Setor sucroenergético

Notícias

A polícia de Blairo

Com a Lava Jato a triscar nos seus calcanhares e o festival de grampos na República, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem se aconselhado amiúde com dois dos seus mais próximos colaboradores: os coronéis da Polícia Militar Eumar Novacki e Coaraci Nogueira, respectivamente secretário-executivo e chefe de gabinete do Ministério. (Jornal Relatório Reservado 21/09/2017)

 

Grupo Farias apresenta novo plano a credores

O Grupo Farias, que conta com seis usinas sucroalcooleiras no Nordeste e no Centro-Sul e está em recuperação judicial desde o ano passado, apresentou um novo plano de pagamento aos credores, que será discutido na próxima assembléia, marcada para esta 5ª feira (21).

A dívida do grupo está em torno de R$ 900 milhões. (Assessoria de Comunicação 21/09/2017)

 

Etanol mostra força e produção no centro-sul pode superar expectativa em 1 bi litros

Preços baixos do açúcar no mercado internacional e mudanças na tributação de combustíveis no Brasil têm dado força ao etanol no centro-sul do país, cuja produção no centro-sul pode surpreender no restante da safra 2017/18 e ser até 1 bilhão de litros maior do que a inicialmente prevista, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

"Há um inversão de tendência. Como a safra deste ano deve ser menor e terminar até mais cedo, pelo menos uma quinzena antes, a tendência é mesmo se produzir mais etanol, pois o mercado está abastecido com amplos estoques de açúcar", resumiu o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

Pelos seus cálculos, a produção de etanol no centro-sul no acumulado da temporada, que se encerra oficialmente em março do próximo ano, pode ser em torno de 1 bilhão de litros maior ante os 23,8 bilhões de litros esperados anteriormente, com usinas destinando mais cana para a fabricação do biocombustível do que o previsto, em meio a preços deprimidos do açúcar.

As cotações do açúcar bruto na bolsa ICE estão em torno de 14 centavos de dólar por libra-peso, cerca de um terço inferior ao valor registrado há um ano, com o mercado global do adoçante passando a um superávit no ciclo 2017/18.

O total de etanol produzido, portanto, ficaria mais próximo, porém ainda abaixo, dos 25,6 bilhão de litros de 2016/17, segundo a Canaplan, que deverá realizar sua revisão oficial de safra em 17 de outubro.

A maior alocação de cana para o biocombustível se refletiria, consequentemente, em uma fabricação de açúcar entre 500 mil e 1 milhão de toneladas inferior em relação aos 34 milhões esperados anteriormente, acrescentou Carvalho.

Tal movimento entre as usinas do centro-sul, que responde por mais de 90 por cento da safra de cana do Brasil, já vem sendo observado nas últimas quinzenas, apontam os relatórios da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que, procurada pela Reuters, preferiu não comentar o assunto.

Ainda na primeira metade de agosto, a entidade já havia dito que a arbitragem se mostrava favorável ao etanol em razão do prolongado período de preços baixos do açúcar no exterior.

Na segunda quinzena do mês passado, quando a produção de etanol cresceu a um ritmo maior do que a moagem de cana, a Unica citou a demanda aquecida no mercado doméstico e a menor necessidade de fabricação de açúcar para cumprimentos de contratos pré-estabelecidos.

De acordo com o diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues, a demanda por etanol hidratado passou agora para cerca de 1,3 bilhão de litros por mês no centro-sul, ante aproximadamente 1,1 bilhão de litros anteriormente.

"E esse aumento ocorre com manutenção dos preços, porque a demanda está firme. Essa inversão de tendência no mix de produção é estrutural, consistente", destacou.

FORÇA TRIBUTÁRIA

Outro fato é que o mercado de etanol no Brasil iniciou o segundo semestre revigorado por uma alteração na tributação de combustíveis, com o governo aplicando alíquotas maiores de PIS/Cofins sobre a gasolina do que sobre o etanol hidratado, seu concorrente direto.

Além disso, o Brasil definiu uma taxa de 20 por cento sobre importações de etanol, limitadas a uma cota trimestral de 150 milhões de litros ou 600 milhões de litros por ano, por um prazo de dois anos.

"Taxar a importação de etanol favorece a produção de etanol anidro para a entressafra, para se cumprir contratos", explicou o analista, João Paulo Botelho, referindo-se ao biocombustível misturado em 27 por cento à gasolina e que é o mais comprado pelo Brasil no exterior.

Pelas projeções da Unica, principal associação do setor sucroenergético brasileiro, o centro-sul deve moer 585 milhões de toneladas de cana neste ano, queda de 3,65 por cento.

A produção de etanol deve recuar 3,71 por cento, para 24,7 bilhões de litros, e a de açúcar diminuir 1,2 por cento, para 35,2 milhões de toneladas. As estimativas são de abril. (Reuters 20/09/2017)

 

Açúcar: Prejuízo no Caribe

Os prejuízos causados pela passagem de sucessivos furacões pelo Caribe nas últimas semanas já geram impactos no mercado de açúcar na bolsa de Nova York.

Os papéis da commodity com vencimento em março fecharam a 14,70 centavos de dólar a librapeso ontem, em alta de 33 pontos.

Nesta semana, os analistas de açúcar da consultoria Kingsman Platts reduziram suas previsões para o superávit na oferta mundial de açúcar esperada para 2017/18 em quase 1 milhão de toneladas, para 3,87 milhões de toneladas.

A empresa cita como motivo para o corte os danos causados pelo furacão Irma, sobretudo em Cuba.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,65 a saca de 50 quilos, alta de 0,44%. (Valor Econômico 21/09/2017)

 

Ministério determina cota de exportação de açúcar aos EUA

O Ministério da Agricultura definiu as cotas de exportação de açúcar para os Estados Unidos para cada usina do Norte e Nordeste para a safra 2017/18 (de 1 de outubro deste ano a 30 de setembro de 2018).

Os volumes atribuídos para cada unidade industrial foram publicados na edição de hoje do Diário Oficial da União. O cálculo foi baseado na produção das indústrias da safra 2016/17. Só tiveram direito às cotas as usinas que operaram nesta temporada 2016/17.

Do volume total, as usinas de Alagoas ficaram com a maior parte (46,41%), seguidas das de Pernambuco (38,41%). Os demais Estados ficaram com cotas inferiores a 5%.

A unidade que terá a maior cota de exportação para os Estados Unidos é a Coruripe, em Alagoas, com 13,8 mil toneladas sozinha. (Valor Econômico 20/09/2017)

 

Indústrias de etanol de milho criam associação para representar setor

As indústrias que produzem etanol a partir do milho no Brasil criaram nesta semana uma associação para representar a cadeia, a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

Sediada em Cuiabá, a entidade tem como diretor executivo Ricardo Tomczyk, que foi secretário do Desenvolvimento Econômico do Estado, já presidiu a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) e integrou o Instituto PensarAgro, que subsidia a atuação dos deputados da bancada ruralista no Congresso.

A Unem deverá defender os aspectos ambientais do etanol de milho brasileiro e deve buscar um espaço para o produto dentro do RenovaBio, marco regulatório para o setor de biocombustíveis que está em discussão no governo, afirmou Rafael Abud, diretor financeiro da FS Bioenergia, uma das empresas que está impulsionando a iniciativa.

A entidade também buscará incentivar pesquisa e desenvolvimento para a produção de etanol a partir de milho, como a busca por genética de sementes apropriadas para a cadeia do biocombustível.

Abud defende também o incentivo para a pesquisa na área de DDGs (farelos extraídos da produção de etanol) no Brasil. Embora já existam pesquisas sobre os DDGs nos Estados Unidos, o milho brasileiro e, consequentemente, os farelos, também são diferentes. A pesquisa nessa área interessa particularmente à FS Bioenergia, que produz três tipos diferentes de DDGs.

Outra pauta que a Unem deverá abordar é a legislação tributária para os produtos da cadeia, acrescentou o executivo.

Embora a FS Bioenergia seja dona da primeira e ainda única usina brasileira de etanol exclusivamente à base de milho, a Unem também contará entre suas associadas a usinas flex, aquelas que processam tanto o grão como a cana-de-açúcar para destilar etanol.

Também participam da entidade outros elos da cadeia, como produtores de milho, fornecedores de insumos (como de enzimas e leveduras e empresas de engenharia). Integram ainda o quadro de associados outras entidades setoriais, como Aprosoja, Abramilho e Acrimat.

O conselho de administração será votado nos próximos 180 dias e contará com representantes do setor produtivo do etanol de milho, dos fornecedores e das outras associações. (Valor Econômico 20/09/2017)

 

São Martinho e Fapesp financiarão centro de pesquisa voltado à cana

O grupo São Martinho e a Fapesp vão financiar, em parceria, a criação de um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) para incentivar pesquisas sobre medidas sustentáveis para controle de pragas e doenças da cultura da cana-de-açúcar. Serão reservados R$ 1,6 milhões por ano para a implementação do programa.

O objetivo é incentivar pesquisas competitivas internacionalmente que transfiram conhecimento para a empresa e para a sociedade.

O financiamento das atividades do CPE será por cinco anos com possibilidade de prorrogação até dez anos. Os recursos alocados poderão ser utilizados com grande grau de autonomia.

Em contrapartida, a Fapesp e a São Martinho farão acompanhamento permanente, com avaliações periódicas das atividades. (Valor Econômico 20/09/2017)

 

Rei do açúcar argentino e fornecedor da Coca-Cola avalia IPO

O empresário argentino Emilio Luque, cujo grupo se tornou o maior produtor de açúcar do país, está tentando descobrir como financiar seus negócios à medida que crescem.

Em uma entrevista, o ex-motorista de caminhão disse que seu grupo, Emilio Luque Supermercados y Mayoristas, está estudando vender títulos pela primeira vez em 2018 e talvez realizar uma abertura de capital em 2019. A empresa de supermercados e atacadista de alimentos está buscando levantar pelo menos US$ 80 milhões para financiar despesas de capital nos próximos dois anos.

A companhia concordou com comprar duas usinas de açúcar nos últimos 12 meses, aumentando sua participação no mercado local para cerca de 20 por cento. A segunda transação foi uma surpresa até para ele mesmo, disse Luque.

"Eu não queria comprar", disse Luque em Bariloche, Argentina, em 17 de setembro. Ele disse que tomou a decisão depois que funcionários da unidade argentina da Embotelladora Andina o visitaram duas vezes para convencê-lo a fechar o acordo. A engarrafadora da Coca-Cola propôs financiar metade da aquisição mediante o acordo de um contrato de compra de açúcar a longo prazo, disse ele.

Os termos da aquisição não foram divulgados, mas a imprensa local estimou o preço em cerca de US$ 150 milhões, valor que, segundo Luque, estava dentro da faixa do que foi pago.

Conversas com assessores

A companhia de Luque entrou com cerca de 44 por cento do preço da compra e 6 por cento vieram dos bancos argentinos Comafi e Banco Supervielle, disse ele. Agora esses bancos estão assessorando a empresa, mas o grupo também está aberto a conversar com outros assessores, disse ele.

Representantes dos bancos e da empresa de bebidas não deram retorno imediato a telefonemas e e-mails com pedidos de comentários.

Luque, 66, começou seu império após deixar o emprego como chofer de caminhão e ao se tornar distribuidor da PepsiCo na década de 1970. Seu grupo tem sede na província argentina de Tucumán, no noroeste do país.

Medidas

A expansão no negócio do açúcar faz sentido desde que o governo do presidente Mauricio Macri aumentou a quantidade mínima de bioetanol na gasolina de 10 por cento para 12 por cento. O governo prometeu aumentar para 21 por cento, disse Luque. Ele também planeja queimar subprodutos de cana-de-açúcar para alimentar a geração de eletricidade, disse.

"Não há prazo para chegar a uma percentagem determinada no mix", disse Alejandro Bianchi, porta-voz do Ministério da Energia.

A empresa, que tem 3.500 funcionários e provavelmente termine 2017 com vendas anuais de cerca de US$ 351 milhões, planeja dividir suas operações em três unidades em novembro, para tornar o funcionamento do negócio mais claro para futuros investidores, disse Luque. (Bloomberg 20/09/2017)

 

IAC lança novas variedades de cana adaptadas ao Centro-Oeste

O Instituto Agronômico (IAC) de Campinas (SP) lança na quinta-feira, 21, três novas variedades de cana-de-açúcar adaptadas para o ambiente de produção principalmente do Centro-Oeste do Brasil e com produtividade superior às plantas mais utilizadas pelo setor.

As variedades IACCTC05-8069, IACCTC07-8008 e IACCTC07-8044, serão apresentadas em Goianésia (GO), na Usina Jalles Machado, parceira do instituto de pesquisa paulista no desenvolvimento das cultivares.

Segundo o IAC, as três variedades foram selecionadas para se adaptarem às características regionais, que incluem déficit hídrico acentuado e solos desfavoráveis para produção.

A produtividade agrícola desses três materiais, de acordo com os pesquisadores, é 11% a 16% superior à da RB867515, a variedade mais cultivada no Centro-Sul do Brasil.

Além do Centro-Oeste, as novas variedades também podem ser cultivadas no oeste e norte do Estado de São Paulo, regiões que também apresentam restrições semelhantes. Este é o vigésimo lançamento de variedades de cana do IAC. (Agência Estado 20/09/2017)

 

Kingsman reduz projeção de excedente de açúcar por etanol e Irma

O excedente global de açúcar será menor do que o previsto anteriormente, porque as usinas brasileiras estão optando por produzir mais etanol e o furacão Irma reduziu a produção em Cuba, segundo a empresa de consultoria Kingsman.

A oferta superará a demanda em 3,87 milhões de toneladas na safra 2017-2018, que começa em outubro na maioria dos países, disse Claudiu Covrig, analista sênior da unidade da S&P Global Platts. A projeção é quase 1 milhão de toneladas menor que a anterior e reverte a estimativa de escassez para a temporada, disse.

"Nós reduzimos o excedente porque as usinas brasileiras estão se voltando rapidamente ao etanol", disse Covrig, por telefone. "Também vimos o furacão Irma reduzir a oferta em Cuba."

A perspectiva de excedente global derrubou o açúcar em bruto em 24 por cento neste ano, transformando-o no item de pior desempenho do Bloomberg Commodity Index, composto por 22 matérias-primas. Devido aos preços atualmente mais baixos, algumas usinas da região Centro-Sul do Brasil, a principal região de cultivo do maior produtor mundial, consideram o etanol mais rentável e estão deixando de fabricar açúcar.

As usinas da região Centro-Sul vão destinar 47,6 por cento de toda a cana processada para a produção de açúcar, contra uma estimativa anterior de 48,3 por cento, afirma a Kingsman. Isso significa que a produção de açúcar totalizará 36,1 milhões de toneladas, cerca de 300.000 toneladas a menos do que o total estimado anteriormente.

Na temporada 2018-2019, que no Brasil tradicionalmente começa em abril, a quantidade de cana destinada à produção de açúcar cairá ainda mais, para 46,3 por cento, afirma a Kingsman. A seca atual também poderá reduzir em 2,9 por cento a quantidade de cana a ser processada, para 575 milhões de toneladas. Isso resultaria em uma produção de cerca de 34 milhões de toneladas de açúcar.

O furacão Irma afetou a produção cubana, que agora é projetada em 1,85 milhão de toneladas, 250.000 toneladas menos do que se pensava anteriormente, disse Covrig.

Outros destaques das estimativas da Kingsman:

- A produção de açúcar da Tailândia subirá 10 por cento em relação ao ano anterior, para 11,03 milhões de toneladas em 2017-2018;

- A produção da UE atualmente é projetada em 20,5 milhões de toneladas, 261.000 toneladas a mais que uma previsão anterior;

- A produção indiana subirá 27 por cento em relação ao ano passado, para 25,5 milhões de toneladas. (Bloomberg 20/09/2017)