Setor sucroenergético

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Incertezas sobre a safra 2018/19

As primeiras estimativas para a produção sucroalcooleira do Centro-Sul do país na próxima safra (2018/19), que começará oficialmente em abril, ainda indicam muita incerteza no segmento sobre os efeitos dos investimentos nas lavouras que estão em curso nesta temporada e das variações de preços nos mercados de açúcar e etanol.

Ainda que o plantio de cana em novas áreas e também para renovar lavouras que estão ficando velhas esteja em alta, esse esforço não deverá ser suficiente para reverter a tendência geral de envelhecimento dos canaviais na região, afirmou Lucas Brunetti, analista do banco Pine, durante o Novacana Ethanol Conference, realizado ontem em São Paulo.

Como trabalha com um cenário em que a idade média dos canaviais do Centro-Sul aumentará de 3,55 anos para 3,6 anos, em média, Brunetti estima que a moagem de cana na próxima safra alcançará 560 milhões de toneladas, menos que o estimado para 2017/18 (590 milhões).

"Apesar de ter uma renovação maior, o movimento não chegará a reverter a tendência de aumento da idade média do canavial. Se tivesse mais renovação, reverteria", disse.

É a mesma avaliação da trading francesa Sucden. E, conforme Eduardo Carvalho, trader da empresa, também deverá pesar negativamente sobre a produtividade das lavouras o clima mais seco que a média registrado neste inverno. A projeção da Sucden é de moagem de 592 milhões de toneladas em 2018/19, ante 594 milhões na temporada atual.

Fabio Meneghin, sócio da Agroconsult, concorda com essa limitação, mas considera que os gastos com tratos culturais têm melhorado nesta safra e projeta aumento da moagem no Centro-Sul, de 590 milhões de toneladas em 2017/18 para 625 milhões no próximo ciclo. De acordo com Meneghin, a produtividade das lavouras deverá subir de 74 para 77 toneladas por hectare.

Segundo ele, as entregas de fertilizantes para a cultura corroboraram a expectativa de melhora, embora a adubação ainda esteja abaixo do recorde da safra 2008/09, quando foram utilizados 600 quilos por hectare nos canaviais. "Estamos 20% abaixo desse recorde. Mas já estivemos mais de 50% abaixo", considerou.

Essas visões divergentes para a moagem de cana em 2018/19 também geram estimativas distintas para a produção de açúcar. O banco Pine projeta redução na produção do Centro-Sul de 9,9% ante 2017/18, para 32,9 milhões de toneladas.

No tabuleiro da Sucden, a produção de açúcar na região deverá recuar de 35,8 milhões de toneladas no ciclo corrente para 34,5 milhões de toneladas no próximo. Já a Agroconsult, que trabalha com uma estimativa de produção de 34,7 milhões de toneladas de açúcar para esta safra, prevê um incremento de 2,9% na safra 2018/19, para 35,7 milhões de toneladas.

Os cenários traçados não consideram alterações bruscas no clima nos próximos meses - algo que nunca está descartado. A princípio, porém, os efeitos negativos das recentes intempéries, como a falta de precipitações nos últimos meses e geadas especialmente em algumas regiões dos Estados do Paraná e de Mato Grosso do Sul, já foram considerados. (Valor Econômico 27/09/2017)

 

Açúcar: Oferta em alta

O avanço da produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil mesmo após a recente alta nos preços do etanol segue pressionando as cotações do demerara na bolsa de Nova York.

Os papéis da commodity com entrega para março fecharam a 13,83 centavos de dólar a libra-peso ontem, queda de 8 pontos sobre a véspera e de 81 pontos na semana.

As usinas da região Centro-Sul destinaram 48,4% do volume de cana processado para a fabricação de açúcar no início de setembro, mais que em igual momento do ciclo anterior.

De acordo com analistas, o clima seco favoreceu e também houve aumento nos açúcares totais recuperáveis.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,37 a saca de 50 quilos, alta de 0,6%. (Valor Econômico 28/09/2017)

 

Etanol de 2ª geração poderá ser economicamente viável a partir de 2025

O etanol celulósico, obtido da palha e do bagaço da cana-de-açúcar e também conhecido como etanol de segunda geração (2G), poderá ser economicamente viável a partir de 2025 se forem transpostas as atuais barreiras agrícolas, industriais e tecnológicas para produzi-lo e se o setor sucroenergético brasileiro superar a estagnação em que se encontra.

A avaliação é do pesquisador Antonio Bonomi, coordenador da divisão de inteligência de processos do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do Centro Nacional de Pesquisa em Engenharia e Materiais (CNPEM), e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN).

“Hoje claramente é mais interessante do ponto de vista econômico para as empresas do setor sucroenergético montar uma nova usina voltada à produção de etanol de primeira geração do que construir uma usina de etanol de segunda geração integrada a uma de primeira geração, por exemplo, porque o retorno do investimento é maior”, comparou Bonomi.

“A tendência, contudo, é que em médio prazo, em 2025, o custo de produção do etanol celulósico empate com o de primeira geração e a partir de 2030 o etanol de segunda geração seja mais barato do que o de primeira. Isto; se forem superados os atuais obstáculos agrícolas, industriais e tecnológicos e se o setor sair da estagnação em que se encontra”, ponderou.

Os biocombustíveis de segunda geração serão um dos temas discutidos no Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST) 2017, evento promovido pelo BIOEN, que ocorrerá entre os dias 17 e 19 de outubro, em Campos do Jordão.

De acordo com Bonomi, que coordena um projeto apoiado pela FAPESP voltado à valorização da cadeia produtiva descentralizada de biomassa para produção de biocombustíveis avançados, o volume de etanol de segunda geração produzido hoje no Brasil é muito baixo.

A capacidade de produção das duas usinas voltadas à produção de etanol de segunda geração existentes hoje, uma da Granbio, localizada em São Miguel dos Campos, em Alagoas, inaugurada em 2014, e a outra da Raízen, situada em Piracicaba, no interior de São Paulo, que entrou em operação no final de 2014, é de pouco mais de 100 milhões de litros por ano. Entretanto, as duas usinas têm produzido menos da metade dessa capacidade, estima o pesquisador.

“As duas usinas têm produção descontínua e estão em fase de aprendizado de produção, utilizando equipamentos ainda pouco eficientes e processos que ainda apresentam problemas que estão sendo identificados para, pouco a pouco, serem resolvidos”, avaliou.

O custo estimado de produção do etanol de segunda geração calculado pelos pesquisadores em julho de 2014 gira em torno de R$ 1,50 por litro, enquanto o custo de etanol de primeira geração é de, aproximadamente, R$ 1,15.

Até 2025, entretanto, o custo do etanol de segunda geração poderá cair para R$ 0,75 por litro, podendo chegar, até 2030, a R$ 0,52, calculou o pesquisador. Em parceria com colegas do CTBE, ele realizou um estudo, a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em que se projetou a evolução do custo de produção do etanol celulósico e a data em que a tecnologia se tornaria economicamente viável no Brasil.

“Ao custo de produção de R$ 0,52 por litro, o etanol de segunda geração seria competitivo mesmo se o preço internacional do barril de petróleo atingisse o mínimo de US$ 44 por litro”, estimou o pesquisador.

Diferentes cenários

Para chegar a esses valores, os pesquisadores realizaram um levantamento inicial junto a 22 empresas e especialistas do setor de etanol e realizaram simulações computacionais na Biorrefinaria Virtual de Cana-de-Açúcar (BVC), uma ferramenta de simulação computacional desenvolvida pelo CTBE que possibilita avaliar a integração de novas tecnologias à cadeia produtiva de cana-de-açúcar e de outras biomassas nas fases agrícola, industrial e comercial.

As simulações foram feitas com base em diferentes cenários tecnológicos em curto prazo (de 2015 a 2020), médio prazo (de 2021 a 2025) e longo prazo (de 2026 a 2030).

Um dos cenários representa a média atual de produção de etanol hoje, principalmente da região Centro-Sul do país, contemplando uma planta de etanol de primeira geração com capacidade de processamento de 2 milhões de toneladas de cana durante a safra, com tecnologia básica e sem integração energética.

Os demais cenários são baseados no processamento de, pelo menos, 4 milhões de toneladas de cana, com tecnologia moderna, e abrangem tanto a produção de etanol de primeira geração exclusivamente, como também a de primeira geração integrada à segunda e a de segunda geração independente.

Os pesquisadores consideraram duas rotas tecnológicas para produção de etanol de segunda geração, sendo a primeira por meio da fermentação separada de açúcares de cinco carbonos (xilose) e a segunda pela cofermentação dos açúcares de cinco e seis carbonos (glicose).

Os resultados das simulações indicaram que, na parte agrícola, um dos entraves para tornar o etanol celulósico economicamente viável é o custo da biomassa, que é alto.

“O custo da biomassa representa um entrave não só para a produção de etanol de segunda geração, mas também para o de primeira”, disse Bonomi.

Outros obstáculos são a falta de um sistema agrícola e industrial projetado para fazer o uso integral da cana, considerando também a palha, e de uma alternativa à cana no período de entressafra que possibilite a uma usina operar ao longo de 300 a 330 dias por ano, contra a atual média anual de 200 a 240 dias.

“A ‘cana-energia’ [variedade de cana obtida a partir do cruzamento das espécies Saccharum officinarum e Saccharum spontaneum, que apresenta maior teor de fibras e menos açúcares em comparação com a cana convencional] pode ajudar nesse sentido porque apresenta algumas características interessantes”, afirmou o pesquisador.

Uma delas é que essas variedades de cana que têm sido desenvolvidas por empresas como a GranBio e a Vignis e por instituições como o Instituto Agronômico (IAC) não necessitam de estresse hídrico para aumentar seu teor de açúcar. Além disso, poderiam ser coletadas também ao longo da estação úmida, explicou Bonomi.

Já na área industrial, um dos principais obstáculos para viabilizar economicamente o etanol de segunda geração é diminuir o custo de capital, os equipamentos necessários para produção, que ainda são altos; apontou o pesquisador.

“Esse é um problema que, provavelmente, a curva de aprendizado do processo vai resolver. A primeira planta normalmente sempre é mais cara, porque ainda não há fabricantes de equipamentos adequados para a produção”, ponderou Bonomi.

E na parte tecnológica um dos principais problemas é o pré-tratamento da biomassa, com o objetivo de separar a lignina da celulose e da hemicelulose, para adequá-la ao processo de hidrólise, em que a celulose e a hemicelulose são convertidas em açúcares fermentescíveis para produzir o etanol de segunda geração.

“Essa etapa, de preparação do material lignocelulósico para permitir a atuação das enzimas que fazem a quebra dos polímeros presentes no material lignocelulósico [a celulose e a hemicelulose], não é totalmente conhecida e ainda estão em desenvolvimento os equipamentos necessários para fazer isso, que são caros”, explicou Bonomi.

Um outro problema é o tempo necessário para o processo de hidrólise, que hoje é demorado. Por essa razão, o custo de armazenamento em tanques necessários para realizá-lo e o risco de contaminação são altos.

“Isso acaba exigindo que a capacidade de produção das usinas de etanol de segunda geração seja dimensionada com uma escala maior para poder compensar perdas que possam ocorrer por eventuais contaminações no processo”, disse Bonomi.

Um terceiro gargalo tecnológico está no processo de fermentação das pentoses, os açúcares resultantes da quebra (hidrólise) da hemicelulose, apontou o pesquisador.

Enquanto a quebra da celulose resulta em glicose, que é um açúcar facilmente fermentescível a etanol, a da hemicelulose produz açúcares de cinco carbonos (pentoses), que os microrganismos (leveduras) existentes hoje não conseguem metabolizá-los facilmente para produzir o etanol de segunda geração. Por isso, a velocidade de produção de etanol de segunda geração a partir da hemicelulose é baixa.

“Hoje é possível produzir etanol de segunda geração em grande escala a partir do hidrolisado de celulose. Já a produção a partir do hidrolisado de hemicelulose ainda está em desenvolvimento, e o próprio CTBE acabou de desenvolver uma levedura modificada capaz de produzir etanol a partir das pentoses”, disse Bonomi.

“Os avanços esperados nessas áreas agrícola, industrial e tecnológica devem fazer com que o etanol de segunda geração se torne mais barato que o de primeira”, afirmou.

Rotas tecnológicas

As duas usinas de etanol de segunda geração existentes no Brasil hoje adotaram diferentes rotas tecnológicas.

Enquanto a GranBio se baseou em uma rota tecnológica chamada stand alone, caracterizada por uma usina dedicada exclusivamente à produção de etanol de segunda geração, sem ser integrada a outra de primeira geração, a Raízen (joint ventureentre a Shell e a Cosan) optou por construir uma usina integrada.

Uma vantagem que o processo tecnológico adotado pela Raízen apresenta em relação à GranBio é a possibilidade de fermentar pelo menos o hidrolisado de celulose junto com a sacarose do caldo de cana para obter etanol de segunda geração, comparou Bonomi.

“Enquanto a GranBio tem uma tendência de transformar em etanol a mistura do hidrolisado de celulose com o hidrolisado de hemicelulose, ou seja, a combinação dos açúcares C6 [da fração celulósica] da glicose e das pentoses, a tecnologia da Raízen tem mais um processo de fermentação do C6 junto com a sacarose, enquanto as pentoses podem ser fermentadas isoladamente na produção de etanol”, disse o pesquisador.

As duas usinas, contudo, têm enfrentado desafios tecnológicos para produzir o etanol de segunda geração, principalmente na fase de pré-tratamento do material, apontou o pesquisador.

Em nota ao Broadcast, o serviço em tempo real do Grupo Estado, no início de junho, a GranBio admitiu ter mudado o cronograma de investimentos e metas de produção de etanol celulósico por conta de problemas tecnológicos relacionados ao pré-tratamento e pela crise econômica. Mas que espera ter, em 2019, um etanol de segunda geração competitivo como o fabricado a partir da cana.

Consultada pela Agência FAPESP, a Raízen respondeu em nota que um dos pontos-chave para o sucesso que tem obtido com a produção de etanol de segunda geração na usina Costa Pinto, em Piracicaba, é justamente a integração da planta de segunda geração à de primeira geração, que proporciona consideráveis benefícios logísticos.

“A companhia aposta nessa tecnologia disruptiva e acredita que os desafios tecnológicos já foram superados. No momento estamos buscando a confiabilidade mecânica dos equipamentos e um nível satisfatório de excelência da planta como um todo”, disse a empresa em nota.

O estudo De promessa a realidade: como o etanol celulósico pode revolucionar a indústria da cana-de-açúcar: uma avaliação do potencial competitivo e sugestões de política pública, de Bonomi e outros, pode ser acessado em: https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/handle/1408/4283. (Agência Fapesp 28/09/2017)

 

Abengoa Bioenergia Brasil entra com pedido de recuperação judicial

A Abengoa Bioenergia Brasil (ABBR), braço sucroenergético do conglomerado espanhol Abengoa, entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira, informou nesta terça-feira a empresa, em nota.

O pedido, que se soma outros do gênero de companhias do setor no Brasil, foi protocolado no Foro de Santa Cruz das Palmeiras, no interior do Estado de São Paulo. De acordo com o Valor Econômico, se for aceito pela Justiça, o número de unidades industriais do segmento no país protegidas judicialmente dos credores subirá para 54.

Em operação no Brasil desde 2007, a ABBR opera três usinas no interior paulista, uma em Pirassununga e outra em São João da Boa Vista e uma terceira em Santo Antônio de Posse, segundo o site da empresa.

“Durante os últimos 19 meses a ABBR tentou de forma ativa, e com a ajuda dos nossos mais importantes credores e assessores financeiros, atrair investidores que aportassem recursos ao negócio fora da RJ (recuperação judicial)”, afirmou a companhia, em nota.

Segundo a empresa, a “crise política e econômica” do Brasil, a queda dos preços do açúcar no mercado internacional e a falta de crédito ao setor contribuíram para essa situação.

“Nesse cenário apenas restou à entrada na RJ, para proteger os interesses de todos os nossos credores. A RJ permitirá estabelecer um plano de reestruturação para pagamentos das dívidas de acordo com as possibilidades do negócio”, destacou a companhia.

Além disso, a matriz da Abengoa na Espanha também enfrenta um processo de recuperação judicial naquele país e, no Brasil, o braço de transmissão de energia teve um plano de recuperação aprovado em agosto deste ano.

Endividamento e problemas na justiça

Nos últimos resultados financeiros divulgados pela companhia, a dívida superava o faturamento. No exercício 2015, encerrado em 31 de dezembro (último dado disponível), a companhia registrou receita líquida de R$ 673 milhões, enquanto o endividamento líquido estava em R$ 949 milhões.

Conforme o Valor Econômico, da dívida inscrita no pedido, R$ 800 milhões são devidos àqueles que não têm garantia real (quirografários). Estão nessa categoria diversos bancos, que em parte possuem alienação fiduciária. Entre esses créditos concursais também estão R$ 10 milhões devidos a pequenas e microempresas, além de R$ 3 milhões em créditos trabalhistas. A dívida que não se submete às regras da recuperação (extraconcursal) chega a R$ 200 milhões, montante que também inclui valores devidos a algumas instituições financeiras.

Ainda segundo a publicação, a empresa vinha tentando renegociar sua dívida com base em um plano de venda de ativos. “O paquistanês Fatima Group chegou a fazer due dilligence nas duas unidades paulistas no início do ano para avaliar a aquisição de ao menos uma delas”, relata.

O negócio não teria andado, entretanto, porque os processos esbarraram nos problemas da empresa na justiça e em dificuldades macroeconômicas. Segundo fontes do segmento consultadas pelo Valor, a existência de um inquérito a respeito da contratação de duas empresas pela Abengoa Bioenergia sem o recolhimento de impostos e da transferência de recursos da companhia para a matriz na Espanha, também sem pagamento de impostos, foi um fator decisivo. (Reuters 26/09/2017)

 

ICMS é principal responsável pela diferença de preços no combustível, dizem representantes do setor

Petrobras afirma ser responsável por 27% do preço final da gasolina e postos reclamam das distribuidoras, que não esclarecem margens de revenda.

Representantes da cadeia produtiva de combustíveis afirmam que variação nas alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é a principal responsável pela diferença de preços de gasolina, álcool e diesel nas bombas. Em audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, nesta terça-feira (26), deputados questionaram tanto os critérios para os reajustes das tarifas, quanto as disparidades de preços entre os diversos estados do país.

O gerente geral de Marketing e Comercialização da Petrobras, Flávio Araújo, explicou que a empresa, que importa e refina o petróleo para obter combustível, só é responsável por 27% do preço final da gasolina e por 48% do preço final do diesel. "O restante corresponde a custos, impostos e margens de lucro", disse. Ele lembrou ainda que há 15 anos os preços são definidos livremente, sem a intervenção do governo, e que variam de acordo com os preços do petróleo no mercado internacional e com a flutuação do câmbio.

O vice-presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes, José Camargo Hernandes, ressaltou que os 41 mil postos de todo o país dependem dos preços das distribuidoras, que segundo ele não esclarecem quais são as suas margens de revenda. Para Hernandes, o ICMS é um fator relevante na análise das diferenças de preços dos combustíveis. "Na gasolina, nós temos, no Norte, uma média de 26% de alíquota de ICMS; no Nordeste, 29%; no Centro-Oeste, 27%; no Sudeste, 29%; e no Sul, 28%. Lembrando que cada Estado decide qual é a alíquota de ICMS que irá aplicar em cada derivado de petróleo", afirmou.

O deputado Aureo (SD-RJ), um dos autores do requerimento para a realização da audiência, disse que as diferenças na cobrança do ICMS não justificam variações tão grandes nos preços dos combustíveis e defendeu maior fiscalização para que a população não seja penalizada. "O que se faz hoje é lesar o consumidor brasileiro, porque não tem uma fiscalização efetiva do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), porque não tem uma fiscalização efetiva da Agência Nacional do Petróleo (ANP), porque não se tem controle sobre essas práticas absurdas do sistema produtivo de combustíveis", lamentou.

Competição

O Coordenador-Geral do Cade, Andrey Vilas Boas de Freitas, afirmou que o mercado de combustíveis é o setor mais investigado e o mais condenado por práticas de cartel e que cabe aos agentes públicos cuidar para que aumentos de impostos ou impedimentos legais para a entrada de novos atores não prejudiquem a competição. "Toda vez que você restringe a entrada de um concorrente, você favorece a manutenção de um certo nível de preço, você piora as condições para o consumidor final", concluiu.

Superintendente de Defesa da Concorrência, Estudos e Regulação Econômica da ANP, Bruno Caselli, informou que a agência faz uma pesquisa de preços de combustíveis em todo o país, mas devido a cortes no orçamento, o levantamento, que engloba 459 municípios, só é semanal nas capitais; nas outras cidades, as informações são coletadas a cada 15 dias. (Agência Câmara 28/09/2017)

 

Petrobras diminui preço da gasolina em 1,1% e aumenta diesel em 1,1% a partir de sexta

A Petrobras vai reduzir em 1,1% o preço da gasolina e elevar em 1,1% o do diesel nas refinarias a partir desta sexta-feira (29). Essa é a 19ª alteração nos preços a entrar em vigor em setembro e o décimo recuo da gasolina. No acumulado do mês, a variação dos valores da gasolina foi de 5,9% e a do diesel foi de 9,4%.

Esses reajustes quase diários fazem parte da nova política de preços da companhia, anunciada pela estatal em 30 de junho. Desde que a medida entrou em vigor, o preço da gasolina nas refinarias subiu 5,6% e o do diesel 16,1% (incluindo a mudança anunciada).

O objetivo da Petrobras é acompanhar as condições do mercado e enfrentar a concorrência de importadores, tentando evitar uma possível perda de participação no mercado. Assim, elementos como o câmbio e as cotações internacionais também fazem parte dos cálculos. (Reuters 28/09/2017)

 

Safra 2018/19 de cana no centro-sul do Brasil deve atingir 625 mi t, diz Agroconsult

A região centro-sul do Brasil deve aumentar a produção de cana-de-açúcar na próxima safra, graças a um melhor cultivo e a uma maior renovação das plantações, disse a consultoria Agroconsult nesta terça-feira.

A consultoria afirmou, em uma projeção preliminar para o ciclo 2018/19, que as usinas deverão esmagar 625 milhões de toneladas de cana na temporada, ante 590 milhões de toneladas esperadas para a temporada atual.

A produção de açúcar deve crescer para 35,7 milhões de toneladas no próximo ano, comparada com 34,7 milhões de toneladas na safra vigente. (Reuters 27/09/2017)

 

Estoque de açúcar do Egito é suficiente para 4 meses e meio, diz ministro

As reservas de açúcar do Egito são suficientes para um consumo de quatro meses e meio, disse nesta terça-feira o ministro do Abastecimento do país, Ali Moselhy.

Falando em um evento no Cairo, ele disse que os estoques são suficientes para durar até a produção local de açúcar começar, em janeiro.

"Temos mais do que é necessário", disse.

"Estamos em uma posição muito melhor do que no ano passado."

O Egito enfrentou uma falta de açúcar no ano passado, em parte devido à falta de dólares para bancar importações. (Reuters 27/09/2017)

 

Produção de etanol nos EUA recua 3,58% na semana, para 996 mil barris/dia

A produção média de etanol nos Estados Unidos foi de 996 mil barris por dia na semana passada, volume 3,58% menor do que o registrado na semana anterior, de 1,033 milhão de barris/dia. Os números foram divulgados nesta quarta-feira, 27, pela Administração de Informação de Energia do país (EIA, na sigla em inglês).

Os estoques do biocombustível ficaram novamente estáveis na semana encerrada no dia 22 de setembro, em 20,7 milhões de barris.

Os números de produção de etanol nos Estados Unidos são um importante indicador da demanda interna por milho. No país, o biocombustível é fabricado principalmente com o cereal e a indústria local consome cerca de um terço da safra doméstica. (Down Jones 27/09/2017)

 

Europeus tentam atrasar oferta agrícola

Um grupo de 11 países, liderado pela França e Irlanda, enviou carta à Comissão Europeia pedindo na prática para a Europa adiar a oferta agrícola para o Mercosul, prevista para ser entregue na semana que vem em Brasília, para permitir anúncio político de um acordo no fim do ano.

Áustria, Bélgica, França, Hungria, Irlanda, Lituânia, Luxemburgo, Romênia, Polônia, Eslováquia e Eslovênia consideram "intempestivo" que a oferta europeia inclua cotas (entrada de volume limitada com tarifa de importação menor) para produtos como carne bovina, etanol, açúcar e carne de frango, todos de interesse particular do Brasil.

A Comissão Europeia está sob fogo cerrado dos protecionistas. E dentro da própria Comissão, o braço executivo da UE, as diretorias de Comércio e de Agricultura não se entendem sobre os volumes de abertura agrícola para o Mercosul.

A expectativa é de que hoje à tarde a comissão volte a discutir com os Estados membros para decidir o que fazer. O Valor apurou que vários países insistem em acelerar a conclusão do acordo, tentando se contrapor aos protecionistas liderados pela França de Emmanuel Macron, um presidente que se diz modernista, mas mantém uma agenda agrícola protecionista.

Na carta enviada à Comissão Europeia, os 11 países alegam que uma análise publicada em novembro pela UE concluiu que o impacto econômico acumulado de futuros acordos de livre comércio sobre a agricultura europeia cria riscos significativos para o setor, com deterioração na balança comercial e preços mais baixos para produtos já vulneráveis, especialmente carne bovina, etanol, açúcar e frango.

Na carta, os 11 países lembram que 12 ministros de Comércio e 14 de Agricultura insistiram em março e junho deste ano por uma melhor coerência entre as políticas agrícola e de comércio exterior, por exemplo, sobre cotas que Bruxelas poderia oferecer. Os 11 países visivelmente querem aumentar o custo político da comissão com uma oferta agrícola, talvez na expectativa de também arrancar mais concessões do Mercosul.

Além de considerar "intempestiva" agora uma oferta europeia incluindo produtos sensíveis, os 11 países insistem que, se uma oferta for feita para o Mercosul, precisa respeitar dois pré-requisitos.

Primeiro, que a comissão elabore um método para definir um nível máximo de concessões (volume, composição, administração de cotas), em acordo com os países-membros. A ideia é levar em conta todas as concessões que a UE já fez e as que deve fazer em negociações em curso (com Austrália, Nova Zelândia, México), com um limite máximo para cada produto.

É a ideia do "bolso único". Para os 11 países, esse método deve em particular ser a base para eventual concessão envolvendo produtos sensíveis, levando em conta a capacidade de absorção do mercado europeu e as implicações do Brexit, a saída do Reino Unido da UE.

O segundo pré-requisito é que a UE inclua provisões na oferta agrícola para assegurar um "level playing field" entre os parceiros. Com ajuste nas cotas, mecanismos eficientes de salvaguarda e condicionalidades não tarifárias, como rígidos padrões sanitários e fitossanitários. "Esses instrumentos podem permitir a suspensão de preferências comerciais", diz a carta, ou seja, a UE poderia suspender a redução tarifária ou cota oferecida ao Mercosul a qualquer momento que considerar necessário.

A nova reação do bloco protecionista não surpreende. No mínimo, mostra que a barganha final entre a UE e o Mercosul está realmente próxima. O que chama atenção é a mesma postura da França com Macron, que visivelmente entende que esse acordo vai além da parte comercial e é estratégico para os dois lados.

O Brasil tem a presidência atualmente do Mercosul. E nessa condição, a missão do Brasil junto à UE em Bruxelas intensificou a mobilização, com contatos políticos com importantes negociadores da UE, embaixadores dos paísesmembros, parlamentares.

A mensagem do Brasil e dos outros embaixadores do Mercosul em Bruxelas é que o bloco do Cone Sul quer um acordo logo, mas que as concessões devem ser equilibradas. Também nota que a negociação com o Mercosul é a segunda maior da história da UE, em termos de PIB. Só a negociação da UE com o Japão é maior, no momento. Significa que os europeus também têm muito a ganhar, obtendo preferência (tarifa menor para exportar) num mercado até agora fechado como o do Mercosul.

Isso é algo que uma parte da Comissão Europeia entende. Mas a questão é se ela vai conseguir convencer os 11 países mais protecionistas a aceitarem colocar na mesa a oferta agrícola na semana que vem em Brasília.

Sem essa oferta, fica difícil justificar uma delegação europeia para negociar em Brasília com o Mercosul, sem as cifras prometidas de abertura de mercado agrícola, em troca de ganhos nas áreas industrial, de serviços e compras governamentais no Mercosul. (Valor Econômico 28/09/2017)

 

PB: Produtividade de 104 ton/ha com nove cortes e sem reforma em usina

Em 2008 a Usina Japungu transformou o modo de produzir cana-de-açúcar em suas unidades. Vivenciando grandes períodos de irregularidades climáticas, o grupo resolveu apostar na tecnologia de irrigação por gotejamento para garantir estabilidade da produção e economia de água. Com capacidade de moagem de 4,7 milhões de toneladas, dividido entre as unidades da Paraíba e Goiás, foi no Nordeste que a empresa apostou no uso da irrigação localizada para aumentar a produtividade e longevidade dos canaviais.

Acostumados a utilizar autopropelidos e pivôs, os resultados variavam bastante conforme o clima de cada safra. O solo, extremamente arenoso (abaixo de 3% de argila), mostrava potencial para produção de cana de açúcar. A produtividade média do canavial era de apenas 47 ton/ha, sendo necessário reformar a lavoura a cada três anos. “Isso encarecia muito o custo de produção e tornava a atividade praticamente inviável”, conta Alexandre Guerra, Gerente de Irrigação Japungu Agroindustrial.

A primeira área piloto foi implantada em 50 hectares da Fazenda Ilha, localizada na Paraíba. Daniel Pedroso, engenheiro agrônomo da Netafim e responsável pela implantação do projeto na propriedade, conta que desde 2008 “houve um grande aumento não somente da produtividade, mas também da longevidade do canavial”. Hoje, a Fazenda da Ilha está em seu nono corte sem reforma, conseguindo produzir, em média, 104 ton/ha. “Esse TCH indica o dobro de ganho de produtividade e três vezes mais longevidade no ciclo”, acrescenta.

Nos últimos dois anos a produção brasileira de cana-de-açúcar apresentou queda de produtividade por problemas climáticos, especialmente por conta do fenômeno El Niño. Em 2017 a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), continua projetando recuo de 1,7% na produção em relação à safra passada, também em consequência do clima. Isso equivale a 646,34 milhões de toneladas de cana, ante aos 657,18 milhões da safra 2016/17.

Na Usina Japungu, no entanto, a média de produtividade e produção conseguiu se manter mesmo com a grande variação de volume de chuvas. No gráfico 01 é possível observar que desde a implantação de irrigação inteligente na Fazenda, a curva de precipitações oscilou de forma expressiva, enquanto o TCH se sustentou na média de 104 TCH.

Produzir mais com menos água foi possível através da irrigação inteligente. Visando ajudar o produtor a expressar o máximo potencial de suas lavouras, a Netafim desafiou o mercado e foi pioneira no desenvolvimento da irrigação por gotejamento para a cultura. A primeira do mundo em irrigação subterrânea em todo o mundo. Esta prática, além de sustentável, garante que os produtores que adotam essa medida tenham o rendimento anual de sua lavoura duplicado ou até mesmo triplicado.

Com a possibilidade de irrigar a área total com menos água, as respostas de produtividade, longevidade e ATR (Açúcar Total Recuperável) são visíveis. E devido aos resultados positivos, o grupo Japungu possui hoje mais de 2 mil ha com a tecnologia e pretende expandir para mais 4 mil hectares.

A cana é composta por ¾ de líquidos, sendo assim, oferecer a quantidade ideal de água para a cultura é fundamental para o alcance de bons resultados. “A cana tem potencial genético para produzir aproximadamente 50 toneladas de açúcar por hectare somando 1.000 sacos, mas infelizmente a média nacional é de 09 toneladas na mesma área, totalizando 180 sacos”, explica Pedroso. Este número representa menos de 20% do potencial genético da planta.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, tendo grande importância para o agronegócio brasileiro. O aumento da demanda mundial por etanol, oriundo de fontes renováveis, aliado às grandes áreas cultiváveis e condições edafoclimáticas favoráveis à cana-de-açúcar, tornam o Brasil um país promissor para a exportação dessa commoditie. (Assessoria de Comunicação 27/09/2017)