Setor sucroenergético

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Trem atrasado

O TCU solicitou à Rumo Logística um calhamaço de informações sobre o plano de investimentos da Malha Paulista.

O pedido caiu como uma ducha de água fria na empresa, que já perdeu a esperança de que a renovação antecipada da concessão saia neste ano.

O atraso custa caro: sem o imprimatur do TCU, o empréstimo de R$ 3,5 bilhões do BNDES para a Malha Paulista permanece no papel. (Jornal Relatório Reservado 31/08/2017)

 

Milharal

O governo do Mato Grosso está semeando um pacote de medidas para estimular a instalação de usinas de etanol de milho no estado.

A safra é puxada pela norte-americana Summit Agricultural Group, que já tem um projeto de R$ 400 milhões. (Jornal Relatório Reservado 01/09/2017)

 

CTC avalia abrir uma unidade nos EUA

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) informou que avalia o estabelecimento de uma unidade de pesquisa e desenvolvimento nos EUA. Em comunicado, a companhia informou que procura identificar ‘ambientes de renomada expertise em biotecnlogia agrícola no país’.

No Brasil, a empresa ainda tenta resolver um impasse que envolve a liberação de crédito da BNDESPar, um de seus acionistas. (Assessoria de Comunicação 31/08/2017)

 

Cana transgênica impulsiona IPO do CTC no Brasil e nos EUA

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) espera superar com tranquilidade a disputa com a BNDESPar, braço de participações do BNDES que faz parte de seu quadro de acionistas, e pretende abrir o capital em 2021. A medida será possível uma vez que o CTC, que faturou R$ 132,8 milhões na safra 2016/17, recebeu a aprovação para comercializar a primeira cana transgênica do mundo, catapultando-o ao patamar de "companhia de biotecnologia".

O objetivo é lançar ações na B3 (ex-Bovespa) e na americana Nasdaq, que concentra a listagem de empresas de biotecnologia e onde os investidores já estão acostumados ao setor, afirmou o presidente do CTC, Gustavo Leite.

A medida já estava prevista quando o CTC negociou a entrada da BNDESPar em seu capital, em 2014, mas a perspectiva era fazer o IPO em 2023, cumprindo o prazo máximo de sete anos após o registro na bolsa. Mas a autorização para comercializar cana com o gene tolerante ao inseto da broca-da-cana, concedida em junho pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), permitiu antecipar o plano.

Até 2021, a empresa pretende começar a colher os frutos desse seu primeiro investimento em transgenia. Dessa forma, quando apresentar seu pedido de abertura de capital, o CTC pretende ter em mãos resultados para mostrar aos potenciais investidores, disse Leite.

Em um prazo ainda mais curto, o CTC espera que a Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), da B3, resolva a disputa com a BNDESPar, que deixou de realizar um aporte de R$ 90 milhões, como acertado em acordo de acionistas. Enquanto a BNDESPar afirma que "as disponibilidades da companhia seriam suficientes para fazer frente às necessidades de caixa" desta safra, o CTC diz que não havia condicionantes para o aporte. Questionada sobre a perspectiva para a decisão da Câmara, a BNDESPar preferiu não comentar. O CTC disse esperar que a questão se resolva "o quanto antes".

Leite minimizou o impacto da disputa. "Temos um relacionamento aberto com eles. Isso não é um grande risco", disse. Em nota, a BNDESPar afirmou que "continuará sócia da companhia, apoiando o CTC na implementação do seu plano de negócios e na sua trajetória para realizar um IPO nos próximos anos, um dos objetivos institucionais da subsidiária de participações do BNDES".

A tarefa mais complexa até o IPO, segundo o executivo, será ao menos manter o ritmo de crescimento das vendas - hoje em 20% ao ano - para ganhar participação de mercado. As variedades comercializadas pelo CTC atualmente, todas convencionais, estão em 12% a 13% da área cultivada com cana no país. A meta é ampliar essa participação para 20% até 2021, quando o centro pretende apresentar aos investidores a projeção de elevar a fatia para entre 40% e 50% na década subsequente.

A empresa também espera chegar em 2021 com uma margem compatível com a de uma empresa de biotecnologia, em torno de 20%, segundo Leite, que já presidiu a Monsanto no Brasil e no Canadá. Na safra 2016/17, a margem Ebitda do CTC foi de 13,5%.

Com a abertura de capital, o CTC pretende fortalecer os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, hoje em R$ 200 milhões por ano. Desse montante, mais da metade é destinada ao desenvolvimento de variedades de cana e pesquisas com transgenia. O restante é destinado à planta-piloto de etanol celulósico e ao desenvolvimento de sementes.

O próximo passo do CTC é inserir na cana um gene resistente ao bicudo - que ataca a planta - e outro gene tolerante a herbicidas, sobretudo o glifosato. A ideia é que as três transgenias ocorram concomitantemente nas plantas.

O negócio de biotecnologia do CTC deve ganhar impulso com o laboratório que a empresa deve instalar nos Estados Unidos, onde o acesso a fornecedores de insumos é mais fácil. O local da unidade deve ser apresentado ao conselho de administração até o fim do ano. A preferência é pela região de Saint Louis, o "Vale do Silício" da biotecnologia.

Enquanto a empresa tem apenas um evento transgênico aprovado, a tarefa é replicar a técnica em suas mais de dez variedades de cana adaptadas a diferentes microclimas. Além disso, o CTC busca garantir que o açúcar produzido a partir da cana transgênica tenha as vendas aprovadas fora do Brasil. Por isso, já pediu autorização nos EUA e no Canadá, e até março deve requerer o aval a Japão, Rússia, China, Índia, Tailândia, Taiwan e Coreia do Sul.

A expectativa de Leite é que essas aprovações ocorram em dois a três anos, quando as usinas brasileiras devem começar a processar a cana geneticamente modificada. Nos primeiros anos, as mudas transgênicas ficarão nos viveiros das usinas, sendo replicadas até atingirem escala para produção comercial. (Valor Econômico 01/09/2017)

 

Açúcar: De olho no Brasil

O mercado está atento às oscilações do preço da gasolina no Brasil e à possível redução do percentual do caldo de cana destinado pelas usinas do país para a produção de açúcar.

Nesse cenário, os papéis com vencimento em março fecharam ontem a 14,98 centavos de dólar a libra-peso em Nova York, avanço de 45 pontos.

A alta coincidiu com um aumento de 4,2% no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras, divulgado no início do dia.

Foi o maior ajuste realizado pela estatal desde a mudança na sua política de preços.

A gasolina mais cara tende a aumentar a demanda por etanol hidratado, desestimulando a produção de açúcar pelas usinas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,33 a saca de 50 quilos, com queda de 0,82%. (Valor Econômico 01/09/2017)

 

Cientistas brasileiros pesquisam geração de energia a partir do açúcar

Pesquisadores do Instituto de Química da USP em São Carlos responderam a uma pergunta que a comunidade científica esperava há mais de meio século.

Foram cinco anos de estudo até o resultado inédito. Primeiro, os cientistas colocam fermento biológico, que a gente usa para fazer pão, no açúcar refinado. Com a fermentação, o açúcar vira álcool. Aí os pesquisadores acrescentam um fiozinho preto, um eletrodo com uma proteína chamada ADH ou álcool desidrogenase. É uma enzima encontrada no corpo humano e em alimentos como o tomate.

“A proteína é capaz de extrair os elétrons, que são partículas carregadas, do etanol, gerando então eletricidade. E esse processo é bem rápido. Em cerca de dez minutos já temos corrente elétrica”, afirmou a doutoranda de química Graziela Sedenho. (G1 30/08/2017)

 

Petrobras eleva gasolina em 4,2%, maior alta em quase nove meses

A Petrobras elevará em 4,2 por cento os preços da gasolina nas refinarias a partir de sexta-feira, na maior alta desde dezembro de 2016, em uma decisão que pode ter impacto na bomba e influênciar o consumo de etanol, se a estatal aumentar novamente os preços nos próximos dias.

Analistas avaliaram que, uma vez que a Petrobras tem aplicado altas e baixas recorrentes nos combustíveis, um reajuste tem anulado o outro, minimizando impactos eventualmente favoráveis para o etanol, concorrente direto do combustível fóssil.

O forte reajuste anunciado pela estatal nesta quinta-feira ocorre após a disparada nas cotações internacionais do produto em decorrência dos danos provocados pela tempestade tropical Harvey no Texas, coração da indústria de energia dos Estados Unidos.

A nova sistemática de reajustes da companhia, em vigor desde o início de julho e que prevê mudanças quase que diárias para os combustíveis, pressupõe que as cotações domésticas desses produtos não fiquem aquém das observadas no exterior.

Em nota divulgada na quarta-feira, a Petrobras informou “que os ajustes promovidos têm sido suficientes para garantir a aderência dos preços praticados pela companhia às volatilidades dos mercados de derivados e ao câmbio”.

A alta anunciada nesta quinta-feira, a maior desde os 8,1 por cento de 5 de dezembro de 2016, contudo, tende a ter influência limitada sobre os preços do etanol, pelo menos por ora, segundo analistas ouvidos pela Reuters.

“Por enquanto me parece que os preços do etanol não estão reagindo a isso. Desde o início, os reajustes da Petrobras tendem a se neutralizar, com alta em um dia e queda no outro. Pode mexer só se essas altas fortes acontecerem durante vários dias”, comentou Eduardo Sia, da trading Sucden.

Para ele, o álcool vem ganhando competitividade mais por uma questão de “contexto de mercado”, com os preços do açúcar em baixa, do que isoladamente pelos reajustes da Petrobras.

“A remuneração do etanol já tem estado mais favorável nas últimas semanas em alguns Estados.”

Com efeito, na primeira metade de agosto o etanol mostrou certa atratividade para as usinas do centro-sul do Brasil, que direcionaram a maior parcela de cana para a fabricação do biocombustível em quatro quinzenas, segundo dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

A Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, por exemplo, informou no início do mês que já via o biocombustível dando “melhores retornos”, enquanto a Biosev anunciou mais cedo nesta semana estar alterando seu mix para favorecer o etanol.

Conforme o sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho – Foto -, a alta da gasolina anunciada nesta quinta-feira tende mesmo a ter uma influência limitada no curto prazo sobre o álcool, mas é algo que deve ser comemorado.

“Pela lógica, a Petrobras tinha de aumentar o preço da gasolina, e isso é um resultado positivo da mudança. Há uma tendência de se beneficiar o produtor (de etanol) com essa política”, disse.

Também presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Corrêa Carvalho avalia que a nova política da Petrobras traz previsibilidade ao mercado, ao contrário dos congelamentos de preços que vigoraram em anos anteriores e que impuseram perdas bilionárias às usinas e à própria Petrobras. (Reuters 31/08/2017)

 

Fazenda de SP fecha cerco em torno de operadoras do etanol

Depois da Operação Rosa dos Ventos, da PF, que revelou amplo esquema de sonegação na área dos combustíveis, a Fazenda paulista fecha o cerco, no Estado, em torno de operadoras ligadas ao etanol. Uma delas, que deve ao fisco cerca de R$ 86 milhões, sofreu duas derrotas seguidas no Tribunal de Taxas e Impostos que lhe custarão cerca de R$ 15 milhões.

Ao que se apurou, isso é apenas a ponta do iceberg. Uma lista dos 20 maiores sonegadores do setor, no Estado mostra que, juntos, eles devem perto de R$ 16 bilhões. (O Estado de São Paulo 31/08/2017)

 

Oferta agrícola da UE terá etanol e carne

A União Europeia (UE) deu a garantia de que fará no começo de outubro sua oferta agrícola ao Mercosul, e vai incluir acesso para carne bovina e etanol, informou ao Valor o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. O ministro passou por Bruxelas, Londres e Paris, antes de se juntar à delegação do presidente Michel Temer na China. Na capital belga, deixou claro que sem carne bovina, etanol e açúcar não poderia haver acordo.

Em Paris, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Yves le Drian, observou que um acordo com o Mercosul gera repercussões políticas no país, em razão da sensibilidade do setor agrícola, mas que é preciso colocar logo as cartas na mesa, nos dois lados.

Para o ministro brasileiro, um acordo vai ajudar a quebrar o que chamou de "mito" de ameaça das exportações do Mercosul, lembrando que a França faz exportações significativas de produtos agrícolas para o Brasil e o resto do Mercosul, incluindo defensivos agrícolas.

Em Bruxelas, a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, e outras autoridades reafirmaram a importância política do acordo birregional, ainda mais no contexto atual, com as tendências isolacionistas do governo de Donald Trump.

Em Londres, o chefe da diplomacia britânica, Boris Johnson, lembrou que o Reino Unido continua apoiando o acordo com o Mercosul. Uma vez que o Brexit (saída da UE) se concretize, Londres vai querer utilizar o acordo UEMercosul como o ponto de partida para um entendimento mais audacioso com o bloco do Cone Sul.

No quarto trimestre, deverá ser realizada no Brasil a cúpula UE-Brasil. É quando se espera o impulso final para o anúncio de um pré-acordo em seguida à conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Buenos Aires.

Por sua vez, o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira; informou que planeja ir aos EUA no fim do mês ou início de outubro para conversar com autoridades americanas e evitar que o aço brasileiro sofra com uma eventual sanção, que teria como alvo sobretudo a China. (Valor Econômico 01/09/2017)

 

Setor de máquinas agrícolas deve crescer até 15% em 2017

As vendas de máquinas e implementos agrícolas do Brasil devem crescer entre 10 a 15 por cento este ano, um desempenho menor que o ano passado, mas ainda expressivo em comparação aos demais setores da indústria de máquinas, estimou nesta quarta-feira a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

“É o único setor da Abimaq que vai ter crescimento. É o único setor que está, teoricamente, fora da crise”, disse o presidente-executivo da entidade, José Velloso, em evento em São Paulo, lembrando que a associação representa 35 setores da indústria de bens de capital.

Para a Abimaq, a demanda por máquinas agrícolas é reflexo do bom desempenho da agricultura no país, que registrou safras recordes de milho e soja na temporada 2016/2017.

Entre janeiro e julho de 2017, o faturamento do setor acumulou crescimento de 11 por cento ante mesmo período do ano passado, totalizando 7,6 bilhões de reais, informou a Abimaq.

Velloso disse acreditar que o segundo semestre não será tão bom quanto o primeiro e lembrou que a segunda metade do ano passado foi muito melhor que os primeiros seis meses de 2016.

“Então deve terminar o ano com crescimento da ordem de 10 a 15 por cento”, concluiu, acrescentando que alguns fabricantes tem uma visão mais conservadora.

O setor de máquinas e implementos agrícolas foi responsável por 42,2 por cento das exportações da indústria brasileira de bens de capital entre janeiro e julho, segundo dados da Abimaq. (Reuters 31/08/2017)