Setor sucroenergético

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Rubens Ometto Silveira Mello nunca perde a viagem

O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, da Cosan, tem usado seu prestígio político para convencer o governo a aumentar o percentual de biscombustível misturado à gasolina, que hoje oscila entre 25% e 27%.

De certa forma, seria um prêmio de consolação, uma vez que o principal pleito de Ometto e de todo o setor dificilmente será atendido: o aumento da Cide. (Jornal Relatório Reservado 29/06/2017)

 

Usineiros reivindicam alta de tributação sobre combustível

Aproveitando as dificuldades fiscais do governo e a inflação em queda, o setor de álcool renovou a pressão sobre a equipe econômica e conseguiu trazer de volta às discussões a possibilidade de elevação da tributação sobre a gasolina. O governo passa por dramática situação. As receitas administradas não reagem, elevam a dependência das chamadas receitas extraordinárias e forçam os técnicos a buscar opções para melhorar a trajetória fiscal.

A rigor, a alta da Cide está no radar da equipe econômica desde março. É vista pelos técnicos como um imposto de arrecadação eficiente e que pode ajudar muito na melhoria do quadro fiscal. A subida do tributo quase chegou a ser anunciada no primeiro decreto de contingenciamento, mas foi barrada pelo presidente Michel Temer, avesso à idéia de elevação de carga tributária. Também está em debate, e até com chance maior de êxito, a elevação do PIS/Cofins sobre a gasolina, movimento que poderia ser feito por decreto.

Presidente da Frente Parlamentar do Setor Sucroenergético, o deputado federal Alexandre Baldy (Podemos-GO) afirmou que uma possibilidade em discussão no governo é a elevação do PIS/Cofins da gasolina, em R$ 0,12 por litro.

No caso da Cide, a discussão volta reempacotada no conceito de "imposto verde", ou seja, um tributo que visaria favorecer o consumo de combustíveis menos poluentes, como o etanol. Anteontem, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, disse que acharia "correto" se o governo decidisse por uma "Cide verde" para compensar a maior pegada de carbono em relação ao etanol.

A dúvida é se a adoção de uma dessas medidas é iminente. Primeiro, seria preciso vencer a resistência política, que já barrou uma vez essa iniciativa. Com o agravamento da crise política, falar em aumentar impostos e o preço de um produto pode ser mais um flanco negativo para um governo já combalido por uma série de acusações.

Na Fazenda, a quem caberá operacionalizar a medida, algumas fontes dizem que nada mudou desde março e que o tributo continua sendo visto como alternativa, mas que não haveria sinal de iminente adoção pelo ministro Henrique Meirelles. Há inclusive quem atribua o aumento da discussão à combinação de pressão do setor de álcool com "desespero" do Ministério do Planejamento com o quadro de receitas.

De qualquer forma, vale lembrar que a Cide exige noventena, ou seja, sua validade ocorre apenas depois de 90 dias do seu ajuste por decreto. Nesse sentido, se de um lado o governo tem uma janela inflacionária mais favorável agora, que daria espaço para a alta do tributo sem afetar o alcance da meta, por outro, o impacto vai ficando cada vez mais perto do ano que vem, quando já não haverá a mesma folga deste ano.

Além da receita adicional, outra vantagem de aumentar a Cide seria fomentar o setor de etanol, que sofreu com o represamento de preços da gasolina e com a queda do preço do petróleo nos últimos anos. Em reunião ontem com Temer, diversas entidades do setor sucroalcooleiro voltaram a defender a elevação da Cide. Para a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Elizabeth Farina, o cenário de inflação baixa favorece o aumento da Cide.

No encontro, Temer teria sinalizado que a medida será avaliada pelo governo e prometeu dar um retorno ao setor nas próximas semanas. "Esse é um momento em que o preço do etanol está baixo, a inflação está baixa, então é um bom momento para fazer isso", disse Elizabeth. (Valor Econômico 29/06/2017)

 

Bradesco BBI corta preço-alvo de ação da São Martinho por desvalorização do açúcar

Os preços do açúcar já caíram 35% nos últimos 12 meses devido ao menor consumo na Índia, taxas mais elevadas sobre as importações da China e preços mais baixos do petróleo

A equipe de análise do Bradesco BBI cortou o preço-alvo das ações da São Martinho (SMTO3) de R$ 25 para R$ 20 devido aos valores menores do açúcar e etanol. O valor é 26% superior em relação ao fechamento de segunda-feira (26).

A recomendação para os ativos foi mantida em outperform (acima da média do mercado, o equivalente a compra) devido aos resultados sólidos apresentados no último trimestre.

“A empresa conseguiu alocar volumes (basicamente esgotando os estoques) e obteve bons preços de açúcar (alta de 29% no ano) no trimestre. A São Martinho também começou a consolidar sua usina Boa Vista desde março, que estimamos ter adicionado 10% ao seu ebitda durante o trimestre”, afirma o Bradesco BBI.

Com a divulgação de guidance de 22,3 milhões de toneladas para a colheita 2017/2018, a São Martinho mostra que sua produção é mais concentrada no etanol. No entanto, os preços do açúcar já caíram 35% nos últimos 12 meses devido ao menor consumo na Índia, taxas mais elevadas sobre as importações de açúcar impostas pela China e preços mais baixos do petróleo.

“Embora a São Martinho esteja otimista quanto ao cenário de oferta e demanda de açúcar no médio e longo prazo, o [petróleo do tipo] brent não está ajudando. O preço do barril está 20% menor em 12 meses”, explica o Bradesco BBI.

Com preços mais baixos para o açúcar e o etanol, o Bradesco prevê queda de 10% no ebitda de 2017/18 e de 20% em 2018/19. (Infomoney 28/06/2017)

 

Açúcar: Piso em 16 meses

O avanço da moagem da safra 2017/18 de cana de açúcar no Brasil, cada vez mais açucareira, pressionou as cotações da commodity ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 12,76 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 13 pontos e o menor valor em 16 meses.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar do Brasil (Unica), as usinas do Centro-Sul do Brasil processaram 39,408 milhões de toneladas de cana entre os dias 1 e 16 de junho, e 49,34% desse volume foi destinado à produção de açúcar, foram fabricadas 2,379 milhões de toneladas, aumento de 97,8% ante o mesmo período da safra 2016/17.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 67,61 a saca de 50 quilos, recuo de 0,95%. (Valor Econômico 29/06/2017)

 

Discussão sobre uso da Cide para incentivar etanol está na Fazenda, diz secretário

Uma discussão no governo federal sobre a possibilidade de elevar a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) cobrada sobre combustíveis fósseis para incentivar o etanol tem sido coordenada pelo Ministério da Fazenda, disse nesta terça-feira o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix.

A medida tem sido defendida por empresários do setor de etanol sob o argumento de que o tributo para os combustíveis fósseis poderia evidenciar vantagens ambientais do biocombustível, além de aumentar sua competitividade no mercado.

Félix, que falou com jornalistas após participar de evento do setor sucroenergético em São Paulo, disse que a ideia, chamada por alguns de "Cide Verde", tem sido discutida no governo desde o início deste ano.

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, também não descartou nesta terça-feira uma possível elevação da Cide sobre combustíveis como uma das alternativas para aumentar as receitas do governo, mas pontuou que medidas serão anunciadas a seu tempo, ao participar de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Já o presidente da estatal Petrobras, Pedro Parente, disse a repórteres que há alternativas que não a elevação da Cide, mas que não irá se opor à ideia desde que uma eventual implementação seja guiada por estudos técnicos.

"Existem discussões sobre mecanismos de compensação ou reconhecimento das vantagens ambientais do etanol, do consumo do etanol em relação ao meio ambiente. Achamos que esse estudo realmente vale a pena prosseguir, e se o governo entender que esse é o caminho --existem outros caminhos-- achamos que está correto", afirmou Parente, que também participou da conferência do setor sucroenergético.

Mais cedo, ao palestrar no evento, Parente disse que a indústria de etanol "tem um grande futuro e é uma saída brasileira" que precisa ser incentivada, mas ressaltou que acha importante que o governo "harmonize" os incentivos aos biocombustíveis e à cadeia de petróleo e gás no país.

Atualmente, alíquota da Cide é de 0,10 real por litro para a gasolina, e 0,05 real por litro para o diesel. (Reuters 28/06/2017)

 

Para fechar contas, governo também pode aumentar PIS/COFINS

Segundo uma fonte da área econômica, a elevação do PIS/Cofins tem a vantagem de a arrecadação não ser dividida com os Estados e municípios, como ocorre com a Cide Combustíveis.

A elevação do PIS/Cofins da gasolina é uma das alternativas do governo para aumentar a arrecadação e estimular o setor do etanol. Segundo uma fonte da área econômica, a elevação do PIS/Cofins tem a vantagem de a arrecadação não ser dividida com os Estados e municípios, como ocorre com a Cide Combustíveis. Também não é preciso o período de noventena (três meses) para que o aumento entre em vigor. Os dois tributos, porém, têm a mesma base tributária.

A escolha entre a Cide e o PIS/Cofins, de acordo com a fonte, depende da composição política, já que os governadores e prefeitos perdem arrecadação. Não há ainda decisão sobre o aumento de nenhum dois tributos.

O risco de a reoneração da folha de pagamentos ser adiada para 2018 elevou a probabilidade de uma medida de alta de tributos ser adotada para compensar a perda de frustração, admitiu a fonte do governo. Se entrar em vigor no próximo dia 1º de julho, poderá haver um aumento de arrecadação de cerca de R$ 2,5 bilhões para cada R$ 0,10 de alta da gasolina. Se o PIS e Cofins do diesel também for elevado, a arrecadação pode subir ainda mais. A possibilidade de aumentar o PIS/Cofins para fechar as contas neste ano já tinha sido levantada em março, como informou o Broadcast.

O presidente da Frente Parlamentar do Setor Sucroenergético, deputado Alexandre Baldy (Podemos-GO), informou que o Ministério da Fazenda já aceita a elevação do PIS/Cofins. Segundo ele, o Banco Central, que era resistente à alta do tributo para não prejudicar a inflação, já estaria aceitando a proposta para preservar os empregos. "O BC já aceitou", disse Baldy. Ele ressaltou que o setor pode quebrar e já fechou R$ 100 mil empregos em todo o País.

Baldy e representantes do setor estiveram hoje reunidos com o presidente Michel Temer para discutir o aumento do tributo. Eles também pediram a elevação de zero para 17% da alíquota de importação do etanol. O deputado se mostrou confiante que a medida será adotada, embora o presidente não tenha dado ainda uma resposta. (O Estado de São Paulo 28/06/2017)

 

Etanol e frota flex são ativos estratégicos, defende diretor da FCA

João Irineu, da FCA, defende etanol para atingir objetivos de redução de emissões.

Embora tenha importância inegável para o desenvolvimento da indústria automotiva nacional nos últimos 40 anos, o etanol sempre foi tratado como combustível complementar, pouco contemplado no desenvolvimento original dos veículos como solução estratégica para redução de emissões. Para João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios e compliance da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), essa realidade tem boa chance de mudar agora, diante das discussões da nova política industrial para o setor, conhecida até agora como Rota 2030, e das obrigações assumidas pelo Brasil na Conferência do Clima de Paris, a COP 21, de reduzir as emissões de CO2 em 43% até 2030 em relação aos níveis de 2005.

“Pela primeira vez em 40 anos as cadeias de produção de veículos e de agroenergia convergem esforços para o desenvolvimento tecnológico de soluções conjuntas, políticas e normas de longo prazo para aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões de CO2. Este é um fato novo e importante, que pode ser decisivo para o Brasil alcançar as metas de redução de emissões de CO2 assumidas internacionalmente”, afirmou o engenheiro na terça-feira, 27, durante sua participação no Ethanol Summit, encontro bienal organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) que reúne empresários, autoridades, pesquisadores, investidores, fornecedores e acadêmicos do Brasil e do exterior, este ano realizado em São Paulo em 26 e 27 de junho.

João Irineu defendeu a vantagem ambiental do etanol como estratégia inteligente e viável para atingir as metas pactuadas pelo Brasil na COP 21. Para isso será necessário elevar a participação do biocombustível na matriz energética brasileira veicular dos atuais 30% para 50%, o que significaria ampliar a produção dos atuais 28 bilhões de litros por ano para a faixa de 50 bilhões de litros. Isso porque, além de emitir menos gases poluentes e material particulado na comparação com os combustíveis fósseis, todo o CO2 gerado na queima do etanol é reabsorvido pelas próprias plantações de cana-de-açúcar. “Os biocombustíveis e a frota brasileira de veículos flexfuel têm papel decisivo na estratégia de redução do CO2”, disse.

O diretor da FCA lembrou que o programa Rota 2030 deverá contemplar os biocombustíveis, em especial o etanol, dentro de novas metas de eficiência energética e redução de emissões. Atualmente o governo debate a nova política industrial automotiva com os representantes da indústria automotiva e da cadeia da mobilidade, que inclui fabricantes de veículos, de autopeças e produtores de combustíveis, entre outros.

Ativo estratégico

“O Brasil tem quatro décadas de acúmulo de tecnologia na produção do etanol combustível e de veículos que o utilizam. Intensificar a opção pelo etanol é uma decisão inteligente, que leva em conta a imensa plataforma produtiva, logística e de distribuição já implantada no país”, destacou o executivo. “Nenhum outro país tem um ativo dessa importância e magnitude. Temos de tirar disso as vantagens comparativas na busca por mobilidade com menos carbono e de um balanço mais favorável de emissões. Temos de investir tempo, dinheiro e inteligência nisso”, afirmou.

João Irineu sugere a formulação de uma agenda estratégica compartilhada entre governo, empresas, universidades e sociedade para aperfeiçoar o biocombustível e os veículos que fazem uso dele. Ele entende que esse planejamento passa pela definição de formas competitivas de financiamento de pesquisa e desenvolvimento, organização do mercado de combustíveis e estímulo ao uso de tecnologias, por meio de novos marcos regulatórios.

Nesse caminho para o futuro do etanol, a cadeia da agroenergia deve focar em produzir combustíveis de modo mais eficiente, com oferta estável e previsível, além de dar passos adiante com o desenvolvimento de novas fontes, como o etanol de segunda geração, que pode ser extraído de diversos materiais orgânicos, especialmente subprodutos como bagaço e palha da cana, por exemplo. Ao mesmo tempo, a indústria automotiva deve trabalhar mais para desenvolver motores e veículos de maior eficiência energética quando rodam com biocombustíveis.

Um dos trabalhos a serem feitos pela cadeia de biocombustível, como sublinhou João Irineu, é melhorar a especificação do etanol hidratado, reduzindo o conteúdo de água de 7,5% para 2%,  que por si só já eleva a eficiência energética do combustível e reduz seu consumo. Outros desafios são aprimorar a qualidade da partida a frio e a resistência à oxidação dos componentes.

No médio e longo prazos, o aumento da oferta de etanol e veículos mais eficientes deve conduzir à internacionalização do biocombustível e de sua utilização em veículos híbridos, que utilizam motores elétricos e a combustão. O etanol também tem potencial de servir base para extração de hidrogênio, combustível de carros elétricos alimentados por células de combustível (fuel cell).

“Há muitas oportunidades associadas a esse esforço. Outros países estão diante do mesmo desafio de reduzir suas emissões no âmbito da COP 21. É uma oportunidade para internacionalizar ainda mais o uso do etanol, estimulando sua adoção em países como Argentina, Chile, Colômbia”, afirmou João Irineu. (Atutomotive Business 28/06/2017)

 

Produção de etanol nos EUA avança 2,5% na semana, para 1,015 milhão de barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 1,015 milhão de barris por dia na semana passada, 2,5% maior do que a registrada na semana anterior, de 990 mil barris/dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 28, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível recuaram 2,24% na semana encerrada no dia 23 de junho, para 21,8 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica. (Down Jones 28/06/2017)