Setor sucroenergético

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Etanol começa a ganhar espaço no mix de produção das usinas

Depois de um período de quase duas safras marcado pela ampliação das apostas na produção de açúcar para exportação, as usinas sucroalcooleiras da região Centro-Sul começam a "girar a chave" das operações para abrir mais espaço à produção de etanol, já que o biocombustível aos poucos passa a proporcionar às companhias uma remuneração melhor que a da commodity.
Desde que o governo elevou as alíquotas de PIS/Cofins sobre os combustíveis, o que deu maior competitividade ao etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) em relação à gasolina nas bombas de alguns Estados, incluindo São Paulo, a demanda pelo produto reagiu. O movimento garantiu cinco semanas consecutiva de altas do indicador de preços do hidratado nas usinas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).
William Hernandes, sócio da consultoria FG/A, afirma que atualmente as vendas de etanol hidratado têm gerado às usinas uma remuneração média entre 5% e 10% superior à do açúcar VHP, e, segundo ele, essa diferença poderá aumentar para 15% a 20% durante a entressafra. Enquanto os contratos de hidratado para entrega no curto prazo estão sendo negociados em torno de R$ 1,41 o litro na B3, os de vencimento no fim do ano já se aproximam de R$ 1,60.
"Quem está segurando o etanol para entrega em dezembro pode conseguir um ganho de 10%. No mercado de açúcar, não tem essa diferença entre os contratos com vencimento entre outubro e março do ano que vem", diz Hernandes.
As cotações do açúcar continuaram pressionadas na bolsa de Nova York, diante de uma safra internacional (2017/18, que terá início em outubro) para a qual se espera superavit. Ontem, os contratos para outubro caíram abaixo da "barreira" de 13 centavos de dólar a libra-peso; os papéis para março de 2018 fecharam em 13,79 centavos, menor valor de um contrato de segunda posição de entrega desde dia 29 de junho.
Tais oscilações não mudarão o tom mais "açucareiro" desta safra em relação ao ciclo passado, avalia Hernandes, mas vão atenuá-lo. Em 2016/17, 46,3% do caldo da cana processada no Centro-Sul foi destinado à produção de açúcar, de acordo com dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica).
De qualquer forma, alguns executivos do segmento indicaram que as apostas no etanol ainda poderão ser intensificadas com a volta das chuvas no Centro-Sul, que forçam as usinas a parar as atividades, e, nesse meio tempo, a programação de produção das unidades pode mudar.
Assim, a FG/A já ajustou suas estimativas de safra. A consultoria passou a estimar a produção de açúcar do Centro-Sul em 36,7 milhões de toneladas, ante as 37,2 milhões projetadas inicialmente. Para o etanol (anidro e hidratado), a previsão foi elevada de 24 bilhões de litros para 24,3 bilhões. No novo cenário, 48,1% do caldo de cana processado na região será destinado ao açúcar.
A mudança de cenário pautou todas as teleconferências das empresas do segmento com ações negociadas em bolsa sobre os resultados do primeiro trimestre da safra 2017/18. "Estamos analisando a possibilidade de produzir mais anidro e hidratado para capturar essas diferenças de preço", disse em uma delas Paula Kovarsky, diretora de relações com investidores da Cosan, que tem participação de 50% na Raízen Energia.
De acordo com a executiva da Cosan, o anidro já remunera melhor que o açúcar em todos os Estados. Mas ela ponderou que a produção do anidro consome mais vapor, o que reduz a cogeração em um momento no qual os preços de energia elétrica no mercado livre dispararam e superaram a marca de R$ 500 o megawatt-hora (MWh).
Rui Chammas, presidente da Biosev, afirmou, por sua vez, que a companhia alterou o mix de uma de suas usinas em Mato Grosso do Sul mais para o etanol no primeiro trimestre, e que as outras duas unidades no Estado seguiram o mesmo caminho. "O mix pode mudar até em São Paulo", acrescentou. Mas o executivo ressaltou que essa dinâmica é "bastante volátil". A Biosev tem cinco usinas em São Paulo.
A São Martinho preferiu não alterar sua estimativa para o mix e indicou que deverá continuar garantindo a produção de açúcar, boa parte dela contratada tendo como referência os contratos para outubro na bolsa de Nova York.
A empresa tem, contudo, cerca de 120 mil toneladas de açúcar oriundas de cana própria com produção nesta safra e sem preço fixado, o que deixa uma janela para uma eventual mudança de mix. "Há muita água para rolar. Prestamos muita atenção para tomar decisões acertadas e manter as melhores remunerações possíveis", afirmou Fabio Venturelli, presidente do grupo São Martinho. (Valor Econômico 17/08/2017)
 

Sindicom diz trabalhar com governo para rever alíquota de PIS/Cofins em etanol

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) está trabalhando com o governo federal para rever a alíquota de PIS/Cofins sobre o etanol, disse o presidente da entidade, Leonardo Gadotti, nesta terça-feira, 15, durante o Fórum Internacional de Postos de Serviços, Equipamentos, Lojas de Conveniência e Food Service, em São Paulo.
Com a necessidade de elevar a arrecadação, o governo federal aumentou a alíquota de PIS/Cofins sobre combustíveis, há cerca de um mês. Posteriormente, o governo usou um decreto que regulamenta o Conselho de Supervisão da Recuperação Fiscal de Estados para corrigir a alíquota de PIS/Cofins sobre o etanol, depois de a área econômica ter extrapolado os limites legais de aumento.
No dia 20 de julho, o governo havia anunciado o reajuste para as distribuidoras de zero para R$ 0,1964 por litro, mas depois definiu que o valor cobrado seria de R$ 0,1109 por litro.
Gadotti opinou que o setor convive com carga tributária elevada e, até esse último reajuste de alíquota de PIS/Cofins, o setor tinha sonegação de R$ 4,8 bilhões por ano. Com a elevação, a estimativa é de que sonegação possa alcançar R$ 20 bilhões por ano. (Agência Estado 17/08/2017)
 

Brasil vai arcar com ônus do superávit global de açúcar

O Brasil. responsável por quase metade das exportações globais de açúcar, enfrenta excesso de oferta em nível mundial e maior disputa por compradores. Os preços tiveram o pior início de ano desde a década de 1980. O agravante é que a safra recorde se mostra ainda maior do que se esperava na principal região produtora do país, exatamente quando o consumo mundial se desacelera e as pessoas optam por outras formas de adoçante.
Em 2016, a oferta limitada desencadeou a disparada nos contratos futuros. Já no período de 12 meses até abril, a produção deve crescer 5,2 por cento para a maior quantia já registrada, segundo previsão do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O Brasil pode ter dificuldades para encontrar compradores para o açúcar bruto logo antes do salto das exportações da União Europeia, que suspenderá restrições às safras e os limites a embarques para fora do bloco a partir de outubro.
"Não vejo demanda forte por açúcar depois de setembro, com o peso da volta da Europa", disse Pedro Mamoru Mizutani, trader da Czarnikow Group em São Paulo. "A percepção de superávit aumenta a partir do quarto trimestre."
A produção global nesta temporada chegará a um recorde de 179,6 milhões de toneladas, segundo o USDA. Na região Centro-Sul do Brasil, a produção deve atingir 36,4 milhões de toneladas, ou 900.000 a mais do que se previa no início do ano, de acordo com a firma de pesquisas Green Pool Commodity Specialist.
Superávit global
Após dois anos seguidos de déficit, o mundo pode ter superávit de aproximadamente 6 milhões de toneladas na safra 2017-18, de acordo com os cálculos da Green Pool. Já a Tropical Research Services estima o excedente em 4 milhões de toneladas, enquanto a Organização Internacional do Açúcar divulgou em maio expectativa de superávit de 3 milhões de toneladas.
A cotação do açúcar desabou 33 por cento desde o fim de 2016 para 13,13 centavos de dólar por libra-peso na terça-feira, nas negociações na bolsa ICE Futures, em Nova York. Foi a maior queda de início de ano desde 1984.
Os problemas brasileiros se intensificam com a expansão da produção e das vendas de beterraba na UE, após uma década de restrições. A medida pode elevar as vendas de açúcar branco refinado do bloco em 2 milhões de toneladas para 3 milhões na safra que começa em 1º de outubro, segundo cálculos de analistas. O movimento pode prejudicar as margens de lucro de refinarias localizadas no Oriente Médio e no norte da África, que não devem importar tanto açúcar bruto do Brasil.
Já há evidências de que o excesso de oferta está afetando as refinarias. O preço do açúcar branco refinado negociado em Londres acumula queda de 31 por cento e chegou a US$ 363,10 por tonelada na terça-feira. A diferença de preços entre o produto bruto e o refinado encolheu 35 por cento para aproximadamente US$ 75 por tonelada. No caso dos contratos futuros para entrega em março, o spread é de US$ 70. Muitas das maiores refinarias do mundo precisam de uma diferença mínima de US$ 100 para gerar lucro.
"Não dá para ganhar dinheiro com esse ágio do açúcar branco", disse o analista John Stansfield, da Sopex Group em Londres. "O mercado não está pagando as refinarias para importarem açúcar no quarto trimestre. Para muitas refinarias, o ágio do produto branco simplesmente não será suficiente para elas operarem nos próximos 12 meses."
A China também está comprando menos do Brasil. Os embarques para o país mais populoso do mundo e segundo maior consumidor mundial de açúcar diminuíram 80 por cento no primeiro semestre, após a elevação das tarifas de importação pela China no segundo trimestre.
Estoques da EU
Em alguma medida, essas vendas perdidas serão direcionadas para o leste da África, onde países como o Quênia enfrentam escassez no mercado doméstico por causa da seca, de acordo com a Enerfo Group. Os estoques na UE estão no menor patamar em uma década e, sendo assim, os produtores podem escolher primeiramente abastecer o mercado doméstico a vender para o exterior.
A China provavelmente vai preferir comprar da América Central por questões tarifárias. O contrabando de açúcar branco para o país asiático também está reduzindo a demanda pelo açúcar bruto do Brasil, disse Jeremy Austin, diretor do escritório brasileiro da Sucres et Denrées. Todos os cinco maiores produtores de açúcar do mundo terão safras maiores nesta temporada, incluindo a UE.
É mau sinal para exportadores brasileiros e para a demanda por açúcar bruto usado para refino, explicou Stansfield, da Sopex Group.
"Da forma que o ágio do produto branco está estruturado no momento, a Europa essencialmente vai se livrar de seus estoques", ele disse. "Outros grandes produtores -- Tailândia e Austrália - estão em regiões com déficit, então vão vender a compradores asiáticos. Portanto, está bem claro que existe superávit global do produto bruto, que está parado no Brasil". (Bloomberg 17/08/2017)
 

Reunião do Setor Sucroenergético na Assembleia Legislativa do Estado de SP

Acontece nesta quinta-feira (dia 17), das 9h às 12h, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), uma reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético, com a participação de representantes das Secretarias Estaduais do Meio Ambiente, da Agricultura e de Energia e Mineração, deputados, agentes da cadeia produtiva da cana-de-açúcar e entidades do setor, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Durante o encontro serão apresentados os resultados do Protocolo Agroambiental, as novas metas da segunda fase do projeto e também discutir outros temas estratégicos para a indústria.
O objetivo principal do evento é promover maior envolvimento da Frente Parlamentar aos novos compromissos do Protocolo, ganhando assim mais um aliado para o cumprimento das metas estabelecidas. A renovação do Protocolo Agroambiental foi assinada pelo setor privado e poder executivo estadual, no final de junho, durante o Congresso Ethanol Summit 2017.
Na ocasião, estarão presentes: Roberto Morais, presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético, Arnaldo Jardim, Secretário da Agricultura, Antônio Velloso, Secretário-adjunto do Meio Ambiente, João Carlos de Souza Meirelles, Secretário de Energia e Mineração, Alberto Malfi Sardilli, Comandante do Policiamento Ambiental, Eduardo Romão, presidente da ORPLANA e Elizabeth Farina, presidente da UNICA.
Reunião da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Sucroenergético
Data: 17 de agosto de 2017
Horário: das 8h às 12h
Local: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) / Sala Paulo Kobayashi
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, 201. (Assessoria de Comunicação 16/08/2017)
 

Fraude em venda de etanol usava empresas ‘barrigas de aluguel’

Alvos da 'Rosa dos Ventos' usavam distribuidoras de combustíveis em nome de 'laranjas' para sonegar tributos, que representam 33% do preço, gerando um rombo de R$ 3 bilhões.
O esquema de fraudes fiscais na comercialização de combustíveis, alvo da Operação Rosa dos Ventos, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 15, usava empresas chamadas de “barrigas de aluguel” para sonegar impostos e majorar os lucros com a venda de etanol. Onze firmas registradas em nome de “laranjas” foram identificadas, com um rombo de R$ 3 bilhões, e outras estão sob suspeita.
“Os investigados, valendo-se das falhas do sistema, criaram um gigantesco esquema montado para sonegar tributos e lavar dinheiro mediante a colocação de empresas em nome de ‘laranjas’, conhecidas no mercado como ‘barrigas de aluguel'”, afirma o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira, no relatório que deflagrou a Rosa dos Ventos.
O líder do “gigantesco esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, crimes contra a ordem tributária” alvo central da Rosa dos Ventos é o empresário Micenio Rossi Neto, de Campinas (SP), que está foragido. Ele e outros 23 pessoas tiveram prisão decretada pela 9ª Vara Federal. A detenções e buscas e apreensões foram realizadas em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e no Distrito Federal.
As investigações iniciaram em março de 2016, com a descoberta da fraude pela Receita na Euro Petróleo do Brasil, em {C}2013. A empresa é uma das 11 “barrigas de aluguel” usadas por Micenio. O empresário é suspeito de envolvimento em fraudes desde 2003, pelo menos. Em 2001, ele chegou a ser ouvido na CPI dos Combustíveis, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, como ‘representante da Exxel Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. e da Terra Distribuidora’.
Os outros nomes apontados como líderes do esquema são Adriano Rossi, Vuk Wanderley Ilic e Sidônio Vilela Gouveia
Esquema
As “barrigas de aluguel” alvo do esquema são distribuidoras de combustíveis colocadas em nome dos “laranjas”. Elas eram intermediárias na compra de etanol nas usinas para depois vendê-lo aos postos de gasolina sem recolher os tributos.
O esquema se valia do sistema tributário brasileiro, considerado pela PF “um terreno fértil para a prática de fraudes no setor de etanol por concentrar a cobrança dos tributos devidos pelos postos de gasolina nas distribuidoras”, afirma e completa: “Diferentemente do setor de petróleo, que concentra a cobrança dos tributos devidos pelos postos de combustíveis e pelas distribuidoras nas refinarias".
Enquanto nos derivados de petróleo a maior parte dos tributos é recolhida pelas refinarias, no etanol o recolhimento é feito em parte pelas usinas (cerca de 67%) e em parte nas distribuidoras (cerca de 33%
“Com esta sistemática, a alta carga tributária que incide nas distribuidoras, de 33% do valor cobrado ao posto, faz com que o setor seja um terreno fértil para fraudes fiscais”, afirma o delegado Victor Hugo. A fraude envolve recolhimento de três tributos, PIS, Cofins e ICMS.
O delegado afirma que se uma refinaria de petróleo ou uma usina de açúcar e etanol sonegam tributos sua planta industrial poderá ser sequestrada para garantir o cumprimento de suas dívidas.
“Uma distribuidora de combustível, no entanto, não precisa de grandes instalações para operar: uma sala, uma mesa, um computador, uma impressora e um telefone já são suficientes para começar um negócio, já que seu combustível pode ser armazenado em tanques de terceiros, que cedem sua capacidade de estocagem mediante pagamento. Ocorre que estes ‘terceiros’, muitas vezes, são na verdade as empresas ‘ostensivas’ do mesmo grupo econômico que colocou a distribuidora em nome de laranjas para sonegar tributos”.
O esquema garantia maiores lucros aos chefes, que vendem o combustível a preços mais baixos que os concorrentes, e o aumento de sua participação no mercado. “Agindo assim, o grupo econômico aufere lucros maiores e obtém vantagem competitiva no mercado diante das empresas que cumprem com suas obrigações perante o fisco”, relata.
Fachada
As “barrigas de aluguel” são empresas de fachada consideradas “o cerne do esquema criminoso, que é todo estruturado em torno delas”, segundo a PF.
“A vida útil destas distribuidoras é curta, cerca de três ou quatro anos, tempo suficiente para que o Fisco confirme que a empresa não é apenas inadimplente e sim sonegadora”, informa o delegado. “Na maior parte das vezes, não é possível cobrar os tributos em razão da dificuldade de se vincular a distribuidora inidônea aos seus verdadeiros donos”.
“Elas têm sócios, capital social, sede e emitem nota fiscal discriminando os tributos devidos nas operações que, no entanto, jamais são recolhidos, nem o da distribuidora nem o dos postos, que foram descontados em regime de substituição tributária”, segundo o pedido de prisão.
“Até que a empresa seja autuada já se passaram anos de sua atividade e quando o Fisco busca garantir o pagamento da dívida não há bens para arrestar porque as empresas estão em nome de ‘laranjas’”, garante
Quando as “barrigas de aluguel” são identificadas, outras são criadas em seu lugar.
O delegado destaca que ao contrário do sonegador tradicional, que não emite nota, “os criminosos aqui investigados emitem a nota e não recolhem os tributos, usando da vantagem ilícita que tal conduta lhe proporciona para reduzir seus preços, aumentar seus lucros, e avançar sobre a concorrência de forma desleal.
“Chega-se a vender o produto por valores impraticáveis para as empresas que operam na legalidade, geralmente abaixo do preço de custo”.{C}
Rombo
O relatório da Rosa dos Ventos informa que “as várias empresas em nome de “laranjas” utilizadas pela organização criminosa ao longo dos anos devem mais de R$ 3 bilhões de reais aos cofres públicos, como mostram os documentos encaminhados pela Receita Federal e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo”.{C}
No documento, o delegado fez um comparativo: “Para se ter uma ideia do que isso representa, a dívida ativa e os créditos tributários já constituídos não definitivamente em nome das empresas abertas em nome de laranjas seria suficiente para construir 46.581 casas populares de 60m2 para a população de baixa renda”.{C}
Ele ainda continua: “Para chegar a este valor não fizemos nenhuma estimativa, apenas nos baseamos em informações contidas em documentos oficiais encaminhados pela Receita Federal e pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo que dizem respeito aos autos de infração e à dívida ativa relativos às 11 empresas colocadas pela organização criminosa em nome de ‘laranjas’”.{C}
Segundo a PF, “não estão computados os créditos contra as empresas ostensivas e contra as pessoas físicas dos investigados, nem contra outras empresas de ‘laranjas’ identificadas apenas no final desta fase das investigações; nem o prejuízo causado “pela falsificação de títulos da dívida pública brasileira” nem o prejuízo causado ao País com o possível envio de pedras preciosas ao exterior, que são declaradas à Receita Federal por um real e negociadas em outros países por centenas de milhões de dólares”.{C}
Para a polícia, o esquema descoberto na Rosa dos Ventos envolve “complexa trama empresarial que foi construída com o objetivo de proteger o patrimônio pessoal dos investigados e de inviabilizar a cobrança dos tributos por eles devidos”.{C}
Um esquema criminoso que “vem perpetuando às fraudes ao longo do tempo e gerando gravíssimo prejuízo não apenas ao fisco, mas também à concorrência e à ordem econômica”.{C}
“Miceno criou uma complexa engenharia societária para justificar e proteger o patrimônio que amealhou com os crimes que cometeu e ainda vem cometendo, colocando várias empresas em nome de seus filhos Gustavo Amaral Rossi, Eduardo de Oliveira Rossi, Érika Amaral Rossi e de sua ex-esposa, Paula Ângela Amaral Cauduro.
Com a prisão da maior parte dos envolvidos, a PF quer apurar a totalidade de “empresas abertas em nome de laranja que já serviram ao esquema” e ainda identificar “se houve participação de servidores públicos na prática dos crimes, o que parece provável”. (O Estado de São Paulo 16/08/2017)
 
 

Copersucar é multada por manipulação em Nova York

A brasileira Copersucar pagará US$ 300 mil de multa aplicada pelo órgão americano responsável pela regulação do mercado de contratos futuros de commodities por manipulação nas negociações de papéis de açúcar.{C}
Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, nas sigla em inglês), a Copersucar realizou operações fictícias (conhecidas como "wash trade") com contratos de açúcar demerara na bolsa de Nova York em diversas ocasiões entre abril de 2013 e setembro de 2014.{C}
Nesse tipo de operação, a empresa opera tanto como compradora como vendedora dos mesmos papéis. Uma das consequências costuma ser o aumento da liquidez, aparentando uma demanda maior que a real.{C}
Até então, a Copersucar ainda não comercializava seu açúcar por meio da Alvean, joint venture com a Cargill, que entrou em operação em outubro de 2014.{C}
Procurada, a Copersucar não comentou. Mas a própria CFTC afirmou, em nota, que a empresa comprometeu-se a mudar políticas e procedimentos para evitar novas violações. Entre as medidas com as quais a Copersucar se comprometeu está o treinamento de seus operadores e a adoção de tecnologia para prevenir "self-trade". (Valor Econômico 17/08/2017)
 
 

Com RenovaBio, custo de etanol pode cair até R$ 0,45 por litro, diz Nastari

O custo de produzir etanol deve cair R$ {C}0,19 a R$ 0,45 por litro, ou 12% a 29%, com o aumento da produtividade agroindustrial no setor sucroenergético após a implantação do RenovaBio, programa de fomento aos bicombustíveis e à redução de emissões no Brasil ainda em gestação no governo federal. A estimativa é da Datagro Consultoria.{C}
Ao Broadcast Agro, Plinio Nastari, presidente da consultoria e integrante do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), explicou que o custo de produção do combustível vai refletir o aumento da produtividade nas lavouras de cana-de-açúcar e nas destilarias quando o programa for adotado.{C}
"O RenovaBio cria um sistema que premia o produtor. Quem vender primeiro é o mais eficiente e o que mais economiza toneladas de carbono", disse Nastari. A proposta desenhada do RenovaBio prevê que produtores de etanol emitam Créditos de Descarbonização de Biocombustíveis (CDBios). Esses papéis seriam comercializados na B3 e adquiridos por distribuidoras que venderem combustíveis fósseis como forma de compensar emissões.{C}
Recursos captados com os CDBios se transformariam em novos investimentos para o setor e a produtividade agroindustrial voltaria a crescer, o que não ocorre desde a década passada. O investimento reduziria o custo do etanol, e, consequentemente, os preços aos consumidores, gerando demanda. "Não tem subsídio, não tem taxação e nem imposto novo. Por isso é tão difícil ser contra (o programa)", disse Nastari.{C}
Levantamento da Datagro aponta que a produtividade agroindustrial no setor sucroenergético brasileiro cresceu de {C}2.025 litros de etanol por hectare de cana, para 6.831 litros/hectare entre 1975, ano de nascimento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), e {C}2010, a uma taxa de, 3,54% ao ano. Com o agravamento da crise do setor e a redução dos gastos com lavouras e a indústria, a produtividade agroindustrial caiu entre 2010 e 2016, para 5.688 litros/hectare no ano passado.{C}
"O RenovaBio estimulará o produtor a investir em produtividade e o primeiro passo será retomar os níveis de 2010. Mas existem produtores que já estão acima desses {C}6.831 litros de etanol por hectare, com 9 mil a 10 mil litros por hectare, e o programa induziria outros produtores a irem nessa direção", afirmou Nastari.{C}
O presidente da Datagro Consultoria é cauteloso ao comentar a demora do governo para anunciar o RenovaBio. Após mais de um ano de discussão no Ministério das Minas e Energia, o programa está na Casa Civil e deve se transformar em uma Medida Provisória. "Está havendo uma avaliação com participação de vários ministérios para estudar os impactos da medida. É normal dentro do trâmite e reputo isso como um cuidado até justificado pela extensão do RenovaBio", concluiu. (Agência Estado 16/08/2017)
 
 
 

Andav: barter é usado por metade de distribuidores de insumos agropecuários

Pouco mais da metade das distribuidoras de insumos agropecuários do Brasil utilizam o barter, a troca de insumos por grãos, como ferramenta de comercialização. A 2ª Pesquisa Nacional da Distribuição mostrou que 56% das associadas adotam o barter. No entanto, apenas 23% delas têm 30% ou mais de seu faturamento atrelado a este tipo de operação. O restante da receita vem de vendas a prazo, com pagamento dos insumos na época da colheita, e a outra parte é feita à vista. Mato Grosso é o Estado onde o barter é mais utilizado, com 46% das revendas tendo 30% ou mais de sua receita vinculada à ferramenta. Em seguida, aparecem Minas Gerais, com 30%, Goiás, com 25%, Tocantins, com 24%, Paraná, com 17%, e Rio Grande do Sul e São Paulo, ambos com 12%. A pesquisa, que ouviu 65% das 371 empresas associadas à Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e seus cerca de 1.600 pontos de venda distribuídos pelo País, foi apresentada nesta segunda-feira, 14, pelo diretor do conselho da Andav, Estevan Bento.{C}

Uma das razões para a baixa adoção do barter pelas revendas, explicou o presidente executivo da Andav, Henrique Mazotini, é o fato de a ferramenta exigir um conhecimento específico para usá-la, além de parceria com tradings ou o travamento dos preços dos grãos em uma bolsa de mercadorias. “O barter é uma importante garantia de caixa e de crédito, especialmente para as revendas com menor faturamento, mas nem todas as empresas da Andav dominam o processo de realização de barter”, afirmou. A contratação de um seguro também é importante para a difusão da operação, acrescentou o presidente da Andav, para dar garantias às partes em caso de quebra ou perdas na safra.{C}
A associação tem orientado seus associados a utilizarem mais o barter, a fim de aumentar a parcela de produtores que quitam o débito com insumos durante a colheita e, desta forma, reduzir o descasamento entre os períodos de compra de insumos pelas revendas e de recebimento do pagamento dos produtores. “Hoje o produtor (que não fez barter) está colhendo o produto, mas não está quitando o insumo porque demora a comercializar o grão. Com o barter a revenda teria garantido o pagamento no momento da colheita”, disse Estevan Bento.{C}
O levantamento da Andav também apontou que a associação movimentou 33,7%; ou R$ 37 bilhões, dos R$ 100,9 bilhões faturados em 2016 com a venda de fertilizantes, defensivos, sementes, nutrição animal e medicamentos veterinários. O porcentual se refere às vendas feitas pela indústria de insumos, cooperativas e tradings diretamente com produtores.{C}
Das 371 associadas da Andav, somente 15 têm receita acima de R$ 500 milhões, de acordo com a pesquisa. Setenta delas registraram em 2016 receita entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões; 167 associadas, de R$ 20 milhões a R$ 100 milhões, e 119 delas, faturamento de até R$ 20 milhões.{C}
O mercado de defensivos é a maior fonte de receita das distribuidoras com insumos (não inclui os ganhos com originação de grãos), responsável por 48% do faturamento. Em seguida estão as sementes, com 17% da receita, fertilizantes, com 13% e fertilizantes especiais, com 10%. O levantamento apontou também que o estoque de passagem atual das distribuidoras de insumos representa 23% de seu faturamento. Do total estocado, 67% são defensivos, 21% são sementes, 8% são fertilizantes, 3% são medicamentos veterinários e 3%, outros produtos.{C}
Mazotini reforçou, ainda, a estimativa de aumento de 8% a 10% das vendas de insumos em 2017, conforme antecipado pelo Broadcast Agro no dia 24 de julho. (Estadão Conteúdo 14/08/2017 às 17h: 58m)
 
 

Plantio de cana na Amazônia tem apoio da CDR e vai à Comissão de Meio Ambiente

Avançou mais uma etapa nesta quarta-feira (16) projeto que permite o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, em áreas já degradadas de floresta e nos trechos de cerrado e campos gerais dos estados que compõem essa região, como por exemplo, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. A proposta (PLS 626/2011) recebeu parecer favorável da Comissão de Desenvolvimento Regional e segue agora para análise da Comissão de Meio Ambiente (CMA).{C}
Pelo texto original, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), o plantio seria autorizado em áreas “alteradas”, ou seja, aquelas que já sofreram o impacto da presença humana, mas que ainda possuem capacidade de regeneração natural, segundo as normas ambientais.{C}
Uma emenda de Plenário, contudo, restringiu o plantio a áreas que já estivessem degradadas (sem capacidade de regeneração natural) até a data de 31 de janeiro de 2010. Ainda de acordo com a emenda, a situação de degradação deve ser comprovada pelos órgãos ambientais.{C}
A liberação do plantio deve ter como diretrizes, entre outras, a proteção ao meio ambiente, a conservação da biodiversidade, a utilização racional dos recursos naturais e o respeito ao trabalhador rural e à livre concorrência.{C}
O projeto determina que seja criado regulamento para definir condições, critérios e vedações para a concessão de crédito para cultivo de cana-de-açúcar e produção de açúcar, etanol e outros biocombustíveis e derivados na Amazônia Legal.{C}
Com a proposta, o autor quer ampliar as áreas de cultivo de cana, para estimular a produção de etanol e possibilitar o atendimento de crescentes demandas pelo combustível, dando uma atividade econômica para áreas já desmatadas naqueles estados.
Produtividade
O relator da matéria, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), deu voto favorável ao projeto e à emenda de Plenário e a outra apresentada na CAE, onde também foi relator.{C}
Raupp apresentou na CAE emenda apenas para substituir a expressão “nos biomas Cerrado e Campos Gerais” pelos termos “nas áreas de bioma cerrado e de campos gerais”, com a justificativa de que Campos Gerais não é um bioma, e sim uma formação vegetacional, conforme Mapa de Vegetação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).{C}
Ele entende que a ampliação da produção de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, desde que observadas as restrições relativas às alterações ambientais, possibilitará “a elevação da produtividade da terra e do trabalho naquelas áreas ocupadas por atividades pouco produtivas, contribuindo para a geração de riqueza e empregos”.{C}
Como esclareceu o senador, é fundamental regulamentar corretamente o que sejam tais formações, para evitar confusões com o Código Florestal. Ele explicou que a área de Reserva Legal na Amazônia Legal, em regiões de campos gerais, é de 20%, enquanto para cerrado e floresta é de, respectivamente, 35% e 80%.{C}
“Se cultivamos milho na Amazônia para produzir o etanol por que não a cana-de-açúcar? Será uma opção do empresário decidir se produzirá o etanol a partir de um ou de outro”, exemplificou Raupp.{C}
"Nenhuma árvore" derrubada
Flexa Ribeiro ressaltou que a proposta visa autorizar o plantio de cana apenas em áreas “antropizadas” (alteradas pela atividade humana), sem permissão para a derrubada de “nenhuma árvore”. Depois, lamentou que algo tão “simples” tivesse motivado medidas para alongar a tramitação, enquanto são divulgadas notícias de que o país está importando etanol.{C}
“O bloqueio não é ambiental, mas econômico. A cana-de-açúcar na Amazônia tem mais sacarose do que outras regiões e a produtividade é maior. Produtores de São Paulo e do Sul tentam embargar por uma questão de concorrência”, lamentou.{C}
O projeto já havia sido aprovado anteriormente pelas comissões de Agricultura (CRA), Desenvolvimento Regional (CDR) e de Meio Ambiente (CMA). Quando tramitava em Plenário, por força de recurso, recebeu a emenda que trata do limite de tempo (fim de 2010) para incorporação de áreas degradadas ou de pastagens para o plantio de cana, mediante comprovação do órgão ambiental.{C}
A proposta foi alvo de requerimento para também passar por exame de outras comissões. Depois de voltar à CMA ela será analisada em Plenário. (Agência Senado 16/08/2017){
 
 
 

Fixação de vendas de açúcar da safra 2018/19 alcança {C}2,7 mi t, diz consultoria

 As usinas brasileiras já haviam fixado, até 31 de julho, os preços para vendas futuras de açúcar de 2,7 milhões de toneladas da safra 2018/19, que se inicia em abril do ano que vem, segundo a primeira estimativa da Archer Consulting para a nova temporada.{C}
O volume representa 10 por cento do total da exportação prevista. O preço médio de fixação, segundo a consultoria, foi de 1.222 reais por tonelada, ou pouco mais de 53 centavos de real por libra-peso.{C}
"A queda abrupta dos preços do açúcar em duas fases este ano, a primeira em março e depois em maio/junho, fizeram com que as usinas diminuíssem o ritmo de fixações. Além, evidentemente, das restrições creditícias", concluiu a consultoria. (Reuters 16/08/2017)
 
 
 

Braskem inicia 'nova fase' e é 1ª a tirar vermelho da Odebrecht da marca

A Braskem aproveitou seu aniversário de 15 anos de operação para anunciar a mudança em sua marca. A empresa foi a primeira pertencente à holding da Odebrecht a fazer a alteração em seu logotipo.{C}
As empresas do grupo vão mudar seus nomes e seus logotipos a partir deste mês, como parte de uma estratégia que vem sendo desenhada desde meados do ano passado, na tentativa de se distanciarem de um título que ficou associado à Lava Jato e à corrupção.{C}
As cores e o padrão gráfico deixam de ter semelhança com o logotipo vermelho e o padrão das letras da Odebrecht.{C}
O tradicional "vermelho Odebrecht" deu lugar ao azul e ao amarelo na nova marca. "A aplicação dessas cores buscam representar a aspectos como abrangência global, foco em sustentabilidade e a força das relações humanas", diz a empresa em comunicado.{C}
Segundo a Braskem, o novo logotipo busca expressar características como resiliência, foco e transparência. "O símbolo utilizado remete à letra 'B' e dá forma a uma seta, indicando a estratégia da empresa orientada ao futuro."{C}
"Somos uma empresa jovem, com uma estratégia sólida e bem-sucedida de crescimento global. Para celebrar os 15 anos e marcar o início de uma nova fase, estamos lançando uma nova identidade visual que acompanhará nossa trajetória, de desafios e conquistas", diz Fernando Musa, presidente-executivo da Braskem.{C}
Musa justifica que a mudança é o símbolo da ambição da empresa de seguir evoluindo como um importante competidor do setor petroquímico global. A Braskem é uma das maiores produtoras mundiais de resinas termoplásticas e já conta 8.000 integrantes e opera 41 plantas industriais, sendo 29 no Brasil, seis nos EUA, quatro no México e duas na Alemanha.{C}
A petroquímica registrou lucro líquido consolidado no segundo trimestre de R$ 1,142 bilhão, um salto de 316% em relação ao lucro de R$ 275 milhões registrado mesmo período do ano passado, informou a empresa nesta quarta-feira (16).{C}
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 3,029 bilhões, alta de 1% ante o mesmo período do ano passado.{C}
A empresa atribui o desempenho no trimestre à "manutenção das saudáveis margens do setor petroquímico, além de ganho de capital com a venda da quantiQ e da maior produção do Complexo Petroquímico do México, que estava em processo de partida em meados do ano passado".{C}
"CONTRA A CORRUPÇÃO"
No processo de mudanças de marcas, o nome da holding permanecerá intacto, mas a palavra Odebrecht será expurgada de todos os negócios que a abrigavam no nome, como a Odebrecht Óleo e Gás e a Odebrecht Realizações Imobiliárias, que até o fim do ano aparecerão repaginadas.{C}
A cor vermelha do logotipo tradicional e a tipologia das letras padronizadas com a marca-mãe também serão descartadas.{C}
Também fazem parte da lista a empresa de infraestrutura Odebrecht Transport, a Odebrecht Latinvest, de investimento em infraestrutura e logística, e a Odebrecht Agroindustrial, do setor de etanol.{C}
Assim como a Braskem, a Foz, do setor de água e esgoto, e a Enseada, indústria naval, conservarão seus nomes, mudando apenas a marca.{C}
A construtora e a holding são as únicas que permanecerão como são hoje.{C}
Em entrevista à Folha no início de agosto, o diretor Marcelo Lyra, responsável pela área de comunicação da Odebrecht, disse que a empresa está passando por uma "trajetória de recuperação reputacional" e preparando respostas cobradas pela sociedade e também por seu público interno.{C}
"Nós dividimos as principais mensagens. A primeira mensagem que a sociedade quer ouvir é o que nós estamos fazendo para não cometer mais os erros do passado. Quais são as mudanças efetivas na gestão da empresa e na governança? E isso está sendo feito com novos conselheiros, independentes, uma disciplina mais rigorosa, nos modelos de empresas de capital aberto, e todos o movimentos de reestruturação", disse Lyra. (Folha de São Paulo 16/08/2017)
 

Adecoagro reverte prejuízo e lucra US$ {C}3,8 mi no 2º trimestre de 2017

A Adecoagro, que atua no setor agrícola na América do Sul, obteve lucro líquido de US$ 3,8 milhões no segundo trimestre de 2017, informou a companhia. Em igual período do ano passado, a companhia tinha registrado prejuízo de US$ 17,75 milhões.{C}
A receita líquida aumentou 35% na mesma base de comparação, para US$ 221,8 milhões. Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 31%, para US$ 67,2 milhões.{C}
No Brasil, a empresa opera principalmente no setor sucroalcooleiro. A companhia também tem forte atuação na produção de grãos e lácteos na Argentina e no Uruguai.{C}
No segmento de açúcar, etanol e cogeração de energia a partir de cana, o Ebitda ajustado totalizou US$ 61,4 milhões, um aumento de 21,2% ante o segundo trimestre de 2016. Segundo a Adecoagro, os volumes de vendas de açúcar e etanol no segundo trimestre cresceram 22,5% e 53,5%, respectivamente, ante igual período do ano passado.{C}
Também contribuíram para o resultado os preços de venda de açúcar, etanol e energia, que aumentaram 14,6%, 16,5% e 49,2%, respectivamente. A melhora ocorreu apesar de uma queda de 8,6% no esmagamento de cana-de-açúcar no segundo trimestre e da apreciação do real ante o dólar, que resultou em maiores custos de produção em dólares.{C}
O Ebitda ajustado do segmento que engloba a produção de grãos e lácteos mais do que dobrou no segundo trimestre, para US$ 11 milhões. (Agência Estado 16/08/2017)
 
 

Limite de crédito a cooperativa deve subir para R$ 800 milhões

Após várias reuniões nas últimas duas semanas entre técnicos do governo e representantes do agronegócio, a equipe econômica recuou e decidiu que vai rever a regulamentação incluída no atual Plano Safra (2017/18), que limitou a contratação de crédito rural a juros controlados pelas cooperativas agropecuárias pelo menos até a temporada 2019/20.{C}
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, disse ao Valor que técnicos do Ministério da Fazenda e do Banco Central avisaram, na segunda-feira (14/08), que o Conselho Monetário Nacional (CMN) fará um novo voto, elevando de R$ 600 milhões para R$ 800 milhões o teto de financiamento por CNPJ de cooperativa para a atual safra, a 2017/18. Esse novo limite ainda deve valer para as safras seguintes e não mais recuará a cada safra pelos próximos três anos, como estipulado antes.{C}
Quando lançou o Plano Safra 2017/18, no dia 7 de junho, o CMN definiu que as cooperativas agrícolas teriam que respeitar um limite de tomada de crédito rural a juros controlados de R$ 600 milhões por CNPJ, e que esse teto cairia para R$ 500 milhões em 2018/19 e para R$ 400 milhões em 2019/20.{C}
"Já ficou alinhado que os limites serão revistos para esta safra e outras regras que restringiam o acesso das cooperativas ao crédito rural serão revogadas, mas estamos confiantes de que o CMN vai aprovar nossa recomendação", afirmou Geller. Ainda falta definir, no entanto, se o CMN deve convocar uma reunião extraordinária já na semana que vem para tratar do tema, ou se deixará o assunto para sua próxima reunião oficial, marcada para 31 de agosto.{C}
Nesta quarta-feira (16/08), uma reunião entre o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, dirigentes da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e deputados da bancada ruralista pode definir esse prazo. Mas o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), que participou das negociações com o governo, disse que a tendência é que o CMN decida no fim do mês.{C}
Entre as outras medidas já tomadas pela equipe econômica, ficou acertado que as cooperativas de produção agropecuária também poderão voltar a acessar linhas de crédito para comercialização e industrialização a juros controlados, como acontecia até a temporada 2015/16. E uma espécie de exigibilidade que previa que os bancos deveriam direcionar apenas 25% de crédito de custeio a juros controlados também será eliminada.{C}
Segundo Geller, o CMN também deve voltar atrás e não mais exigir das cooperativas que entreguem ao Banco Central uma lista prévia contendo os nomes de todos os seus cooperados que irão usufruir de financiamentos destinados à aquisição de insumos. (Assessoria de Comunicação 16/08/2017)