Setor sucroenergético

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Odebrecht Agro registra prejuízo de R$ 1,6 bilhão

Em uma safra bastante comemorada pelo setor sucroalcooleiro em decorrência dos preços mais elevados do açúcar e do etanol, a Odebrecht Agroindustrial, braço da Odebrecht SA no segmento, ainda sentiu em seu balanço o peso do processo de reestruturação de sua dívida bilionária com os credores. A empresa encerrou a temporada 2016/17 com um prejuízo líquido de R$ 1,6 bilhão, boa parte do qual explicada pela incidência dos juros das debêntures que voltaram à holding e pelo acúmulo de juros ao longo do processo de negociação com os bancos.

As debêntures de R$ 2 bilhões haviam sido dadas pela Odebrecht Energia à Odebrecht Agroindustrial em 2014 em troca de ativos de cogeração de energia. Porém, como a reestruturação acertada no ano passado previa o retorno dos ativos de cogeração à Agroindustrial em troca das debêntures, os juros desses papéis não foram capitalizados - uma vez que a holding voltou a ser responsável por eles, explicou Alexandre Perazzo, vice-presidente de finanças e de relações com investidores da companhia, ao Valor.

Apenas esses juros pesaram negativamente no balanço em R$ 349 milhões. Além disso, durante o período em que a Agroindustrial deixou de pagar suas dívidas, em acordo com os bancos, para negociar sua reestruturação financeira, os juros do endividamento passaram a se acumular. Mas, mesmo que fossem excluídos esses dois fatores "e outros menores, não recorrentes", a companhia teria registrado prejuízo de cerca de R$ 800 milhões no exercício.

Mas o pior momento foi mesmo na safra 2015/16, quando o prejuízo da Agroindustrial alcançou R$ 1,9 bilhão, ante o aperto dos custos financeiros. Com a reestruturação, a despesa financeira "normalizada" da safra 2016/17 ficou em R$ 1,6 bilhão, segundo Perazzo. Na temporada anterior, as despesas financeiras somaram R$ 2,5 bilhões.

Para este ciclo, ele estima que essas despesas ficarão em R$ 900 milhões, e um resultado líquido próximo do "zero a zero". Lucro, de fato, só para a safra 2018/19, avaliou.

Apesar do prejuízo, Perazzo comemora o resultado operacional da safra 2016/17, impulsionado pelos melhores preços de açúcar e etanol e pelo retorno das receitas com cogeração a partir de bagaço nos últimos três meses da safra. A receita líquida cresceu 22%, para R$ 4,4 bilhões, mas como base de comparação para os próximos períodos ele prefere considerar a receita líquida "pro-forma", como se as operações de cogeração estivessem na Agroindustrial desde o início da safra, que seria de R$ 4,9 bilhões.

Com o aumento dos resultados operacionais, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 45%, para R$ 1,6 bilhão (o Ebitda pro forma somou R$ 2 bilhões), colaborando para a redução da alavancagem. A relação entre o Ebitda pró-forma e a dívida caiu de 10,3 vezes no fim da safra anterior para 4,69 vezes.

Mas a maior ajuda para essa queda veio da redução da dívida. Segundo Perazzo, sem considerar os vencimentos das debêntures, a dívida bruta ficou em R$ 8,8 bilhões, ante mais de R$ 14 bilhões no exercício anterior. E a reestruturação alongou os vencimentos, elevando o prazo médio de três anos para oito anos e meio. Em 31 de março, estavam alocadas no longo prazo dívidas de R$ 8,5 bilhões, e no curto prazo, de R$ 327 milhões.

De acordo com ele, dessa dívida de curto prazo, "o que [a empresa] conseguir refinanciar, refinancia, porque são dívidas com custo barato. O que não conseguir, será pago com o caixa operacional que for gerado e com o que já tem". No fim da safra, o caixa era de R$ 242 milhões. (Valor Econômico 30/06/2017)

 

Açúcar: Ajuste técnico

O ajuste de posições dos fundos antes do vencimento dos contratos de açúcar com entrega para julho impulsionou as cotações da commodity na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis para outubro fecharam a 13,50 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 74 pontos.

Com a valorização, o contrato reverteu as perdas acumuladas de mais de 3,11% na semana até quarta-feira para uma alta de 2,51% até ontem.

Segundo analistas, até o último dia 28, havia 48.966 lotes em aberto em Nova York, o equivalente a 2,4 milhões de toneladas.

O vencimento dos contratos tem sido acompanhado pela entrega de grandes volumes em Nova York, o que impacta as cotações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 66,08 a saca de 50 quilos, queda de 1,77%. (Valor Econômico 30/06/2017)

 

Setor sucroenergético renova pedido de tarifa sobre etanol importado

Entidades entregaram um manifesto a autoridades durante encontro sobre o RenovaBio, em Brasília (DF).

Entidades ligadas ao setor de açúcar e etanol do Brasil apresentaram um manifesto reforçando sua defesa de uma tarifa sobre o etanol importado. No documento, argumentam que o volume de etanol vindo de fora tem acentuado a crise já vivida pela cadeia produtiva nacional.

“O setor, representado por 21 entidades de toda a cadeia produtiva e signatárias deste manifesto, reitera a relevância e celeridade na imposição de uma tarifa de importação do biocombustível”, diz o comunicado, divulgado pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta quinta-feira (29/6).

O manifesto é assinado por entidades ligadas a produtores e usinas, além do Fórum Nacional Sucroenergético. Segundo a Unica, foi entregue a autoridades durante um encontro na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), na quarta-feira (28/6).

No documento, as entidades reivindicam a exclusão do etanol da lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC), cobrada sobre produtos de fora do Mercosul. A medida permitiria a imposição de uma tarifa que, na visão do setor, seria de 17%. Além de perda de competitividade em relação ao importado, a cadeia produtiva argumenta que seria um reconhecimento do melhor desempenho ambiental do combustível de cana.

"A tarifa deverá valorizar a produção e o comércio do biocombustível no Brasil", defende o documento.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), só nos primeiros três meses deste ano, a importação do combustível saltou 403% em relação ao mesmo período no ano passado. A quase totalidade vem dos Estados Unidos, que produz a partir do milho.

No início da semana, durante o Ethanol Summit, promovido pela Unica, em São Paulo (SP), já tinha sido feita uma defesa da tarifa. Durante o próprio evento, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse que existem formas mais eficientes de competir com o etanol importado.

“Os 17% dão a impressão de uma competitividade que não estamos tendo, mas não sei se conseguimos jogar esse jogo por muito tempo”, alertou.

Representantes do setor nos Estados Unidos, além de um economista do próprio Departamento e Agricultura norte-americano, criticaram a intenção da indústria brasileira.

“Os dois países têm um longo histórico de benefícios comerciais mútuos e cooperação na bioeconomia. Nos biocombustíveis e no etanol, em particular, queremos que essa cooperação continue. Devemos lutar contra o protecionismo", disse o economista vice chefe do USDA, Warren Preston, em uma das plenárias.

“Isso não ajuda ninguém. Temos que construir mercados para os combustíveis de baixo carbono. Eu suplico que continuem a apoiar o livre comércio”, disse o presidente da Associação dos Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos (RFA), em uma mensagem enviada por vídeo em que se diz surpreso com a iniciativa. (Revista Globo Rural 30/06/2017)

 

ANP prorroga por 3 anos comprovação de regularidade fiscal de produtores de etanol

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prorrogou por três anos, nesta quinta-feira, o prazo para comprovação de regularidade fiscal dos produtores de etanol que passam por processo de recadastramento de suas instalações.

Em nota, a ANP destacou que a prorrogação atende a uma demanda do setor para facilitar o cumprimento das exigências previstas na Resolução ANP 26/2012. O prazo se encerraria em 31 de agosto.

No início da semana, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, havia adiantado a jornalistas em um evento em São Paulo que a medida deveria ser adotada. (Reuters 30/06/2017)

 

Governo estuda aumentar imposto sobre combustíveis

Gasolina e diesel podem ficar mais caros com elevação da Cide para gerar receita a cofres públicos.

O governo federal estuda aumentar a Cide Combustíveis, um imposto cobra sobre a venda de gasolina e diesel. A medida pode gerar uma elevação do preço dos dois combustíveis até o fim do ano para aumentar a arrecadação do governo.

Cada R$ 0,10 a mais no preço dos combustíveis resulta num extra de R$ 3,5 bilhões anuais para os cofres públicos. No entanto, o consumidor pode só sentir o aumento em 2018, já que a eventual decisão só começaria a vigorar três meses após sua sanção.

O aumento nos preços de gasolina e diesel ainda pode ter um efeito colateral muito aguardado. O etanol se tornaria comparativamente mais barato, aumentando sua competitividade, bastante reduzida em boa parte do País. (O Estado de São Paulo 29/06/2017)

 

Começa hoje a produção de 62.947 toneladas de açúcar em Angol

Um total de 62.947 toneladas de açúcar deve ser produzido em Cacuso, na província de Malanje, pela Companhia de Bioenergia de Angola Lda (Biocom), com o início, hoje, da moagem da cana relativa à campanha 2017/2018, anunciou a companhia à imprensa.

O volume é 15 por cento superior ao resultado alcançado no ano passado, que alcançou uma produção de 52 mil toneladas de açúcar.

A direcção da Biocom garantiu, terça-feira, que para atingir a meta de produção prevista, vão ser processadas, este ano, na unidade agro-industrial da empresa, em Cacuso, 601 mil toneladas de cana-de-açúcar, colhidas numa área de 12.600 hectares. No ano passado tinham sido moídas 510 mil toneladas de cana, colhidas uma área de 9.272 hectares.

Na presente campanha, a Biocom deve produzir, além do açúcar, 15.278 metros cúbicos de etanol, contra os 14.263 metros cúbicos de 2016, e 200 mil megawatts de energia eléctrica, superando a anterior produção de energia, na ordem de 57 mil megawatts.

O director-geral-adjunto da Biocom, Luís Bagorro Júnior, disse que o motivo do aumento nos volumes de produção está relacionado com a contínua expansão do plantio e dos ganhos na produtividade, que são obtidos a cada ano, tanto na área agrícola como na indústria.

“Os números podiam ser ainda maiores, se não fosse a seca que tivemos este ano, pois choveu 25 por cento a menos do que a média histórica. Para reduzir esse efeito, prevemos multiplicar variedades de cana mais adaptadas ao clima da região e que também proporcionem uma alta concentração de açúcar”, referiu Luís Bagorro Júnior.

“Os investimentos em novos equipamentos, em tecnologia de ponta e na formação de pessoas é o segredo do sucesso da Biocom”, afirmou Luís Bagorro Júnior, que assegurou que a empresa caminha para atingir as metas de produção fixadas para a fase de maturidade do projecto, na safra 2021-2022, altura em que começam a ser produzidas 256 mil toneladas de açúcar, 33 mil metros cúbicos de etanol anidro e 235 mil megawatts de energia eléctrica.

De acordo com as previsões do plano de negócios da agro-indústria, a partir da maturidade do primeiro estágio do projecto a produção anual de açúcar vai ser de 256 mil toneladas, o que equivale a cerca de 60 por cento de todo o consumo do produto no país.

Um outro aspecto destacado pelo director-adjunto da Biocom é a evolução no número de trabalhadores angolanos a ocupar cargos técnicos e de liderança na empresa. “Como a Biocom é um projecto agro-industrial inédito em Angola, foi preciso trazer técnicos de países que dominam a tecnologia da produção sucro-alcooleira.

Os expatriados vêm com a missão de transferir conhecimentos para os trabalhadores nacionais.” Actualmente, 93 por cento dos trabalhadores da empresa são angolanos.

Até à data, a Biocom representa o maior investimento privado de Angola, fora do sector petrolífero, e um importante activo de desenvolvimento nacional. Para o arranque do projecto foram investidos 750 milhões de dólares pelos três grupos associados, a Cochan (com 40 por cento), a Odebrecht Angola (com 40 por cento) e a Sonangol Holdings (com 20 por cento).

O director considera que a Biocom deve ser avaliada como um exemplo positivo no processo de diversificação da economia, que prossegue com muita vitalidade. “Vivemos um momento de confiança, pelo sucesso de investimentos privados que estão a fazer o país crescer em todas as províncias, e sentimos orgulho por fazer parte desse desenvolvimento, com a produção e comercialização do açúcar Kapanda, além do etanol e da electricidade”, disse.

Primeira a comercializar etanol e energia a partir da biomassa

A Biocom é a primeira empresa de Angola a produzir e comercializar açúcar, etanol e energia eléctrica a partir da biomassa. Instalada no Pólo Agro-Industrial de Capanda, no município de Cacuso, província de Malanje, numa área de 81.201 hectares, dos quais 70.106 são agricultáveis e 1.095 destinam-se à áreas de preservação permanente da vegetação nativa, a empresa destaca-se pela modernidade e tecnologia aplicadas no processo industrial e agrícola.

A sua produção de açúcar está ainda virada para o mercado interno, a a de energia eléctrica para as necessidades da Rede Nacional de Transporte de Electricidade - Empresa Pública, e o etanol hidratado é fornecido às indústrias de bebidas e de produtos de limpeza.

No início da segunda quinzena de Junho do ano passado, a Biocom lançou a campanha 2016-2017, até 31 de Outubro, envolvendo os mais de dois mil trabalhadores da empresa na colheita e no processamento de 531 mil toneladas de cana-de-açúcar, para produção de açúcar, etanol e co-geração de energia eléctrica. Nesta campanha, a empresa calculava produzir 47 mil toneladas de açúcar, 16 mil metros cúbicos de etanol e 155 mil megawatts de energia eléctrica.

Na campanha 2015-2016, a empresa produziu 24.770 toneladas de açúcar, 10.243 metros cúbicos de etanol e gerou 42 mil megawatts de energia eléctrica. (Jornal de Angola 29/06/2017)