Setor sucroenergético

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Clealco sobre o balcão

A família Pizzo, controladora da sucroalcooleira Clealco, estaria reabrindo o processo de venda da companhia.

Com três usinas em São Paulo, o grupo tem uma dívida que não para de crescer e já passou da marca de R$ 1,5 bilhão.

Não sabe o que é lucro há quatro safras consecutivas.

No ciclo 2016/17, as perdas somaram mais de R$ 23o milhões.

Consta que, no ano passado, a Glencore quase comprou uma fatia da Clealco.

As negociações se arrastaram por mais de dez meses até que os suíços desistiram da operação por falta de um acordo com os bancos credores para a repactuação do passivo. (Reuters 15/08/2017)

 

Petrodólares

O fundo soberano Abu Dhabi Investments Authority está em busca de ativos de real estate no Brasil, notadamente galpões industriais e centros de distribuição.

Segundo o RR apurou, vai concentrar seus investimentos no interior de São Paulo. (Jornal Relatório Reservado 14/08/2017)

 

Açúcar: Efeito clima

As previsões climáticas para o Centro-Sul do Brasil esta semana deram força às cotações do açúcar em Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 13,30 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 25 pontos.

Segundo a Climatempo, os Estados de Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso e o sul de Minas Gerais devem receber chuva frequente e abundante esta semana, o que pode comprometer o avanço da colheita e moagem da cana no país.

Maior produtor mundial de açúcar, o país vinha se beneficiando do clima quente e seco dos últimos dias, com um volume recorde de cana processada na segunda quinzena de julho.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 54,30 a saca de 50 quilos, queda de 1,02%. (Valor Econômico 15/08/2017)

 

Queda externa e disponibilidade elevada pressionam valores do açúcar

As cotações do açúcar cristal continua em queda no mercado spot paulista, refletindo a ampla oferta de produto disponível para comercialização e o recuo das cotações externas do açúcar demerara.

Conforme pesquisadores do Cepea, os preços do demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures) voltaram para a casa dos 13 centavos de dólar por libra-peso na semana passada, pressionadas pela maior produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil e pela valorização da moeda norte-americana frente ao Real, que tende a estimular as exportações brasileiras de açúcar.

De 7 a 14 de agosto, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal, cor Icumsa entre 130 e 180 (estado de São Paulo), registrou queda de 5%, fechando a R$ 54,30/saca de 50 kg nessa segunda-feira, 14. No acumulado do mês, a baixa já é de 7,14%. (Cepea / ESALQ 15/08/2017)

 

Etanol hidratado sobe 2,36% e anidro avança 0,63% nas usinas paulistas

Preço do hidratado sobe pela quinta semana; anidro tem terceira alta

A demanda por etanol seguiu aquecida nos últimos dias, com grande número de negócios envolvendo volumes expressivos, segundo colaboradores do Cepea.

Do lado vendedor, as unidades que estavam retraídas voltaram ao mercado, aproveitando os preços em alta e as condições climáticas favoráveis à moagem. Por outro lado, a produtividade está menor, preocupando agentes.

Entre 7 e 11 de agosto, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou com média de R$ 1,4212/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), alta de 2,36% frente à semana anterior e a quinta elevação consecutiva.

Já o Indicador Cepea/Esalq do etanol anidro fechou a R$ 1,5288/litro (sem PIS/Cofins), aumento de 0,63% na mesma comparação e a terceira alta seguida. (Cepea / ESALQ 15/08/2017)

 

Preço da gasolina cai 0,13% nos postos

Os preços da gasolina recuaram, em média, 0,13% nos postos, na semana passada, em relação à anterior, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Foi a primeira semana de queda nos preços para o consumidor final desde o aumento das alíquotas do PIS/Cofins, anunciado no dia 20 de julho.

De acordo com a ANP, a média do preço da gasolina na semana de 6 a 12 de agosto foi de R$ 3,758 o litro no país. Ao todo, houve retração 18 das 26 Estados, mais o Distrito Federal, com destaque para os mercados do Amazonas (-2,73%), Bahia (-2,33%) e Mato Grosso do Sul (-2,19%). Em São Paulo, no entanto, os preços subiram 0,2%. Goiás (5,43%) e Pernambuco (5,23%) registraram os principais aumentos para o consumidor.

Os dados da ANP indicam que o recuo do preço da gasolina foi puxado principalmente pela queda de 11,5% nas margens dos revendedores. Na primeira semana após o aumento dos impostos (23 a 29 de julho), a margem chegou a subir 33%, para cerca de 17% do preço final. Desde então, o mercado se acomodou e a margem caiu para 11,3%.

Os preços do etanol hidratado seguiram movimentação semelhante à da gasolina e também registraram a primeira queda semanal desde o aumento da carga tributária. Segundo a ANP, os preços caíram 0,53% na semana passada, ante a anterior. O litro do biocombustível foi negociado, nas bombas, a uma média de R$ 2,594 na semana passada.

Já os preços do diesel registraram a terceira semana seguida de alta. O aumento médio foi de 0,45%. Desde o aumento da carga tributária, o derivado já subiu, em média, 6,1% nos postos. (Valor Econômico 15/08/2017)

 

Forte alta no lucro da São Martinho

A precificação antecipada das vendas de açúcar e o foco na comercialização de energia elétrica em um momento de alta do valor dos megawatts-hora no país turbinaram os resultados do grupo São Martinho no primeiro trimestre da temporada 2017/18. A companhia encerrou o período com lucro líquido de R$ 116,9 milhões, quase três vezes maior que o resultado do mesmo período da safra passada, de acordo com balanço divulgado ontem.

"Conseguimos precificar uma estratégia boa. Movimentamos açúcar e também energia em preços bons", disse Fabio Venturelli, presidente do grupo. Ao longo do trimestre, a empresa avançou na fixação dos preços do açúcar a ser vendido, que passou de um equivalente a 68% da commodity a ser produzida a partir da cana cultivada em suas próprias lavouras, em 31 de março, para 77% em 30 de junho.

Considerando o volume de açúcar vendido no último trimestre (372 mil toneladas) e a quantidade já precificada, mas que ainda não havia sido entregue (502,6 mil toneladas), o grupo tem cerca de 150 mil toneladas do produto a ser negociado nos níveis atuais de preço. No primeiro trimestre do exercício, o valor médio pelo qual a São Martinho vendeu seu açúcar foi de R$ 1.485,60 a tonelada, alta de 26,2% em relação a igual intervalo do ciclo. passado.

De uma receita líquida total no trimestre de R$ 867,9 milhões - incremento de 22,3% - as vendas de açúcar alcançaram R$ 552,7 milhões, em alta de 42,7%. Já o segmento de cogeração de energia gerou R$ 66,2 milhões, aumento de 51,5% na comparação. Além dos preços maiores no mercado livre, onde a São Martinho vende 20% de sua energia cogerada, essa frente de negócio também foi favorecida pela incorporação total da Usina Boa Vista, antes dividida com a Petrobras .

O tempo firme no período ajudou a São Martinho a acelerar a moagem de cana, recuperando o atraso do início da safra 2017/18, e levou a uma maior concentração de sacarose nas plantas, o que também favoreceu uma produção mais "açucareira" até o momento, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia.

Mas a empresa pisou no freio no segmento de etanol e está tentando estocar o produto para vender na segunda metade da safra. A receita com vendas de etanol hidratado caiu 26,4%, para R$ 50,4 milhões, mas a São Martinho detinha no fim do trimestre estoques 53% maiores do que no mesmo período da safra passada, ou 116 milhões de litros.

De acordo com Fabio Venturelli, o controle dos custos e a maior eficiência operacional contribuíram para um lucro antes de impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 475,3 milhões, aumento de 42,4%. A margem Ebitda cresceu, assim, 7,7 pontos percentuais, para 54,8%.

Esse resultado permitiu manter o índice de alavancagem (dívida líquida sobre Ebitda) no nível planejado (1,52 vez), o que permitirá à companhia distribuir ganhos aos acionistas e continuar investindo em tecnologia nas lavouras e em redução de custos, segundo o executivo. O lucro caixa, que se refere aos ganhos aos acionistas, somou R$ 230,2 milhões, alta de 125,5%. (Valor Econômico 15/08/2017)

 

Movimentação de açúcar por ferrovias cresce 187% em 10 anos no Brasil

No último mês de julho, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou o Anuário do Setor Ferroviário, com o objetivo de consolidar e divulgar os principais dados na movimentação de carga por ferrovias durante o período de 2006 a 2016. O Anuário indicou que a movimentação de açúcar, soja e farelo de soja por via férrea apresentou um crescimento de 28,9% durante o período de 2006 a 2016. No último ano, o açúcar foi responsável pela movimentação de 14,359 milhões de toneladas, enquanto a soja e farelo de soja totalizaram 22,820 milhões de toneladas na malha ferroviária brasileira.

Thiago Guilherme Péra, coordenador do ESALQ-LOG - Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da ESALQ/USP -Piracicaba, comentou a situação da logística ferroviária para as cargas agrícolas no país, envolvendo soja, farelo de soja, e, principalmente, o açúcar. “É interessante notarmos que no período analisado, o crescimento do transporte ferroviário de açúcar foi na ordem de 187,2% em termos absolutos, passando de 4,9 milhões para 14,359 milhões de toneladas movimentadas. Tal crescimento é bastante expressivo e decorrente dos fortes investimentos em infraestrutura pelo setor sucroenergético, principalmente em grandes regiões de produção dentro do estado de São Paulo”, comenta Péra.

Apesar de números expressivos, a situação para a movimentação da soja é oposta à do açúcar, que diminuiu a movimentação ferroviária de 23,849 milhões em 2006 para 22,820 milhões de toneladas em 2016. “Houve uma retração na movimentação do transporte ferroviário desses produtos no período analisado, algo oposto do que ocorreu no sistema de produção. No mesmo período tivemos um aumento da produção passando de 78,6 milhões em 2006 para 126,4 milhões de toneladas em 2016”, aponta o coordenador.

Em 2006, a movimentação ferroviária representava 30,33% da produção de soja e farelo de soja no país, enquanto em 2016 tal relação passou para 18,05%. Para o açúcar, em 2006 a relação entre movimentação ferroviária e produção no Centro-Sul brasileiro era de 19,38% e passou para 40,30%, de acordo com análises do Grupo ESALQ-LOG, com base nos dados da ANTT. “Quando analisamos a relação entre movimentação ferroviária e produção agrícola nos dois diferentes períodos, notamos que, para o setor de açúcar, tivemos uma efetiva diversificação da matriz de transporte com um crescimento ferroviário acima do crescimento da produção, algo oposto ao que tivemos para soja e farelo de soja, setor no qual a movimentação ferroviária não conseguiu acompanhar o aumento da produção ao longo do tempo.”

Segundo Péra, diversificar a matriz de transporte é fundamental para aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro. “Precisamos aumentar a oferta de transporte ferroviário, principalmente em regiões com grandes volumes de produção associados a uma alta dependência do modal rodoviário em rotas de longas distâncias. Esperamos que o crescimento da movimentação ferroviária de cargas agrícolas no país seja superior ao aumento da produção, para termos uma efetiva diversificação da matriz de transporte e possamos ganhar competitividade, trazendo maiores benefícios econômicos, ambientais e sociais para o agronegócio.” (ESALQ LOG 14/08/2017)

 

Leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, tem três inscritos: Cofco, CMAA e Interface

Um total de três empresas se inscreveram para o leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, em recuperação judicial, marcado para 4 de setembro, cujas inscrições terminaram na quinta-feira, disse à Reuters nesta sexta-feira uma fonte com conhecimento do assunto.

A Cofco do Brasil, a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA) e a Interface Brasil Securitizadora foram os grupos que manifestaram à Justiça interesse em participar do leilão da Usina Revati, declarou a fonte, na condição de anonimato.

A primeira, da gigante chinesa Cofco e com quatro usinas do país, e a segunda, com duas unidades no Triângulo Mineiro, já haviam informado a intenção de participar do pregão na semana passada, conforme revelou a Reuters.

Já a Interface Brasil Securitizadora se manifestou na quinta-feira, último dia para os interessados submeterem seus documentos à Justiça.

Não foi possível contatar a Interface.

Se a venda for bem-sucedida, será o terceiro negócio de usinas de cana por meio de leilões judiciais em menos de um ano, conforme players com melhor estrutura de capital buscam ativos de rivais endividados. A Glencore comprou a usina Guararapes em novembro do grupo Unialco. A Raízen Energia, uma joint venture entre a Cosan e a Royal Dutch Shell, fez em junho a aquisição de duas usinas da Tonon Bioenergia, por 823 milhões de reais.

A venda da usina da Renuka, localizada em Brejo Alegre (SP) e com capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, faz parte do processo de recuperação judicial da empresa, aprovado em maio pelos credores.

Com dívida de aproximadamente 2,7 bilhões de reais, a Renuka do Brasil está em recuperação judicial desde outubro de 2015. A Renuka do Brasil é subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, que iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

No ano passado, os credores chegaram a aprovar um plano que previa a venda da outra usina da empresa, a Madhu, em Promissão (SP). A unidade foi a leilão em dezembro por 700 milhões de reais, mas não atraiu interessados. (Reuters 14/08/2017)