Setor sucroenergético

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Açúcar: Ampla oferta mundial

Após terem iniciado a semana com forte alta, quando foram impulsionados pelos dados de moagem no Brasil, os contratos futuros do açúcar cederam aos fundamentos de uma ampla oferta mundial em 2017/18.

Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem a 14,22 centavos de dólar a libra-peso, queda de 6 pontos.

Na semana, os contratos ainda acumulam alta de 0,8%, limitada pela ampla oferta na Índia, União Europeia e Tailândia.

"Dado que a produção de açúcar em outras regiões está aumentando, não há risco de escassez no mercado mundial, limitando o potencial de elevação do preço do açúcar", afirma análise do Commerzbank.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 56,51 a saca de 50 quilos, alta de 0,8%. (Valor Econômico 27/10/2017)

 

Com investimento de R$ 1 bilhão, projeto de novas usinas de etanol em MT será retomado

Companhia alterou planos originais e novas usinas devem processar cana-de-açúcar e milho.

Interrompido por conta da crise econômica, o projeto de implantação de três usinas de etanol em Mato Grosso será retomado ainda esse ano. O Cluster de Bioenergia S/A, responsável pelas obras, havia destinado R$ 50 milhões na fase inicial, retornando agora com investimento de R$ 1 bilhão. A primeira fase da construção da usina, em Barra do Garças (540 km de Cuiabá), deve gerar 2,4 mil empregos, atingindo 4,5 mil vagas diretas até a conclusão.

A médio e longo prazo, as cidades de Nova Xavantina (663 km de Cuiabá) e Água Boa (741 km de Cuiabá) também serão contempladas. Nessa nova fase, as indústrias serão flex, ou seja, além de cana-de-açúcar, também utilizarão o milho, diferente do planejamento anterior. Atualmente, Mato Grosso possui a primeira usina de etanol feito exclusivamente de milho do país, localizada em Lucas do Rio Verde.

Além disso, o estado também conta com nove usinas de etanol à base de cana-de-açúcar, sendo duas que já produzem de forma flex, à base de cana e milho, e uma terceira está sendo implementada no mesmo modelo. “Em função desse potencial, estamos atentos às oportunidades, por isso é importante conhecer o know how de quem é o maior produtor de etanol do país”, disse o vice-governador, Carlos Fávar, em reunião com o secretário de Energia e Mineração de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles.

O encontro aconteceu na sexta-feira (20), no gabinete do secretário, onde o vice conheceu políticas para a produção de etanol. O objetivo é verticalizar a produção mato-grossense, absorvendo informações do estado que ocupa a liderança nacional no setor. “Queremos incrementar a cooperação entre os estados, principalmente nas áreas de biocombustíveis e solar fotovoltaica que o estado mato-grossense está expandindo fortemente nas novas fronteiras do estado”, afirmou Fávaro.

De acordo com a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom-MT), a reunião ocorreu em atendimento à demanda do secretário de Indústria e Comércio de Barra do Garças, Fabiano Dall Agnol. No que diz respeito à Secretaria de Meio Ambiente (Sema) será feita a renovação do licenciamento, pois todos os trâmites legais já foram realizados, como audiência pública e o Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima). (Olhar Direto 26/10/2017)

 

Setor de biocombustíveis querem chegar à COP23 com política para o setor

As empresas do setor de biocombustíveis querem que o governo federal implemente o programa RenovaBio antes da 23ª Conferência das Partes (COP23) da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas. O encontro acontecerá em Bonn, na Alemanha, a partir do próximo dia 6 de novembro.

A política governamental, que pretende incentivar a produção de combustíveis renováveis, foi anunciada em fevereiro, passou por consulta pública, porém, ainda não foi colocada em vigor, o que deve acontecer por medida provisória.

“Ficaria muito estranho e perderíamos uma oportunidade única de apresentar na COP23 a implementação do RenovaBio. Está na mesa do presidente, basta ele cumprir com as promessas que ele fez ao setor de energias renováveis”, enfatizou o presidente da Associação Brasileira Biotecnologia Industrial (ABBI), Bernardo Silva, após participar de um encontro da Plataforma do Biofuturo.

A plataforma é uma iniciativa brasileira que reúne representantes dos setores público e privado de diversos países para promover o uso de biocombustíveis.

Termo de intenções

Durante o encontro, também foram apresentadas as diretrizes gerais do termo que a plataforma pretende levar à COP23. Entre os pontos, está a intenção de acelerar o uso da bioenergia, especialmente no setor de transportes. Também está a intenção de estabelecer metas para os próximos cinco anos e para 2030. Os detalhes do documento, no entanto, ainda estão em discussão.

Segundo o presidente da ABBI, há um consenso entre os participantes dos debates de que as medidas para reduzir os efeitos das mudanças climáticas devem ser postas em prática o quanto antes.

“O principal ponto de convergência é a urgência. A gente tem aí todos os compromissos ambientais estipulados no Acordo de Paris, os eventos climáticos ocorrendo em todas as partes do mundo que evidenciam o impacto dos efeitos que os gases de efeito estufa provocam no clima global. E isso também gera um impacto negativo nas empresas e na atividade econômica e nas pessoas”, destacou.

Incentivos

Sobre o RenovaBio, Silva diz que os incentivos são necessários para impulsionar os investimentos do setor privado, que já tem apostado na área no país. “O que falta para o Brasil é a questão de implementação de políticas.

A gente tem aí na mesa do presidente [Michel] Temer uma política pública de vanguarda que poderia acelerar os investimentos e adoção de tecnologia que vão cumprir com os objetivos colocados pelo Brasil”, ressaltou o dirigente, sobre os compromissos estipulados no Acordo de Paris. Firmado em 2015, o termo trouxe obrigações globais para reduzir os impactos das atividades econômicas no clima.

A base do programa de fomento à bioenergia é aumentar os percentuais de etanol, biodiesel e outros combustíveis renováveis misturados aos combustíveis fósseis vendidos pelas distribuidoras. A política também abre espaço à inovação, ao premiar as tecnologias menos poluentes. Quanto menor a pegada de carbono, as emissões de gases do efeito estufa geradas na produção, maior tenderá a ser o valor de mercado dos produtos. (Agência Brasil 26/10/2017)

 

Sindaçúcar-AL se pronuncia sobre recuperação judicial de usinas de Alagoas

Alagoas deve escolher entre a produção e os empregos ou a paralisação do maior setor de nossa economia.

O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas acompanha de perto e com apreensão o processo que desaguou, nessa terça-feira, 24 de outubro, no pedido de Recuperação Judicial de duas empresas coligadas e sete usinas cooperadas da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e do Álcool de Alagoas (CRPAAA).

Cabe ressaltar, neste momento, que a decisão tomada conta com o apoio do Sindaçúcar-AL, na medida em que o pedido de RJ foi apresentado com o único propósito de manter a operação nas unidades industriais e, por conseguinte, os milhares de empregos que estas empresas geram no Estado de Alagoas.

A RJ, nesse momento, permite que as empresas coligadas da CRPAAA possam alongar o pagamento de débitos vencidos ou com vencimento no curtíssimo prazo, em favor da operação de suas unidades. Com o alongamento das dívidas, cujo volume é inferior a capacidade de produção, as indústrias e empresas vinculadas à cooperativa poderão priorizar o pagamento de fornecedores, trabalhadores e dos insumos essenciais para a operação de suas unidades.

Esta foi uma medida necessária ante a grave crise que se abateu no setor sucroenergético nacional, em especial o nordestino, decorrente de políticas erráticas do governo federal para a agroindústria canavieira.

A busca por soluções no plano nacional continua. O Sindaçúcar-AL trabalha, ao lado de outras entidades que representam no setor sucroenergético, deputados, senadores, ministros e até a presidência da república, por alternativas que estanquem as dificuldades crescentes na atividade canavieira e apontem para uma retomada da produção.

Cabe ao Sindaçúcar-AL, no entanto, alertar ao Governo do Estado de Alagoas que a adoção de medidas no plano estadual, ainda que tardias, poderá atenuar as dificuldades enfrentadas por nossas indústrias.

Atualmente a legislação tributária de Alagoas, que impõe às indústrias locais a maior sobrecarga tributária entre todos os estados produtores de açúcar e etanol do Brasil, prejudicam a competitividade de nossas empresas no mercado nacional.

As altas alíquotas praticadas em Alagoas e a falta de incentivos que ocorrem em outros estados produtores, a exemplo de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná, entre outros, vem dificultando sobremaneira o escoamento tanto de etanol quanto de açúcar, a ponto do mercado interno alagoano ser abastecido por empresas de outros estados nesses dois produtos, embora a nossa produção seja excedente.

A falta de incentivos impõe ao Estado de Alagoas, especialmente ao Poder Executivo, uma decisão, que deve ser rápida. A mudança na legislação tributária, de forma a equalizar a taxação das indústrias alagoanas com a tributação praticada nos outros estados produtores, pode manter as indústrias produzindo.

Mantido o quadro atual, como já alertamos ao governador Renan Filho e ao secretário da Fazenda, George Santoro, as indústrias continuarão enfrentando dificuldades crescentes, o que decerto ameaça não só a manutenção de todo o parque fabril em operação, bem como dos milhares de empregos por ele gerados.

Cabe ressaltar, que apesar da RJ, o esforço da CRPAAA é para manter em operação as suas indústrias, o que possibilitará a retomada plena de sua capacidade produtiva e capacidade de pagamento de seus compromissos no médio e longo prazos.

Importante destacar também que todas as outras unidades industriais de Alagoas não cooperadas que operaram na safra de cana-de-açúcar 2016/2017 já estão em operação na safra 2017/2018.

Vale ainda ressaltar que todas as usinas cooperadas que operaram na safra passada já iniciaram a moagem nesta safra ou devem iniciar a moagem nos próximos dias.

O esforço dos empresários e dirigentes do setor sucroalcooleiro alagoano é para continuar produzindo açúcar, etanol, empregos e desenvolvimento no estado de Alagoas.

Cabe agora ao Estado uma decisão rápida, que vá ao encontro desses esforços e ajude na retomada da produção da mais importante atividade econômica de nosso Estado. (SINDAÇÚCAR 25/10/2017)

 

Crise leva sete usinas de Alagoas a pedir recuperação judicial

Sete usinas de Alagoas pedem recuperação para evitar falência.

Usina Seresta: produção e exportação de açúcar é um dos mais importantes suportes da economia alagoana.

Foram acrescentados dados do Valor Econômico sobre as dívidas das companhias e a forma como as companhias tentaram resistir à crise, incluindo renegociações de dívidas, demissões e mecanização da lavoura.

Sete usinas integrantes da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e do Álcool de Alagoas (CRPAAA) e mais duas empresas que atuam na exportação e manutenção da produção dos cooperados ingressaram nesta terça-feira (24) com pedido de Recuperação Judicial (RJ), junto à Justiça, solicitando prazo de carência para renegociar e pagar suas dívidas. A RJ substituiu, na legislação brasileira, a antiga concordata.

A Cooperativa reúne algumas das usinas mais importantes de Alagoas, mas as associadas que fazem parte do pedido de Recuperação Judicial são as usinas Seresta (da família do ex-governador Teotônio Vilela Filho), Sinimbu, Sumaúma, Penedo, Porto Rico, Porto Alegre e Capricho, além da Mecânica Pesada Continental S/A e a Coopertrading, respectivas responsáveis pela manutenção das usinas e pelas vendas da produção.

Segundo o Valor Econômico, as dívidas das usinas estão alocadas principalmente com fornecedores e trabalhadores. O saldo devedor de cada uma varia de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões e o número de fornecedores de cana afetados pode chegar a quase 4 mil.

Considerando todo o grupo, ainda de acordo com a reportagem, a principal devedora das recuperandas é a Copertrading, que tem entre seus credores basicamente instituições financeiras. Seu principal credor é o Banco do Nordeste, com R$ 90 milhões a receber em moeda nacional e US$ 53 milhões em dólar. Também estão entre os bancos credores o Safra, CCB, Daycoval e BNP Paribas.

A direção da Cooperativa relutava há meses na decisão de ingressar com o pedido de recuperação judicial, um recurso que evita a falência desde que se consiga demonstrar a viabilidade da empresa. O Diário do Poder recebeu a notícia sobre a iminente pedido de RJ na semana passada, mas representantes do setor como o ex-governador Teotonio Vilela responderam que a informação não procedia.

Conforme explica o Valor Econômico, a lei de recuperação judicial não engloba a recuperação de cooperativas, de modo que cada empresa associada terá que apresentar uma lista de credores e um plano de pagamento próprio. Elas terão 60 dias para apresentar seus planos, que devem incluir alternativas para viabilizar o pagamento aos credores e a possibilidade de venda de ativos.

Situação já se arrastava

Segundo alta fonte do setor, as estimativas são "preocupantes". No final de 2016, por exemplo, pequenos produtores protestaram contra o calote de usineiros no pagamento de cerca de R$ 250 milhões pela cana fornecida há mais de três anos. Dos 7,4 mil produtores de cana alagoanos, 90% são pequenos fornecedores. Com as dificuldades financeiras, aliadas à sequência de estiagens, várias famílias estão vendendo suas terras para pagar empréstimos, enquanto as usinas recebem o que produzem antecipadamente e não pagam aos fornecedores.

Além disso, o Valor Econômico também aponta que, ao longo dos últimos três anos, as usinas já vinham demitindo trabalhadores de forma expressiva. Além da crise financeira, as demissões também foram provocadas pela mecanização da colheita, que passou de 25% para 65% na região nesse período. De acordo com o jornal, quando os preços do açúcar estavam melhores, as companhias conseguiram renegociar algumas dívidas, mas a recente queda das cotações da commodity prejudicou novamente o fluxo financeiro. 

História

A história da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA) tem início em 6 de outubro de 1933, quando foi constituída a Comissão de Vendas dos Usineiros de Alagoas.

Na primeira safra em que a Comissão de Vendas esteve à frente das negociações, de 19 de outubro 1933 a 30 de abril de 1934, foram produzidos em Alagoas 530.599 sacos de açúcar do tipo cristal e demerara.

Com o Decreto-lei 5.893, de 19 de outubro de 1943, do Governo Federal, regulamentando o funcionamento das cooperativas no país, a Comissão de Vendas foi substituída, em 17 de dezembro de 1943, pela a Cooperativa dos Usineiros de Alagoas.

Com criação da Cooperativa, que iniciou suas atividades em 10 de março de 1944, os produtores passam para um novo patamar, dispondo de uma estrutura mais organizada, com um Conselho de Administração e um Conselho Fiscal para organizar a produção de seus associados da maneira mais transparente possível.

Durante a gestão de João Evangelista da Costa Tenório (eleito diretor presidente em 22 de setembro de 1978) é realizada mais uma mudança de denominação. Em 6 de outubro de 1986, o nome completo passa a ser Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA). E assim permanece até hoje.

Após ser reeleito ao longo de 21 anos para a presidência da CRPAAA, João Tenório é substituído, em 2009, por José Ribeiro Toledo Filho, atual diretor presidente. (Diário do Poder de Alagoas 26/10/2017)

 

Leilões das usinas Vale do Paranaíba e Triálcool estão agendados para 24 de novembro

Os prefeitos da região do Pontal do Triângulo comemoraram a decisão da Justiça de Alagoas, que era vista com descrédito pelos mineiros.

Os editais dos leilões das usinas sucroalcooleiras Vale do Paranaíba e Triálcool, instaladas nos municípios de Capinópolis e Canápolis, respectivamente, foram publicados pela Vara do 1º Ofício de Coruripe (AL) na tarde da última segunda-feira (23). As usinas de Minas Gerais integram a Massa Falida da Laginha Agroindustrial S/A.

Os juízes de Direito Leandro de Castro Folly, Phillippe Melo Alcântara Falcão e José Eduardo Nobre Carlos estão à frente do processo de falência e rejeitaram – na última segunda-feira (23), a proposta da Usina Cambuí para comprar a Vale do Paranaíba por R$ 80 milhões.

A Vale do Paranaíba e outros ativos da empresa estão avaliados em R$ 206,358 milhões. Este valor inclui 17 imóveis rurais e equipamento industriais. Já a Triálcool está avaliada em R$ 223,043 milhões, valor inclui 24 propriedades rurais e equipamentos industriais. Em ambos os casos, a frota de veículos e maquinários também não estão inclusas.

As usinas serão leiloadas no dia 24 de novembro de 2017, a partir das 14h, no estado de conservação no qual se encontram. Os lances poderão ser efetuados ao vivo no auditório da Superbid ou pelo portal de leilões da empresa até o dia 30 de novembro de 2017. Além disso, os interessados que quiserem visitar as unidades sucroalcooleiras antes dos lances, poderão agendar a visita.

O valor mínimo para a venda será o valor de avaliação judicial dos ativos (bens) e caso o valor não seja alcançado, o leilão se estenderá até às 14h do dia 07 de dezembro de 2017.

Alívio para prefeitos e trabalhadores

A publicação dos editais deixou os prefeitos da região do Pontal do Triângulo Mineiro animados. O prefeito de Capinópolis, Cleidimar Zanotto, acredita no desfecho da situação das usinas. “Sempre acreditamos em um desfecho positivo da situação deste grupo e caso os leilões das usinas venham a se concretizar, podemos viver uma nova realidade na região do Pontal do Triângulo Mineiro, com mais prosperidade e geração de postos de trabalho diretos e indiretos”, disse o prefeito.

Segundo o prefeito de Canápolis, Uallisson Carvalho Silva, que foi colaborador da usina Triálcool por 12 anos, a venda da usina irá alavancar a economia de Canápolis e de toda a região. “Diante daquele descrédito que todos estavam com relação à Justiça de Alagoas, agora com essa situação do leilão, cria mais credibilidade. Estou bem esperançoso que essa história irá terminar agora”, disse o prefeito ao Tudo Em Dia. Ele ainda continua: “Com a venda da usina, muda 70% para melhor o quadro da situação do nosso município. Com o fechamento [da usina Triálcoo], o município caiu em uma grande crise financeira, com falta de emprego, comércio fechando, aumento da demanda dentro do social. A fé é o que nos move e também a esperança em dias melhores, não só para Canápolis, mas para Capinópolis, Ituiutaba, Ipiaçu e Cachoeira Dourada”.

Milhares de trabalhadores de toda a região aguardam ansiosos a venda das usinas sucroalcooleiras instaladas no Pontal do Triângulo Mineiro na esperança de receber os direitos trabalhistas. Muitos impetraram ações judiciais para receber os valores.

O passivo trabalhista da Laginha Agroindustrial ultrapassa R$ 180 milhões e o total da dívida supera R$ 2 bilhões. (Tudo em Dia 26/10/2017)

 

Agronegócio aliado da natureza vira referência

Responsável por uma fatia de 23% do Produto Interno Bruto (PIB) e por mais de 30% dos empregos, o agronegócio é um importante pilar da economia brasileira, O país é o segundo maior produtor mundial de soja e carne bovina e o primeiro em cana-de-açúcar. Mas esse gigantismo cobra um alto preço para o meio ambiente. O agronegócio é apontado como uma das indústrias que causam maiores impactos, desde o desmatamento derivado do avanço da fronteira agrícola até o uso intensivo de agrotóxicos e seus efeitos cumulativos sobre a água e o solo. Não à toa, as principais metas climáticas assumidas pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris afetam a agricultura e pecuária.

A cana-de-açúcar é uma das culturas que alicerçaram a expansão do agronegócio brasileiro. A gramínea é cultivada desde os tempos do Brasil Colônia. Seus principais derivados, o açúcar e o etanol, são importantes da pauta de exportações. Foi em Sertãozinho (SP), principal produtor de cana do país, que um agrônomo resolveu plantar cana de modo diferente no final da década de 1980.

Tradicional na região, o Grupo Balbo era uma empresa familiar que cultivava cana e produzia açúcar e álcool em suas duas usinas na cidade. Em 1987, Leontino Balbo Júnior, neto do fundador e então recém-saído da faculdade de agronomia, decidiu testar o cultivo da cana sem agrotóxicos, com controle biológico de pragas, práticas de proteção do solo como o plantio direto (onde a matéria orgânica da colheita é deixada na terra para servir como adubo), e sem a queimada na colheita - prática seria proibida quase 20 anos depois. O objetivo do projeto, batizado de Cana Verde, era converter parte da produção para a agricultura orgânica. Balbo vislumbrava o potencial de mercado para o açúcar orgânico, especialmente o europeu.

O início não foi fácil. Balbo precisou desenvolver, junto aos fornecedores de maquinário agrícola, colheitadeiras específicas para colher cana crua. Foi preciso muito estudo, tentativas e erros para acertar a mão no manejo das pragas. Hoje a empresa familiar é o principal empreendimento de agricultura orgânica do Brasil e o maior produtor de açúcar orgânico do mundo, com 21,6 mil hectares de áreas de manejo certificado.

Produz anualmente 87 mil toneladas de açúcar (58 mil toneladas para exportação) e 55 milhões de litros de álcool para a indústria de cosméticos, com grandes compradores como a rede The Body Shop e a brasileira Natura. Balbo apostou que os produtos orgânicos também cresceriam no mercado doméstico e criou em 2000 a marca Native, do qual é vice-presidente executivo, que produz açúcar, café, sucos de frutas, chocolates e outros itens industrializados, todos com certificação orgânica. As vendas da Native crescem a uma taxa de 28% ao ano e as fazendas do grupo Balbo são objeto de estudos de universidades do mundo todo e consideradas referência internacional em agricultura ecológica.

Além das práticas de produção orgânica, as plantações convivem com áreas de mata nativa e, à medida que aumentava a produção orgânica, mais animais eram avistados nas fazendas, o que levou a empresa a fazer monitoramentos de fauna em parceria com a Embrapa, autarquia que atua em apoio técnico agrícola. Em 11 anos de monitoramento, foram constatadas 340 espécies de mamíferos.

A agricultura praticada por Balbo se enquadra no conceito de agricultura regenerativa dos ecossistemas. "Na prática, o cultivo orgânico associado às áreas de vegetação nativa fazem das nossas áreas de cultivo um sumidouro de carbono, e os inventários de fauna mostram que as áreas da empresa concentram biodiversidade superior à de florestas", diz Balbo.

A lição do Grupo Balbo, de que é possível fazer agricultura com alta produtividade e regenerando os ecossistemas, precisa ser assimilada pelo setor para que a produção global de alimentos se torne mais sustentável, diz Laura Santos Prada, agrônoma do Imaflora. Estima-se que no Brasil o percentual da agricultura que receba alguma certificação socioambiental não chegue a 1% do total. (Valor Econômico 27/10/2017)