Setor sucroenergético

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Funcef põe mais um tijolinho no rombo atuarial

A Funcef vai vender sua participação de 20% na Odebrecht Utilities, subsidiária da Odebrecht Ambiental.

Já teria oferecido a fatia à própria Brookfi eld, que comprou a antiga companhia de saneamento do grupo baiano. (Jornal Relatório Reservado 24/05/2017)

 

Ponta do lápis

A Petrobras calcula já ter economizado algo em torno de US$ 38 milhões por ano com o enxugamento do seu efetivo de 2015 para cá.

Nesse período, foram dispensados cerca de 13 mil funcionários.

Procurada, a estatal confirmou o total de cortes, mas não se pronunciou sobre valores. (Jornal Relatório Reservado 24/05/2017)

 

Glencore analisa compra da Bunge, em meganegócio no setor de commodities

A divisão agrícola da Glencore abordou a rival Bunge quanto à possibilidade de uma tomada de controle acionário, na esperança de que essa transação a ajude a subir no ranking das empresas de grãos.

A Bunge, fundada em 1818, é uma das mais antigas companhias de comércio de grãos do planeta.
Com faturamento anual de US$ 42,7 bilhões, ela representa o "B" no ABCD de empresas que dominam o comércio internacional de produtos agrícolas, em companhia da Archer Daniels Midland (ADM), Cargill e Louis Dreyfus.

A Glencore confirmou que sua joint venture agrícola "fez uma abordagem informal quanto a uma possível combinação consensual de negócios com a Bunge Limited", mas acrescentou que "discussões podem ou não se materializar, e não existe certeza de que qualquer transação venha a ocorrer".

O grupo de mineração e commodities agrícolas suíço, cuja principal operação são as commodities industriais, vendeu uma participação de 49% em suas operações agrícolas a dois fundos de pensão canadenses, no ano passado, por mais de US$ 3 bilhões.
O acordo tinha por objetivo em parte reduzir dívidas e ampliar a capacidade da empresa para realizar aquisições. O presidente-executivo da Glencore, Ivan Glasenberg, jamais escondeu seu desejo de expandir os negócios do grupo.

A venda da participação acionária aos fundos canadenses também resultou na criação de uma companhia separada, com balanço próprio e não garantido pela Glencore.

Isso significa que dívidas que venham a ser assumidas para financiar transações não serão incorporadas ao balanço da Glencore.

As ações da Bunge, cotadas na bolsa de Nova York, registraram alta de 16,6%, para US$ 18,72, depois que o "Wall Street Journal" publicou uma reportagem sobre a proposta, o que atribui à empresa um valor de mercado de mais de US$ 11,5 bilhões. A Bunge não quis comentar.

A abordagem surge em um período de excesso de produção agrícola no planeta, que está corroendo os lucros das tradings internacionais de grãos, cujos lucros dependem de que elas explorem pequenas diferenças de preços multiplicadas por milhões de toneladas.

Soren Schroder, presidente-executivo da Bunge, sinalizou neste mês que estava aberto a possíveis combinações.

Diversas fontes informadas sobre o pensamento da Glencore disseram que a empresa estava estudando diversas opções em todo o setor agrícola e que a Bunge era apenas uma delas.
"Todo o mundo está conversando com todo mundo", disse uma dessas fontes.

GIGANTE MUNDIAL

A Bunge é a maior companhia mundial no ramo de esmagamento de grãos, transformando soja e outras commodities em óleos vegetais e farelo.

A empresa controla instalações portuárias para exportação na América do Sul, na América do Norte, na região do Mar Negro e na Austrália, o que lhe confere a opção de transportar o excedente de produção nessas regiões a compradores na China, Oriente Médio e outros locais.

Nos Estados Unidos, ela tem uma rede de silos para grãos concentrados ao longo do rio Mississippi.

A Glencore reconhece que sua sua presença nos Estados Unidos, um dos principais exportadores mundiais de grãos, é limitada.

Os amplos volumes disponíveis de trigo, milho e soja ajudaram as operações de processamento de grãos, mas reduziram os lucros que elas propiciam.

Schroder descreveu a dificuldade da posição de sua empresa como intermediária entre agricultores que relutam em vender por preços baixos e companhias de alimentos que preferem esperar o preço cair antes de comprar grãos.

Em uma conferência setorial na semana passada, Schroder apontou para a possibilidade de consolidação na forma de parcerias, como a que sua empresa formou com um fundo de investimento saudita para adquirir o controle de uma processadora de grãos canadense.

"Se houver algo maior, estaremos abertos a isso, é claro", ele acrescentou.

"É muito evidente que há protagonistas demais tentando fazer a mesma coisa com uma margem de lucro muito baixa."

Falando na conferência de cúpula mundial do "Financial Times" sobre commodities, em março, Chris Mahoney, o antigo remador olímpico que comanda a Glencore Agriculture, disse que a unidade não adquiriria uma empresa norte-americana só para cobrir uma lacuna em sua rede.

Ele afirmou que a Glencore Agriculture estava mais interessada em empresas dotadas de muitos ativos, e com "o tamanho e escala necessários".

Mahoney disse também que a Glencore Agriculture teria vantagem na compra de ativos porque, ao contrário de rivais como a ADM e a Cargill, ela não enfrentaria problemas com as autoridades antitruste. (Financial Times 23/05/2017)

 

Açúcar: Correção em NY

Os contratos futuros de açúcar passaram por correção no pregão de ontem em Nova York.

Os papéis com vencimento em outubro encerraram cotados a 16,13 centavos de dólar a libra-peso, redução de 59 pontos, mesmo com as indicações de que as chuvas no Centro-Sul do Brasil devem seguir acima da média nos próximos quinze dias.

Como avalia o Banco Pine, em relatório, essas chuvas poderão reduzir a moagem de cana pelas usinas, o que é um fator de sustentação das cotações futuras.

Desde fevereiro, os preços futuros do açúcar já caíram quase 30% diante da estimativa de superávit global em 2017/18.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 77,47 a saca de 50 quilos, alta de 0,75%. (Valor Econômico 24/05/2017)

 

"Guerra ao açúcar" ganha força no mundo e afeta demanda

A "guerra ao açúcar" realizada por governos e consumidores para combater problemas de saúde pública como a diabetes está desacelerando o crescimento na demanda global, o que, junto a outros fatores, pode sinalizar uma mudança fundamental no consumo à frente.

O consumo pode crescer no ritmo mais lento em sete anos no ciclo 2017/18, segundo o grupo de análise Platts Kingsman. O grupo prevê alta de 1,04 por cento, quase metade do crescimento médio de cerca de 2 por cento ao ano ao longo da última década.

"O consumo está no geral estagnando em países desenvolvidos", disse Tom McNeill, diretor no grupo de análise de commodities Green Pool, à Reuters.

A queda no consumo em mercados mais conscientes sobre questões de saúde tem sido exacerbada por preços mais altos e pelo uso de produtos alternativos, como xarope de milho rico em frutose, em países em desenvolvimento, que levaram a um déficit anteriormente.

Combinado à demanda mais fraca de fabricantes de alimentos e bebidas globalmente, isso poderia representar uma mudança fundamental no consumo global, segundo a Tropical Research Services (TRS).

"Então pode ser que a verdadeira taxa de tendência de longo prazo do crescimento da demanda global por açúcar tenha mudado e esteja mais baixa agora", disse o grupo em relatório de 7 de maio.

Ao menos 17 países e uma série de cidades dos Estados Unidos adicionaram um imposto extra sobre bebidas adoçadas. Outros 11 países estão implementando ou avaliando taxas similares.

Muitos estão indo além: a França aliou o imposto a medidas como a proibição de máquinas de vendas automáticas em escolas. No ano passado, o Chile introduziu rótulos pretos de alerta em alimentos com alto nível de açúcar, sal e gordura.

O México é outro exemplo. Com um em cada três adultos afetados por obesidade, o país implementou em 2014 um imposto sobre refrigerantes adoçados.

"Há um crescente entendimento sobre a necessidade de controlar a ingestão de açúcares... em políticas públicas e na cultura em geral", disse Francesco Branca, diretor de nutrição para saúde e desenvolvimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Com a obesidade e a diabetes se espalhando muito rápido, estão tentando fazer algo sobre isso desde cedo."

A queda no ritmo do crescimento global está somando a preocupações de que o mercado mundial de açúcar está a caminho de um excedente em 2017/18, após dois déficits consecutivos.

Isso também poderia limitar planos ambiciosos da União Europeia de aumentar acentuadamente a produção em 2017/18 em um esforço para voltar a ser um exportador líquido, após encerrar subsídios e limites sobre exportações em outubro.

ÍNDIA, CHINA E BRASIL

Países de alta renda como a Noruega e o Canadá já estão vendo um declínio no consumo de açúcar, segundo dados da Euromonitor. Agora o apetite de mercados emergentes, cujo rápido crescimento populacional deveria ajudar a puxar o crescimento futuro, também está diminuindo.

As vendas de açúcar da Índia, maior consumidor mundial, deverão cair em 1 milhão de toneladas nesta safra, estima a Associação Indiana de Usinas de Açúcar (ISMA, na sigla em inglês), devido a preços domésticos mais altos, entre outros fatores econômicos.

A decisão do governo mais cedo neste ano de abolir um subsídio de açúcar para famílias pobres também reduziu o consumo.

A ISMA espera que o consumo se recupere no próximo ano, com a produção no país se normalizando e os preços domésticos caindo, mas analistas dizem que o crescimento de longo prazo continua incerto, uma vez que o governo poderá cobrar taxas mais altas e exigir rotulagem mais rígida em comidas açucaradas.

"Se a Índia também entrar com um imposto do tipo, sendo o maior consumidor mundial de açúcar, isso poderia ser sentido no crescimento global", disse Stefan Uhlenbrock, analista sênior da F.O. Licht.

A demanda por açúcar também parece estar estagnando na China, segundo maior consumidor global, à medida que adoçantes mais baratos, como xarope de milho rico em frutose, ficam mais populares.

Produtores chineses de cana-de-açúcar e beterraba dependem do apoio estatal para compensar os altos custos de produção. As importações, enquanto isso, estão sujeitas a impostos elevados pensados para proteger a indústria, com uma tarifa adicional sendo introduzida nesta semana.

Como resultado, os preços domésticos do açúcar estão quase o dobro dos preços globais. Isso, somado a uma abundância de milho barato, tornou o xarope de milho rico em frutose altamente competitivo.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) ressaltou o declínio na demanda chinesa por açúcar no mês passado quando reduziu suas estimativas para o consumo do país em 2015/16 e 2016/17 em 10 por cento e sinalizou crescimento mais modesto do que esperado anteriormente.

"As pessoas na China ainda estão tomando sorvete e refrigerantes", disse John Stansfield, analista da operadora de commodities Group Sopex. "É só o fato de que esses produtos agora estão sendo feitos cada vez mais com xarope de milho do que açúcar."

O Brasil, terceiro maior consumidor mundial, também viu uma desaceleração no crescimento da demanda ao longo dos três últimos anos, uma vez que uma duradoura recessão reduziu a renda de muitos brasileiros. O consumo estava crescendo entre 2 e 3 por cento na década anterior. (Reuters 24/05/2017)

 

Retomada lenta e gradual na colheita de cana

Com a expectativa de uma safra recorde de grãos, os economistas acreditam que o agronegócio será a salvação para 2017, evitando que a economia brasileira fique sem crescimento pelo terceiro ano seguido. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio deve apresentar expansão de 2% em 2017 e o mercado financeiro prevê que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) seja de 0,49%.

Nesse ambiente de crescimento da atividade o setor sucroalcooleiro, que passou por momentos difíceis nos últimos anos, inicia um processo de recuperação lenta e gradual. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Agricultura (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio Carvalho), a previsão da safra de cana-de-açúcar 2017/2018 no Centro-Sul indica a colheita em 7,7 milhões de hectares, gerando uma oferta para moagem de 575 milhões de toneladas. "Serão produzidas 34 milhões de toneladas de açúcar e 23 bilhões de litros de álcool, de acordo com estudos realizados pela Canaplan", afirma.

Caio Carvalho, que também é conselheiro da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), explica que "a previsão da Canaplan utiliza uma banda que vai de 590 milhões de toneladas de cana (safra úmida) a 560 milhões de toneladas (safra seca), com o ponto médio de 575 milhões de toneladas". A explicação é necessária porque segundo estimativa divulgada pela ÚNICA, em conjunto com os demais sindicatos e associações de produtores do Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a safra 2017/2018 indica moagem de 585 milhões de toneladas. Portanto, apesar de iniciar a retomada este ano ainda haverá queda de 22,14 milhões de toneladas em relação as 607,14 milhões de toneladas processadas na safra anterior.

De acordo com as informações divulgadas pela Unica, esta queda resulta da ligeira retração na área disponível para colheita e da diminuição esperada na produtividade agrícola do canavial a ser colhido no ciclo 2017/2018.

Caio Carvalho lembra que durante cinco safras de cana houve excedente de açúcar no mercado internacional. Neste período, alguns países produtores adotaram políticas públicas de protecionismo e auxiliaram os produtores locais, o que não ocorreu no Brasil. Neste contexto de dificuldades o produtor não investiu na renovação do canavial, o que refletiu na produtividade. "Saímos de uma produção de 85 toneladas de cana por hectare no Centro-Sul do país, que responde por 90% da nossa produção de cana, para 75 toneladas de cana por hectare. Lembra que agora, para recuperar a produtividade, que é um processo lento, o produtor terá de fazer a renovação de 20% do canavial, aumentando a área plantada, mas reduzindo a oferta de cana.

Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), afirma que do ponto de vista de máquinas e equipamentos estamos num processo de recuperação sim. "É uma recuperação gradual. No primeiro quadrimestre de 2017 tivemos um crescimento de 33% nas vendas totais de máquinas agrícolas e rodoviárias. Se olharmos para os tratores de roda, por exemplo, de janeiro a abril foram vendidas 10.975 unidades, uma alta de 39% sobre as 7.884 unidades vendidas no mesmo período de 2016. Este é um indicativo de melhora nas vendas".

Ana Helena destaca que o crescimento no setor da cana vem acontecendo ao longo dos últimos meses. "O segmento sucroalcooleiro está investindo na ampliação e renovação da frota. De janeiro a abril foram comercializadas 378 colhedoras de cana, pouco abaixo das 390 unidades vendidas em 2016. Em abril tivemos uma pequena queda de 2% nas vendas, mas foi uma oscilação normal do mercado", diz. Lembra ainda que o mês de abril foi mais curto, com dois feriados e uma paralisação no último dia útil do mês, o que refletiu nas vendas.

Além disso, o presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jacyr Costa Filho, aponta que "o programa Renova Bio, lançado pelo Ministro Fernando Coelho, se transformado em lei, será um indutor importante de novos investimentos e de geração de empregos no setor sucroenergético brasileiro, colaborando para o atingimento das metas de redução de emissões assumidas pelo Brasil ao ratificar a Cop 21". (Globo Rural 23/05/2017)

 

Assembleia de credores da Renuka do Brasil aprova venda da Usina Revati

A Renuka do Brasil aprovou, em assembleia de credores realizada na segunda-feira, 22, o aditamento ao plano de recuperação judicial que prevê a venda da Usina Revati, em Brejo Alegre (SP). A decisão encerra quatro meses de esforços por um acordo que compensasse o cancelamento do leilão da Usina Madhu, em Promissão (SP), em janeiro.

De acordo com uma fonte ouvida pelo Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), apenas a Classe 2, composta por credores com créditos assegurados por direitos (garantia real), votou contra o documento, mas a empresa se valeu do mecanismo de cram down, onde o voto da maioria é o que vale, para garantir a aprovação. A homologação na Justiça deve ocorrer entre 20 e 30 dias.

O processo de recuperação judicial da Renuka do Brasil se arrasta desde outubro de 2015. No ano passado, os credores aprovaram um plano que previa a venda da Usina Madhu. A unidade foi a leilão em dezembro por R$ 700 milhões, mas não atraiu interessados.

Para janeiro estava previsto outro leilão, com lances livres, só que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pediu a suspensão do pregão, por ser titular das garantias hipotecárias. Desde então, a companhia vinha tentando marcar outras assembleias para tratar da situação da empresa, inclusive com uma proposta de leilão de venda de outra usina, a Revati.

A Revati, que tem capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana por safra, deve ser leiloada como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), ou seja, sem pendências para o comprador. Com o dinheiro a ser arrecadado em uma eventual venda, a Renuka do Brasil espera pagar 30% do crédito dos bancos. A dívida estimada da companhia supera R$ 2 bilhões.

Ambas as unidades da companhia podem processar mais de 10,5 milhões de toneladas de cana por temporada. Juntamente com a Renuka Vale do Ivaí, que tem duas usinas no Paraná, a Renuka do Brasil é controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, que tem capital aberto na Bolsa de Mumbai, no país asiático. (Agência Estado 23/05/2017)

 

Governo brasileiro e Unica questionam salvaguarda chinesa às importações de açúcar

Brasil é o principal exportador de açúcar para a China.

Preocupado com as medidas de salvaguarda contra as importações de açúcar, adotadas a partir desta segunda-feira, pela China, o governo brasileiro tenta negociar algum tipo de exceção que não prejudique os produtores nacionais com as autoridades do país asiático. O Brasil é o maior exportador do produto para o mercado chinês. Em 2016, as vendas chegaram a US$ 816 milhões.

Pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), as salvaguardas são aplicadas para todos os países exportadores. Esse tipo de medida de defesa comercial tem por objetivo proteger os produtores locais, quando ocorre, comprovadamente, surto de importações nos últimos anos.

Nota divulgada nesta noite pelo Ministério das Relações Exteriores informa que representantes do governo brasileiro mantiveram contatos ao longo do dia tanto em Genebra (Suíça), sede da OMC, como em Pequim, questionando as salvaguardas. Segundo o Itamaraty, estão em estudo ações para defender os interesses dos exportadores nacionais.

"O governo brasileiro seguirá em contato com o governo chinês, com o objetivo de obter maior clareza sobre a entrada em vigor e o conteúdo das medidas adotadas. Seguirá, também, desenvolvendo todas as ações possíveis para defender os interesses de nossos exportadores", diz um trecho do comunicado.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) também se manifestou sobre o assunto nesta segunda-feira. A entidade informou que o governo e o setor privado continuarão buscando um acordo com a China. A meta é conseguir formas de amenizar potenciais prejuízos aos produtores e exportadores brasileiros. As negociações começaram na sexta-feira passada, na OMC.

A salvaguarda inclui uma tarifa adicional para volumes que ultrapassem a cota atual de 1,945 milhão/toneladas. Nos próximos 12 meses, a tarifa será de 95%, caindo para 90% no segundo ano e encerrando 85% no ano subsequente. Até a aplicação desta medida, a tarifa de importação imposta fora da cota era de 50%.

De acordo com a entidade, na safra 2016/2017, o Brasil exportou para a China 2,149 milhões de toneladas, com previsão para chegar a 3 milhões nesta safra. A China é o principal destino das exportações de açúcar do Brasil.

"A Unica tem sustentado desde o início do processo de investigação da China (setembro de 2016) a inexistência de requisitos da OMC que justifiquem a imposição de salvaguarda. Com base na análise do volume e do valor exportado por todos os países envolvidos entre os anos de 2011 e 2016, não se configura 'surto inesperado de importações', nem se observa a relação de causalidade entre o nível de exportações e o desempenho da produção chinesa", argumentou a Unica, que alertou, em uma nota, para o risco de a salvaguarda aumentar o contrabando de açúcar, em vez de proteger a indústria local, o que poderia prejudicar o mercado internacional como um todo. (ÚNICA 23/05/2017)