Setor sucroenergético

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Açúcar: Petróleo em baixa

Os contratos futuros de açúcar recuaram ontem em Nova York, refletindo a retração do petróleo em Nova York e em Londres.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam em 15,94 centavos de dólar a libra-peso, queda de 19 pontos.

Investidores aguardam o encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) hoje, em que se espera que seja prorrogado o acordo de corte na produção, o que daria sustentação ao mercado.

O petróleo mais barato tira a competitividade do etanol, estimulando a produção de açúcar.

A elevação do imposto sobre a importação de açúcar extra-cota pela China também tem pressionado.

O indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 78,08 a saca de 50 quilos, alta de 0,79%. (Valor Econômico 25/05/2017)

 

Setor deixa para a última hora e se enrola para cumprir a lei do enlonamento de carga

Lei entra em vigor a partir de 1º de junho, mas previsão é que mais de 50% da frota canavieira não conta com dispositivo de enlonamento da carga.

Esse tem sido o ritmo do setor sucroenergético nesses últimos dias para cumprir a resolução 618 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que exigi, a partir do próximo dia 1º de junho, o enlonamento das cargas de cana “in natura” nos caminhões canavieiros que trafegarem em rodovias municipais, estaduais e federais.

Apesar da notícia não ser nova, grande parte do setor não se preparou antecipadamente para cumprir as normas. Para muitos, o principal entrave que contribuiu para postergar a adequação das carretas foi a questão financeira – o custo de cada dispositivo para colocação das lonas ou telas de enlonamento nas gaiolas canavieiras, varia de R$ 1,5 mil, o manual, até R$ 10 mil, o elétrico.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) explica que a medida, aplicada ao transporte de cana e de outros produtos, visa impedir o derramamento da carga nas estradas. O consultor na área de motomecanização, Luiz Nitsch, observa que essa lei de enlonamento de cargas, já existe há 40 anos, outros segmentos, como o de grãos, já a cumprem há muito tempo e, só agora chegou ao canavieiro.

Por duas vezes o setor conseguiu que a norma fosse adiada. Porém, não tem mais conversa. Nitsch, com informações do próprio Contran, salienta que não haverá mais prorrogações. A partir de 1 de junho, autoridade competente de trânsito poderá autuar aquele que trafegar sem a proteção adequada nas carretas por infração grave, com multa de R$ 195 e a perda de cinco pontos na carteira de motorista. O pior, é que a multa é por equipamento, ou seja, os treminhões podem chegar a receber quatro multas na mesma atuação: Cavalo Mecânico, Reboque, Semi- Reboque e Dolly. O veículo pode ser apreendido e o motorista levar 20 pontos na carta.

Resultado: o setor corre para se adequar à lei. No entanto, não há tempo hábil para a colocação dos dispositivos. “O equipamento tem para a venda, o problema é que é necessário ter profissionais para realizar a colocação, adequá-lo e orientar as equipes das usinas sobre o manejo correto. Isso, leva cerca de 10 dias. Esse processo deveria ter acontecido bem antes e não deixar para a última hora”, salienta Nitsch. (Cana Online 25/05/2017)

 

Indústria mexicana de açúcar pede investigação de dumping sobre frutose dos EUA

A Associação da Indústria de Açúcar do México (CNIAA, na sigla em inglês) apresentou um pedido na semana passada para que o governo investigue suspeitas de práticas de dumping por produtores de frutose dos Estados Unidos vendendo ao México, disse uma pessoa próxima ao assunto.

A CNIAA disse mais cedo neste mês que havia evidências para realizar uma "sólida" investigação sobre a frutose, que entra no México livre de impostos, diferentemente do açúcar mexicano que vai para os EUA.

"O pedido pela investigação foi apresentado na semana passada ao Ministério da Fazenda", disse a fonte.

O ministério não respondeu imediatamente a uma solicitação de comentário.

Os dois países têm travado uma disputa desde que a indústria de açúcar dos EUA começou a pressionar seu governo no ano passado para sair de um acordo de 2014 que estabelece preços e cotas para importações norte-americanas de açúcar mexicano a menos que seus termos possam ser renegociados.

A indústria de açúcar dos EUA quer que o México exporte menos açúcar refinado, disseram fontes à Reuters. (Reuters 24/05/2017 às 19h: 11m)

 

Estrangeiras disputam o mercado de lubrificantes

O mercado brasileiro de lubrificantes, apesar da queda de demanda nos últimos anos devido à desaceleração da economia e ao recuo na venda de veículos, cresce aos olhos das multinacionais petrolíferas, que querem tomar fatias de companhias nacionais ­ BR/ Petrobras, Moove / Cosan e Ipiranga. Essas, por sua vez, também se movimentam. Além de Shell e Total, a Petronas busca consolidar sua posição no país, um dos maiores mercados do mundo.

O Brasil, em 2012, tinha consumo total de quase 1,4 bilhão de litros por ano. Esse volume, em função da retração econômica, caiu para pouco mais de 1,1 bilhão de litros anuais, conforme dados do Sindicom. A perspectiva de retomada, até algumas semanas atrás, era esperada para o segundo semestre. Mas agora um cenário mais otimista ficou 2018.

Recentemente, um alto executivo da Shell disse ao Valor que a companhia europeia almeja o segundo lugar no ranking, no país, em alguns anos. O grupo era o sexto, com 9,2%, no ano passado. Nove companhias de renome disputam os motores de automóveis, caminhões, ônibus, maquinas e de equipamentos industriais.

A liderança do mercado de lubrificantes e graxas no país, conforme números do Sindicon, ainda é da estatal BR, subsidiária da Petrobras, que fechou 2016 com 28,1% de participação. Foi seguida pela Ipiranga, do grupo Ultra, com 18%. A Moove deteve 17,8%. Em fevereiro, a Ipiranga obteve a aprovação do órgão antitruste (Cade) para a junção de ativos que fez no ano passado com a americana Chevron, quinta colocada, com 10,7%. Até o final deste ano, as duas empresas vão alocar seus ativos em uma nova empresa. Juntas, vão disputar o mercado ombro a ombro com BR.

A estatal malaia Petronas encerrou o ano passado com 11,3% de participação nas vendas, em quarto lugar. Detêm a maior fatia entre as empresas estrangeiras.

Para se manter bem posicionado e para ganhar participação em alguns segmentos de mercado, a companhia investe em novo produtos. É o caso da área de lubrificantes para motores pesados, notadamente caminhões. Esta colocando no mercado a marca Urania, fruto de um investimento de alguns milhões de reais, informa Luiz Sabatino, presidente no Brasil e da região Leste, outros países da América do Sul, exceto Argentina.

O grupo está encerrando neste ano aportes de R$ 300 milhões no país, iniciados em 2012, usados para ampliar sua fábrica em Contagem (MG) e expandir suas operações comerciais. "Temos capacidade para atender esses mercados, com 220 milhões de litros", informa o executivo. Esse esforço permitiu levar a empresa da sexta para a quarta maior fornecedora de lubrificantes no país, afirma.

Petrolífera malaia está finalizando pacote de investimento iniciado em 2012, que permitiu ser a quarta do mercado

A fábrica de Contagem é suficiente para quatro a cinco anos, mesmo com o Brasil voltando a crescer. "Se o crescimento do PIB voltar a ser robusto, aí temos de pensar em ampliação ou até em uma nova fábrica no Brasil", disse ao Valor Guilherme De Paula, que presidiu as operações do país até junho de 2016 e foi promovido a CEO Américas. Hoje, além do mercado brasileiro, atende outros 15 países latino-americanos, com destaque para Colômbia, Peru, Chile, Paraguai e Bolívia.

No ano passado, a companhia petrolífera, que fatura US$ 75 bilhões ao ano, adotou uma estratégia para toda a região de Américas. "Estou com a missão de integrar todas as operações, tornando a empresa mais alinhada na região", afirmou o executivo, que já foi dos quadros da Shell.

Ele não sinalizou se os planos de expansão no Brasil preveem aquisições ou fusão com concorrentes. A estratégica parece mais voltada para um crescimento orgânico. Por exemplo, em motores diesel, que movimenta cerca de 300 milhões de litros ao ano. Nesse segmento, garante que dobrou a participação de mercado, indo de 4% para 8,6%. Tem objetivo de expandir mais essa fatia.

"É um segmento de negócio muito importante, pois o transporte no Brasil é ainda movido a diesel", comentou De Paula. A empresa informa que está nos mercados automotivo, no qual declara ser a quarta colocada, com as marcas Selenia e Syntium; no de graxas (logo atrás da líder Chevron); e em óleo para transmissão, disputando com a BR. "Hoje temos um portfólio de produtos mais robusto", diz Sabatino.

Entre os investimentos no país, neste ano a empresa está aplicando R$ 10 milhões em um centro para desenvolvimento global de produtos dentro da fábrica de Contagem, que será inaugurado até o fim do ano.

O negócio de lubrificantes e graxas da companhia malaia é tocado pela Petronas Lubrificants International (PLI), fundada em 2008. Hoje representa 2% do faturamento total da petroleira. As Américas, com fábricas nos Estados Unidos (8), uma no México, uma no Brasil e uma Argentina, respondem por 26% das vendas totais (em volume). Mas é responsável por 30% do resultado financeiro dessa área.

Nos Estados Unidos, a Petronas tem 0,4% de participação, todavia de um mercado gigante: 9 bilhões de litros ao ano. "Ainda estamos engatinhando por lá, brigando com muita gente de peso", afirma De Paula. Está presente nos segmentos de veículos para construção e agronegócios, bem como em automotivo e consumo.

Outro mercado onde almeja crescer é o da Argentina, com a construção de uma nova fábrica. O investimento é de US$ 30 milhões, decidido em 2012, mas acelerado na mudança de presidente do país. Vai ficar pronta no fim de 2018. Com isso, prevê dobrar para 10% sua fatia de vendas locais, dominadas pela YPF. (Valor Econômico 25/05/2017)

 

Minas Gerais tem a maior produção histórica de açúcar

O cenário das amplas plantações de cana-de-açúcar em Minas Gerais ganhou novos visitantes: siriemas, tamanduás, lobos-guarás e várias espécies de pássaros são frequentes hoje nos canaviais. Eles passaram a ser vistos nas estradas das usinas desde a consolidação, nos últimos anos, das colheitas mecanizadas, que eliminaram as queimadas nas lavouras. O passeio desses animais pelas propriedades mostra ganhos que vão além da saúde ambiental: significa também o processo de colheita mais eficiente dos usineiros. Hoje, praticamente toda a área colhida dos canaviais no estado é mecanizada. "Com isso, aproveitamos mais a energia da cana, pois não queimamos a palha. Estamos tentando produzir mais na mesma área, com ganhos de produtividade", diz o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

A eficiência se reflete nos números. A produção de açúcar na safra mineira 2017/2018 será recorde. Vai passar de 3,9 milhões de toneladas na safra passada para 4,1 milhões de toneladas, uma alta de 3%. A eficiência maior deve-se em grande parte à instalação de duas novas fábricas de açúcar no estado: uma em Limeira do Oeste, da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA); e outra em Tupaciguara, da Bioenergética Aroeira. Localizadas no Triângulo Mineiro, as duas usinas vão aumentar em 400 mil toneladas a capacidade instalada do produto em Minas. O recorde vem em um momento de alta dos preços da commodity, em razão da queda na produção mundial registrada no ano passado.

A nova fábrica de açúcar da CMAA, na usina Vale do Pontal, será inaugurada neste mês de maio e contou com investimentos da ordem de 450 milhões de reais. "Uma usina sem colheita mecanizada não tem condições de competir hoje", afirma José Francisco dos Santos, fundador e presidente do Conselho de Administração da CMAA, grupo formado também pela usina Vale do Tijuco, em Uberaba, uma das quatro maiores produtoras de cana do estado. A Vale do Tijuco produz 35 mil sacos de açúcar e mais de 1 milhão de litros de álcool por dia em 60 mil hectares de cana. A produtividade surpreende e chega a 95 toneladas de cana por hectare. O grupo gera cerca de 2 mil empregos diretos. "Nosso segredo é a produtividade elevada com custo baixo", afirma Carlos Eduardo Turchetto Santos, filho de José Francisco e presidente da CMAA. Com a nova fábrica, o grupo deve produzir 370 mil toneladas de açúcar neste ano, quase 100 mil a mais do que em 2016.

A Bionergética Aroeira investiu 55 milhões de reais para começar a produzir açúcar em abril. Neste ano, vão sair da usina, que já produz energia elétrica, 100 mil toneladas de açúcar e 50 milhões de litros de etanol. "É importante que as usinas produzam os três produtos", afirma Mário. "É uma forma de otimizar as fábricas e trabalhar com mix melhor." Em julho, a Vale do Pontal também vai produzir energia.

Na festa que promoveu na Vale do Tijuco para o lançamento da safra 2017/2018 da cana, José Francisco agradeceu a decisão do governo passado de reduzir a alíquota do ICMS do etanol hidratado (colocado no motor do carro) de 19% para 14%. "Foi uma vitória para o estado", disse aos 300 empresários e políticos presentes. A medida, sancionada em dezembro de 2014 pelo então governador Alberto Pinto Coelho (PP), contribuiu para deixar o álcool mais competitivo e aumentar o consumo.

"Minas tem vocação na produção de açúcar e álcool, que é combustível com energia limpa e gerador de riqueza e emprego", afirma Alberto. "E se contrapõe à gasolina e ao diesel, que são altamente poluidores." Dinis Pinheiro, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) entre 2011 e 2014, é outro defensor fervoroso da medida. "Foi fundamental para reanimar o setor a cumprir seu papel decisivo de gerar emprego."

José Francisco critica a importação "desenfreada" de álcool no país. "O combustível entra sem imposto nenhum. Assim perdemos a competitividade", diz. O empresário, que também é dono da JF Citrus, uma das quatro maiores produtoras de laranja do país, afirma que paga 400 dólares por tonelada do suco que entra nos Estados Unidos. "Temos de colocar barreiras, assim como eles têm na importação dos nossos produtos", diz. "O etanol importado entra aqui sem obedecer às mesmas regras que temos no Brasil", completa Gabriel Feres Junqueira, diretor-financeiro da Aroeira.

A primeira estimativa da safra 2017/2018 da produção de etanol total (anidro e hidratado) é de queda de 2,64 bilhões de litros para 2,33 bilhões de litros, redução de 12%. "Essa safra ainda é de ajuste, pois as usinas não tinham dinheiro e estavam renovando pouco as lavouras", afirma Mário. É, segundo ele, uma safra de transição para a retomada do setor, que vai ter crescimento de moagem nos próximos anos em função do aumento de produtividade agrícola.

O governador Fernando Pimentel (PT) participou da festa e elogiou o setor de cana-de-açúcar no estado. "Está cada dia mais modernizado, socialmente e ambientalmente comprometido. É combustível barato e correto", diz. Ele ressaltou o momento "dramático" do país, com grave crise econômica e política. "Só temos um caminho, trincar os dentes e trabalhar, o que o mineiro sabe fazer de melhor", afirma. Haja vista os pujantes números do setor, é exatamente nisso que os usineiros estão empenhados. (Revista Encontro 24/05/2017)

 

Manifestantes incendeiam Ministério da Agricultura

A onda de protestos que tomou conta de Brasília na tarde desta quarta-feira (24) chegou até o Ministério da Agricultura (Mapa). Os manifestantes, que são contra as reformas trabalhista e da previdência, e pedem a saída do presidente Michel Temer, colocaram fogo no auditório do Mapa. As salas que ficam no térreo foram invadidas. Havia muitos documentos espalhados pelas calçadas e computadores quebrados no local.

Segundo a assessoria de imprensa do ministério, policiais militares entraram no prédio e controlaram a situação. O fogo já foi apagado e, de acordo com a Agência Brasil, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas durante os protestos, entre elas um policial e uma repórter que cobria a manifestação; há ainda dois manifestantes feridos e a última pessoa da lista não havia sido identificada. (Gazeta do Povo 25/05/2017)