Setor sucroenergético

Notícias

O valor da Malha Paulista

A Cosan, controladora da Rumo Logística, segurou estrategicamente o lote suplementar de 33 milhões de ações que seriam disponibilizados ao mercado na oferta encerrada nesta semana.

A decisão estaria relacionada à Malha Paulista.

A expectativa na companhia é que o governo autorize a renovação antecipada da concessão até o início de novembro.

Com a boa nova, a Rumo vislumbra a possibilidade de oferecer as ações em mercado a um valor maior do que os R$ 400 milhões que poderia ter arrecadado. (Jornal Relatório Reservado 06/10/2017)

 

Raízen se torna o fiel depositário dos postos da Shell

Há conversas ainda preliminares em torno da venda de postos de combustíveis da Shell no Chile para a Raízen, joint venture entre o próprio grupo e a Cosan, de Rubens Ometto Silveira Mello.

A operação sugere um redesenho da operação dos anglo-holandeses na América do Sul.

Seria uma repetição do que ocorreu na Argentina: na última semana, a Raízen confirmou a aquisição de postos da Shell no país - informação antecipada pelo RR na edição de 29 de agosto. (Jornal Relatório Reservado 06/10/2017)

 

Açúcar: Reação em Londres

A reação da demanda por açúcar refinado, referenciado em Londres, deu força às cotações do demerara na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 14,49 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 14 pontos.

Desde terça-feira, o refinado começou a registrar um aumento súbito na demanda em Londres, o que elevou os preços do contrato de primeira posição.

Segundo analistas, ainda não ficou claro o que pode ter provocado o movimento de compra, mas existe a possibilidade que seja um ajuste de posições dos fundos diante das estimativas de uma produção europeia abaixo do esperado.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 53,34 a saca de 50 quilos, alta de 0,28%. (Valor Econômico 06/10/2017)

 

Mudanças no setor de açúcar trazem emoções ao mercado, afirma banco

A safra mundial de açúcar de 2017/18 vai trazer muita emoção ao mercado. Várias cosias afetaram o setor nas últimas semanas, e ainda estão sendo analisados os efeitos delas.

Entre elas, estão furação em países produtores na América Central e do Caribe, liberação de importações pela Índia a taxas menores e safras maiores em várias regiões. Além disso, houve alteração nas taxas de tributos nos combustíveis no Brasil.

As informações são do Rabobank, instituição financeira dedicada ao setor de agronegócio. O banco prevê um superavit de 4,5 milhões de toneladas entre produção e consumo mundiais.

O Brasil, líder mundial na produção de cana-de-açúcar e de açúcar, impôs novas taxas nos combustíveis, melhorando a paridade do etanol em relação à gasolina.

O governo brasileiro impôs por dois anos uma taxa de 20% a todo etanol importado que superar 600 milhões de litros por ano.

A União Europeia deverá produzir mais, podendo atingir 20,5 milhões de toneladas de açúcar em 2017/18. Com isso, pelo terceiro ano seguido, reduzirá as importações e poderá exportar mais.

A moagem de cana na Austrália deverá ficar 7% abaixo da de 2016/17, mas a produtividade da cana deverá ser melhor.

A China, tradicional importadora, também terá uma safra melhor, podendo atingir 11,5 milhões de toneladas, acima dos 10,5 milhões de 2016/17, segundo o banco.

Nos Estados Unidos, os efeitos dos dois furacões que afetaram a região produtora de cana ainda estão sendo analisados. O mesmo ocorre nos países caribenhos.

A conjugação desses efeitos vai refletir sobre os preços de mercado. Nesta terça-feira (3), o primeiro contrato esteve em 14,04 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. (Folha de São Paulo 05/10/2017)

 

Demissão de centenas trabalhadores de usina gera reflexos em Promissão

Comércio da cidade com pouco mais de 40 mil habitantes contabiliza redução de 20% nas vendas. Prefeitura estuda formas de gerar mais emprego; já a usina não se manifestou sobre as demissões.

A demissão de cerca de 600 trabalhadores, segundo sindicato da categoria, de uma usina de Promissão (SP) está gerando reflexos na economia da cidade, com cerca de 40 mil habitantes. A prefeitura estuda uma solução com a criação de um distrito industrial. O objetivo é atrair empresas e gerar novos empregos.

A usina pertence ao grupo Renuka Brasil, que está em processo de recuperação judicial desde 2015 com muitas dívidas. A reportagem entrou em contato com a direção da usina que informou que não vai se manifestar sobre o caso.

Alexandro de Carvalho e Jonatas Camilo dos Santos foram demitidos na semana passada. Junto com eles foram mais de 200 empregados da Usina Madhu mandados embora. A cada dia novas dispensas vêm acontecendo, o sindicato da categoria fala em 400 a 600 trabalhadores na rua.

“Alegaram que era redução de quadro, mas ate agora não temos uma posição completa do grupo. Só no meu setor foram umas 200 pessoas. A região nossa já não é boa de serviço então agora ficou meio um caminho estreito para gente.”

A rescisão foi parcelada em 6 vezes e eles não terão acesso ao seguro desemprego, já que no início do ano a empresa aderiu a um plano federal que suspende temporariamente o contrato de trabalho. Enquanto os empregados ficam parados eles recebem pelo seguro. A intenção do programa seria preservar os empregos, o que não aconteceu.

Segundo o advogado trabalhista consultado pela reportagem, os trabalhadores realmente não terão este direito, porém é possível que a empresa pague uma multa aos trabalhadores.

“É lamentável a situação da empresa, o problema é esse monte de gente tem que ir para o mercado de trabalho procurar emprego novamente e o parcelamento dessa rescisão nossa. A gente sente muito. Lamentável uma empresa assim não deveria acontecer algo assim", afirma Alexandro.

A presidente do sindicato dos trabalhadores rurais não deu detalhes sobre as negociações, mas disse que a parcela da rescisão foi aceita pelos trabalhadores e que a questão de uma multa no lugar do seguro ainda está sendo discutida.

No Ministério do Trabalho a informação é de que nenhuma denúncia formal foi registrada. No Ministério Público do Trabalho não existe nenhuma investigação, até o momento, sobre as últimas demissões e o parcelamento das verbas rescisórias.

Reflexos na cidade

Enquanto isso, os comerciantes da cidade estão preocupados. Pequenas demissões já vinham acontecendo há algum tempo na usina e os reflexos já sentidos podem piorar. Segundo a Associação Comercial do município a queda nas vendas já chega a 20%. O que tem feito inclusive com que algumas lojas fechem as portas.

“O comércio da cidade gira em torno dos trabalhadores da usina e do frigorífico da cidade e há uns dois anos já estamos sentindo os reflexos das demissões, do corte de horas extras. Todo o comércio tem sentido e não só setor específico”, afirma Wilson Coutinho, presidente da associação.

O prefeito Artur Franco projeta uma futura queda na arrecadação. Ele diz que a administração está em um esforço para cidade criar um distrito industrial e melhorar a economia da cidade.
“Nós estamos de portas abertas, sensíveis a essa demanda e atendendo através da nossa Secretaria de Assistência Social. Estamos em tratativas com o governo do estado buscando verbas pra instalação do distrito industrial II para conseguirmos fazer a infraestrutura asfalto, esgoto no local já destinado a este local”. (G1 05/10/2017)

 

Tribunal nega a usineiros redução de indenização milionária

Os grupos São Martinho e Raízen, responsáveis pelas usinas Costa Pinto e Santa Helena, poderão ter de pagar indenização de R$ 25 milhões por danos ambientais diretos e indiretos resultantes da queima da palha de cana em Piracicaba (SP), entre 2007 e 2011.

As empresas apelaram para reduzir o valor cobrado pelo Ministério Público Federal (MPF) para R$ 100 mil, mas o Tribunal Regional Federal (TRF3) negou o pedido dos usineiros.

Os réus haviam afirmado no recurso que o valor estimado pelo MPF era “arbitrário e aleatório”. Entretanto, os desembargadores da 4.ª Turma do Tribunal julgaram que a alegação não foi fundamentada. “Ademais, afirma que R$ 100 mil é o montante correto. Entretanto, não fundamenta.”

Ao negar o pedido de redução do valor, a 4ª Turma do TRF3 reconheceu a possibilidade de se estimar o valor da causa em razão da “impossibilidade de aferição imediata do conteúdo econômico”.

“Não é possível averiguar se a recuperação ambiental alcança precisamente a quantia de cem mil reais. No entanto, é razoável a quantia apontada pelo autor, considerada a extensão da área envolvida. Esta Turma já se posicionou, no sentido da viabilidade de o autor na ação por dano ambiental estimar o valor da causa, à vista da impossibilidade de aferição imediata do conteúdo econômico”, diz o acórdão da decisão.

Segundo a procuradora regional da República Rosana Cima Campiotto, não há irregularidade em estimar o valor da causa quando este corresponde ao benefício econômico que se buscou com as queimadas. Ela opinou ao se manifestar contra a redução da indenização, que será arbitrada pela justiça, se os réus forem condenados.

Rosana Campiotto citou precedentes em que a justiça reconheceu que em causas “cujo valor é de difícil aferição, dada a envergadura dos danos materiais (….) necessário arbitrar tal valor num patamar mediano e razoável, que reflita o conteúdo econômico da demanda”. Dessa forma, o valor estipulado pelo MPF é cabível, por conta da prática das queimadas ao longo de cinco anos e da natureza do prejuízo acarretado à saúde pública e ao meio ambiente de Piracicaba.

COM A PALAVRA, SÃO MARTINHO

A São Martinho informa que a mencionada decisão do TRF (Tribunal Regional Federal), passível de recurso para o STJ (Superior Tribunal de Justiça), trata apenas do valor atribuído à causa, estimado em R$ 25 milhões. As usinas pleiteiam a redução da estimativa para R$ 100 mil por falta de fundamento. A São Martinho também destaca que não há condenação. A ação ainda tramita em primeira instância, sem decisão de mérito.

A São Martinho não é a proprietária das duas usinas citadas, e sim a Raízen.

A São Martinho tem quatro unidades, em São Paulo e Goiás.

COMO A PALAVRA, RAÍZEN

Procurada, a empresa não se pronunciou até a publicação dessa matéria. (Agência Estado 03/10/2017)

 

Shell e Ipiranga apostam em gasolinas mais tecnológicas

Empresas garantem que novos combustíveis geram mais eficiência e limpeza do motor.

A Shell e a Ipiranga estão lançando opções mais eficientes de combustíveis para os consumidores. Enquanto a primeira apresenta a nova Shell V-Power, sua mais recente fórmula para a gasolina aditivada, a segunda aposta na Octapro, em substituição à Gasolina Original Premium, até então oferecida pela empresa.

Após cinco anos de pesquisa e testes, a Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, começará a comercializar o novo produto, no próximo dia 16, em todos os 6 mil postos da multinacional distribuídos pelo País. Segundo a empresa, a gasolina terá a capacidade de limpar, já no primeiro abastecimento, 80% dos resíduos acumulados no motor. O produto conta com a tecnologia Dynaflex, exclusiva da Shell. É recomendado principalmente para automóveis modernos com motores menores, com turbo e injeção direta.

O engenheiro de combustíveis da Raízen, Gilberto Pose, garante que a utilização do produto por três vezes consecutivas restabelece por completo o bom funcionamento do motor, removendo a sujeira acumulada pelo consumo frequente de gasolina comum. “A V-Power recupera a eficiência do motor e diminui os custos, pois é melhor aproveitada durante a combustão”.

A multinacional divulgou que a gasolina possui 40% mais moléculas de limpeza que a geração anterior. A companhia garantiu a maior eficiência do produto, mas não revelou a quantidade dos componentes utilizados na nova fórmula. A empresa anunciou ainda que os carros da Ferrari, parceira da Shell na Fórmula 1, tiveram ganhos de performance de 23,3% em testes com a nova tecnologia nas pistas.

Ipiranga. Apresentada no início de outubro, a Octapro da concorrente Ipiranga foi desenvolvida especialmente para os veículos mais potentes, como os esportivos e os de luxo com motor grande. A gasolina tem octanagem de aproximadamente 96 de índice Anti Detonante (IAD) e 102 pelo método RON (Research Octane Number), padrão europeu. A empresa assegura que o combustível podegerar mais limpeza e economia. “A Octapro é uma excelente opção para o motorista que busca o máximo de desempenho do motor do seu carro, por meio de um combustível de alta tecnologia”, afirma o diretor de varejo da Ipiranga, Jeronimo Santos.

A gasolina possui um pacote de aditivos detergentes e dispersantes, como a tecnologia Friction Modifier, desenvolvida pela Innospec, companhia parceira da Ipiranga especializada em produtos químicos no mercado internacional. (O Estado de São Paulo 05/10/2017)

 

Renuka enfrenta impasse com credores após suspensão de leilão de usina, diz fonte

Um mês após a suspensão do leilão da usina Revati, da Renuka do Brasil, as negociações entre os credores e a empresa em recuperação judicial, com dívidas de quase 3 bilhões de reais, estão “travadas”, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

“Nenhuma evolução, nenhuma novidade. A companhia ainda está checando soluções com seus consultores”, afirmou a fonte, sob condição de anonimato, acrescentando que não há nenhum prazo para que as discussões sobre uma saída para a companhia sejam retomadas.

A venda da Revati, localizada em Brejo Alegre (SP) e com capacidade para moer 4 milhões de toneladas de cana por safra, seria algo essencial para a Renuka, subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, pagar seus credores.

O leilão da unidade estava inicialmente marcado para 4 de setembro, com três grupos interessados, incluindo a gigante chinesa Cofco.

O certame, contudo, foi suspenso a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), titular de garantias hipotecárias da companhia.

O BNDES já havia pedido a suspensão do leilão da outra usina do grupo sucroenergético, a Madhu, em Promissão (SP), no início do ano. Com isso, foi necessária a aprovação de um novo plano de recuperação judicial, prevendo, então, a venda da Revati.

Em nota enviada à Reuters, o banco de fomento disse que “o plano de recuperação judicial (da Renuka do Brasil) viola dispositivos legais ao colocar em risco o recebimento do crédito do BNDES decorrente da alienação de suas garantias”.

“Ratificamos que o BNDES é titular de garantias hipotecárias e atua, observada a legislação em vigor, para preservar suas garantias reais com o objetivo de permitir a recuperação de seus créditos”, frisou o banco, preferindo não comentar sobre qual seria a saída para a Renuka do Brasil.

O escritório de advogados TWK, que assessora a companhia sucroenergética em seu processo de recuperação judicial, disse que não estava autorizado a comentar o assunto. Já a Renuka do Brasil não pôde ser contatada.

A venda da Revati, caso fosse concretizada, seria o terceiro negócio de usinas de cana por meio de leilões judiciais em menos de um ano, conforme players com melhor estrutura de capital buscam ativos de rivais endividados.

A Glencore comprou a usina Guararapes em novembro do grupo Unialco. A Raízen Energia, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, fez em junho a aquisição de duas usinas da Tonon Bioenergia, por 823 milhões de reais.

A Renuka do Brasil iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores. (Reuters 05/10/2017)