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Brasil corre risco de crescimento do hantavírus por conta da cana e clima

O risco de ser infectado por um possível hantavírus fatal transmitido por roedores pode saltar no Estado de São Paulo, à medida que mudanças climáticas aumentam as temperaturas e fazendeiros plantam mais cana-de-açúcar, disseram cientistas.

Educação sanitária e controles de pestes mais efetivos poderiam ajudar a reduzir o risco da doença na área, além de restauração de florestas e melhor uso da terra, escreveram pesquisadores brasileiros e norte-americanos na publicação PLoS Neglected Tropical Diseases.

“Estudos a respeito desta doença olham para o aspecto do vírus e não para o panorama e aspecto climático, que é muito importante, conforme definem as espécies que transmitem a doença e como as pessoas são infectadas”, disse uma das autoras do estudo, Paula Ribeiro Prist, da Universidade de São Paulo, à Thomson Reuters Foundation.

O vírus, que pode ser inalado ou contraído através de contato com fezes ou urina de roedores, causa Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (HCPS), que é fatal em mais da metade dos casos.

Não há vacina disponível para a HCPS e embora a probabilidade de contrair seja rara, qualquer possível aumento em casos é significativo por conta da mortalidade da doença, segundo o relatório.

Temperaturas mais quentes relacionadas às mudanças climáticas e mais terras destinadas à cana, nutritivas para roedores, podem impulsionar o número de roedores e aumentar o tempo que o vírus está ativo no ambiente, disseram cientistas.

Somente o aumento de produção de cana pode expor 20 por cento a mais de pessoas ao risco da doença no Estado mais rico do Brasil, e isto pode aumentar para até 34 por cento até 2050, uma vez que os picos de temperatura são acrescentados, segundo o relatório

Mais de 70 por cento dos infectados pela HCPS no Estado de São Paulo moravam ou trabalhavam em áreas agrícolas, e mais de 90 por cento eram homens, segundo o relatório.

A combinação de maior cobertura florestal com plantações de cana-de-açúcar no Brasil pode ajudar a promover diversificação de espécies, diminuir populações de roedores e reduzir o risco da doença, de acordo com os cientistas.

Programas sanitários melhores são necessários para explicar aos trabalhadores da cana e pessoas em áreas rurais como evitar contrair o vírus, enquanto diminuição das populações de roedores também pode ajudar a melhorar o rendimento de cana.

De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, 690 casos da doença foram relatados nos EUA até janeiro de 2016, com diversos casos em países latino-americanos, incluindo Argentina, Venezuela e Panamá. (Reuters 20/07/2017)

 

Açúcar: Estabilidade em NY

Após uma semana de alta diante do tempo frio no Centro-Sul do Brasil e do registro de geada em canaviais do Mato Grosso do Sul, os contratos futuros do açúcar demerara encerraram o pregão de sexta-feira estáveis em Nova York.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 15,15 centavos de dólar a libra-peso, mesmo valor de quinta-feira. A alta acumulada na semana foi de 12 pontos.

Apesar da ampla oferta mundial na atual temporada, o aumento de impostos sobre os combustíveis no Brasil dá força às cotações.

A medida tende a elevar a demanda pelo biocombustível, reduzindo o interesse das usinas em produzir açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 59,31 a saca de 50 quilos, queda de 0,32%. (Valor Econômico 24/07/2017)

 

Etanol hidratado sobe 2,28% e o anidro recua 0,37% nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 2,28% nesta semana, de R$ 1,2730 para R$ 1,3020 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). 

Já o valor do anidro caiu 0,37%, de R$ 1,4180 o litro, em média, para R$ 1,4127, segundo o Cepea/Esalq. (Cepea / ESALQ 24/07/2017)

 

Família Maggi leva 70% do subsídio ao milho em programa do governo

A Amaggi, empresa da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, mostrou um apetite sem precedentes neste ano em leilões de Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) para subvencionar o transporte de milho, adquirindo aproximadamente 70 por cento do subsídio leiloado, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vistos pela Reuters.

A empresa, uma das maiores do agronegócio da América Latina, arrematou prêmios para apoiar o transporte de cerca de 730 mil toneladas de milho até dia 13 de julho, de um total de pouco mais de 1 milhão de toneladas negociadas em leilões desde 4 de maio, quando o governo federal iniciou o programa para dar suporte aos preços do cereal, pressionados pela safra recorde no Brasil.

Os leilões de PEP, que o governo lançou para o milho neste ano pela primeira vez desde 2010, são uma forma de viabilizar negócios de produtos agrícolas a valores que cubram pelo menos os custos de produção dos agricultores em momento de colheita abundante. Isso porque, para receber o prêmio, os comerciantes têm que pagar preços mínimos.

Os subsídios são conquistados em leilões e não há evidência de que Maggi tenha agido para favorecer sua empresa. Entretanto, os resultados ressaltam uma situação incomum no Brasil, em que o principal funcionário do Ministério da Agricultura tem ligações com uma importante companhia do agronegócio.

Praticamente todos os leilões deste ano foram voltados para o milho de Mato Grosso, o maior produtor brasileiro do cereal, onde a Amaggi tem atuação mais forte e onde os preços também sofreram mais o efeito de uma colheita recorde. Isso exigiu o programa do governo, que por lei precisa garantir uma remuneração mínima aos agricultores.

Todas as operações de PEP, quase que semanais, movimentaram desde maio até meados de julho cerca de 51 milhões de reais, de acordo com dados da Conab.

O montante movimentado nos leilões é relativamente pequeno perto do faturamento da Amaggi, que somou 3,44 bilhões de dólares em 2016, mas os valores arrematados em leilão reverso (ganha o prêmio o participante que aceita receber menos) podem dar uma boa ajuda para o comerciante escoar a produção e exportar o produto.

No leilão que mais atraiu interesse da Amaggi, em 8 de junho, no qual a companhia arrematou prêmios para 226 mil toneladas, a subvenção atingiu até 56 reais por tonelada, o que seria equivalente a aproximadamente 20 por cento do valor de fretes do milho de importantes regiões produtoras de Mato Grosso até os portos do Sul/Sudeste.

O volume de milho a ser negociado pela Amaggi com o apoio dos leilões realizados até 13 de julho representa quase metade do total do grão originado pela empresa em 2016 (1,5 milhão de toneladas).

Sem Favorecimento

A Amaggi destacou, ao ser questionada sobre o assunto, que o PEP é estabelecido por portaria interministerial (Ministérios da Fazenda, Planejamento e Agricultura), e não apenas pela pasta dirigida por Maggi, que estabelece condições uniformes e isonômicas no programa.

Questionada sobre a elevada taxa de prêmios arrematados no leilão, a Amaggi não detalhou sua estratégia, mas apontou o fato de ter "relacionamento histórico com uma rede extensa de produtores" como fator de sucesso.

"Cada empresa tem a sua própria estratégia comercial e, no caso em questão, comercialmente fez sentido naquele momento para a Amaggi participar do leilão", afirmou a companhia em nota à Reuters, acrescentando que pretendia participar de novos leilões.

Completando 40 anos em 2017, a Amaggi ainda tem uma estrutura muito eficiente para transportar a produção, o que é apontado por alguns integrantes do mercado como o fator de sucesso nos leilões.

A empresa leva a produção pelo chamado Corredor Noroeste de Exportação, que escoa grãos das regiões noroeste do Mato Grosso e sul de Rondônia por carretas até Porto Velho (RO), onde possui um porto de transbordo. A partir daí, os carregamentos seguem em comboios formados por barcaças pelo Rio Madeira até o porto graneleiro de Itacoatiara (AM), às margens do Rio Amazonas, de onde são exportados em navios para a Europa e a Ásia.

Neste ano, diferentemente de 2010, a última temporada em que o governo realizou leilões de PEP, apenas a Amaggi entre as grandes companhias globais do agronegócio esteve agressiva nos leilões de PEP.

Em 2017, houve participações bastante isoladas de tradings internacionais como ADM e Cargill, enquanto em 2010 as grandes como Bunge, Louis Dreyfus e a própria ADM tiveram participação bem mais expressiva. Há sete anos, a Amaggi arrematou cerca de 4 por cento.

Procuradas, ADM, Bunge, Cargill, Dreyfus afirmaram que não comentariam o assunto.

Refutando veementemente qualquer possibilidade de ter recebido qualquer informação prévia sobre os leilões que garantisse um desempenho melhor do que outras empresas, a Amaggi afirmou ainda que o ministro é um dos acionistas da André Maggi Participações S.A. (empresa controladora da Amaggi), porém sem qualquer poder de controle e sem gestão ou qualquer outra função nas empresas do grupo.

"Desde que iniciou sua trajetória política, ele se desligou da gestão da Amaggi, dedicando-se inteiramente às suas funções públicas", disse em nota a assessoria de imprensa da empresa, ressaltando que possui uma gestão profissionalizada e independente. Ou seja, membros da família Maggi não ocupam cargos de diretoria, e o Conselho de Administração também é presidido por uma pessoa que não é integrante da família Maggi.

Já o Ministério da Agricultura reiterou que em nenhum momento Maggi participou da decisão de contemplar apenas o Mato Grosso inicialmente, apenas posteriormente passaram a ter acesso ao leilão Goiás e Mato Grosso do Sul.

Segundo nota do ministério, a decisão de contemplar determinado Estado ou região do Estado é baseada na lei e ocorre quando os preços de mercado estão abaixo do preço mínimo.

"Portanto, uma decisão baseada em critérios puramente técnicos. É importante destacar também que essas operações são objetos de auditoria da CGU e TCU."

O ministério afirmou que "não existe beneficiamento", pois o arrematante do prêmio é aquele que aceita o menor valor de subvenção, em processo "transparente, livre e plenamente concorrencial".

O Mecanismo

Para receber a subvenção do PEP para o transporte, o comerciante, no caso, a Amaggi, precisa comprovar o pagamento do preço mínimo do milho ao produtor, ajudando a sustentar o mercado em momento de preços baixos.

Os leilões de PEP, contudo, normalmente são bastante utilizados para viabilizar negócios de exportação, uma vez que os comerciantes recebem o prêmio arrematado apenas se comprovarem a retirada do cereal das áreas produtoras e se pagarem o preço mínimo.

Diante de uma safra recorde brasileira estimada em 96 milhões de toneladas, as vendas externas ajudam a reduzir o excedente do país, que é um dos principais exportadores globais. Em momento de grande oferta global do produto, tal programa de subsídio pode vir a ser questionado no exterior.

Um outro programa de subvenção ao milho brasileiro é o conhecido como Pepro, no qual são os produtores que disputam o prêmio em leilão.

Esse mecanismo tem gerado mais negócios, em volumes de mais de 3,5 milhões de toneladas até meados de julho, porque a trading não precisa fazer o desembolso do preço mínimo, como no caso do PEP, segundo fontes do mercado consultadas pela Reuters.

No Pepro, o comerciante paga ao produtor um valor que é mais baixo que o valor mínimo. Esse montante é complementado com o prêmio disputado em leilão pelo agricultor para somar o preço mínimo.

Os subsídios para o Pepro tinham movimentado até meados de julho cerca de 177 milhões de reais, e os pagamentos devem ser feitos a um número maior de agentes do que no PEP.

A empresa do ministro da Agricultura participou desse programa com sua unidade agropecuária, ficando com cerca de 3 por cento do total leiloado. A Conab não reporta as tradings que participam do Pepro. (Reuters 23/07/2017)

 

Alterações no PIS/Cofins devem contribuir para aumentar vendas de etanol

A elevação maior para a alíquota de PIS/Cofins sobre a gasolina ante a incidente no etanol acentua uma diferenciação tributária reivindicada pela indústria de cana-de-açúcar e deve contribuir para elevar as vendas do biocombustível, na avaliação de um representante do setor e de um consultor de mercado.

Conforme o presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Junqueira Franco, com os reajustes feitos nesta quinta-feira pelo governo, a diferença entre os PIS/Cofins da gasolina e do etanol passou de 26 centavos para 46 centavos.

Ou seja, o derivado de petróleo tem, agora, a incidência de uma alíquota 20 centavos maior em relação à que tinha antes, o que deve aparecer nos preços na bomba.

"É algo extremamente importante. Embora o governo tenha feito para arrecadar mais, precisamos reconhecer que ele aproveitou o momento e retomou parte do 'delta' entre o combustível renovável e o fóssil", disse Franco, que prevê, a partir de agora, um fortalecimento nas vendas de álcool.

Na mesma linha, o sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento, Julio Maria Borges, destacou que a elevação do PIS/Cofins incidente sobre a gasolina não retira o "benefício" da queda nas cotações do combustível fóssil para o consumidor e ainda pode ser considerada "protetora" para o setor de etanol.

"Para o setor (de etanol) é bem-vindo, é uma medida protetora, em linha com uma política ambiental sadia. Acredito que a competitividade do álcool com a gasolina, que estava sendo dificultada, tem condições de se recuperar, aumentando as vendas de etanol", destacou.

Neste ano, o etanol tem encontrado mais dificuldade de competir com a gasolina, mesmo em pleno pico da safra de cana, porque a nova política de preços da Petrobras tem seguido as cotações internacionais do petróleo, commodity pressionada nos últimos tempos.

O governo elevou a alíquota de PIS/Cofins incidente sobre o litro de gasolina de 38 centavos para 79 centavos por litro. No caso do etanol produtor, passou de 12 centavos para 13 centavos, enquanto no etanol distribuidor, de zero para quase 20 centavos.

"Sob o aspecto macroecômico, é uma saída que o governo tem para resolver o déficit de caixa dele. O benefício que a população tem tido com a queda da gasolina será compensado, reduzido, mas não anulado", afirmou ele.

Tanto Franco quanto Borges concordam que a medida desta quinta-feira ainda é insuficiente para a retomada de investimentos no setor sucroenergético, altamente endividado.

"Ainda faltam preços (remuneradores) para o etanol", disse o sócio-diretor da JOB Economia.

"Os custos no setor ainda estão altos", acrescentou o presidente da Udop.

Procurada, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), principal associação de usinas do país, afirmou que não iria se manifestar sobre o assunto por enquanto.

Já o Sindicom, que representa os distribuidores de combustíveis, afirmou que não comentaria o assunto e o impacto da medida para o preço na bomba. (Reuters 21/07/2017)

 

Para distribuidoras, alta de tributo sobre etanol pode facilitar sonegação

O aumento da cobrança de PIS/Cofins sobre as vendas de etanol, anunciada nesta quinta (20) pelo governo, pode abrir espaço para aumento da sonegação de impostos no setor, dizem distribuidoras de combustíveis.

Elas reclamam da instituição de uma alíquota sobre a distribuição, que será de R$ 0,19 por litro, quase dez anos após mudança na tributação do setor para reduzir a possibilidade de sonegação.

Em 2008, o governo decidiu concentrar a cobrança nas usinas para conter o crescimento de distribuidoras que deixavam de recolher os tributos.

"Foi uma luta de anos de todo o setor", disse Leonardo Gadotti, presidente do Sindicom (Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes), que representa as grandes empresas do ramo.

"Esse dinheiro que o governo espera arrecadar [com o novo PIS/Cofins] sobre o etanol, pode não chegar, já que existe a possibilidade de novo crescimento das distribuidoras que não cumprem a lei", completou.

Empresas sonegadoras tiveram grande participação no mercado de etanol no início da década passada: quando a mudança na tributação foi definida, em janeiro de 2008, o mercado estimava que cerca de 25% das vendas eram feitas sem o recolhimento de PIS/Cofins.

O consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), acrescenta que, além do risco de aumento da sonegação, a alta do imposto sobre o etanol reduz a competitividade do biocombustível em comparação à gasolina.

"O aumento de tributo dobre o etanol representa apenas 10% da arrecadação adicional esperada pelo governo. Não justifica a perda de competitividade do combustível. Parece que foi uma decisão tomada por quem não entende nada do mercado de etanol", comentou.

Ele avalia, porém, que o momento é propício para aumentar os impostos na gasolina, já que os preços estão baixos no mercado internacional e não há perspectivas de alta no curto prazo.

Mas, na sua opinião, a alta deveria ser feita por meio da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), instituída para funcionar como uma espécie de colchão sobre os preços dos combustíveis, com alíquotas maiores quando os preços estão baixos e vice-versa. (Folha de São Paulo 21/07/2017)

 

Governo quer mercado de carbono para estimular biocombustível

O maior produtor mundial de biocombustível de cana-de-açúcar está pronto para finalmente se juntar ao mercado de negociação de títulos de emissões de carbono.

O Brasil está trabalhando em uma nova legislação que abre o mercado de certificados de emissões de carbono, segundo Paulo Pedrosa, secretário executivo do ministério e Minas e Energia. As empresas de energia que produzem os certificados de melhor qualidade e melhores obterão o melhor acesso ao financiamento.

A medida vem em um momento no qual o Brasil, o segundo maior produtor mundial de biodiesel e etanol, atrás dos EUA, tenta atingir seu objetivo de reduzir as emissões como parte do acordo climático de Paris. Ele também atende às demandas dos produtores de biocombustíveis para políticas de longo prazo de apoio à indústria após anos de intervenção pesada do governo no mercado de combustíveis e energia.

O projeto de lei que cria o programa RenovaBio está sendo finalizado e deve ser enviado ao Congresso até o final deste mês.

"Esperamos que o mercado de negociação de títulos de emissão de crédito esteja em plena operação até 2019", disse Pedrosa em uma entrevista de seu escritório em Brasília. "A certificação individual pode estimular a concorrência, aumentar a produção e premiar as empresas que investem na produção de energia limpa".

Importações de etanol

O RenovaBio é tem como um dos seus eixos a avaliação dos biocombustíveis mais ecológicos. Isso pode reduzir as importações de etanol de milho dos EUA, que emite mais CO2 em comparação com o etanol de cana, mas cujo uso vem crescendo, disse Martinho Seiiti Ono, presidente do comércio de etanol SCA Trading em São Paulo.

As importações de combustível de milho mais do que quadruplicaram este ano, reduzindo os preços do etanolem 30% no mercado doméstico, de acordo com dados do grupo industrial Unica. Os comerciantes, os distribuidores e os produtores locais importaram o combustível mais barato na perspectiva de lucros maiores e para atender a requisitos de armazenamento.

O programa apoiará produtores de cana-de-açúcar - desde a Royal Dutch Shell Plc. e a Raízen, da Cosan, até a BP Biocombustíveis, mas também forçam os distribuidores a serem mais agressivos na venda de combustível de cana que emite menos poluentes para cumprir os altos padrões ambientais, disse Leonardo Gadotti, presidente da Sindicom, um grupo que representa distribuidores de combustível no Brasil. A RenovaBio tornará a venda de etanol de milho menos atraente do que o etanol de cana, uma vez que eles teriam de vender mais do primeiro para atingir seus objetivos de reduzir as emissões.

Cerca de 13% das emissões globais de gases de efeito estufa são cobertas por regulamentos de preços de emissões, como o imposto sobre o capital e o carbono, de acordo com um relatório da Bloomberg New Energy Finance. Isso deverá aumentar para quase o dobro nos próximos anos à medida que o preço do carbono se expande em vários países. (Bloomberg 21/07/2017)