Setor sucroenergético

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"Futuro do etanol depende do RenovaBio", diz Raízen

 “O futuro do etanol hidratado e o futuro da agroindústria brasileira dependem do RenovaBio”. Foi o que afirmou Luis Henrique Guimarães, presidente da Raízen, durante a 17ª Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Etanol, realizada hoje em São Paulo.

Ele lembrou que o Brasil tem o menor custo de produção de etanol do planeta, e uma “infraestrutura invejável montada” capaz de impulsionar novos avanços significativos nessa frente. Mas, para que todo o potencial seja atingido, disse, é necessário que haja previsibilidade no segmento para atrair investimentos, e o RenovaBio vai colaborar para isso.

“O setor sucroalcooleiro tem um ciclo. Não dá para fazer um investimento do dia para noite”, disse. Para ele, não há lugar melhor que o Brasil para que essa indústria cresça. “O RenovaBio pode ajudar na competitividade do setor, gerando uma competição saudável”, defendeu.

Segundo Márcio Felix, secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, o RenovaBio, que é um marco regulatório para os biocombustíveis, deverá estar definido e fechado até meados do ano que vem. De acordo com ele, a ideia é que tudo esteja regulamentado antes das próximas eleições presidenciais.

Felix afirmou que até quarta-feira deverá haver alguma definição em torno da regulamentação da nova política, que poderá se dar por meio de medida provisória (MP) ou projeto de lei (PL). (Valor Econômico 07/11/2017)

 

'Negócio da China' no mercado de sementes

A suíça Syngenta subiu mais um degrau em sua estratégia de se tornar a segunda maior empresa no mercado global de sementes. Ontem, a suíça - agora sob controle da ChemChina, anunciou ter celebrado um acordo para comprar a Nidera Seeds, braço da chinesa Cofco International. Os termos e o valor da transação não foram divulgados.

Em entrevista ao Valor, Claudio Torres, diretor de sementes da Syngenta para a América Latina, afirmou que a transação complementa o portfólio da companhia no Brasil e amplia a disponibilidade de genética e tecnologia da multinacional. "A Syngenta tem uma estratégia muito clara de crescimento em sementes e o Brasil tem uma importância crucial nessa área", afirmou ele.

Líder no mercado brasileiro de defensivos, pelo menos até a aprovação da compra da americana Monsanto pela alemã Bayer, a Syngenta planeja subir para a segunda colocação no mercado de sementes no país. O plano não é novo, mas vem ganhando traços cada vez mais nítidos desde que a companhia integrou os negócios de químicos com o de sementes, ainda em 2008.

Em março, Laercio Giampani, presidente da multinacional no Brasil, afirmou ao Valor que o país tem potencial para ser o primeiro mercado no mundo para a Syngenta. Na ocasião, Giampani afirmou que o Brasil já respondia por 20% do faturamento da companhia e perdia apenas para a América do Norte (Estados Unidos e Canadá), que em 2016 representou 25% de um montante global de US$ 12,8 bilhões. Aproximadamente 67% das vendas da divisão América Latina da Syngenta, que foram de US$ 3,3 bilhões, tiveram origem no Brasil.

A negociação anunciada ontem está em linha com a estratégia de crescimento no mercado brasileiro. "A Nidera tem um germoplasma de soja melhor que o da Syngenta e uma presença bem importante nesse segmento", disse Jorge Attie, consultor da Céleres.

O Brasil tem o terceiro maior mercado de sementes do mundo e, segundo a Kleffmann Consultoria, movimentou cerca de US$ 4,8 bilhões na safra 2016/17. No tabuleiro global de sementes, a Monsanto é líder com 27% de vendas totais que somaram quase US$ 40 bilhões em 2016, segundo a Phillips McDougall. Em seguida vem a também americana DuPont (17%), que já teve o processo de fusão com a compatriota Dow aprovado, e a Syngenta (7%). Segundo a Kleffmann, a divisão do mercado brasileiro não é muito diferente da global.

No ano passado, a Monsanto foi a líder no mercado brasileiro de sementes, levando em conta soja, milho e algodão. A DuPont veio em seguida, à frente do Grupo Don Mario, da Nidera e da Dow Agrosciences. A Bayer CropScience ficou em sétimo lugar. Recentemente, a também alemã Basf anunciou a aquisição de boa parte dos negócios globais de sementes da Bayer. (Valor Econômico 07/11/2017)

 

Açúcar: Alta da gasolina

A alta nos preços da gasolina no Brasil continua dando fôlego às cotações do açúcar na bolsa de Nova York.

Os contratos com vencimento em maio fecharam a 14,65 centavos de dólar a libra-peso ontem, com avanço de 17 pontos.

Desde julho, a Petrobras tem reajustado quase que diariamente os preços dos combustíveis no mercado brasileiro.

Com isso, o valor da gasolina nas refinarias acumula alta de 23,92%, o que afeta a decisão das usinas entre produzir açúcar ou de etanol.

Na primeira metade de outubro, as unidades do Centro-Sul do Brasil destinaram 56,24% da colheita para produção do biocombustível contra 53% na quinzena anterior.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 60,25 a saca de 50 quilos, alta de 2,55%. (Valor Econômico 07/11/2017)

 

Copersucar vê mercado de açúcar firme até o início da próxima safra do Centro-Sul

A perspectiva é construtiva para os preços do açúcar no mercado internacional pelo menos até o início da próxima safra de cana no centro-sul do Brasil, em abril, e as usinas do país deverão tirar proveito de eventuais ralis nas cotações para realizar o hedge da produção futura, afirmou nesta segunda-feira o presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza.

"No médio prazo, o viés é construtivo, por causa do mix mais alcooleiro no Brasil e pelo fato de as safras de Índia e Europa ainda não terem entrado com força no mercado. Mas daí para frente a previsão é de superávit", afirmou ele a jornalistas no intervalo da 17ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

Em entrevista à Reuters mais cedo, o presidente do conselho da Copersucar, Luiz Roberto Pogetti, disse que as usinas do centro-sul planejam um aumento da produção de etanol na próxima temporada (2018/19).

Assim, as usinas "têm de aproveitar ralis (nos preços), pois ainda estão pouco fixadas para a safra 2018/19", acrescentou Souza, sem citar números.

Pela estimativa mais recente da consultoria Archer Consulting, até setembro a fixação de preços futuros da próxima safra pelas usinas brasileiras alcançava 15,5 por cento da exportação projetada, o menor percentual desde a temporada 2015/16 para esta época.

Ainda segundo Souza, "haverá uma antecipação de 10 a 12 dias" no término da colheita de cana deste ano, o que se refletirá em uma entressafra maior e, consequentemente, com "preços mais sustentados" para os produtos, tanto açúcar quanto etanol.

A antecipação do fim da safra é resultado da menor oferta de matéria-prima e também do tempo seco em setembro e outubro, que favoreceu a colheita.

A Copersucar, uma das maiores companhias sucroenergéticas do mundo, com mais de 20 empresas associadas, projeta uma moagem de 595 milhões de toneladas pelas usinas e destilarias do centro-sul do Brasil na atual safra 2017/18.

O volume é inferior ao de 607 milhões de toneladas registrado no ciclo passado.

Para a próxima temporada, a 2018/19, que se inicia em abril, Souza disse que há espaço para o etanol ganhar espaço no mix, caso os preços do petróleo Brent permaneçam acima de 60 dólares por barril, a Petrobras continue com sua política de formação de preços e as cotações da gasolina nos Estados Unidos sigam sustentadas. (Reuters 06/11/2017)

 

Copersucar projeta maior produção de etanol na próxima temporada

A brasileira Copersucar, maior comerciante de açúcar do mundo, prevê que as usinas do centro-sul aumentarão a produção de etanol na próxima temporada (2018/19), para tirar vantagem de maior demanda e preços mais altos do biocombustível, disse à Reuters o presidente do conselho da empresa, Luís Roberto Pogetti, nesta segunda-feira.

Falando no intervalo de uma conferência em São Paulo, Pogetti disse que as mudanças no mix de produção na atual safra foram modestas devido aos compromissos anteriores das usinas com o açúcar, mas que há uma chance de maiores ajustes a favor do etanol no futuro.

“No próximo ano, considerando as perspectivas de melhores retornos para o etanol, as usinas provavelmente explorarão sua flexibilidade de produção para produzir mais etanol”, disse Pogetti.

Os preços da gasolina subiram 20 por cento no Brasil desde julho, devido ao aumento nos preços do petróleo e aos efeitos dos furacões nos Estados Unidos.

Como resultado, a demanda de etanol cresceu no Brasil à medida que a vantagem de preços do biocombustível sobre a gasolina aumentou.

As usinas conseguiram melhorar as margens nas vendas de etanol, obtendo melhores retornos do que com as exportações de açúcar.

A Copersucar comercializa açúcar e etanol de mais de 20 empresas no Brasil e é parceira da Cargill na Alvean, que responde por cerca de 25 por cento do comércio global de açúcar.

A atual colheita de cana no centro-sul do Brasil está prestes a terminar, e as usinas têm expectativa de processar cerca de 580 milhões de toneladas.

A maioria dos analistas não vê mudanças significativas na quantidade de cana a ser processada na próxima temporada, que começa em abril.

Apesar das expectativas de que uma maior quantidade de cana seja destinada à produção de etanol no próximo ano, Pogetti disse que não espera grandes mudanças no mercado de açúcar.

“Será mais ou menos 1 bilhão de litros (de etanol)”, disse ele. “Pode estimular algum nervosismo no mercado de açúcar, mas não vejo isso como relevante.”

Participantes do mercado do açúcar de todo o mundo devem participar nesta semana em São Paulo de vários eventos da indústria que culminarão com o Sugar Dinner, na quinta-feira.

Pogetti disse que agendou reuniões com muitos compradores de açúcar e etanol nos próximos dias, já que o mercado tenta medir perspectivas para a produção do Brasil em 2018/19.

Uma possível grande mudança no Brasil seria o programa RenovaBio, um plano em elaboração pelo governo para impulsionar o uso de etanol e biodiesel no país.

Mas o programa, visto como certo anteriormente, ainda não foi implementado, em meio a pressões de diversos agentes.

Pogetti disse que há um consenso no governo sobre RenovaBio, e ele espera que o programa comece a vigorar em breve. (Reuters 06/11/2017)

 

Etanol de milho: FS Bioenergia quer dobrar produção e Usina Itamarati pode se tornar flex

Inaugurada em agosto deste ano, com investimento de R$ 450 milhões, a FS Bioenergia, joint-venture entre a brasileira Fiagril e o americano Summit Agricultural Group, pretende dobrar a capacidade de produção de etanol de milho em 2018.

A unidade, localizada em Lucas do Rio Verde (MT), é a primeira do País a produzir o combustível exclusivamente de milho e deve atingir capacidade de quase 500 milhões de litros por ano com o aporte de R$ 300 milhões no ano que vem. Baseada no modelo fabril que fez os Estados Unidos superarem o Brasil no ranking global de países produtores de etanol, a FS Bioenergia processa 600 mil toneladas de milho por ano e deve atingir 1,2 milhão de toneladas em 2018.

A industrialização do cereal produzirá quase 200 mil toneladas de farelo para a alimentação animal e 7 mil toneladas de óleo de milho para a produção de biodiesel em uma fábrica vizinha, segundo o presidente da FS Bioenergia, Henrique Ubrig, em entrevista ao Broadcast Agro na sede da companhia, no município mato-grossense.

Cautela

Considerado um dos projetos mais audaciosos do empresário Olacyr de Moraes, morto em 2015, a Usina Itamarati já foi a maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com uma moagem superior a 7 milhões de toneladas por safra no passado.

Inaugurada em 1983, a unidade adotou parcerias com produtores de cana para diminuir custos e riscos. Agora, processa 4,5 milhões de toneladas para açúcar e etanol, volume que a coloca ainda entre os gigantes do segmento.

Localizada em Nova Olímpia (MT), área com oferta abundante de milho e um mercado pecuário capaz de absorver o farelo do cereal, a Itamarati avalia implantar uma unidade anexa para o uso do grão na fabricação do biocombustível.

Segundo o diretor-presidente da companhia, José Arimatéa de Ângelo Calsaverini, seria pequeno o investimento para tornar a Itamarati uma usina flex. Entre os entraves para a produção de etanol de milho, segundo o executivo, está o preço do grão, que tem forte variação. "Embora tudo seja etanol, as matérias-primas são negócios com lógicas diferentes. Etanol de milho é mais arriscado, apesar de extremamente viável hoje".

Três novas usinas de etanol de milho devem ser construídas em Mato Grosso nos próximos anos, segundo o presidente da União Nacional do Etanol de Milho, Ricardo Tomczyk. (O Estado de São Paulo 06/11/2017)

 

Brasil Global lança tinta inseticida

A Brasil Global começa a vender, neste mês, tinta com princípio ativo inseticida, denominada Artilin 3A MATE, de acordo com o diretor operacional da empresa, Marcelo Brisolla. Desenvolvido pela Artilin, fabricante de tintas funcionais francesa, e pela Bayer, que fornece a matéria-prima Deltametrina, o produto será destinado a uso profissional. Há expectativa que, em cinco anos, o faturamento fique entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por ano.

A tinta funciona, segundo o executivo, como ferramenta para combate a mosquitos, incluindo o da dengue, baratas e formigas, além de ter ações contra mofo e anti-ácaro. Trata-se de item na fronteira do mercado de tintas imobiliárias e do de dedetização. Os investimentos para trazer o primeiro contêiner do produto ao país somam R$ 1,5 milhão, e os demais aportes, como para regulamentação, testes-pilotos e marketing chegam a R$ 10 milhões.

A Brasil Global deu início a testes com empresas de controles de pragas em São Paulo, em Brasília, na Bahia e no Espírito Santo. As empresas de controle de vetores terão de ser licenciadas pela Brasil Global para realizar as aplicações em residências, hospitais e em segmentos do agronegócio. (Valor Econômico 07/11/2017)