".

Na avaliação de Wendel Caleffi, sócio da EXM Partners, o mercado tem dado sinais efetivos de alguma reação, com maior procura de investidores, especialmente estrangeiros. Ricardo Pinto, sócio e fundador da RPA, observa que a "temporada de due diligence no setor foi reaberta agora", com a demanda de liderada por grupos da Europa e do Oriente Médio. Depois de dois anos sem procura, a RPA conclui duas operações em São Paulo, fechou contrato com mais duas usinas, também em território paulista, e iniciou as tratativas de uma usina em Mato Grosso.

"Há cerca de um mês fizemos uma due diligence para um grupo do Oriente Médio, interessado na aquisição das duas usinas da Abengoa Bioenergia em São Paulo. Um grupo europeu sinalizou interesse em contratar a avaliação de um grupo de médio porte do Centro-Sul, em mais um sinal de que o mercado de fusões e aquisições experimentam uma retomada", afirma Pinto.

Os investidores, no entanto, continuam bastante conservadores, na visão de Alessandro Ribeiro, líder para a área de fusões e aquisições da PwC, e de Paulo Pinese, sócio da consultoria Deloitte para a área de agronegócio. "A novidade é que os preços (do açúcar e do etanol) estão mais favoráveis e o valor das usinas está mais baixo do que na fase de boom desse mercado, entre os ciclos 2009/10 e 2011/12", comenta Ribeiro. Pinese acredita que uma segunda onda de consolidações no setor ainda deverá ocorrer.

Neste momento, porém, o mercado "está à toda apenas do lado da venda. Simplesmente não há quem se arrisque a comprar", reforça ele.

Na avaliação de Pinese, a curva de rentabilidade das usinas, na média, ainda não é suficiente para "gerar um cálculo econômico sólido para justificar o investimento em aquisições desse porte". Ele cita o caso do leilão da unidade de Promissão da Renuka, atualmente em recuperação judicial, que foi frustrado por falta de investidores e relembra que "tentativas de venda de outros grupos também não levaram ao fechamento de negócios".

Na hipótese de uma segunda onda de consolidação, Pinese descarrega suas apostas na China, que dispõe de capital e poderia assumir uma participação relevante no mercado brasileiro de aquisições. "Os investidores deverão olhar principalmente usinas em recuperação judicial com dificuldades de financiamento e usinas que precisam de capitalização", sugere. Fundos de investimento, especialmente estrangeiros, acrescenta Ribeiro, estariam avaliando usinas com boa capacidade de geração de caixa.

Mais atrativas

Caleffi identifica dois tipos de usinas disponíveis e que poderiam ser mais atrativas a investidores potenciais, mencionando, primeiramente, aquelas unidades que entrarem em operação ainda durante o boom mais recente de investimentos do setor, em 2009, que enfrentam níveis de alavancagem ainda elevados e se encontram em recuperação judicial. No segundo grupo, o sócio da EXM Partners inclui usinas mais antigas, das quais muitas sem cogeração de energia, mas com boas áreas de lavoura e bem posicionadas em relação à logística de operação.

Entre elas, Caleffi aponta as usinas São Fernando, da família Bumlai, localizada em Dourados (MS), com capacidade para 4,5 milhões de toneladas, e a São Simão, do Grupo Andrade, instalada no município de mesmo nome em Goiás. "São usinas novas, que estavam alavancadas e não conseguiram servir suas dívidas de 2010 em diante", afirma.

A EXM está concluindo o processo para o leilão da São Fernando, que envolverá a constituição de uma unidade produtiva isolada (UPI), conforme prevê a Lei de Recuperação Judicial, em um modelo que oferece "maior proteção legal ao investidor disposto a assumir o passivo e entrar com dinheiro novo no negócio", sustenta Caleffi. O pacote todo, incluindo a planta industrial e canaviais, está avaliado em R$ 1,1 bilhão, em grandes números, e a gestora americana de fundos de investimento Amerra estaria entre os interessados, assim como o grupo Cevital, maior companhia privada da Argélia.

A solução pensada para a São Simão, igualmente sob recuperação judicial, deverá seguir o modelo mais convencional de aquisição. "Estamos falando de uma usina com capacidade de 3 milhões de toneladas, com níveis baixos de contingências e endividamento em torno de R$ 550 milhões", afirma Caleffi. "Quem entrar no negócio teria que fazer um investimento de R$ 100 milhões para que a usina retorne à capacidade de operação plena", completa.

Entre os interessados em usinas brasileiras, além da Amerra e da Cevital, Ricardo Pinto relaciona ainda o grupo paquistanês Fatima, com ativos na área de fertilizantes, têxteis, açúcar e energia, que teria sob a mira a usina Madhu, da Renuka do Brasil, localizada em Promissão (SP), e as usinas da espanhola Abengoa Energia. Já o Proterra Investments Partners (que tem a Cargill como um dos acionistas) teria firmado, assim como o fundo Castlelake, termo de confidencialidade para consultar informações sobre a planta da Renuka. A mesma usina ainda estaria sendo analisada pela brasileira RK Partners, que mantém joint venture com a Cerberus Capital Management, uma das maiores gestoras globais de private equity. (Revista Safra 10/05/25017)

 

Lucro da Cosan cai 16,9% no primeiro trimestre, para R$ 205,3 milhões

A Cosan terminou o primeiro trimestre do ano com lucro líquido de R$ 205,3 milhões, queda de 16,9% na comparação anual. O resultado ajustado excluindo efeitos “pontuais”, como uma provisão para perda de investimentos em logística na Raízen Energia, representou lucro de R$ 246,2 milhões, mais de quatro vezes o lucro ajustado dos primeiros três meses de 2016, de R$ 51,9 milhões.

A receita líquida da companhia caiu 1,8% no trimestre, para R$ 11,6 milhões.

Entre as unidades da companhia, houve baixa nas receitas da Moove e da Raízen Energia. Já a Raízen Combustíveis apurou alta na receita no trimestre, e a Comgás teve melhora operacional.

Segundo a companhia, o resultado da Raízen Energia foi afetado pelo câmbio, sem efeito caixa. Incluindo o efeito de hedge cambial, a Cosan teria apurado um Ebitda de R$ 1,2 bilhão, alta de 8%.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 35,8% no trimestre, para R$ 973,8 milhões. O Ebitda ajustado, por sua vez, recuou 4,1%, para R$ 1,096 bilhão.

No resultado, a Cosan destacou que o ano de 2017 começou com “pequenos sinais de reação na economia”, mas ainda não há dados que evidenciem uma “melhora estrutural”.

O resultado da Raízen Combustíveis refletiu efeitos pontuais da provisão para uso de créditos fiscais e da eliminação entre a Raízen Combustíveis e a Raízen Energia, além de despesas de reestruturação interna.

Já a Raízen Energia registrou efeitos não recorrentes da provisão para perdas de investimentos em logística e a reversão do resultado não realizado entre a Raízen Energia e a Raízen Combustíveis. (Valor Econômico 11/05/2017)

 

Usinas de cana-de-açúcar voltam a investir na lavoura

Com melhoria das margens e menor endividamento, setor deverá ampliar os trabalhos de renovação dos canaviais, com investimentos de R$ 7 bilhões.

Depois de reduzir o replantio e manutenção dos canaviais nas últimas safras, investindo em torno de R$ 5 bilhões por ciclo – metade do valor considerado ideal –, as usinas ensaiam neste ano retomar com maior força os investimentos na lavoura. Na expectativa do diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, a área de canaviais sob reforma deverá experimentar um incremento em torno de 30% na safra 2017/2018, superando a marca de 1 milhão de hectares. Em grandes números, o replantio e manutenção da lavoura demandará das usinas um investimento pouco acima de R$ 7,0 bilhões, aproximando-se dos níveis considerados ideais para sustentar a estabilidade dos canaviais e preservar a sua produtividade.

"O setor teria que investir em torno de R$ 10 bilhões para fazer a reforma de aproximadamente 1,5 milhão de hectares por ciclo e ter canaviais bem equilibrados, que permitam cinco colheitas sem que a produtividade média sofra impactos mais severos" acrescenta Pádua. A melhora nos preços do açúcar e do etanol contribuiu para construir um novo equilíbrio econômico-financeiro para as indústrias do setor, o que explica a recuperação relativa agora em curso.

O preço médio do etanol voltou a ser remunerador, as cotações do açúcar voltaram a subir diante do déficit na oferta global e a queda do dólar contribuiu para estancar o endividamento das indústrias, na avaliação de Pádua, estimulando as usinas a recuperar as áreas de lavoura, o que implica, além do investimento no campo em si, a compra de tratores, implementos e outras máquinas. Mantida a tendência e um ambiente menos hostil aos negócios do setor, Pádua estima que em três ou quatro safras será possível colher pelo menos 60 milhões de toneladas de cana a mais na mesma área plantada atualmente, próxima a 10,0 milhões de hectares na região Centro-Sul.

Para comparação, isso significaria ampliar a colheita para qualquer coisa próxima a 660 milhões de toneladas naquela região, em um avanço de 10% frente a quase 600 milhões de toneladas esperadas pela Unica para a safra 2016/2017, encerrada oficialmente no dia 31 de março deste ano. Ainda à espera de dados finais para o ciclo recém-concluído, Pádua estimava uma produção total, incluindo o Norte e Nordeste, de aproximadamente 650 milhões de toneladas de cana, cerca de 2% menor do que as 666,8 milhões colhidas em 2015/2016 em todo o País.

"A produção deve ter retornado aos níveis de 2013/2014", diz Pádua. Naquela safra, as usinas processaram 652,96 milhões de toneladas, segundo dados da Unica. As estimativas antecipadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam uma produção de cana de 657,2 milhões de toneladas no ciclo 2016/2017, projetando uma colheita de 647,6 milhões de toneladas para a safra 2017/2018, num recuo de 1,5%.

A produção total de etanol, ainda de acordo com o diretor da Unica, deve atingir 27,8 bilhões de litros, embutindo retração em tomo de 8% na comparação com os 30,2 bilhões de litros produzidos na safra anterior, num recorde na série histórica da entidade. "A safra 2016/2017 foi mais açucareira" anota ele. Nas contas de Bruno Cestaro, gerente para a área de trading do grupo Delta Energia, em torno de 46% da cana foram destinados à produção de açúcar diante de 40% no ciclo 2015/2016.

Sua projeção sugere que 47% da cana a ser colhida no ciclo 2017/2018 deverá ter como destino a produção de açúcar, diante dos preços mais atraentes do produto no mercado internacional. Segundo análise do BTG Pactual, nas safras 2015/2016 e 2016/2017, que se encerra em setembro no Hemisfério Norte, são esperados déficits de 7,565 milhões e de 6,489 milhões de toneladas, correspondendo a 3,7% do consumo global de açúcar, o que deverá sustentar os preços médios por libra peso ao redor de 20 centavos de dólar, em torno de 51,5% mais elevados do que os valores médios observados em 2014/2015.

Diante do aumento no consumo da gasolina C e da redução nas vendas de etanol hidratado, prossegue Cestaro, as usinas vêm alterando o mix de produção, abrindo maior espaço para o anidro. A participação do hidratado na produção total de etanol, diz ele, recuou de 62% na safra 2015/2016 para 59% na seguinte e tende a cair até 55% em 2017/2018, com a fatia do anidro avançando de 38% para 41 % e daí até 45%.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas da gasolina C, que recebe o anidro em sua composição, aumentaram 4,6% no ano passado, evoluindo de 41,1 bilhões para 43,0 bilhões de litros, enquanto o consumo de hidratado encolheu 18,3%, de pouco menos do que 17,9 bilhões para quase 14,6 bilhões de litros No primeiro bimestre deste ano, a tendência ainda se mantinha, com alta de 7,1% nas vendas da gasolina C, para 7,27 bilhões de litros, e baixa de 25,7% para o hidratado, saindo de 2,35 bilhões para 1,75 bilhão de litros no acumulado entre janeiro e fevereiro de 2016 e deste ano.

Sinais ainda dúbios para a indústria

A indústria de etanol, de qualquer forma, ainda convive com sinais dúbios, embora o cenário seja mais favorável do que nas safras anteriores. O alinhamento dos preços da gasolina ao mercado internacional, como parte da novíssima política de preços anunciada pela Petrobras, lembra Antônio de Pádua Rodrigues, da Unica, sempre foi uma demanda do setor. Mas a volta da cobrança do Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) sobre o etanol, com o fim do crédito presumido de R$ 0,12 por litro, o que zerava a contribuição, afetou negativamente a competitividade do produto.

Os esforços da Unica, insiste Pádua, continuarão direcionados para o reconhecimento das externalidades positivas do etanol frente à gasolina, o que significaria a adoção de um tratamento tributário diferenciado. Para cumprir os compromissos de redução de emissões assumidos pelo País na 21ª Cúpula do Clima, realizada em dezembro de 2015 em Paris, relembra Pádua, será preciso elevar a produção de etanol para, pelo menos, 50 bilhões de litros até 2030, o que exigirá políticas públicas que criem as condições para que aquele aumento aconteça. A cada mil litros de gasolina consumidos, continua ele, são emitidas três toneladas de C02, o que significa um volume de emissões cinco vezes mais elevado do que os 600 quilos de C02 gerados na produção e consumo de idêntico volume de etanol decana.

A conjuntura mais favorável começa a se refletir sobre os balanços, vislumbrando-se crescimento mais expressivo para as receitas e para os ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda), com algum avanço na geração livre de caixa e melhoria nos indicadores de endividamento. Na safra 2016/2017, avalia Guilherme Pessini, gerente sênior de agronegócios do Itaú BBA, as usinas deverão registrar já alguma redução da dívida líquida em valores absolutos, considerando uma amostragem de 57 grupos usineiros da região Centro-Sul, que moeram 411 milhões de toneladas de cana na safra 2015/2016, algo como 67% da moagem regional.

A dívida líquida da amostra, que não inclui grupos em recuperação judicial, havia saltado 26,3% na passagem das safras 2013/2014 para 2014/2015, subindo de R$ 41,033 bilhões para R$ 51,818 bilhões, e cresceu mais 7,5% na safra finalizada em março do ano passado, atingindo R$ 55,707 bilhões. Esse valor, na projeção de Pessini, tende a ser reduzido em quase R$ 5,0 bilhões no ciclo 2016/2017, para algo em torno de R$ 51,0 bilhões. A relação entre dívida e Ebitda, que já esteve levemente acima de quatro vezes em 2014/2015, deve cair pela metade, para duas vezes, o que significa um nível igualmente inferior aos 2,7 esperados para a safra 2016/2017.

Mesmo considerando um volume menor de cana a ser moída, a dívida por tonelada, acrescenta Pessini, deve se manter virtualmente estável, por volta de RS 127 a RS 128 nas safras 2015/2016 e 2016/2017, devendo, no entanto, cair 18% na safra recém-iniciada, para R$ 108. "A alta dos preços do açúcar e do etanol no ano passado permitiu uma melhor geração de caixa e a queda do dólar, que estava em R$ 3,56 no encerramento da safra 2015/2016 e fechou o ciclo seguinte em R$ 3,12, deverão permitir uma redução relevante do endividamento, numa queda da ordem de 10%" estima Pessini.

O movimento de desalavancagem deverá ser favorecido ainda pela redução na taxa básica de juros, o que tende a produzir "um efeito importante sobre as despesas financeiras". No auge da crise de endividamento, em 2015/2016, o resultado financeiro líquido das usinas analisadas pelo banco correspondeu a RS 15,90 por tonelada de cana processada, num salto de 62% em duas safras. A estimativa do banco para 2017/2018 leva em consideração uma redução de 45% desde lá, para R$ 8,70 por tonelada.

Se o cenário mais favorável se confirmar, aposta Luis Felipe Trindade, diretor de Corporate Financeda Consultoria Czarnikow, pode-se esperar, em uma primeira fase, a continuidade do processo de desalavancagem, seguida por investimentos em eficiência de custos e, na sequência, diversificação das operações dentro do parque industrial, seja com instalação de fábricas de açúcar seja com a implantação de cogeração. "O passo seguinte envolveria a retomada do processo de consolidação para só então podermos vislumbrar investimentos em expansão de capacidade e em projetos greenfield. Para isso, no entanto, os preços precisam se manter elevados por um determinado período”, comenta Trindade. (Revista Safra 10/05/2017)

 

Açúcar: Déficit em 2017/18

A mudança nas perspectivas para a oferta e demanda mundial de açúcar na safra mundial 2017/18 tem dado impulso às cotações do açúcar na bolsa de Nova York nesta semana.

Ontem, os papéis com vencimento em outubro fecharam a 16,14 centavos de dólar a libra-peso, alta de 38 pontos.

Na semana, o açúcar acumula ganhos de 55 pontos.

Esta semana, a consultoria FCStone estimou um déficit de 271 mil toneladas na safra 2017/18.

Se confirmada a previsão, será a terceira safra consecutiva em que a demanda superará a oferta no mercado mundial.

Na Europa, o tempo frio coloca em xeque as previsões de um alta de 18% na oferta local.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,76 a saca de 50 quilos, queda de 0,05%. (Valor Econômico 11/05/2017)

 

Produtores dão show de MPB

Quando o assunto é o uso de muda pré-brotada, principalmente no sistema de Meiosi, quem sai na frente são os produtores de cana

Uma nova tecnologia que tem revolucionado os canaviais é a muda pré-brotada (MPB), que proporciona cana-muda com alta sanidade e vigor. E quando faz dobradinha com a Meiosi (Método Inter-rotacional Ocorrendo Simultaneamente), aí o show é completo, o sistema oferece benefícios como:

- Redução do consumo de muda, permitindo que mais cana seja enviada para a usina, o que aumenta a produção;

- Redução da operação de máquinas, eliminei o caminhão do transporte de mudas, o que gera economia de diesel;

- Simplificação das operações, pode-se utilizar, por exemplo, um trator pequeno para sulcar e outro equipamento para cobrir;

- O transbordo, utilizado na operação de colheita da muda, não precisa ficar circulando pela fazenda por km levando mudas;

- Sanidade das mudas com relação a pragas e doenças, “um ponto cujo benefício é de difícil mensuração quanto à redução de custos”;

- Permite o planejamento perfeito da área a ser plantada;

- Uniformidade do canavial formado;

- Ganho de produtividade;

- Benefício agronômico para o solo no caso de rotação de cultura;
- Renda com a comercialização da produção obtida no sistema de rotação.

E são justamente os produtores de cana, os principais astros dessa modalidade MPB-Meiosi. Ismael Perina Júnior, um dos proprietários da fazenda Belo Horizonte, em Jaboticabal, SP, é o pioneiro na adoção do sistema. Tudo começou em 2013, quando a BASF e Ismael fecharam uma parceria para implementar o sistema de Meiosi com mudas de cana pré-brotadas (MPB) AgMusa™.

A proposta da parceria era tombar uma cana sadia em solos revigorados por outras culturas, turbinando, dessa forma, seu desempenho. E também conferir os benefícios decorrentes da utilização das mudas AgMusa™ da BASF.

Entre eles, pode-se destacar a redução de custos na formação de viveiros e implantação do canavial comercial; maior velocidade na introdução de novas variedades; incremento de sanidade (menor risco da ocorrência de doenças como raquitismo e escaldadura); eliminação de riscos de transporte e introdução de pragas (Sphenophorus levis) via mudas e formação de canavial comercial com viveiro de mudas de alta qualidade. (Cana Online 10/05/2017)

 

Maio úmido pode atrapalhar colheita da cana-de-açúcar

Na sexta-feira, dia 12, novas áreas de instabilidade vão se formar sobre a Região Sul do país, associadas a um sistema de baixa pressão que entre sábado (13) e domingo (14), dão origem a uma nova frente fria. Este novo sistema terá amplitude e intensidade suficiente para avançar até o Sudeste. A chuva deverá atrapalhar o pleno andamento da colheita da cana de açúcar nas regiões produtoras.

O tempo mais úmido poderá afetar a concentração de ATR pela planta, causando reduções nos índices de produtividade de etanol e açúcar. Mas por outro lado, essas mesmas chuvas vão manter os solos com bons níveis de umidade, o que irá favorecer o desenvolvimento dos canaviais que irão ser colhidos ao longo do segundo semestre de 2017.

Período de neutralidade

De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, estamos em um período de neutralidade, mas com temperatura ligeiramente acima da média no Pacífico Equatorial. Para se determinar El Niño à região central do Pacífico Equatorial (chamada de região 3.4) deve permanecer com anomalia igual ou acima de 0,5 grau positivo por três trimestres consecutivos, ouse já, maio-junho-julho, junho-julho-agosto e julho-agosto-setembro e previsão de continuidade por pelo menos mais três trimestres o que não é o caso para este ano.

Tendência

Durante a segunda quinzena de maio teremos várias ondas de frio se deslocando pelo centro-sul do país, sendo algumas mais fortes. A primeira delas passa na semana que vem e a outra no fim do mês. A primeira, primeiramente, será com chuva e depois vem o frio. “Possivelmente não teremos geada moderada e/ou forte nas regiões produtoras do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul”, diz Nascimento.

Produção

A produção de cana de açúcar no Brasil deve chegar a 694 milhões de toneladas em 2017, um aumento de 4% em relação à safra anterior. A cana é plantada em diferentes regiões do Brasil e consequentemente ao longo do ano, em períodos diferenciados. No Nordeste, a colheita acontece de setembro a março. No centro-sul, de maio a dezembro. (Climatempo 11/05/2017)

 

MS:Governador participa de inauguração de usina que vai gerar 560 empregos

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) participou nesta terça-feira (9) da inauguração de uma unidade da usina Iaco Agrícola, que fará a produção de açúcar mascavo em Chapadão do Sul - cidade localizada a 321 km de Campo Grande. A empresa vai injetar R$ 83 milhões na economia local e ampliou a planta industrial, gerando 560 novos empregos.

Durante o evento de lançamento, Reinaldo lembrou que a criação da planta de açúcar nasceu de um desafio feito por ele aos empresários, acabando ele desafiado em troca de nova ampliação da unidade.

A indústria produzia álcool anidro e o hidratado e, agora, projeto a produção de 200 milhões de litros de álcool e 200 mil toneladas de açúcar no período de oito meses (safra). Isso representa a produção de 28 mil sacos de 50 kg cada por dia.

No decorrer da safra, sairão da unidade de açúcar 200 mil toneladas no período de oito meses. O montante equivale a 5,5 mil carretas carregadas - 675/mês ou 30 veículos/dia.

"Fiquei muito contente quando nós estivemos aqui, em 2015, e fizemos a pavimentação da MS-425. Eu fiz um desafio ao Edson e disse: pavimento a rodovia, mas você vai me prometer que vai construir a fábrica de açúcar para gerar mais oportunidades de trabalho às pessoas da região", comenta o governador.

A logística da usina foi montada para transformar cerca de 65 mil hectares de cana em riqueza por meio da transformação industrial. No momento, a produção de cana está aumentando na região com aberturas de áreas na Pedra Branca. A expansão atende a planta industrial e valoriza a terra que pode ser comercializada até R$ 20 mil o hectare. (Campo Grande News 10/05/2017)

 

Produção global de açúcar deve atingir superávit de 1 mi/t em 2017/18, diz Sucden

O chefe de Pesquisas da Sucden, Emmanuel Jayet, afirmou nesta quarta-feira, 10, que a produção de açúcar no mundo no período 2017/18 deve registrar um superávit de 1 milhão de toneladas. "Os estoques caíram nos últimos dois anos de déficit na produção global, num contexto de queda de preços da commodity, que recuaram 35% desde outubro do ano passado, se recuperaram um pouco, mas voltaram a registrar queda, a ponto de apresentar uma retração de 25% desde fevereiro deste ano", apontou.

Para o Brasil, Jayet estima que a produção de açúcar deve atingir pouco mais de 35 milhões de toneladas na safra 2017/18, recém-iniciada, e 36,5 milhões de toneladas no período 2018/19. "A previsão de atividade estável no setor para 2017/18 ocorre por causa da menor quantidade de cana-de-açúcar nos campos e condições de clima que não são ideais. Mas acredito que para o período 2018/19 a produção poderá se recuperar, especialmente em relação a questões climáticas", comentou.

Para a Índia, Emmanuel Jayet prevê um déficit de 5 milhões de toneladas para 2017/18, influenciado em grande medida pelo clima seco, e que precisará ser suprido por importações. Já no caso da Tailândia, ele prevê uma produção de açúcar de 11,1 milhões de toneladas para este ano. Em relação à Europa, ele espera uma produção de 18,2 milhões de toneladas para 2017/18 e acredita que as exportações poderão subir neste ano.

Jayet aponta que a China deve ter registrado no período 2016/17 um déficit de 6 milhões de toneladas de açúcar, sendo que foram supridos por 1,5 milhão de toneladas de estoques e 4,5 milhões de toneladas por importações. Ele fez os comentários na 11ª Conferência ISO Datagro 2017, que ocorre em Nova York. (Agência Estado 10/05/2017)