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Shell não paga faturas de serviços no Porto de Açu desde junho de 2017, diz Prumo

A Prumo Logística informa que a BG E&P Brasil Ltda (Shell) não cumpre suas obrigações ao não pagar, desde junho de 2017, as faturas devidas estabelecidas no contrato de serviço de transbordo de petróleo. A informação está em fato relevante da Prumo, enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com a Prumo, a Shell não cumpre com suas obrigações contratuais do Açu desde que ocorreu um incidente com vazamento de petróleo.

A Prumo detém 80% da Açu Petróleo, localizada no Porto do Açu, que oferece soluções para transferência de petróleo por operação “ship-to-ship”. Em junho de 2015, a Prumo e a Shell assinaram contrato, que prevê que a segunda utilize a infraestrutura e os serviços do Açu por 20 anos em regime de take-or-pay, a fim de transferir um volume médio de até 200 mil barris por dia. Segundo a Prumo, no documento, o terminal iniciou as operações em 29 de agosto de 2016 e, desde então, cumpriu todas as obrigações operacionais no contrato.

Em 4 de maio de 2017, no entanto, durante a 19ª operação de transferência de petróleo no Açu, ocorreu um incidente com vazamento de petróleo, mas que foi contido pelo sistema de resposta de emergência do terminal, segundo a Prumo.

Desde então, a Shell decidiu unilateralmente não demandar os serviços do Açu previstos em contrato e não cumpriu suas obrigações de “take or pay” ao não pagar as faturas devidas desde junho de 2017. Segundo a Prumo, o Açu tentou obter amigavelmente o cumprimento da Shell de suas obrigações e informa que a empresa vem, em paralelo, tentando obter descontos e outras vantagens comerciais.

“Por estas razões acima mencionadas e considerando o impacto financeiro adverso que a Açu Petróleo S.A. suportará como consequência do descumprimento da Shell, a Prumo informa ao mercado que deve buscar o pagamento imediato das faturas pendentes e reivindicar todos os danos incorridos advindos do inadimplemento supramencionado”, informa a Prumo, em fato relevante.

Sobre o vazamento de petróleo, a Prumo destacou que ocorreu por defeito na fabricação de equipamentos de terceiros e que o volume de resíduos foi relativamente pequeno, sendo limpo em horas e de acordo com os procedimentos de segurança. Segundo a Prumo, as agências governamentais foram notificadas, inspeções foram realizadas e o terminal foi liberado. (Isto é Dinheiro 04/09/2017)

 

Cem dias após falência, usina dá sinais de recuperação

Grupos nacionais e internacionais mostram interesse na indústria que deve ser vendida até o fim do ano.

Há cem dias, a Usina São Fernando, em Dourados, teve sua falência judicial decretada e o momento era de incertezas para credores e funcionários. Agora, o momento é outro. A indústria começa a deixar o descrédito e a falta de confiança para trás e a nova administração comemora os resultados positivos e a possibilidade de ter todo o ativo vendido antes de 2018.

No início de junho, quando o juiz da 5ª Vara Cível de Dourados, Jonas Hass da Silva Junior, decretou a falência e nomeou como administrador judicial o escritório Vinicius Coutinho Consultoria e Perícia, a São Fernando tinha R$ 1.200 em caixa, estoque de produtos zerado e centenas de obrigações a cumprir com terceirizados, fornecedores e com a folha salarial.

Nenhum funcionário foi demitido em razão da falência, os salários estão sendo pagos em dia e o plano de saúde foi mantido. A operadora São Francisco Saúde, responsável pelo serviço médico dos funcionários, ameaçava suspender os atendimentos por inadimplência. A administração judicial negociou com a operadora e o plano de saúde foi mantido, mesma solução dada ao transporte coletivo dos funcionários, também renegociado. Foram mantidos os contratos de prestação de serviço terceirizado, como colheita, transporte, alimentação e veículos, todos agora com os pagamentos em dia.

Nova fase

Com a as dívidas renegociadas, a administradora judicial iniciou os passos para uma nova São Fernando. Houve reuniões presenciais com grupos de investidores interessados em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Dourados e Campo Grande. Além de vídeo conferências com grupos internacionais dos Estados Unidos, França, Inglaterra e Argélia.

A pedido da administradora, a Justiça determinou a alienação dos ativos (venda) da empresa na modalidade de proposta fechada. A entrega dos lances livres em envelopes lacrados será feita no cartório da 5ª Vara Cível da Comarca de Dourados, nos dias 18 e 19 de setembro, das 12h às 19h.

Na sequência, será realizada a assembleia geral de credores, em primeira convocação marcada para o dia 25 de setembro e, em segunda convocação, no dia 2 de outubro de 2017, para que possam opinar sobre a melhor proposta. Na ocasião também será deliberado sobre a eventual constituição do comitê de credores. O valor fixado para a venda é de R$ 716 milhões.

Comercialização de álcool

Os números comprovam o novo momento da indústria. Em 52 dias de administração judicial, contados no período de 9 de julho a 31 de julho, a Massa Falida da São Fernando Açúcar e Álcool comercializou 25.745,03 metros cúbicos de álcool, gerando um faturamento bruto com álcool de R$ 38,6 milhões.

Para agregar mais valor ao produto, a Administração Judicial tem evitado os "atravessadores" na comercialização do álcool e negocia diretamente com as distribuidoras, aumentando a renda líquida.

A administração judicial conseguiu ainda outras conquistas importantes, como a manutenção dos benefícios fiscais e deu o primeiro passo para retomar a outorga da Aneel para comercialização de energia elétrica. A suspensão da outorga em decorrência de constantes descumprimentos contratuais diminuiu consideravelmente a capacidade de produção de renda.

Outro avanço ocorreu nas conversas com os produtores. Inicialmente a administradora nomeada pela Justiça enfrentou grande resistência por causa dos problemas do passado. Muitos rescindiram o contrato, mas outros acreditaram no novo momento e continuam apoiando. "Estes estão recebendo a quota-parte da parceria impreterivelmente em dia", afirma o advogado Rafael Vincensi, assessor jurídico da Administração Judicial. (Capital News 03/09/2017)

 

Banco do Brasil faz estreia como 'fiador' em operações de 'barter'

Pressionado por uma queda de quase 20% em suas liberações de crédito rural na safra 2016/17, para R$ 68,7 bilhões, o Banco do Brasil decidiu estreitar as parcerias com empresas de insumos, revendas, tradings e cooperativas para voltar a crescer nesse segmento. E a aposta é conferir um tempero financeiro a uma operação eminentemente física, que tem crescido muito no país nos últimos anos: o "barter".

No modelo desenhado, apelidado de "BB Trading", o banco passa a atuar como uma espécie de fiador no "barter", e em alguns casos vai inclusive tornar dispensável o fornecedor de insumos no sistema. O objetivo é participar de operações de cerca de 200 mil médios e grandes produtores rurais, número equivalente à metade da atual carteira do banco com esse perfil de clientes. Líder absoluto no mercado de crédito rural no país, com participação de 60%, o Banco do Brasil tem uma carteira que, no total, chega a quase R$ 190 bilhões.

Para tentar acelerar a expansão do novo negócio, o BB já se reuniu com cooperativas de São Paulo, como Coopercitrus, Coopercana e Cooperplana, e tem agendadas conversas com cooperativas do Paraná e do Rio Grande do Sul para as próximas semanas. Mas a ideia é também estreitar os laços com grandes multinacionais de insumos, como Syngenta, Bayer e Basf, e com tradings globais como ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus.

"O produtor já se modernizou bastante no Brasil, mas precisa avançar na captação de recursos. Por isso, nossa ideia de trabalhar em parceria com toda a cadeia do agronegócio, que é bem promissora", afirmou Tarcísio Hubner, vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, em entrevista ao Valor. "Para o banco é interessante, porque permite o aumento do leque de clientes, e para os fornecedores de insumos também é bom, porque eles não precisam usar recursos próprios".

No "barter" tradicional, que se tornou comum em grandes polos produtores de grãos do país, uma agroindústria entrega fertilizantes e defensivos para viabilizar o plantio do produtor e recebe o valor equivalente na colheita, em volume físico. No modelo no qual o BB decidiu atuar, a instituição adianta os recursos para a agroindústria e assume o risco, que antes era do fornecedor de insumo. Depois o banco é ressarcido pelo produtor com o dinheiro obtido na comercialização da safra, mas tendo como garantia Cédulas do Produtor Rural (CPR) emitidas pelo produtor rural. Para lastrear esses papéis, porém, o banco quer usar como fonte de recursos suas captações de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que são isentas de imposto de renda.

Com isso, o BB pode também ampliar o uso das LCAs como fonte de financiamento para a agricultura. Até o ano passado, os bancos só podiam usar esses títulos em operações de custeio rural, mas a partir desta safra 2017/18, que começou em 1º de julho, os papéis também podem ser direcionadas para operações de investimento, comercialização, industrialização e CPR. Com isso, as instituições que operam com crédito rural conseguem financiar os insumos para os produtores com taxas de 9% a 12% ao ano, mais baixas que as praticadas pelas tradings, disse Hubner.

"Vamos viver um novo momento de juros baixos nesta safra e, à medida que a Selic [taxa básico de juros] cai, não tem muita diferença entre o crédito a juros controlados e as taxas de mercado. Atentos a isso, nós nos programamos para ofertar crédito com LCA e CPR. Essa é a saída", afirmou o executivo do banco, que já viu seus desembolsos de crédito rural crescerem 65,5% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado, para R$ 5 bilhões.

Outra frente que tem atraído atenção especial do Banco do Brasil é o potencial de crescimento das liberações de crédito para armazenagem. Nesse mercado, a instituição espera crescer 10% nesta safra 2017/18, por conta do ritmo lento que marca a comercialização de grãos no país. E já colocou em marcha uma caravana de gerentes em Tocantins, Maranhão, Goiás, Mato Grosso do Sul e São Paulo, onde já foram mapeados 678 potenciais produtores interessados nas linhas do Programa de Construção de Armazéns (PCA), que estão com taxa de juro de 6,5% ao ano, dois pontos percentuais abaixo do patamar da safra 2016/17.

Em sua estratégia para se defender do aumento da concorrência dos bancos privados no campo, o BB também mira, finalmente, a crescente demanda por investimentos no sistema de integração lavoura-pecuária na região do "Matopiba" (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). (Assessoria de Comunicação 04/09/2017)

 

Açúcar: Efeito Harvey

Os efeitos do furacão Harvey no mercado de petróleo continuam impactando as cotações do açúcar.

Ontem, com a pausa nas negociações na bolsa de Nova York, o açúcar refinado com entrega para dezembro fechou com alta de US$ 1,60 na bolsa de Londres, a US$ 376,6 a tonelada.

O aumento no preço da gasolina tende a elevar o consumo de etanol, desestimulando a produção de açúcar pelas usinas.

No Brasil, maior produtor mundial, a Petrobras passou a reajustar diariamente o valor do combustível nas refinarias, gerando uma alta acumulada de mais de 16% nos preços praticados no mercado interno desde 3 de julho, quando a estatal adotou a nova política.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 52,26 a saca de 50 quilos, alta de 0,06%. (Valor Econômico 05/09/2017)

 

Preço do etanol recua e não remunera custo

O preço do etanol líquido de impostos atingiu patamar inferior ao da safra passada e não remunera os custos de produção, segundo Júlio Borges, da JOB Consultoria.

Isso ocorre depois da nova política de equivalência da Petrobras e obriga o produtor a buscar custos mínimos de produção e de distribuição.

Exportações

As vendas externas de etanol somaram 177 milhões de litros no mês passado, 5% mais do que em agosto de 2016. As receitas atingiram US$ 90 milhões, com alta de 2%, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior. (Folha de São Paulo 05/09/2017)

 

Oscilações no mercado de açúcar vão continuar com atuação dos fundos

As oscilações no pregão de açúcar de Nova York vão continuar independente do mercado físico e a melhor maneira de deduzir a tendência futura é olha o spread entre os contratos, diz o relatório da Archer Consulting.

“Quem está envolvido no dia-a-dia do mercado físico de açúcar tem dificuldade de entender essas oscilações bruscas que temos visto a todo momento. Os tais sistemas de algoritmos que acionam compras e vendas antes que possamos piscar os olhos pouco sabem o que é um pé de cana e nós aqui do outro lado tentamos colocar o racional para explicar esses movimentos erráticos. Ora atribuímos a alta ao aumento da gasolina para logo depois justificar a baixa porque a safra da Tailândia vai muito bem, obrigado. Esqueça. É total perda de tempo tentarmos encaixar nosso racionalismo às flutuações do mercado que são comandadas por modelos matemáticos sofisticados”, diz o texto assinado por Arnaldo Luiz Côrrea.

Mas os spreads de contrato podem ser uma luz para o investidor, afirma, porque retratam a expectativa em torno do mercado físico. Quando eles aumentam, significa fraqueza no mercado físico e o contrário também é verdade, quando reduzem é porque as negociações físicas estão aceleradas.

A semana passada fechou o spread negociando a 61 pontos contra 66 da sexta-feira anterior, após ter negociado a 55. Ajuste dos livros das tradings, antecipação de possível movimentação de alta, melhora nos diferenciais negociados no físico ou pura especulação são alguns dos fatores.

“No entanto, se por um lado temos os fundos rolando suas posições vendidas em outubro para o vencimento seguinte (março) é evidente que esse movimento favorece o estreitamento do spread (os fundos recompram o outubro e vendem o março), por outro temos um volume de fixação por parte das usinas do Centro-Sul ainda a ser feito contra o vencimento outubro (que expira este mês).”

“É exatamente a imensa quantidade de lotes a serem fixados (que englobam aqueles lotes recomprados para tomar lucro quando o mercado estava a 16 centavos de dólar por libra-peso), que impedem o mercado de se consolidar nos 14 ou 15 centavos de dólar por libra-peso. Isto é, a vulnerabilidade dos fundos, que estão 117.500 lotes vendidos, está sendo abrandada pelo volume pendente de fixações por parte das usinas (quanto seria?). Assim, o mercado tem mais peso na queda. O fator “pânico” também ajuda”, diz o relatório. (Valor Econômico 04/09/2017)

 

Álcool combustível amplia vantagem sobre gasolina na bomba

Dados da Fipe indicam que relação entre o etanol e a gasolina sobe a 68,04% em agosto e tem maior nível para o mês desde 2011.

A relação entre os preços do etanol e os da gasolina fechou agosto no maior nível para o mês desde 2011 (68,07%), de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No oitavo mês do ano, essa equivalência entre os preços na cidade de São Paulo atingiu 68,04%, na comparação com 67,80% em julho.

Dados da Fipe indicam que relação entre o etanol e a gasolina sobe a 68,04% em agosto e tem maior nível para o mês desde 2011 Foto: Sergio Castro/Estadão

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina.

Essa vantagem, inclusive, pode ser ampliada agora em setembro. Isso porque, com a passagem do furacão Harvey nos Estados Unidos, o preço da gasolina nas refinarias brasileiras já subiu mais de 10%.

A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder do combustível fóssil. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque.

De acordo com Moacir Mokem Yabiku, gerente técnico de pesquisa da Fipe, o movimento reflete alguns fatores,  como a nova política de preços da Petrobrás para a gasolina, que em agosto prevaleceu o encarecimento do produto, o aumento de PIS/Cofins para os dois combustíveis e a opção de produtores de produzirem mais açúcar do que álcool.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC) - que mede a taxa de inflação na capita paulista, a gasolina ficou 6,82% mais cara em agosto e o etanol, 7,49%. Já os preços do açúcar cederam 4,30% no oitavo mês do ano, depois da queda de 0,23% em julho. No caso da gasolina e do etanol, houve taxas positivas de 0,28% e de 1,14% no IPC do sétimo mês do ano. Em agosto, o IPC-Fipe teve elevação de 0,10%, depois de cair 0,01% em julho. (O Estado de São Paulo 04/09/2017)

 

Índia decidirá em breve sobre importação de açúcar, diz ministro

A Índia decidirá em breve sobre a necessidade de importar açúcar, disse o ministro de Alimentos do país, Ram Vilas Paswan, em mensagem em seu Twitter nesta segunda-feira.

No mês passado, a Reuters noticiou que Nova Délhi estava planejando permitir importações adicionais de 200 mil toneladas de açúcar livre de impostos devido previsão de que a produção cairá abaixo do nível de consumo no ano-safra 2016/17. (Reuters 04/09/2017)

 

Leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, é suspenso a pedido do BNDES, diz fonte

O leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, empresa em recuperação judicial, foi suspenso a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), titular de garantias hipotecárias da companhia, disse à Reuters nesta segunda-feira uma fonte com conhecimento do assunto.

Ainda não há uma nova data para o leilão da usina da Renuka, que deveria ter ocorrido nesta segunda-feira, segundo a fonte, que falou na condição de anonimato. Como titular de garantias, o BNDES pode pedir suspensão do processo.

Não foi possível falar imediatamente com o BNDES ou com a Renuka. (Reuters 04/09/2017)