Setor sucroenergético

Notícias

Bayer diz que precisa de mais tempo para concluir aquisição da Monsanto

A fabricante alemã de medicamentos e agroquímicos Bayer disse que provavelmente levará até o início do próximo ano para completar a planejada aquisição do grupo de sementes norte-americano Monsanto, por 66 bilhões de dólares, negócio que estava previsto para ser concluído no fim de 2017.

A Comissão Europeia vem analisando a aquisição, tendo como prazo limite 8 de janeiro. A Bayer disse, em nota, que pediu ao regulador uma extensão desse prazo para até 22 de janeiro. A Comissão iniciou no mês passado uma investigação aprofundada sobre tal aquisição, dizendo que estava preocupada com a concorrência em vários mercados de pesticidas e sementes. (Reuters 19/09/2017)

 

Açúcar: Maior produtividade

O cenário continuou negativo para os contratos futuros do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 14,37 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 55 pontos.

Após ter sido pressionada pela desvalorização do açúcar refinado em Londres na segunda-feira, a commodity cedeu ontem ao aumento nas previsões de produtividade da Europa em 2017.

Segundo a agência de monitoramento de safras da União Europeia (Mars, na sigla em inglês), o continente deve produzir 76,9 toneladas de açúcar por hectare plantado de beterraba, aumento de 2,9% ante o estimado em agosto.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,42 a saca de 50 quilos, queda de 0,21%. (Valor Econômico 20/09/2017)

 

Caramuru aposta em usina de etanol de soja

Feito em parceria com a Finep, projeto é o 1º do tipo no País em escala comercial; investimento será de R$ 115 milhões.

Em 2012, quando a Caramuru Alimentos começou a produzir proteína concentrada de soja na fábrica de Sorriso, no Mato Grosso, a empresa se deparou com um problema: o que fazer com o resíduo, o melaço de soja? “Era uma quantidade tão grande que poderia emperrar a fábrica”, lembra o vice-presidente, César Borges.

De lá para cá, as 230 toneladas diárias de melaço têm sido aproveitadas para alimentação do gado e geração de energia. Agora a empresa decidiu produzir etanol de soja a partir do melaço, um projeto pioneiro no País em escala industrial, diz Borges. O etanol hidratado pode ser usado como combustível para veículos e como matéria-prima na indústria química.

O pontapé inicial para a fabricação de etanol de soja e de também de lecitina de soja de segunda geração, a partir do melaço, acaba de ser dado. A Finep, empresa pública de fomento à tecnologia e inovação, liberou R$ 40 milhões para a Caramuru tocar o projeto. É a primeira parcela de financiamento de R$ 69 milhões para implementar a fábrica, que começa a funcionar em dois anos. O investimento total será de R$115 milhões e a diferença – R$ 46 milhões, são recursos da própria companhia.

A fábrica terá capacidade de 6,8 milhões de litros de etanol por ano e 3 mil toneladas de lecitina de soja. Deve gerar 60 empregos diretos e 200 indiretos. Quando a produção de etanol e lecitina de segunda geração estiver em pleno funcionamento, deve agregar R$ 20 milhões por ano ao resultado da empresa. Em 2016, a companhia faturou R$ 4 bilhões. A previsão é atingir R$ 4,2 bilhões este ano.

Luis Felipe Maciel de Souza, gerente do departamento de Agronegócios e Biocombustíveis da Finep, diz que o projeto é inovador e que é a primeira vez que existe a possibilidade de chegar a produção de etanol de soja em escala comercial.

Quanto ao custo do etanol de soja em relação ao de cana e de milho, o especialista diz que não é possível fazer comparações. Souza explica que não seria viável uma produção de soja voltada para a extração do etanol. “Soja para etanol não é economicamente viável, mas como um subproduto, sim”. Ele diz que a cana é “imbatível” em relação a outros insumos na extração de etanol por causa da elevada concentração açúcar.

Tecnologia

A tecnologia para produção de etanol de soja é nacional e foi desenvolvida pela engenheira química Paula Fernandes de Siqueira, que fundou o Intecso, um centro de tecnologia avançado em agronegócio. Ela licenciou a tecnologia para a Caramuru, que terá autorização para explorar comercialmente a produção. Pelo uso, a Intecso recebeu um valor fixo que, por questões contratuais não é revelado.

A outra parte será sobre o desempenho da produção. O contrato não prevê exclusividade e a engenheira pode licenciar a tecnologia para outras empresas que produzem proteína concentrada e têm como subproduto o melaço. Hoje há duas empresas que poderiam produzir etanol de soja: a Incopa e Selecta. Procuradas, as empresas não deram retorno. (O Estado de São Paulo 19/09/2017)

 

CerradinhoBio busca diversificar matérias-primas para etanol

Criada na época da expansão do setor sucroalcooleiro rumo ao Centro-Oeste, a CerradinhoBio busca diversificar suas matérias-primas para a produção de energia elétrica e etanol como forma de sustentar seu plano de crescimento. A estratégia inclui o uso de biomassas alternativas para a cogeração e até uso de milho para a produção do biocombustível, disse Paulo Motta, CEO da companhia.

A empresa, que teve receita de R$ 811 milhões na última safra, inaugura hoje a expansão das operações de cogeração em sua usina em Chapadão do Céu, no sudoeste de Goiás. Os dois novos turbogeradores e a segunda caldeira recém-instalada dobraram a potência da unidade para 160 megawatts (MW) médios. Dessa forma, a planta é capaz de vender até 850 gigawatt-hora (GWh) por safra.

O pontapé para a expansão da cogeração se deu dois anos atrás, quando a CerradinhoBio também começou a fazer pequenos aportes na moagem de cana. Desde então, seu processamento saiu de 4,8 milhões de toneladas na safra 2015/16 para 5,4 milhões de toneladas na atual. No próximo ciclo, a usina deverá moer 5,7 milhões de toneladas, e novos aportes elevarão a capacidade de processamento até 6,3 milhões de toneladas a partir de 2021.

A nova caldeira, porém, também permite a utilização de outras biomassas. A CerradinhoBio já fez testes com sorgo sacarino e um "pequeno teste" com o capim braquiária. Neste momento, a unidade está rodando com cavaco de eucalipto, mas em uma etapa experimental, segundo Motta.

O uso de biomassas alternativas vai depender das condições de mercado. Além de em geral custarem mais caro, a obtenção dessas biomassas precisa ser programada com antecedência. O cavaco de eucalipto, por exemplo, está produzindo energia para um contrato bilateral por um preço de R$ 260 p MW, com entrega por seis meses.

A diversificação de matérias-primas também está em estudo para o etanol. Por estar no Centro-Oeste, - coração da safra de grãos do país - a empresa avalia usar o milho para produzir o biocombustível.

As vantagens, disse Motta, são a proximidade com lavouras do grão e uma estrutura industrial já instalada. "Um projeto desses teria sinergias, como a parte de utilidades, de gestão e estrutura física. Mas também demanda um investimento razoável, porque estamos falando de um processamento desde o recebimento do milho, estocagem até moagem, que é separada".

Segundo o executivo, a diversificação de fontes permite um melhor gerenciamento de riscos, favorecendo o plano de crescimento da companhia.

Para esta safra, a CerradinhoBio espera aumentar sua receita em 8,5%, para R$ 880 milhões, e elevar em 17% seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) para R$ 440 milhões. A perspectiva é que a venda de energia elétrica tenha uma participação maior na receita da companhia nesta safra, de 12,8%, ante 9% na temporada passada.

A partir da próxima safra, dois terços da receita com cogeração devem vir das vendas no mercado regulado. Atualmente, a CerradinhoBio entrega energia em três contratos, e um quarto começará a valer a partir do ano que vem. (Valor Econômico 20/09/2017)

 

Unica aposta no papel do biometano e do biogás de vinhaça para a matriz energética

Além de utilizar o caldo, o bagaço e a palha da cana-de-açúcar para produzir etanol e bioeletricidade, que em 2016 representaram 17,5% de toda a energia ofertada no Brasil, o setor sucroenergético poderá contribuir ainda mais para a segurança e a sustentabilidade da matriz energética nacional ao aproveitar todo o potencial energético da vinhaça, um subproduto do etanol largamente utilizado como fertilizante na lavoura, para produzir biometano e o biogás.

Com o aumento na demanda por fontes renováveis no futuro, principalmente diante das metas de “descarbonização” a serem cumpridas pelo Brasil até 2030 (Acordo de Paris), a vinhaça pode servir como uma excelente matéria-prima para a fabricação destes dois renováveis, que podem ser utilizados como biocombustíveis e/ou eletricidade, sem perder a sua eficiência na adubagem de canaviais.

O consultor Ambiental e de Recursos Hídricos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), André Elia Neto, que participou de um workshop realizado na última semana (14/09) pela Associação Brasileira de Biogás e Metano (ABBM) na sede da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Campinas, projeta a contribuição da vinhaça para os próximos 13 anos.

“Somente o biogás responderia, sozinho, por 1% da matriz, superando fontes não renováveis como urânio e querosene, por exemplo. Já o biometano geraria energia suficiente para atender 5% da demanda nacional de gás natural, representando no estado de São Paulo cerca de 15% do que atualmente é atendido pela rede canalizada”, ressaltou o especialista.

Durante o evento em Campinas, André Elia também apresentou estimativas dos benefícios ambientais e econômicos do uso do biometano de vinhaça na indústria sucroenergética. “Ele poderia praticamente zerar a emissão de gases de efeito estufa pelo setor como substituto do gás natural de origem fóssil ou mesmo do diesel na frota veicular da usina, tendo em vista o desenvolvimento da tecnologia de motores pesados a gás, uma realidade em alguns países”, explicou.

Convidado para integrar o primeiro painel do evento realizado em Campinas ao lado do subsecretário de Energia e Mineração do Estado de SP, Antonio Celso de Abreu Junior, e do presidente da Associação da Industria da Cogeração de Energia (Cogen), Newton José Leme, o consultor da Unica enfatizou a importância de se implementar políticas públicas que alavanquem a produção e o uso do biogás e biometano no segmento canavieiro.

“O setor vem pesquisando o assunto há várias décadas, investindo em plantas demonstrativas e unidades pilotos. Até o momento a tecnologia não apresenta viabilidade econômica”, avaliou Elia Neto. Em sua visão, para que isso mude será preciso que o governo adote medidas que diferenciem a energia verde da fóssil. Ou seja, políticas públicas que reconheçam, na prática, os benefícios socioeconômicos (emprego e renda) e ambientais (redução das emissões) proporcionados pelas fontes limpas.

Elia elenca três ações urgentes neste sentido: implementação do decreto 58.659/2012, que prevê a obrigatoriedade de mistura do biometano na rede de distribuição de gás no Estado de São Paulo (percentual ainda não definido); definição de um preço mínimo atrativo para a comercialização do biometano e da bioeletricidade sucroenergético; e a efetivação do Programa RenovaBio, que estimulará a redução das emissões de CO2 nos transportes com o incentivo aos combustíveis renováveis”, conclui.

O Workshop promovido na PUC, por iniciativa do presidente da ABBM, José Antonio Sorge, faz parte da 19ª Semana Integrada do Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologia (Ceatec), jornada focada em novas tendências, tecnologias e inovações de mercado, entre elas o biogás e biometano. Além de representantes da Unica e da Cogen, o evento promovido pela PUC e ABBM teve a presença de executivos das empresas CPFL, Grupo Solvi, AUMA, Geotech, Awite Bioenergia, AgE Tecnologias Meio Ambiente, Saneamento & Ambiência, CHP Brasil, Pentair, Ágora Energia e CHP Brasil. (UNICA 19/09/2017)

 

Emenda que altera projeto sobre plantio de cana na Amazônia é aprovada pela CRA

Segue em discussão no senado o projeto de lei (PL) que permite o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, em áreas já degradadas de floresta e nos trechos de cerrado e campos gerais dos estados que compõem essa região, como por exemplo, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.

Ontem (19), a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) decidiu a favor da emenda de Plenário apresentada pelo senador Cristovam Buarque (PPS-DF) ao PLS 626/2011. Agora, a emenda de Plenário segue para análise das comissões de Desenvolvimento Regional (CDR) e de Meio Ambiente (CMA).

Na emenda, o senador sugeriu a fixação da data-limite de 31 de janeiro de 2010 para a área ser considerada oficialmente degradada (sem capacidade de regeneração natural) e passível de plantio.

“Não se estabelecer um limite pode estimular a criação de novas áreas degradadas para, depois, nelas se plantar a cana”, afirmou ao justificar a emenda.

O relator Valdir Raupp concordou com o argumento e disse ser importante para impedir a criação indiscriminada de novas áreas desmatadas e de pastagens irregulares na região.

Defesa

Na fase de debates, o autor do PLS 626/2011, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), rebateu críticas da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e disse que a entidade tem razões econômicas e não ambientais para ser contra a proposta.

Na semana passada, a entidade afirmou contra o PL, endossando a posição da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Segundo nota divulgada na ocasião, a Unica defendia as determinações já estabelecidas pelo Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar, que excluía a possibilidade de expansões em qualquer tipo de biomas sensíveis, como Amazônia e Pantanal, além de áreas de vegetação nativa.

O senador, no entanto, rebateu esse posicionamento: “A questão aqui não é ambiental, é econômica. Não querem que a Amazônia se desenvolva.  O motivo real para a Unica ser contra é que a cana na Amazônia tem teor de sacarose superior ao da cana de outras regiões. Além disso, a produtividade também é maior”.

Flexa Ribeiro disse ainda que “ninguém quer derrubar floresta” e afirmou que o projeto permite a cana somente em áreas antropizadas, ou seja, alteradas pela ação humana.

A equipe do novaCana entrou em contato com a Unica e está no aguardo de um posicionamento da entidade.

Tramitação

O PLS 626/2011 já havia sido aprovado pela CRA, pela CDR e pela CMA, mas foi ao Plenário por força de recurso e lá recebeu a emenda de Cristovam Buarque.

Ainda no Plenário, foi aprovado o pedido para que o texto fosse examinado também pelas comissões de Ciência e Tecnologia (CCT) e Assuntos Econômicos (CAE). A emenda de Plenário segue para a CDR e a CMA. (Agência Senado 20/09/2019)

 

China estuda se abrir a fabricantes de carros elétricos, dizem fontes

Medida pode entrar em vigor a partir de 2018 e a expectativa é que ela atraia o interesse de fabricantes como a Tesla.

A China discute um plano para permitir que fabricantes de automóveis estrangeiras criem empresas de veículos elétricos de propriedade exclusiva delas em suas zonas de livre comércio, medida que representaria uma grande mudança no princípio fundamental que rege a política da indústria automotiva do país desde a década de 1990, segundo representantes de empresas informados sobre o assunto.

O plano, que está sujeito a mudanças porque nenhuma decisão final foi tomada, pode ser colocado em prática já no ano que vem, disseram as pessoas, que pediram anonimato porque as deliberações são privadas. Se a política entrar em vigor, será uma mudança histórica em relação às regras existentes, que obrigam as fabricantes de veículos estrangeiras a criarem joint ventures com empresas locais.

O relaxamento da regra das joint ventures daria a empresas como a Tesla a oportunidade de estabelecer operações industriais integralmente pertencentes à companhia na China, o maior mercado de veículos elétricos do mundo. A Ford Motor estuda a criação de uma joint venture para produzir veículos elétricos na China com a Anhui Zotye Automobile, enquanto a Volkswagen se associou à Anhui Jianghuai Automobile Group, também para produzir carros elétricos.

O Ministério do Comércio da China, responsável pela elaboração das políticas que regem os investimentos estrangeiros diretos, afirmou em resposta enviada por e-mail à Bloomberg News que irá "implementar ativamente a abertura do setor de fabricação de veículos de novas energias a estrangeiros, junto com outros departamentos que estão sob a direção do Conselho de Estado".

O Ministério também fez referência a um aviso emitido em agosto pelo Conselho de Estado em que determinou que as agências do governo ampliassem o acesso dos investidores estrangeiros a áreas como a fabricação de veículos de nova energia.

No início do mês, a China colocou a indústria automotiva em alerta ao se tornar o mais recente país, e o maior, a buscar a eliminação progressiva dos veículos movidos a combustíveis fósseis, medida que certamente acelerará a mudança global rumo aos carros elétricos. O governo chinês trabalha com os órgãos reguladores na fixação do prazo para o encerramento da produção e das vendas dos veículos de combustão interna, disse Xin Guobin, vice-ministro de Indústria e Tecnologia da Informação.

A China vem abrindo gradualmente o acesso das fabricantes de automóveis estrangeiras às zonas de livre comércio. Empresas estrangeiras receberam autorização para estabelecer operações de propriedade integral delas para a fabricação de motocicletas e baterias na China desde julho de 2016. A chamada regra 50-50 para joint ventures entre chinesas e estrangeiras foi implementada em 1994 para garantir que a indústria automotiva da China, à época incipiente, aproveitasse a transferência de tecnologia obtida por meio de fábricas operadas em conjunto com empresas de automóveis multinacionais como Volkswagen e General Motors.

Xu Shaoshi, então presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, disse em junho de 2016 que o governo considera cancelar o limite de propriedade de 50 por cento. Essa política foi criticada nos últimos anos por proteger as empresas estatais da concorrência e reduzir o esforço para que construam suas próprias marcas. Os defensores da regra afirmam que ela garante às montadoras da China uma chance de construir uma escala suficiente e desenvolver a tecnologia para resistir à concorrência global. (Bloomberg 19/09/2017)