Setor sucroenergético

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Morre aos 92 anos, o industrial Carlos Lyra

Corpo do empresário está sendo velado no Parque das Flores.

 O Industrial Carlos Lyra, dono da Usina Caeté, produtora de cana-de-açúcar localizada no município de São Miguel dos Campos, morreu na madrugada deste domingo, aos 92 anos. Lyra era irmão do industrial e ex-deputado federal João Lyra. O corpo está sendo velado no Campo Santo Parque das Flores, no bairro Tabuleiro do Martins em Maceió e o sepultamento ocorrerá às 14h30min.Segundo assessoria, o empresário faleceu de causas naturais.

Carlos Lyra presidiu um conglomerado formado por dez empresas instaladas em Alagoas, Minas Gerais e São Paulo com atuação nos ramos sucronegócio, bioenergia, têxtil, táxi-aéreo, radiodifusão e agropecuária.

Formado em Engenharia Química pela TRI – STATE University Indiana (USA), aos 26 anos assumiu o controle acionário e a presidência da Algodoeira Lagense S/A.Lyra começou suas atividades empresariais ao adquirir em 1965, a Usina Caeté a partir de uma visão da possibilidade de cultivar cana-de-açúcar nos tabuleiros de Alagoas (Tribuna Hoje, 20/8/17)

 

Clealco finaliza acordo para reestruturar dívida

O grupo Clealco, dono de três usinas sucroalcooleiras em São Paulo, concluiu na quinta-feira um acordo com seus credores para reestruturar R$ 1 bilhão em dívidas, conforme apurou o Valor.

A operação permitirá desafogar a empresa das obrigações financeiras que venciam no curto prazo (em até 12 meses), que representam aproximadamente R$ 600 milhões da dívida total. A reestruturação teve a consultoria da Pantalica Partners.

Uma parcela de 70% de todo o passivo foi renegociada com Itaú, Rabobank e Santander. A dívida com esses bancos começará a ser paga somente a partir de março de 2019, e as parcelas serão crescentes até a safra 2023/24.

Os créditos acertados em dólar com essas instituições financeiras têm um custo atual de 6,5% ao ano, enquanto o valor em reais têm custo atrelado ao CDI mais 3%. O custo da dívida total está em 10%.

Uma outra parcela da dívida já havia sido renegociada em julho com outros sete bancos. Pelo acordado na ocasião, a Clealco pagará a essas instituições R$ 180 milhões com prazos de três a cinco anos e um ano de carência.

Os outros R$ 120 milhões da dívida referem-se a empréstimos contratados no BNDES nas linhas do Prorenova, de renovação de canaviais, e do Finame, para a aquisição de máquinas e equipamentos.

No acordo fechado com os credores, a Clealco também se comprometeu a vender fazendas para garantir a amortização de parte da dívida. Devem ser vendidos 12 mil hectares, e a expectativa é levantar até R$ 400 milhões. As terras estão localizadas na região de Araçatuba, que fornecem cana para as usinas de Queiroz e Clementina.

Em seu último balanço, a empresa informou que o recurso a ser obtido com essas vendas não seria totalmente destinado ao pagamento das dívidas. Do total, 40% seria destinado para recompor o capital de giro da companhia.

A Clealco vem renegociando suas dívidas desde fevereiro, quando entrou com um acordo de suspensão de cobranças com os credores ("stand-still"). (Valor Econômico 21/08/2017)

 

Mix de etanol de usinas deve superar média histórica com RenovaBio

Com as mudanças em curso na política de combustíveis do Brasil, o percentual de cana do país destinado à produção de açúcar pode ficar abaixo da média histórica de 45%, segundo avaliação da consultoria Capital Economics.

“O crescimento consistente da produção de etanol pode se traduzir em menor produção de açúcar e exportações mais fracas”, avaliou a empresa em relatório.

A Capital Economics destacou a perspectiva de aprovação de uma Medida Provisória que implementa o programa RenovaBio. Elaborado a partir dos compromissos ambientais firmados em 2015 pelo Brasil na COP21, o programa deve instituir metas de redução de gases causadores do efeito estufa por distribuidoras até 2030.

“Com mais da metade da cana da região Centro-Sul do Brasil já destinada para produção de etanol, essa política poderia impulsionar essa participação para patamares acima da média histórica de 55% nos últimos 10 anos no futuro”, explica a consultoria. (Valor Econômico 17/08/2017 às 19h: 11m)

 

Justiça suspende alta de impostos sobre gasolina, diesel e etanol

A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu nesta sexta-feira (18) o reajuste das alíquotas do PIS (Programa de Integração Social) e da Contribuição para o Cofins (Financiamento da Seguridade Social) sobre a gasolina, o diesel e o etanol, anunciado pelo governo no mês passado.

A decisão, assinada pela juíza Adversi de Abreu, atende a um pedido feito pelo deputado Aliel Machado (Rede-PR)."Não parece razoável que, necessitando corrigir desmandos de gestões anteriores, o governo venha se valer da solução mais fácil, aumentar tributos, que desde tempos imemoriais vem sendo historicamente adotados por governos em momentos de crise, lembrando sempre que os governos são eleitos para promover o bem comum e não para penalizar mais ainda o cidadão com majoração de tributo, que amarga carga tributária já tão elevada", anotou a magistrada na decisão.

Pelas redes sociais, o Aliel Machado comemorou a decisão e afirmou esperar que a liminar não seja derrubada.Com certeza o governo Temer já está procurando o desembargador-presidente do tribunal em Brasília. O desembargador precisa entender que a população não aceita esse aumento.

No mês passado, em outra decisão, o juiz Renato Borelli também suspendeu o reajuste por entender que seria inconstitucional por ter sido feito por decreto e não por projeto de lei.

Em seguida, a decisão foi derrubada pela segunda instância da Justiça Federal. A decisão foi proferida pelo desembargador Hilton Queiroz, presidente do tribunal, que atendeu a um recurso da AGU (Advocacia-Geral da União) contra a suspensão do reajuste.

A decisão do governo aumentou a alíquota de PIS/Cofins cobrada sobre a gasolina de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro. No caso do diesel, o valor do imposto subiu de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 por litro.

A previsão do governo é arrecadar mais R$ 10,4 bilhões com o aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis, de modo a conseguir cumprir a meta fiscal de déficit primário de R$ 159 bilhões para este ano. (Assessoria de Comunicação 20/08/2017)

 

Etanol hidratado sobe 0,29% e anidro avança 1,84% nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,29% nesta semana, de R$ 1,4212 o litro para R$ 1,4253 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro avançou 1,84%, de R$ 1,5288 o litro para R$ 1,5569 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Reuters 21/08/2017)

 

MPF pede indenização de R$ 13,6 mi à Copersucar por dano ambiental em Santos

Ação do Ministério Público Federal em Santos (SP) quer que a Companhia Auxiliar de Armazéns Gerais (Copersucar) seja condenada a pagar R$ 13,6 milhões como indenização pelos danos ambientais e morais causados pelo derramamento de açúcar no mar durante um incêndio que atingiu armazéns da empresa no Porto de Santos em outubro de 2013.

O produto derretido pelo calor e a água utilizada no combate às chamas formaram um “composto caramelado” extremamente tóxico que, despejado no mar, provocou a morte de grande quantidade de peixes e outros animais marinhos, segundo a denúncia.

Uma vistoria realizada dois dias após o incêndio constatou que nenhum sistema de barreiras ou contenção havia sido implantado pela Copersucar nos bueiros localizados nas ruas e avenidas entre os armazéns atingidos pelo fogo. Com isso, os resíduos gerados pelo incidente se espalharam pela rede subterrânea e atingiram o mar em diversos trechos, em virtude das características da rede de drenagem, no formato de “espinha de peixe”, que se alastra por toda a faixa portuária.

A ação do MPF destaca que as operadoras que atuam no Porto de Santos não possuem nenhum sistema de contenção e tratamento de efluentes que atenda a possíveis demandas derivadas da operação dos armazéns ou a situações de emergência. Segundo o MPF, a rede de drenagem de águas do município de Santos está ligada ao sistema de escoamento do porto, seguindo para o estuário, “o que não é recomendável”.

“Referidas redes deveriam ser independentes, e as águas oriundas dos armazéns deveriam seguir para uma estação de tratamento antes de serem lançadas no mar. Isso, contudo, não ocorre, e a estação de tratamento da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) não possui capacidade para receber os resíduos gerados em situações emergenciais, como no caso do incêndio”, diz o MPF na ação.

A Copersucar informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não foi notificada da ação.

O incêndio

O incêndio atingiu todos os seis armazéns do terminal administrado pela Copersucar, instalado à margem direita do Porto de Santos, na manhã do dia 18 de outubro de 2013. O fogo teve início na correia transportadora que permite o embarque do açúcar nos navios e se alastrou rapidamente, atingindo os armazéns.

Ao todo, cerca de 180 mil toneladas de açúcar foram consumidas pelas chamas. As águas utilizadas no combate ao incêndio arrastaram grande parte do açúcar bruto e melaço para o estuário, alterando suas características naturais. Vistorias realizadas nos dias subsequentes indicaram mudanças na cor e qualidade da água do mar, odor e grande quantidade de peixes mortos em diversas áreas dos municípios de Santos e Guarujá.

O composto caramelado formado pelo produto atuou como uma camada seladora nas brânquias dos peixes, impedindo o processo de respiração. Além disso, a entrada súbita de grande quantidade de matéria orgânica no canal reduziu a concentração de oxigênio dissolvido. Análise realizada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) dois dias após o incidente demonstrou que o parâmetro de oxigênio dissolvido ficou perto de zero em alguns trechos do estuário.

Segundo estudo do Laboratório de Ecotoxicidade da Universidade Santa Cecília (Santos), o composto caramelado derramado no mar em Santos pode ser comparado ao óleo combustível marítimo quanto ao potencial lesivo ao ambiente, sendo ambos qualificados como extremamente tóxicos para organismos aquáticos. Entre os peixes e crustáceos afetados pelo incidente estão bagres, corvinas, robalos, baiacus, linguados, camarões e siris, bem como duas tartarugas verdes e cinco espécimes do peixe mero, cada um de aproximadamente 150 quilos, que consta da lista de espécies ameaçadas.

Indenização

Na ação civil pública, o procurador Ronaldo Ruffo Bartolomazi pede o pagamento de R$ 6,8 milhões como compensação pelos prejuízos causados ao meio ambiente e de quantia equivalente pelo dano moral difuso, acrescida de juros e correção monetária. O valor foi calculado com base na fórmula desenvolvida pela Cetesb, complementada por critério elaborado pela Universidade Santa Cecília. Entre os parâmetros adotados para a valoração monetária do dano ambiental, estão o volume de produto derramado, o grau de vulnerabilidade da área atingida, a toxicidade da substância, sua persistência no meio ambiente e a mortalidade de organismos. (Agência Brasil 18/08/2017)

 

OIA prevê superávit de mais de 4 milhões de toneladas de açúcar em 2017/2018

Na primeira projeção oficial para a safra de 2017/2018, a Organização Internacional de Açúcar (OIA) previu nesta sexta-feira, 18, um superávit de mais de 4 milhões de toneladas do produto. No início do mês, a entidade já indicava um volume de cerca de 4 milhões de toneladas. Nos últimos dois anos houve déficit na oferta do alimento.

Pelos cálculos da OIA, a oferta mundial de açúcar aumentará "acentuadamente" em 7%, ou o equivalente a 11,527 milhões de toneladas. Com isso, a expectativa é a de que produção baterá o recorde de 179,300 milhões de toneladas.

Em Relatório Trimestral enviado à imprensa, a organização enfatizou que sua previsão leva em conta um ganho de produção maciço em relação ao ciclo anterior (2016/2017) na Índia (4,5 milhões de toneladas), na União Europeia (2,8 milhões de toneladas), na Tailândia (2,1 milhões de toneladas) e na China (1,2 milhão de toneladas).

Em relação ao consumo, a expectativa é de uma elevação de 1,77% na temporada atual, o que significa um aumento de 3,031 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, para 174,664 milhões de toneladas. "Nesta etapa da temporada não estamos considerando nas previsões da OIA qualquer aceleração potencial do crescimento do consumo devido às possíveis quedas de preços mundiais em decorrência do superávit global ou qualquer impacto negativo do debate 'açúcar e saúde' sobre o consumo", enfatizou a entidade no texto.

Devido à produção crescente nos países exportadores, a OIA espera que a disponibilidade mundial de exportações aumente em 1,912 milhão de toneladas, para 62,146 milhões de toneladas. No caso da demanda de importação, a instituição conta com uma diminuição de 2,498 milhões de toneladas em relação à safra 2016/17, para 57,617 milhões de toneladas. "Nesta fase, é difícil determinar se o açúcar 'excedente' será adicionado a estoques de exportadores ou comprado por importadores inclinados a formar estoques durante uma temporada de valores de mercado mundial fracos". (Agência Estado 18/08/2017)

 

Governo argentino quer diminuir direitos de exportação de açúcar de 21% para 13%

Em uma reunião na Mesa Sucroalcooleira do Ministério da Agroindústria argentino, o subsecretário da Bioindústria, Mariano Lechardoy, apontou para a necessidade de diminuição dos direitos de exportação sobre o açúcar argentino.

A intenção, segundo Lechardoy, é que os direitos caiam de 21% para 13%. Até 31 de julho foram recebidos contratos para a exportação de 104 mil toneladas de açúcar de 400 usinas habilitadas para 2017/18, o que mantém um mercado interno sem sobreoferta e um melhor preço para o produtor.

O secretário de Valor Agregado do Ministério, Néstor Roulet, apontou que "é importante poder ter controle comercial dos engenhos e dos produtores para assegurar a transparência na cadeia e, desta maneira, agregar valor para a produção de açúcar argentina. Nosso sonho é que, em três ou quatro anos, tenhamos um setor dinâmico, competitivo, sobre um esquema de produção sustentável".

Na reunião, também foi discutida a necessidade de poder avançar sobre a exportação de bioetanol. (Info Campo 18/08/2017)

 

Hyundai planeja carro elétrico premium para longas distâncias em mudança estratégica

A Hyundai Motor disse nesta quinta-feira que está colocando veículos elétricos no centro de sua estratégia de produtos, que inclui planos para um carro elétrico premium para longas distâncias, conforme a empresa busca alcançar a Tesla e outras rivais.

Como a Toyota Motor, a Hyundai havia defendido inicialmente a tecnologia de células de combustível como o futuro dos veículos ecológicos, mas mudou para elétrica na medida tendo em vista que a Tesla ganhou destaque e os carros com bateria ganharam apoio do governo na China.

A Toyota agora também está trabalhando em veículos elétricos de longa distância e recarga rápida, de acordo com a mídia local.

A montadora sul-coreana Hyundai está planejando lançar um sedã elétrico sob sua marca de alto padrão Genesis em 2021, com uma autonomia de 500 km por carga. Também apresentará uma versão elétrica de seu veículo utilitário esportivo (SUV) pequeno Kona com autonomia de 390 km no primeiro semestre do próximo ano.

"Estamos fortalecendo nossa estratégia de carros ecologicamente corretos, centrada em veículos elétricos", disse o vice-presidente executivo Lee Kwang-guk em entrevista coletiva, considerando a tecnologia convencional e realista.

A montadora e afiliada Kia Motors, que em conjunto com a Hyundai forma a quinta maior montadora global em venda de veículos, também disse que está adicionando três veículos plug-in aos seus planos para carros ecologicamente corretos, elevando o total para 31 modelos até 2020.

A Hyundai também confirmou uma reportagem da Reuters dizendo que está desenvolvendo sua primeira plataforma dedicada a veículos elétricos, que permitirá que a empresa produza múltiplos modelos. (Reuters 18/08/2017)

 

China: Cidade abriga 40 mil famílias de funcionários do carro elétrico

BYD, diz a corporação chinesa que carrega esse nome, é um acrônimo para Build Your Dreams (construa seus sonhos). Entre investidores, a piada é que a sigla, na verdade, significa Build Your Dollars (construa seus dólares).

Contratado em 2016 como "embaixador global" dessa líder do setor de veículos elétricos, Leonardo DiCaprio estrela comercial feito na medida das ambições ocidentais dessa gigante -é a fabricante nº 1 de seu ramo, com fatia de 13% do mercado, mais de 100 mil automóveis produzidos no ano passado e projeção de faturar US$ 22 bilhões em 2017.

O ator americano dirige por uma metrópole com arranha-céus a perder de vista, paisagem que faz Nova York parecer uma cidade do interior. Convida o espectador "para o futuro". E esse futuro encenado vem em mandarim, como o ideograma na placa do carro elétrico que DiCaprio guia.

O amanhã, para a BYD, não está apenas nas ruas de uma China que se moderniza com pé no acelerador. Está também no Brasil, visto como consumidor em potencial para produtos da companhia -sobretudo ônibus movidos a bateria elétrica, vendidos como energia "limpa e silenciosa".

Não à toa o prefeito de São Paulo, João Doria, ganhou no fim de julho um tour pela sede da BYD, onde assistiu à peça publicitária com DiCaprio.

Doria, que passou uma semana no país a convite do governo chinês, saiu de lá paparicado. Ganhou, como doação à capital paulista, quatro carros elétricos (R$ 230 mil cada um), que pretende usar para a vigilância do centro e do parque do Ibirapuera. O que a BYD ganha com isso? A versão oficial, dada por Marcello Schneider, diretor institucional do braço brasileiro da BYD: apoiar "a sustentabilidade nas comunidades locais dos países onde estamos presentes".

Nos bastidores, a estratégia ganha um adendo: um afago no prefeito da maior cidade brasileira não machuca ninguém. São Paulo abrirá em breve licitação para renovar o contrato com empresas dos ônibus das linhas municipais. A BYD, com 410 funcionários nas duas fábricas que mantém em Campinas, não esconde seu afã em entrar na disputa.

O QG da empresa é uma cidade à parte dentro de Shenzhen, metrópole de 12 milhões de habitantes no sul chinês. Os funcionários vivem onde trabalham: abastecida com energia solar, a chamada BYD Village abriga 40 mil famílias de seus empregados -que ganham a posse do apartamento cedido a eles após dez anos de serviços prestados.

A corporação incentiva relacionamentos entre seus contratados e até dá "uma ajuda de custo para que os noivos [desde que os dois sejam funcionários] celebrem o matrimônio", segundo Schneider.

A minicidade corporativa tem escola, hospital, clube, monotrilho com 4,5 km de extensão e um morador ilustre: o presidente da BYD, que mora num dos condomínios.

Com fortuna estimada em US$ 4,4 bilhões, Wang Chuan-fu, 51, é o 414º entre os 500 maiores bilionários do mundo no ranking da "Forbes".

Filho de fazendeiros pobres e órfão ainda na adolescência, ele criou a BYD 22 anos atrás. Naquele início, baterias para celular eram o filé da casa. Em 2003 veio o interesse por automóveis. Um modelo de Sedan da BYD, o F3, virou best-seller na China, à frente de concorrentes como Volkswagen e Toyota.

O executivo comanda um império de 230 mil funcionários. A fama global veio em 2008, após o megainvestidor Warren Buffett adquirir 10% das ações da BYD por US$ 230 milhões. O valor multiplicou para US$ 1 bilhão em dez meses.

Competidores argumentam que a BYD só voou tão longe por depender de subsídios do governo chinês a veículos elétricos. E agora a fonte secou, já que o país vem diminuindo o apoio ao setor. A empresa também não conseguiu entrar no mercado americano ainda. (Folha de São Paulo 21/08/2017)

 

MS: Etanol sobe 6 vezes mais que a inflação e consumo é o menor em 10 anos

Valor do combustível disparou 16% e vendas caíram 36% em MS.

Em cenário de variações diárias dos preços da gasolina às distribuidoras, o etanol está ofuscado. No entanto, no silêncio dos bastidores, o biocombustível contabiliza alta expressiva e amarga o pior desempenho de vendas dez anos. O etanol encareceu, em 12 meses, 16,3% e seu consumo despencou 36,8% no primeiro semestre. Em termos absolutos, são 22,57 milhões de litros a menos comercializado do combustível.

Em agosto do ano passado, o preço médio do etanol era R$ 2,64 em Mato Grosso do Sul, de acordo com a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Neste mês, a média subiu para R$ 3,07. Os 43 centavos a mais representam variação de 16,32%.

A alta do etanol é dobro da majoração do valor médio da gasolina no mesmo comparativo: 8,4%, de R$ 3,415 para R$ 3,705. Apesar disso, esse encarecimento é expressivo se considerada a inflação, que apresenta variações relativamente baixas nos últimos meses. O aumento do valor da gasolina é o triplo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses (encerrados em julho), de 2,71%.

O comportamento dos preços do etanol é ainda mais crítico: o combustível subiu seis vezes acima do avanço inflacionário desde agosto do ano passado.

Com a disparada de preços, o etanol perde competitividade. O valor médio do derivado da cana-de-açúcar (R$3,071) corresponde a 82% do da gasolina (R$ 3,705). Em Campo Grande, a equivalência é de 85% (R$ 3,077 e R$ 3,602). O etanol só é vantajoso economicamente quando seu preço for inferior a 70% do da gasolina.

Consumo

As vendas do biocombustível desenham trajetória inversa a dos preços. No primeiro semestre deste ano, os postos de Mato Grosso do Sul venderam 38,74 milhões de litros do etanol. O volume é 36,82% menor que o de igual período de 2016 (61,317 milhões de litros).

O quadro é ainda mais crítico, considerando que as vendas em 2016 já foram menores que dos anos anteriores. Nos primeiros seis meses de 2015, por exemplo, foram comercializados 114,96 milhões de litros de etanol em Mato Grosso do Sul.

Na média mensal de consumo neste ano é de 6,45 milhões de litros. É o menor volume desde 2006, quando foram vendidos, em média, 5,44 milhões de litros de etanol por mês no Estado. (Campo Grande News 18/08/2017)