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Raízen Combustíveis está entre as maiores devedoras de PIS/Cofins

Enquanto o presidente Michel Temer (PMDB) tenta manter o aumento do PIS e da Cofins sobre os combustíveis para fechar as contas do governo, empresas acumulam uma dívida de R$ 545,4 bilhões referentes aos mesmos tributos.

Entre os 20 maiores devedores estão grandes empresas falidas, como Varig, Vasp e Transbrasil. Mas também há companhias em atividade, como Walmart, Ambev S.A. (controladora de marcas como Skol, Brahma e Antarctica), Eletropaulo, Itaucard, Raízen Combustíveis (junção da Cosan com a Shell) e Companhia Brasileira de Distribuição (dona de Pão de Açúcar, Extra, Casas Bahia e Ponto Frio).

A listagem das empresas devedoras está anexa.

Procurada, a Raízen Combustíveis alegou que as atividades do Grupo Raízen geraram no período entre abril de 2015 e março de 2016 uma arrecadação de R$ 14 bilhões para a União, Estados e municípios. “A empresa, sempre respeitando a legislação vigente, pode eventualmente contestar alguns dos valores de tributos, apresentando garantia em todas as ações e, em caso de decisão Judicial desfavorável transitada em julgado, efetua o pagamento”, afirma.

A Procuradoria divide os débitos em dois grupos: empresas consideradas em situação regular, que incluem dívidas em negociação, parceladas, garantidas ou suspensas por decisão judicial, e aquelas em situação irregular, que estão sendo cobradas pelo órgão. Nos dois casos, as empresas constam como devedoras da dívida ativa da União.

Com a palavra, as companhias

A reportagem tentou contato com todas as empresas ativas que estão entre as 20 maiores devedoras. Outras seis empresas que responderam às perguntas afirmaram estar em dia com suas obrigações tributárias e dizem que questionam, administrativamente ou na Justiça, o valor e a incidência dessas contribuições sociais.

A justificativa das empresas se baseia em controvérsias jurídicas a respeito da incidência desses tributos.

A Eletropaulo, empresa ativa que mais deve, diz que o débito de R$ 2,24 bilhões se refere a "cobranças indevidas", que estão sendo discutidas em processos judiciais e administrativos.

O Itaucard, quinto da lista, com dívida de R$ 1,48 bilhão, informou "que existem algumas discussões sobre recolhimento de tributos em andamento na esfera judicial e administrativa".

Controladora da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), a Associação Educacional Luterana do Brasil é a sétima maior devedora, com débito de R$ 1,23 bilhão. A associação diz que ocorreram excessos nas fiscalizações e que elas estão "sendo objeto de pedidos judiciais de revisão".

O décimo maior devedor, a Companhia Brasileira de Distribuição, que deve cerca de R$ 1,17 bilhão, diz que, "sempre que a companhia entendeu que a cobrança era indevida/inconstitucional, buscou no Judiciário seus direitos".

Na 13ª posição, com dívida de R$ 912 milhões, a Ambev S.A. esclarece que participa de "discussões legítimas sobre a interpretação da PGFN em torno da configuração de débito, inclusive com decisões judiciais favoráveis à companhia".

O Walmart, 18º colocado com débito de R$ 739 milhões, informou que questiona se o PIS e a Cofins devem incidir sobre bonificações. Já a Raízen Combustíveis, com R$ 700 milhões de dívida, disse que "pode eventualmente contestar alguns dos valores de tributos, apresentando garantia em todas as ações".

O banco J.P. Morgan, 14º da lista com dívida de cerca de R$ 831 milhões foi procurado por e-mail desde o dia 21 de julho, mas não respondeu à reportagem.

Debate jurídico

A justificativa das empresas para essas dívidas se baseia em uma discussão jurídica controversa sobre a incidência de cada uma dessas contribuições. O advogado tributarista Valter Lobato afirma que, no caso do PIS/Cofins, por exemplo, essas contribuições incidem sobre a receita das empresas –porém, há um debate travado nos tribunais sobre o que exatamente compõe a receita de uma empresa.

Uma dessas controvérsias, por exemplo, teve um capítulo encerrado em 15 de março deste ano, quando o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, por 6 votos a 4, que o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) não pode compor a base de cálculo para a cobrança do PIS e da Cofins, favorecendo algumas empresas devedoras.

Na ocasião, ministros afirmaram que o ICMS não pode ser considerado parte da receita ou do faturamento da empresa por ser um imposto que entra no caixa, mas deve, depois, ser repassado ao Estado.

"O sistema tributário brasileiro, por conta da sua complexidade, é altamente litigioso", afirma Lobato.

A economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) Anelise Manganelli lembra que esses tributos estão embutidos no preço pago pelos consumidores --caso da gasolina, que teve o maior aumento desde 2004.

"Quem se beneficia disso são as empresas, porque cobram esses tributos do consumidor e não os repassam para o poder público", diz.

"Deveríamos pensar em uma reforma tributária que desse conta de não perpetuar essas dívidas e precisamos trazer a sociedade para esse debate". (Repórter Brasil 08/08/2017)

 

Açúcar: Ladeira abaixo

Pelo quarto pregão consecutivo, os contratos futuros do açúcar bruto registraram queda na bolsa de Nova York ontem; pressionados pelos fundamentos de curto prazo.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,61 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 5 pontos e desvalorização acumulada de 27 pontos na semana.

Desde o último dia 31, a commodity já registra queda de 7,7% em razão da previsão de um superávit de mais de 3 milhões de toneladas na oferta mundial em 2017/18.

Dessa forma, o mercado corrige a forte alta da semana passada, quando o Brasil, maior produtor global, reduziu o imposto cobrado sobre o etanol.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 55,82 a saca, com recuo de 2,6%. (Valor Econômico 09/08/2017)

 

Mesmo com PIS/Cofins menor, etanol sobe em 12 Estados e no DF

Os preços do etanol hidratado subiram nos postos de 12 Estados e do Distrito Federal na semana passada, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilado pelo AE-Taxas. O aumento ocorreu no período marcado pelo repasse aos postos da redução do PIS/Cofins sobre litro do etanol hidratado nas distribuidoras, de R$ 0,1964 para R$ 0,1109, anunciada em 28 de julho.

A queda no tributo ocorreu após o governo detectar que o reajuste anunciado em 20 de julho poderia ferir os limites estabelecidos em lei. Naquela semana após a alta, o reflexo foi imediato e o preço médio do etanol nos postos pesquisados pela ANP subiu 8,86% no Brasil. Na semana passada, no entanto, houve uma nova alta, de 0,62%, na média brasileira mesmo com a queda do tributo.

A ANP apontou que preços recuaram em outras 12 unidades da Federação. Em Minas Gerais houve estabilidade e a ANP não divulgou novamente os preços nos postos do Amapá. Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, após o reajuste de 10,85% no período anterior, a cotação média do hidratadoaumentou 1,26% na semana passada, de R$ 2,3841 para R$ 2,411 o litro, e, no período de um mês, a alta é de 7,97%.

O maior aumento do etanol na semana passada, de 11,67%, foi em Roraima, seguido pelo Rio de Janeiro (2,57%). O maior recuo semanal, de 4,68%, ocorreu no Maranhão, seguido pelo Tocantins, com queda de 3,94%.

A maior alta mensal foi em Mato Grosso, de 9,69%, e a maior queda no período de um mês também foi no Maranhão, de 3,54%. Os reajustes seguidos fizeram com que o preço do médio do etanol nos postos brasileiros pesquisados pela ANP acumulasse aumento de 6,41% no período de um mês.

No Brasil, o preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 1,889 o litro, em Mato Grosso, e o máximo foi de R$ 4,21 o litro, em um estabelecimento no Rio Grande do Sul. O menor preço médio estadual foi de R$ 2,411 o litro, em São Paulo, e o maior preço médio foi verificado em Roraima, de R$ 4,02 o litro. (Agência Estado 08/09/2017)

 

Cade aprova compra de usinas de cana da Tonon pela Raízen

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou sem restrições a aquisição de duas usinas da Tonon Bioenergia pela Raízen Energia, união da Cosan e da Shell, de acordo com publicação no Diário Oficial da União desta terça-feira (8).

Segundo parecer do Cade, "a operação proposta não altera, de modo relevante, a estrutura do mercado de produção e comercialização de cana-de-açúcar e etanol, quer seja considerado o cenário nacional ou os cenários da região centro-sul e do Estado de São Paulo".

A Tonon está em processo de recuperação judicial. (UOL 08/08/2017)

 

Empreiteiras e usinas seguem fora do mercado

Apesar da melhora da percepção em relação ao Brasil, há pelo menos dois grupos de empresas com vencimentos externos no curto prazo que vão ter de buscar alternativas no mercado local.

Segundo um banqueiro que preferiu não ser identificado, um terço da dívida a vencer não deve ser rolado porque foi emitido ou por companhias envolvidas na Lava-Jato - caso de empreiteiras ou de empresas como a Braskem, ou por companhias cujo setor enfrenta dificuldades, como as usinas de açúcar e álcool. "Essas companhias não têm espaço para acessar neste momento o mercado de capitais", afirma o executivo.

Outro grupo é composto por empresas que, apesar de não terem receita em dólar, aproveitaram o ambiente favorável nos últimos cinco anos para levantar recursos por meio de linhas de crédito externas vinculadas à operações de hedge (conhecidas como 4.131).

As condições atuais para o swap cambial, no entanto, não são mais favoráveis e a alternativa ficou muito cara. "Hoje uma companhia que capta em dólar com taxa de 8% tem um custo de 150% do CDI [após o hedge]. Muitas que fizeram esse tipo de empréstimo, como as elétricas, devem vir para o mercado local para levantar recursos para quitar a dívida em dólar", disse o executivo.

Apesar de oferecer um prazo médio menor para as captações, em torno de 4,4 anos, o mercado interno passa a ser uma opção mais atrativa para algumas empresas, principalmente com a queda da taxa Selic.

O mercado de bônus, por atrair um número maior de investidores, também pode oferecer um custo mais atrativo que o mercado de crédito externo. Mas isso vai depender da avaliação do risco em relação ao Brasil.

Hoje, a principal preocupação dos investidores é com a possibilidade de o Brasil sofrer um rebaixamento pela Standard & Poor's. No fim de maio, a agência de classificação de risco colocou a nota soberana, hoje "BB", em observação negativa para reavaliação em 90 dias.

A revisão da meta fiscal do governo para este ano, que é de déficit de até R$ 139 bilhões, aumenta o risco de um novo "downgrade". "Esse é um ponto de atenção que poderia gerar volatilidade", diz Ricardo Leoni, diretorexecutivo responsável por mercados de capitais de dívida do J.P. Morgan. (Valor Econômico 09/08/2017)

 

RenovaBio deve ampliar oferta de bicombustíveis no mercado

Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) manifestaram nesta segunda-feira (07/08) preocupação com a necessidade de acelerar a tramitação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), programa destinado à expansão dos biocombustíveis até 2030

O deputado Evair de Melo (PV-ES) participa nesta terça-feira (08) de encontro promovido pelos Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia, em Brasília, sobre o assunto. A intenção é instituir a proposta para que o Brasil possa apresentar o trabalho prático na 23ª Conferência de Clima da ONU - COP 23, em novembro, na Alemanha, como resultado do compromisso assumido com mais de 130 países, no Acordo de Paris 2015, para a redução das emissões dos gases do efeito estufa.

“É bem ambiciosa a meta para redução de gases do efeito estufa no Brasil. Cortar em 37%, até 2025, é um desafio e a ampliação do uso dos biocombustíveis é alternativa essencial para liderar esse trabalho”, destaca Evair de Melo.

Para o deputado Marcos Montes (PSD-MG), falar do RenovaBio é falar daquilo que o Brasil pode ser exemplo no mundo. Montes destaca também o incentivo a um segmento grande geradora de empregos.

“O projeto está sendo montado. Na Frente Parlamentar da Agropecuária, tivemos a oportunidade de conversar com todos os representantes do setor. Nós também estivemos com o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que ele pudesse acelerar essa questão. E acredito que o presidente Michel Temer também está sensível a essa questão”, afirmou Marcos Montes.

Uma das apostas para colocar o RenovaBio em prática é a edição de uma Medida Provisória para regulamentar o aumento da mistura do biodiesel ao diesel fóssil. A expectativa é elevar para 18% a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional. O RenovaBio já passou por consulta pública, com as diretrizes aprovadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Na última terça-feira (01), o presidente da FPA, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), entregou ao presidente Temer um manifesto que pede apoio à priorização do setor de combustíveis por meio do RenovaBio. O documento foi assinado pelo governador Geraldo Alckmin; pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf; pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo, Fábio Meirelles; e por dirigentes de 15 entidades ligadas ao agronegócio.

Em resposta, Temer informou que o governo já trabalha na construção de uma medida provisória para tratar do assunto. “Nem precisava deste documento. Já estamos estudando uma alternativa”, acenou.

Em vigor desde 2016, recentemente o Acordo de Paris sofreu uma baixa considerável. Em junho último, o presidente dos Estados Unidos anunciou a saída dos norte-americanos, uma das principais nações emissoras de gases do efeito estufa do planeta. Mesmo duramente criticado pela comunidade internacional e pelos defensores do combate ao aquecimento global, Donald Trump cumpriu a promessa feita durante a campanha eleitoral, quando já atacava o acordo internacional do clima. (FPA 08/08/2017)

 

Mazda anuncia motor a gasolina mais econômico e menos poluente

A Mazda afirmou nesta terça-feira (8) que vai se tornar a primeira montadora de veículos do mundo a comercializar um motor a gasolina que usa tecnologia que rivais maiores estão tentando desenvolver há décadas, em uma virada em uma indústria que está cada vez mais migrando para a eletricidade.

A montadora japonesa planeja vender carros a partir de 2019 equipados com motores de ignição por compressão, um tipo de motor mais limpo e eficiente que tem sido perseguido por rivais como Daimler e General Motors.

"É um importante avanço", disse Ryoji Miyashita, presidente da companhia de engenharia automotiva AEMSS.

O anúncio coloca motores tradicionais no centro da estratégia da Mazda e acontece alguns dias depois de a companhia ter afirmado que vai trabalhar com a Toyota no desenvolvimento de veículos elétricos.

"Eletrificação é necessária, mas o motor de combustão deve vir primeiro", disse o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Mazda, Kiyoshi Fujiwara, a jornalistas.

Um motor de compressão de carga homogênea (HCCI, na sigla em inglês) detona a gasolina pela compressão, eliminando a necessidade de velas. A economia de combustível dessa tecnologia se equipara potencialmente ao motor a diesel sem altas emissões de gases poluentes.

O motor da Mazda usa velas em algumas situações, como em baixas temperaturas, para superar os obstáculos técnicos que têm impedido a comercialização dessa tecnologia.

Segundo a montadora japonesa, o motor equipado com a tecnologia será 20% a 30% mais eficiente que seu modelo atual. A empresa não tem planos de fornecer o motor para outras montadoras de veículos, disse o vice-presidente da Mazda, Akira Marumoto. (Reuters 08/08/2017)

 

Vinhaça: Novas tecnologias reduzem emissões de metano

A adoção de novas tecnologias de transporte e armazenamento de vinhaça (principal resíduo da produção de etanol) pelas usinas tem contribuído para diminuir as emissões de gases de efeito estufa pela produção do biocombustível.

A constatação é de um estudo realizado por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com colegas do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).

Os resultados do estudo, realizado com apoio da FAPESP, foram publicados na revista Atmospheric Environment.

“O setor de produção de etanol tem adotado novas tecnologias para o transporte e armazenamento de vinhaça, o que têm contribuído para a redução das emissões de metano [principal gás de efeito estufa produzido pelo resíduo]”, disse Bruna Gonçalves de Oliveira, pós-doutoranda no Instituto Agronômico (IAC) com Bolsa da FAPESP e primeira autora do estudo, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores quantificaram as emissões de metano pelos dois principais sistemas de armazenamento e transporte de vinhaça utilizados pelas usinas hoje: o tradicional, composto por canais abertos (valas) revestidos e não revestidos, e um método mais novo, formado por tanques e tubos fechados.

As análises dos dados comparativos indicaram que as emissões pelo sistema de tanques e tubos fechados foram 620 vezes menores do que pelo método de canais abertos.

“Essa diferença se deve às características que o sistema de armazenamento e transporte composto por tanques e tubulações apresenta. Transportar a vinhaça de um tanque para o outro por tubulações com elevada pressão pode oxigenar o produto, modificando as condições de anaerobiose [ausência de oxigênio] favoráveis à produção de metano”, explicou Oliveira.

Evolução dos sistemas

De acordo com a pesquisadora, que realizou doutorado no Cena-USP também com Bolsa da FAPESP, para produzir um litro de etanol de cana-de-açúcar são gerados, em média, 13 litros de vinhaça, um líquido originado da destilação fracionada do caldo da cana para obter o biocombustível.

A fim de reduzir os impactos ambientais causados pelo resíduo, que contém altas concentrações de matéria orgânica, potássio e sulfatos, a indústria do etanol no Brasil decidiu há aproximadamente 30 anos que a solução mais barata e simples seria descartar a vinhaça e aplicá-la diretamente em plantações de cana-de-açúcar, como fertilizante.

Para armazenar e transportar a vinhaça até as plantações, as usinas utilizaram inicialmente um sistema composto por canais abertos, revestidos ou não por uma manta plástica ou concreto, por meio dos quais o resíduo é transportado por gravidade e bombeamento até as plantações de cana.

Contudo, a quantidade de gases de efeito estufa, como o metano, emitido pela vinhaça nesse sistema de armazenamento e transporte não tinha sido quantificada e não é contabilizada nos inventários de gases de efeito estufa gerados na produção de etanol, ponderou Oliveira.

“Os balanços de gases de efeito estufa gerados na produção do etanol só levam em consideração as emissões na aplicação da vinhaça no campo”, afirmou.

A fim de obter essa estimativa, durante seu mestrado, realizado sob orientação de Brigitte Josefine Feigl, pesquisadora do Cena-USP e coordenadora do projeto, Oliveira quantificou as emissões de metano da vinhaça a partir do momento em que o resíduo saía de uma usina e era transportado para o campo por meio de um canal aberto com 40 quilômetros de extensão, cuja maior parte não tinha revestimento; apenas um pequeno trecho era revestido por cimento.

As análises indicaram que 98% das emissões totais de gases, como o metano, ocorriam durante o armazenamento e transporte da vinhaça por esse sistema de canais abertos.

“As emissões de nitrogênio durante a aplicação da vinhaça no campo, que são contabilizadas nos inventários, contribuíram com menos de 2% do total das emissões”, ponderou Oliveira.

Comparação dos sistemas

Por força de uma norma estabelecida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), as usinas paulistas passaram a revestir a maior parte da extensão dos canais abertos para armazenamento e escoamento da vinhaça de modo a impedir que o resíduo infiltre o solo e contamine o lençol freático.

Algumas dessas usinas, como a que a pesquisadora estudou durante seu doutorado, no esforço de uma solução mais sustentável, adotaram o sistema composto por tubos subterrâneos e tanques.

Até então, não haviam sido realizados estudos para avaliar se essas melhorias poderiam alterar as condições para produção de metano e reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa durante a produção de etanol.

“Nosso objetivo foi avaliar como os impactos dos avanços na forma de armazenar e transportar a vinhaça afetam as emissões de gases do efeito estufa”, disse Oliveira.

Para isso, os pesquisadores monitoraram por duas safras inteiras, durante os anos de 2012 e 2013, a emissão de metano nos sistemas de armazenamento e transporte da vinhaça adotados por duas usinas situadas nas regiões de Piracicaba e Bauru, no interior de São Paulo.

Uma das usinas usava um sistema de canais abertos, com 1,5 metro de largura, 0,6 metro de profundidade e 60 quilômetros (km) de extensão, dos quais 40 km eram revestidos com cimento e os outros 20 km não, o que possibilitava que a vinhaça entrasse em contato direto com o solo.

A outra usina adotava um sistema composto por 10 tanques revestidos com membrana de polietileno, que bombeavam a alta velocidade a vinhaça armazenada temporariamente para as plantações de cana por meio de tubos fechados.

As análises dos dados indicaram que, em geral, a intensidade de emissão de metano foi da ordem de 1,36 kg de CO2 equivalente por metro cúbico (m3) de vinhaça transportada em canais abertos e 620 vezes maiores do que o resíduo transportado através do sistema de tanques e tubos fechados.

Cerca de 80% das emissões de metano no sistema de canais abertos foram registradas nos trechos não revestidos.

“A vinhaça fornece os nutrientes e as condições ideais de temperatura e anaerobiose para os microrganismos presentes no solo dos trechos sem revestimento dos canais abertos realizarem a metanogênese e emitir metano. E isso não acontece nos sistemas de tanques e tubos fechados”, disse Oliveira.

Nos sistemas fechados a vinhaça chega a uma temperatura de 60 ºC, o que inibe a ação microbiológica. Além disso, a pressão com que é bombeada é muita alta, o que reduz a possibilidade de o material orgânico do resíduo ser decantado no fundo dos tanques e decomposto por microrganismos, originando metano.

A alta pressão com que a vinhaça é bombeada nos sistemas de tanques e tubos fechados também faz com que o resíduo seja oxigenado, diminuindo a condição de anaerobiose (falta de oxigênio) para os microrganismos produzirem metano (metanogênese).

“A oxigenação reduz o potencial redox [de oxidação e redução] da vinhaça e de anaerobiose. Dessa forma, a atividade microbiana metanogênica é limitada ou até mesmo inexistente, reduzindo as emissões de metano”, explicou.

Com base nessas constatações, os pesquisadores concluíram que os sistemas de tanques e tubos fechados para armazenagem e transporte da vinhaça podem ser uma estratégia efetiva para mitigar as emissões de metano durante o processo de produção de etanol da cana.

E que a adoção de novas tecnologias e melhorias nos sistemas de armazenamento e distribuição de vinhaça devem reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa.

“Somadas a esses fatores, algumas inovações que começam a ser implementadas no setor sucroenergético, tal como a concentração e a biodigestão da vinhaça, podem reduzir ainda mais as emissões de gases do efeito e, desse modo, fazer com que o etanol de cana seja um biocombustível ainda mais limpo e sustentável”, disse Oliveira. (Agência FAPESP 09/08/2017)

 

Agronegócio brasileiro precisa ser ainda mais competitivo, diz ABAG

Observação foi feita no encerramento do 16º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela entidade nesta segunda (07-ago), em São Paulo.

A mensagem final do presidente da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, feita no encerramento do 16º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela entidade nesta segunda-feira (7), em São Paulo, foi a de que o setor precisa ficar atento em relação aos ganhos de produtividade. “As novas revisões feitas pela OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e pela FAO, braço da ONU voltado para Agricultura e Alimentos, indicam uma taxa de crescimento bem menor na demanda mundial por alimentos nos próximos dez anos. Com isso, nós, produtores agrícolas brasileiros temos de ser ainda mais competitivos”, observou ao fazer uma síntese dos debates do Congresso, cujo tema central neste ano foi “Reformar para Competir”.

Os dados da OCDE/FAO, cujas revisões foram divulgadas agora em julho, apontam que, com exceção de produtos lácteos e açúcar, as projeções para o período 2017-2026 são de um crescimento anual na demanda mundial por commodities agrícolas bem inferior ao registrado nos últimos dez anos. “Em razão disso, não podemos ter aquela visão antiga de que o mundo vai comprar nossos produtos. Nós temos de aprender a vender. E temos de nos prepararmos para isso”, reforçou Carvalho. Nesse sentido, ganha importância as recomendações feitas nos debates do 16º Congresso da ABAG, para que o país atue de forma mais contundente na busca pela formulação do maior número possível de acordos comerciais.

Além de fazer o alerta sobre a necessidade de o produtor rural ter sempre em mente ganhos de produtividade, Carvalho também fez um balanço geral do evento, que classificou como de grande sucesso, uma vez que atraiu a atenção de aproximadamente 900 pessoas, uma plateia formada por empresários, executivos de empresas, gestores públicos ligados ao agronegócio, além de especialistas, consultores, lideranças setoriais, pesquisadores e profissionais de vários segmentos da cadeia produtiva do agro.

Carvalho lembrou ainda que, na questão das parcerias comerciais, o Brasil, junto com o Cone Sul, tem tido uma postura muito reativa. “Temos de ser mais proativo nas questões comerciais. Claro que sabemos que, para nos tornarmos mais proativos, necessitamos de uma mudança cultural, o que é, obviamente, muito mais complexo. De toda forma, entendo que essa é uma ação que não pode ser adiada, pois precisamos urgente de mais acordos comerciais”, observou o presidente da entidade.

Carvalho também destacou que ficou muito claro nas ideias apresentadas pelos participantes do evento, que houve uma significativa melhoria macroeconômica com o novo governo. “Aquilo que era um sofrimento no ano passado, ainda é uma incerteza, mas hoje o ambiente é muito melhor. Aqui, a frase que sintetiza a percepção geral é a que foi dita pelo palestrante que abriu o Congresso, o jornalista Carlos Sardenberg, quando falou da sensação de que nós tentamos enterrar o velho, mas que o novo ainda não nasceu”.

O presidente da ABAG também comentou as análises feitas em relação às reformas trabalhistas e tributária. “Na primeira, ficamos preocupados com as inúmeras pontas que ainda permanecem soltas na proposta ora em estudo pelo Legislativo. Já na questão tributária, ficou claro que, diante das dificuldades para a realização de grandes mudanças nessa área, acredito que teremos mais uma lógica de simplificação tributária do que uma grande reforma ou até uma revolução nessa área. Nesse particular, pareceu ter havido certa unanimidade entre os debatedores em torno desse ponto”, finalizou Carvalho.

Além dos debates, o 16º Congresso Brasileiro do Agronegócio também prestou homenagens, por meio dos seus já tradicionais prêmios. Para este ano, no Prêmio Norman Borlaug, o escolhido foi o pesquisador João Kluthcouski (conhecido como João K), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa; e para o Prêmio Ney Bittencourt de Araújo, o ex-ministro da Agricultura, Francisco Turra, que é presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal – ABPA. Neste ano também foi concedida uma homenagem especial à TV Globo pela iniciativa da campanha “Agro: A Indústria-riqueza do Brasil”. (Assessoria de Comunicação 08/08/2017)