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Açúcar: Efeito dólar

Os contratos de açúcar demerara se recuperaram na sexta-feira, na bolsa de Nova York, depois do forte recuo da quinta-feira, quando o dólar foi às alturas na esteira das delações de executivos da JBS.

Na sexta-feira, porém, a moeda americana perdeu força, o que fez os papéis para o açúcar com vencimento em outubro encerrarem o pregão com alta de 35 pontos, a 16,59 centavos de dólar.

Os movimentos do dólar influenciam as cotações do açúcar, uma vez que podem estimular ou não as exportações, ou seja, a oferta no mercado.

Embora baixista, a informação de que o governo chinês deve elevar as tarifas de importação do açúcar extra-cota não chegou afetar as cotações.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,10% na última sexta-feira, para R$ 76,52 por saca.

 

Etanol hidratado cai 2,26% e anidro sobe 0,08% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas teve queda de 2,26%, esta semana, de R$ 1,4192 o litro para R$ 1,3871, o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro teve leve alta, de 0,08%, de R$ 1,6119 o litro para R$ 1,6132 litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 22/05/2017)

 

Máquinas esvaziam a capital dos bóias-frias

Com a mecanização quase total da lavoura de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, figura do cortador se torna cada vez mais rara.

Uma colheitadeira moderna faz o trabalho de até 100 cortadores braçais e opera também à noite.

Depois de três dias viajando de ônibus desde Timbiras, no leste do Maranhão, o trabalhador rural Adão Alves da Silva, de 23 anos, desembarcou em Guariba, interior de São Paulo, em maio do ano passado, para trabalhar no corte da cana-de-açúcar. Ele se transformou em personagem raro. Menos de 150 migrantes chegaram de outros Estados nos últimos 12 meses para se empregarem como cortadores de cana em canaviais da região. Há dez anos, vieram 9.600, segundo a Pastoral do Migrante da Igreja Católica.

A quase extinção dos cortadores, apelidados de bóias-frias, em São Paulo tem relação direta com a proibição da queima da palha da cana-de-açúcar, processo que se iniciou, de forma gradual, em 2007, e termina este ano. Sem a queima, o corte manual da cana torna-se inviável, e é necessário o uso de máquinas. Pela legislação, apenas pequenas propriedades, com menos de 150 hectares, ou áreas com declives acentuados, onde as máquinas não têm acesso, terão permissão para continuar com o corte manual.

Desde a safra de 2006/07, houve queda de 91,5% na área de colheita com autorização para queima em São Paulo. O número de colheitadeiras aumentou de 750 naquela safra para 3.080 na safra 2016/17, além de 670 colhedoras terceirizadas pelas usinas. Na safra atual, o governo do Estado autorizou a queima de apenas 136,9 mil hectares, 2,5% da área total plantada com cana-de-açúcar, o menor número da história.

Rumo

Guariba, que no passado ficou conhecida como a “capital dos cortadores de cana”, por fornecer força braçal às usinas da região de Ribeirão Preto, maior produtora de açúcar e álcool do País, sofre de forma aguda os efeitos dessa mudança. “Antes, com a falta de mão de obra na região, as usinas e plantadores iam buscar cortadores em outros Estados”, lembra o secretário municipal de Administração, Daniel Louzada. Mas, com a proibição gradativa da queima da cana, as colheitadeiras modernas, que fazem o trabalho de até 100 trabalhadores braçais, tomaram conta das plantações. “Só uma usina do município, a Bonfim, chegou a ter 7 mil cortadores. Hoje, é tudo colheita mecânica. Não há mais alojamentos e até as casas de colonos foram demolidas.”

O processo de migração se inverteu. “A grande força migratória que vinha para a safra e retornava para seus Estados não existe mais. Aqueles que se fixaram aqui e não mudaram de atividade, agora viajam para cortar cana em Goiás.” Diariamente, saem cerca de dez ônibus da cidade com ex-cortadores que agora trabalham na indústria, comércio e serviços de Araraquara e Ribeirão Preto.

A chegada da mecanização mudou o perfil dos canaviais e trouxe para a região de Guariba empregos novos e mais bem remunerados que o de cortador de cana, embora em número menor. Uma nova profissão é a de mecânico de colheitadeira, que José Noli, de 52 anos, abraçou. Antes, ele era mecânico de trator. “Estamos com cinco colhedoras nesta fazenda. Enquanto quatro trabalham, uma fica na manutenção preventiva”.

Uma máquina como a que ele atende colhe 300 toneladas por dia, trabalho equivalente ao de 80 homens. “Elas operam também à noite, o que o braçal não pode fazer.” Cada máquina precisa estar acompanhada de pelo menos quatro profissionais: um operador, um soldador e dois mecânicos. Os salários variam de R$ 2,5 mil a R$ 3,5 mil. (O Estado de São Paulo 21/05/2017)

 

Lula e Dilma tinham US$ 150 mi em ‘conta’ de propina da JBS, diz Joesley

O termo de colaboração 1 do empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) operava as contas.

O delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula e no ano seguinte, outra para Dilma.

Joesley revelou que em dezembro de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, “para apoio do plano de expansão” naquele ano.

“O depoente escriturou em favor de Guido Mantega, por conta desse negócio, crédito de US$ 50 milhões e abriu conta no exterior, em nome de offshore que controlava, na qual depositou o valor”, relatou Joesley.

Segundo o empresário, em reunião com Mantega, no final de 2010, o petista pediu a ele “que abrisse uma nova conta, que se destinaria a Dilma”.

“O depoente perguntou se a conta já existente não seria suficiente para os depósitos dos valores a serem provisionados, ao que Guido respondeu que esta era de Lula, fato que só então passou a ser do conhecimento do depoente”, contou o empresário.

“O depoente indagou se Lula e Dilma sabiam do esquema, e Guido confirmou que sim.”

Joesley declarou que foi feito um financiamento de R$ 2 bilhões, em maio de 2011, para a construção da planta de celulose da Eldorado. O delator disse que Mantega “interveio junto a Luciano Coutinho (então presidente do BNDES) para que o negócio saísse”.

“A operação foi realizada após cumpridas as exigências legais”, afirmou Joesley. “Sempre percebeu que os pagamentos de propina não se destinavam a garantir a realização de operações ilegais, mas sim de evitar que se criassem dificuldades injustificadas para a realização de operações legais.”

O empresário declarou que depositou, “a pedido de Mantega”, por conta desse negócio, crédito de US$ 30 milhões em nova conta no exterior.

“O depoente, nesse momento, já sabia que esse valor se destinava a Dilma; que os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef; que esses saldos somavam, em 2014, cerca de US$ 150 milhões.”

Segundo Joesley, a partir de julho de 2014, Mantega “passou a chamar o depoente quase semanalmente ao Ministério da Fazenda, em Brasília, ou na sede do Banco do Brasil em São Paulo, para reuniões a que só estavam presentes os dois, nas quais lhe apresentou múltiplas listas de políticos e partidos políticos que deveriam receber doações de campanha a partir dos saldos das contas”.

Neste trecho de seu depoimento, Joesley cita o partido do Governo Michel Temer. O empresário destacou que o executivo Ricardo Saud, diretor de Relações Institucionais da J&F (controladora da JBS), fazia o contato com partidos e políticos.

“A primeira lista foi apresentada em 4 de julho de 2014 por Guido ao depoente, no gabinete do Ministro da Fazenda no 15º andar da sede do Banco do Brasil em São Paulo, e se destinava a pagamentos para políticos do PMDB; que a interlocução com políticos e partidos políticos para organizar a distribuição de dinheiro coube a Ricardo Saud, Diretor de Relações Institucionais da J&F, exceção feita a duas ocasiões”, relatou.

Joesley disse que em outubro de 2014 no Instituto Lula, encontrou-se com Lula e relatou ao petista que as doações oficiais da JBS já tinham ultrapassado R$ 300 milhões.

“Indagou se ele (Lula) percebia o risco de exposição que isso atraía, com base na premissa implícita de que não havia plataforma ideológica que explicasse tamanho montante; que o ex-presidente olhou nos olhos do depoente, mas nada disse”, contou.

Em outra ocasião, em novembro de 2014, Joesley disse que “depois de receber solicitações insistentes para o pagamento de R$ 30 milhões para Fernando Pimentel, governador eleito de Minas Gerais, veiculadas por Edinho Silva (tesoureiro da campanha de Dilma em 2014), e de receber de Guido Mantega a informação de que ‘isso é com ela’, solicitou audiência com Dilma”.

“Dilma recebeu o depoente no Palácio do Planalto; que o depoente relatou, então, que o governador eleito de MG, Fernando Pimentel, estava solicitando, por intermédio de Edinho Silva, R$ 30 milhões, mas que, atendida essa solicitação, o saldo das duas contas se esgotaria; que Dilma confirmou a necessidade e pediu que o depoente procurasse Pimentel”, narrou aos investigadores.

Joesley afirma que, no mesmo dia, encontrou-se com Pimentel no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, e disse ao petista “que havia conversado com Dilma e que ela havia indicado que os 30 milhões deveriam ser pagos”.

“Pimentel orientou o depoente a fazer o pagamento por meio da compra de participação de 3% na empresa que detém a concessão do Estádio Mineirão; que afora essas duas ocasiões, Edinho Silva, então tesoureiro da campanha do PT, encontrava-se, no período da campanha de 2014, semanalmente com Ricardo Saud e apresentava as demandas de distribuição de dinheiro; que Ricardo Saud submetia essas demandas ao depoente, que, depois de verificá-las com Guido Mantega, autorizava o que efetivamente estivesse ajustado com o então ministro da Fazenda.”

Defesa

Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, que defendem Lula, afirmam: “Verifica-se nos próprios trechos vazados à imprensa que as afirmações de Joesley Batista em relação a Lula não decorrem de qualquer contato com o ex-Presidente, mas sim de supostos diálogos com terceiros, que sequer foram comprovados.

A verdade é que a vida de Lula e de seus familiares foi, ilegalmente, devassada pela Operação Lava Jato. Todos os sigilos, bancário, fiscal e contábil, foram levantados e nenhum valor ilícito foi encontrado, evidenciando que Lula é inocente. Sua inocência também foi confirmada pelo depoimento de mais de uma centena de testemunhas já ouvidas, com o compromisso de dizer a verdade – que jamais confirmaram qualquer acusação contra o ex-Presidente.

A referência ao nome de Lula nesse cenário confirma denúncia já feita pela imprensa de que delações premidas somente são aceitas pelo Ministério Público se fizerem referência, ainda que frivolamente, ao nome do ex-Presidente”. (Isto é Dinheiro 19/05/2017 às 15h: 30m)

 

Açúcar: No Brasil ninguém morre de tédio – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Apesar do terremoto político que sacudiu Brasília nesta semana, com a delação dos executivos da JBS, o açúcar teve bom desempenho, com o contrato futuro de NY para vencimento em julho/2017 encerrando a sexta-feira negociado a 16.38 centavos de dólar por libra-peso, uma alta bastante robusta de 87 pontos (19 dólares por tonelada) em relação à semana anterior. Os vencimentos outubro/2017 e março/2018 também fecharam com alta expressiva de 77 e 66 pontos respectivamente, cotados a 16.59 e 17.08 centavos de dólar por libra-peso.

Os fundos pouco mudaram suas posições e continuam ainda vendidos a descoberto (pelos números de terça) em cerca de 27.000 lotes. Pode ser que nessa semana tenham coberto uma parcela desse volume.

O sentimento percebido no mercado parece mais positivo nesses dias. Não quer dizer que vamos ver 20 centavos de dólar por libra-peso amanhã, mas algumas evidências apontam para preços mais construtivos a partir do terceiro trimestre deste ano. 18 centavos de dólar por libra-peso é um nível de preço absolutamente factível.

Algumas usinas têm sido abordadas por seus compradores que lhes sugerem a recompra dos hedges que efetuaram, recebendo 80% do lucro em dinheiro. Imagine se você hedgeou a 20 centavos de dólar por libra-peso e recompra a 16.00, seu comprador embolsa 0.80 centavos de dólar por libra-peso e você vai feliz para casa com 3.20. O ponto de equilíbrio para você é fazer um novo hedge a 16.80 e para o seu comprador, é como se ele ficasse comprado no futuro a 15.20. Qualquer gestor de risco vai recomendar a usina a NÃO FAZER esse tipo de operação. Disciplina e responsabilidade com o hedge são elementos importantes para a gestão de risco.

Um ponto interessante a se observar na semana que passou é que os valores do açúcar em NY convertidos em reais por tonelada tiveram uma melhora substancial: na sexta-feira passada o fechamento de NY apontava magros R$ 1,113 contra R$ 1,233 nesta sexta. Ou seja, 120 reais por tonelada! Muitas usinas com gestão financeira profissional aumentaram um pouco mais suas fixações para a 2018/2019 aproveitando a subida repentina do dólar em face da turbulência política. Mercados nervosos normalmente oferecem ótimas oportunidades se você conseguir manter a calma.

Pelos cálculos da Archer, lamentavelmente, a crise vivida na semana aumentou a dívida do setor em R$ 2 bilhões, uma vez que o setor tem uma parte dela lastreada na moeda americana.

Acreditávamos que o escândalo envolvendo o presidente Temer pressionaria muito mais o dólar e, por conseguinte, o açúcar em NY. No entanto, existe um ponto em que o dólar muito forte em relação ao real acaba batendo na paridade do etanol porque a gasolina importada fica mais cara em reais. Os preços da gasolina na bomba estão agora em linha com o mercado internacional. Desta forma, a Petrobras tem pouca gordura para manter os preços inalterados ao consumidor caso o real continue sendo sacodido pela turbulência vinda de Brasília ou se o houver uma apreciação do preço do petróleo no mercado internacional.

No Brasil de hoje, é tarefa quase impossível estabelecer, prever, dimensionar ou sequer imaginar a extensão da podridão que são as relações entre uma grande parcela dos políticos brasileiros e os grandes empresários. Nem mesmo o Marquês de Sade, Boccaccio, Nabokov ou o próprio Capeta (o original, não o eneadáctilo) poderiam criar um enredo com tamanha promiscuidade e devassidão sob um cenário messalínico como o dos personagens que habitam o bordel que abriga a política nacional. Esgoto fétido a céu aberto. Um bando de ladrões e assassinos, considerando o número de pessoas que morrem no país sem atendimento médico nos hospitais, por falta de recursos para a saúde, ou pela violência urbana, por falta de recursos para a segurança. Dinheiro dos contribuintes que jorra do bolso desses criminosos. Não há pena que possa pagar os crimes dessa quadrilha maldita.

Há alguns anos, o consultor russo Andrei Parabellum, num evento em São Paulo, saiu-se com essa: “Quem já se cansou de pessoas vindo até você e pedindo conselhos de graça? ”, perguntou ele a uma plateia lotada. “Querem saber a resposta perfeita? Eu sempre pergunto para meu interlocutor, você quer um conselho ou uma consultoria? ”. “ Qual a diferença? ”, eles me perguntam. “Bem, conselho é curto e de graça e consultorias são mais detalhadas e custam mais dinheiro”. E eles dizem: “Quero um conselho, óbvio”. “Meu conselho é: pague por uma consultoria”.

A 28ª. Edição do Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo - SP, no Hotel Paulista Wall Street. Não deixe para a última hora e aproveite os descontos (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)