Setor sucroenergético

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Usina hoje vende energia em vez de produzir etanol

Projeto GranBio, da família Gradin, tinha o objetivo de produzir 1 bilhão de litros de etanol em 2020; meta foi adiada em uma década.

Bernardo (E) e Miguel Gradin: disputa com a Odebrecht já se arrasta por sete anos Foto: Ernesto Rodrigues/AE.

Os problemas enfrentados pela família Gradin atrasaram em pelo menos três anos o plano de uma segunda usina do grupo GranBio, anunciada inicialmente para 2016. E a meta de produzir 1 bilhão de litros de etanol foi jogada de 2020 para, ao menos, 2030.

Neste ano, a empresa decidiu suspender a produção do etanol de segunda geração em sua fábrica e colocá-la para gerar energia. Erguida em São Miguel dos Campos (AL), a primeira usina de etanol dos Gradin foi projetada para produzir 38 milhões de litros de etanol por ano. Com a medida, produziu só 5 milhões de litros em 2017.

A ideia era retomar a produção do biocombustível no início da safra, em setembro. Mas, diante dos atrasos e do prejuízo acumulado, Bernardo Gradin, presidente da GranBio, colocou a palha de cana colhida para produzir energia, aproveitando os altos preços pagos pela eletricidade no sistema Nordeste, que enfrenta seca histórica.

 “A GranBio tomou uma decisão empresarial apropriada para o momento”, afirma Plinio Nastari, da Datagro, uma das mais importantes consultorias do setor sucroalcooleiro.

Segundo ele, o etanol de primeira e de segunda geração tem forte potencial para avançar no País. O setor ainda tenta se recuperar da forte crise que se abateu sobre as usinas a partir de 2010. A falta de competitividade levou uma série delas à recuperação judicial.

A produção de etanol na usina de Alagoas, mesmo que restrita, só é possível hoje porque os Gradin decidiram investir no desenvolvimento de tecnologias que substituíssem a solução vendida pela italiana Beta Renewables, do grupo Mossi Ghisolfi. Apostaram em patentes próprias por meio de sua subsidiária americana, a API, na qual detém 25%.

Colocando a usina para gerar energia, a GranBio deve faturar cerca de R$ 90 milhões neste ano, valor que espera elevar para R$ 200 milhões até 2019, quando acredita que enfim dará lucro, segundo fontes a par das projeções da companhia. Os Gradin, porém, já não se fiam no plano original da empresa. A ideia era erguer dez plantas, por R$ 4 bilhões. Agora, o objetivo é iniciar a construção da segunda usina e então checar se é possível colocar de pé as demais.

Grupo

Enquanto a GranBio tenta decolar, outros negócios da família Gradin que estão sob o guarda-chuva da GranInvestimentos avançam. O grupo foi criado com a saída de Bernardo e seu irmão, Miguel, da Odebrecht, no final de 2010, onde comandavam a petroquímica Braskem e a Odebrecht Óleo e Gás, respectivamente.

A GranEnergia, braço liderado por Miguel, é dona de empresas de apoio à indústria offshore que, juntas, devem faturar R$ 400 milhões neste ano.

Procurada, a GranBio afirmou que trajetória de pioneirismo é sempre mais difícil e que, após refazer vários desenhos de rota, está confiante de que o projeto seguirá com sucesso. (O Estado de São Paulo 06/11/2017)

 

Família Gradin, sócia da Odebrecht, busca ajuda do BNDES para viabilizar usina

Protagonista de um dos maiores litígios empresariais do País, família criou projeto de etanol em 2011, após deixar o dia a dia da Odebrecht; negócio, que tem o banco como sócio e já consumiu recursos de R$ 1 bi, tenta novo aporte para conseguir dar resultado.

Cinco anos após investir cerca de R$ 1 bilhão em um projeto de etanol de segunda geração, que usa resíduos da cana-de-açúcar em sua produção, a família Gradin ainda tenta fazer deslanchar o negócio, sua principal aposta para superar a saída tumultuada do dia a dia do grupo Odebrecht, no qual até hoje detém fatia de 20,6%. A briga entre os Gradin e os Odebrecht é uma das maiores disputas societárias em curso no País.

Batizada de GranBio, a empresa, que produz combustível a partir da palha da cana, sofreu reveses em série, que incluíram a paralisação da fábrica, incêndio no estoque de matéria-prima e briga com fornecedores. O projeto atrasou e agora precisa de mais dinheiro.

Para isso, no entanto, os Gradin precisarão da boa vontade do governo. Está prevista para a próxima quinta-feira uma assembleia para discutir com o BNDESPar, braço de participações do BNDES, novo aporte de R$ 250 milhões na empresa. O banco é o maior investidor no projeto: pagou R$ 600 milhões por 15% da GranBio em 2013. Os Gradin investiram R$ 400 milhões. Mas convencer o BNDES a colocar mais dinheiro na empresa não será fácil, afirmam fontes próximas ao banco. Procurado, o BNDES admitiu que novo aporte é necessário, mas disse não ter tomado decisão sobre o tema.

Tecnologia. Ao fundar a GranBio em 2011, Bernardo Gradin, ex-presidente da petroquímica Braskem, fechou parceria tecnológica com a italiana Mossi Ghisolfi (MG), um dos mais importantes grupos petroquímicos do mundo. Os italianos forneceriam maquinário para a usina em Alagoas. Em setembro de 2014, a fábrica começou a rodar. Mas não tardou para ficar claro que a solução vendida não funcionava. A usina só conseguia operar por poucos dias até precisar parar para reparos.

Os Gradin tentaram negociar diretamente com os donos da MG o ressarcimento, mas acabaram, segundo apurou o Estado, apelando para arbitragem na Corte de Londres após a morte de Guido Ghisolfi, em 2015. Um dos herdeiros da MG, ele era o principal interlocutor dos brasileiros. Paralelamente à disputa, os Gradin abriram processo na Justiça de Alagoas para produzir provas e mostrar que a tecnologia dos italianos não funciona.

Para piorar, a MG, com dívida de quase US$ 1 bilhão, entrou em outubro com pedido de concordata na Itália e nos EUA. O episódio reduz as chances de os Gradin serem indenizados pelos prejuízos à GranBio, que somam cerca de R$ 200 milhões, apurou o Estado.

Procurada, a MG não respondeu. A GranBio disse esperar uma solução viável com a MG e que vê a recuperação judicial do grupo como oportunidade. A empresa não confirmou se há arbitragem em curso. (O Estado de São Paulo 06/11/2017)

 

Açúcar: Realização de lucros

Após caírem 33 pontos na quinta-feira, os contratos futuros de açúcar demerara passaram por realização de lucros na sexta-feira.

Os papéis com vencimento em maio subiram 12 pontos, para 14,48 centavos de dólar a libra-peso.

Os fundamentos, contudo, continuam apontando para baixa da commodity. Segundo a Green Pool, a oferta de açúcar deve ficar 9,8 milhões de toneladas acima da demanda mundial em 2017/18.

O número representa o maior superávit registrado em uma década.

Nem mesmo a sinalização de que o Brasil continuará destinando a maior parte da sua colheita de cana para o etanol em detrimento do açúcar muda o cenário.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,75 a saca de 50 quilos, alta de 0,65%. (Valor Econômico 06/11/2017)

 

Em Mato Grosso, etanol vira alternativa para o milho

Biocombustível ganha espaço nos projetos para melhorar aproveitamento da produção do Estado.

Maior celeiro agropecuário do País, Mato Grosso busca no etanol a saída para reduzir gargalos econômicos e logísticos gerados por um excedente anual de 25 milhões de toneladas de milho, 27% da oferta brasileira. Essa é a produção que não é consumida localmente, mas que enfrenta desafios para ser levada para outras regiões. Nessa nova rota do biocombustível, o cenário é animador, mas também aponta desafios. Ao mesmo tempo em que o processamento do milho para se obter álcool gera subprodutos que proporcionam remuneração extra ao produtor, como o farelo, alimento de qualidade e de menor custo para o rebanho de 30 milhões de bovinos do Estado, a expansão do combustível precisa ser acompanhada de avanços nas questões estruturais. Entraves observados em anos de ampla produção de milho, entre eles dificuldade de escoamento e preço baixo, podem ser um limitador no futuro.

Com 11 usinas, Mato Grosso é autossuficiente em álcool. Consome um terço do 1,4 bilhão de litros que oferta. Três das unidades existentes no Estado são flex e já produzem o biocombustível com o uso de cana-de-açúcar e milho. As outras oito usam apenas cana. Em agosto, foi inaugurada em Lucas do Rio Verde (MT) a primeira unidade produtora de álcool exclusivamente do cereal, a FS Bioenergia.

Produtores dessa região, principal polo produtor de milho naquele Estado, sofrem para escoar os grãos. Até o terminal ferroviário mais próximo, em Rondonópolis (MT), são 600 quilômetros ao sul por rodovia. Uma alternativa, ao norte, é enfrentar 1.100 quilômetros pela BR-163, com trechos precários, para exportar pelo porto de Miritituba (PA). O resultado do gargalo logístico é que o preço do frete dobra e a competitividade do milho diminui.

Em Lucas do Rio Verde, distante 330 quilômetros ao norte da capital Cuiabá, há uma mistura de euforia com a FS Bioenergia e desconfiança de produtores sobre o potencial de reação dos preços do cereal. Empresário rural e prefeito luverdense no primeiro mandato, Luiz Binotti (PSD) diz que o primeiro ponto positivo da chegada da FS é a geração de empregos, “com remuneração melhor e profissionais de alto conhecimento”.

Menos otimista, o presidente do Sindicato Rural local, Carlos Alberto Simon, diz que os preços do milho já mostram reação, mas é cauteloso sobre a possibilidade de isso ser uma tendência. Segundo ele, a saca de 60 quilos a ser entregue à FS Bioenergia no segundo semestre de 2018 já foi comercializada entre R$ 16,00 e R$ 16,50, alta de até 22% em relação ao valor de mercado atual, de R$ 13,50. “Ainda é baixo, mas é uma melhora”, pondera.

Flex

A 150 quilômetros de Lucas do Rio Verde, em São José do Rio Claro (MT), está a Destilaria de Álcool Libra, uma das três usinas flex mato-grossenses. Lá, já virou realidade aquilo que em Lucas do Rio Verde é uma expectativa. De acordo com o diretor comercial da Libra, Celso Eduardo Ticianeli, o etanol de milho responde por 35% da receita da companhia, o farelo por 25% e o álcool de cana pelos 40% restantes.

Os pecuaristas agradecem. “O farelo de milho tem quantidade de proteína comparada ao de soja, é mais barato e, pelo alto teor de umidade, é mais palatável aos animais”, diz Jefferson Albino, gestor da unidade da empresa de pecuária LFPEC em Diamantino (MT), a 50 quilômetros da Libra.

Mas a cana é considerada indispensável para as usinas flex por gerar o bagaço. A biomassa é queimada em caldeiras e transformada em energia elétrica, insumo fundamental na unidade fabril. Quem não dispõe de cana utiliza eucalipto picado como biomassa para a produção de energia. Estudo feito pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que a construção de novas usinas do biocombustível a partir do milho terá como fator limitador justamente a oferta restrita de biomassa para a geração de energia.

O governo federal trata o advento das usinas de etanol de milho como “uma revolução”, pelos impactos econômicos, sociais e até fundiários gerados onde as unidades são instaladas. Para o diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Miguel Ivan Lacerda, a rota alternativa de produção do bicombustível “cria uma nova fronteira de desenvolvimento”. O ex-governador e senador licenciado de Mato Grosso, o ministro da Agricultura Blairo Maggi, diz que, “diferentemente de uma usina de cana, que precisa mudar todo sistema fundiário e social para ser instalada, a implantação de uma usina de milho vem como incremento para a região produtora do grão”.

Apesar do protagonismo estadual, o uso do milho na produção de etanol e de farelo para a pecuária não deverá ser restrito às lavouras mato-grossenses, para o ex-presidente e conselheiro consultivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) Glauber Silveira. “Se o etanol de milho é viável a até R$ 36 a saca, como mostra estudo do Imea, e como unidades flex precisam de menos investimentos, o maior potencial de crescimento da nova rota está em usinas de cana de São Paulo”, diz, referindo-se à principal região canavieira do mundo. (O Estado de São Paulo 04/11/2017)

 

Renuka avalia venda das duas usinas após suspensão de leilão, diz fonte

Quase dois meses após a suspensão do leilão da usina Revati, em Brejo Alegre (SP), o grupo sucronergético Renuka do Brasil busca alternativas para levantar recursos e dar continuidade ao plano de recuperação judicial junto aos credores, afirmou à Reuters uma fonte com conhecimento direto do assunto.

Para tanto, a companhia está em tratativas com possíveis interessados e não descarta, agora, arrendar ou mesmo vender suas duas usinas no interior de São Paulo (Revati e Madhu, esta situada em Promissão), disse a fonte, sob condição de anonimato, já que não é autorizada a falar com a imprensa.

De acordo a fonte, não há nada fechado a respeito por enquanto. As duas usinas da Renuka têm capacidade combinada para moer mais de 10 milhões de toneladas de cana por safra.

A consultoria e trading Czarnikow foi denominada pela Renuka do Brasil como responsável por realizar uma sondagem no mercado sobre possíveis interessados nas duas usinas, destacou a fonte.

A sondagem da Czarnikow é realizada enquanto a Renuka aguarda uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que pode derrubar a suspensão ao leilão da Revati, contestado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um dos principais credores do grupo sucroalcooleiro.

Se o TJ-SP decidir favoravelmente à Renuka, a empresa pode prosseguir com o leilão da Revati.

Uma outra alternativa, independentemente da decisão do TJ-SP, seria a venda da Revati e da Madhu, numa nova linha para o plano de recuperação judicial.

A Reuters não obteve um comentário imediato da Czarnikow. Não foi possível falar com a Renuka a respeito do assunto.

Impasse

O leilão da usina Revati estava inicialmente marcado para 4 de setembro, mas foi suspenso poucos dias antes pela Justiça, que aceitou pedido do BNDES, titular das garantias hipotecárias da companhia sucroenergética.

A venda da Revati, que chegou a atrair o interesse de pelo menos três empresas, dentre as quais a gigante chinesa Cofco, está no cerne do processo de recuperação judicial da Renuka do Brasil, que tem dívidas de quase 3 bilhões de reais.

Subsidiária da indiana Shree Renuka Sugars, a Renuka do Brasil iniciou investimentos no país em 2010 e foi atingida juntamente com o restante do setor por baixos preços do açúcar e pelo controle de preços de combustíveis que vigorou em governos anteriores.

Nos últimos meses, em meio às indefinições envolvendo o andamento do processo de recuperação judicial, a Renuka do Brasil passou a demitir funcionários e a devolver terras arrendadas para o plantio de cana. Em outubro, fontes afirmaram à Reuters que a empresa demitiu cerca de 900 trabalhadores.

De acordo com a fonte, por ora não há risco de falência da empresa, mas a companhia deve processar menos cana no próximo ano. (Reuters 03/11/2017)

 

Bunge avalia IPO do negócio de açúcar no Brasil

A Bunge pode conseguir o melhor valor para seu negócio de açúcar no Brasil ao lançar uma oferta pública inicial da unidade, disse nesta quarta-feira o presidente-executivo da companhia, Soren Schroder, quatro anos após começar a explorar possibilidades de venda.

Schroder está avaliando um IPO no momento em que um excedente global de produtos agrícolas abalou os lucros do negócio principal de operação de grãos e unidades de processamento da Bunge e de suas concorrentes, forçando cortes de gastos.

“Parece ser um jeito pelo qual conseguiremos o melhor valor justo pelos ativos”, disse Schroder sobre um IPO do negócio de açúcar, falando em uma entrevista após a companhia registrar lucro menor na comparação anual pelo terceiro trimestre consecutivo.

A Bunge está no processo de separar financeiramente seus negócios de açúcar e bioenergia, que reportam resultados conjuntamente, para mostrar que a companhia ainda está trabalhando para reduzir sua exposição às operações de açúcar.

Em 2013, a companhia começou a explorar a venda de suas usinas que davam prejuízo, que agora estão dando lucro.

Melhorias no mercado de ações do Brasil poderiam ajudar a abrir caminho para uma oferta pública inicial do negócio de açúcar.

“O mercado brasileiro estar ficando pronto para receber esse tipo de IPO”, disse Schroder.

Os ganhos no setor de açúcar e bioenergia caíram 77 por cento ante um ano atrás para 8 milhões de dólares no terceiro trimestre encerrado em 30 de setembro, e a Bunge reduziu sua projeção para os ganhos do segmento no ano.

A Bunge entrou no mercado mundial de açúcar como trader em 2006, e desde então construiu uma forte posição na comercialização e produção de açúcar e etanol.

A empresa está entre as líderes no processamento de cana do Brasil e opera oito usinas com capacidade combinada de aproximadamente 21 milhões de toneladas por ano, segundo informação do site da Bunge. (Reuters 01/11/2017)

 

Etanol hidratado sobe 1,07% e anidro avança 4,92% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 1,07% nesta semana, de R$ 1,5721 o litro para R$ 1,5889 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Já o valor anidro avançou 4,92%, de R$ 1,6632 o litro para R$ 1,7450 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq.

Os dois combustíveis atingiram o maior valor nominal desde a semana encerrada em 17 de fevereiro, quando o hidratado foi negociado a R$ 1,6661 por litro e o anidro a R$ 1,7524 o litro. É também o recorde dos indicadores na safra 2017/2018, iniciada em 1º de abril. (Agência Estado 03/11/2017)

 

FMC Corporation conclui transações transformadoras com a DuPont

A FMC Corporation (NYSE: FMC) anunciou hoje que concluiu com sucesso duas transações pendentes com a DuPont.

As empresas firmaram um contrato definitivo em 31 de março de 2017, já tendo atendido todas as condições e obtido as aprovações necessárias.

A FMC adquiriu parte do setor de Proteção de Culturas da DuPont do qual a última teve que se desfazer para atender ao regulamento da Comissão Europeia relativo à sua fusão com a The Dow Chemical Company, concluído em 31 de agosto do 2017, para a criação da DowDuPont™.

Além disso, a FMC concluiu a venda da FMC Health and Nutrition à DuPont.

A empresa fornecerá um primeiro parecer sobre a empresa combinada e a integração dessa aquisição na próxima semana, como parte do conference call sobre os lucros do terceiro trimestre de 2017 na terça-feira, 7 de novembro de 2017. (FMC 03/11/2017)

 

Açúcar: Lento na subida, rápido na descida – Por Arnaldo Luiz Corrêa

Mais uma daquelas semanas aborrecidas do mercado de açúcar. Única diferença é que a volatilidade está mais alta, não necessariamente das opções, mas o futuro mesmo que oscila com mais força do que o habitual. O vencimento março/2018 encerrou cotado a 14.38 centavos de dólar por libra-peso uma queda de 25 pontos na semana, ou 5.50 dólares por tonelada. Todos os demais vencimentos fecharam em queda entre 6-20 pontos.

A surpresa, depois do fechamento, veio com a divulgação da posição dos participantes: os fundos liquidaram 42.000 lotes e o mercado moveu 46 pontos (de terça a terça). Existem dois pontos a serem observados com essa informação: o primeiro, mostrando a fraqueza do mercado, que precisou de 46.000 toneladas para mover um ponto. O segundo, que se houve essa redução, pode ser que tenha havido bastante fixação das usinas (atrasadas) tirando a pressão que tanto comentamos aqui. (Lembrando que falamos que as usinas deviam ter aproximadamente 80.000 lotes ainda a serem fixados). Vamos ficar atento aos próximos capítulos.

A Petrobras subiu mais o preço da gasolina. O mercado de petróleo deixou de ser coadjuvante e passou a ser protagonista no dia-a-dia dos analistas de mercado quando olhares mais atentos se lançam por sobre os fundamentos do setor sucroalcooleiro. Difícil saber o quanto desse protagonismo já atingiu o raio de percepção das análises que lemos diariamente acerca do setor. Nossa impressão é que os participantes do mercado ainda não aprenderam a lidar com esse novo componente.

É controverso afirmar de maneira peremptória que o petróleo está no radar dos fundos vendidos no açúcar, contudo, aquele que no setor sucroalcooleiro se antecipar aos possíveis acontecimentos no mercado de petróleo/energia terá maior vantagem competitiva.

No mercado de energia é consenso que os produtores de gás de xisto enfrentarão em 2018, independentemente do seu tamanho, substancial aumento no custo de perfuração que irá impactar de maneira considerável na diminuição da produtividade e no aumento do custo de produção. Prevê-se também gargalos logísticos e falta de mão-de-obra. Argumentam os analistas que depois da dispensa de muitos trabalhadores na indústria de óleo e gás, objetivando a diminuição de custos, em épocas de crise, a reposição desses profissionais tornou-se tarefa difícil porque muitos foram para outras indústrias mais estáveis. Mais dinheiro precisa ser colocado sobre a mesa. Isso coloca o ponto de equilíbrio do gás de xisto para patamares mais elevados, sendo factível que o petróleo siga o mesmo passo.

Para reforçar o argumento de petróleo mais alto, pegue as crescentes exportações de petróleo pelos EUA, com gordas margens, que estão ajudando a diminuir os estoques no país, o que até então era um fator de resistência na subida de preços. Adicione como possíveis fatores de sustentação nos preços (ou quem sabe até uma elevação dos mesmos) a instabilidade geopolítica de alguns importantes participantes: Venezuela, Iraque, Nigéria, Líbia e Irã. Percebem o caminho que temos adiante?

Um ponto que merece reflexão é sobre as tradings de commodities. Nos últimos anos elas tem lutado arduamente para sobreviver. Margens estreitas, alta competitividade, menor rotatividade de volume, maior alocação de capital de giro, maior restrição creditícia empurram o responsável pela tomada de decisões na trading a arriscar mais. Com isso, as instituições financeiras que financiam muitas tradings ficam menos à vontade com o business trading propriamente dito, diminuindo a alocação de recursos, aumentando a restrição creditícia e assim a coisa vira uma bola de neve. A imprensa tem divulgado inúmeros casos de dança das cadeiras dentro das empresas, acionistas querendo sair do negócio, rombos imensos em operações especulativas e grandes prejuízos operacionais ou lucros pífios. O trading não tem tido no passado recente o mesmo glamour de que gozava décadas passadas.

O efeito imediato para o setor, e esse é um contraponto importante que poderá eventualmente diminuir qualquer entusiasmo na recuperação de preços, é que as tradings certamente serão menos agressivas na negociação de contratos de açúcar físico para a safra 2018/2019. Já se observa em algumas negociações para o ano que vem descontos maiores comparativamente àqueles praticados este ano. Igualmente é possível, para diminuir riscos e necessidade de caixa destinado a ajustes de preço - que haja diminuição do prazo para que as usinas fixem seus contratos em NY antes do embarque. A razão é simples: o desconto negociado no mercado spot ao longo deste ano safra apresentou diversas vezes níveis muito mais baixos do que aqueles contratados pelas tradings. Isso é prejuízo na veia uma vez que não existe hedge de basis. É apenas natural que as tradings venham com menos sede ao pote no próximo ano.

Na semana que vem ocorre o Sugar Dinner do Brasil, em sua 9ª edição, em São Paulo. A todos aqueles que estão vindo para atender ao evento, um ótima viagem e excelentes negócios.
O livro “Derivativos Agrícolas”, minha autoria com o jornalista Carlos Raices, já está disponível na Amazon Books, iTunes, Google Play, Kobo e Livraria Cultura: é so acessar o link a seguir. Boa leitura!

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As inscrições para XXIX Curso de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas que vai ocorrer nos dias 06, 07 e 08 de março de 2018, em São Paulo, Capital, no Hotel Wall Street já estão abertas. Para mais informações: priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)