Setor sucroenergético

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Investidores miram usina São Fernando

A derrocada de uma parte das usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul do país nos últimos anos não é uma má notícia para todo mundo. A cada pedido de recuperação judicial ou falência decretada, uma oportunidade de negócio é criada, e já há especialistas nesse "mercado". É o caso de um grupo de investidores capitaneado pelo economista Winston Fritsch, que já tem centrado foco em empresas que estão protegidas na Justiça contra credores e que, agora, aposta suas fichas na aquisição da massa falida da Usina São Fernando, que pertencia aos filhos de José Carlos Bumlai, implicado na Lava-Jato.

Junto com Fritsch, que depois de se notabilizar por integrar a equipe que criou o Plano Real ingressou no mercado financeiro, estão também Rodrigo Aguiar, que presidiu a Tonon Bioenergia e trabalhou em bancos, e Paulo Vasconcellos, também do mercado financeiro e fundador da Energias Renováveis do Brasil. Outros investidores com familiaridade com a área de commodities também demonstraram interesse em integrar o grupo.

Há duas semanas, o trio propôs, por meio do veículo de investimento Pedra Angular, adquirir a São Fernando, em Dourados (MS), por R$ 890 milhões. O valor seria pago em 20 anos. A proposta foi apresentada à Justiça após o leilão da usina fracassar por falta de lances. A Pedra Angular pretende financiar "parte relevante" da aquisição com capital próprio dos investidores, afirmou Aguiar em entrevista ao Valor. Se a oferta da Pedra Angular for aceita, o executivo presidirá a São Fernando.

Essa não é a primeira tentativa do grupo de sócios de adquirir uma usina em dificuldade. Em agosto, eles se habilitaram para participar do leilão da usina Revati, em Brejo Alegre (SP), da indiana Renuka do Brasil, que está em recuperação judicial. No entanto, o grupo não chegou a elaborar uma proposta, já que o leilão foi suspenso após recurso do BNDES.

"Temos olhado para várias oportunidades e sempre acompanhamos a Usina São Fernando. Com a falência, vimos uma oportunidade", afirmou Aguiar. No caso da Usina Revati, o trio ainda avalia a possibilidade de participar da disputa caso seja marcado um novo leilão. Aguiar e seus sócios estão envolvidos em outras quatro negociações de usinas em situação semelhante.

A proposta desenhada para a Usina São Fernando prevê um montante que atenda a todos os credores, mesmo considerando a perda de valor dos pagamentos ao longo do tempo, disse Aguiar. Seriam pagos R$ 28 milhões anuais até o quinto ano e 15 parcelas de R$ 50 milhões do sexto ano em diante.

Considerado o valor nominal de R$ 890 milhões, o múltiplo da transação seria de quase R$ 200 por tonelada de cana de capacidade instalada (a usina tem capacidade para processar 4,5 milhões de toneladas por safra). Porém, o valor presente da oferta deve ficar bem abaixo de R$ 450 milhões (R$ 100 por tonelada), conforme cálculos de fonte ligada ao setor. Para efeito de comparação, a aquisição de duas usinas da Tonon pela Raízen Energia saiu por R$ 144,40 a tonelada, e a da Unialco pela Glencore, por R$ 133,50 a tonelada, conforme levantamento da Pantalica Partners.

Além do valor para a aquisição, a Pedra Angular também calcula que terá que desembolsar R$ 200 milhões para investir no plantio e em máquinas agrícolas. Atualmente, a fazenda da São Fernando possui uma área com 1,3 milhão de toneladas de cana, além de contratos com fornecedores que lhe garantem mais 700 mil toneladas. Já a estrutura industrial, cujo mix de produção entre açúcar e etanol é considerado flexível, não precisaria de aportes.

O retorno pode vir rápido. Aguiar estimou que a usina possa gerar receita de R$ 250 milhões no primeiro ano e tenha potencial para faturar mais de R$ 500 milhões. Pesa a favor do negócio a cogeração, que diante dos preços atuais de energia geraria R$ 80 milhões, de acordo com ele.

O grupo quer que a oferta seja aceita o mais rápido possível pela Justiça para ter tempo para preparar a unidade para a próxima safra, que começa oficialmente em abril. Mas o juiz também tem a opção de convocar um novo leilão, como quer o BNDES, agora se dispõe a financiar aportes de interessado. (Valor Econômico 30/10/2017)

 

Açúcar: De olho no Brasil

Os contratos futuros do açúcar registraram forte alta na bolsa de Nova York na última sexta-feira, puxados por movimento técnico dos fundos que investem em commodities.

Os contratos com vencimento em maio fecharam o pregão a 14,67 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 45 pontos.

Do lado dos fundamentos, o mercado acompanha a queda no percentual de cana destinada para a fabricação de açúcar no Centro-Sul do Brasil em detrimento do etanol.

De acordo com a Archer Consulting, as previsões de crescimento de 10% nas vendas do setor automotivo é um fator ainda não traduzido nos relatórios de oferta e demanda que circulam no mercado.

No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 57,09 a saca de 50 quilos, valorização de 1,03%. (Valor Econômico 30/10/2017)

 

Etanol hidratado sobe 2,30% e o anidro avança 2,36% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 2,30% nesta semana, de R$ 1,5368 o litro para R$ 1,5721 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Esse é o maior valor nominal desde o de R$ 1,5846 por litro da semana encerrada em 24 de fevereiro e, portanto, o mais elevado na safra 2017/2018, iniciada em 1º de abril.

Já o valor anidro avançou 2,36%, de R$ 1,6249 o litro para R$ 1,6632 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq, o mais alto na semana finalizada em 28 de maio, cujo valor foi idêntico. (Agência Estado 30/10/2017)

 

Etanol da cana pode ajudar a atingir meta do clima

Estudo mostra que a expansão do cultivo é uma saída para reduzir danos à natureza.

Cana de açúcar

Legenda: Etanol extraído da cana de açúcar é mais sustentável que o extraído do milho

Um estudo publicado na revista “Nature Climate Change” mostrou que a expansão da produção de cana-de-açúcar entre 37,5 e 116 milhões de hectares, com fins na conversão em etanol, poderia reduzir em até 5,6% as emissões globais de dióxido de carbono, basicamente com a substituição do uso da gasolina. O estudo aponta ainda que a expansão do uso do etanol pode ser uma solução a curto prazo para que a meta ratificada no último acordo climático em Paris seja atingida. Assinado por 195 nações em dezembro de 2017, o documento tenta limitar o aumento da temperatura global do planeta em menos de 2ºC.

Coordenada por Stephen P. Long, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e alguns cientistas da Universidade de São Paulo, a análise apontou que a produção de etanol à base de cana no Brasil é muito mais eficiente que a do etanol de milho, além de gerar apenas 14% das emissões de dióxido de carbono causadas pelo petróleo. Esse processo de substituição já apresentaria resultados a níveis globais num prazo de 2 a 8 anos desde o começo da produção.

Segundo os pesquisadores, o Brasil está preparado para levar o projeto adiante. Isso porque o país é um dos únicos a possuir o território necessário e a expertise na produção de cana. Por aqui, se usa toda a planta, seja para produção de açúcar, ou para produção de etanol, e até para alimentar moinhos e gerar eletricidade.

Os pesquisadores evidenciam também as práticas sustentáveis de produção usadas no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, é proibida a queima de cana antes da colheita para redução da quantidade de material transportado para o moinho. A prática da queima, causadora de grande poluição da atmosfera, ainda é empregada em países como os Estados Unidos. (Exame.com 27/10/2017)

 

Alagoas: A elite do açúcar em decadência

As usinas estão quebradas. Os usineiros vão muito bem, obrigado, como sempre estiveram. Graças ao jornalista Davi Soares, do site Diário do Poder, sabemos agora que sete usinas da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas formalizaram o pedido de recuperação judicial. É uma tentativa de escapar da iminente falência. Os empresários não têm como honrar o pagamento de dívidas de toda ordem, incluindo fornecedores de cana que alugam suas terras para o plantio. Os mais prejudicados são pequenos proprietário rurais, que não sabem quando vão receber.

Mas essa crise está longe de ser algo repentino. A decadência começou muitos anos atrás, primeiro fechando várias usinas que não integravam a poderosa cooperativa. A verdade é que essas empresas nunca foram exemplo de boa gestão de negócios. Sempre viveram sob as mamatas do poder político, recebendo todo tipo de subsídio e empurrando o prejuízo para os cofres públicos. Para ficar num único exemplo do que digo, pense no Banco do Estado de Alagoas, o famoso Produban. Se as coisas fossem sérias por aqui, usineiros teriam sido presos. Foram eles que quebraram o banco.

Já a cooperativa, que agora tenta a recuperação judicial, foi durante décadas o grupo de empresas mais rico do estado. Mas também abusou da gestão temerária, financiando campanhas eleitorais milionárias e, internamente, criando todo tipo de benesse para seus diretores. Os salários batiam no céu, as passagens aéreas nunca faltavam ao longo do ano e a remuneração extra era uma prática consagrada. Executivos da cooperativa sempre se portaram como verdadeiros rajás, num mundo paralelo de luxo, ostentação e poder descomunal. Pararam no tempo. A conta finalmente chegou.

Há pelo menos cinco anos, ou um pouco mais talvez, a cooperativa tomou pé do rombo em sua contabilidade. Resultado: começaram as demissões, a redução de salários e a extinção das absurdas regalias. Alguns funcionários tiveram a remuneração rebaixada e foram autorizados a trabalhar em casa. Diretores no topo da empresa que continuavam gastando a rodo foram afastados. Nessa fase de cortes agudos, a cooperativa viveu uma guerra de poder entre seus chefões. Houve momentos de tensão e, em algumas ocasiões, não faltaram ameaças entre os herdeiros de engenho.

Exemplo do que há de mais reacionário na vida brasileira, essa é a nossa elite econômica, muitas vezes truculenta e sempre ignorante. A cana-de-açúcar é o símbolo máximo da exploração do segmento mais pobre da população, especialmente no Nordeste. Pela força, com a conivência do poder público, usinas impuseram jornadas de trabalho desumanas, em condições degradantes. Fala-se hoje em trabalho escravo? Até um dia desses isso era pura realidade nos canaviais.

Que esses senhores não venham posar de vítimas desse ou daquele governo. Os fatos provam que isso é uma falácia, aliás, uma velha falácia, sempre usada justamente para meter a mão em recursos de qualquer governo. A vitimização, além de uma mentira factual, seria uma afronta ao povo. Espera-se que paguem suas contas, dentro da lei, sem os criminosos privilégios que sempre tiveram. (Blog do Célio Gomes, Cada Minuto 27/10/2017)

 

Conferência da Kingsman dá poucas razões para otimismo a traders de açúcar

A Platts 4th Annual Kingsman Miami Sugar Conference trouxe poucas razões para otimismo nessa semana. Os traders e analistas não debateram se o mercado global de açúcar se dirige para um excesso de oferta, e sim qual tamanho terá esse excesso e quanto os preços podem cair.

EXCESSO DE OFERTA

Na safra 2017-2018, que começou nesse mês, a produção global superará a demanda em algo entre 3,5 milhões de toneladas e 8 milhões de toneladas, disseram analistas. Já há projeções de nova abundância na próxima temporada, o que provavelmente manterá os preços baixos, disse Claudiu Covrig, analista sênior da Kingsman.

PREÇOS

O açúcar bruto já tem um dos piores desempenhos de 2017 entre as commodities, com queda de cerca de 28 por cento nos preços em Nova York. O preço se fixou em 14,11 centavos de dólar por libra-peso na quinta-feira. Mike Levitz, chefe de trading para as Américas da ED&F Man Sugar, prevê preços entre 12,5 centavos e 16 centavos de dólar na safra atual.

EXPORTAÇÕES

O assunto do momento no setor do açúcar é o fim das cotas na União Europeia, que deverá aumentar as exportações do bloco. Mas parece haver mais oferta vindo de todos os lados. Índia e Tailândia, maiores produtoras da Ásia, terão safras maiores. Ucrânia, Rússia e Paquistão deverão ampliar as exportações. Até mesmo a produção de Cuba deverá aumentar nos próximos anos, segundo a Kingsman. As projeções de compras da China no exterior pouco mudaram, ou seja, os vendedores deverão lutar por um número limitado de clientes, disse Covrig.

CLIMA

O que poderia acabar com a queda do preço do açúcar? O clima é sempre um fator, e ainda pode frustrar os ganhos da safra. No Brasil, a seca do início do ano pode ter prejudicado o potencial de rendimento e as lavouras antigas de cana-de-açúcar do País também podem acabar limitando a produtividade.

ETANOL

Além disso, preços de menos de 15 centavos de dólar não são viáveis para os produtores da Tailândia, da Índia ou da UE, disse Covrig, da Kingsman. O açúcar mais barato também estimula a demanda. E há uma perspectiva positiva para a indústria de etanol do Brasil. Com a decisão do País de impor taxas às importações do biocombustível, uma parcela maior da cana pode ser desviada para a produção de etanol, disse Aakash Doshi, analista do Citigroup, na conferência. Ele disse que os preços do açúcar poderão subir para 17 centavos de dólar em 2018. (Bloomberg 27/10/2017)

 

Agricultura acende sinal de alerta com UE-Mercosul

Para tentar fechar a parceria ainda este ano, o Brasil estaria disposto a aceitar que as atuais análises de risco sejam substituídas pelo que se chama de 'percepção de perigo'.

O Ministério da Agricultura acendeu o sinal de alerta com a possibilidade de serem adotadas barreiras não tarifárias para produtos agrícolas nas negociações para o acordo comercial União Europeia-Mercosul. Para tentar fechar a parceria ainda este ano, o Brasil estaria disposto a aceitar que as atuais análises de risco, estudos técnicos e sanitários para regrar o comércio de produtos agropecuários , sejam substituídas pelo que se chama de “percepção de perigo”. Ou seja, no caso da mudança, bastaria ao consumidor europeu reprovar determinado produto alegando risco sanitário para dar início a um processo que culmine em barreiras. Em Brasília, na semana passada, o ministério avisou o agronegócio e o Congresso que já perdeu a batalha interna nas negociações sobre o tema.

Só os grandes

O MUFG, mais conhecido como Banco de Tokyo, tem planos robustos para o agronegócio brasileiro. Com atuação discreta no País há quase um século, aposta em empresas do setor com faturamento acima de R$ 1 bilhão como estratégia de crescimento na América Latina. A meta é dobrar a carteira na região, de US$ 1,2 bilhão em 2017 para US$ 2,5 bilhões em 2020, conta à coluna Victor Carneiro, diretor de Agribusiness.

O líder

O Brasil entra com 90% do montante atual, conta Carneiro. A ideia é, além de aumentar a participação nos negócios dos atuais 21 clientes do segmento, atrair pelo menos outras 24 megaempresas. O principal produto oferecido ao agronegócio são linhas de financiamento das exportações.

Passou batido

Pouca atenção foi dada a uma informação na página 25 do balanço da Yara referente ao 3.º trimestre de 2017, divulgado há uma semana. Em setembro, o Tribunal de Justiça paulista considerou a Yara e mais 22 empresas responsáveis pela poluição ambiental e os danos à Serra do Mar nas décadas de 1970 e 1980 decorrentes da emissão de poluentes em Cubatão (SP). (O Estado de São Paulo 30/10/2017)

 

Especialistas falam sobre os impactos do RenovaBio para o setor sucroenergético na DATAGRO

Principal conferência do Setor Sucroenergético reúne grandes líderes da área e leva informação para toda cadeia produtiva.

A 17ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol é um dos mais relevantes eventos do calendário mundial do açúcar e etanol. A Conferência buscar valorizar conteúdo de qualidade, disseminar conhecimento e novas tecnologias, e estimular networking entre os participantes.

O evento vai reunir grandes especialistas da área e promover debates sobre as perspectivas do mercado, planejamento estratégico e comercial para os diferentes elos da cadeia de produção e comercialização do setor sucroenergético mundial.

Um dos destaques deste ano será o RenovaBio e seus impactos econômicos, políticos e ambientais. Trata-se de uma proposta de regulação que visa a indução de ganhos de eficiência energética na produção e no uso de biocombustíveis, e reconhecimento da capacidade de cada biocombustível contribuir para o atingimento de metas de descarbonizarão. Estarão no evento André Rocha, Presidente do Fórum Nacional Sucroenergético; Deputado Federal Alexandre Baldy, Presidente da Frente Parlamentar da Valorização do Setor Sucroenergético; Márcio Felix, Secretário de Petróleo, Gás Natural de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia e Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, Diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME.

Estarão em pauta, também, temas como o futuro da mobilidade, eletrificação com combustíveis líquidos como estratégia nacional, o potencial do etanol de milho e celulósico, papel das bolsas na formação de preços e construção de valor, acesso a financiamento e endividamento do setor e novas variedades e técnicas e multiplicação.

Grandes personalidades do setor participarão da Conferência Internacional, entre eles: Reinaldo Azambuja, Governador do Estado de Mato Grosso do Sul; Leonardo Gadotti, Presidente Executivo, ANDICOM/SINDICOM; Luis Henrique Guimarães, Presidente Raízen, David VanderGriend, Presidente ICM Inc., Kansas, Martin A. Mitchell, Gerente de desenvolvimento de negócios para Américas, Clariant; Naim Beydoun, Diretor Swiss Sugar Brokers, além dos principais presidentes de Sindicatos do setor, entre outros. (DATAGRO 27/10/2017)

 

Para Honda, etanol na gasolina dificulta importação de carros híbridos para o Brasil

Presidente da montadora para América do Sul, Issao Mizoguchi fala da dificuldade de adotar novas tecnologias de motores, como o híbrido.

A presença de etanol na gasolina vendida no Brasil é um empecilho para a adoção de novas tecnologias de motores, como o híbrido. Esse foi o argumento de Issao Mizoguchi, presidente da Honda para a América do Sul, pouco antes da abertura do Salão de Tóquio ao público. Perguntado sobre aproveitar incentivos fiscais para levar o CR-V híbrido ao mercado brasileiro, o executivo afirmou que “mal adequamos o modelo atual, dá um trabalhão ajustar ao combustível vendido no Brasil”, disse, referindo-se ao sistema de alimentação.

A quinta geração do CR-V a ser oferecida no Brasil será importada dos EUA. A produção do modelo no México foi interrompida e o país hoje produz apenas o Fit. A mudança de origem implica em aumento de preço para o modelo, por conta da perda dos benefícios garantidos pelo acordo de comércio bilateral entre Brasil e México.

O SUV mais vendido no mundo chega ao Brasil com motor flex 1.5 turbo de 190 cv e 24,7 kgfm de torque, equipado com transmissão continuamente variável CVT. Mas Mizoguchi acena com a chance de o consumidor brasileiro ter acesso à versão híbrida: "O Brasil tem uma particularidade no combustível por conta do etanol, o que exige um ajuste específico. Mas não descartamos a possibilidade", afirma o executivo.

Etanol na gasolina

O acréscimo obrigatório de etanol anidro à gasolina comum passou a ser de 27% em março de 2015; na gasolina premium, manteve-se em 25%. Isso implicaria ajustes também para modelos como o Type-R, segundo fontes da Honda. O motor de alta performance do hatch espotivo rende 320 cv a 6.500 rpm e 40,8 kgfm entre 2.500 e 4.500 rpm. Produzido apenas na Inglaterra, o Civic Hatch padece do mesmo problema, além do preço pouco competitivo com que chegaria ao mercado brasileiro.

O scooter PCX, modelo da categoria campeão de vendas no Brasil, foi apresentado nas versões híbrida e elétrica no Salão de Tóquio. As vendas no mercado japonês e asiátivo estão programadas para 2018. Custo é o mesmo argumento para fazer da novidade apenas mais um “estudo” para o mercado sul-americano, segundo afirmação de Takahiro Hachigo, presidente mundial da Honda. (Auto Esporte 27/10/2017)

 

Açúcar: Deu a louca nos analistas de mercado? – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY teve um surpreendente desempenho nesta sexta-feira, encerrando a semana a 14.63 centavos de dólar por libra-peso, a cotação mais alta dos últimos 60 pregões (quase três meses). O que será que motivou essa alta? Será que vai sobrar menos açúcar do que os analistas estavam esperando (sim, estou sendo irônico aqui)? Ou será o cenário macro que fez com que as commodities dessem um salto nesta final de semana (café, açúcar e petróleo subiram bem)? Será que o mercado absorveu boa parte das rolagens de outubro para março feita pelas usinas e agora pode subir no vazio caso os fundos queiram tomar lucro? Muitas perguntas.

Um experiente profissional me manda uma mensagem acerca do mercado de açúcar dizendo que “depois de mais de 35 anos de carreira confesso que tudo que sei é que nada sei”. Sócrates certamente concordaria com ele.

O mercado de açúcar parece uma representação da antiga lenda grega em que a deusa Hera enviou a Esfinge (uma besta com cabeça de mulher, asas de um pássaro grande e corpo de leão) para atormentar os moradores da cidade de Tebas. Quem se aproximasse da cidade e cruzasse o caminho da Esfinge recebia um enigma para ser decifrado. Quem errasse era devorado pelo monstro. Um dia, Édipo cruzou com a besta, que lhe propôs o seguinte enigma: “O que durante a manhã tem quatro pernas, ao meio-dia tem duas e à noite tem três?” Édipo respondeu corretamente e a Esfinge ficou tão furiosa que se lançou num precipício e morreu.

Entre os enigmas que hoje poderiam ser propostos pela Esfinge estão, por exemplo: qual o verdadeiro superávit mundial? Quanto o Centro-Sul vai produzir de cana em 2018/2019? Como sabemos a produção da Índia com três casas decimais depois da virgula? Qual vai ser o mix no Brasil da 2018/2019? A Petrobras vai manter a política de transparência na formação de preços dos combustíveis? O que vai acontecer com o petróleo em 2018? Acima de 60 dólares por barril? Abaixo de 45 dólares por barril? Quem será o Presidente do Brasil em 2019? (Dependendo de quem for é preferível ser devorado pela besta, não o candidato, no caso, a Esfinge).

Nestas duas últimas semanas houve uma profusão de análises sobre o mercado vindas de todas as direções. Algumas altistas, outras baixistas, que por um momento, você leitor, que teve acesso a algumas delas se pergunta se deu a louca nos analistas. Previsões de moagem de cana que vão de 560 a 630 milhões de toneladas de cana. Superávit de 3 a 8 milhões de tonelada de açúcar. Previsão de preço para 10 ou 16 centavos de dólar por libra-peso.

Numa dessas análises, que devo confessar não tive acesso, mas que um cliente mandou apenas uma frase dizia “para as usinas em condição ruim é melhor vender açúcar do que etanol porque a Petrobras não paga mais etanol à vista”. De onde será que veio essa informação? Da boca da Esfinge, talvez? Bem, o problema é o que a usina pode fazer com essa informação se acredita nela.

Todos nós precisamos de informações para a tomada de decisão. Dentro das empresas elas são o carvão bruto que queremos transformar em diamante. Precisamos de informação de qualidade. Vou dar um exemplo. Esta semana um analista que respeito muito, Phil Passen, disse em seu comentário diário “uma razão pela qual achamos que o açúcar está prestes a romper para uma alta é que a posição vendida dos comerciais (leia-se tradings) é a mais baixa vista nos últimos 5 anos.” E continua: “quanto menos vendidos estão os comerciais, maior a tentativa de uma subida vigorosa nos preços (rally)”. Bingo! Uma frase simples pinçada no meio do relatório que pode ter valido a semana para muitos traders e muitas usinas. E tenho certeza que valeu.

Bem, e agora? E a semana que vem? E o mês que vem? O açúcar deu uma melhorada, mas nada definitivo. O preço médio dos fechamentos diários de outubro está em 14.18 centavos de dólar por libra-peso, 25 pontos melhor do que a média de setembro, mas ainda bem abaixo do que previa nosso modelo (alta de 10%). Novembro vai mostrar, usando a frase de um dos dinossauros desse mercado, “quem está pelado depois que a água da piscina baixar”. Vamos ter uma melhor ideia de quanto vai chegar a produção (muitas usinas terminam a moagem em novembro). O preço do anidro e hidratado ainda é remunerador. O petróleo está subindo e o real está se desvalorizando (na sexta-feira bateu 3,3000). Isso vai subir o preço da gasolina e melhorar a arbitragem do etanol com o açúcar.

As usinas devem ficar muito atentas aos espasmos que o dólar está sofrendo e aproveitar e fazer NDF (contrato a termo de dólar com liquidação financeira) melhorando a fixação da safra 2018/2019. Também o maçarico teleguiado vai perseguir os fundos (vendidos em 110,000 lotes) que podem recomprar suas posições vendidas e embolsar os lucros. Pode ser que esse último bimestre seja mais interessante do que se supunha.

Ou deciframos a charada ou seremos devorado pelo monstro.

Em tempo: a resposta correta que Édipo deu à Esfinge é: “o ser humano”. (Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda 30/10/2017)