Setor sucroenergético

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Bunge prepara o bote sobre a Embrapa

A gigantesca Bunge está usando todos seus tentáculos para convencer o governo a vender uma participação minoritária na Embrapa.

A multinacional queria, é claro, ser controladora. Mas o “não” é tido como definitivo.

Uma fonte do RR próxima à Secretaria Especial do PPI informa que a preferência é pela abertura do capital da Embrapa, com a manutenção do controle em mãos da União.

Mas esse filme parece velho e rançoso. (Jornal Relatório Reservado 24/10/2017)

 

Ferrogrão

O governo vai divulgar até o fim desta semana a minuta do modelo de licitação da Ferrogrão, projeto de quase R$ 13 bilhões.

A tendência é que o Ministério dos Transportes confirme o prazo de concessão por 65 anos, atendendo à exigência das tradings agrícolas interessadas no projeto - de ADM à Louis Dreyfus. (Jornal Relatório Reservado 24/10/2017)

 

Produção de açúcar em 2018/19 pode cair ante tendência alcooleira

A próxima safra de cana no Centro-Sul (2018/19) deverá contar com uma oferta semelhante de matéria-prima e será marcada por um mix de produção mais alcooleiro, o que deve diminuir a produção de açúcar, avaliou o diretor-técnico da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar, Antonio de Pádua Rodrigues, ao Valor, no intervalo do evento Plataforma Biofuturo.

Ele calculou que haverá uma migração de ao menos 2 milhões de toneladas de açúcar para uma produção adicional de etanol equivalente de 1,3 bilhão de litros.

Para Pádua, ainda é cedo realizar uma projeção para o volume de cana a ser colhido na próxima safra, mas ressaltou que o canavial continua envelhecendo, apesar dos investimentos em renovação.

“Houve maior plantio de cana [que amadurece em] um ano e meio e de cana [plantada no] inverno. Vamos ter uma área maior de cana que passará pelo primeiro corte. Mas não compensa aumento da idade do canavial”, disse. A variação do volume a ser colhido, porém, também dependerá do clima.

A princípio, mantidas as condições climáticas estáveis, ele estimou que a oferta de cana deverá ser semelhante à atual no Centro-Sul pelo menos até 2020.

Quanto à safra atual (2017/18), ele não descarta que as importações continuarão a ocorrer, mas em uma proporção muito menor do que na safra passada. Ele estimou que as exportações de abril deste ano a março do ano que vem ficarão em 1,400 bilhão de litros, enquanto as importações deverão ficar entre 1,10 bilhão e 1,150 bilhão de litros.

Desde a semana passada foi aberta uma janela para a importação de etanol mesmo fora da cota, segundo Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro. Essa abertura se deu por causa da forte queda dos preços do etanol nos Estados Unidos, onde o avanço da colheita de milho elevou a oferta de matéria-prima. Além disso, o preço do etanol no mercado interno no Brasil também subiu nas últimas semanas.

Segundo Nastari, ainda não há navios previstos para atracarem no Brasil com etanol em novembro, mas os navios previstos para chegar no país até o fim deste mês devem resultar em uma importação de 120 milhões de litros em outubro. (Valor Econômico 24/10/2017)

 

Biosev eleva produtividade agrícola e adota novo modelo de plantio

Melhoria da produtividade dos cortes mais avançados permite redução do custo de reforma.

A Biosev, segunda maior processadora de cana, investe de forma consistente em tecnologia agrícola e faz uso das boas práticas agrícolas visando ao aumento da produtividade e longevidade de seu canavial. Com um novo modelo de produção, a companhia combinou práticas agronômicas avançadas à redução de custos com reforma dos canaviais otimizando equipes e equipamentos da colheita no plantio.

Nas últimas safras, a companhia investiu no aumento das áreas plantadas para diminuir a idade média de seus canaviais. A empresa vinha operando com taxas de reforma entre 16% e 17%. O aumento da produtividade agrícola obtido com o rejuvenescimento do canavial, permitiu que a empresa adotasse um novo modelo de produção. No primeiro trimestre dessa safra, o TCH acumulado da Biosev foi de 89,7e o ATR vem sendo mantido dentro da previsão do guidance (129 a 131 kg/ton).

A tecnologia agrícola empregada no manejo do canavial tem evoluído de forma consistente, abrindo espaço para novas iniciativas. Aliando práticas agronômicas que visam a melhor qualidade dos canaviais - como técnicas avançadas de adubação, agricultura de precisão, substituição de fertilizantes minerais por subprodutos da indústria, controle de doenças, pragas e mato - a redução de pisoteio com o uso de tecnologias de georreferenciamento, a Biosev conseguiu elevar também a longevidade e produtividade dos canaviais em ciclos mais avançados, entre o quarto e o sexto corte, que têm registrado números maiores do que a média histórica.

Esta melhoria permitiu reduzir a taxa de reforma a cerca de 13%. “Quando melhoro a produtividade dos cortes avançados, posso reduzir minha taxa de reforma. Não preciso de um canavial tão novo porque estou tratando melhor a lavoura em todos os ciclos”, explica Carlos Daniel Berro Filho, Diretor Agrícola da Biosev. Com esta redução, o plantio também fica um pouco menor e a empresa pode redirecionar operadores e equipamentos de colheita para o plantio ao final da safra.

“Com o novo modelo de plantio temos uma importante redução de custos devido a integração das práticas agronômicas e à otimização de equipamentos e equipe de colheita”, conclui Carlos Daniel. O reflexo destes investimentos será medido no aumento da longevidade do canavial, do TCH e ATR Cana que, consequentemente, reflete no ATR Produto na usina.

Sobre a Biosev

A Biosev é a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com 11 unidades em operação, estrategicamente organizadas em cinco polos agroindustriais: Ribeirão Preto, Mato Grosso do Sul, Nordeste, Leme e Lagoa da Prata. A companhia, que é controlada pela Louis Dreyfus Group, iniciou sua atuação no setor de açúcar e etanol em 2000 com a aquisição de sua primeira unidade no Brasil. Atualmente tem capacidade de processamento de 36,4 milhões de toneladas/ano de cana-de-açúcar e 1.346 GWh/ano de energia elétrica renovável excedente, gerada a partir da utilização do bagaço de cana-de-açúcar e outras biomassas. Para armazenagem e movimentação de açúcar, a empresa possui uma joint venture no TEAG - Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá Ltda. Em 2013, a empresa ingressou no Novo Mercado da B3, segmento que adota os mais altos padrões de governança corporativa. www.biosev.com. (Assessoria de Comunicação, 24/10/2017)

 

Ritmo de moagem volta ao "normal"

Se na safra passada as usinas do Centro-Sul encerraram a moagem de cana mais cedo do que o costume, nesta temporada 2017/18 a tendência é que as atividades terminem mais perto da época considerada normal, entre o fim de novembro e o início de dezembro.

Até o fim da primeira quinzena de outubro, 18 usinas da região já haviam desligado as máquinas, ante 32 no mesmo período do ciclo passado. Parte da queda do número é explicada pelo atraso do início da moagem nesta safra, por causa das fortes chuvas em importantes polos.

De um universo de 200 usinas pesquisadas pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), 120 tendem a terminar o processamento da matéria-prima alguns dias mais tarde do que aconteceu na safra passada, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da entidade. As demais 80 deverão parar antes. Padua estima que haverá uma concentração de encerramento dos trabalhos na segunda quinzena de novembro, mas ressalva que algumas plantas continuarão em atividade.

Independentemente desses movimentos, a Unica estima que sua projeção inicial de moagem (585 milhões de toneladas), será alcançado até o fim do ciclo, em março.

Mas o cenário traçado pela Unica não é uma unanimidade. Alguns analistas acreditam que boa parte das usinas do Centro-Sul moerá cana em dezembro. Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro, calcula que 50,8% das usinas concluirão o processamento após novembro. Em 2016/17, 64% das usinas pararam as atividades até novembro.

Juliano Merlotto, sócio da FG/A, avalia que o rendimento industrial maior também colabora para prolongar a moagem. "As usinas podem ter diminuído o ritmo de moagem porque as fábricas de açúcar e etanol não estão dando conta do ATR [açúcar total recuperável]".

Ainda assim, a aproximação da entressafra já oferece sustentação aos preços do etanol, segundo analistas. Desde o início do mês, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado em Paulínia (importante polo paulista de distribuição) subiu 5,23% e alcançou R$ 1.621 o metro cúbico no dia 20. Nas usinas de São Paulo, o indicador Cepea/Esalq acumula alta de 7% em cinco semanas, atingindo R$ 1,5368 o litro último no dia 20.

Essa elevação também é impulsionada por outros fatores, incluindo a forte recuperação da demanda por etanol, que está mais competitivo que a gasolina em importantes Estados consumidores, e a própria alta da gasolina na bomba.

Como as usinas têm maximizado o uso de suas capacidades de produção de etanol nas últimas quinzenas, a expectativa é que a oferta não fique inferior à da safra passada. "Com as importações que ocorreram e com essa safra mais alcoólica, teremos uma entressafra normal tanto para o hidratado quanto para o anidro", diz Pádua.

Na safra passada, o preço médio do etanol na bomba em São Paulo ficou em 70% do valor da gasolina, justamente a paridade que lhe garante competitividade. Para que a média desta safra alcance a da passada, esse percentual tem que subir dos atuais 67% para 72%, conforme Willian Hernandes, sócio da FG/A. (Valor Econômico 25/10/2017)

 

Nufarm compra ativos da Syngenta e da Adama por US$ 490 mi

A indústria de agroquímicos Nufarm anunciou a compra do porftólio de defensivos da Syngenta e da Adama por US$490 milhões, como forma de aumentar sua presença no mercado europeu.

O portfólio, que deverá gerar uma receita anual de US$195,28 milhões para a empresa, é composto por mais de 50 produtos, entre herbicidas, fungicidas e inseticidas.

Embora nenhuma operação física, além dos produtos, tenha sido transferida nessa transação, a Nufarm também deve comprar o inventário de produtos existentes por cerca de US$50 milhões após a conclusão do negócio, o que deve ocorrer no primeiro trimestre de 2018.

No dia anterior, antes do anúncio, a Nufarm havia anunciado uma interrupção na negociação de suas ações. (Reuters 24/10/2017)

 

Rumo Logística pode adaptar Malha Paulista para atender à demanda da ferrovia Norte-Sul

Alterações foram incluídas pela empresa em seu projeto de antecipar a concessão da Malha Paulista por 30 anos com uma expectativa de investimento de cerca de R$ 5 bilhões.

A Rumo Logística projeta fazer obras na Malha Paulista que, segundo a empresa, ajudariam a dar conta de toda a demanda de volume de carga estimada pelo governo para a ferrovia Norte-Sul. O cenário envolve a utilização da Malha Paulista, que vai do noroeste paulista ao Porto de Santos, para ligar a ponta da Norte-Sul no Sudeste ao terminal portuário.

As alterações foram incluídas pela Rumo em seu projeto de antecipar a concessão da Malha Paulista, que vence em 2028. A proposta é antecipar a concessão por 30 anos com a finalidade de investir cerca de R$ 5 bilhões, a companhia quer ainda garantir que haja tempo para amortizar os recursos aplicados. Uma das obras incluídas no projeto é a duplicação de aproximadamente 110 quilômetros da Malha Paulista a partir de Campinas no sentido de Araraquara, como forma de usar parte desse trecho para transportar cargas vindas da Norte-Sul.

A ferrovia Norte-sul liga o Norte ao Sudeste, mas não chega ao Porto de Santos.

"A demanda (da Norte-Sul) começa com um par de trens por dia (que vão e voltam pela ferrovia), depois passa para três até chegar a cinco pares por dia até 2030", disse ao Estadão/Broadcast Guilherme Penin, diretor Regulatório Institucional da Rumo, empresa do Grupo Cosan. "Com esse novo conjunto de obras incluído, em tese vai dar para transportar todo o volume estimado pelo governo para a Norte-Sul." A licitação da Norte-Sul está prevista para ocorrer no ano que vem.

Nesta segunda-feira, 23, a Rumo apresentou em São Paulo um balanço das atividades desde a fusão com a ALL, em 2015, e as razões pelas quais vem buscando antecipar a concessão da Malha Paulista, que vence em 2028. A ferrovia liga o Porto de Santos ao interior de São Paulo e também a Mato Grosso do Sul e Mato Grosso pela conexão com a Malha Norte, também administrada pela Rumo.

A empresa diz haver uma necessidade de renovar a estrutura da ferrovia, datada do século XIX, para atender à crescente demanda do agronegócio.

Se aprovada a renovação da concessão da Malha Paulista para a Rumo, os cerca de R$ 5 bilhões em investimentos estimados pela companhia deverão ser empregados na renovação de 1.120 quilômetros de ferrovias, ampliação de 28 pátios, construção de outros seis, reativação de dois ramais, em Barretos e Panorama, no interior de São Paulo, entre outras obras.

Com elas, a Rumo espera saltar da atual capacidade de movimentação, de 30 milhões de toneladas por ano, para 75 milhões de toneladas em 2023. "Nós acreditamos que essa será a demanda até 2023", reforçou Penin.

Do volume transportado hoje, 60% são grãos (soja e milho). Outras cargas movimentadas pela ferrovia são farelo, açúcar, combustíveis fósseis, etanol e fertilizantes. Há planos também de aumentar o volume de adubos transportado, hoje pouco significativo, para até 5 milhões de toneladas no longo prazo, disse o executivo.

BNDES. Durante o evento na capital paulista, o presidente da Rumo Logística, Julio Fontana, disse esperar receber em breve do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 3,5 bilhões em empréstimos para financiar parte dos investimentos. Conforme sua assessoria, como o desembolso foi aprovado (enquadramento do pedido de financiamento pelo BNDES no ano passado), a expectativa é de que a liberação dos recursos ocorra no curto prazo.

Sobre o interesse da Rumo em participar das concessões para operar as ferrovias Norte-Sul e da Ferrogrão, a empresa informou, também por meio de sua assessoria, analisar a possibilidade, mas que ainda há dúvidas em relação aos números de demanda apresentados pelo governo. (O Estado de São Paulo 24/10/2017)

 

Competitividade do etanol melhora e as vendas aumentam

O setor sucroenergético vive uma outra realidade neste semestre. O preço do etanol ficou mais competitivo do que o da gasolina, as vendas do derivado de cana aumentaram e as usinas estão destinando mais cana-de-açúcar para a produção de álcool.

Os dados de acompanhamento do setor, divulgados pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) nesta terça-feira (24), indicam que as vendas mensais de etanol feitas pelas usinas do centro-sul somaram 2,4 bilhões de litros em agosto e setembro.

Esse montante é bem superior aos 2,1 bilhões de litros de junho e julho. Em outubro, as vendas continuam crescendo.

Para atender a demanda crescente de etanol, as usinas mexeram no mix de produção. Na primeira quinzena deste mês destinaram apenas 43,6% da cana para a produção de açúcar, abaixo dos 49,6% de há um ano.

A maior parte da cana colhida foi para a produção do etanol, que utilizou 56,2% da matéria-prima processada pelas usinas da região centro-sul.

Apesar dessa recuperação das vendas de álcool nos últimos meses, o volume deste ano ainda é inferior ao do ano passado, segundo a Unica.

As vendas acumuladas de abril à primeira quinzena de outubro deste ano somaram 13,9 bilhões de litros. Em igual período do ano passado, o volume havia sido de 15,2 bilhões.

A melhora no ritmo de produção e de venda de etanol faz com que as usinas desacelerem a produção de açúcar.

Na primeira quinzena deste mês, a oferta de açúcar superou em 4% a de igual período do ano passado. Na primeira de setembro, porém, a alta havia sido de 6%.

A moagem total de cana da safra 2017/18 soma 500 milhões de toneladas, próximo dos 508 milhões do ano passado.

A informação da Única, apontando a preferência das usinas pela produção de etanol, fez o açúcar subir de preços em Nova York. O primeiro contrato foi negociado a 14,28 centavos de dólar na Bolsa de commodities da cidade nesta terça-feira (24), 2,9% mais do que no dia anterior. (Folha de São Paulo 25/10/2017)

 

Usinas devem ter em outubro alta nas vendas mensais de etanol pela 1ª vez na safra

 Outubro tende a ser o primeiro mês da safra 2017/18 a registrar vendas maiores de etanol por usinas e destilarias do centro-sul do Brasil frente a temporada passada, mas a manutenção dessa força no consumo é incerta a partir de novembro, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

Dados divulgados nesta terça-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) mostram que as vendas de álcool (anidro e hidratado) na primeira metade do mês no mercado interno somaram 1 bilhão de litros, já acima dos 972,3 milhões de litros de igual período de 2016.

Agora, a expectativa é de que a comercialização se mantenha aquecida também na atual quinzena e leve outubro a terminar com vendas totais maiores que o total de 2,06 bilhões de litros observados há um ano.

Na atual temporada, iniciada em abril, as comercializações mensais foram sempre menores, segundo a Unica.

"O consumo na segunda quinzena (de outubro) deve se manter elevado. A paridade deu uma melhorada boa e é isso que está puxando o aumento de vendas", afirmou o analista de açúcar e etanol da INTL FCStone, João Paulo Botelho.

Ele lembrou que em São Paulo, Estado com a maior frota de veículos do país, a paridade de preços entre gasolina e hidratado está perto de 67 por cento, abaixo dos 70 por cento a partir dos quais abastecer com álcool geralmente se torna mais interessante economicamente para o motorista.

Tanto que é justamente o hidratado que tem puxado as vendas totais de etanol. Na primeira quinzena de outubro, foram comercializados 655,39 milhões de litros no mercado interno, alta de quase 10 por cento, de acordo com a Unica.

"Essa é a primeira quinzena na safra 2017/18 com vendas de hidratado significativamente maiores àquelas registradas no ciclo 2016/2017", disse a entidade, em relatório.

INCERTEZAS

O etanol voltou a ganhar força nesta safra após o governo elevar as alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a gasolina em julho, o que deu maior competitividade ao etanol e levou as usinas e destilarias a impulsionarem sua produção, atenuando parcialmente as fracas cotações internacionais do açúcar.

A produção de etanol pelas usinas e destilarias do centro-sul do Brasil cresceu mais de 10 por cento na primeira quinzena de outubro.

A manutenção dessa competitividade, contudo, é incerta a partir de novembro e ao longo da entressafra de cana, que se estende até abril.

Segundo o diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues, há a perspectiva de a alta de preços nas usinas e destilarias ser repassada integralmente pelas distribuidoras aos consumidores finais, algo que ainda não ocorreu nas últimas semanas.

Conforme o monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), nos últimos 30 dias os preços do álcool nas unidades produtoras de São Paulo aumentaram em mais de 6 por cento, para 1,53 por litro, sem impostos.

"E tudo o que estamos produzindo a mais é exatamente o que o mercado está consumindo a mais, não está indo para estoques", afirmou Rodrigues.

Na mesma linha, Botelho, da INTL FCStone, concorda que há a possibilidade de algum repasse ao consumidor. Ele ainda destacou que, agora, há menor estímulo à importação por causa da taxação anunciada pelo governo em agosto.

Naquele mês, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu que as importações de etanol sem tarifa serão limitadas a 150 milhões de litros por trimestre.

"No ano passado, os preços caíram ainda em janeiro, no meio da entressafra, por causa da importação", afirmou Botelho, referindo-se a um período marcado por recordes nas compras externas de etanol.

 

RenovaBio ainda passa por análise técnica, sofre pressão e pode não sair em 2017

Parado no Ministério da Casa Civil desde o início de agosto, o programa de biocombustíveis RenovaBio ainda passa por análises técnicas, enfrenta pressões diversas e não tem prazo para sair, podendo nem ser lançado neste ano, disseram à Reuters o próprio governo e fontes com conhecimento do assunto. Ministério da Fazenda, Petrobras e distribuidoras defendem aprimoramentos no projeto, enquanto as fontes afirmam que a equipe econômica, a petroleira e integrantes do setor distribuidor de combustíveis têm reservas em relação ao projeto.

Uma fonte que participou de uma reunião recente para discutir o programa entre representantes do setor de biocombustíveis e importantes autoridades do governo, incluindo o presidente Michel Temer, disse que o RenovaBio ainda carece de alguns estudos de impacto e que é improvável que algo seja enviado ao Congresso neste ano.

Lançado em dezembro do ano passado, o RenovaBio é um programa do governo federal para expansão dos biocombustíveis no Brasil, incluindo metas de uso desses produtos e negociações de créditos de descarbonização (CBios), semelhante ao modelo utilizado nos Estados Unidos. O programa foi à consulta pública no primeiro trimestre de 2017, teve suas diretrizes aprovadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em junho e depois foi enviado à Casa Civil para formatação como medida provisória (MP) ou projeto de lei (PL).

O próprio Ministério da Agricultura apostava que ainda em agosto haveria uma definição sobre o programa, cuja proposta é estimular a demanda por combustíveis renováveis e estabilizar a indústria, potencialmente impulsionando fusões e aquisições que consolidariam um setor que enfrenta endividamento elevado, com muitas empresas em recuperação judicial. Mas as pressões sobre o RenovaBio só aumentaram desde então, afirmaram à Reuters as fontes que acompanham o tema, acrescentando que as discussões sobre o programa ainda estão “em aberto”. Segundo as fontes, ouvidas sob condição de anonimato, já que o assunto é sensível, o Ministério da Fazenda é um dos que têm receios quanto ao programa.

“Eles (Fazenda) queriam promover algum mecanismo de arrecadação com esse RenovaBio e também avaliam os possíveis impactos inflacionários”, disse uma das fontes, lembrando que a pasta estaria inclusive estudando eventuais taxas sobre a gasolina, de modo a “agradar” o setor de etanol e garantir mais recursos para os cofres do governo, “desmobilizando o RenovaBio”. Uma fonte da equipe econômica, contudo, negou que haja qualquer busca de ganhos de arrecadação, mas que há debates sobre o impacto inflacionário.

O temor quanto à inflação se deve à eventual negociação de CBios, que terão de ser comprados por distribuidoras e empresas que comercializarem menos biocombustíveis do que as metas que serão definidas para elas.

Quando um distribuidor comprar etanol, por exemplo, receberá certificados para redução de emissões. Caso não tenha todos os CBios necessários ao final do período, terá de recorrer a um mercado secundário. As metas de uso de CBios ainda não são conhecidas.

No Ministério de Minas e Energia, a avaliação é de que os CBios teriam um valor inicial de 50,50 reais por tonelada de gás carbônico equivalente, possivelmente na bolsa B3, o que poderia elevar os preços da gasolina nas bombas dos postos de combustíveis em 0,07 real por litro, um impacto relativamente pequeno perto dos benefícios ambientais.

São esses possíveis custos com compras de CBios que deixam as distribuidoras receosas quanto ao RenovaBio, enquanto a Petrobras teme perda de mercado da gasolina e do diesel. A oposição da petroleira, por sinal, vem desde a fase de consulta pública do RenovaBio.

Outro lado

Sem expressar uma posição contra o RenovaBio, o Ministério da Fazenda admitiu que potenciais impactos com a inflação têm de ser avaliados, enquanto a Petrobras citou que o programa precisa ser aprimorado, sem indicar um caminho.

Por meio de nota, o Ministério da Fazenda disse que, “junto com outras áreas, vem participando de discussões” sobre o projeto e que “todos os impactos de um programa como o RenovaBio devem ser avaliados tecnicamente, inclusive os potenciais impactos sobre os preços dos combustíveis e a inflação”.

Já a Petrobras, também em nota, disse que “de forma alguma se posiciona contra o uso de combustíveis renováveis”, mas ponderou que as “propostas atualmente em discussão no âmbito do RenovaBio podem ser aprimoradas para que gerem os melhores incentivos para o equilíbrio do mercado de combustíveis no país”.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) afirmou que “apoia o RenovaBio e tem participado de forma colaborativa de todas as discussões envolvendo o programa”, ao ser também questionado sobre as pressões citadas. “O Sindicom tem a expectativa de que o processo de regulamentação do programa garanta uma visão equilibrada que considere os efeitos positivos de usar um combustível renovável”, disse em nota. “A discussão consistente é fundamental para que sejam conhecidos de forma transparente todos os benefícios do programa para sociedade, setor, governo e, principalmente, consumidor”.

Apoio

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), principal associação sucroenergética do país e uma das maiores apoiadoras no RenovaBio, afirmou que “o que falta ao RenovaBio ser lançado é a decisão política que, esperamos, deva estar já muito próxima de acontecer”.

“O programa foi plenamente discutido com a sociedade durante mais de um ano. O projeto atual é resultado da construção de um consenso entre agentes da cadeia de produção e consumo de biocombustíveis. Podemos afirmar que ele está totalmente estruturado e pronto para sair”, destacou a entidade.

O horizonte do RenovaBio é 2030. A intenção é permitir ao Brasil cumprir suas metas, acertadas na COP 21, de Paris, quanto à redução de 43 por cento das emissões de gases do efeito estufa até aquele ano, tendo por base 2005. (Reuters 24/10/2017)

 

Cana e laranja mantêm São Paulo como maior Estado agrícola do país

Impulsionado por cana-de-açúcar e laranja, São Paulo caminha para manter, em 2017, sua tradicional liderança nacional em valor da produção agropecuária. Estimativas preliminares do Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura do Estado sinalizam que o montante total gerado pelo campo paulista ("da porteira para dentro") deverá alcançar R$ 77 bilhões este ano, 2,1% mais que em 2016. Deflacionado pelo IPCA de julho, contudo, o total previsto é 0,6% menor.

Com aumentos da colheita e dos preços, a cana mais uma vez é o carro-chefe da agropecuária estadual. Segundo o IEA, o volume colhido chegará a 447,5 milhões de toneladas em 2017, 2% superior ao do ano passado, e o preço médio pago ao produtor aumentará 12,7%, para R$ 72,15 a tonelada. Assim, o valor da produção da cultura deverá atingir 32,3 bilhões, aumento nominal de 15% sobre 2016. Se confirmado o cenário, a cana representará 41,9% do VPA em São Paulo em 2017, ante os 37,2% no último ano.

Apesar de a cana prevalecer na área rural de São Paulo, a laranja é o destaque positivo mais expressivo deste ano no Estado. O IEA prevê aumento de 22,1% da colheita total da fruta, para quase 320 milhões de caixas de 40,8 quilos -259,4 milhões das quais destinadas às indústrias de suco -, e variações positivas dos preços de 8,9% no caso da fruta para processamento e de 32,2% no da laranja para mesa. O valor da produção total tende a alcançar, portanto, R$ 7 bilhões, 39,2% acima de 2016.

Dos três produtos agropecuários que lideram o VPA em São Paulo, o ponto negativo é a carne bovina. Para ela, o IEA projeta produção de 62,8 milhões de arrobas, queda de 1,3%, e preço médio 8,7% inferior ao do ano passado (a R$ 139,82 por arroba). Resultado: valor da produção da carne deverá diminuir 9,9%, para R$ 8,8 bilhões, de acordo com as estimativas preliminares do IEA.

"Vilão" em 2016, em razão das adversidades provocadas pelo El Niño, o clima ajuda a explicar os avanços projetados para cana e laranja este ano. A valorização do etanol nos últimos meses também favorece o VPA da cana, enquanto problemas na citricultura da Flórida e seus efeitos "altistas" sobre as cotações internacionais do suco colaboraram para o aumento do valor da laranja. Já o boi amarga reflexos negativos provenientes da Operação Carne Fraca e da delação dos irmãos Batista, donos da holding que controla a JBS.

O VPA total estimado pelo IEA (R$ 77 bilhões) em 2017 é superior ao projetado pelo Ministério da Agricultura para o Estado (R$ 73,2 bilhões). No ranking do ministério, São Paulo vai continuar em primeiro lugar entre os Estados com maior valor da produção agropecuária, à frente de Mato Grosso (R$ 68,9 bilhões), Paraná (R$ 63,8 bilhões) e Minas (R$ 54 bilhões).

Na análise que faz por grupos, o IEA destaca, finalmente, que foram os produtos para indústria que vão garantir o aumento projetado para o VPA paulista em 2017. Nessa frente, o incremento previsto é de 13,9%, para 40,7 bilhões. Nos demais grupos, apenas quedas. Os produtos animais tendem a gerar um montante 4,8% menor (R$ 18,3 bilhões), grãos e fibras deverão registrar uma retração de 11,3%, para R$ 7,4 bilhões, para frutas frescas a queda estimada é de 4,7%, para R$ 7,2 bilhões, e no caso das olerícolas o cenário é de variação negativa de 26,4%, para 4,9 bilhões. (Valor Econômico 25/10/2017)

 

Crise leva usinas de cooperativa de Alagoas a pedir recuperação judicial

Sete usinas de Alagoas pedem recuperação para evitar falência.

Sete usinas integrantes da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e do Álcool de Alagoas (CRPAAA) e mais duas empresas que atuam na exportação e manutenção da produção dos cooperados ingressaram nesta terça-feira (24) com pedido de Recuperação Judicial (RJ), junto à Justiça, solicitando prazo de carência para renegociar e pagar suas dívidas. A RJ substituiu, na legislação brasileira, a antiga concordata.

A Cooperativa reúne algumas das usinas mais importantes de Alagoas, mas as associadas que fazem parte do pedido de Recuperação Judicial são as usinas Seresta (da família do ex-governador Teotônio Vilela Filho), Sinimbu, Sumaúma, Penedo, Porto Rico, Porto Alegre e Capricho, além da Mecânica Pesada Continental S/A e a Coopertrading, respectivas responsáveis pela manutenção das usinas e pelas vendas da produção.

O valor do endividamento ainda não foi revelado, mas as estimativas são "preocupantes", segundo alta fonte do setor. No final de 2016, por exemplo, pequenos produtores protestaram contra o calote de usineiros no pagamento de cerca de R$ 250 milhões pela cana fornecida há mais de três anos. Dos 7,4 mil produtores de cana alagoanos, 90% são pequenos fornecedores. Com as dificuldades financeiras, aliadas à sequência de estiagens, várias famílias estão vendendo suas terras para pagar empréstimos, enquanto as usinas recebem o que produzem antecipadamente e não pagam aos fornecedores.

A direção da Cooperativa reluta há meses na decisão de ingressar com o pedido de recuperação judicial, um recurso que evita a falência desde que se consiga demonstrar a viabilidade da empresa. O Diário do Poder recebeu a notícia sobre a iminente pedido de RJ, na semana passada, mas representantes do setor como o ex-governador Teotonio Vilela responderam que a informação não procedia.

Agora, o juiz de Falências decidirá sobre o pedido após examinar o plano de recuperação indicado pela Cooperativa, do qual devem constar inclusive uma proposta de prazo de carência para iniciar o processo de renegociação de dívidas a partir de uma assembleia de credores. Os credores, inclusive, serão divididos em categorias, no processo de renegociação, quando serão definidas as novas datas de pagamento das dívidas vencidas.

História

A história da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA) tem início em 6 de outubro de 1933, quando foi constituída a Comissão de Vendas dos Usineiros de Alagoas.

Na primeira safra em que a Comissão de Vendas esteve à frente das negociações, de 19 de outubro 1933 a 30 de abril de 1934, foram produzidos em Alagoas 530.599 sacos de açúcar do tipo cristal e demerara.

Com o Decreto-lei 5.893, de 19 de outubro de 1943, do Governo Federal, regulamentando o funcionamento das cooperativas no país, a Comissão de Vendas foi substituída, em 17 de dezembro de 1943, pela a Cooperativa dos Usineiros de Alagoas.

Com criação da Cooperativa, que iniciou suas atividades em 10 de março de 1944 –, os produtores passam para um novo patamar, dispondo de uma estrutura mais organizada, com um Conselho de Administração e um Conselho Fiscal para organizar a produção de seus associados da maneira mais transparente possível.

Durante a gestão de João Evangelista da Costa Tenório (eleito diretor presidente em 22 de setembro de 1978) é realizada mais uma mudança de denominação. Em 6 de outubro de 1986, o nome completo passa a ser Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA). E assim permanece até hoje.

Após ser reeleito ao longo de 21 anos para a presidência da CRPAAA, João Tenório é substituído, em 2009, por José Ribeiro Toledo Filho, atual diretor presidente. (Diário do Poder de Alagoas 25/10/2017)