Setor sucroenergético

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IPT lança programa exclusivo para setor sucroenergético

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) lançou, na última semana (08/05), o Programa Interlaboratorial para Avaliação de Proficiência exclusivamente destinado ao setor sucroenergético. O objetivo da iniciativa é apoiar e qualificar o trabalho de laboratórios de análises químicas e físicas em etanol. O prazo para as usinas se inscreverem no projeto se encerra no dia 16 de junho.

Segundo o chefe do Laboratório de Referências Metrológicas (LRM) do Centro de Química e Manufaturados do IPT, Ricardo Rezende Zucchini, a proposta é oferecer valores padrões para os principais testes aplicados ao biocombustível hidratado e anidro, além do álcool etílico industrial. "Faremos medições visando as especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o mercado doméstico, além das especificações de exportação para países como Estados Unidos, Japão, Coréia do Sul, entre outros", observa.

O engenheiro informa que o Programa Interlaboratorial para Avaliação de Proficiência do LRM-IPT foi criado em 2013, contemplando, inicialmente, apenas o setor de lubrificantes. "Em 2015, estendemos ao segmento da siderurgia, até que a partir do ano passado fomos consultados sobre a viabilidade de oferecer o projeto também à indústria sucroenergética. A partir daí, realizamos uma longa pesquisa junto às usinas até lançarmos o Programa de Proficiência em Etanol", lembra Ricardo Zucchini.

O pesquisador explica o funcionamento do Programa: "O IPT prepara amostras especiais, avalia homogeneidade e caracteriza propriedades. Depois, os participantes receberão estas amostras, realizarão ensaios/análises, e enviarão os resultados ao Instituto. Vamos compilar as informações e disponibilizar um relatório técnico com dados estatísticos e avaliação de desempenho. Trata-se de um material que poderá ser utilizado para várias finalidades, dentre elas alguns ajustes importantes nos sistemas de medições dos laboratórios", conclui. (Brasil Agro 17/05/2017)

 

Etanol caiu em 14 Estados e no DF, subiu em 11 e ficou estável no Amapá

Os preços do etanol hidratado nos postos brasileiros caíram em 14 Estados e no Distrito Federal, subiram em outros 11 e ficaram estáveis no Amapá na semana encerrada no sábado, 13. Na semana anterior, as cotações do produto haviam registrado alta em oito Estados e no Distrito Federal, queda em 16 e não se alteraram no Amapá e no Piauí.

No período de um mês, as cotações do produto acumulam alta em quatro Estados, queda em 21 e no Distrito Federal e estabilidade no Piauí. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação subiu 0,08% na semana, para R$ 2,410 o litro, e no período de um mês acumula baixa de 1,87%.

Na semana, o maior avanço das cotações foi registrado no Amazonas (2,35%), enquanto o maior recuo ocorreu no Distrito Federal (1,80%). A maior alta mensal, de 1,47%, foi no Ceará e a maior queda foi em Santa Catarina (5,23%).

No Brasil, o preço mínimo registrado para o etanol foi de R$ 1,979 o litro, em São Paulo, e o máximo foi de R$ 4,157 o litro, no Rio Grande do Sul. Na média, o menor preço foi de R$ 2,410 o litro, em São Paulo, e o maior preço médio foi verificado no Amapá, de R$ 3,87 o litro. (Agência Estado 16/05/2017)

 

Grupo Bertin, avalista da usina de Bumlai, possui dívidas que superam R$ 10 bilhões

Com cobranças que ultrapassam os R$ 10 bilhões, o Grupo Bertin possui dívidas de todos os tipos e que envolvem todas as empresas do grupo, vão desde os negócios de energia até as usinas de açúcar e etanol.

Segundo reportagem da Agência Estado, a companhia deve R$ 500 milhões ao BNDES pelo aval dado para garantir o empréstimo da usina São Fernando, de Bumlai. Na justiça paulista, é cobrada por bancos, ex-sócios e pequenos fornecedores no total de R$ 1,8 bilhão.

Além disso, deve R$ 4 bilhões ao fisco em função do ganho de capital na fusão com o JBS. Há dois anos, os Bertin concordaram em deixar a JBS em um acordo firmado com a família Batista, em termos nunca divulgados. A empresa perdeu na instância administrativa e teve seu patrimônio bloqueado. E a situação financeira do grupo vem piorando.

Só para o Ministério de Minas e Energia se estima que a empresa deva cerca de R$ 4 bilhões por não ter entregue a energia das dezenas de usinas termoelétricas que se comprometeu a construir. Chegou a conseguir incluir uma emenda em Medida Provisória que a perdoava da dívida, mas não teve sucesso.

Infinity Bio-Energy

Além de sua relação com a Usina São Fernando, de Bumlai, o Grupo Bertin controla a Infinity Bio-Energy, com seis usinas. Devido à situação financeira precária do grupo, duas unidades passaram para o comando dos credores no segundo semestre do ano passado.

Segundo o Valor Econômico, em junho de 2016, a Usina Ibirálcool, localizada no município de Ibirapuã (BA), tinha uma dívida de R$ 101,649 milhões, enquanto o endividamento da Usina Usinavi, em Naviraí (MS), era de R$ 943,478 milhões. A dívida somada das unidades representa cerca de metade da dívida total do Grupo Infinity, de R$ 2 bilhões.

A Usina Ibirálcool passou para o controle da Amerra Capital Management, enquanto a Usina Usinavi foi dividida entre o Amerra, o fundo de investimentos americano CarVal e demais credores.

Histórico

A família Bertin já foi amiga do poder e dos principais políticos de Brasília. Já foi o maior frigorífico do país. Já teve bilhões do BNDES. Já foi sócia relevante na maior empresa de proteína animal do mundo. Já tentou ser o maior grupo de energia. Os principais caciques do PMDB já chegaram a interceder em seu nome. Assim como caciques do PT, como Antonio Palocci. Mas, desde que o frigorífico quebrou e teve de se unir ao JBS, a situação foi se deteriorando.

No ano passado, a Polícia Federal bateu à porta dos Bertin por causa da sociedade com José Carlos Bumlai e por terem permitido que sua empresa fosse usada no controverso empréstimo do banco Schahin ao empresário Ronan Pinto, de Santo André, que supostamente envolveria o alto escalação do PT na morte do então prefeito da cidade, Celso Daniel.

A família aparece em delações que os liga a figuras emblemáticas, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, apontado como seu operador. Mas os Bertin preferem o silêncio em relação a todos esses assuntos. (Agência Estado 16/05/2017)

 

Dólar volta a cair e fica abaixo de R$ 3,10

O dólar caiu ontem pelo sexto dia consecutivo frente ao real, o que para alguns analistas sugere que a marca de R$ 3 é apenas uma questão de tempo. A expectativa é que a moeda americana siga enfraquecida, tendo como pano de fundo um contexto externo favorável a mercados emergentes como um todo. Além disso, o real vem de dois meses em que mostrou desempenho mais fraco que seus pares, o que acabou deixando a moeda com algum espaço para valorização.

Ontem, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,0878, agora de olho nas mínimas dos dias 5 de abril (R$ 3,0830), 21 de março (R$ 3,0603) e 16 de fevereiro (R$ 3,0416). No fechamento, a cotação caiu 0,36%, a R$ 3,0954.

Em seis pregões, a queda é de 3,16%. A desvalorização nesse período é a mais intensa desde os seis pregões findos em 26 de dezembro, quando a cotação caiu 3,38%. Apenas entre 5 de dezembro e 13 de dezembro o dólar caiu por mais dias, sete no total, acumulando recuo de 4,22%.

A série de quedas é atribuída a uma combinação de fatores. Aqui, o mercado elevou a confiança de que o governo conseguirá aprovar as reformas fiscais, após em março e abril aumentarem dúvidas sobre esse tema. Outro fator que pesa sobre a perspectiva para o dólar é a postura do Banco Central. A atual queda da moeda não impediu que o BC sinalizasse nesta semana rolagem integral do lote de US$ 4,4 bilhões em swaps cambiais que expira em 1º de junho. Com a expectativa de manutenção de liquidez, a taxa de câmbio tem espaço para absorver o bom humor predominante nos mercados emergentes.

Em âmbito externo, o dólar entrou em espiral de baixa, com mais dúvidas sobre a capacidade do presidente americano, Donald Trump, de avançar com sua agenda econômica, cujas propostas iniciais ajudariam a dar fôlego à moeda americana. A recuperação das commodities após a temporária onda de vendas neste mês e a consolidação da busca por ativos com retornos mais altos, diante da queda de várias medidas de volatilidade, completam a "tempestade perfeita" para a moeda americana.

Não à toa, outras moedas além do real têm se beneficiado. As moedas emergentes europeias lideram os ganhos em maio, com destaque para a coroa tcheca (3,4%). Fora da Europa, o real é destaque, em alta de 2,6% no mês, seguido por rand sul-africano (2,4%) e peso colombiano (2,2%).

"Existe uma busca por 'yield' [retorno] ainda muito forte. A América Latina já vinha conseguindo evitar o momento de dólar forte e agora capta com mais força a baixa da moeda", diz o estrategista do Crédit Agricole para mercados latino-americanos em Nova York, Italo Lombardi.

Por ora, grandes instituições financeiras ainda não parecem motivadas a revisar para baixo suas estimativas para o dólar. Mas algumas já trabalham uma taxa de câmbio perto ou abaixo de R$ 3.

O BNP Paribas, por exemplo, segue com projeção de dólar a R$ 2,90 no fim do segundo trimestre. O Morgan Stanley espera taxa de R$ 3 até o fim de junho.

O Santander não descarta que a moeda siga no intervalo entre R$ 3,05 e R$ 3,15 no curto prazo, pressionada pela entrada de recursos ao país. "Estamos num momento excepcionalmente favorável para exportações e fluxo de investimento no mercado de renda fixa, em função da perspectiva de que o juro pode cair mais rápido", afirma o economista-chefe do Santander Brasil, Maurício Molon.

Em seu cenário mais otimista, o J.P. Morgan espera que o dólar caia a R$ 3,05 em setembro. O cenáriobase do banco, porém, é de taxa de câmbio de R$ 3,30 ao fim do ano. Há cerca de uma semana, a instituição passou a trabalhar com esse prognóstico, contra R$ 3,40 antes.

Da mesma forma, o Crédit Agricole projeta taxa mais alta para o dólar, de R$ 3,25, no final deste trimestre. "Há alguma complacência com riscos de cauda no mundo emergente, e isso em algum momento pode terminar", alerta Lombardi.

O Credit Suisse continua prevendo que o dólar oscile perto de R$ 3,20 nos próximos três meses. O banco, conhecido pelo seu conservadorismo, evitou revisar projeções para cima mesmo com a cotação superando a marca de R$ 3,21 no fim de abril. (Valor Econômico 17/05/2017)