Setor sucroenergético

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Raízen Energia nega que irá se habilitar para leilão de usina da Renuka

A Raízen Energia, joint venture entre a Cosan e a Shell, negou nesta sexta-feira que pretende se habilitar para participar do leilão da Usina Revati, da Renuka do Brasil, marcado para o início de setembro, segundo nota enviada à Reuters pela companhia.

“A Raízen esclarece que não se habilitou e não vai se habilitar, independente de revisão do cronograma, para participação no leilão de aquisição da Usina Revati, da Renuka do Brasil”, afirmou a empresa no comunicado.

A Reuters revelou na quinta-feira, com base em fontes com conhecimento do assunto, que a Raízen havia manifestado interesse pela unidade da Renuka.

Por ora, os grupos efetivamente habilitados para participar do pregão são Cofco do Brasil, da gigante chinesa Cofco e com quatro usinas no país; Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), com duas unidades no Triângulo Mineiro; e Interface Brasil.

A venda da usina da Renuka, localizada em Brejo Alegre (SP) e com capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, faz parte do processo de recuperação judicial da empresa, aprovado em maio pelos credores.

Com dívida de aproximadamente 2,7 bilhões de reais, a Renuka do Brasil está em recuperação judicial desde outubro de 2015.

A Renuka do Brasil é subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, que iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores. (Reuters 25/08/2017)

 

O rebatismo da Odebrecht

Há uma discussão intensa na Odebrecht sobre o nome futuro das subsidiárias e unidades operacionais.

Sim, todas as “empresas Odebrecht” vão mudar de nome.

Somente a holding continuará com a marca original. A prioridade são as subsidiárias internacionais.

A escolha dos novos nomes está sendo feita nas próprias empresas, mas serão aprovadas pela matriz. (Jornal Relatório Reservado 28/08/2017)

 

Aquecimento global amplia as perspectivas para biocombustíveis

Graças à utilização de etanol, o Brasil evitou emitir no ano passado 55,1 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq), ou seja, gases de efeito- estufa (GEE), e outros 9,2 milhões de toneladas com o uso de biodiesel, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia. Esses números poderiam ser ainda maiores se não fosse a queda de 6,7% na produção total de etanol, que atingiu 28 bilhões de litros em 2016, e de 3% na produção de biodiesel, para 3,8 bilhões de litros.

A queda na produção de etanol deve-se à alta dos preços do açúcar no mercado internacional, levando as usinas a priorizar a produção da commodity, e ao fato de que a relação entre os preços do etanol e da gasolina manteve-se desfavorável ao etanol na maior parte do ano em vários Estados. No caso do biodiesel, o principal motivo para a redução foi à diminuição no consumo, causada pela recessão.

Fontes de energia renováveis, obtidos a partir de biomassas de compostos orgânicos vegetais ou animais, os biocombustíveis contam com boas perspectivas de mercado, ante a necessidade de redução dos danos causados pelo aquecimento global. Eles são utilizados na forma pura ou misturados aos combustíveis fósseis. No Brasil, o etanol é misturado à gasolina, enquanto o biodiesel é adicionado ao diesel tradicional.

Com o avanço da tecnologia, as perspectivas são de redução de custo, decorrente de maior produtividade das principais matérias-primas da cana, no caso do álcool, que se beneficia do melhoramento genético, e a soja, no caso do biodiesel. Surge também uma nova geração de biocombustíveis, como o etanol de segunda geração, enquanto boa parte das usinas do país passa por adaptações para utilizar, na entressafra da cana, o milho, hoje abundante e mais barato no Centro-Oeste. "Com as usinas flex, a produtividade do etanol aumenta, já que elas não ficam mais ociosas na entressafra da cana", diz Tamar Roitman, pesquisadora da FGV Energia.

A principal matéria-prima usada para a produção de biodiesel no Brasil é o óleo de soja, com participação de 75,7% na cesta de insumos, seguido pelo sebo bovino, com 15,4%. A capacidade instalada de processamento de biodiesel no país atingiu 7,5 bilhões de litros em dezembro de 2016, volume 3% superior a dezembro de 2015, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Outros biocombustíveis em desenvolvimento são o diesel renovável, ou óleo vegetal hidratado (HVO), concorrente do biodiesel, e o biocombustível de aviação, ou bioquerosene. Ambos ainda apresentam custo elevado, segundo Tamar. De acordo com ela, os rejeitos da produção de etanol têm grande potencial para produção de biogás e biometano, hoje produzidos a partir de diversas biomassas, esterco e lixo orgânico.

Mas a grande aposta do setor é o etanol de segunda geração (E2G), que usa o bagaço e a palha da cana que sobram da produção do etanol de primeira geração. O resultado previsto é aumento de 50% na produção final de etanol. No mundo todo, a tecnologia é adotada por cinco empresas, duas das quais no Brasil, a GranBio, em sua planta BioflexI, em Alagoas, com capacidade nominal de 82 milhões de litros, e a Raízen, em sua usina de Piracicaba (SP), com capacidade de 42 milhões de litros.

A produção do E2G, no entanto, ainda não deslanchou, devido a gargalos tecnológicos e mecânicos enfrentados por todas as empresas. Mas quando eles forem superados, o Brasil terá a vantagem de um custo final mais baixo, já que a matéria prima aqui é mais barata. (Valor Econômico 28/08/2017)

 

Açúcar: Atenção à moagem

A perspectiva de queda na moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil em agosto, em decorrência das chuvas, deu sustentação às cotações da commodity na bolsa de Nova York na última semana.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,69 centavos de dólar a libra-peso na sexta-feira, avanço de 1 ponto e alta de 52 pontos desde o início da semana.

Para a primeira quinzena do mês, o banco Pine estima que foram processadas 45,3 milhões de toneladas de cana, leve alta de 0,3% em relação a igual período da safra passada, mas queda de 10,7% ante a quinzena anterior.

O Centro-Sul concentra 90% da oferta brasileira de açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,61 a saca de 50 quilos, queda de 0,09%. (Valor Econômico 28/08/2017)

 

Chinesa COFCO põe à venda negócio de sementes na América Latina

A estatal chinesa que comercializa commodities agrícolas COFCO está reformulando suas operações no Brasil, incluindo uma reestruturação em seus negócios com a Nidera Sementes Ltda, após encontrar irregularidades contábeis no ano passado, segundo reporta a agência internacional Reuters.

Já em dezembro do ano passado, foi reportado um rombo de US$ 150 milhões em suas contas da divisão brasileira e, de lá pra cá, muitos outros contratempos vêm sendo sofridos pela COFCO não só no Brasil, mas em suas operações em toda a América Latina, incluindo uma perda de US$ 200 milhões em suas negociações entre biocombustíveis.

A aquisição da Nidera pela COFCO foi concluída este ano. E de acordo com documentos apurados pela Reuters internacional, três dos principais executivos da diretoria da Nidera já renunciaram a seus cargos. Em 2016, as perdas da Nidera Capital BV - a holding da Nidera que também é da COFCO - foram recordes e ficaram em US$ 266,6 milhões, contra US$ 65,9 milhões de 2015.

É importante lembrar, porém, que o recuo na receita gerada pelas maiores traders agrícolas mundiais, como a ADM e a Bunge - também foi reflexo dos preços mais baixos para os grãos. Junto da Cargill e da Louis Dreyfus Corp, as quatro são as maiores e dominam o mercado global de grãos. (Reuters 26/08/2017)

 

Biomassa da cana lidera avanço na rede

Diante da atual capacidade produtiva de cana-de-açúcar e de setores intensivos em florestas plantadas para obtenção de madeira, como a indústria de papel e celulose, o Brasil tem alto potencial de se destacar em bioenergia. Vantagens competitivas como clima propício e disponibilidade de terra se somam à expectativa de regulações para cortes de emissões de carbono, estimulando o setor. De acordo com estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a biomassa já corresponde a 30,9% de toda a geração energética brasileira e a 8,2% da matriz elétrica, com crescimento médio de 13% ao ano desde 2006.

"A tendência é aumentar em maiores proporções, com a retomada do crescimento da economia e a promoção de novos leilões de energia renovável pelo governo", diz Jeferson Soares, superintendente da EPE, ao lembrar que parte da atual expansão se deve ao declínio do mercado de aço, que forçou a indústria de ferro-gusa a queimar carvão vegetal para vender energia à rede do Sistema Integrado Nacional. A estimativa, considerando todos os setores, é que a participação da biomassa na produção de eletricidade aumente 50% até 2026.

O ritmo tem sido puxado pela indústria sucroalcooleira, que começou a exportar excedentes de energia do bagaço e palha de cana para a rede elétrica há 30 anos. Hoje 80 usinas (50% do setor) injetam no sistema 21 TWh, 5% do consumo total brasileiro, evitando a emissão de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

"Temos muito que avançar: em 2010 chegamos a acrescentar no sistema o equivalente a uma hidrelétrica de Itaipu, mas em 2017 será quatro vezes menos", aponta Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). A expectativa de retomada está no programa RenovaBio, criado pelo Ministério das Minas e Energia para fomentar biocombustíveis.

A cana responde por quase 77% da capacidade instalada de geração de biomassa para energia, abrangendo resíduos de floresta, biocombustíveis líquidos e biogás do lixo urbano e de dejetos animais. Os avanços na mecanização da lavoura, com o fim das queimadas a partir de protocolo ambiental encerrado neste ano no Estado de São Paulo, possibilitaram o aproveitamento também da palha, correspondente a um terço do potencial energético da planta.

"Mesmo assim, estamos usando menos de 20% dessa capacidade", enfatiza Souza, reivindicando mais clareza e ousadia para a política voltada à bioenergia: "Chegar a 2026 com geração de 400 MW por biomassa, conforme prevê o Plano Decenal de Expansão de Energia, é um objetivo tímido".

"A biomassa pode desempenhar papel fundamental na descarbonização do sistema elétrico diante de um ambiente restritivo a emissões de gases de efeito estufa que o mundo está desenhando", projeta Suzana Khan, professora de engenharia de transportes da Coppe/UFRJ, onde estuda a viabilidade das tecnologias de Carbon Capture and Storage (CCS) para se capturar e enterrar o carbono emitido por atividades econômicas. O método teria a função de potencializar os benefícios do uso energético da biomassa, ao remover as emissões atmosféricas da queima. "E isso tende a se tornar economicamente viável no mercado que incorpora novos padrões em resposta às mudanças climáticas, como a precificação de carbono", afirma.

O cenário pode impulsionar setores como o da produção florestal, que hoje representa 21% das fontes de biomassa usadas para gerar energia no Brasil. Destaca-se ainda a geração de biogás em aterros sanitários, que tende a ser alavancado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, na busca por soluções adequadas para o lixo.

"O negócio é atrativo e tende a se expandir como alternativa financeira à atual inadimplência dos municípios nos contratos para destinação dos resíduos aos aterros", revela Carlos Silva, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Estudo da entidade indica: os aterros sanitários existentes no país têm capacidade de gerar em três décadas 500 MWh - suficientes para abastecer cerca de 3,2 milhões de pessoas. De acordo com a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás), o Brasil tem condições de gerar 115 mil GWh de energia por ano com o aproveitamento dos rejeitos urbanos, da pecuária e da agroindústria. O potencial de geração de todo o lixo abasteceria 30% da demanda de energia elétrica atual do Brasil. (Valor Econômico 28/08/2017)

 

Produção de etanol pode ser destino para excesso de milho, diz Embrapa

De acordo com a entidade, estados como Mato Grosso tem dificuldade para escoar e armazenar milho que não é consumido localmente.

Produzir etanol de milho pode ser um destino viável para a o excedente do grão produzido pelo Brasil, segundo o chefe geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Milho e Sorgo, Antônio Álvaro Corsetti Purcino. A produção de milho no Brasil já cresce ano a ano e ainda há, segundo a Embrapa, mais de 10 milhões de hectares de área disponível para o milho entrar em sucessão à soja.

Dar destino ao milho produzido é uma questão em alguns locais, especialmente em Mato Grosso, onde imagens de montes de grãos colocados ao ar livre circularam nas últimas semanas. O estado passou, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de uma produção média entre 2011/2012 e 2013/2014 de 17,85 milhões de toneladas para 29 milhões de toneladas em 2016/2017, o que corresponde a 28,5% da produção em todo o país.

Desse total, 3 milhões de toneladas são consumidas no estado. O excedente médio de milho em Mato Grosso tem beirado 15 milhões de toneladas, que precisam ser escoadas para outras regiões do Brasil ou exterior. "Tem muito milho que não se consegue dar uso, vemos que estão armazenando nas estradas, igrejas e outros locais, porque o milho não tem preferência no armazém, onde a preferência é da soja, que tem maior valor agregado", diz Purcino.

Segundo ele, o etanol de milho começa a ser produzido nos Estados Unidos com o objetivo de agregar valor ao produto. Como maior produtor mundial, o país queria potencializar o lucro, uma vez que vender apenas o grão trazia um retorno baixo.

Mato Grosso destaca-se no cenário nacional pela grande produção de milho e pelo preço, baixo o suficiente para a produção do combustível. Em 2013, por exemplo, foram consumidos 626,2 milhões de litros de etanol no estado. Caso o etanol de milho respondesse por metade desse mercado, seriam necessários 846,2 mil toneladas do grão para essa finalidade, considerando que uma tonelada de milho produz 360 litros de etanol. "Ou seja, não é um problema de abastecimento usar o milho na produção de etanol", diz Purcino.

Além de Mato Grosso, a Embrapa identifica áreas com possibilidade de ampliar a produção de milho também em outros estados como Goiás, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Roraima e no Distrito Federal. O pesquisador destaca, no entanto, que é preciso tomar um certo cuidado com a produção de etanol. Segundo ele, é preciso investir em tecnologia para gerar energia renovável e estar atento ao mercado mundial, se a intenção é vender o produto para fora do país. Atualmente, o Brasil detém 27% do mercado mundial de etanol, tendo como principal matéria prima a cana-de-açúcar. O país fica atrás apenas dos EUA, com 58%.

O mercado do etanol de milho, no entanto, enfrenta algumas barreiras externas. A União Europeia, por exemplo, em diretiva, propôs a eliminação de biocombustíveis com base em culturas alimentares a partir de 2021. Além disso, estudo do estado da Califórnia, nos Estados Unidos, mostra que o etanol de milho não é considerado um combustível avançado por reduzir apenas de 15% a 20% a emissão de gases causadores do efeito estufa. O combustível precisaria reduzir pelo menos 50%, o etanol da cana reduz de 40% a 60%, as emissões. Isso fez com que o estado rejeitasse o etanol de milho.

Purcino participou nesta sexta, dia 25, do 5º Fórum de Agricultura da América do Sul, em Curitiba (PR). Presente na mesma mesa de discussão, o representante da FS Bioenergia, empresa produtora de etanol de milho em Lucas do Rio Verde (MT), Eduardo Mota defendeu a produção e destacou vantagens do etanol de milho.

Segundo ele, a pesquisa conduzida nos EUA não pode ser aplicada à produção brasileira, que não utiliza gás natural e, portanto, não tem níveis superiores de redução da emissão de gases de efeito estufa. Além disso, ele destaca que, além do etanol, a empresa produz diversos derivados, é capaz de gerar também ração para animais, energia elétrica para a comunidade, entre outros produtos. (Canal Rural 25/08/2017)

 

Brasil quer voltar a discutir salvaguarda chinesa ao açúcar

O Brasil reclamou com a China que suas exportações de açúcar ao mercado chinês caíram a zero desde que Pequim aplicou em maio salvaguarda sobre o produto, e pediu a reabertura de discussões sobre essa medida que causa prejuízos aos produtores brasileiros.

Durante reunião da Subcomissão Econômica e Comercial bilateral, em Pequim, nesta semana, a delegação brasileira também insistiu para que a investigação antidumping aberta contra o frango brasileiro pelos chineses seja feita de acordo estrito com as regras, confiante de que se for assim não haverá sobretaxa. "Nossos pleitos foram bem recebidos pelas autoridades chinesas e esperamos corrigir essa situação que afeta produtos que começam a ser mais elaborados na nossa pauta comercial para lá", afirmou o subsecretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Cozendey.

A abertura de investigações chinesas contra produtos brasileiros não é uma raridade. Pequim já alvejou também a entrada de celulose brasileira.

A preocupação em Brasília é que a pauta das exportações para a China já é muito concentrada em matérias-primas, e quando um produto processado começa a ganhar espaço é submetido a ação de defesa comercial chinesa. Assim, fica complicado diversificar a pauta exportadora sem o mínimo de produtos processados, concordam negociadores.

Em maio, a China, maior importador mundial de açúcar, efetivou a medida de salvaguarda, mecanismo de defesa comercial raríssimo. O resultado foi que desde então as exportações brasileiras do produto caíram a zero para o mercado chinês.

Pequim aumentou de 50% para 95% a tarifa na importação de açúcar fora da cota, para proteger a produção local. Além disso, manteve em 15% a tarifa na importação de até 1,95 milhão de toneladas de açúcar, ou seja, dentro de uma cota que é administrada pelas autoridades chinesas.

Por sua vez, a tarifa extra-cota, que era de 50%, será alterada de forma escalonada: passa para 95% no primeiro ano, cai para 90% em 2018 e para 85% em 2019.

O Brasil exportava cerca de 2,5 milhões de toneladas por ano de açúcar à China, 50% do total importado pelo país asiático e 10% de todo o volume de açúcar que o Brasil vende para o exterior.

No caso do frango, a investigação antidumping anunciada semana passada afeta basicamente o Brasil, origem de 83% do que a China compra no exterior, mas que representa só 3% do consumo interno. A delegação brasileira insistiu na aplicação estrita do Acordo Antidumping da Organização Mundial do Comércio (OMC), e lembrou aos chineses que o frango não sofre sobretaxa por preço desleal em nenhum mercado no mundo.

Ou seja, outros países abriram investigações, mas não conseguiram aplicar sobretaxa. (Assessoria de Comunicação 25/08/2017)

 

BR ‘ganha’ R$ 6,3 bi da Petrobrás para ficar mais atrativa

Operação visa a aumentar as chances de sucesso da abertura de capital da distribuidora, que deve ocorrer até o final deste ano.

A Petrobrás vai injetar R$ 6,3 bilhões na BR Distribuidora, como parte de uma reestruturação societária anunciada para tornar mais atraente a abertura de capital da subsidiária. Os recursos serão usados para abater a dívida da BR e limpar seu balanço, aumentando as chances de sucesso da oferta de ações, que deve ocorrer até 1.º de dezembro. A operação envolve a transferência de créditos da distribuidora com o grupo Eletrobrás à estatal, como antecipou o ‘Estadão/Broadcast’.

“Tudo está engatilhado para a oferta ainda neste ano”, afirmou nesta sexta-feira, 25, ao Estadão/Broadcast o presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Nelson Carvalho. Segundo o conselheiro, advogados, auditores e bancos já foram contratados e a companhia está seguindo com todos os preparativos para sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O desejo da Petrobrás é efetivar até 1.º de dezembro a operação, que é uma peça-chave de seu programa de desinvestimento de US$ 21 bilhões entre 2017 e 2018.

A reestruturação anunciada prevê que os créditos da BR, decorrentes de dívidas da Eletrobrás pela compra de combustível para a geração de energia elétrica em usinas térmicas, serão transferidos a uma nova empresa, a Downstream Participações. Depois, ela será incorporada pela Petrobrás.

Os R$ 6,3 bilhões do aporte de capital serão 100% destinados ao pagamento de dívidas da BR. A redução da dívida abre espaço para que a empresa seja mais bem avaliada pelos investidores, aumentando o interesse por seu IPO. Além disso, também é afastado o fantasma de um eventual calote da Eletrobrás. Ao fim de 2016, sua dívida bruta era de R$ 12,4 bilhões. O balanço da BR do ano passado mostra que o total a receber de empresas termoelétricas do Sistema Eletrobrás era de R$ 6,064 bilhões.

Balanço

Para especialistas, ao incorporar as contas a receber da Eletrobrás, a Petrobrás resolveu um entrave para a avaliação da BR na oferta. “O efeito foi limpar o balanço da BR, que agora poderá ser mais bem avaliada”, disse Nelson Carvalho.

“Nada mais é que uma operação preparatória para reduzir a alavancagem (o tamanho da dívida na comparação com sua geração anual de caixa) da BR, ao dar uma saída para créditos podres. Isso torna a empresa mais vendável”, diz o advogado Luiz Herique Vieira, do Bichara Advogados. O Plano de Negócios e Gestão BR para o período 2017-2021 é a redução dessa relação das 3 vezes verificadas em 2016 para 2 vezes em 2021.

Para o professor Eliseu Martins, um dos maiores especialistas em contabilidade do País, nada se altera no balanço consolidado da petroleira. “A Petrobrás apenas perde liquidez, ao deixar de ter dinheiro e passar a ter recebíveis”, explica.

A companhia informa no comunicado que a operação será realizada a valor contábil, sem gerar resultado para nenhuma das duas empresas envolvidas. “Não vai ser gerado nenhum lucro interno nas operações da mãe (Petrobrás) com a filha (BR). Às vezes uma empresa passa um ativo para outra não a valor contábil, mas a valor de mercado, o que pode gerar problemas tributários. Nesse caso, a Petrobrás não deve pagar mais nem menos que o valor pelo qual os créditos estão contabilizados”, diz Martins. (O Estado de São Paulo 26/08/2017)

 

Açúcar: O vilão do momento – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado fechou a semana com o vencimento outubro de 2017 cotado a 14,06 centavos de dólar por libra-peso, uma apreciação de 65 pontos na semana, ou 14 dólares por tonelada. Os valores de NY convertidos pela taxa do dólar usando NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira) estão ligeiramente acima dos 1,000 reais por tonelada. O custo de carrego do outubro 2017 para outubro 2018 mostra mais de 10% a.a. Interessante notar que o spread março/maio de 2019 negocia a zero.

Até que o mercado futuro de açúcar em NY tem resistido bem à falta de vigor do mercado físico e a ausência completa de notícias que poderiam elevar preços. Nada muito interessante acontecendo do lado da produção. A moagem continua em bom ritmo e a ATR tem sido supreendentemente alta elevando a previsão de produção de açúcar mesmo com a mudança de mix para etanol anunciada pelos quatro cantos.

A vantagem de acumular aniversários é que muitas vezes vemos o mesmo enredo de um filme em que apenas os personagens mudam. O açúcar hoje é o grande vilão da saúde assim como o café o ovo já ocuparam esse posto no passado. Depende muito, claro, de quem patrocina as “pesquisas científicas”, entre aspas mesmo. É só seguir o dinheiro que a gente encontra. Para sensibilizar as pessoas, uma empresa no ramo alimentício despejou uma montanha de açúcar em pleno Time Square em Nova Iorque informando que aquela quantidade enorme de açúcar era consumida a cada cinco minutos por crianças nos Estados Unidos. Pronto, o açúcar continua sendo o grande vilão. E o que faz a Organização Internacional do Açúcar (ISO) ? Não sei dizer.

O fato é que, como mostram os números, o consumo de açúcar continuará subindo nos próximos anos alimentado pela Ásia. Certamente vamos crescer menos. E também abaixo do que a produção será capaz de atender.

Veja o caso do Brasil, por exemplo. Nas últimas quatro safras a produção de ATR cresceu 2.30% ao ano. Se tomarmos as últimas sete safras, na média, crescemos 1.51% ao ano. Abaixo, portanto, do crescimento do consumo na Ásia (acima de 2.6%), em linha com o crescimento estimado da ISO se olharmos a curva de quatro anos, mas menor se usarmos a curva de sete anos.

Nada disso, no entanto, vai mudar no curto prazo a trajetória de preços do açúcar. Embora tenhamos vivido e tempestade perfeita abordada no nosso comentário de 23 de junho passado; acreditamos já ter visto o menor nível do ano (12.53 centavos de dólar por libra-peso) e os preços deverão se recuperar lentamente somente a partir do último trimestre de 2017.

Para além desta safra acreditamos em produção de cana muito estreita para atender a demanda de etanol e açúcar (exportação e mercado interno). Mesmo admitindo a importação de etanol limitada a um teto de 600 milhões de litros por ano, o atual ritmo de crescimento anual da cana no Brasil (sem investimento) mostra um déficit acumulado de 127 milhões de toneladas de cana entre 18/19 e 21/22, que representam, mantido o mix de 48% de açúcar, uma falta de 11 bilhões de litros de etanol.

Hoje, cerca de 35% dos proprietários de veículos no país escolhem o etanol na hora de abastecer. Se aumentar para 40%, o déficit de etanol em bases anuais é de 1,4 bilhão de litros. Se voltássemos ao nível de dezembro de 2009, quando 54,5% do consumo era de etanol, o déficit pularia para 5.4 bilhões de litros. Essa conta, certamente o mercado não faz (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)