Setor sucroenergético

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Rubens Ometto Silveira Mello empurra a Comgás na direção da Gas Brasiliano

Rubens Ometto Silveira Mello enxerga a compra da participação da Shell na Comgás, sacramentada na última semana, como um rito de passagem para um projeto maior.

Após assumir, sozinho, o controle da distribuidora, até então compartilhado entre a Cosan e os anglo-holandeses, Ometto está empenhado em costurar a fusão da empresa com a Gas Brasiliano.

A operação passa pela Petrobras e pela Mitsui, donas, respectivamente, de 51% e 49% da Gaspetro.

Esta, por sua vez, é a controladora da Gas Brasiliano.

A condução do negócio requer dois requisitos que Ometto tem de sobra: musculatura financeira e boa circulação entre as veias e artérias do Poder, neste caso não apenas no governo federal, por conta da Petrobras, mas, sobretudo, na esfera estadual.

A associação entre as duas distribuidoras de gás teria de passar pelo crivo da Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Artesp).

Trata-se de um projeto acalentado por Rubens Ometto desde 2012, quando a Cosan, sua empresa, entrou no capital da Comgás.

No entanto, a Shell sempre foi um entrave a qualquer investida neste sentido. Como já havia sido em relação a sua sócia anterior na Comgás, a BG, que também chegou a estudar a associação com a Gas Brasiliano.

Para os três protagonistas da operação, a associação entre as duas concessionárias faz todo o sentido estratégico. Cosan, Petrobras e Mitsui passariam a dividir o controle do maior cinturão de distribuição de gás do país, uma empresa que teria sob o seu guarda-chuva mais de 40 milhões de consumidores, ou quase 90% da população de São Paulo.

A dobradinha Comgás e Gas Brasiliano seria responsável pela distribuição de quase 50% do gás natural comercializado no país.

Juntas, formariam ainda uma companhia com mais de R$ 6 bilhões em receita e um Ebitda da ordem de R$ 2 bilhões, a números de 2016.

No seu caso específico, a Petrobras liberaria ainda mais recursos de seu apertado orçamento para investir em atividades do seu core business. (Jornal Relatório Reservado 20/10/2017)

 

Mudanças tecnológicas transformam o perfil de trabalhadores no setor de etanol

As mudanças tecnológicas pelas quais tem passado o setor sucroenergético brasileiro nos últimos anos, tais como a substituição do plantio e da colheita manual pela mecanizada e a produção de etanol de segunda geração (2G) – obtido da palha e do bagaço da cana-de-açúcar –, têm modificado o perfil de trabalhadores atuantes nas usinas de etanol.

Apesar de as novas tecnologias agrícolas e industriais terem contribuído para a diminuição do número de trabalhadores no setor, por outro lado elas têm dado origem a um novo perfil de profissional, mais escolarizado, melhor remunerado e menos suscetível a acidentes ocupacionais.

As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) do Centro Nacional de Pesquisa em Engenharia e Materiais (CNPEM).

“Ocorreu uma diminuição do número de trabalhadores necessários para produzir etanol, mas, em contrapartida, houve uma melhora nas faixas salariais e aumentou a participação de trabalhadores com maior nível de escolaridade no setor”, disse Alexandre Souza, pesquisador do CTBE, à Agência Fapesp.

No estudo, os pesquisadores avaliaram os efeitos das mudanças tecnológicas agrícolas e industriais na criação de empregos, acidentes de trabalho e nos perfis salariais e educacionais em três cenários de produção de etanol.

O primeiro cenário é caracterizado pela produção de etanol de primeira geração (1G) com tecnologia mais defasada, plantio semimecanizado e colheita manual, que, apesar de ter sido abolida em quase 90% dos canaviais no Estado de São Paulo, ainda ocorre no Nordeste e em áreas onde a operação de colheita mecanizada é limitada em razão da inclinação do terreno.

Já o segundo cenário contempla a produção de etanol 1G com tecnologia otimizada, caracterizada pelo plantio e colheita da cana mecanizada e produção de eletricidade a partir da queima da biomassa. E o terceiro cenário abrange a produção de etanol 1G integrado ao 2G.

Os resultados das análises indicaram que a mecanização da colheita e a produção de etanol 2G causam uma queda do número de trabalhadores em razão da diminuição da necessidade de pessoas para realizar operações manuais, como de plantio e de colheita, e de cana para produzir etanol 2G, que possibilita maior rendimento por hectare. Além disso, também ocorre uma diminuição da ocorrência de acidentes ocupacionais no setor, relacionados principalmente à mecanização.

"Estimamos que a diminuição de acidentes ocupacionais no setor se deva ao fato de ter um menor número de trabalhadores envolvidos nas atividades, que estão melhor protegidos e não têm que enfrentar mais as condições do corte manual da cana", disse Souza.

Perfis salariais e educacionais

Outras mudanças promovidas pela transição tecnológica foram no perfil salarial dos trabalhadores, indicou o estudo. Enquanto na produção de etanol 1G a maioria dos trabalhadores recebia salário mensal de 1 a 1,5 salário mínimo, com a mecanização houve um aumento da proporção de trabalhadores com faixa salarial entre 2 e 3 salários mínimos.

"Com a mecanização aumentou a participação dessas faixas salariais porque há uma exigência de trabalhadores mais tecnificados, como operadores de máquina", explicou Souza. Esse aumento da tecnificação também se refletiu no novo perfil educacional dos trabalhadores do setor.

O nível de escolaridade da maioria dos trabalhadores no cenário de produção de etanol 1G era o ensino básico incompleto. Já no cenário de produção de etanol 1G otimizado ou integrado ao de segunda geração há um aumento da proporção de trabalhadores com ensino médio completo.

"Esse efeito de aumento da escolaridade pode ser ainda mais positivo se o setor estiver promovendo investimentos em treinamentos para que trabalhadores que faziam a coleta manual da cana se tornem operadores de máquinas, por exemplo, em vez de simplesmente substituí-los", avaliou Souza.

Pesquisa

Souza e colegas avaliaram os impactos sociais das mudanças tecnológicas no setor sucroalcooleiro por meio de uma ferramenta de simulação computacional desenvolvida pelo CTBE, denominada Biorrefinaria Virtual de Cana-de-Açúcar (BVC), que possibilita prever a integração de novas tecnologias à cadeia produtiva de cana-de-açúcar e de outras biomassas nas fases agrícola, industrial e comercial.

A ferramenta tem um programa, chamado CanaSoft, que simula atividades agrícolas por meio da incorporação de parâmetros como tipos de colheita e plantio, etapas de transporte, operações agrícolas, maquinários, implementos, agroquímicos, fertilizantes e a quantidade de horas de trabalho necessárias para a produção de etanol.

As análises foram realizadas com base nessa ferramenta e em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), fornecidos por usinas ao Ministério do Trabalho, além de dados estatísticos da Previdência Social.

Os resultados do estudo foram publicados no International Journal of Life Cycle Assessmente apresentados na Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST) 2017, em Campos do Jordão.

Promovido pelo Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), o evento reúne até hoje (19/10) pesquisadores do Brasil e do exterior com o objetivo de discutir os avanços na pesquisa em bioenergia. (Agência FAPESP 19/10/2017)

 

Lucro da Yara cai no trimestre com margens menores

A fabricante de fertilizantes norueguesa Yara reportou um lucro líquido menor que o esperado nesta quinta-feira, uma vez que margens baixas pesaram sobre os resultados da companhia e reduziram sua previsão de ganhos advindos de projetos de expansão em andamento.

"Embora os preços tenham se recuperado no fim do trimestre, ainda vimos um mercado fundamentalmente orientado para a oferta e, portanto, permanecemos focados em fortalecer nossas próprias operações", disse o CEO da empresa, Svein Tore Holsether, em nota.

O lucro líquido da Yara caiu para 709 milhões de coroas norueguesas (89,14 milhões de dólares) no terceiro trimestre, de 821 milhões de coroas um ano atrás e abaixo das 853 milhões de coroas previstas por analistas em uma pesquisa da Reuters.

A Yara é líder no setor de fertilizantes do Brasil.

Do lado positivo, espera-se que os agricultores melhorem seus ganhos à medida que os preços de importantes commodities, como cereais, carnes e lácteos, avançam, disse a Yara.

O programa de redução de custos da empresa também está adiantado para entregar melhorias de pelo menos 500 milhões de dólares em ganhos operacionais até 2020, dos quais 210 milhões de dólares já foram realizados até o momento, disse a companhia.

Entretanto, o programa de expansão da Yara, que está elevando a capacidade de várias plantas, deve agora gerar uma melhora no lucro de 600 milhões de dólares até 2020, contra 650 milhões de dólares avaliados em julho. (Reuters 19/10/2017)