Setor sucroenergético

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Açúcar: Com retomada gradual da produção, preços aumentam

Chuvas em todo o Centro-Sul do Brasil atrasaram a moagem de cana-de-açúcar nas usinas, que continuaram fora do mercado spot no início da semana passada, segundo indicam pesquisadores do Cepea. A produção foi retomada a partir da quarta-feira, 24, mas o volume de negociações não foi significativo.

Conforme colaboradores do Cepea, algumas unidades produtoras indicam que só voltam a negociar nesta semana no mercado à vista, devido aos compromissos com volumes já contratados. Nesse cenário, os preços têm registrado altas. De 22 a 29 de maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal cor Icumsa entre 130 e 180, subiu 1,32%, fechando a segunda-feira, 29, a R$ 77,91/saca de 50 kg. (Cepea / ESALQ 30/05/2017)

 

Açúcar: Tendência de baixa

As cotações do açúcar foram pressionadas por todos os lados na última semana na bolsa de Nova York e os contratos com vencimento em outubro caíram 7,35%, para 15,37 centavos de dólar a libra-peso.

Primeiro foi a China, que elevou o imposto de importação sobre o açúcar extra-cota, observa relatório da Archer Consulting.

Depois, a Petrobras anunciou, na quinta-feira, uma redução de 5,4% no preço da gasolina para as refinarias, o que reduz a intenção das usinas de produzir etanol a partir da cana e eleva a produção de açúcar.

Além disso, as cotações do petróleo também estavam sob pressão, desestimulando a produção de etanol.

Ontem, feriado de Memorial Day nos EUA, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 77,91 a saca, alta de 0,50%. (Valor Econômico 30/05/2017)

 

Chuvas diminuem oferta em SP e etanol hidratado se valoriza

As ofertas de etanóis anidro e hidratado estiveram reduzidas no estado de São Paulo na última semana, devido às chuvas, que paralisaram a moagem de cana-de-açúcar. Segundo pesquisadores do Cepea, a retomada do processamento foi observada apenas no final do período, mas ainda de forma lenta.

Nesse cenário, os preços do hidratado subiram no mercado spot paulista, depois de praticamente quatro semanas em queda. Entre 22 e 26 de maio, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi de R$ 1,3994/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), alta de 0,89% em relação ao anterior.

Já o Indicador Cepea/Esalq do etanol anidro ficou praticamente estável (-0,08%), a R$ 1,6119/litro (sem PIS/Cofins) na semana passada.

Do lado das distribuidoras, o interesse de compra de etanol foi relativamente baixo, o que refletiu em pouco volume negociado. Esses demandantes estiveram atentos à possibilidade de recuo nos preços, fundamentados na proximidade de final de mês, quando usinas geralmente precisam “fazer caixa”. (Cepea / ESALQ 30/05/2017)

 

Transporte de cana será obrigatoriamente com lona a partir de quinta-feira (1)

Caminhões canavieiros serão obrigados a circular em rodovias municipais, estaduais e federais com o material carregado coberto com lona ou tela a partir do próximo mês. No dia 1° de junho, passa a vigorar resolução de 618 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito). A norma proíbe que veículos transportem a cana-de-açúcar sem a cobertura pelas estradas do País. A medida, conhecida como Lei do Enlonamento, teve o prazo para entrar em vigência adiado duas vezes desde 2013, a pedido do setor sucroalcooleiro.

Determinada pela resolução 441, do Contran, a cobertura das cargas de material sólido a granel é uma exigência desde meados daquele ano. O órgão chegou a publicar resolução que adiava até setembro de 2016 a obrigatoriedade para os caminhões canavieiros. Porém, o conselho adiou a proibição da circulação dos veículos sem lona ou tela para junho de 2017, conforme publicado no Diário Oficial da União, em setembro do ano passado.

Naquele ano, o GMEC (Grupo de Mecanização do Setor Sucroenergético), por meio da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e do Fórum Sucroenergético, solicitou que a obrigatoriedade fosse postergada para dar um intervalo maior para o setor se adequar à legislação. O presidente do GMEC, Wilson Agapito, informou, na época, que o tempo era insuficiente para permitir a inserção de dispositivos que possibilitassem o uso de lonas ou telas em mais de 23 mil gaiolas canavieiras pelo Brasil.

Repercussão

Para a Unica, a prorrogação foi essencial à disponibilização de tecnologias e mecanismos para a realização da cobertura de carga em escala comercial. Em nota, o órgão enfatizou que um novo adiamento da obrigatoriedade não será solicitado.

Apesar de garantir que todo o setor será orientado a utilizar a cobertura nas carrocerias, apoiando a fiscalização e a autuação de empresas responsáveis, a Unica diz que a adequação da medida foi onerosa para o setor, por demandar “recursos de natureza extraordinária”.

Afirma a entidade: “Considerando que estamos diante de uma frota de 23 mil veículos utilizados no transporte canavieiro apenas na região centro sul, estima-se investimentos da ordem de R$ 230 mil apenas para o equipamento (sem considerar mão de obra e tempo adicional na operação)”. (Folha da Região 29/05/2017)

 

Mantega diz ter conta secreta na Suíça e abre sigilo bancário e fiscal

O ex-ministro Guido Mantega disse à Justiça Federal do Paraná ter uma conta na Suíça não declarada no Brasil e abriu mão do sigilo bancário e fiscal.

Em petição ao juiz Sergio Moro, apresentada ontem, os advogados de Mantega afirmaram que a conta Papilon Company, no Banco Picktet, na Suíça, aberta antes que assumisse o Ministério da Fazenda, em 2006, segundo informa, recebeu um único depósito de US$ 600 mil como parte de pagamento pela venda de um imóvel herdado do pai.

A defesa disse ainda que tem outras informações bancárias a fornecer não relacionadas com o período sob investigação, que deverão ser prestadas quando o ex-ministro for intimado a depor.

A petição feita pelo advogado Fábio Tofic Simantob diz que Mantega "não espera perdão nem clemência" pelo erro que cometeu ao não declarar valores no exterior, mas reitera que jamais solicitou, pediu ou recebeu vantagem de qualquer natureza como contrapartida ao exercício da função pública, conforme poderá inclusive confirmar o extrato da conta, documento que o peticionário se compromete a apresentar tão logo o obtenha da instituição financeira.

O ex-ministro da Fazenda foi alvo de mandado de prisão temporária na 34ª fase da Operação Lava-Jato. Surpreendido no Hospital Albert Einstein, onde acompanhava a mulher num tratamento contra o câncer, acabou tendo a prisão revogada pelo juiz Sergio Moro. Na época, o empresário Eike Batista havia afirmado que pagou US$ 2,35 milhões ao PT (cerca de R$ 4,7 milhões na época) a pedido do ex-ministro.

Mantega também foi citado na delação do empresário Marcelo Odebrecht. Segundo ele, durante a negociação da MP 470, conhecida como Refis da Crise, Mantega lhe pediu R$ 50 milhões. A MP permitia o parcelamento da dívida tributária da Braskem, controlada pela Odebrecht, que chegaria a R$ 4 bilhões.

Marcelo Odebrecht disse que Mantega só começou a usar o dinheiro a partir de 2011 e o valor ficou creditado na contabilidade paralela da empresa, na conta "pós italiano". O empresário disse que, ao contrário de Antonio Palocci, que negociou e administrou valores do caixa dois da empresa depois de sair do governo, Mantega teria negociado durante todo o período em que esteve no cargo de ministro. (Valor Econômico 30/05/2017)

 

Usina Coruripe conclui captação e prevê aumentar Ebtida em 7% nesta safra

A Usina Coruripe, grupo sucroenergético com uma unidade em Alagoas e quatro em Minas Gerais, comunicou nesta segunda-feira ter encerrado a captação de R$ 202 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Na primeira emissão, de R$ 135 milhões, concluída em 7 de abril, a demanda foi cinco vezes maior que o ofertado e atraiu 2,2 mil investidores. Logo na sequência, a companhia realizou uma nova operação e recebeu, na semana passada, um crédito adicional de R$ 67 milhões. A empresa destacou que essa foi a primeira vez em que atuou com CRAs. Os papéis lançados em fevereiro (CRA CVM 400) têm vencimento em 7 de outubro de 2019 e a remuneração prevista é de taxa DI mais 3% ao ano.

Em nota, o presidente da empresa, Jucelino Sousa, disse que a obtenção desses R$ 202 milhões mostra a capacidade da Usina Coruripe em diversificar as fontes de financiamento. “(A emissão dos CRAs) é uma boa forma de captação, que permitirá aproveitar oportunidades de aumento de eficiência operacional que se reflitam em aumento de capacidade e faturamento no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforça o caixa da empresa em um período de crédito ainda restrito e de juros elevados.”

O executivo acrescentou que, para a safra 2017/18, o Ebitda da companhia deverá ser 7% superior ao de 2016/17, estimado em R$ 1 bilhão. Para este ano, a previsão é atingir novo recorde de moagem, alcançando 14,35 milhões de toneladas. Com isso, a meta da empresa é aumentar a produção de açúcar em 5,7%, com 22,8 milhões de sacas de 50kg, e elevar em 3,9% a geração de energia elétrica, o que representa 740 megawatt/hora (MWh). (Agência Estado 29/05/2017)

 

Redução de juros do Plano Safra frustra expectativas

Em meio às turbulências que ameaçam sua própria sobrevivência política e em busca por boas notícias, o presidente Michel Temer decidiu que lançará pessoalmente o Plano Safra 2017/18 no dia 5 de junho. Pretende novamente acenar ao agronegócio, um dos setores mais fiéis ao seu governo e que ainda lhe garante algum apoio.

Como antecipou o Valor, no novo pacote de crédito o governo decidiu garantir juros mais baixos, de até 6,5% ao ano, e um volume total de recursos a juros controlados da ordem de R$ 184 bilhões, mesmo patamar colocado à disposição dos agricultores e pecuaristas do país na atual temporada (R$ 183,9 bilhões), que terminará em 30 de junho.

O aceno, entretanto, talvez não seja tão bem recebido como o governo espera. Representantes do setor até reconhecem o esforço da equipe econômica nas últimas semanas para entregar um Plano Safra com taxas de juros em média um ponto percentual menores para os financiamentos agrícolas. Mas queriam uma redução menor, tendo em vista as quedas da inflação e da taxa básica Selic nos últimos meses.

Já está definido, por exemplo, que as taxas das operações de custeio recuarão para 8,5% ao ano, enquanto as de investimento serão de 7,5%, exceto PCA (armazenagem) e Inovagro (inovação), que terão juros menores, de 6,5%.

Nesse contexto, antes mesmo do anúncio oficial do novo Plano Safra desenhado para a agricultura empresarial, produtores rurais de todo país já reagem à redução dos juros, que consideraram pequena. Como também informou o Valor, o setor pressionava por reduções de pelo menos dois ou três pontos percentuais.

"Na última conversa que tivemos com o Ministério da Agricultura e com o Tesouro Nacional, soubemos que a taxa do custeio iria recuar para 8,5% ao ano. Não é o que a gente queria, já que pedimos 6,5%", afirmou Bruno Lucchi, superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Para Lucchi, o argumento colocado sobre a mesa pelo Tesouro, de que a nova lei do teto de gastos vai limitar o pagamento de equalização das taxas de juros do crédito agrícola a partir de 2017, é coerente com o discurso de austeridade fiscal do governo. Mas, na sua visão, se o problema realmente é orçamento, o governo deveria cuidar melhor da eficiência do gasto público, inclusive impondo a bancos públicos um "spread" menor nas operações de crédito rural.

O Valor apurou que o Ministério da Agricultura até fez uma proposta formal para que o spread dos bancos nessa área, que está em 3,8%, em média- fosse reduzido, mais isso depende de resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN). O "spread" é a diferença entre o custo do dinheiro captado pelo banco e o valor que a instituição cobra do tomador final do empréstimo.

"A lógica toda era reduzir em pelo menos 3 pontos as taxas do Plano Safra, para ter coerência. Mas sabemos que isso infelizmente é impossível", afirma o presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).

Já Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja-MT, insiste que a redução das taxas de juros deveria ser maior, para diminuir a pressão sobre os custos de produção dos sojicultores do Estado, que estão elevados, como apontam estimativas do Instituto mato-grossense de Economia Aplicada (Imea).

Para tornar viável a redução média de um ponto percentual, Agricultura e Fazenda concordaram em reduzir os prazos de pagamento dos financiamentos de custeio de 24 para 14 meses, e de 15 para 10 ou 12 anos no caso das linhas de investimento. E ainda costuram uma Medida Provisória para que cerealistas também possam tomar crédito para armazenagem. (Brasil Agro 30/05/2017