Setor sucroenergético

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Usinas já veem oportunidade com carro elétrico

Já faz quase quatro décadas que o Brasil usa o etanol como alternativa aos combustíveis fósseis. Agora, essa mesma busca por meios de transporte menos agressivos ao ambiente começa a levantar dúvidas sobre o futuro do biocombustível. O adversário é o carro elétrico, que ameaça a cadeia de fornecimento de combustíveis ao usar motores movidos a baterias em vez dos tradicionais a combustão. A briga no Brasil pode demorar. A expectativa, entre analistas do setor, é que só daqui a 12 anos os veículos a eletricidade terão uma presença consistente no país. Mas a indústria sucroalcooleira, que vendeu R$ 45 bilhões em etanol na safra 2016/17, já estuda estratégias para não ficar fora do jogo. Uma das esperanças é participar do desenvolvimento dos carros movidos a célula de combustível.

Ao contrário do que ocorre em outros países, o governo brasileiro não sinaliza com programas de incentivo para aquisição de modelos elétricos. Isso pode dar uma sobrevida aos motores a combustão. Mas, como aos poucos as montadoras vão abandonar essa tecnologia, as previsões indicam que por volta de 2030 o elétrico será comum também no Brasil.

Num futuro mais distante, porém, a eletrificação da frota pode incluir o etanol caso o desenvolvimento do automóvel movido a célula de combustível avance. Nesse tipo de carro, que substituirá o elétrico com baterias, o "combustível" é o hidrogênio. O abastecimento de hidrogênio poderá ser num posto, mais complicado e caro - ou a partir de outro combustível. Uma reação química gera energia no próprio carro.

A boa notícia para os usineiros brasileiros é que, segundo o engenheiro Henry Joseph Jr, diretor técnico da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), testes nesses modelos já comprovaram que o etanol rende mais que gasolina ou gás. Além disso, esses veículos terão a vantagem de aproveitar a atual rede de distribuição, além de emitir menos gases de efeito estufa.

Mas, segundo Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, mesmo nos países mais desenvolvidos, o carro movido a célula de combustível não estará disponível em menos de 15 anos.

Fora do Brasil, a Nissan já testa veículos movidos a célula de combustível usando etanol. Segundo a empresa, com o derivado da cana, o veículo alcança mais autonomia. O carro testado utiliza entre metade e um terço da quantidade de etanol usado num a combustão com o mesmo combustível. A empresa promete, para 2020, a adição de 55% de água no tanque, o que reduzirá ainda mais a necessidade de etanol.

No Brasil, espera-se também que o automóvel híbrido anteceda a chegada do elétrico. Para a presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, os híbridos podem tornar o biocombustível uma "tecnologia de transição" para a eletrificação. Já vendido no Brasil, o híbrido tem dois motores. O que funciona com combustível gera a energia necessária para o elétrico entrar em ação quando o trajeto é de baixa velocidade, como nos centros urbanos.

A Toyota já demonstrou interesse em produzir híbridos movidos a etanol no Brasil. "É fácil converter o motor a gasolina do híbrido para etanol", afirma Joseph Jr. Nos bastidores, sabe-se que o setor tem a expectativa de receber incentivos fiscais para colocar o projeto do híbrido com etanol em prática.

Luis Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersuca r, concorda que haverá uma evolução tecnológica em 10 a 15 anos. Ele estima, entretanto, que qualquer mudança demorará para provocar impacto no conjunto da frota brasileira. "Somos um país pobre", diz. Sem estímulos à renovação, os carros eletrificados conviverão com os velhos movidos a combustão por muitos anos.

É certo, porém, que a mudança deve impactar diretamente os investimentos das usinas, que já vêm à mingua há alguns anos. Pogetti lembra que qualquer investimento no setor sucroalcooleiro precisa de um horizonte de ao menos dez anos.

Mas nem por isso o setor está imóvel. Fabio Venturelli, presidente do grupo São Martinho, lembra que as usinas já operam em outros segmentos, como cogeração de eletricidade e açúcar. Segundo o executivo, há, ainda, espaço para outros derivados da cana, como plástico, vacinas e vitaminas. Mas, para ele, a substituição total da frota no Brasil por veículos elétricos é um cenário "utópico".

Para o futuro dos grupos estrangeiros que vieram ao país, o cenário é distinto. A americana Bunge, por exemplo, já indicou que não pretende seguir no segmento por muito mais tempo. Já a chinesa Cofco, está menos preocupada com as mudanças iminentes, dado que seu maior interesse está na produção de açúcar e em cogeração. "Etanol não é nosso foco", diz Marcelo Andrade, presidente global de açúcar da Cofco.

A história do carro a etanol sempre foi marcada pela falta de competitividade em relação aos preços da gasolina. "O etanol oferece vantagem em relação ao elétrico se a geração da energia for numa termoelétrica. Mas o Brasil sempre patinou na questão do preço", destaca Joseph Jr.

O primeiro carro a álcool no país foi produzido em 1979. Mas problemas com preço arruinaram o Proálcool na década de 1990. Mais tarde, em 2003, o etanol voltou a ganhar credibilidade com o surgimento do motor flex, que permite usar, no mesmo tanque, gasolina e etanol. Hoje, o derivado da cana representa mais de 30% do consumo de combustíveis no Brasil, incluindo a parte que é misturada à gasolina.

Enquanto a Volvo anuncia que todos os seus carros terão motor elétrico a partir de 2019, para alguns, o derivado da cana, assim como a gasolina e até o diesel, têm chances de continuar a mover os veículos numa fase de transição que tende a ser mais longa em certas regiões, como o Brasil ou em cidades europeias afastadas dos centros urbanos.

Para Ricardo Abreu, conselheiro da Associação dos Engenheiros Automotivos (AEA), cada país vai se adaptar conforme a disponibilidade de combustíveis. Entre 2019 e 2022, toda a linha de produtos da francesa Peugeot vai oferecer motores a combustão, híbridos e elétricos. "Cada país vai decidir como será sua transição; o ritmo da eletrificação não será o mesmo em todos os lugares", destaca o presidente mundial da empresa, Jean Philippe Imparato. "Em Paris, por exemplo, você não poderá circular em carro daqui a dois anos se o motor não for elétrico. Mas o mesmo não vale para o sul da França, por exemplo", completa.

"A eletrificação dos carros chegará um dia e isso não se discute. Mas o etanol merece uma discussão à parte", afirma o presidente da Mercedes-Benz na América do Sul, Philipp Schiemer. "O balanço dos gases emitidos na geração de energia elétrica não é tão fantástico e o etanol no mínimo empata". Para ele, o etanol, é uma alternativa para o Brasil, "mas carece de 'lobby', de uma explicação melhor do seu potencial".

Executivos e especialistas do setor sucroalcooleiro ressaltam também que uma adoção do carro elétrico a bateria no Brasil demandaria um investimento sem precedentes em infraestrutura de produção e distribuição de energia.

Segundo Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, em 2016, a frota de veículos leves do Brasil consumiu em combustíveis o equivalente a 462 mil gigawatts-hora (GWh), enquanto o consumo por indústrias e residências foi praticamente igual, de 460 mil GWh.

Se a opção por híbridos ou movidos por células de hidrogênio for adotada no Brasil, as usinas poderão manter ou até ampliar presença no setor de energia, afirma Nastari. "No longo prazo, é provável que o aumento da demanda por etanol e bioeletricidade seja maior que por açúcar", destaca.

A Volkswagen planeja importar o Golf elétrico da Alemanha. "Mas antes temos que ter absoluta certeza de que haverá estações de carregamento", diz o presidente da Volks na América do Sul, Pablo Di Si. "O custo das baterias do elétrico caiu 70% nos últimos três anos. Mas ainda há, no mundo, fortes subsídio para esse tipo de veículo. Por isso, os modelos flex continuarão por um bom tempo", destaca Di Si.

Os principais centros de engenharia de veículos já começam a abandonar o desenvolvimento de motores a combustão. Ao mesmo tempo, tecnologias para um futuro mais longo abrem espaço para a sobrevivência do etanol. A questão é saber o quanto da atual infraestrutura brasileira dedicada ao abastecimento veicular será necessária. (Valor Econômico 19/10/2017)

 

Setor de cana no Brasil fechou safra 16/17 com dívida média de R$119/t, diz Rabobank

O setor sucroenergético brasileiro fechou a safra de cana 2016/17, em março, com dívida líquida média de 119 reais por tonelada de cana processada, disse nesta terça-feira o gerente sênior de Relacionamento do Rabobank no Brasil, Manoel Queiroz.

O endividamento no ciclo passado foi 12,5 por cento menor ante o de 136 reais na temporada 2015/16 e 20 por cento inferior na comparação com o pico de 149 reais no ciclo 2014/15, acrescentou.

“Essa baixa no endividamento: 50 por cento deveu-se ao câmbio e outros 50 por cento à geração de caixa das usinas”, explicou o gerente do Rabobank, durante palestra na 2ª Reunião da Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

Ele não comentou sobre a tendência para a safra 2017/18, afirmando que é preciso esperar o fechamento do ciclo.

Como boa parte da dívida do setor sucroenergético brasileira é denominada em dólar, o recuo na cotação da moeda norte-americana desde o ano passado tem ajudado as empresas nesse sentido.

O Rabobank tem em sua carteira de empréstimo 32 usinas sucroenergéticas, que, juntas, representam 50 por cento da moagem de cana em todo o Brasil. (Rabobank 18/10/2017)

 

Açúcar: Alta marginal

Diante da ausência de novos fundamentos capazes de guiar as cotações, os contratos futuros do açúcar demerara ficaram praticamente estáveis na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 14,17 centavos de dólar a libra-peso, em alta de 2 pontos.

Segundo analistas, os preços continuam "ancorados", reflexo de um mercado que foi dominado recentemente pelo sentimento de baixa.

O açúcar é a commodity agrícola com pior desempenho este ano em Nova York, pressionada pela perspectiva de aumento na produção no Brasil, na União Europeia e em outros grandes produtores mundiais.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 54,70 a saca de 50 quilos, com valorização de 0,9%. (Valor Econômico 19/10/2017)

 

Unidade da Raízen em SP encerra safra antecipadamente por falta de cana, diz fonte

A unidade Santa Helena, da Raízen Energia, encerrou o processamento de cana na safra 2017/18 quase três semanas antes do previsto, devido à escassez de matéria-prima em meio a uma quebra de safra, disse nesta quarta-feira à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

A Santa Helena, situada no Estado de São Paulo, com capacidade para moer até 1,5 milhão de toneladas de cana por safra, é a primeira unidade da Raízen, o maior grupo do setor de etanol e açúcar do mundo, a encerrar a temporada de cana, disse a fonte.

A antecipação do fim da moagem indica o efeito da seca em regiões de São Paulo, Estado que responde por mais da metade da moagem do centro-sul do Brasil, o que poderia sustentar os preços do açúcar, ponderou a fonte, do setor industrial, que pediu para ficar no anonimato porque não tem autorização para falar com a imprensa.

"A Santa Helena encerrou a moagem quase que três semanas antes do previsto. Era para continuar até o dia 4 de novembro. Foi encerrada pela escassez de cana", disse a fonte.

A Raízen, uma joint venture da Cosan e da Shell , afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.

A fonte evitou fazer comentários se o encerramento antecipado da safra vai reduzir as expectativas de moagem da Raízen, que planeja processar mais de 60 milhões de toneladas de cana, ou mais de 10 por cento da safra do centro-sul. O grupo detém mais de 20 unidades no Brasil.

O pouco da cana que ainda resta na região da Santa Helena, que fica na divisa entre Piracicaba e Rio das Pedras, será direcionado para uma das cinco unidades da Raízen no polo piracicabano, a Costa Pinto, uma forma de otimizar as operações.

"É uma tendência, (essa antecipação de fim de moagem) vai acontecer com o mercado, em virtude da seca em julho e em setembro. Algumas regiões chegaram a ter no período até 120 dias sem chuvas, na área de Piracicaba", comentou.

Segundo a fonte, o Estado de São Paulo, com exceção da região oeste, onde as chuvas foram mais volumosas e constantes, deverá ter uma quebra de safra.

No acumulado da safra do centro-sul até 1 de outubro, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) registra uma queda de quase 2 por cento na moagem de cana, ante o mesmo período do ano passado, para 467,2 milhões de toneladas.

Na véspera, a Tereos Açúcar & Energia Brasil, um dos maiores grupos sucroenergéticos do país, informou que também deve encerrar a safra mais cedo neste ano, ainda em novembro, em função do tempo seco, que propicia uma moagem mais acelerada.

Na véspera, a consultoria Canaplan estimou uma queda de 3 por cento na moagem do centro-sul, ante a temporada passada.

A fonte avaliou que não deverá haver problemas de oferta de etanol, até porque as companhias estão produzindo o máximo que podem do biocombustível, que está remunerando mais do que açúcar. A fonte disse acreditar que o mercado internacional de açúcar deverá ser sustentado pela quebra de safra.

Segundo a fonte, dependendo do ano, a Santa Helena antecipa o final de suas operações, mas este ano a falta de cana no final da safra "surpreendeu". "Não se esperava ter que encerrar a safra no dia 17 (de outubro)". (Reuters 18/10/2017 às 19h: 06m)

 

Preços do etanol sobem na maior parte dos postos do país

Os preços do etanol hidratado (abastecido diretamente nos tanques) inverteram a tendência de queda e passaram a subir na maior parte do país na semana passada, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Os preços médios avançaram em 16 Estados na semana móvel encerrada dia 14, sábado, enquanto caíram em outros nove Estados e no Distrito Federal. Não houve pesquisa no Amapá.

Apesar dessa alta generalizada do biocombustível no país, o produto não perdeu sua vantagem em relação à gasolina nos Estados em que já estava mais competitivo: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.

O aumento foi substancial em Goiás, de 15% entre uma semana e outra, para R$ 2,909 o litro. Mesmo assim, o produto ficou abaixo dos 70% de paridade em relação à gasolina, em 68,2%.

O biocombustível também registrou elevação nos outros três Estados, mas seguiu abaixo dos 70% do valor da gasolina.

A valorização do etanol segue-se à recuperação da demanda pelo biocombustível, depois que as alterações tributárias sobre o PIS/Cofins tornaram o produto mais vantajoso do que a gasolina em grandes Estados consumidores.

O reaquecimento da demanda já fez o preço do etanol recebido pelas usinas paulistas registrar sua quarta semana consecutiva de alta, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Desde a semana iniciada em 11 de setembro até a semana passada, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado acumulou elevação de 5,6%, para R$ 1,5153 o litro entre 9 e 13 de outubro.

Dentre os Estados em que o preço do etanol na bomba recuou na última semana está o Paraná, onde o biocombustível torou-se igualmente competitivo ante a gasolina. O preço médio do produto ficou em R$ 2,701 o litro, o equivalente a 70,3% do valor do combustível fóssil. Na semana anterior, essa relação estava em 71%.

No país todo, porém, a correlação entre os dois produtos ficou pior para o biocombustível, com estreitamento da diferença de preços em 17 Estados e no DF. (Valor Econômico 17/10/2017)

 

ATR SP: Valores e projeção

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) liberou os dados do Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) referentes ao mês de setembro de 2017. Os preços fecharam no acumulado em R$ 0,5755 no mês, contra R$ 0,5853 praticados em agosto, registrando uma desvalorização de 1,70%.

Já o valor mensal em setembro fechou contratos a R$ 0,5360, contra R$ 0,5416 do mês de agosto, apresentando uma queda de 1,04%. Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo também caíram, ficando cotados em R$ 62,84 no último mês. O preço da cana esteira também fechou o mês de agosto com retração, cotada em R$ 70,19.

A previsão de fechamento do ATR (R$/kg / ATR), acumulado de abr-17 a mar-18 é de R$ 0,5818 (R$/kg / ATR). (INCEPANEWS 19/10/2017)

 

Renuka do Brasil acelera devolução de terras e demite 900, dizem fontes

A Renuka do Brasil, grupo sucroenergético em recuperação judicial, está acelerando a devolução de áreas arrendadas para plantio de cana e demitiu, só neste mês, cerca de 900 funcionários de suas duas unidades no interior de São Paulo, disseram à Reuters três fontes com conhecimento do assunto.

Tais medidas ocorrem após a companhia, com dívidas de quase 3 bilhões de reais, não conseguir leiloar a usina Revati, em Brejo Alegre, no início de setembro, dado o pedido de suspensão do certame pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Conforme uma das fontes, nos últimos dias foram realizadas demissões tanto na Revati quanto na usina Madhu, em Promissão, “envolvendo todas as áreas”.

Em paralelo, a Renuka do Brasil, subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, passou a devolver áreas arrendadas com cana, uma vez que a safra deste ano se aproxima do fim.

Segundo uma das fontes, a companhia, que chegou a trabalhar com quase 100 mil hectares de cana no passado, hoje tem em torno de 30 mil hectares arrendados.

“Estão acelerando a devolução porque não têm como pagar o arrendamento. Alguns casos vão parar na Justiça”, destacou a fonte, acrescentando que neste ano a empresa deve processar cerca de 4,5 milhões de toneladas de cana, menos da metade da capacidade instalada nas duas unidades, de mais de 10 milhões de toneladas por ciclo.

A Reuters tentou contato com a empresa para comentar o assunto, mas não obteve uma resposta.

A Renuka do Brasil iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

O processo de recuperação judicial da empresa começou há dois anos.

No início de 2017, a companhia tentou leiloar a usina Madhu, mas o BNDES pediu a suspensão do certame, algo que voltou a ocorrer em setembro, com a Revati, já que o banco é titular de garantias hipotecárias.

De acordo com uma das fontes, desde a suspensão do leilão de setembro, as negociações entre Renuka do Brasil e credores continuam “sem novidades”. (Reuters 18/10/2017)

 

Clima ajuda e safra de cana 2017/18 no centro-sul deve ser maior, diz Canaplan

Condições climáticas favoráveis ao longo dos últimos meses contribuíram para o desenvolvimento dos canaviais e as usinas do centro-sul do Brasil deverão processar 588 milhões de toneladas da matéria-prima na safra 2017/18, estimou nesta terça-feira a consultoria Canaplan, que em abril previa 575 milhões de toneladas.

O volume, caso venha a se confirmar, ainda seria 3,13 por cento menor frente às 607 milhões de toneladas observadas na temporada 2016/17 na principal região produtora do país.

O intervalo de estimativas vai de 585 milhões a 590 milhões de toneladas.

Segundo o diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, “chuvas em abril e em agosto” impulsionaram a produtividade dos canaviais, para cerca de 75 toneladas por hectare, contra 74 toneladas consideradas no início da safra.

Pelos cálculos da consultoria, que realiza nesta terça-feira sua segunda reunião anual em Ribeirão Preto (SP), as precipitações no acumulado da safra, iniciada em abril, foram 60 milímetros maiores na comparação com as de 2016.

Tendo por base um mix de produção de 52 por cento da oferta de cana para produção de açúcar e 48 por cento para etanol, ante 46,8 e 53,2 por cento, respectivamente, em abril, a Canaplan estima agora fabricação de 36 milhões de toneladas de açúcar e 24,2 bilhões de litros de etanol no ciclo 2017/18.

Na projeção de abril, a consultoria falava em 34 milhões de toneladas de açúcar e 23,8 bilhões de litros de etanol.

Por fim, o rendimento industrial, medido pelo nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), deve alcançar 134,5 kg por tonelada de cana processada, frente a 133 kg na previsão de abril.

Usinas

A perspectiva de que o clima tem sido favorável é compartilhada pelas usinas. Conforme a Agência Estado, o diretor agroindustrial da Usina São Martinho, Mário Ortiz Gandini, e o diretor agrícola da Tereos Açúcar e Energia Brasil, Jaime Stupiello, afirmaram que as condições do tempo farão com que a safra nas duas companhias seja melhor que a esperada inicialmente.

“A operação agrícola foi boa e a safra deverá ser um pouco melhor do que o esperado”, disse Gandini. “Será a melhor safra da companhia”, completou Stupiello.

Entretanto, para Fernando Benevenuti, gerente corporativo de engenharia agrícola da Raízen, “a palavra para explicar a produtividade este ano é variabilidade”. Segundo ele, em algumas regiões a produtividade menor foi compensada pelo desempenho em usinas de São Paulo e Goiás, cuja chuva foi seguida de uma seca, o que melhorou a qualidade da matéria-prima.

“No balanço total ainda devemos manter a produtividade em relação à média com o ATR (Açúcar Total Recuperável) maior do que havíamos planejado”, disse à Agência Estado.

Próxima safra

A Canaplan também trouxe perspectivas para a safra 2018/19 no centro-sul do Brasil, cuja colheita começará oficialmente em abril do ano que vem.

“Tudo indica que será pior. A seca de setembro e outubro vai pesar no ano que vem, com área menor. O clima de agora joga contra, prejudicando o plantio e o desenvolvimento das socas”, explicou Corrêa Carvalho.

Segundo a consultoria, a área colhida no próximo ciclo deverá diminuir em 1,1 por cento, enquanto a idade média dos canaviais tende a saltar 5,7 por cento, para 3,89 anos, refletindo a renovação de plantações aquém do ideal neste ano.

Houve renovação nos canaviais em 13,5 por cento da área, frente a um nível visto como ideal de entre 18 e 20 por cento.

Em 2017/18, o centro-sul deve colher 7,77 milhões de hectares de cana, segundo a Canaplan.

A consultoria não divulgou projeções quanto à moagem de cana e à produção de açúcar e etanol no que vem. (Reuters 18/10/2017)

 

Tereos deve encerrar safra de cana mais cedo neste ano, em novembro, diz diretor

A Tereos Açúcar & Energia Brasil, um dos maiores grupos sucroenergéticos do país, deve encerrar a safra de cana 2017/18 mais cedo neste ano, ainda em novembro, disse o diretor agrícola da companhia, Jaime Stupiello, nesta terça-feira.

"Vamos terminar em novembro, não vamos entrar em dezembro, como aconteceu no ano passado, quando deixamos um pouco de cana para o último mês (do ano)”, afirmou em rápida entrevista à Reuters, no intervalo da 2ª Reunião da Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

Conforme ele, a antecipação no término das atividades é resultado do clima seco desde setembro, que tem favorecido a colheita, sem interrupções. Quando há chuvas em excesso, as colhedoras dificilmente acessam as plantações encharcadas.

Ele ponderou, no entanto, que as sete unidades da empresas, da antiga Guarani, todas no noroeste de São Paulo, não serão “desligadas” de uma vez, com algumas encerrando os trabalhos antes de outras.

Stupiello reafirmou que a Tereos tem como previsão processar 20 milhões de toneladas de cana na atual safra 2017/18, acima das 19,6 milhões de toneladas do ano anterior.

Em agosto, o diretor da Região Brasil do Grupo Tereos Brasil, Jacyr Costa Filho, comentou que, no próximo ano, a companhia deverá elevar a capacidade total de moagem para 23 milhões de toneladas após investimentos na Usina Tanabi. (Reuters 18/10/2017)

 

Produção de cana-de-açúcar tem queda no interior de SP

Os produtores de cana-de-açúcar do interior do estado de São Paulo registraram baixa nas produções na safra 2017/2018. Um dos fatores que contribuiu para isso foi o longo período sem chuvas na região. “Passamos mais de cem dias com seca, de maio até o início de outubro”, afirma Thiago Fernandes, membro do departamento técnico da Usina da Pedra de Serrana (SP).

Quebra na safra

A equipe da Usina espera uma quebra de 5% em relação à primeira estimativa da safra, realizada em meados de janeiro. “Devemos encerrar a colheita por volta do dia 15 de outubro e provavelmente teremos uma queda bastante acentuada em comparação à safra do ano passado”, conta o especialista. (Reuters 18/10/2017)

 

Etanol de milho no Brasil é viável com saca do cereal entre R$16 e R$24, diz consultor

A produção de etanol de milho no Brasil só é viável quando os preços da saca do cereal estão entre 16 e 24 reais, intervalo considerado como o ponto de equilíbrio (“break-even”) para a fabricação do biocombustível, disse nesta terça-feira o consultor Ericson Marino, da Ericson Marino Consultoria.

 “Com base em vários estudos, várias fontes, sabemos hoje que o custo do milho para produção de etanol precisa estar entre 16 e 24 reais para viabilizar o processo”, disse durante palestra na 24ª Reunião da Canaplan, em Ribeirão Preto (SP).

“A garantia do fornecimento de milho depende da capacidade de armazenagem das usinas e a fixação de preços na BM&F”, acrescentou Marino.

Atualmente, Mato Grosso é o único Estado que fabrica etanol a partir do milho, já que é o maior produtor nacional do grão e, graças a isso, tem oferta suficiente para garantir preços mais atrativos às usinas produtoras.

O preço do milho em Mato Grosso está em 14,62 reais/saca, segundo indicador do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea). Já na região de Campinas (SP) a cotação do produto está em torno de 32 reais/saca, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No total, Mato Grosso conta quatro unidades que fabricam etanol de milho, sendo três “flex”, que também usam cana-de-açúcar para se fazer o biocombustível, e uma exclusivamente voltada ao álcool de milho, a FS Bioenergia, inaugurada oficialmente em agosto.

Naquela ocasião, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que a produção de etanol de milho serviria como um mecanismo para sustentar os preços do cereal. (Reuters 18/10/2017)

 

Novo plano de recuperação da Usina Guaricanga é aprovado

Assembleia ocorreu em segunda convocação nessa terça (17), em Pirajuí (SP), e depende de homologação da Justiça.

Em segunda convocação, a Assembleia Geral de Credores da Destilaria Guaricanga aprovou, nessa terça-feira (17) à tarde, em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), o novo plano de recuperação proposto pela usina. Em 2010, a usina ajuizou pedido de recuperação judicial devido à crise financeira.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Bauru e Região (Sindquimbru), Edson Dias Bicalho, informou, por meio de nota, que votou a favor do plano e ainda propôs intermediar contatos com fornecedores de cana para que a usina tenha matéria prima para moer em 2018.

Ele também afirmou que está em contato com um investidor do Canadá interessado em aplicar na produção de açúcar no Brasil. Bicalho representou cerca de 300 trabalhadores, que têm verbas rescisórias a receber da usina.

Durante a assembleia, os credores comuns e com garantia, concordaram com a venda da Fazenda São Sebastião, cujo produto será revertido para o pagamento dos créditos.

Entretanto, o plano ainda depende da homologação pelo Juízo da 2ª Vara de Pirajuí, onde corre o processo de recuperação judicial, e está sujeito a eventuais impugnações pelas partes, sobretudo por aqueles que discordaram do conteúdo.

O texto foi aprovado por 100% dos presentes da classe trabalhista, 100% da classe de credores com garantia real (único credor) e 84,86% dos credores da classe 3. Os credores trabalhistas estiveram presentes em 66,05% e, da classe 3, os credores comuns somaram 37,58%.

Segundo o plano, os credores trabalhistas receberão seus créditos após a homologação do plano, uma vez que existem valores depositados nos autos para a quitação.

Os credores comuns (quirografários) receberão seus créditos com 50% de deságio, e, aqueles titulares de créditos de até R$ 5 mil, serão pagos em seis parcelas mensais, iguais e consecutivas, a partir de janeiro de 2018.

Já os credores com valores entre R$ 5.001 e R$ 10 mil receberão seus créditos em seis parcelas iguais e consecutivas, a partir de julho de 2019.

Por sua vez, os credores com cifras acima de R$ 10.001, receberão seus créditos em 16 parcelas trimestrais iguais e consecutivas a partir de julho de 2019.

Além disso, o único credor com garantia real, deve receber seus valores a partir de julho de 2019, em dezesseis parcelas trimestrais e consecutivas, também com deságio de 50%.

O plano também trouxe a possibilidade de deságio de 30%, desde que os credores requeiram suas qualificações como credores essenciais, ou seja, aqueles que fornecerão cana-de-açúcar para auxiliar na retomada da produção pela usina. (Jornal da Cidade de Bauru 18/10/2017)