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Raízen investirá em plantas adquiridas da Tonon

A aquisição de duas usinas da Tonon pela Raízen Energia reforça a liderança da companhia na produção de açúcar e etanol do país, mas demandará aportes adicionais - além dos R$ 823 milhões desembolsados para fechar o negócio, para que o potencial das unidades entre nos padrões da companhia.

João Alberto Abreu, diretor de operações da Raízen Energia, disse, em entrevista ao Valor, que o montante a ser investido não está definido, já que a negociação ainda está sujeita ao julgamento da juíza da recuperação judicial da Tonon e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O aporte pode variar dependendo do momento do ano, que pode ou não ser favorável ao plantio de cana, afirmou Abreu. "Assim que ocorrer o fechamento [da operação] no Cade, vamos atualizar o guidance". A meta atual da Raízen para a safra 2017/18 é um investimento entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões.

O primeiro passo assim que a Raízen assumir as usinas Santa Cândida, localizada em Bocaina (SP) e Paraíso, em Brotas (SP), será integrá-las ao "Pentágono", a central de monitoramento que acompanha todos os processos nas 24 usinas da companhia, desde o plantio e a colheita de cana até a indústria.

Por estarem próximas a dois polos com outras unidades, deve haver sinergias na área logística, com facilidade de direcionamento de biomassa entre as usinas da região, e na gestão. Com 5 milhões de toneladas de capacidade instalada nas duas usinas adquiridas, a capacidade de moagem da Raízen subirá 7%, para 73 milhões de toneladas anuais.

Outro investimento na lista de prioridades da Raízen é no tratamento e renovação dos 60 mil hectares de canaviais das duas unidades, que estão com idade média entre 3,5 anos e 4 anos. A idade média das lavouras da Raízen é de 3,3 anos. Mas, segundo Abreu, metade da área adquirida já está "em condições bastante favoráveis". Também deve haver desembolsos para a manutenção preventiva e troca de máquinas agrícolas.

Segundo Abreu, a Raízen também manterá contrato com todos os fornecedores que tinham compromissos com a Tonon. Cerca dos 20% dos contratos que estão sem renovação serão retomados pela companhia. Os fornecedores respondem hoje por 40% da cana processada pelas duas unidades.

As duas usinas têm um perfil levemente mais alcooleiro que a média das plantas da Raízen, mas uma mudança nesse perfil ainda não está no horizonte. As duas unidades têm 57% de seu potencial voltados à produção de etanol.

Ponto central da negociação com Tonon e credores, as operações de cogeração de energia a partir de bagaço que são contíguas às duas unidades, pertencentes à Rhodia e Brookfield - serão geridas pela Raízen. As duas empresas de energia exigiam a entrega do bagaço que a Tonon deixara de fornecer. Na negociação, ficou acertado que a Raízen entregará energia elétrica a ambas, dentro de um cronograma que prevê aumentos sucessivos, conforme a perspectiva de aumento de moagem de cana e ante os potenciais instalados.

A Brookfield, que detém a unidade de cogeração junto à Santa Cândida com 32 megawatt (MW) de potência, tem um contrato no mercado regulado até 2040. Já a Rhodia, que tem a unidade de cogeração junto à Usina Paraíso com 70 MW de potência, atua no mercado livre, ficando exposta à variação de preço. (Valor Econômico 10/07/2017)

 

Usinas de cana se tornam construções 'fantasmas' no interior de São Paulo

A paisagem da zona rural na região de Ribeirão Preto é praticamente monocromática. Para qualquer lugar que se olhe, o cenário é o verde das lavouras de cana-de-açúcar por todos os lados.

Mas, se procurar bem, esse mesmo cenário "esconde" chaminés de antigas usinas ou mesmo prédios inteiros, totalmente inativos.

Seja por causa da crise, da mudança na regulamentação do setor ou mesmo por uma opção dos grupos sucroenergéticos, essas usinas de açúcar e etanol se tornaram estranhas à paisagem.

Há ao menos seis exemplos só na região de Ribeirão Preto, mais tradicional polo de produção de açúcar e etanol do país e autointitulada "capital do agronegócio", que hoje não tem nenhuma usina moendo cana. A última que operou na área, a Galo Bravo, já não funciona há seis anos, desde uma aventura mal sucedida que teve o empresário Ricardo Mansur (ex-Mappin e Mesbla) no comando.

Então chamada Cerp (Central Energética Ribeirão Preto), teve falência decretada pela Justiça há cerca de seis meses devido a uma dívida no valor de R$ 33 mil. Mansur foi gestor da companhia entre agosto de 2009 e julho de 2010 e acumulou disputas com a família Balbo, dona da Galo Bravo.

Hoje no local há apenas o "esqueleto" do prédio, ferrugem e mato alto.

Também em Ribeirão, a Usina Perdigão foi desativada há quase três décadas, mas mantém sua chaminé em meio às lavouras de cana.

A cerca de 60 km de Ribeirão, em Jaboticabal, uma das mais recentes desativações é a da Usina São Carlos, em Jaboticabal, após a venda de ativos para o grupo São Martinho, em 2012, por um total de R$ 199,6 milhões.

À época, a São Martinho alegou que a sua principal unidade, em Pradópolis, tinha capacidade ociosa para processar o volume que era moído em Jaboticabal, num raio médio de 30 quilômetros de distância.

"A questão é que a mecanização, a tecnologia, atingiu não só as lavouras, mas também a parte industrial. O que antes era feito em dois ou três lugares passou a ser feito num só, e as usinas se interessam não pela parte física delas, mas pela cana", afirmou Ignacio Bernardes, 82, membro da Pastoral do Migrante de Guariba.

A entidade atende cortadores que deixavam o norte de Minas e o Nordeste em busca de emprego no interior de São Paulo, fluxo drasticamente reduzido com o avanço da mecanização.

NOVA MIGRAÇÃO

A unidade de Jaboticabal é vigiada por seguranças e os prédios apresentam boas condições físicas. Antes dela, a Santa Luiza, em Motuca, foi fechada em 2007 após aquisição em conjunto por três grupos sucroenergéticos.

O cortador de cana João Pereira Mouta, 35, que deixou Crisópolis (BA) para morar em Serrana no início dos anos 2000, trabalhou tanto na São Carlos como na Santa Luiza. Ele afirma que se tornou comum a necessidade de migrar dentro da própria região em busca de emprego.

"Hoje ainda tenho emprego, mas não sei na próxima safra", diz.

Em Sertãozinho, a Usina Albertina foi fechada após seis anos de processo de recuperação judicial. Outra unidade com dificuldades financeiras e que deixou de processar cana é a Nova União, em Serrana, cujas terras no entorno são alvo constante de invasões de sem-terra.

A situação, no entanto, não é exclusiva da região de Ribeirão. Em todo o país, pelo menos 60 usinas deixaram de moer cana nas últimas safras devido, entre outros fatores, ao endividamento do setor.

Há atualmente, segundo o sistema de acompanhamento da produção canavieira do Ministério da Agricultura, 380 usinas no país, das quais 48 na macrorregião de Ribeirão. (Folha de São Paulo 08/07/2017)

 

Usinas recompram açúcar fixado para a safra 2017/18

Passado um trimestre da safra sucroalcooleira 2017/18, algumas usinas brasileiras decidiram "recomprar" uma parcela do açúcar que haviam acertado para entrega futura a tradings ao longo desta temporada, deixando um volume maior do commodity a ser produzido neste ciclo sem preço de venda fixado previamente.

Desde o início da safra, o volume de açúcar que estava com preço fixado e teve essa fixação revertida pode estar entre 500 mil toneladas e 1 milhão de toneladas, estima Arnaldo Corrêa, da Archer Consulting. E o volume pode crescer, segundo traders que preferem não se identificar, e relatam que têm sido sondados para realizar essa operação.

Considerando as estimativas para a produção brasileira de açúcar, o volume recomprado até agora é pequeno. A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que a produção do Centro-Sul será de 35,2 milhões de toneladas. Entre analistas, as projeções oscilam com diferenças de pouco mais de 1 milhão de toneladas para cima ou para baixo.

Para alguns traders, o movimento foge do padrão pelo volume, mas outros avaliam que a quantidade envolvida até agora está dentro da média do que ocorre a cada safra. Para Corrêa, "não é uma coisa comum, nem recomendada".

Essas operações ocorreram em um momento em que os preços futuros do açúcar começaram a despencar. Na bolsa de Nova York, os contratos futuros de segunda posição de entrega acumularam queda de 18,2% no primeiro trimestre da safra e chegaram a atingir o menor patamar desde fevereiro de 2016 no último dia 28 de junho, cotados a 12,76 centavos de dólar a libra-peso, segundo o ValorData.

Há vários motivos para essa recompra de hedge em um momento desfavorável do mercado. Segundo traders ouvidos pelo Valor, algumas usinas recompraram o hedge porque achavam que o preço subiria, o que não ocorreu.

Outras, que estavam com um fluxo de caixa mais apertado, o fizeram porque precisavam de recursos para manter a usina rodando. Nesse caso, acabaram destinando cana para etanol, já que recebem pelo produto assim que o entregam nos caminhões da distribuidora, enquanto o recebimento pelas vendas de açúcar ocorre com diferença de meses, apenas quando o produto entra nos navios.

Entre esses casos relatados, não necessariamente a usina tem pouca capacidade financeira. Afinal, ela havia sido capaz de conseguir linha de crédito para a fixação.

Algumas das companhias que fizeram recompra de hedge de parte do açúcar que havia sido fixado foram a Odebrecht Agroindustrial, a Clealco e a Abengoa, segundo traders. Procuradas, as empresas não comentaram.

No caso das usinas que fizeram a operação com corretoras, a recompra envolve só a diferença entre o valor fixado e o vigente. Nas operações com tradings, algumas cobram um percentual sobre essa diferença. Essa cobrança se justifica porque a trading repassa multas que arca com operadores logísticos pelo rompimento de acordo, segundo trader.

Corrêa, da Archer, vê com maus olhos as recompras de hedge. "Porque você troca algo certo por duvidoso. É especulação. E nem sempre se consegue lucro", afirma. Em seu cálculo, 70% da produção brasileira desta safra está com preço fixado.

Um trader observa, porém, que os agentes comerciais (que atuam como vendedores ou compradores de açúcar) na bolsa de Nova York estão com uma posição baixa em relação à média histórica. "A média histórica dos comerciais para essa semana [última de junho], ficava em 200 mil a 300 mil lotes. Desta vez está em 50 mil lotes. Pode ser um indício de que o produtor está pouco precificado", diz. (Valor Econômico 10/07/2017)

 

Raízen aceita condições de credores da Tonon para aquisição de usinas

A Raízen Energia, joint venture da Cosan e da Shell, aceitou as condições impostas pelos credores da Tonon Bioenergia, que está em recuperação judicial, para a aquisição das usinas de Santa Cândida e Paraíso, informou a companhia em um comunicado ao mercado nesta sexta-feira.

Para a conclusão da aquisição, destacou a empresa em comunicado, restam agora trâmites legais, incluindo aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A Raízen fez uma proposta vinculante pelas duas usinas da Tonon no mês passado, por 823 milhões de reais.

Maior produtora de açúcar e etanol do Brasil, a Raízen já tinha 24 unidades de produção de açúcar, etanol e bioenergia.

Caso o negócio seja concretizado, marcará uma retomada da expansão por aquisições do grupo Cosan no setor sucroalcooleiro após um período de consolidação dos negócios de açúcar e etanol. (Reuters 07/07/2017)

 

Pequeno grupo de empresas avança em operação de hedge

Enquanto algumas usinas cogitam voltar atrás nas fixações do açúcar e outras estão em compasso de espera para ver se os preços da commodity reagem, um pequeno grupo de empresas já iniciou a temporada com quase toda a produção "hedgeada".

É o caso da Usina Londra, localizada em Itaí (SP), que fixou já no fim do ano passado o preço de quase 100% da produção de açúcar que preveem para 2017/18, a um preço médio de R$ 1.600 a tonelada. "Foi para não perder tempo em achar que [o preço] ia subir mais", diz Valentim Valler, diretor comercial da companhia.

A fixação antecipada foi feita com duas tradings que financiaram o investimento que a usina fez na construção de sua fábrica de açúcar, a primeira da companhia. Pelo acordo, a Londra entregará seu açúcar às duas tradings por dois anos.

Também buscou antecipar a fixação de preços do açúcar a Jalles Machado, que tem duas usinas em Goianésia (GO), outra companhia que também acrescentou uma fábrica de açúcar nova a uma de suas unidades. Até o início da temporada, 72% da produção esperada já estava com o açúcar precificado. (Valor Econômico 10/07/2017)

 

Tarifa sobre etanol importado será decidida pela Camex, diz ministro da Agricultura

A decisão sobre taxar importações de etanol cabe à Camex (Câmara de Comércio Exterior), disse nesta sexta-feira (7) o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que reafirmou seu apoio à imposição de tarifas diante de um forte crescimento das compras externas que tem afetado produtores locais.

"Fiz um comunicado à Camex a favor do pleito dos produtores do Nordeste. Fiz porque sou da Agricultura, e meu interesse é pelos agricultores, mas isso não foi bem aceito pelo governo... A Camex tomará a melhor decisão", disse após participar do evento "Diálogo Brasil-Japão", em São Paulo.

Prejudicados pela forte importação no primeiro semestre, os produtores de etanol do Nordeste passaram a defender uma taxa de 20% sobre as compras externas do produto, enquanto a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), principal associação sucroenergética do centro-sul, solicita 17%.

A Camex, um órgão interministerial, deve discutir a questão no fim do mês.

A imposição de uma tarifa sobre as importações de etanol, que vêm quase inteiramente dos Estados Unidos, colocaria o Brasil em uma rota de colisão com a política comercial mais agressiva da administração Donald Trump. Essa questão tem levado o governo brasileiro a adotar cautela, diante da possibilidade de uma retaliação dos EUA.

Indagado sobre as discussões no governo sobre taxar importação de gasolina, o ministro afirmou desconhecer o tema.

Maggi também disse que esteve na quinta-feira com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), para discutir a mudança de local da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo).

Segundo ele, foram assinados dois termos de compromissos, um sobre os trâmites para escolha de um novo endereço para a companhia, e outro sobre a utilização futura do atual terreno da Ceagesp. (Folha de São Paulo 07/07/2017 às 13h: 30m)

 

Etanol hidratado cai 1,80% e anidro recua 1,57% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas teve queda de 1,80% nesta primeira semana de julho, de R$ 1,2919 o litro para R$ 1,2686, o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro começou o mês com recuo de 1,57%, de R$ 1,4429 o litro para R$ 1,4203 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 10/07/2017)

 

Petrobras reduz preços da gasolina em 0,7% e do diesel em 0,2% a partir de sábado

A Petrobras anunciou uma redução nos preços da gasolina em suas refinarias em 0,7 por cento e do diesel em 0,2 por cento, com validade a partir de sábado, segundo informações publicadas nesta sexta-feira no site da companhia.

O anúncio vem na sequência de uma redução de 0,5 por cento nos preços tanto da gasolina quanto do diesel em vigor a partir desta sexta-feira, dentro da nova política de preços da estatal, que agora prevê realizar reajustes até diários para os combustíveis, em uma tentativa de retomar participação no mercado.

Contando com o anúncio desta sexta-feira, somente neste mês a Petrobras já alterou os preços do diesel e da gasolina quatro vezes. (Reuters 07/07/2017)

 

Blairo Maggi apoia tarifa ao etanol importado e diz que decisão cabe à Camex

A decisão sobre taxar importações de etanol cabe à Câmara de Comércio Exterior (Camex), disse nesta sexta-feira o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que reafirmou seu apoio à imposição de tarifas diante de um forte crescimento das compras externas que tem afetado produtores locais.

"Fiz um comunicado à Camex a favor do pleito dos produtores do Nordeste. Fiz porque sou da Agricultura, e meu interesse é pelos agricultores, mas isso não foi bem aceito pelo governo... A Camex tomará a melhor decisão", disse ele a jornalistas, após participar do evento "Diálogo Brasil-Japão", em São Paulo.

Prejudicados pela forte importação no primeiro semestre, os produtores de etanol do Nordeste passaram a defender uma taxa de 20 por cento sobre as compras externas do produto, enquanto a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), principal associação sucroenergética do centro-sul, solicita 17 por cento.

A Camex, um órgão interministerial, deve discutir a questão no fim do mês.

A imposição de uma tarifa sobre as importações de etanol, que vêm quase inteiramente dos Estados Unidos, colocaria o Brasil em uma rota de colisão com a política comercial mais agressiva da administração Donald Trump. Essa questão tem levado o governo brasileiro a adotar cautela, diante da possibilidade de uma retaliação dos EUA.

Indagado sobre as discussões no governo sobre taxar importação de gasolina, o ministro afirmou desconhecer o tema.

Maggi também disse que esteve na quinta-feira com o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), para discutir a mudança de local da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Segundo ele, foram assinados dois termos de compromissos, um sobre os trâmites para escolha de um novo endereço para a companhia, e outro sobre a utilização futura do atual terreno da Ceagesp. (Reuters 07/07/2017)

 

Açúcar: O futuro bate à porta - Por Arnaldo Luiz Correa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana cotado a 14.15 centavos de dólar por libra-peso, 47 pontos de alta na semana.

Pode levar ainda algum tempo para o mercado de açúcar se acostumar com a nova política de formação de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras, na gestão de Pedro Parente. Se a nova abordagem da estatal brasileira do petróleo der sinais de que veio para ficar, trará enormes benefícios ao setor no médio e longo prazos. Há muitos anos, nesse espaço, quando levantávamos o assunto de que o preço da gasolina no Brasil deveria seguir o mercado internacional pois só assim haveria espaço para a expansão do setor de maneira sustentável, um executivo do setor à época, alertava: "esqueça, isso nunca vai acontecer". Não ocorreu mesmo. E ainda foi pior.

Nos desastrosos anos protagonizados pelos governos do PT, tanto Lula quanto seu poste de estimação deram uma banana para o setor sucroalcooleiro após a descoberta do pré-sal. Subsidiaram o preço da gasolina ao consumidor seguindo à risca o marketing político populista, congelando-o e pisando no pescoço da indústria que dividiu a conta com o contribuinte brasileiro (via destruição e roubalheira na Petrobras). Em uma década o setor perdeu dinheiro, competitividade, encolheu e aumentou o endividamento das usinas na proporção inversa da queda da CIDE administrada por Dilma, que nutria pelo setor a mesma simpatia que nós sentimos pelos bichos peçonhentos.

A quadrilha petista que acampou no planalto por treze anos é responsável entre outras mazelas, pelo encolhimento da participação do etanol na matriz energética que chegou a ser de 54.5% (hoje está em 44.5%) e numa perda de receita apenas no governo paquidérmico de Dilma, de mais de R$ 100 bilhões. Por isso, quando vemos um executivo competente e conhecedor do livre mercado como Pedro Parente, não há como não ficar contente (a rima não foi intencional).

O primeiro benefício dessa nova abordagem da Petrobras é a transparência. O setor viveu por muitos anos produzindo um produto (etanol) cujo preço de venda não guardava nenhuma relação com o açúcar nem tampouco com o petróleo. Mais da metade de toda a cana moída no país dependia de um produto (gasolina) cujo preço era administrado pelo governo. Sem possibilidade alguma de proteger custo ou margem, para o produtor cana era uma loteria. Menos de 1/3 do total da cana moída no país, aquela que se destinava à produção de açúcar para exportação, podia efetivamente ter seu preço protegido por meio de hedge no mercado futuro de NY. Difícil administrar uma commodity dessa natureza. Veja o caso do complexo soja, no caminho inverso ao percorrido pela cana: tanto o grão quanto o farelo e o óleo são amplamente negociados na bolsa de Chicago. Eventuais desequilíbrios na oferta e demanda de qualquer um dos produtos são imediatamente refletidos em toda a cadeia, abrindo oportunidades de hedge e arbitragem para os produtores e processador mais engajados com a gestão de risco.

O segundo benefício é a possibilidade de, finalmente, açúcar e etanol serem vasos comunicantes, propiciando oportunidades de arbitragem e hedge num futuro não muito distante. Tão logo essa política moderna de formação de preço se enraíze e ganhe credibilidade dos participantes do mercado, as usinas poderão hedgear o preço do etanol hidratado via cross-hedging, utilizando a curva de preços nos mercados futuros do RBOB ou do petróleo combinados com NDF, diminuindo volatilidade e abrindo espaço até mesmo para o hedge do mix. Não faltarão produtos derivativos referenciados nas bolsas e oferecidos em reais. O contrato de etanol na B3 (ex-BM&FBovespa) tem aí uma enorme oportunidade de finalmente virar referência.

Pode ser que essa pequena mudança ainda não tenha sido totalmente digerida pelo mercado. Pode até ser que alguns mais desconfiados entendam como nociva, mas ouso acreditar que pode estar um curso uma mudança significativa de como vamos gerir o negócio cana nos próximos anos.

Podemos estar diante de uma importante transformação e rara oportunidade para fazer com que a cana seja uma commodity na acepção da palavras, da mesma forma como o complexo soja se tornou. Cabe às usinas, no entanto, a tarefa inadiável de se modernizarem, olharem de maneira profissional à gestão de risco. Não há mais espaço para especulações travestidas de hedge, nem achar que existem vantagens sem a contrapartida. Nem acreditar que existe almoço de graça. Quem não investir em conhecimento vai comer poeira. O futuro bateu à sua porta.

Para esfriar um poucos os ânimos, Andy Hall, um dos maiores traders de petróleo do mundo, conhecido por ter ganho muito dinheiro no mercado e por ter previsto corretamente a trajetória de preços da commodity, disse estar descrente de uma possível recuperação dos preços (Arnaldo Luiz Correa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Caminhões bitrens transportam cana sem lona de proteção em rodovias de Araçatuba (SP)

Lei que proíbe o transporte a granel sem proteção é do Conselho Nacional de Trânsito e vale para estradas municipais, estaduais e federais.

Há um mês começou a valer em todo o país uma lei que obriga o uso de lonas nos caminhões que transportam cana-de-açúcar e outros produtos. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito, a intenção é impedir que a carga caia na pista e assim garantir a segurança dos motoristas, mas em Araçatuba (SP) nem todos respeitam a determinação.

A TV TEM percorreu rodovias no noroeste paulista e fez flagrantes de irregularidades. Em um deles, o motorista de um caminhão que acaba de ser carregado com cana-de-açúcar sai da plantação e entra na estrada com a carga totalmente descoberta, mas é possível ver a lona enrolada na lateral do caminhão.

Nas estradas vicinais próximas de usinas são vários os caminhões que passam carregados de cana e sem a lona em cima da carga. Em alguns casos, a cana até ultrapassa o limite da carroceria.

A lei que proíbe o transporte a granel sem proteção é do Conselho Nacional de Trânsito e vale para estradas municipais, estaduais e federais. A medida é para evitar que a carga caia na pista e provoque sujeira e poluição ambiental, além de garantir a segurança para quem vem atrás.

A lei é de maio de 2013, mas ficou praticamente quatro anos suspensa porque empresas do setor sucroalcooleiro conseguiram prorrogar o prazo alegando falta de tempo para se adaptarem às normas, mas desde o início de junho o motorista que for flagrado dirigindo o caminhão carregado e descoberto pelas rodovias será penalizado.

A multa é considerada grave e o dono do caminhão leva cinco pontos na carteira. Caso a carga derrame na pista, a infração passa a ser gravíssima e o motorista recebe sete pontos na habilitação.

“Estamos fiscalizando de dia, de noite, de madrugada. Não podemos parar e fazemos em locais distintos para contribuir com a segurança viária”, afirma o tenente da Polícia Rodoviária Estadual Gercimar Santos.

O caminhoneiro Edvaldo Pamplona foi parado na fiscalização da polícia. Neste caso estava tudo em ordem e ele reconhece o risco que é transportar a carga sem lona. “A cana pode cair e provocar um acidente e com a lona é mais seguro”, afirma.

A Udop, que representa vários produtores na região noroeste paulista, disse que orienta os associados a cumprirem a lei e incentiva a promoção de curso de capacitação para os motoristas para aplicação das lonas. (G1 10/07/2017)