Setor sucroenergético

Notícias

Açúcar e etanol: há risco de falências no setor, diz agência

Segundo a Fitch Ratings, empresas mais vulneráveis terão dificuldades para manter liquidez.

O setor brasileiro de açúcar e etanol não possui muitas alternativas para superar as dificuldades que vem enfrentando, de acordo com a Fitch Ratings.

"O processo de reorganização judicial parece não ser um caminho viável para a recuperação, já que não há uma única história de sucesso", diz o diretor associado da Fitch Claudio Miori, acrescentando que mais descumprimento de contratos e falências no setor são bastante prováveis.

Segundo a Fitch, o mercado internacional de títulos de dívida deve ser desafiador para a indústria de açúcar e etanol em 2017. Além disso, a captação de recursos no mercado de capitais doméstico não é uma opção realista para a maioria das empresas, afirma a agência de classificação de risco.

A Fitch diz ainda que companhias com posição mais enfraquecida enfrentarão dificuldades para manter liquidez adequada e se desalavancar.

Para a agência, resultados positivos dependem amplamente de um ambiente operacional bem sucedido, de preços mais altos de açúcar e etanol e de acesso a recursos, tendo em vista que o setor é de capital intensivo. (Canal Rural 03/06/2017)

 

Biosev encerra safra 2016/2017 com prejuízo de R$ 600 milhões

Resultados demonstram melhora no desempenho operacional da companhia, no entanto, em última avaliação, Fitch aponta que capacidade ociosa da Biosev ainda é alta para o setor.

A Biosev, empresa sucroenergética controlada pela Louis Dreyfus Company, divulgou um prejuízo líquido de R$ 313,4 milhões no quarto trimestre da safra 2016/17, período referente aos meses de janeiro a março de 2017. Com o resultado, a companhia encerrou a temporada 2016/17 com um prejuízo total de R$ 600 milhões. Apesar do resultado negativo, o número foi 32% menor do que o apresentado na safra anterior.

A perda é reflexo de uma série de indicadores. No quarto trimestre, o lucro bruto da Biosev terminou no negativo em R$ 144,16 milhões. O número é o resultado de uma receita líquida no trimestre de R$ 1,57 bilhão (crescimento de 15%) frente a um crescimento nos custos dos produtos vendidos de mais 46% , que chegaram a R$ 1,68 bilhão. No 4º trimestre da safra, a companhia ainda registrou um crescimento de 52% nas despesas operacionais, que também impactaram na formação do resultado do período.

No acumulado da safra 2016/17, por sua vez, o lucro bruto terminou positivo em R$ 630,53 milhões. Ainda assim, houve uma queda de 24,5% em relação à temporada anterior. Ela foi motivada especialmente por um aumento de 20% no custo dos produtos comercializados, que foram contabilizados em R$ 6,39 bilhões.

Por sua vez, a receita líquida foi de R$ 7,1 bilhões, 13% superior ao mesmo período da safra 2015/16. Segundo a companhia, essa performance decorre principalmente do aumento dos volumes vendidos de açúcar e dos maiores preços de açúcar e etanol.

Além disso, o relatório financeiro destaca o resultado financeiro líquido negativo de R$ 450 milhões. Apesar de representar que a empresa está no vermelho, o indicador está 63,5% menor em relação ao registrado na safra anterior. Essa redução resulta principalmente do efeito da variação cambial sobre os ativos e passivos denominados em dólar, conforme explica o documento.

Receita por produto evidencia foco no açúcar

Na safra 2016/17, segundo a Biosev, a receita de açúcar foi ampliada em 18,9% e atingiu R$ 2,9 bilhões. O resultado reflete principalmente o crescimento de 10,2% no volume de açúcar vendido, combinado com o aumento de 7,9% dos preços médios, resultado da recuperação do preço do açúcar no mercado internacional e o aumento dos prêmios dos açúcares cristal e refinado sobre o VHP.

Este é o resultado do aumento da participação do açúcar no mix de produção, que chegou a 50,7% em 2016/17, indicador 4,8 pontos percentuais maior do que na temporada 2015/16.

Já a receita líquida de etanol foi de R$ 2,1 bilhões na safra 16/17, um aumento de 1,1% em relação à safra 15/16. Esse resultado reflete o aumento de 8,7% dos preços médios, que foi parcialmente compensado pela redução de 7,0% nos volumes vendidos.

A companhia assinala que o aumento dos preços médios do etanol observados na safra é decorrente de uma combinação de fatores, entre eles o maior preço do etanol praticado no mercado interno, sustentado pela menor oferta do produto, do impacto positivo da nova política de preços da Petrobras e da maior participação de etanol anidro no mix de vendas, pois ele é considerado um produto de maior valor agregado.

Por sua vez, a venda de energia gerou uma receita líquida de R$ 219 milhões em 16/17, uma redução de 6,2% em relação à safra 15/16. O principal motivo foi a redução do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), que impactou negativamente o preço médio da Biosev.

Essa redução foi parcialmente compensada pelo aumento de 5,7% do volume vendido em função do aumento da moagem e da maior quantidade de operações de revenda de energia.

Crescimento da dívida

Além disso, a Biosev encerrou 2016/17 com uma dívida líquida de R$ 4,69 bilhões – uma posição 5% maior frente aos R$ 4,47 bilhões observados ao final da safra anterior.

Ainda assim, a empresa destaca como positiva a redução da dívida bruta, que foi de R$ 6,3 bilhões ao final da safra. A redução foi de 6,3% em relação ao endividamento do final da safra 2015/16. Segundo a companhia, o principal fator para a redução da dívida bruta foi o impacto positivo da variação cambial, no montante de R$ 541 milhões.

Boa parte dessa redução, contudo, foi concentrada nas dívidas com vencimento superior a 12 meses. Agora, a companhia possui uma dívida de curto prazo 6,2% superior à vista um ano antes, somando R$ 1,94 bilhão.

Desempenho operacional evolui, mas menos de 2%

A companhia destacou no seu relatório que a moagem atingiu 31,5 milhões de toneladas, um aumento de 1,9% ante a safra anterior, resultado que é também superior às últimas seis safras. A Biosev também atingiu 86,6% da utilização de sua capacidade instalada na safra 2016/17, um aumento de 1,5 ponto percentual em relação à safra anterior e recorde para a companhia.

Entretanto, na última reafirmação dos ratings da companhia, a agência de classificação de risco Fitch fez ressalvas em relação às melhoras operacionais da Biosev nos dois últimos anos, afirmando que o ritmo de recuperação tem sido “mais lento do que o esperado”. Fora isso, a Fitch ainda assinalou que, mesmo com a melhora esperada para o desempenho operacional da empresa, a “capacidade ociosa da Biosev deve permanecer superior” a outras companhias do setor.

Em relação aos resultados, a empresa destaca que, no acumulado dos 12 meses da safra, o maior volume de moagem ocorreu principalmente por causa do crescimento da produtividade dos canaviais, que atingiu 77,9 t/ha no período, um aumento de 2%. O teor de ATR da cana consolidado foi de 129 kg/t, com destaque para o ATR do Polo Lagoa da Prata, que atingiu 140,1 kg/t, um aumento de 6% sobre a safra 2015/2016.

“Do ponto de vista operacional, consolidamos o processo de melhorias de gestão na área agrícola e mantivemos o nível de investimentos na renovação do canavial e melhoria dos tratos culturais, resultando em mais um ano de crescimento de produtividade (TCH)”, afirma o presidente da Biosev, Rui Chammas, que continua: “Esse fato, combinado com a melhoria da qualidade da cana (ATR), gerou uma produção de açúcar por hectare (TAH), que coloca a companhia como uma das referências para o setor sucroalcooleiro”.

Otimismo toma conta das expectativas para 2017/18

A Biosev ainda divulgou suas expectativas para atual temporada. Segundo a companhia, está sendo projetada para o ciclo 2017/18 uma moagem entre 31,5 e 33,5 milhões de toneladas de cana de açúcar. Além disso, o ATR da cana de ficar entre 129 kg/ton e 131 kg/ton. O Capex, por sua vez, é estimado em R$ 1,355 bilhão.

A Biosev afirma que iniciou a moagem com todas as nove unidades do Centro-Sul “com a eficiência industrial em outro patamar”. A empresa diz que isso é evidenciado pela razão entre o ATR produto e o ATR Cana, que em abril de 2017 foi igual a 1,01. “Superior à média de mercado e ao valor de 0,98 registrado na safra anterior”, assinala.

Além disso, para aumentar a eficiência operacional, por meio da redução de transições entre produtos e gerando impactos positivos sobre o custo de produção, as unidades Santa Elisa e Maracaju foram convertidas para produção exclusiva de açúcar VHP, produto bruto para exportação. A escolha também evidencia a opção da empresa por valorizar a produção de açúcar em detrimento do etanol. (Bloomberg 02/06/2017)

 

Açúcar: Efeito Trump

A decisão de Donald Trump de abandonar o acordo climático de Paris afetou o mercado de petróleo, pressionando os contratos futuros do açúcar demerara na bolsa de Nova York na sexta-feira.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 14,04 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 49 pontos.

A percepção do mercado é de que, com a saída do EUA do acordo, a produção de petróleo deve aumentar no país.

O petróleo mais barato tende a reduzir a competitividade e a demanda pelo etanol, incentivando a produção de açúcar a partir de cana.

No Brasil, 44,19% da cana colhida no acumulado da atual safra foi destinada ao açúcar.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 76,63 a saca de 50 quilos, queda de 1,01%. (Valor Econômico 05/06/2017)

 

Preços do açúcar devem subir até o fim do ano

Os preços do açúcar no mercado internacional devem ter alta até o fim do ano. A avaliação foi feita pelo gerente de pesquisa em Agroeconomia do banco holandês Rabobank, Andy Duff. O executivo lembrou que, no final do ano passado, as cotações da commodity na Bolsa de Nova York chegaram a bater US$ 0,24 por libra-peso.

Atualmente, os contratos de prazo mais curto estão oscilando em torno dos US$ 0,15 a libra. Desde janeiro, a queda nos preços é de 25%. Para ele, os dois movimentos têm a mesma explicação: o dinheiro de fundos de investimentos.

"O preço do açúcar está baixo demais. Não merecia estar tão alto naquele momento nem estar tão baixo agora. Os fundos turbinaram a subida e agora estão turbinando em sentido oposto", avaliou, durante o seminário Perspectivas para o Agribusiness 2017 e 2018, promovido pela B3, em São Paulo (SP).

Para o executivo do Rabobank, a tendência é de uma virada no quadro global de oferta e demanda de açúcar. Depois de pelo menos dois anos de produção esperada menor que o consumo, a expectativa para o ciclo 2017/2018 é de um excedente da commodity.

No entanto, ele considera que a relação entre estoque e consumo está em um nível baixo e não deve ter alteração significativa. O mercado deve se manter com um quadro apertado de oferta e demanda.

"Os estoques vão aumentar, mas a relação estoque consumo não muda muito. Não estamos falando de um cenário de escassez para uma abundância de açúcar. O mercado ainda é bastante apertado", afirmou.

Usando como referência os números da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que reúne as usinas do Centro-Sul do Brasil, Andy Duff, disse acreditar em um quadro apertado de oferta e demanda no mercado brasileiro do combustível. Um cenário que pode influenciar na decisão das usinas, com consequências sobre a oferta de açúcar que o Brasil venha a colocar no mercado.

A entidade prevê uma moagem de 585 milhões de toneladas de cana na safra 2017/2018, que começou em primeiro de abril, 3,65% a menos que na safra passada. A produção de açúcar deve cair 1,2%, chegando a 35,2 milhões de toneladas. No etanol (somando o anidro e o hidratado), a redução deve ser de 3,71%, totalizando um volume de 24,7 bilhões de litros.

Do início da safra até a primeira metade de maio, o processamento de cana foi de 80,2 milhões de toneladas, 26,25% a menos que no mesmo período na safra 2016/2017. Até agora, saíram das usinas nesse período 3,94 milhões de toneladas de açúcar (-25,98%) e 3,10 bilhões de litros de etanol (-29,58%).

"Temos que ficar atentos ao clima. Houve paradas de moagem e impacto sobre a qualidade da cana. Os preços relativos podem levar a um direcionamento para etanol e o Brasil produzir menos açúcar do que o mercado espera", disse ele. (Globo Rural 02/06/2017)

 

Marcelo Barbosa é o novo Presidente do Conselho do Sifaeg/Sifaçúca

O novo presidente do Conselho Deliberativo do Sifaeg/Sifaçúcar foi empossado hoje, 02 de junho de 2017. Marcelo Barbosa, que é superintendente da Denusa Destilaria Nova União S/A, terá mandato de dois anos. Durante a Assembleia de Posse , ele falou sobre sua intenção de atuar ao lado de todos para o fortalecimento do trabalho desenvolvido pelo Sifaeg/Sifaçúcar. "Agradeço pela confiança que todos os associados tiveram ao me eleger para o cargo e vamos trabalhar pelo setor sucroenergético" disse o empresário.

Otávio Lage de Siqueira Filho, que deixou o cargo, agradeceu o apoio que recebeu de todos durante os dois mandatos que teve. "Agradeço pela ajuda e gostaria de destacar a qualidade do trabalho que vem sendo feito por toda a equipe do sindicato. Uma equipe pequena, mas de grande valor e competência." disse. Otavinho, Diretor-Presidente da Jalles Machado, que foi eleito agora presidente da ADIAL-Goiás, elogiou muito a atuação do executivo André Rocha – Foto - dizendo que ele tem se destacado não só regionalmente, mas também nacionalmente na defesa dos interesses do setor sucroenergético.

O Presidente-Executivo, André Rocha , parabenizou Marcelo pela posse e disse que será uma honra ter ele como parceiro no trabalho dos sindicatos na defesa do setor sucroenergético goiano. (Brasil Agro 05/06/2017)

 

Unica se posiciona sobre a saída dos EUA no Acordo do Clima

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), entidade fortemente engajada em discussões e iniciativas voltadas à valorização das energias renováveis na matriz energética mundial, em especial na construção de políticas públicas dedicadas à descarbonização do transporte no Brasil, aplaude e ratifica o posicionamento do governo brasileiro sobre a decisão dos Estados Unidos em deixar de se comprometer com o Acordo de Paris.

É decepcionante saber que os EUA, sendo um dos maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, descartam a oportunidade de implementar uma economia robusta de baixo carbono, uma vez que são os maiores produtores de biocombustíveis, com destaque para o etanol.

A UNICA continuará trabalhando em favor do cumprimento do Acordo do Clima ratificado pelo Brasil no ano passado, na COP22, e espera que outras nações fiquem firmes em suas metas de desenvolvimento sustentável.

Sobre a UNICA

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA - www.unica.com.br) é a entidade representativa das principais unidades produtoras de açúcar, etanol (álcool combustível) e bioeletricidade da região Centro-Sul do Brasil, principalmente do Estado de São Paulo. As usinas associadas à UNICA são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana, 60% da produção de etanol e quase 70% da bioeletricidade ofertada para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Na safra 2016/17, o Brasil produziu aproximadamente 651 milhões de toneladas de cana, matéria-prima utilizada para a produção de 38,7 milhões de toneladas de açúcar, 27,2 bilhões de litros de etanol e mais de 20 TWh para a rede elétrica nacional. (UNICA 02/06/2017)

 

Municípios podem ter nova Cide

As prefeituras do país devem ganhar em breve reforço de caixa para investir em novos projetos de transportes em suas cidades. É que foi aprovada por Comissão Especial da Câmara Federal, em 15 de março deste ano, a Proposta de Emenda à Constituição que permite aos municípios e ao Distrito Federal instituir contribuição para custear o transporte público coletivo urbano, como ônibus e metrô, denominada Cide Municipal.

O tributo, que também exigirá criação de lei complementar local, deve incidir sobre a venda a varejo de gasolina, etanol combustível e gás natural veicular. A contribuição, com alíquota a ser definida, entrará na cobrança do preço na bomba do posto de combustíveis. Mas, por ser uma PEC, ainda deverá passar em dois turnos pelo crivo do plenário do Congresso, com quorum qualificado. Para instituir a contribuição, o município deverá ter serviço de transporte público criado e organizado por lei e em favor do usuário. Os recursos arrecadados com a cobrança devem ir para fundo específico.

Segundo o relator na comissão, deputado Mário Negromonte Jr. (PP-BA), há consenso entre especialistas que as tarifas de transporte público não conseguem sustentar o sistema de transporte. "É assim no mundo inteiro, mesmo em países desenvolvidos. Não se trata de inovação nacional. É preciso dotar os municípios de receita adicional para fazer frente às suas responsabilidades no estabelecimento de serviço de transporte coletivo urbano de qualidade", afirma.

A criação da Cide Municipal surgiu de proposta da Federação Nacional dos Prefeitos (FNP). O presidente da entidade, Jonas Donizette, prefeito de Campinas (SP), conta que a inspiração do tributo baseou-se em modelos já implantados em outros países, em que o sistema de transporte tem parcela importante do seu financiamento vinda de receitas extra-tarifárias. "Por isso, nos pareceu justo que cada comunidade possa decidir se os usuários do transporte motorizado particular, carros ou motos, possam colaborar modestamente com o financiamento do sistema por meio de uma contribuição que incidiria sobre a venda a varejo de combustíveis".

Donizette acredita que a celeridade da tramitação do Congresso será do tamanho da importância do tema, o que estimulará os partidos e parlamentares a enfrentarem esse assunto tão importante para a vida das pessoas. Além disso, diz ele, o Congresso não tomará decisão final sobre o tema. Caberá a cada Câmara Municipal, ouvindo a sua comunidade, decidir se implanta ou não esta contribuição no seu território.

Na opinião do presidente da FNP, os serviços de transporte estão sendo precarizados, pois o sistema tende ao colapso. As receitas tarifárias já não conseguem sustentar o sistema e há uma forte pressão para que os municípios destinem recursos orçamentários para contrapor esse desequilíbrio. "Ocorre que os recursos orçamentários, já tão demandados por outras áreas como saúde, educação e segurança, são escassos e não serão suficientes para fechar essa conta, caindo no colo do usuário uma tarifa cada vez mais cara".

Atualmente, a Constituição já prevê incidência da Cide sobre petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível. A Cide-Combustíveis, criada em 2001 no governo de Fernando Henrique Cardoso, tem arrecadação estimada em R$ 6 bilhões por ano, sendo 29% (R$ 1,74 bilhão) para os Estados e o Distrito Federal. Desse percentual, 25% (R$ 435 milhões) vai para os municípios.

Os recursos devem ser aplicados em: programas ambientais para reduzir os efeitos da poluição causada pelo uso de combustíveis; subsídios à compra de combustíveis; ou infraestrutura de transportes.

O presidente da FNP discorda que a criação da Cide Municipal provocará a bitributação. "Tivemos o cuidado de consultar nossos procuradores e temos robustos pareceres que indicam que essa medida não conflita com nenhuma norma jurídica ou tributária em vigor", diz. (Valor Econômico 05/06/2017)

 

Preço em queda de açúcar e etanol reduz influência no PIB, diz Unica

O peso da cana-de-açúcar no Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no segundo trimestre será menor devido aos preços mais baixos do açúcar na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e do etanol no mercado doméstico, disse o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues.

“Em termos de volume, teremos (influência), mas houve uma redução brutal nos preços (de produtos) desde o início da safra”, disse ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, nos bastidores do seminário Perspectivas para o Agribusiness 2017 e 2018, promovido pela B3, em São Paulo.

A temporada de cana começou em abril e, por esse motivo, tem relevância para o PIB da agropecuária no segundo trimestre. Nos primeiros três meses do ano, o setor agropecuário teve desempenho positivo de 13,4% ante o quarto trimestre de 2016, puxado basicamente pela produção de grãos, informou mais cedo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sobre o grande volume de chuvas na segunda quinzena de maio, que atrasaram o trabalho no campo, Padua disse que a umidade agora é benéfica para a planta que será cortada mais para frente. “Haverá bom desenvolvimento para o último terço da safra”, explicou, ressaltando que o ciclo tende a se alongar em razão dos dias parados. Além disso, “há muita cana deitada, o que reduz a qualidade”.

O próximo relatório de acompanhamento de safra da Unica deverá ser divulgado nos próximos dias. Até a primeira quinzena de maio, antes das chuvas, portanto, as usinas e destilarias do Centro-Sul haviam processado 80,28 milhões de toneladas de cana (+26,25%). (Agência Estado 02/06/2017)

 

Petrobras afirma que pode aumentar frequência de reajustes em busca de eficiência

A Petrobras avalia aumentar a frequência de reajustes dos preços dos combustíveis vendidos nas refinarias, em busca de maior eficiência, reafirmou a petroleira nesta quinta-feira, em um relatório sobre o desempenho de sua política de preços de combustíveis ao longo do primeiro trimestre.

A nova política de preços de combustíveis da petroleira estatal foi implementada sob a gestão de Pedro Parente, em outubro de 2016, respondendo a uma demanda do mercado por maior transparência nos valores adotados pela empresa.

Na ocasião, a Petrobras se comprometeu a realizar correções nos preços pelo menos uma vez por mês, mantendo os valores sempre acima da paridade internacional, o que já trouxe resultados positivos para o seu balanço financeiro.

No último reajuste anunciado na quinta-feira passada, a Petrobras já havia indicado que poderia elevar a frequência das avaliações.

Nesta quinta-feira, a Petrobras reafirmou que o Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP), responsável pelos reajustes dos preços, avalia que a atual frequência das correções, embora represente um avanço significativo em relação ao sistema anterior, não têm se mostrado suficientemente eficiente para acomodar volatilidades, especialmente de valores externos e do câmbio.

Na nota desta quinta-feira, a Petrobras não apresentou uma decisão sobre efetitivamente adotar reajustes mais frequentes.

"Esta constatação foi notada pelos integrantes do GEMP e, se confirmada, pode fundamentar aumentos na frequência dos ajustes de preços", disse a Petrobras em relatório nesta quinta-feira.

A empresa reiterou que no primeiro trimestre os preços praticados estiveram sempre acima da paridade internacional, como determina a nova política da empresa.

O GEMP é formado pelo presidente da companhia, pelo diretor executivo Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Ivan Monteiro, e pelo diretor-executivo de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino.

Em seu último reajuste, a Petrobras decidiu reduzir o preço médio da gasolina nas refinarias em 5,4 por cento e em 3,5 por cento os valores do diesel.

A decisão, segundo a empresa, foi guiada predominantemente por um aumento significativo nas importações por terceiros, o que obrigou ajustes de competitividade da Petrobras no mercado interno.

A importação de gasolina por terceiros para o mercado interno aumentou de 240 mil metros cúbicos em fevereiro para 419 mil em abril, com previsão de manutenção em torno deste nível em maio.

No diesel, a importação saiu de 564 mil metros cúbicos em fevereiro para 811 mil em abril, e havia previsão de mais de 1 milhão de metros cúbicos em maio, disse a estatal anteriormente. (Reuters 02/06/2017)

 

Agricultura lidera preservação no Brasil

Ninguém preserva mais a vegetação nativa do que os produtores rurais.

Grande produtor de alimentos, energia e fibras, o Brasil é uma potência em preservação ambiental, com mais de 66% de seu território recoberto por vegetação nativa. E esse número sobe para quase 75% quando agregadas as áreas de pastagem nativa do Pantanal, do Pampa, da Caatinga e dos Cerrados. Toda a produção de grãos (milho, arroz, soja, feijão...), fibras (algodão, celulose...) e agroenergia (cana-de-açúcar, florestas energéticas...) ocupa 9% do País. Os agricultores preservam mais vegetação nativa no interior de seus imóveis (20,5% do Brasil) do que todas as unidades de conservação juntas (13%)!

Esses dados, da Embrapa, resultam principalmente das informações tabuladas do Cadastro Ambiental Rural, o CAR, criado pela Lei 12.651/12, o novo Código Florestal, que acaba de completar cinco anos. Mais de 4,1 milhões de imóveis rurais, somando uma área superior a 410 milhões hectares, estavam cadastrados no Serviço Florestal Brasileiro até maio de 2017.

Os agricultores informaram detalhamente, num mapa com base em imagens de satélite e em diversas fichas, todo o uso e ocupação de suas terras, em conformidade com o Código Florestal. É como se ao declarar o Imposto de Renda o contribuinte informasse a planta da casa, a disposição de cada móvel, o uso de cada cômodo e ainda, na Amazônia, por exemplo, deixasse claro que não utiliza 80% de seu apartamento a título de reserva legal. E que cuida de tudo e paga impostos, mesmo sobre o que lhe é vedado usar.

Em 1.º de fevereiro publicamos no jornal O Estado de S. Paulo os primeiros resultados do CAR (Cadastro Ambiental Rural: a hora dos fatos). Agora, os dados finalizados pela Embrapa demonstram o papel único da agropecuária na preservação ambiental.

No Sul, as unidades de conservação e as terras indígenas, juntas, protegem 2%, enquanto os produtores preservam 17% da região nos imóveis rurais. As áreas preservadas pelos agricultores superam em mais de oito vezes as protegidas. Considerando apenas a área agrícola, os produtores preservam 26% das terras, número bem superior à exigência do Código Florestal.

No Sudeste, ainda sem disponibilidade dos dados do Espírito Santo, os produtores preservam um território equivalente a 17% da região, em vegetação nativa e ecossistemas lacustres e palustres. Já as áreas protegidas equivalem a 4%. Na área rural, eles preservam 29% de suas terras, também bem acima da exigência do Código Florestal.

No Centro-Oeste, ainda sem disponibilidade dos dados de Mato Grosso do Sul, os produtores preservam em seus imóveis um território equivalente a 33% da região, ante 14% em áreas protegidas. Mais uma vez, no conjunto da área agrícola, os produtores preservam um porcentual superior à exigência do Código Florestal: 49% das terras, praticamente a metade.

No Norte, no Estado do Tocantins a agricultura preserva o dobro da área total de unidades de conservação e terras indígenas: 20% ante 10%. E em seus imóveis os produtores apresentam uma taxa de preservação da vegetação nativa de 56%! Esse é o único Estado da região não inserido integralmente no bioma Amazônia. Nos Estados amazônicos a proteção ambiental é muito abrangente: 71% do Amapá, 53% do Amazonas e 50% do Pará, além de amplos territórios recobertos por floresta tropical em terras devolutas.

No Nordeste, estima-se que apenas 36% dos imóveis rurais se tenham cadastrado no CAR. Isso limita a interpretação do uso das terras. Mas basta para indicar o papel dos agricultores na preservação da vegetação. Na maioria dos Estados nordestinos, os produtores preservam mais de 50% da área de seus imóveis, quando a exigência é de 20% (salvo em parte do Maranhão). A área preservada por essa parcela de agricultores cadastrados já representa cerca de 20% da região, enquanto as áreas protegidas conservam menos de 10%. É provável que os agricultores nordestinos preservem três vezes mais territórios na Mata Atlântica, na Caatinga e nos Cerrados do que todas as unidades de conservação e terras indígenas da região, juntas.

E se ao total das áreas de vegetação nativa preservada forem agregadas as pastagens nativas? Ninguém plantou a vegetação do Pantanal, do Pampa, da Caatinga, dos Cerrados e dos campos de altitude exploradas de forma sustentável pela pecuária. Essa vegetação nativa é mantida em equilíbrio pela pecuária há séculos. Com essa vegetação conservada se chega a quase 75% do território nacional.

Não há, no Brasil, nenhuma categoria profissional, minerador, médico, professor, industrial, militar, promotor, economista ou funcionário, que preserve tanto o meio ambiente como os agricultores. Salvo na Amazônia, não existe nenhuma instituição, secretaria de Estado, órgão federal ou estadual, empresa privada ou organização não governamental que preserve tanta vegetação nativa como os produtores rurais. E contra os quais, pasmem, algumas instituições ainda pretendem organizar uma verdadeira “inquisição informatizada” para analisar a situação ambiental de cada um no Programa de Regularização Ambiental (PRA), que sucederá ao CAR.

Esse enorme esforço de preservação nos imóveis rurais beneficia toda a Nação. A responsabilidade e os custos decorrentes da imobilização e da manutenção dessas áreas recaem inteiramente sobre os produtores, sem contrapartida da sociedade, principalmente dos consumidores urbanos. A Embrapa calculará o valor e o custo de toda essa área imobilizada. Desde 1990 se fala em pagar por serviços ambientais. Esse conto de fadas até hoje não foi efetivado. Cidadãos estão dispostos a protestar pelo meio ambiente em zona rural, mas não cogitam de pagar por isso. Destes os produtores esperam, no mínimo, menos demonização de suas atividades, maior conhecimento de sua realidade e o justo reconhecimento. É sempre bom lembrar que vilão e vileza derivam de vila, cidade. (O estado de São Paulo 05/06/2017_

 

Açúcar: Preço em reais é o mais baixo de 20 meses

O mercado futuro de açúcar em NY apresentou durante a última semana mais uma performance devastadora. Mergulhou de cabeça com quedas que somaram 131 pontos no acumulado da semana, ou quase 29 dólares por tonelada, no primeiro vencimento, que fechou cotado a espantosos 13.74 centavos de dólar por libra-peso.

Os demais meses ao longo da curva que se estende até maio/2020 também tiveram quedas entre 23 e 29 dólares por tonelada. Os preços alcançaram o nível mais baixo desde 23 de fevereiro de 2016. Ocorre que naquele dia, o fechamento de NY com o real bastante machucado equivalia a R$ 1,274 por tonelada. O fechamento desta sexta-feira, em reais por tonelada, foi 19.36% menor: R$ 1,027 por tonelada. Estamos, na verdade, no menor preço em reais por tonelada desde 22 de setembro de 2015.

O colapso no preço do açúcar desde a máxima no ano, em 6 de fevereiro, de 21.49 centavos de dólar por libra-peso foi 775 pontos em 82 pregões, uma queda de 36%. No dia 17 de fevereiro, alertamos aos clientes que se nada mudasse nos fundamentos, os preços iriam despencar a partir de abril, segundo nosso modelo. O preço médio do fechamento de NY em abril foi de 16.32 centavos de dólar por libra-peso 20% inferior ao preço médio de fevereiro (20.41 centavos de dólar por libra-peso).

Queda dessa magnitude (775 pontos em 82 pregões) são raras. A última vez foi em maio de 2012 quando o mercado iniciava a safra 2012/2013 a preços bem inferiores do que aqueles praticados no pico da entressafra. De 2010 até hoje, se compararmos o fechamento do dia com a máxima registrada nos 82 pregões anteriores, em média, chegados a 380 pontos. O que vimos nesta semana foi o dobro.

Gostaria de chamar a atenção para alguns pontos que contribuíram ao longo dos últimos meses para a queda vertiginosa nos preços do açúcar. O primeiro golpe foi desferido com a entrega física de açúcar na expiração do contrato futuro de março protagonizada por um grande produtor, exatamente no período de entressafra no Centro-Sul. Na leitura do mercado físico, se um grande produtor entrega 900 mil toneladas no final de fevereiro, essa entrega é uma clara demonstração que não existe comprador interessado e a bolsa acaba sendo o único destino final possível do seu hedge.

O segundo baque foi o câmbio que, contaminado pelo tenebroso quadro político nacional, paralisa a economia, aumenta a percepção de risco e desvaloriza as commodities, entre elas, o açúcar.

O terceiro golpe, mas não menos importante, foi a redução do preço da gasolina pela Petrobras em 5.4% aumentando o temor de que teremos mais açúcar sendo produzido em função da pressão sobre a paridade com o etanol, provocando uma avalanche de vendas no contrato futuro de açúcar em NY.

Além dos pontos mencionados, temos alguns riscos escondidos que podem emergir a qualquer momento trazendo ainda mais devastação aos preços. Fomos muito claros em nossos comentários que somos completamente avessos a recompra de hedge por parte das usinas, pois isso viola as boas práticas de gestão de risco. Sabe-se que algumas lançaram mão dessa alternativa para gerar caixa, pagando um pedágio para as tradings. Agora se encontram na situação de perderem 200 pontos e terem que voltar ao mercado, em algum momento, para fixarem suas vendas. Isso vai pressionar o mercado mais cedo ou mais tarde.

Além dessa estratégia nociva, existem cerca de 24.000 lotes de puts (opções de venda) vendidas entre o preço de exercício de 15 e 13 centavos de dólar por libra-peso para financiar a compra de calls fora do dinheiro, cuja maior parte refere-se às estruturas que objetivavam auferir lucros numa eventual recuperação de preços, o que acabou não ocorrendo (pelo menos não até agora). Esse enorme volume de puts vendidas, que vencem em 25 de junho, poderá acionar operações de stop-loss que vão colocar mais pressão o mercado.

A ruptura dos níveis de 15 e 14 centavos em apenas três sessões foi traumática e desencadeou, como de hábito, todo o tipo de conversa sobre cenários ainda mais desanimadores para os produtores. Sazonalmente, maio é um mês de preços baixos.

Os riscos escondidos podem e irão fazer a diferença. E o mercado futuro de açúcar vai estressar até o ponto em que o sangue seja estancado. Como mercados exageram na alta e na baixa, fica difícil estabelecer o limite da insanidade.

O banho de sangue que temos assistido serve de alerta para várias discussões fomentadas aqui. Entre elas, acerca do Consecana. Usinas que não fixaram seus açúcares correspondentes à cana de terceiros perderam dinheiro assim como seus fornecedores. Uma fórmula que destrói riquezas. Nem Einstein conseguiria bolar uma fórmula assim.

Outra discussão é sobre a gestão de riscos. As empresas precisam ter uma política profissional e isenta focada nisso. É inacreditável o volume de dinheiro que se perde no setor por simples negligência na elaboração e condução de uma política eficiente de riscos.

Para encerrar, é importante lembrar do péssimo desempenho do mercado de energia: gás natural com queda de 19%, óleo de aquecimento 14%, petróleo 11%, gasolina 6% e etanol de milho 4%. E o açúcar teve a segunda pior queda entre as commodities agrícolas 30%, perdendo apenas para o suco de laranja com 32%.

Há fortes rumores de que grandes produtores começam a apontar seus lápis e fazer contas para reduzir o mix de açúcar. Não temos o hábito de corrigir nossas previsões de safra. Fazemos apenas uma ou duas no início. Nossa única desta safra 2017/2018 foi divulgada no início de janeiro deste ano, com 586 milhões de toneladas de cana. No entanto, dada as modificações de renda (cana inferior) e mix (como acima citado), nosso número inicial de produção de açúcar que era de 35.54 milhões de toneladas de açúcar pode ser reduzido em 1.5 milhão de toneladas de açúcar.

28ª. Edição do Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas (em português) da Archer Consulting, vai ocorrer dias 19 (terça), 20 (quarta) e 21 (quinta) de setembro de 2017, das 09 às 17 horas, em São Paulo - SP, no Hotel Paulista Wall Street. Não deixe para a última hora e aproveite os descontos (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)