Setor sucroenergético

Notícias

Comprar dívidas de usinas

O fundo norte-americano Lone Star, especializado em créditos podres, está percorrendo os canaviais brasileiros disposto a comprar dívidas de usinas de etanol.

O que não falta é bagaço: na última safra, o passivo da indústria sucroalcooleira bateu nos R$ 100 bilhões.

São mais de 80 usinas em recuperação judicial. (Jornal Relatório Reservado 04/07/2017)

 

Margens da Ipiranga

A disposição da Petrobras de reajustar os preços dos combustíveis diariamente para conter as importações tem endereço certo.

Em abril e maio, a Ipiranga mais do que duplicou a compra de derivados no mercado externo.

Foram 216 milhões de litros, uma média de 108 milhões por mês.

No primeiro trimestre, essa média foi de 57 milhões. (Jornal Relatório Reservado 03/07/2017)

 

Açúcar: Condições favoráveis

As boas condições de desenvolvimento da safra 2017/18 de cana-de-açúcar pressionaram as cotações do açúcar refinado na bolsa de Londres ontem.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam a US$ 388,90 a tonelada, recuo de US$ 1,60.

Segundo o banco Pine, as chuvas de monções estão acima da média nas regiões produtoras da Índia e na Tailândia, beneficiando a produtividade da cana-de-açúcar.

"Até mesmo o Paquistão, que ficou vários anos ausentes do mercado internacional, está com um excedente exportável de produto", destaca o banco.

No Brasil, a maior destinação de cana para a produção de açúcar também pressiona a commodity.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 63,08 a saca de 50 quilos, com queda de 0,39%. (Valor Econômico 05/07/2017)

 

Temer sinaliza apoio a demandas das áreas de etanol e biodiesel

Em reunião com entidades que representam produtores de biocombustíveis na manhã de hoje, o presidente Michel Temer sinalizou apoio a demandas de empresas do segmento, que pedem para que o governo regulamente o aumento da mistura do biodiesel no diesel fóssil e publique uma Medida Provisória para implementar o Programa Renovabio, que vai fixar metas de redução da emissão de gases poluentes para distribuidoras de combustíveis.

De acordo com participantes da reunião, temas como a volta do tributo Cide-Combustíveis e o possível aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre a gasolina não entraram na pauta de conversas com Temer, que esteve acompanhado pelos ministros Henrique Meirelles, da Fazenda, Eliseu Padilha (Casa Civil), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Fernando Coelho Filho (Minas e Energia).

Donizeti Tokarski, diretor-superintendente da União Brasileira do Biodisel e Bioquerosene (Ubrabio), que representa usinas fabricantes de biodiesel, disse que Temer prometeu que até o próximo dia 4 de agosto decidirá se encaminhará uma MP ou um projeto de lei para implementar o Renovabio.

Com relação à nova composição da mistura de biodiesel e diesel, Temer acenou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve aprovar em breve o aumento da mistura de biodiesel no diesel de 8% (B8) para 9% (B9), e, posteriormente, para 10% (B10). O percentual de 8% entrou em vigor em março. (Valor Econômico 04/07/2017)

 

Renuka começa a pagar créditos trabalhistas e fornecedores no dia 5, diz fonte

A Renuka do Brasil, grupo sucroenergético em recuperação judicial com duas usinas de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, começa a pagar a partir de quarta-feira, dia 5, as 12 parcelas de créditos trabalhistas, de fornecedores estratégicos e de pequenas e microempresas, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta segunda-feira.

Os recursos para esses pagamentos virão do fluxo de caixa da Renuka do Brasil, subsidiária da maior produtora de açúcar bruto da Índia, acrescentou a fonte, na condição de anonimato. Não havia informações sobre o total devido a esses credores menores.

A indiana Shree Renuka Sugars iniciou investimentos no país em 2010, tendo sido atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

A Renuka do Brasil tem dívida de cerca de 2,7 bilhões de reais.

O pagamento dos credores menores, como fornecedores de cana e trabalhadores da empresa, faz parte do processo da companhia para sair da recuperação judicial.

Já o pagamento dos grandes credores, o que incluem instituições financeiras, vai se dar com o dinheiro levantado após o leilão da Usina Revati, em Brejo Alegre (SP).

O pregão da Revati deverá acontecer em 4 de setembro, 90 dias após a homologação pela Justiça do aditamento no plano de recuperação aprovado no fim de maio.

O processo de recuperação judicial da Renuka do Brasil se arrasta desde outubro de 2015.

No ano passado, os credores chegaram a aprovar um plano que previa a venda da Usina Madhu, em Promissão (SP). A unidade foi a leilão em dezembro por 700 milhões de reais, mas não atraiu interessados.

Para janeiro deste ano, estava previsto outro leilão da Madhu, com lances livres. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no entanto, pediu a suspensão do pregão, por ser titular das garantias hipotecárias.

Desde então, a companhia vinha tentando marcar outras assembleias para tratar da situação da empresa, inclusive com uma proposta de leilão da Revati, a qual se concretizou em maio.

A Revati, que tem capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana por safra, deve ser leiloada como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), ou seja, sem pendências para o comprador. Com o dinheiro a ser arrecadado em uma eventual venda, a Renuka do Brasil espera pagar 30 por cento do crédito dos bancos.

As duas unidades da companhia podem processar mais de 10,5 milhões de toneladas de cana por safra. (Reuters 04/07/2017)

 

Renuka do Brasil publica edital de leilão da Usina

A Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, publicou o edital para o leilão judicial da usina Revati, localizada em Brejo Alegre (SP), conforme previsto no plano de recuperação judicial aprovado em assembléia de credores.

Os lances pela usina, convertida em unidade produtiva isolada (UPI), deverão ser apresentados até 4 de setembro. Não foi estipulado um lance mínimo.

O edital prevê que os atuais acionistas da companhia terão o direito de preferência para adquirir a totalidade da UPI Revati. A Shree São Paulo e o minoritário Halpink podem ceder seu direito de preferência para a Shree Brasil ou para a Shree Renuka Global Ventures. Caso os dois acionistas resolvam exercer seu direito de preferência, cada um deverá fazê-lo conforme a proporção de sua participação societária.

A unidade tem capacidade moagem de até 4,5 milhões de toneladas de cana por safra e capacidade de cogeração de energia de até 157 megawatt (MW).

A produção de açúcar é basicamente do tipo VHP, que pode chegar até a 1,35 mil toneladas por dia. Também podem ser fabricados até 900 mil iltros de etanol hidratado ao dia, podendo ser convertidos para etanol anidro através de peneiras moleculares. A unidade conta ainda com uma fábrica de levedura seca, onde podem ser produzidas até 10 mil toneladas por safra com teor proteico de até 43%. (Valor Econômico 04/07/2017)

 

Petrobras eleva preço da gasolina em 1,8%; valor do diesel sobe 2,7%

Esse é o primeiro ajuste após a petroleira anunciar na sexta-feira (30) que ajuste nos preços poderá ser feito diariamente.

A Petrobras decidiu nesta segunda-feira aumentar o preço médio do diesel nas refinarias em 2,7% e elevar o da gasolina em 1,8%, a partir de terça-feira (4), informou a petroleira.

A empresa não detalhou os motivos para o movimento. O ajuste é o primeiro após a revisão feita em sua política de preços na semana passada, que busca aumentar a frequência de reajustes em uma tentativa de retomar participação de mercado. A partir de agora, segundo a estatal, os preços dos combustíveis poderão cair ou subir diariamente.

Na sexta-feira (30), a Petrobras revisou sua política de preços do diesel e da gasolina, dando certa liberdade para que a área de marketing e comercialização da empresa reajuste as cotações na refinaria de forma mais frequente, inclusive diariamente, em busca de maior competitividade e com o objetivo principal de recuperar receita e participação de mercado, devido ao aumento das importações de combustíveis, distribuidoras concorrentes vêm ganhando mercado da estatal.

Os ajustes de preços de combustíveis passarão a ser divulgados através de site próprio e nos canais internos de comunicação aos clientes.

A partir da nova orientação, a área técnica de marketing e comercialização da Petrobras poderá realizar ajustes sempre que achar necessário, dentro de uma faixa determinada, de redução de 7% a alta de 7% sobre os preços vigentes dos derivados nas refinarias.

Na sexta-feira, Petrobras anunciou redução

Na última sexta-feira, a Petrobras reduziu o preço médio nas refinarias em 5,9% para a gasolina e 4,8% para o diesel, na 3ª redução de preços nas refinarias em menos de 40 dias. O último corte tinha sido anunciado no dia 14 de junho. Na ocasião, o valor da gasolina foi reduzido em 2,3% e o do diesel em 5,8%.

Na semana passada, o valor médio da gasolina no Brasil caiu pela 7ª vez seguida. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (30) pela Agência Nacional de Petróleo, o valor por litro foi de R$ 3,542 para R$ 3,51, o menor valor desde outubro de 2015. (G1 04/07/2017)

 

Índia estuda elevar taxa de importação de açúcar para proteger produtores locais

A Índia está considerando elevar a taxa de importação sobre o açúcar para proteger seus produtores locais, disse um membro do governo, nesta terça-feira. Os preços internacionais do alimento recuaram cerca de 30% em 2017 na comparação anual, em meio a um mercado pressionado pela perspectiva de oferta abundante. A tendência tem levado traders indianos a preferirem o açúcar importado ao produzido internamente.

O imposto maior é necessário “para garantir que as importações mais baratas não façam pressão sobre os preços locais”, disse um membro do governo. Nos últimos meses, representantes do setor também vieram a público para sugerir maiores tarifas sobre o açúcar de origem no exterior.

Neste ano, a produção de açúcar na Índia, maior consumidora e segunda maior produtora do mundo (atrás apenas do Brasil), deve saltar cerca de 20% na comparação anual e atingir 25 milhões de toneladas. A safra tende a ser sustentada pelo clima favorável na temporada de chuvas de monções.

Os baixos preços internacionais do açúcar também fizeram a China mudar sua política de importação. Em meados de maio, o governo praticamente dobrou os impostos sobre o alimento. O Ministério do Comércio do país disse que uma investigação apontou que as importações prejudicaram gravemente a indústria local. Agora, a taxa que incide sobre as compras externas além da cota de 1,95 milhão de toneladas por ano foi elevada de 50% para 95%. Depois de um ano, a taxa vai cair para 90%; em dois anos, para 85%. Entretanto, o imposto sobre o açúcar dentro da cota permanecerá em 15%. A China é a maior importadora mundial de açúcar. (Down Jones 04/07/2017)

 

Datagro reduz previsão de superávit global de açúcar em 2017/18 para 590 mil t

O mercado global de açúcar na safra 2017/18 (outubro/setembro) terá um superávit de 590 mil toneladas, disse nesta terça-feira o presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, que em junho reviu para baixo sua projeção.

Na estimativa de maio, a Datagro havia projetado o superávit 2017/18 em 640 mil toneladas.

"A revisão (para baixo) deve-se a ajustes sazonais em diferentes geografias, como União Europeia e Índia", disse Nastari à Reuters.

Para o atual ciclo 2016/17, que se encerra em 30 de setembro, a Datagro cortou sua previsão de déficit global de 6,78 milhões de toneladas em maio para 5,71 milhões de toneladas em junho.

Para o Brasil, a consultoria mantém suas projeções para a temporada 2017/18, que teve início em abril, disse Nastari.

A moagem no centro-sul está estimada em 605 milhões de toneladas e a do Norte/Nordeste, em 42 milhões de toneladas.

No centro-sul, a fabricação de açúcar deve alcançar 36,38 milhões de toneladas e no Norte-Nordeste, 2,9 milhões de toneladas. (Reuters 04/07/2017)

 

O preço do açúcar veio morro abaixo

De acordo com a Unica, a moagem acumulada desta safra até o dia 01 de junho foi de 111 milhões de toneladas, contra 141,37 milhões na safra passada. Estamos atrasados em quase 30 milhões. Resultado da safra que começou atrasada com menos cana bisada e condições climáticas menos favoráveis à moagem. Estamos também com ATR bem mais baixo (118,36 contra 122,31) e a produtividade de 79,98 toneladas por hectare, o que dá 9% a menos que na safra anterior.

O clima aparentemente ajudou um pouco neste mês, mantendo as projeções ao redor de 585 milhões de toneladas (3,65% menor) com produção de açúcar de 35,2 milhões de toneladas (1,2% menor) e de 24,7 bilhões de litros de etanol (3,71% menor), isto tudo para uma capacidade de moagem no Centro Sul ao redor de 630 milhões de toneladas.

Em relação a resultados, a Copersucar na safra 2016/17 teve faturamento de R$ 28,3 bilhões (31% com açúcar e 65% com etanol), aumento de 7,3% e deixou lucro líquido de R$ 254,4 milhões.

A Tereos anunciou faturamento de R$ 10,2 bilhões e lucro líquido de R$ 191 milhões, contra prejuízo de R$ 180 milhões na safra anterior, vindos de um processamento de 20,1 milhões de toneladas com produtividade de 78 t/ha e ATR de 134,9 kg/t. A alavancagem caiu de 4,2 vezes para 2,9 vezes. O CTC anunciou também lucro de R$ 12,5 milhões na safra 2016/17. Boa notícia também foi a aprovação da cana transgênica pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). É a primeira no mundo e finalmente, a Zilor processou na safra 11,341 milhões de toneladas (sendo 38% para açúcar), obtendo receita líquida de R$ 2 bilhões e lucro líquido de R$ 167,4 milhões. Sua alavancagem também caiu de 3,8 para 2,5 vezes.

Quais são os fatos e impactos no açúcar neste junho?

O mês no açúcar não foi bom. Conjunto de notícias que ajudou a derrubar as cotações mais do que eu acreditava. Vamos aos fatos: fatores como a entrega física de açúcar por um grande produtor em março, o câmbio (movimento de desvalorização do real derruba os preços do açúcar), expectativas aumentos de produções em concorrentes, queda do preço do petróleo e da gasolina no Brasil (mesmo com desvalorização do real), organizações (fundos) que investiram esperando valorização, elevação do imposto de importação na China (a taxa além da cota de 1,95 milhão de toneladas por ano foi elevada de 50% para 95%) e o consumo de hidratado que não reagiu como deveria.

O preço chegou a ser o menor em 20 meses, tocando menos de 13 cents/libra peso. De acordo com a Archer Consulting, o valor do início de junho (R$ 1.027 por tonelada) foi o menor desde setembro de 2015. E pensar que neste ano já tivemos 21,49 cents (06/02) quando bons analistas e alguns sortudos aproveitaram para vender.

Maio foi muito bom para as exportações. Enviamos 2,440 milhões de toneladas de açúcar (bruto e refinado) o que representa um crescimento de 50,4% sobre o mês anterior e 21,3% acima de maio de 2016. Entraram US$ 1,036 bilhão, 43,2% a mais que os US$ 723,7 milhões de abril e quase 55% maior que os US$ 671 milhões de maio passado. Até o final de maio, o volume total vendido (acumulado do ano) atingiu 9,693 milhões de toneladas (cerca de 1,5% a menos), mas a receita está 40,5% maior, atingindo US$ 4,239 bilhões.

Em relação às perspectivas da safra, a Copersucar já acredita em queda na produção de açúcar na safra 2017/18 devidos aos preços baixos e etanol mais competitivo. De 36 milhões, esperam agora 35,5 milhões de toneladas. Quanto maior a distância em relação ao porto, mais a conversão para etanol tem sido observada. Esperam também mudança no superávit de 2 a 3 milhões de toneladas, a depender deste movimento que já alertei na coluna de maio, para menor. Tal como a Copersucar, a Archer acredita que a produção de açúcarpode ser 1,5 milhão de toneladas menor.

Para a Datagro, produção global de açúcar em 2017/2018 passa de um déficit de 200 mil toneladas 640 mil toneladas de superávit. Também caiu o déficit do ciclo 2016/2017, de 7,85 milhões para 6,78 milhões de toneladas, devido ao aumento de produção na Índia (de 19,2 milhões para 20,5 milhões de toneladas em 16/17 e 23,5 milhões para 24,2 milhões em 17/18. Produção também cresceu na China de 9,8 milhões para 10,47 milhões. Também deve aumentar o açúcar europeu de beterraba, puxado pela Ucrânia.

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) mudou sua projeção para o déficit global da commodity na safra 2016/2017 para 6,465 milhões de toneladas, superior ao último relatório que esperava 5,869 milhões. A produção deve ser de 165,928 milhões (0,3% maior) e o consumo de 172,393 milhões (1,22% maior). Em relação a 2017/18 acreditam em superávit de 3 milhões de toneladas, que deve ser mantido também em 2018/19. Pela SUCDEN, na safra 2017/18, o mundo produzirá 183 milhões de toneladas e consumirá 179,5 milhões (1,4% maior), deixando um superávit de 3,5 milhões. Produção puxada por União Europeia, Índia, Tailândia e China. São menores também as probabilidades de eventos climáticos. Como sempre digo que "preço muito bom não é bom" vamos colher agora os resultados dos excelentes preços em alguns momentos de 2016.

Porém, o Rabobank aposta em preços maiores até o final deste ano, devido aos fundos de investimentos, pois acredita que os preços estão baixos demais observando a relação entre estoque e consumo.

Ponto negativo para nós foi a estimativa da UNICA que a taxação da China pode reduzir as exportações do Brasil em 800 mil toneladas de açúcar neste ano e também o acordo entre os governos de Estados Unidos e México que permite a este continuar a vender açúcar aos EUA. Porém o México terá que alterar a proporção de 50% para 30% de açúcar refinado nas vendas totais, permitindo mais refino nos EUA. Os preços mínimos e nível de pureza também aumentaram.

Minha leitura no açúcar está alinhada com o Rabobank, de preços maiores para o açúcar em breve e uma média de preços entre 16 a 17 cents/libra peso nesta safra, a menos que o Petróleo caia mais e não consigamos escoar mais cana via hidratado, o que neste momento não é minha aposta, apesar dos resultados não estarem bons, como veremos a seguir.

Quais são os fatos e impactos no etanol neste junho?

Pela ANP, o consumo de combustíveis em gasolina equivalente cresceu nos últimos 12 meses 0.14%. Etanol anidro e gasolina A (sem mistura) cresceram 5.78%, e o hidratado caiu 19,49%, trazendo a proporção para 44.4% de etanol e 55.6% de gasolina. Em maio também a venda de etanol pelas Usinas caiu 12,15% em relação a maio de 2016, para 2,10 bilhões de litros. Desde o início da safra, as vendas caíram 14,26%, somando 3,82 bilhões de litros. O anidro caiu 9,18% e o hidratado 17,79%.

Foi aprovada pela Comissão Especial da Câmara Federal uma proposta que permite aos municípios colocarem uma CIDE municipal para custear transporte público. Falta agora ser aprovada pelo plenário, portanto pode ter chances de nos municípios canavieiros, ela ser aplicada apenas para a gasolina, ajudando no consumo de hidratado. O Governo volta a falar em CIDE, com a queda da arrecadação, o que pode ser um alento neste momento de queda dos preços do petróleo.

A queda nos preços do açúcar e a possibilidade do Brasil fazer mais etanol já afeta as expectativas com exportações do etanol de milho dos EUA, mostrando como as coisas são inter-relacionadas no complexo agronegócio mundial.

A Nissan conclui neste mês um primeiro momento de testes do projeto e-Bio Fuel Cell, o carro elétrico que usa etanol com fonte geradora de hidrogênio que é transformado em eletricidade. Mas a empresa crê que apenas após 2020 esta tecnologia estará disponível, o que foi triste, pois eu achava que poderia vir antes.

Um caso de sucesso é o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, segundo estudo apresentado pela Secretaria do Meio Ambiente contribuiu reduzindo praticamente 10 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente entre as safras 2006/07 e 2016/17. Também deixamos de lançar 56 milhões de toneladas de poluentes, entre eles o CO (monóxido de carbono). O número de colhedoras saltou de 753 em 2006/07 para 3000 em 2016/17. A queima hoje está restrita a apenas 2,5% do território paulista com cana. Trata-se de um presente dado pelo setor à sociedade paulista, praticamente sem cobrar.

Finalmente foi atingido o limite de etanol que pode ser produzido à partir do milho nos EUA desde que a lei passou no congresso em 2007, que estipulou 15 bilhões de galões em 2017. Como a lei coloca que devem ser produzidos 36 bilhões de galões até 2022, outros tipos de biocombustíveis tem que acelerar o passo para atingir esta produção até lá, o que não vem acontecendo. Para crescer, a indústria de etanol dos EUA precisa das exportações e do crescimento de combustíveis que levem mais etanol, como o E85.

Os preços do petróleo, que mês passado foram favoráveis ao etanol por terem subido, voltaram a cair, mesmo com anúncios de corte da produção feitos pela OPEP. Esta variável vem atrapalhando bem a cana nos últimos 30 dias. A Petrobras abaixou o preço da gasolina, justificando por uma necessidade de recuperação de participação de mercado pois as importações de diesel e gasolina aumentaram bastante em seus concorrentes em detrimento às compras nas refinarias da empresa, trazendo com isto maior ociosidade nos ativos de refino da empresa. Pela ANP, as importações de diesel saltaram 47% no bimestre, motivadas por um prêmio de 16,4% e de quase 3% na gasolina. Esta queda atrapalhou o retorno do hidratado.

A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) publicou sua nova análise dos próximos 10 anos no Brasil. Entre as principais conclusões estão uma queda de participação de mercado da Petrobrás na produção nacional de petróleo de 78% para 70% até 2026 e nossa produção deve dobrar para algo entre 4,7 milhões e 5 milhões de barris diários em 2026.

Na visão da EPE a demanda (Ciclo Otto) não acompanha a oferta pois crescerá apenas 9,25% até 2026 e o Brasil passará a exportar 1,5 milhão a 2 milhões de barris/dia. A boa notícia é o aumento na participação do hidratado dos atuais 30% para 46% em 2026, com expansão de uma a duas novas usinas por ano à partir de 2021. A EPE está mais verde recentemente.

Preços caíram muito (6% desde o início da safra e 28% desde o início do ano) graças à queda do preço do petróleo mas o consumo não reagiu, ficando pouco acima do 1 bilhão de litros. Fechando, o etanol hidratadoprecisa recuperar espaço no mercado para ajudar no preço do açúcar. Continuo crendo que como temos menos cana e a economia começa a dar sinais de vida, eu não venderia agora. (IDEA NEWS 04/07/2017)