Setor sucroenergético

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Clealco renegocia R$ 884,1 milhões em dívidas com credores

Em processo de reestruturação de dívida desde fevereiro, quando entrou com um acordo de suspensão de cobranças com os credores (“stand-still”), a Clealco apresentou em junho uma proposta de alongamento de R$ 884,1 milhões em dívidas. A informação consta nas notas explicativas do balanço publicado na edição de ontem no Diário Oficial de São Paulo.

O montante representa 81,3% do endividamento bancário da empresa em 31 de março. No curto prazo, a empresa tinha R$ 626,456 milhões a pagar, montante que o caixa de R$ 14,246 milhões na mesma data estava longe de cobrir.

Em seu plano apresentado aos credores, a Clealco pede uma carência de duas safras (2017/18 e 2018/19) para começar a pagar o que deve. Daí para frente, ela se propôs a pagar 10%, ou R$ 107,112 milhões, com vencimento em 2020; 15%, ou R$ 160,667 milhões, em 2021; 25%, ou R$ 267,779 milhões em 2022; outros 25% em 2023; e outros 25% em 2024.

Para levantar recursos para garantir o pagamento de seus créditos, a Clealco prevê vender algumas propriedades, com algumas negociações já em curso. Dessas vendas, 60% dos recursos serão utilizados para pagar os juros da dívida que está sendo renegociada, e os outros 40% serão utilizados para recompor o capital de giro da companhia.

A Clealco também quer renegociar seus prazos de pagamento de fornecedores de cana e de materiais até conseguir realizar novos empréstimos bancários.

A empresa ancora seu plano de reestruturação em uma perspectiva de alta do dólar, que se ocorrer pode potencializar a receita com exportações e em uma aposta de alta dos preços internos e externos de açúcar e etanol. A companhia também espera vender cana excedente e antecipar recebíveis de exportação, que poderão gerar recursos adicionais. A venda das terras também deve garantir mais recursos.

A Clealco ainda informou que está redimensionando sua estrutura operacional para reduzir seus custos fixos.

Caso a companhia não tenha êxito em seu plano, ela prevê que precisará de recursos financeiros de seus acionistas ou de aporte de capital de terceiros para suprir suas necessidades de caixa e manutenção de suas atividades. (Valor Econômico 10/08/2017)

 

Interface Brasil quer participar de leilão de usina da Renuka

A Interface Brasil, empresa constituída no ano passado por Winston Fritsch, Paulo Vasconcellos e Rodrigo Caldas de Toledo Aguiar, pediu habilitação para participar do leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, que está em recuperação judicial, apurou o Valor.

A empresa foi a terceira a pedir para participar da disputa. Já pediram habilitação para participar do leilão a chinesa Cofco Agri e a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA). A habilitação não obriga os interessados a apresentar oferta no leilão.

A Interface foi constituída como um veículo de investimento e receberá recursos de fundos para realizar aportes em energia renovável, incluindo o segmento sucroalcooleiro. Conforme apurou o Valor, a empresa tem avaliado negócios com outras usinas.

Nos documentos entregues em juízo, a Struttura (composta pelos mesmos sócios da Interface) informou que tem um plano de plantar cana na área da Revati, em Brejo Alegre (SP), para garantir que a usina processe toda sua capacidade em até quatro anos. A planta consegue processar até 6 milhões de toneladas de cana por safra.

A empresa informou nos documentos entregues que tem conhecimento do setor sucroalcooleiro, inclusive na região da Usina São Fernando, em Dourados (MS). Entre os sócios que estão mais próximos do segmento está Carlos Aguiar, que presidiu a Tonon Bioenergia por quatro anos.

A Interface Brasil deve receber mais um sócio até a data do leilão da usina Revati, que ocorrerá no próximo dia 4 de setembro. (Valor Econômico 10/08/2017)

 

Cosan vê melhores retornos no etanol com alta dos preços

A Cosan espera que as vendas de etanol sejam mais lucrativas que as de açúcar em alguns Estados brasileiros, fator que pode fazer com que uma das maiores empresas de energia e infraestrutura do país altere seu mix de produção.

A Raízen Energia, uma joint venture entre a Cosan e a Royal Dutch Shell Plc que é a maior produtora de açúcar do mundo, pode ajustar a produção de açúcar e etanol caso as condições de mercado para o biocombustível melhorem, afirmou a diretora de Relações com Investidores da companhia, Paula Kovarsky, em uma teleconferência com analistas e investidores nesta quinta-feira.

A Raízen destinou 57 por cento da cana colhida para a fabricação de açúcar no segundo trimestre de 2017, ante 55 por cento um ano antes. Simultaneamente, a Raízen reduziu o hedge da commodity, na esperança de uma recuperação dos preços internacionais do adoçante no médio prazo.

A Raízen tinha 2,1 milhões de toneladas de açúcar com preços travados ao término do trimestre, ante 2,57 milhões de toneladas em igual momento de 2016.

"Desde nossos últimos resultados, conseguimos pouco progresso em termos de proteção de preços do açúcar", disse a diretora Paula Kovarsky. "O mercado continua a precificar um excedente de açúcar na safra atual, mas nós acreditamos que a pressão atual sobre as cotações será de curta duração."

As declarações de Kovarsky ocorrem após a Cosan divulgar, na quarta-feira, um prejuízo líquido para o segundo trimestre em razão de um ritmo lento de colheita de cana da safra 2017/18, o que afetou a performance da Raízen.

O diretor-executivo da Cosan, Mario Silva, afirmou que a Raízen continua atenta a potenciais aquisições, na esteira da compra de duas unidades da açúcar e etanol da Tonon Bioenergia.

No entanto, Silva disse que a Raízen será muito seletiva. Ele destacou que a aquisição das usinas da Tonon fez sentido considerando-se a logística, já que as unidades estão próximas de outras três operadas pela Raízen, permitindo economia de custos com transporte e escala crescente. (Reuters 10/08/2017)

 

Justiça mantém incentivos à usina de Bumlai e proíbe credor de colher cana

Mesmo com dívida a receber da São Fernando, produtor que já colheu cana terá de entregar dinheiro para em juízo.

Mesmo com crédito a receber, produtores rurais que plantam cana para a Usina São Fernando estão proibidos de colher a lavoura e vender a produção. A decisão foi tomada ontem pelo juiz Jonas Hass da Silva Junior, da 5ª Vara Cível de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande. No dia 8 de junho deste ano, o juiz decretou a falência da usina.

Também a pedido da administradora judicial que toca a indústria desde a falência, os produtores que já fizeram a colheita e venderam a cana terão de devolver o dinheiro. A usina é de propriedade da família do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula e um dos condenados no âmbito da Operação Lava Jato.

No pedido acatado pelo juiz, a administradora judicial alegou que a cana de posse dos produtores pertence ao patrimônio biológico e a colheita deve ser feita pela massa falida. Caso o proprietário tenha feito a colheita por conta própria, terá de entregar o dinheiro em juízo.

Jonas Hass determinou que os créditos desses credores proprietários de lavouras de cana devem ser habilitados nos autos da falência, assim como os demais. “Está provada a propriedade da cana-de-açúcar por parte da massa falida e tal patrimônio deve ser arrecadado”.

Incentivos fiscais

O juiz douradense também determinou, a pedido da administradora judicial, que o Fisco Estadual mantenha os benefícios fiscais concedidos à São Fernando, entre os quais parcelamento de impostos e a renovação do regime especial para exportação de açúcar.

No despacho, Jonas Hass determina ao Fisco Estadual a expedição de certidão positiva para que a massa falida continue a desfrutar dos benefícios fiscais, “assegurando a competividade da companhia e, de consequência, a continuidade das atividades”.

O juiz também determinou que a administradora judicial apresente, em dez dias, a prestação de contas do primeiro bimestre após a falência.

Falência

No dia 8 de junho deste ano, Jonas Hass da Silva Junior decretou a falência das empresas São Fernando Açúcar e Álcool, São Fernando Energia I e II, São Marcos Energia e Participações e São Pio Empreendimentos e Participações, todas pertencentes à família Bumlai.

As cinco empresas fazem parte do conglomerado industrial de produção de álcool, açúcar e energia, localizado na margem da MS-379, que liga Dourados a Laguna Carapã. A indústria tem dívidas de R$ 1,3 bilhão, a maior parte com o BNDES, Banco do Brasil e BNP Paribas.

Na mesma decisão, o juiz afastou do comando das empresas os dois filhos de Bumlai – Maurício de Barros Bumlai e Guilherme de Barros Costa Marques Bumlai. Como administrador judicial foi nomeado escritório Vinicius Coutinho Consultoria e Perícia, de Campo Grande.

Jonas Hass manteve a indústria em funcionamento, sob comando da administradora judicial. “Como há cana-de-açúcar a ser colhida; há caldeiras, laboratório, informática e outros setores das falidas que não podem parar de imediato, por ser perigoso e causar sérios prejuízos às falidas e aos credores, não serão lacrados os estabelecimentos das falidas de imediato”, sentenciou. O juiz também determinou que os cerca de 1.200 trabalhadores continuassem suas atividades normais. (Campo Grande News 10/08/2017)

 

Açúcar: Avanço da colheita

O avanço da colheita da cana e da produção de açúcar no Brasil pressionou as cotações da commodity na bolsa de Nova York.

Os contratos com vencimento em março fecharam ontem a 14,14 centavos de dólar a libra-peso, queda de 36 pontos.

No acumulado desta semana, o contrato já recuou 74 pontos (4,97%).

"O açúcar está sendo pressionado porque a colheita tem avançado com toda velocidade por dois meses, o período mais longo de tempo seco em pelo menos quatro anos", afirmou Michael McDougall, diretor de commodities do banco Société Générale. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou ontem em R$ 54,64 a saca de 50 quilos, queda de 0,73%. (Valor Econômico 11/08/2017)

 

Temer e Maggi vão ao Mato Grosso para inaugurar usina de etanol de milho

Temer viaja como uma forma de “agradecimento” à bancada dos deputados mato-grossenses, que votaram em quase unanimidade para que ele não fosse investigado.

Em busca de uma rara agenda positiva, nesta sexta-feira, o presidente Michel Temer deve embarcar para a cidade de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, para inaugurar uma fábrica de etanol da empresa FS Bionergia, que produz álcool exclusivamente a partir de milho. Este ano, a produção agrícola do estado será recorde, atingindo 28 milhões de toneladas, 47% a mais do que no ano passado e 25% de toda a produção nacional.

Acompanhado do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), Temer também deve visitar uma plantação de algodão, cuja colheita deve atingir 1 milhão de toneladas nesta safra 2016/2017 – 100.000 toneladas a mais do que na safra anterior. O governador do estado, Pedro Taques (PSDB), também deve acompanhar a visita presidencial, para pressionar o governo federal por mais recursos para obras de infraestrutura. Taques, não custa lembrar, é suspeito de participar de uma central de espionagem clandestina no estado.

Temer viaja como uma forma de “agradecimento” à bancada dos deputados mato-grossenses, que votaram em quase unanimidade para que o presidente não fosse investigado, dos oito deputados federais do estado, apenas Ságuas Moraes, do PT, votou pelo prosseguimento da denúncia. Foi a bancada que, proporcionalmente, mais apoiou o presidente.

A visita de Temer também acontece uma semana após o ministro Blairo Maggi ter sido citado em delação do ex-governador do estado do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), que o acusa de ter participado de esquema de corrupção com repasse de verbas para deputados estaduais, por meio de precatórios, em troca de apoio, ao fim da gestão de Maggi no Mato Grosso, que se encerrou em 2010. O ministro alega que todos os pagamentos realizados durante sua gestão estavam dentro da lei e chamou a delação de “mentirosa, leviana e criminosa”.

O ato político, então, ajuda Maggi, que tem sido colocado como um possível nome para disputar a vice-presidência em 2018 numa chapa com Geraldo Alckmin (PSDB). É uma quebra na rotina também para Temer, que precisou convocar a equipe econômica na quinta-feira para discutir a revisão da meta fiscal (cujo anúncio ficou para segunda). Aproximar-se do agronegócio é questão de sobrevivência, já que o setor deve ser o responsável por fazer o país apresentar um PIB positivo no final do ano. Para o enroladíssimo presidente, a saída pode estar no milho. (Exame 10/08/2018)

 

Malha Sul da Rumo atrai 18 interessados

A concessionária de ferrovias e de terminais portuários Rumo, controlada pelo grupo Cosan, fechou acordo com ao menos 18 empresas para avaliar propostas de injeção de capital na América Latina Logística Malha Sul - que administra 7,2 mil quilômetros de ferrovias e acessa portos do Sul.

Conforme o Valor apurou, entre as 18 empresas que assinaram termos de confidencialidade (non disclosure agreement) estão as gigantes japonesa Sumitomo e a China Communications Construction Company (CCCC). O conglomerado chinês de infraestrutura desembarcou recentemente no Brasil em busca principalmente de projetos de ferrovia e portos - sobretudo, mas não só, se houver chances de integração entre os dois modais. Também estão no grupo de interessados empresas europeias.

O plano de capitalização da Malha Sul prevê a atração de um montante de R$ 2 bilhões, que serão utilizados dentro de uma estratégia de investimento no ativo orçado em R$ 4 bilhões. Esse é o valor total de recursos considerado necessário para adequar a Malha Sul, uma das mais criticadas por usuários - a padrões operacionais mais elevados. E, dessa forma, atender ao crescimento futuro de demanda de cargas na região, além de atrair volumes hoje transportados por caminhões.

Cabe ao Bank of America Merrill Lynch (BofA) atuar no processo de captação e seleção de investidores interessados na Malha Sul. A preferência é que o perfil do potencial sócio seja de investidor com visão de longo prazo no negócio. Além do aporte de capital, a Rumo prefere um sócio que possa agregar a garantia de carga.

A Malha Sul é a maior em extensão da Rumo, mas não em faturamento. O principal negócio do grupo hoje é o corredor do agronegócio que interliga as malhas Paulista à Norte, entre Rondonópolis (MT) e Santos (SP), onde a Rumo tem um complexo de terminais para exportação de grãos.

Já a Malha Sul abrange os Estados do Sul em corredores que chegam aos portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS). É um ativo fundamental sobretudo no escoamento de granéis, como o complexo soja, açúcar, arroz, trigo e fertilizantes, mas também busca aumentar a relevância no transporte de cargas de alto valor agregado, como produtos industriais.

A entrada de um sócio na Malha Sul tem como prerrogativa a renovação antecipada do contrato da concessão com a União válido por 30 anos. Assinado em 1997, vence em 2027, mas há previsão contratual de prorrogação pelo mesmo período. A Rumo já entrou com o pedido na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mas o pleito de prorrogação da Malha Paulista deve ser aprovado antes porque está mais adiantado. Ontem, em evento em São Paulo, o diretor-geral da ANTT, Jorge Bastos, estimou que o aditivo da Paulista seja assinado em outubro.

Com a Medida Provisória 752, convertida na Lei 13.448, de junho, que estipulou as regras para renovações antecipadas de ferrovias, a expectativa é que haja mais segurança jurídica para o processo ser bem-sucedido. Procurados, Rumo e BofA não comentaram o assunto. (Valor Econômico 11/08/2017)

 

Usina Cerradão: Tem boi no canavial

Como a família Queiroz, que lida com gado há sete gerações, encontrou o caminho para permanecer na atividade e ainda aumentar o lucro do negócio.

A criação de gado já não é mais a mesma de anos atrás no Triângulo Mineiro, região formada por 35 municípios, onde o Estado de Minas Gerais faz divisa com São Paulo e Goiás. A cana-de-açúcar, que chegou há cerca de uma década e meia, continuamente vem ocupando espaços e espremendo a pecuária.

Mas a terra do boi, que tem o município de Uberaba como símbolo máximo por sediar a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a maior entidade mundial de raças de origem indiana, resiste a entregar de vez sua alma boiadeira para a cana. No máximo, cede lugar a uma parceria, modelo que tem dado resultado justamente por causa da solidez do negócio.

“A nossa história foi escrita pela pecuária”, diz Florêncio Queiroz Neto, 38 anos, diretor do grupo Queiroz de Queiroz, de Frutal, município a cerca de 140 quilômetros de Uberaba. “Foi justamente o gado que permitiu a expansão dos nossos negócios para a cana-de-açúcar”, afirma ele.

Na última década, o grupo, que tem quase 200 anos de tradição pecuária na região do Triângulo Mineiro, se rendeu à cana-de-açúcar. E foi com a permissão do patriarca, Adalberto Queiroz, de 68 anos, sexta geração a herdar os negócios da família na região.

O projeto ‘boi com cana’, também conta com a ajuda de outros dois filhos, os engenheiros agrônomos Thiago Queiroz, 34 anos, e Raphael Queiroz, 36 anos. “Na pecuária eu encontro a oportunidade comercial e profissional aliada, ao prazer pelo que faço”, diz Adalberto Queiroz. “A criação de gado abriu as portas para a nossa diversificação, e continua sendo o alicerce do nosso negócio. Ela não é descartável”.

Foi com o lucro da pecuária que a família investiu R$ 170 milhões, junto com um sócio, para construir o complexo industrial da usina Cerradão, uma joint venture na qual detém 40% do negócio. Os 60% restantes são do grupo Pitangueiras, empresa que pertence à família Andrade, famosa no universo das usinas.

Inaugurada na safra 2009/2010, com uma moagem inicial de 800 mil toneladas de cana-de-açúcar por safra, hoje a usina cultiva 43 mil hectares, entre terras próprias e arrendadas, e processa três milhões de toneladas. No ano passado, o grupo, que é um dos 36 associados à Coopersucar, faturou R$ 600 milhões com a produção de etanol, açúcar e bioeletricidade, 10% acima do ano anterior. “O resultado inclui a venda de 225 mil toneladas de açúcar, das quais 70% são exportadas”, afirma Queiroz Neto. A expectativa para 2017 é produzir 80 milhões de litros de etanol e 250 mil toneladas de açúcar.

A pecuária gerou R$ 150 milhões em 2016, atividade na qual a receita integral é da família Queiroz. “E devemos repetir essa mesma fatura em 2017”, diz Queiroz Neto. A pergunta é: o que explica a aposta dos Queiroz em um setor que fatura quatro vezes menos que a cana-de-açúcar? Antes de qualquer apelo romântico que possa pairar sobre a história da família, não é apenas a tradição centenária que move a atual atividade pecuária dos Queiroz. O lucro está no centro da questão.

No mês passado, a busca por uma resposta em bases econômicas para o negócio da família mineira, e de tantos outros projetos pecuários na região, era um dos objetivos da pesquisa realizada durante o Rally da Pecuária. O projeto é da Agroconsult, de Florianópolis (SC), consultoria que promove todos os anos dois rallys, um para avaliar a agricultura e outro específico para a pecuária. A Dinheiro Rural acompanhou uma das etapas do Rally da Pecuária, que passou pela fazenda de gado da família Queiroz, onde ele divide o espaço com a cana-de-açúcar. Neste ano, a Agroconsult está percorrendo cerca de 70 mil quilômetros para mapear as condições da criação e da engorda de gado no País, com previsão de encerrar essa edição no dia 18 de agosto.

No caso da região do Triângulo Mineiro, é preciso entender que a atividade sucroenergética encontrou um terreno muito fértil para avançar sobre as áreas de pecuária. E não há nada a fazer, a não ser embarcar na onda. A região cultiva 630 mil hectares de cana-de-açúcar, cujo valor de produção é de R$ 2,9 bilhões anuais, segundo dados de 2015 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os anos de 2006 e 2015, a área da cana aumentou 151% no Triângulo, ante 113% em todo o Estado de Minas Gerais. Em Frutal, onde está a família Queiroz, a cana ocupava 62 mil hectares em 2015, cerca de 68,6% da área agrícola do município. Na pecuária, a área de pastagem ocupada pelo gado no Triângulo cresceu 47,7% na década, passando, hoje, para 5,3 milhões de hectares. Mas cresceu apenas 8% em volume de animais, indo de 4,2 milhões de bovinos para os atuais 4,7 milhões.

De acordo com Maurício Palma Nogueira, sócio da Agroconsult, o que está colocado como desafio para a região nesse momento é a possibilidade da intensificação do negócio e a fazenda da família Queiroz serve de exemplo. “É a tecnologia chegando à pecuária e, com ela, as ferramentas dos sistemas intensivos”, afirma Nogueira. “Ela é fundamental para aumentar a produtividade”.

A pecuária pode crescer porque ela também encontrou nesses últimos 15 anos um aliado de peso, além da cana: os grãos. Minas Gerais produziu na safra passada 11,8 milhões de toneladas de soja, milho, feijão e outros grãos, em 3,3 milhões de hectares. De acordo com Feliciano Nogueira Oliveira, assessor especial em bovinocultura da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), embora o crescimento da área de cana possa sugerir o comprometimento total da pecuária, os dados registram crescimento da atividade.

“Foi justamente a integração da área de cana com o cultivo de grãos que barateou o preço da alimentação do gado e permitiu a expansão da pecuária na região do Triângulo”, afirma. O município de Uberaba, por exemplo, se tornou o segundo maior produtor do Estado. Na safra passada foram 696,1 mil toneladas.

Não por acaso, o governo projeta para o Estado, até a safra 2025/2026, a produção de 18,2 milhões de toneladas de grãos colhidos e o abate de 4,8 milhões de animais, para processar 1,1 milhão de toneladas em equivalente carcaça, volume 27% acima do atual. Com isso, Minas poderia sair da posição de dono do segundo maior rebanho bovino, mas ocupando a quinta posição entre os maiores Estados que abatem bovinos.

No caso da família Queiroz, a estrutura de confinamento para o gado, em Frutal, comporta a engorda de 17 mil animais. Há, ainda, outros 4,2 mil bovinos confinados em uma fazenda arrendada no município de Riolândia (SP). O rebanho total inclui mais 30 mil animais mestiços, mas com base nelore, que dividem o espaço com a cana em oito fazendas. Para dar conta do projeto de intensificação, essa estrutura e a sua gestão vêm sendo sistematicamente modernizadas.

Donos de um dos primeiros confinamentos em Minas Gerais, a partir da entrada da cana no negócio, os Queiroz construíram uma fábrica de ração. Diariamente, ela processa 357 toneladas de alimentos para os bovinos, uma mistura de 15 ingredientes, entre milho em grão e germe, silagem de milho, silagem de grão úmido de milho, sorgo, polpa cítrica, bagaço de cana. “O bagaço vem da usina e o restante é comprado no mercado”, diz Queiroz Neto.

Já a água da chuva que cai na estrutura do confinamento, construído na última década, vai para tanques de decantação e é bombeada para a fertirrigação dos pastos. No ano passado, em três etapas de 105 dias de engorda, o confinamento engordou 55 mil animais que foram vendidos para o grupo frigorífico Minerva Foods.

Neste ano, os Queiroz esperam repetir a dose, mesmo com a expectativa de queda no confinamento total do País, por conta do cenário econômico tumultuado. Em 2016, o Brasil confinou cerca de quatro milhões de bovinos, praticamente o mesmo volume de 2015, de acordo com a consultoria IEG/FNP. Para 2017, a Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon) prevê uma redução de 10% no número de animais confinados.

Mas, para os Queiroz, o que vale é fazer contas. Isso porque eles afirmam que estão conseguindo contabilizar um bom e seguro lucro na pecuária. Em 2016, ele foi de R$ 250 por boi, 10% acima do ano anterior. Foram R$ 13,7 milhões limpos para o bolso. “Frutal vai continuar sendo uma boa praça para o boi”, diz Queiroz Neto. “Crise setorial, como a que atravessamos, não abala a nossa confiança de que gado sempre pode se tornar um bom negócio”. (Dinheiro Rural 10/08/2017)

 

Safra de cana deve totalizar 712,1 milhões de toneladas em 2017, diz IBGE

A produção nacional de cana-de-açúcar deve totalizar 712,1 milhões de toneladas em 2017, um crescimento de 1,2% em relação à estimativa de junho, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de julho, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram reavaliadas as safras dos Estados de São Paulo (+1,4%), Goiás (+10,9%), Espírito Santo (+13,1%) e Tocantins (+12,7%).

São Paulo, responsável por 54,4% da produção, aumentou a área plantada em 5,1% e reduziu o rendimento médio em 3,4%. Em Goiás ocorreu elevação de 10,2% da área plantada.

No Espírito Santo e no Tocantins a produtividade melhorou, devido ao ano mais chuvoso, o que propiciou o bom desenvolvimento dos canaviais. No Paraná, a produção de cana caiu 2,8%, com recuo de 1,2% na área e diminuição de 1,7% no rendimento médio. Segundo o IBGE, a produtividade dos canaviais está mais baixa porque a renovação ficou aquém do ideal. (IBGE 10/08/2017)

 

Incêndio destrói plantação de cana e área de preservação ambiental em Iacri (SP)

Combate ao fogo durou quatro horas e atingiu 400 hectares de canavial, além de áreas preservadas com cerca de 3 mil árvores. Bombeiros suspeitam de ação criminosa ou bituca de cigarro.

Um incêndio de grandes proporções atingiu na tarde desta quarta-feira (9) uma área de cerca de 400 hectares de uma plantação de cana-de-açúcar na região de Iacri (SP). Além do canavial, uma grande área de preservação ambiental, com cerca de 3 mil árvores, também foi afetada pelas chamas.

O fogo começou por volta das 13h e se alastrou rapidamente, sendo considerado controlado apenas no final da tarde. Depois desse horário, homens do Corpo de Bombeiros de Tupã (SP) continuaram na área rural, mesmo sem a luz do sol, para mapear possíveis focos restantes.

O fogo teria começado a mais de 10 quilômetros de uma estrada vicinal que liga Iacri à cidade de Rinópolis. No total, três fazendas com plantação de cana foram atingidas. Na área de preservação ambiental, protegida há 11 anos, também foi afetada boa parte da vegetação que protegia algumas nascentes.

As chamas também ameaçaram imóveis construídos na área rural. A preocupação dos bombeiros era que o fogo atingisse uma fábrica que produz ovo em pó, que tem em sua área tanques com combustível.

Caminhões-pipas de usinas da região e também da Sabesp ajudaram no combate às chamas, que durou cerca de quatro horas. Segundo o Corpo de bombeiros, o incêndio pode ter sido criminoso ou causado por motoristas que jogam bitucas de cigarros às margens de rodovias. (G1 10/08/2017)

 

OIA aponta superávit global de 4 milhões de t de açúcar na safra 2017/18

A produção global de açúcar na temporada 2017/18 deve ter um superávit de 4 milhões de toneladas, estimou a Organização Internacional do Açúcar (OIA), em relatório mensal divulgado nesta quinta-feira, 10.

Analistas do FO Licht e Rabobank projetaram um superávit de 5,4 milhões e 2,7 milhões, respectivamente, para a temporada 2017/18. Embora o processamento de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil esteja 6,13% abaixo do que foi reportado em meados de julho de 2016, a OIA disse que o clima mais seco na região deve ajudar a colheita e acelerar a moagem novamente.

Após um período de altas de preço em julho, a diferença no prêmio entre o açúcar bruto e o branco atingiu o menor nível desde maio de 2015, segundo o relatório da organização. A melhora de 5,3% nos preços do demerara em julho foi sustentada por uma correção técnica e cobertura de posições vendidas, disse o economista da OIA Sergey Gudoshnikov. (Down Jones 10/08/2017)

 

Petrobras reduz preço da gasolina e aumenta o diesel nas refinarias a partir de sexta (11)

A Petrobras vai reduzir em 1,2% o preço da gasolina e aumentar o diesel em 1,7% nas refinarias a partir desta sexta-feira, 11 de agosto.

A nova política de revisão de preços foi divulgada pela petroleira no dia 30 de junho. Com o novo modelo, a Petrobras espera acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores.

Em vez de esperar um mês para ajustar seus preços, a Petrobras agora avalia todas as condições do mercado para se adaptar, o que pode acontecer diariamente.

Além da concorrência, na decisão de revisão de preços, pesam as informações sobre o câmbio e as cotações internacionais. (Agência Estado 10/08/2017)