Setor sucroenergético

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Devendo R$ 500 milhões, usina Cevasa vira problema para Cargill

Em fase de reestruturação, por causa da crise do setor e da economia, usina precisa de R$ 200 milhões em dinheiro novo para garantir operação; americana controla negócio, que marcou sua estreia no setor sucroalcooleiro no País, em 2006.

A multinacional americana Cargill pretende encontrar nos próximos meses uma solução para a Cevasa, usina de açúcar e álcool que foi o primeiro investimento da companhia no setor sucroalcooleiro brasileiro, em 2006. A Cargill tem 63% do negócio, o restante está nas mãos de fornecedores de cana reunidos na Cana Agrícola Ltda (Canagril). Apesar de a americana ser a controladora, a gestão do negócio é compartilhada. Com endividamento de cerca de R$ 500 milhões, a usina precisa de um aporte entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões. Essa necessidade de investimento gerou um impasse entre os sócios, segundo apurou o Estado.

Multinacionais que investiram em usinas estão se desfazendo desses ativos, muitas vezes com prejuízos

De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, não interessa mais à Cargill manter esse ativo em mãos. A indefinição sobre o aporte de capital pode afetar ainda mais a saúde financeira da unidade, instalada em Patrocínio Paulista (interior de São Paulo).

Os acionistas da Canagril, grupo formado por fornecedores de cana da região paulista, não estariam dispostos a colocar dinheiro na companhia. Se a Cargill fizer o aporte sozinha, os acionistas seriam diluídos, mas ainda exerceriam influência na companhia, por causa do desenho do acordo de acionistas.

O que está em jogo é o processo de reestruturação da Cevasa, que tem dívidas de R$ 500 milhões com os principais bancos brasileiros, entre eles Bradesco e Itaú, ainda segundo fontes.

As conversas com os bancos estão em andamento, mas a venda do ativo para investidores locais, hipótese que já foi considerada pela Cargill, encontra dificuldades porque a aquisição de operações sucroalcooleiras está em baixa por causa da crise do setor e da economia. A venda de ativos do segmento não está em seu melhor momento, uma vez que os preços estão depreciados, segundo fontes.

Além da Cevasa, a Cargill tem parceria com a SJC Bionergia em três unidades produtoras de açúcar e álcool em Goiás. Em 2014, a múlti uniu-se à Copersucar para criar a Alvean, uma das maiores negociadoras de açúcar do mundo. Esse é um negócio considerado lucrativo no segmento, uma vez que a comercialização de commodities faz parte do DNA da americana, maior companhia agrícola de capital fechado do mundo.

Concentração

O movimento de concentração do setor sucroalcooleiro ficou mais intenso a partir de 2003, quando o uso do etanol como combustível ganhou impulso do governo. Entre 2003 e 2010, o fechamento de aquisições foi intenso, atraindo ao País diversos investidores estrangeiros.

Na época da aquisição da Cevasa pela Cargill, em 2006, o setor prometia ser um forte movimento de consolidação que estava em curso pelo setor, além da Cargill, outras grandes tradings trilharam o mesmo caminho, como ADM, Bunge e Louis Dreyfus, mas nenhuma obteve o sucesso como produtora de açúcar e álcool, uma vez que setor enfrenta uma crise aguda há vários anos.

A ADM, concorrente global da Cargill em grãos, também adquiriu ativos no setor sucroalcooleiro, mas já deixou o negócio no Brasil. A ADM anunciou em 2016 que, após quatro anos procurando um comprador, conseguiu vender de suas áreas de canaviais e uma unidade fabril (destilaria), com capacidade de processar até 1,5 milhão de toneladas de cana por ano, para a JFLim Participações. Os termos de negociação não foram revelados.

Procurada, a Cargill informou, por meio de sua assessoria, que a Cevasa é uma empresa autônoma cuja gestão é compartilhada entre a Cargill e um grupo de produtores de cana-de-açúcar representados pela Canagril. A Cargill disse não fazer comentários sobre assuntos relacionados a empresas que não são controladas por ela. Jorge Rassi, um dos principais porta-vozes da Canagril, também não quis comentar o assunto. O Itaú também não se manifestou. O Bradesco não retornou os pedidos de entrevista. (O Estado de São Paulo 26/05/2017)

 

UNICA pede celeridade na regularização do MCP

A falta de pagamento pela energia gerada nas liquidações financeiras do Mercado de Curto Prazo (MCP) no setor elétrico, por conta de liminares que protegem hidrelétricas contra o risco hidrológico que se arrasta desde 2015, foi um dos temas principais discutidos durante a palestra "Condições de Demanda e Oferta do Setor Elétrico Brasileiro. Uma discussão sobre o horizonte de 5 anos”, realizada na quarta-feira (dia 24), na sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Essa questão, que também foi abordada nesta semana em reunião entre o Ministro de Minas e Energia (MME), Fernando Coelho Filho, e associações do setor elétrico, é uma preocupação dos produtores de cana-de-açúcar e geradoras de bioeletricidade de biomassa, que detêm créditos não recebidos no MCP, cada vez mais volumosos.

Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da UNICA, relatou que, na reunião desta semana com o MME, foi informado que será necessário aguardar o desenrolar da nova crise política para que a Medida Provisória (MP) do setor elétrico, a qual deve incluir uma solução para o imbróglio do MCP, tramite no Congresso Nacional.  Neste intervalo, o ministério deve continuar com os trabalhos técnicos para desenhar esse acordo e editar a medida provisória.

"Vemos esse posicionamento como um sinal positivo, embora, até a edição e aprovação da futura MP, é importante que o governo esteja empenhado também judicialmente na cassação das liminares que impedem a liquidação financeira de operações desde 2015 e, dada a urgência do tema, até na busca de outra solução que não tenha que passar pelo Congresso", comenta Souza.

A última liquidação no MCP foi finalizada em 12 de maio pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e movimentou R$ 1 bilhão dos R$ 2,85 bilhões contabilizados. Do valor não pago, R$ 1,58 bilhão foi relacionado às liminares das hídricas. Durante a palestra, foi apresentada projeção da CCEE para o final do ano de 2017, mostrando que os valores referentes ao não pagamento amparado por liminares das hídricas poderá chegar a R$ 40 bilhões.

O evento, liderado pela UNICA, é realizado todos os meses e conta com a parceria da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL). No encontro de ontem, a palestra foi ministrada pela equipe de mercado da Capitale Energia, e contou com a presença de cerca de 80 profissionais. A próxima edição está prevista para o dia 22/06, às 10h30, na sede da UNICA (Avenida Faria Lima, 2179 - 11º andar).

UNICA

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA - www.unica.com.br) é a entidade representativa das principais unidades produtoras de açúcar, etanol (álcool combustível) e bioeletricidade da região Centro-Sul do Brasil, principalmente do Estado de São Paulo. As usinas associadas à UNICA são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana, 60% da produção de etanol e quase 70% da bioeletricidade ofertada para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Na safra 2016/17, o Brasil produziu aproximadamente 651 milhões de toneladas de cana, matéria-prima utilizada para a produção de 38,7 milhões de toneladas de açúcar, 27,2 bilhões de litros de etanol e mais de 20 TWh para a rede elétrica nacional. (UNICA 25/05/2017)

 

Açúcar: Brasil pode mudar cenário de preços no mercado internacional

Mudança do mix para etanol, produção de matéria prima abaixo das previsões iniciais e menor ATR em função do envelhecimento dos canaviais são alguns fatores que podem influenciar na redução de oferta do açúcar.

A China pode aumentar sua taxa de importação, o que afetaria diretamente o açúcar brasileiro. Hoje, o Brasil tem uma cota a ser enviada para o país que dá conta de uma cobrança de 15% em cima dos impostos.

De acordo com Arnaldo Luiz Corrêa, sócio-diretor da Archer Consulting, a China tem tentado fazer um programa interno de incentivo à produção de açúcar, mas não tem conseguido aumentar sua produção. Por isso, tem importado para atender sua demanda.

Ele acredita que o Brasil recebeu essa questão com bastante surpresa, mas acha que é uma atitude desesperada por parte da China para apoiar a indústria interna. Comprar açúcar mais barato, com o imposto de importação, se tornaria mais lucrativo para a China.

Em termos de mercado, ele não vê isso com um grande fator, mas a longo prazo, isso deve ser construtivo, uma vez que o Brasil está estagnado na produção de cana. Corrêa vê que, nos próximos anos, o Brasil não terá cana suficiente para manter o mesmo mercado que possui hoje e um possível aumento de demanda de combustíveis. Se houvesse uma retomada da economia, segundo Correa, este momento mudaria.

Quanto aos preços, o sócio-diretor visualiza que as mínimas já foram atingidas no mês anterior. Em contrapartida, o dólar traria um efeito para a gasolina, o que diretamente afetaria o etanol. Assim, não haveria mais espaço para a queda neste mercado.

Considerando o mix de açúcar, Corrêa acredita que terá uma redução ou não cumprimento na expectativa de 36 milhões de toneladas para a próxima safra, com uma redução de 1,8 milhão de toneladas, o que é, justamente, o superávit esperado pelo mercado, que mantém os preços em baixa, tendo em vista que a produção está estreita no Brasil.

A crise do setor, na visão de Corrêa, ainda não acabou. Há um endividamento grande impactado pela crise e o setor, hoje, está devendo cerca de 87 bilhões de reais, cerca de 140 reais por tonelada. Entretanto, no ano passado, houve uma redução de endividamento, devido ao aproveitamento de parte de algumas usinas do mercado em alta. (Notícias Agrícolas 25/05/2017)

 

Petrobras reduz preço de combustíveis diante de forte alta na importação

O Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP) da Petrobras decidiu nesta quinta-feira reduzir o preço médio da gasolina nas refinarias em 5,4 por cento e em 3,5 por cento os valores do diesel.

"A decisão foi guiada predominantemente por um aumento significativo nas importações no último mês, o que obrigou ajustes de competitividade da Petrobras no mercado interno", disse a Petrobras em nota.

Conforme princípio da política da empresa em vigor, a participação de mercado da companhia é um dos componentes de análise considerado pelo GEMP.

A importação de gasolina por terceiros para o mercado interno aumentou de 240 mil metros cúbicos em fevereiro para 419 mil em abril, com previsão de manutenção em torno deste nível em maio.

No diesel, a importação saiu de 564 mil metros cúbicos em fevereiro para 811 mil em abril, e há previsão de mais de 1 milhão de metros cúbicos em maio, disse a estatal.

"Com isso, as refinarias da Petrobras podem chegar a um fator de utilização abaixo do último dado divulgado pela companhia em seus resultados trimestrais, que foi de 77 por cento".

Neste cenário, os fatores relacionados ao preço dos derivados no mercado internacional e a oscilação da moeda nacional também foram avaliados pelo GEMP, disse a Petrobras, acrescentando que os novos preços continuam com uma margem positiva em relação à paridade internacional, conforme princípio da política da empresa.

Se o ajuste feito nesta quinta-feira for integralmente repassado e não houver alterações nas demais parcelas que compõem o valor ao consumidor final, o diesel pode cair na bomba 2,2 por cento, ou cerca de 0,07 real por litro, em média, e a gasolina, 2,4 por cento, ou 0,09 real por litro, em média. (Reuters 25/05/2017)