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O agronegócio de São Paulo

Os números do PIB do Agronegócio deixam evidente a influência da produção agrícola e pecuária sobre outros segmentos

A atividade primária, isto é, aquela diretamente ligada à produção vegetal e animal, foi a principal responsável pelo ótimo desempenho do agronegócio no Estado de São Paulo no ano passado. Com crescimento estimado em 19,7%, o chamado segmento primário, que inclui o trabalho “dentro da porteira da fazenda”, como dizem os especialistas, estimulou todos os demais segmentos do agronegócio, que, no resultado acumulado, cresceu 7,4% em 2016.

Esse resultado, que engloba todo o ano de 2016, é um pouco superior à estimativa apresentada em fevereiro, com dados até outubro. O estudo é de responsabilidade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo. A pesquisa mostra que dois itens dos quais o Estado de São Paulo é líder da produção nacional, açúcar e laranja, que registraram, respectivamente, aumentos de mais 45% e de mais de 35% no valor da produção, foram os que mais impulsionaram o agronegócio paulista.

Os números do PIB do Agronegócio, Estado de São Paulo elaborado pela duas instituições deixam evidente a influência da produção agrícola e pecuária, isto é, do segmento primário, sobre outros segmentos. Embora responda por apenas 11% do valor da produção do agronegócio paulista, o segmento primário, por seu notável desempenho, impulsionou os demais. Assim, a despeito da queda na produção e nas vendas de importantes itens, os demais setores que compõem a cadeia produtiva do agronegócio do Estado de São Paulo também registraram crescimento expressivo no ano passado. Esses setores, além do primário, ou “dentro da porteira”, são o de insumos, formado pelas “indústrias antes da porteira”; o industrial, que processa parte da produção agropecuária; e o de serviços.

Mesmo registrando o desempenho mais modesto entre todos esses setores, o de insumos teve expansão de 4,8%. A forte contração dos investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas, reflexo da baixa confiança dos produtores, foi compensada pelo crescimento do faturamento dos segmentos de combustíveis, fertilizantes e defensivos.

Além do açúcar, por causa do grande aumento do volume produzido, e da laranja, cuja produção foi estimulada pela forte recuperação dos preços internacionais, o segmento primário foi favorecido pelo expressivo aumento da produção de outros itens de peso relevante no volume total, como algodão e café.

O setor industrial cresceu 5,9%, sobretudo por causa das indústrias de café, óleo de soja, açúcar e etanol. Das indústrias cujo desempenho é acompanhado de perto pela pesquisa da Fiesp e do Cepea, a açucareira foi a que mais cresceu no ano passado, estimulada tanto pelo aumento da produção como pela recuperação dos preços. No caso do etanol, a queda da produção foi mais do que contrabalançada pelo aumento dos preços reais.

Uma combinação de fatores bastante favoráveis compensou os impactos dos fatores negativos. O principal destes é a persistência da crise em que o País mergulhou em 2014 em razão do desastre da política fiscal do governo de Dilma Rousseff. Seus resultados são, entre outros, a deterioração do mercado de trabalho, que levou 14,2 milhões de trabalhadores ao desemprego, reduziu a renda real dos que conseguiram manter-se no emprego e fez cair drasticamente a demanda interna. A crise reduziu os investimentos públicos e privados e provocou a forte redução do Produto Interno Bruto (PIB) nos dois últimos anos.

Começa-se, por meio de reformas e outras medidas de austeridade fiscal, a restabelecer o equilíbrio das contas do governo e, assim, a eliminar do cenário econômico o principal gerador das incertezas com relação ao futuro próximo. Quanto mais rápido o empresário recuperar a confiança, mais rápida será a retomada do crescimento. Por seu desempenho recente, o agronegócio mostra estar adequadamente preparado para esse momento. (O Estado de São Paulo 15/05/2017)

 

Carro elétrico avança no mercado americano

Pelo menos 40 modelos serão lançados nos EUA; híbridos, que também usam gasolina, são considerados porta de entrada pelas montadoras.

Até recentemente, se alguém quisesse trocar um carro que consome muita gasolina por um elétrico teria poucas escolhas. Poderia optar por um veículo de luxo de UD$ 70 mil, como o Tesla Model S, ou escolher um mais modesto, como o Nissan Leaf, de UD$ 31 mil. Este ano, no entanto, tudo parece estar mudando.

Mais de 40 novos veículos elétricos serão lançados nos Estados Unidos, segundo a empresa de pesquisa Baum & Associates. Estre os modelos figuram o sedã elétrico Clarity, da Honda, e a minivan Pacifica, da Chrysler. Mesmo a pequena linha Smart Fortwo vai abandonar a gasolina totalmente nos EUA e adotar apenas propulsões elétricas.

O mais importante, segundo as montadoras, porém, promete ser a proliferação de híbridos plug-in parecidos com o Volt, da General Motors. Os híbridos plug-in podem ser usados no modo elétrico ou a gasolina, quando a bateria acaba. Essa tecnologia está se provando suficientemente flexível para uma variedade de veículos, desde carros esporte até compactos, e diminui o medo do consumidor de que o carro fique sem energia antes de encontrar uma estação de carregamento.

Os híbridos plug-in vão brigar lado a lado com versões diferentes do mesmo carro. O atual Niro, da Kia, por exemplo, híbrido que usa um motor a gasolina e o freio para recarregar a bateria, competirá ainda este ano com um irmão híbrido plug-in, com características e comodidades semelhantes e preço parecido, cerca de UD$ 23 mil.

“Queremos ser neutros em termos de preço para o consumidor”, explica Steve Kosowski, gerente de estratégia de longo alcance da Kia Motors America. “Quando você entra na loja, a ideia é que a pessoa pense: Por que não comprar este?”. A Mercedes-Benz, que terá sete híbridos plug-in e modelos totalmente elétricos até o fim do ano, adota filosofia de mercado parecida com seu carro-chefe, o sedã S-Class, cujo preço começa em UD$ 100 mil. “A estratégia é deixar o mais recente plug-in S-550e com o mesmo preço do equivalente V-8”, explica Paul La Penta, supervisor de eletromobilidade da Mercedes.

Um dos veículos líderes de desempenho da Porsche este ano será o próximo 2018 Panamera Turbo S E-Hybrid, um híbrido plug-in de quatro portas que fará de zero a 100 quilômetros por hora em pouco mais de três segundos. “O maior benefício desses carros é o torque”, diz Frank Wiesmann, porta-voz da Porsche, referindo-se à superioridade dos motores elétricos na entrega de um impulso inicial com o carro parado.

Na verdade, todas as montadoras estão esperando que os híbridos plug-in sejam a porta de entrada para veículos totalmente elétricos. Quando a GM lançou o plug-in Volt, mais de sete anos atrás, recebeu críticas consideráveis da imprensa por não atender às altas expectativas. A questão hoje é, com tantas empresas seguindo sua liderança, ela se sente vingada? “Há muita pressão quando se é o primeiro”, diz Fred Ligouri, porta-voz da empresa. “Mas mostramos que existe uma demanda dos clientes por esse produto”. (The New York Times 15/05/2017)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Mais etanol? Os preços do açúcar abaixo dos 16 centavos de dólar a libra-peso estão colocando em xeque as previsões de um safra mais açucareira na temporada 2017/18, o que tem dado fôlego às cotações da commodity na bolsa de Nova York. Os papéis com vencimento em outubro fecharam ontem a 15,89 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 7 pontos. "O efeito caixa que o etanol produz para as usinas pela facilidade e liquidez e, principalmente, o crédito fiscal do PIS/Cofins, significam uma paridade atrativa para que as usinas produzam mais o combustível em detrimento do açúcar", destacou a Archer Consulting em comentário semanal sobre a commodity. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 76,13 a saca de 50 quilos, queda de 0,26%.

Cacau: Tensão na África: Os conflitos políticos na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, voltaram a dar sustentação aos contratos da amêndoa na bolsa de Nova York ontem. Os papéis com vencimento em julho fecharam a US$ 2.041 a tonelada, alta de US$ 26. Rebeldes que atuaram na pacificação do país após o resultado das eleições em 2011 reivindicam o pagamento de um bônus prometido pelo governo e sua inclusão nas Forças Armadas oficiais. No domingo, as forças militares do país deram um ultimato para os rebeldes encerrarem os protestos, que fecharam importantes vias do país. Ontem, após pregão, as partes chegaram a um acordo. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio pago ao produtor ficou estável em R$ 102,70 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores.

Algodão: Demanda firme: A demanda firme pela safra 2016/17 de algodão nos EUA segue dando sustentação aos contratos futuros da pluma em Nova York. Os papéis com vencimento em outubro fecharam ontem a 78,77 centavos de dólar a libra-peso, alta de 169 pontos. O avanço das exportações do país em plena reta final de temporada levou o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a elevar suas estimativas para o volume a ser exportado pelo país. Enquanto no início do ano o órgão previa a exportação de 2,61 milhões de toneladas, a projeção mais recente é de embarques de 3,15 milhões de toneladas, o segundo maior volume já registrado no país. No mercado interno, o preço médio pago ao produtor na Bahia ficou em R$ 94 a arroba, segundo a associação de agricultores local, a Aiba.

Trigo: Clima melhora: A melhora nas condições climáticas no Meio-Oeste e Grandes Planícies dos EUA pressionou as cotações do trigo nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os papéis com vencimento em setembro, que ontem assumiram a segunda posição, fecharam a US$ 4,38, com queda de 8,75 centavos. Na comparação com os papéis que ocupavam a segunda posição na sexta-feira, contudo, o cereal subiu 5,25 centavos. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), 51% do trigo de inverno americano estava em condições boas ou excelentes até o último dia 14, recuo de dois pontos percentuais ante o registrado uma semana antes. No mercado interno, o preço médio praticado no Paraná ficou em R$ 611,39 a tonelada, retração de 0,45%, segundo o Cepea. (Valor Econômico 16/05/2017)