Setor sucroenergético

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Raízen manifesta interesse por usina da Renuka

A Raízen Energia, maior grupo sucroenergético do mundo, manifestou nesta semana interesse pela Usina Revati, da Renuka do Brasil, com leilão judicial marcado para o início de setembro, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento do assunto nesta quinta-feira.

O pedido da Raízen, porém, foi feito após o término do prazo dado pela Justiça para grupos interessados solicitarem habilitação para o pregão --a data limite era 10 de agosto.

De acordo com uma das fontes, a Raízen poderá participar do leilão caso os credores aprovem um novo período para homologações de participação no certame, o que, por sua vez, levaria a uma nova data para o pregão. Isso permitiria que outros grupos também entrassem na disputa.

Por ora, "a coisa está muito superficial" entre Raízen e Renuka do Brasil, com a data do leilão ainda confirmada para 4 de setembro, explicou a fonte, que falou sob condição de anonimato.

Procurada, a Raízen, joint venture entre Cosan e Royal Dutch Shell não se manifestou imediatamente para comentar o assunto. A Renuka também não comentou.

Conforme a Reuters revelou em 11 de agosto, o leilão da Usina Revati possui três grupos habilitados para participar: Cofco do Brasil, da gigante chinesa Cofco e com quatro usinas no país; Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), com duas unidades no Triângulo Mineiro; e Interface Brasil.

A habilitação para o leilão não obriga que os interessados deem lances.

Se a venda for bem-sucedida, será o terceiro negócio de usinas de cana por meio de leilões judiciais em menos de um ano, conforme players com melhor estrutura de capital buscam ativos de rivais endividados.

A Glencore comprou a usina Guararapes em novembro do grupo Unialco.

A própria Raízen também fez em junho a aquisição de duas usinas da Tonon Bioenergia, por 823 milhões de reais.

Antes do acordo com a Tonon, a Raízen já contava com 24 unidades no Brasil.

A venda da usina da Renuka, localizada em Brejo Alegre (SP) e com capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, faz parte do processo de recuperação judicial da empresa, aprovado em maio pelos credores.

Com dívida de aproximadamente 2,7 bilhões de reais, a Renuka do Brasil está em recuperação judicial desde outubro de 2015.

A Renuka do Brasil é subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, que iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

No ano passado, os credores chegaram a aprovar um plano que previa a venda da outra usina da Renuka, a Madhu, em Promissão (SP). A unidade foi a leilão em dezembro por 700 milhões de reais, mas não atraiu interessados. (Reuters 24/08/2017)

 

GVO teve prejuízo de R$ 330 milhões

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), dono de quatro usinas em São Paulo, encerrou a safra 2016/17 com prejuízo líquido de R$ 330,2 milhões, 57% a menos do que na safra anterior.

O ano-safra contabilizado pela empresa encerra-se em 30 de abril. (Assessoria de Comunicação 24/08/2017)

 

Setor sucroenergético terá de investir US$ 31 bilhões até 2030

Compromisso de aumentar a participação do etanol na matriz energética do Brasil foi discutido nesta terça-feira (23) durante a 25ª FENASUCRO & AGROCANA.

O setor sucroenergético terá de investir US$ 31 bilhões para que o Brasil amplie de 6% para 18% a participação dos biocombustíveis em sua matriz energética até 2030. A estimativa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) em parceria com o Fórum Nacional Sucroenergético mostra que o desafio é grande, e os caminhos para superá-lo foram discutidos no segundo dia da 25ª FENASUCRO & AGROCANA, durante os eventos de conteúdo.

Nesta terça-feira (23), o destaque da Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética foi o Fórum dos Produtores de Agroenergia. Realizado pela Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul) e Datagro, e apoiado pela Reed (organizadora da FENASUCRO & AGROCANA), o evento reuniu especialistas e convidados do Brasil e de mais 40 países que debateram novas tecnologias no campo, processos que geram ganhos no plantio e colheita da cana, subprodutos e políticas públicas voltadas ao setor. "Reunimos aqueles que estão na base da cadeia produtiva para mostrar ao mundo que eles têm em sua mão a solução para a produção sustentável", destacou Plínio Nastari, presidente da Datagro.

Para o Brasil cumprir o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa assumido na COP-21 Paris (Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas), em 2015, e alcançar aos 54 bilhões de litros de etanol por ano em 2030, dobrando a atual produção - será preciso planejamento e pesquisa. "É preciso apostar em estratégias como o uso das mudas pré-brotadas e a rotação da cana com alimentos", disse Ismael Perina;  presidente do Sindicato Rural de Jaboticabal, um dos palestrantes do Fórum.

Soluções usadas nas colheitas da Europa, principal produtor de beterraba açucareira do mundo, também foram apresentadas no evento por especialistas da França e Alemanha. A tecnologia das usinas flex, que processam cana e milho, também foi uma alternativa mostrada por produtores do Mato Grosso do Sul.

Especialistas do IAC (Instituto de Economia Agrícola), CTBE (Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol), Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) e Socicana (Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba) também participaram dos painéis do Fórum.

Renovabio

Além de tema destaque no Fórum dos Produtores de Agroenergia, o Renovabio – programa do Governo Federal que vai possibilitar ao setor sucroenergético alcançar as metas de produção até 2030, também foi discutido nesta terça-feira pela UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) e CEISE Br, no Seminário de Bioeletricidade, na Arena do Conhecimento Industrial da FENASUCRO & AGROCANA.

O evento falou sobre as perspectivas de mercado, a produção de biogás e a importância da bioeletricidade no estado. "É fundamental para o crescimento de São Paulo e do País. É preciso ampliar e complementar a produção de biocombustíveis", disse o secretário de Energia e Mineração do estado, João Carlos Meirelles, um dos palestrantes.

Termo de Compromisso

E nesta terça-feira, João Carlos Meirelles também assinou, na FENASUCRO & AGROCANA, um acordo para promover a tecnologia diesel-gás em caminhões do setor sucroenergético. Firmado com a GasBrasiliano e com a São Martinho, o acordo prevê uma avaliação, em 180 dias da utilização de um caminhão com a conversão de motor a diesel para a tecnologia diesel-gás, que será abastecido com o biometano produzido a partir da vinhaça de cana ou GNV (Gás Natural Veicular). "É um marco para estimular o uso de combustível renovável também pelos caminhões das usinas", disse Walter Piazza Júnior, diretor presidente da GasBrasiliano. (Phábrica de Idéias 24/08/2017)

 

Assembléia de SP aprova lei que elimina terceiro dígito de centavo nos postos de gasolina

Se for sancionada por Alckmin, Projeto de Lei pode trazer economia real para consumidores na bomba de combustível.

Uma resolução aprovada nesta terça-feira, 23, pelos deputados estaduais paulistas elimina o terceiro dígito de centavo do preço dos combustíveis vendidos nos postos em todo o Estado de São Paulo. 

Agora, se o Projeto de Lei (PL) for sancionado pelo governador Geraldo Alckmin, os preços da gasolina, comum e aditivada, do etanol e do diesel deverão ser calculados com dois dígitos de centavos.

Se for sancionado por Geraldo Alckmin, Projeto de Lei  pode trazer economia real para consumidores na bomba de combustível.

Na prática, isso traria uma economia de até R$ 300 milhões, tomando como base, por exemplo, os 30 bilhões de litros de combustíveis comercializados em São Paulo no ano de 2016, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP)

Entenda

Por exemplo, o litro da gasolina que era vendido a R$4,179 em determinado posto, com a nova lei passaria a ser comercializado por R$ 4,17 ou R$4,18. Se o comerciante optar por arredondar para R$ 4,17, 50 litros passam a custar R$208,50 e não mais R$208,95.

Autor do PL 460/2016, o deputado estadual Ricardo Madalena acredita que a medida tornará a política de preços mais transparente. “Essa é uma estratégia que induz o consumidor a comprar o falso barato. É uma ilusão.” De acordo com o deputado, a extinção do terceiro dígito não será refletida em preços mais altos. “O proprietário vai continuar tentando conquistar o motorista, não arredondará o preço para cima”, acredita ele.

A proposta do deputado Madalena representa um movimento que já começa a se espalhar pelo País. Desde maio de 2016, os postos de gasolina no Estado do Paraná não podem comercializar combustíveis com o terceiro dígito de centavo.

Em julho deste ano, os vereadores de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, também aprovaram em primeiro turno os preços em apenas dois dígitos de centavo. A medida, agora, aguarda votação em segundo turno.

A reportagem não conseguiu contato com o Sincopetro, sindicato que representa os donos dos postos de gasolina. (O Estado de São Paulo 24/08/2017)

 

Açúcar: Queda na moagem

A possível queda na moagem da cana no Centro-Sul do Brasil em agosto tem dado força às cotações da commodity na bolsa de Nova York esta semana.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,68 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 29 pontos e alta acumulada de 360 pontos desde segunda-feira.

Conforme o banco Pine, foram processadas 45,3 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena do mês, queda de 10,7% ante a quinzena anterior.

Com isso, a produção de açúcar no período é estimada em 3,14 milhões de toneladas, recuo de quase 8% na mesma comparação.

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,66 a saca de 50 quilos, queda de 0,32%. (Valor Econômico 25/08/2017)

 

BTG vê governo pró-etanol e recomenda compra de ação da São Martinho

O governo brasileiro anunciou ontem a criação de uma cota de importação de etanol de 600 milhões de litros ao ano e uma taxa de 20% para todo o volume que exceder ao proposto. Essa notícia, segundo o BTG Pactual, mostra que a administração federal tem uma visão pró-etanol e que poderá beneficiar as ações da São Martinho.

Os analistas Thiago Duarte e Vito Ferreira calculam que as importações nos últimos doze meses chegaram a 1,8 bilhões de litros, sendo 1,35 bilhão só em 2017. A tarifa, aponta o banco, deve fazer com que esses novos volumes se tornem economicamente inviáveis, o que abre espaço para a oferta nacional. O consumo interno foi de 25,2 bilhões de litros nos últimos doze meses, enquanto a produção foi de 26,9 bilhões.

“Com o etanol mais uma vez vendido muito perto da paridade da bomba de gasolina, em média, no Brasil, não esperamos que os preços tenham qualquer reação importante, já que os preços da gasolina ainda são um teto. Mas com os preços do açúcar agora inexplicavelmente abaixo do nível de equivalentes de etanol, nós acreditamos que os produtores locais do Brasil acelerarão a mudança de produção para o etanol, preenchendo o vazio esperado deixado pelas importações mais baixas e, assim, reduzindo a produção de açúcar”, indicam os analistas.

Segundo o BTG Pactual, isso pode iniciar um processo de recuperação dos preços do açúcar.

“Tão importante quanto a medida, per se, é o sinal de que o governo brasileiro poderia estar adotando uma agenda mais pró-etanol. Este sinal começou pelo aumento dos impostos sobre o combustível PIS/Cofins, que rapidamente levaram a um nível de etanol versus gasolina mais competitivo (O aumento de preços de 11% na usina nos últimos 30 dias certamente atrapalhou esse ponto)”, concluem. A recomendação é de compra das ações da São Martinho. (Money Times 24/08/2017)

 

Conab reduz projeção para colheita de cana

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou sua estimativa para a produção de açúcar no Brasil na safra atual, a 2017/18, apesar da projeção menor para a colheita de cana.

A indicação agora é de que serão produzidas 39,39 milhões de toneladas de açúcar nesta temporada, na comparação com 38,70 milhões de toneladas estimadas em abril. O volume é 1,8% superior ao da safra 2016/17.

A autarquia informou que, até 31 de julho, foram produzidas no Brasil 17,48 milhões de toneladas de açúcar, 2,6% a mais do que no mesmo período do ano passado. Essa oferta maior é decorrente da preferência dada pelas usinas à produção de açúcar.

Na comparação com o relatório anterior, a Conab elevou a estimativa para o percentual do caldo da cana que irá para a produção de açúcar. A projeção agora é que 47,9% da sacarose nesta temporada será destinada ao produto, ante 47,1% projetada no início da safra. Na safra passada, 45,9% do caldo foi destinado à produção de açúcar.

A colheita de cana no país foi estimada em 646,4 milhões de toneladas pela Conab. Em seu primeiro relatório sobre a temporada 2017/18, a projeção era de 647,63 milhões de toneladas. Se confirmado esse volume, o país produzirá 1,7% menos cana que no ciclo anterior, decorrente da redução da área plantada.

E, considerando um "mix" mais açucareiro, as estimativas para a produção de etanol foram reduzidas. A estatal prevê agora 26,12 bilhões de litros neste ciclo, 6,1% menor que em 2016/17 e 1,25% abaixo do previsto em abril.

Desse etanol, o hidratado deverá ter maior participação em relação ao anidro, com 15,02 bilhões de litros, porém 10,2% abaixo do volume produzido no ciclo passado. Já a produção de etanol anidro deve ficar em 11,1 bilhões de litros, leve aumento de 0,2% ante a safra passada.

Em relatório, a Conab explicou que a " queda na produção de etanol hidratado tem relação com o menor consumo desse combustível". Nos três primeiros meses da safra atual (de abril a junho), o consumo do biocombustível recuou em 18% em relação à safra passada, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e biocombustíveis (ANP).

Até 31 de julho, a Conab contabilizou produção de 6,95 bilhões de litros de etanol hidratado e 4,94 bilhões de litros de anidro em todo o país. A fabricação dos dois foi prejudicada no primeiro bimestre da safra porque as chuvas atrasaram a colheita de cana. (Valor Econômico 25/08/2017)

 

EUA e Brasil se envolvem em guerra comercial de biocombustíveis

A última salva veio do Brasil na quarta-feira, quando o país decidiu instituir um imposto de 20% sobre as importações de etanol.

Uma guerra comercial eclodiu no mercado mundial de biocombustíveis e poderia causar repercussões nos mercados de commodities, do petróleo ao óleo de soja.

A última salva veio do Brasil na quarta-feira, quando o País decidiu instituir um imposto de 20 por cento sobre as importações de etanol que excederem um limite anual de 600 milhões de litros, de acordo com dois membros do gabinete que pediram anonimato antes que a decisão se torne pública.

A medida ocorreu um dia depois que o Departamento de Comércio dos EUA propôs multas aos produtores de biodiesel da Indonésia e da Argentina, afirmando que eles se beneficiam de subsídios nacionais.

Os tiros estão sendo disparados em meio ao crescente protecionismo do presidente dos EUA, Donald Trump. A ação do Departamento de Comércio dos EUA sobre o biodiesel argentino e indonésio pode ter dado cobertura ao Brasil para agir em relação ao etanol dos EUA, disse Jerrod Kitt, analista da Linn Associates em Chicago.

Embora os EUA estejam agindo na tentativa de beneficiar sua própria indústria, os produtores americanos podem acabar sendo vítimas, porque mandam uma parte significativa de seu produto ao exterior, inclusive para o Brasil, seu principal cliente. A China já instituiu impostos ao etanol e a um subproduto para ração animal produzidos nos EUA no início deste ano.

“A situação pode ficar feia”, disse Scott Irwin, economista agrícola da Universidade de Illinois em Urbana, em entrevista por telefone. “Todo mundo intervém intensamente nos biocombustíveis.”

Mercados agrícolas

As tensões crescentes poderiam repercutir nos mercados agrícolas que sustentam os biocombustíveis. Os EUA são o maior produtor mundial de milho e soja, as principais matérias-primas para o etanol e o biodiesel. O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar, que utiliza na produção de etanol. A Argentina é o principal exportador de óleo de soja.

A decisão do Brasil de cobrar imposto às importações de etanol provavelmente afetará os produtores dos EUA, que venderam 965 milhões de litros para o país sul-americano neste ano até maio, de acordo com dados da Administração de Informações de Energia dos EUA. Isso equivale a 42 por cento do total exportado.

A Associação de Combustíveis Renováveis, a Growth Energy e o Conselho de Grãos dos EUA, grupos do setor com sede em Washington, expressaram decepção com a medida brasileira em um comunicado conjunto divulgado na quarta-feira.

“A política prevaleceu”

“Considerando o enorme volume de informações que fornecemos ao Brasil para demonstrar que um imposto seria equivocado, parece que hoje a política prevaleceu e os consumidores brasileiros saíram perdendo”, afirmaram os grupos.

As tensões poderiam aumentar ainda mais. Trump analisou diversas vezes os pactos comerciais. Em um discurso na terça-feira em Phoenix, o presidente disse que acha que os EUA vão sair do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). A indústria de biocombustíveis dos EUA está fortemente concentrada no Centro-Oeste, região que, segundo Trump, lhe deu impulso para chegar à Casa Branca.

“Se este fosse um governo normal, que não se concentrasse” tanto no comércio, isso não seria tão impactante, disse Kitt, da Linn Associates. “Suponho que ele poderia agir para favorecer essa base”. (Exame 24/08/2017)