Setor sucroenergético

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Lobby inflamável dos usineiros

Executivos e lobistas de grupos sucroalcooleiros têm cercado a ANP por todos os lados.

São insistentes contatos com a diretoria, seguidos telefonemas a funcionários e pedidos a políticos aliados, tudo na tentativa de prorrogar o prazo para a entrega de uma batelada de documentos (licenças ambientais, alvarás, liberação do Corpo de Bombeiros etc) necessários para a renovação das autorizações das usinas de etanol.

A data limite é 31 de agosto.

Parece uma questão prosaica, no entanto, a pouco mais de um mês do ‘dead line’, cerca de 200 usinas ainda não teriam conseguido enviar as informações.

Entre elas, figuram grandes empresas, como São Martinho, Cofco e Biosev.

A rigor, a partir de 1 de setembro a ANP pode suspender as operações de todas as usinas que não cumprirem a resolução.

Procurada, a agência nega o lobby das empresas e afirma que não vai estender o prazo.

A Biosev diz que está empregando os "melhores esforços para cumprir com o prazo”. (Jornal Relatório Reservado 14/07/2017)

 

Shell e Cosan negociam permuta de ações da Comgás

A Shell e o grupo Cosan já iniciaram conversações para fechar, em breve, um acordo de permuta das ações que a petroleira anglo-holandesa detém na distribuidora de gás natural Comgás por uma fatia do capital da companhia controlada por Rubens Ometto Silveira Mello, apurou o Valor com fontes que acompanham as tratativas.

O direito da Shell de converter essas ações foi acertado com a Cosan já em 2012, no momento da venda do controle da Comgás ao grupo brasileiro. E deveria ocorrer até o fim do quinto ano, a contar da data do negócio. O acordo prevê essa permuta caso os 17,12% de capital social remanescente não fosse adquirido por outro investidor ou se a Shell decidisse sair do ativo.

As bases da negociação não levarão em conta os valores de mercado da Comgás, ressaltou uma fonte. Haverá um mecanismo de ajuste no preço, o que tornará o valor da transação inferior ao R$ 1 bilhão estimado hoje para os papéis em poder da petroleira.

Segundo apurou o Valor, a Cosan vai receber da Shell, conforme acerto entre as partes, montante que pode superar R$ 200 milhões. Essa conta de ajuste inclui dividendos pagos pela distribuidora de gás, que serão reembolsados à vista pela petroleira.

Na sexta-feira, o valor de mercado da Comgás na B3 era de R$ 5,698 bilhões, com a ação cotada a R$ 47,13. Já o valor de Cosan, no fechamento, chegou R$ 14,48 bilhões, com a ação a R$ 35,50.

Em nota a clientes, a equipe de análise do BTG Pactual afirmou que a Shell tem até setembro para se desfazer de sua fatia na distribuidora de gás, recebendo em troca 30.917.231 ações da Cosan. Ao preço do papel no fechamento de sexta-feira, a participação da Shell na Cosan valeria R$ 1,097 bilhão e seria equivalente a 7,35% do capital do grupo de Ometto.

Já as 21.805.645 ações ON que a Shell tem na Comgás são avaliadas em R$ 1,027 bilhão - R$ 70 milhões inferior ao da fatia que vai receber de papéis da Cosan.

O grupo Cosan controla a Comgás com participação de 62,66%. A aquisição ocorreu em maio de 2012, por R$ 3,4 bilhões.

Shell e Cosan também são sócias na Raízen, cuja criação foi anunciada no início de 2011, gerando a Raízen Combustíveis, de distribuição de combustíveis, e a Raízen Energia, empresa de açúcar, etanol e cogeração. Os dois grupos detêm participações iguais de 50%.

No ano passado, a Comgás teve resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) normalizado (que inclui variações da conta corrente regulatória e, portanto, reflete de forma mais adequada o desempenho da companhia), de R$ 1,5 bilhão, alta de 6,3%. O lucro líquido ficou em R$ 555 milhões, declínio de 10,4%, enquanto a receita líquida teve recuo de 14,2%, a R$ 5,6 bilhões.

Para 2017, a Cosan projeta Ebitda normalizado de R$ 1,55 bilhão a R$ 1,65 bilhão para a Comgás.

Procurada, a Cosan informou que não vai se manifestar sobre a negociação em curso com Shell. (Valor Econômico 17/07/2017)

 

Indústria de cana precisa investir mais de US$ 15 bi até 2023, estima consultoria

Archer Consulting calcula que são necessárias pelo menos 24 usinas para atender a demanda das próximas cinco safras.

A indústria de açúcar e etanol precisará investir um montante superior a US$ 15 bilhões para atender à demanda das próximas cinco safras. A estimativa foi feita por Arnaldo Corrêa, diretor da Archer Consulting, em um relatório sobre as projeções até a safra 2022/2023.

Nas contas dele, o montante serviria para a construção de 24 usinas que processem, cada uma, pelo menos 5 milhões de toneladas de cana. É a capacidade necessária para o Brasil se “ajustar à realidade” do suprimento de cana-de-açúcar nos próximos anos. “As peças não se encaixam lá adiante”, diz ele, no relatório.

Ele prevê aumento progressivo da demanda por açúcar e etanol nos próximos anos (veja tabela abaixo). No caso do açúcar, o volume deve ser de 38,92 milhões de toneladas já na safra 2018/2019, considerando os mercados domésticos e externos. Ele calcula que no ciclo 2022/2023 esse volume pode chegar a 42,39 milhões de toneladas.

No etanol, a demanda pelo anidro deve passar de 12,25 bilhões para 13,13 bilhões de litros entre os ciclos 2018/2019 e 2022/2023. No mesmo período, a procura pelo hidratado deve passar de 14,53 bilhões para 176,7 bilhões de litros. As exportações também devem aumentar, de 719 milhões de litros na safra 2018/2019 para 762 milhões no ciclo 2022/2023.

Para atender a demanda, a produção brasileira de cana-de-açúcar precisará aumentar em 127,4 milhões nos próximos cinco anos, segundo o consultor. Até 2022/2023, o volume de cana necessário para dar suporte ao mercado é calculado em 726 milhões de toneladas.

Daí a necessidade de ampliar a estrutura de processamento no país. Corrêa faz a ressalva, no entanto, de que um aporte de recursos desse nível depende de o governo brasileiro garantir segurança aos investidores.

“A alternativa depende de investimentos acima de US$ 15 bilhões, que por sua vez dependem de segurança de que as regras do jogo não serão quebradas (refiro-me aqui à política de formação de preços da gasolina introduzida pela Petrobras, na administração do Pedro Parente)”, diz ele.

Outra opção, segundo Corrêa, seria diminuir a mistura de etanol anidro na gasolina, mas “não resolve a equação”. É possível também aumentar a importação de gasolina ou de etanol de milho, já em níveis elevados neste ano. Mas essas opções esbarram em limitações de logística no Brasil. (Globo Rural 14/07/2017)

 

Cautela volta a guiar planos de usinas para novos investimentos

A forte queda do açúcar e do etanol desde o início desta safra 2017/18 voltou a desanimar as usinas do Centro-Sul do país. E, depois de aproveitarem os preços bem mais atraentes do ciclo passada para realizar alguns investimentos na área industrial, mesmo as maiores companhias do segmento já sinalizaram que a cautela voltará a dar o tom.

Assim, a perspectiva é que os aportes de 2017/18 voltem a se concentrar na área agrícola, divididos entre renovação de canaviais, tratos culturais e ampliação de áreas. Em 2016/17, as usinas que tinham algum fôlego financeiro buscaram investir na otimização da produção de açúcar, aproveitando o prêmio elevado da commodity ante o etanol.

Maior companhia da área, a Raízen Energia previa, no início da safra, realizar investimentos em bens de capital (capex) entre R$ 2,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões nesta temporada. No cenário mais pessimista, o montante será praticamente estável em relação ao do ciclo passado, e a mais otimista representará um crescimento de 14%. Mas mesmo nesse caso o aumento será menor que o da safra passada (18%).

Ambos os horizontes já consideram aportes em quatro projetos de expansão da cristalização de açúcar, que foram iniciados no ciclo 2016/17 e terminaram recentemente, afirmou ao Valor João Alberto Abreu, vice-presidente de açúcar, etanol e bioenergia da Raízen.

As projeções também levam em consideração a inflação, afirmou Paula Kowarksy, diretora de relações com investidores da Cosan, em teleconferência sobre os resultados da safra passada. E foi considerados, ainda, um investimento de R$ 50 milhões na produção de geração de energia de biogás, que começa a entregar energia a partir de 2021, além da aquisição de cana de terceiros e projetos de uso de vinhaça e de segurança e ambiente.

Com a recente aquisição de duas usinas da Tonon, a Raízen deverá revisar sua meta de investimentos, mas a expectativa é que a empresa foque seus aportes nos canaviais dessas unidades, que estão mais velhos que a média de suas lavouras.

A Biosev, controlada pela Luis Dreyfus Company, prevê investir R$ 1,355 bilhão nesta safra, com "margem de erro" de R$ 90 milhões para cima ou para baixo. A previsão mais pessimista representa uma queda de 8% em relação à temporada passada, mas a mais otimista significa aumento de 5%. Essa margem considera o impacto de oscilações cambiais nos custos com insumos, o impacto de variação do tempo de entressafra nos gastos de manutenção e ajustes nos dispêndios com plantio.

A situação é muito diferente da safra passada, quando a companhia expandiu seu capex em 19%. Mas, mesmo em 2016/17, o aporte em expansão industrial consumiu relativamente poucos recursos, cerca de R$ 18 milhões.

A meta para esta safra pode inclusive ser revisada, afirmou Rui Chammas, presidente da Biosev, em teleconferência de resultados, já que a prioridade da companhia é maximizar a geração de caixa. "Quando os preços estão muito baixos, a companhia tende a conter alguns plantios", comentou.

Terceira maior processadora de cana em 2016/17, a Odebrecht Agroindustrial foi a única das grandes de capital aberto que sinalizou uma aceleração de investimentos. A companhia prevê aportes de R$ 640 milhões neste ciclo, uma alta de 43% sobre o passado.

O montante é maior que o investido em 2015/16, quando a empresa ainda estava expandindo a Usina Eldorado, em Rio Brilhante (MS). Porém, o foco dos aportes agora será nos canaviais, disse Alexandre Perazzo, vice-presidente de finanças da empresa, ao Valor.

A Odebrecht Agroindustrial está plantando 16 mil hectares novos com cana e renovando outros 62 mil hectares. Isso para reduzir a idade média das plantações dos atuais 3,2 anos para três anos. Além disso, a empresa "terá um investimento expressivo em equipamentos e máquinas agrícolas, de R$ 72 milhões", de acordo com Celso Ferreira, vice-presidente de operações e engenharia.

Já a Tereos Açúcar e Energia Brasil planeja elevar seus investimentos em 1% nesta safra, para R$ 686 milhões, após sair de uma safra cujo aumento foi de expressivos 40%. Os aportes nas lavouras próprias somarão R$ 200 milhões, mas também estão previstos investimentos industriais - como na planta de cogeração na Usina Cruz Alta, em Olímpia (SP), para melhoria da eficiência energética e na reforma da refinaria.

Por sua vez, o grupo São Martinho deverá aumentar seu investimento em manutenção em 3%, para R$ 900 milhões, mas tende a reduzir aportes em expansão e modernização para R$ 70 milhões, ante R$ 107,8 milhões na última safra, como sinalizou em teleconferência de resultados Filipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores.

Mesmo dentro dessa linha de investimentos estão previstos aportes em um centro de operações agrícolas, de monitoramento dos trabalhos em campo, e "projetos pequenos" de eficiência, segundo Vicchiato. Na safra passada, a São Martinho acelerou seus investimentos principalmente para elevar a capacidade da Usina Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP). (Valor Econômico 17/07/2017)

 

Etanol hidratado sobe 0,34% e anidro recua 0,16% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,34% nesta semana, de R$ 1,2686 para R$ 1,2730 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro caiu 0,16%, de R$ 1,4203 o litro, em média, para R$ 1,4180, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 17/07/2017)

 

Montadoras globais pedem que China flexibilize metas para carros elétricos

Montadoras globais pediram para que a China atrase e suavize as cotas planejadas para vendas de carros elétricos e híbridos, dizendo que será impossível cumprir com suas metas, as quais perturbariam severamente seus negócios, de acordo com uma carta vista pela Reuters.

A carta, escrita em 18 de junho e endereçada ao chefe do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, é o esforço mais coeso até o momento do setor contra as ambiciosas metas para os chamados veículos movidos a energia nova, no maior mercado automobilísticos do mundo.

Ávida para combater a emissão de poluentes, a China está planejando uma série de metas para carros elétricos e híbridos, para que correspondam a pelo menos vinte por cento das vendas de automóveis na China até 2025, com um sistema escalonado de cotas a ser iniciado em 2018.

As novas e rígidas regras, junto com as duras penalidades planejadas para caso de descumprimento, como o cancelamento da licença para vender carros não elétricos na China, podem causar muitos problemas para algumas montadoras no mercado.

"A ambiciosa data de cumprimento com as regras propostas é impossível de atingir", disse a carta de órgão do setor automotivo dos Estados Unidos, Europa, Japão e Coreia. "No mínimo, a obrigação precisa ser atrasada por um ano e incluir flexibilidades adicionais".

O ministério não quis comentar.

As metas ditam que as empresas vendam veículos elétricos ou híbridos para gerar "créditos" equivalentes a 8 (oito) por cento das vendas totais em 2018, 10 por cento em 2019 e 12 por cento em 2020. (Reuters 14/07/2017)

 

Movimento Sem Terra segue acampado em frente à Usina Laginha, de João Lyra

Após a ocupação do pátio da Usina Laginha, desde o último dia 11, em União dos Palmares, Zona da Mata Alagoana, cerca de mil trabalhadores e trabalhadoras rurais Sem Terra que participavam da ação decretaram estado permanente de mobilização em defesa da Reforma Agrária em Alagoas. As ações dos Sem Terra pretendem pressionar para a agilidade no processo de destinação das áreas da massa falida do Grupo João Lyra para fins de Reforma Agrária.

Montando acampamento em frente ao prédio da Usina Laginha, os Sem Terra denunciaram a paralisia no acordo firmado entre o Governo do estado, Tribunal de Justiça, representantes da massa falida e os movimentos sociais em torno das áreas das Usinas Laginha, Uruba e Guaxuma.

De acordo com Josival Oliveira, da coordenação do MLST, desde o processo das ocupações dos camponeses nas áreas da massa falida, iniciou-se um intenso processo de negociação, que hoje, por conta da nova administração das áreas do Grupo João Lyra, não caminha para sua solução.

“Entre os acordos firmados nas negociações das terras, tínhamos, em relação à Usina Uruba, sua desocupação, tendo o compromisso de desapropriação de 1.500 hectares das terras da Usina Guaxuma para o assentamento das famílias Sem Terra, além das terras da Laginha, que também seria parte destinada à Reforma Agrária”, explicou Josival.

“Em todos os passos dos acordos, sempre mediados entre o governo, o Tribunal de Justiça, a administração da massa falida e os movimentos de luta pela terra, nós estivemos cumprindo cada um dos acertos. Acontece que recentemente houve uma mudança de pessoas que fazem parte da administração jurídica do processo da massa falida do João Lyra e essas pessoas agora estão ignorando toda uma longa negociação que foi construída anteriormente, dificultando assim o diálogo e o avanço do processo. A nova administração está irredutível e oposta à negociação”.

João Lyra, ex-deputado federal (PSD), teve a falência de suas usinas decretada há sete anos, devendo cerca de R$ 2,1 bilhões a credores, governo federal e estadual e a ex-funcionários. O empresário, que já foi considerado um dos deputados federais mais ricos do país, comandava um conjunto de cinco usinas de cana-de-açúcar em Alagoas e Minas Gerais. Atualmente, João Lyra conta com 276 ações judiciais, a maior parte como ação trabalhista.

“Sem nenhuma sinalização para a solução do processo, iniciamos essa semana mobilizações permanentes em defesa da Reforma Agrária, exigindo que essas terras sejam destinadas para as famílias que hoje vivem acampadas na região e que já demonstram com sua organização e produção o que queremos para o campo alagoano, longe da miséria e da escravidão construída pelo João Lyra e suas Usinas”, disse Oliveira.

Além da ocupação do pátio da Usina, os Sem Terra bloquearam trecho da BR 104, em União dos Palmares, durante toda a manhã de quarta-feira (12).

Para Débora Nunes, da coordenação do MST, esse é o início de intensas mobilizações dos Sem Terra com o objetivo de pressionar o governo para operar agilidade nas negociações e de diálogo com a sociedade, na defesa da Reforma Agrária e em denúncia ao que João Lyra e suas Usinas representaram para Alagoas.

“Esses dias serão de constante demonstração da nossa disposição de permanecer em luta para a conquista do que queremos. Nossa luta é para que milhares de trabalhadores e trabalhadoras que viveram explorados nessa região, tenham liberdade com a conquista da terra para viver com sua família de forma digna”, reforçou Débora.

Além do MST, o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento de Luta pela Terra (MLT), o Movimento Via do Trabalho (MVT), Movimento Unidos pela Terra (MUPT), Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MTL) e Terra Livre formam a unidade dos movimentos de luta pela terra em mobilização permanente na disputa pelas áreas do Grupo João Lyra. (Alagoas 24 horas 14/07/2017)

 

Petrobras acelera venda de ativos para enfrentar barril barato

A Petrobras está intensificando as vendas de ativos, mesmo em um momento em que os preços do petróleo persistentemente baixos e a política interna conturbada tornam seu vasto número de campos de petróleo, refinarias e unidades de distribuição menos atraentes.
Por que vender em um mercado de compradores? Porque a petroleira estatal não pode simplesmente aguardar a melhora do ciclo do petróleo. A empresa ainda detém a maior dívida entre todas as petroleiras de capital aberto, mesmo após anos de desinvestimentos e cortes de custos, e não consegue quitá-la simplesmente com produção e comercialização de petróleo.

Nas últimas duas semanas a Petrobras anunciou a venda de um campo de petróleo offshore no Brasil e de seus postos de combustíveis no Paraguai e a oferta pública inicial da unidade BR Distribuidora, a maior distribuidora de combustíveis da América Latina. Além disso, assinou um memorando com a China National Petroleum Corporation, ou CNPC, para uma união para possíveis investimentos no setor. Suas ações e títulos tiveram desempenhos superiores aos de seus pares até esta altura do mês.

A Petrobras, antes uma das corporações mais admiradas do Brasil por seu conhecimento técnico em águas profundas e alcance internacional, está trabalhando para reconstruir a confiança dos investidores após desembarcar no epicentro do maior escândalo de corrupção do Brasil, que levou a bilhões de dólares em baixas contábeis e a uma ação judicial coletiva nos EUA. O sucesso inicial do presidente Pedro Parente com os desinvestimentos, no ano passado, ajudou a reduzir os custos dos empréstimos e a estimular um rali das ações da companhia.

O trabalho dele não terminou. A Petrobras tem US$ 18 bilhões em obrigações com vencimento em 2018, mesmo depois de estender os vencimentos, no início do ano, em uma troca de dívidas. A Petrobras tem uma meta muito ousada e ambiciosa de venda de ativos, em 2017 e 2018, que somam US$ 21 bilhões, disse Luiz Caetano, analista da Planner Corretora.

“O momento do mercado internacional de petróleo não é de grande desejo para comprar ativos”, disse Caetano, por telefone, de São Paulo. “Como eles têm esse objetivo grande, não há tempo para pensar se é um bom momento ou não.”

Será difícil vender os campos de petróleo porque o óleo bruto vale menos da metade do pico de 2014 e por causa dos efeitos da turbulência política no Brasil, disse Chris Kettenmann, estrategista-chefe de energia da Macro Risk Advisors. Ele está mais otimista em relação às perspectivas para a BR Distribuidora, que tem uma rede de cerca de 8.000 postos de gasolina no Brasil.

A Petrobras afirmou em um e-mail de resposta a perguntas que manterá sua meta de desinvestimentos, mas preferiu não detalhar o tamanho da participação que pretende vender na BR Distribuidora por meio da oferta de ações.

A distribuidora pode ser uma fonte importante de recursos para reduzir dívidas e é um negócio atraente devido ao potencial de crescimento das vendas no Brasil, afirmou o Bank of America em relatório de pesquisa de 12 de julho. Uma nova gestão também poderia simplificar custos e melhorar sua marca, segundo o relatório.

“Esse é o maior pacote de ativos que eles levaram ao mercado”, disse Kettenmann. (Bloomberg 14/07/2017)