Setor sucroenergético

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Biosev suspende atividade na usina Maracaju, em Mato Grosso do Sul

O conselho de administração da companhia sucroalcooleira Biosev, controlada pela trading Louis Dreyfus Company, decidiu suspender a atividade industrial da usina de Maracaju, localizada no município de mesmo nome, no Estado do Mato Grosso do Sul, a partir de hoje.

Segundo nota enviada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), esta decisão faz parte de programa que visa reduzir custo de produção unitário com objetivo de trazer maior resiliência para sua geração de caixa.

A suspensão da operação da unidade de Maracaju está restrita às atividades industriais, sendo que seu ativo biológico será redirecionado para outras unidades da Biosev localizadas no Estado do Mato Grosso do Sul que compõem o Polo MS (Rio Brilhante e Passatempo). Como consequência dessa decisão, a companhia passará a alocar a cana-de-açúcar nas unidades com maior escala e capacidade de extração de açúcar e etanol (Rio Brilhante e Passatempo).

Em nota, a Biosev ainda destacou que “potencialmente passará a ter o benefício adicional de aumento da produção de energia, uma vez que as usinas de Rio Brilhante e de Passatempo têm capacidade de produção de energia para venda, não sendo esse o caso da usina de Maracaju”. (Valor Econômico 09/11/2017)

 

Açúcar: De olho no Brasil

O mercado segue acompanhando com atenção a queda no percentual de cana destinada à fabricação de açúcar no Brasil, o que impulsionou as cotações da commodity na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos com vencimento em maio fecharam a 14,91 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 15 pontos.

Maior produtor mundial da commodity, o país destinou 56,24% da cana-de-açúcar na primeira quinzena de outubro no Centro-Sul para a produção de etanol contra 50% no ano passado e 53% na quinzena anterior.

Além disso, a produção de açúcar recuou 12,28% na comparação anual, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 61,55 a saca de 50 quilos, alta de 0,82%. (Valor Econômico 09/11/2017)

 

Real enfraquecido leva a queda dos preços do açúcar no mundo

Os preços globais dos alimentos caíram em outubro deste ano, chegando a um índice 27% abaixo da máxima registrada para o mês, em 2011. O cálculo é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que atribui a queda de 1,3% na comparação com setembro a oscilações do setor de laticínios. A agência da ONU citou ainda o enfraquecimento do real brasileiro como uma das causas da queda no preço mundial do açúcar.

Os preços globais dos alimentos caíram em outubro deste ano, chegando a um índice 27% abaixo da máxima registrada para o mês, em 2011. O cálculo é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que atribui a queda de 1,3% na comparação com setembro a oscilações do setor de laticínios. A agência da ONU citou ainda o enfraquecimento do real brasileiro como uma das causas da queda no preço mundial do açúcar.

O índice de preços para os laticínios registrou uma redução de 4,2% em outubro na comparação com o mês anterior. Foi o primeiro decréscimo desde maio. De acordo com a FAO, as cotações internacionais da manteiga e do leite integral em pó tiveram queda porque os importadores retardaram suas compras à espera de novos insumos da Oceania. No caso do leite desnatado em pó, a demanda escassa e intervenções da União Europeia foram apontadas como causas da baixa no valor de mercado.

Já o preço do açúcar teve uma diminuição de 0,7% em relação a setembro devido ao enfraquecimento da moeda do Brasil no cenário internacional. A FAO lembra que o país é o maior exportador do produto. Outros fatores incluíram perspectivas de colheitas mais abundantes de beterraba na União Européia, o legume é usado na produção de açúcar, e uma produção mais robusta na Rússia.

A média de preços do azeite vegetal também registrou diminuição, de 1,1%, em relação ao mês anterior. Isso porque as perspectivas para os óleos de palma e de soja indicam ganhos na produção, o que deverá reduzir o valor dos produtos.

Ainda segundo a FAO, em outubro, os preços da carne estiveram 0,9% menores do que em setembro. A queda é fruto do aumento da concorrência entre os exportadores de carne suína. Combinado a uma fraca demanda por importações, o fenômeno provocou uma baixa a nível mundial dos preços.

Já os cereais registraram alta, de 0,4%. O aumento foi motivado por elevações no valor do arroz, mesmo os preços do trigo tendo se mantido menores. Segundo a FAO, a produção de cereais em 2017 deverá atingir um novo recorde, mas o volume inédito será maior do que o produzido em 2016 apenas por uma pequena margem.

Quando considerados os cereais secundários, a produção no geral deverá ter um saldo menor que o de 2016, sobretudo devido a colheitas menos volumosas de trigo nos Estados Unidos. (ONU 06/11/2017)

 

RenovaBio e política da Petrobras devem estimular listagem de usinas, diz São Martinho

A manutenção da política de formação de preços de combustíveis da Petrobras e a efetivação do RenovaBio, programa do governo federal para expansão dos biocombustíveis, devem estimular outras companhias sucroenergéticas a ter ações negociadas em bolsa, disse nesta quarta-feira o diretor financeiro do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato.

“Se mudando um pouco a partir de agora com o RenovaBio, com regras estáveis, previsibilidade no futuro, se a questão dos preços de combustíveis nos próximos governos for em linha com a de agora, o interesse do setor de açúcar e álcool aumentará”, afirmou ele.

”Com isso, podem entrar mais empresas para serem listadas (em bolsa)”, acrescentou durante palestra no XP Datagro Agrifinance, evento técnico-financeiro do agronegócio que ocorre em São Paulo.

O Grupo São Martinho é um dos três do setor sucroenergético brasileiro atualmente listados na bolsa paulista B3, ao lado de Biosev e Cosan, parceira da Shell na joint venture Raízen.

Trata-se de uma quantidade pequena de grupos se levado em conta que a indústria de açúcar e etanol nacional é a maior do mundo.

Nos últimos meses, o setor sucroenergético do Brasil vem apostando no RenovaBio como uma forma de impulsionar os investimentos.

Ainda em análise no governo, o programa foi oficialmente lançado em dezembro de 2016, levado a consulta pública no primeiro trimestre deste ano e teve suas diretrizes aprovadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em junho.

A expectativa é de que essa reforma na política de biocombustíveis, que buscará reduzir as emissões de gases do efeito estufa, deverá impulsionar a demanda por combustíveis mais limpos, estabilizar a indústria e acelerar uma recente onda de fusões e aquisições no setor.

O governo tende a enviar o RenovaBio ao Congresso Nacional como um projeto de lei (PL), e não mais como medida provisória (MP).

Nessa linha de estímulo ao etanol, o setor de cana recebeu positivamente a nova sistemática de formação de preços da Petrobras, em vigor desde julho.

Desde então, as cotações da gasolina, concorrente direto do etanol hidratado, seguem as oscilações do produto e do petróleo no mercado internacional, com reajustes quase que diários, ao contrário das cotações represadas que vigoraram em governos passados e que prejudicaram boa parte da indústria de etanol.

O Grupo São Martinho deve divulgar os resultados financeiros do segundo trimestre da safra 2017/18, equivalente ao terceiro trimestre do ano (julho a setembro), na quinta-feira.

No primeiro trimestre da temporada, o lucro da empresa disparou quase 200 por cento, com moagem de cana em torno de 7 por cento maior. (Reuters 09/11/2017)

 

Usinas brasileiras avaliam planta que opera com cana e milho para ampliar ciclo de produção

Os produtores de etanol no Brasil estão avaliando a adoção de um conceito de usina que usa cana e, alternativamente, milho, para produzir o biocombustível, um movimento que lhes permitiria estender as operações para além do período atual de colheita da cana.

Quase todos os produtores de etanol no cinturão de cana do centro-sul do Brasil produzem o combustível entre abril e meados de dezembro, quando a colheita é processada. As plantas normalmente permanecem inativas por quase três meses a cada ano, um período que as empresas usam para manutenção.

Mas há seis plantas no Brasil atualmente operando durante a maior parte do ano, usando o milho como matéria-prima alternativa quando a colheita da cana acaba e apenas fazendo interrupções curtas para a manutenção.

“Nós paramos por apenas 15 dias no ano passado”, disse Vital Silva Nogueira, gerente da chamada unidade “usina flexível” da Usimat, localizada em Mato Grosso, no coração do cinturão de grãos do Brasil.

A Usimat foi a primeira “usina flexível” a operar no Brasil, em 2012. Além das seis usinas que produzem etanol usando cana e milho, há duas plantas produzindo o combustível utilizando milho exclusivamente.

Roberto Hollanda Filho, presidente da Biosul, uma associação de usinas em Mato Grosso do Sul, acredita que o conceito de usinas que utilizam duas matérias-primas é totalmente factível, especialmente em Estados com ampla oferta de milho, como o dele.

Mas ele diz que a maioria das empresas do setor atualmente carece de financiamentos para investimentos e precisaria ter uma perspectiva mais clara para a futura demanda de etanol no Brasil para decidir se eleva o capital para atualizar as plantas.

A demanda brasileira de etanol tem sido volátil nos últimos anos, dependendo do preço da gasolina, que compete com o biocombustível pela preferência dos motoristas na bomba.

Os produtores brasileiros de etanol estão pressionando o governo a implementar o mais rápido possível um programa para aumentar a demanda de etanol e biodiesel, chamado RenovaBio.

O plano estabeleceria mandatos para distribuidores de combustível, com metas gradualmente maiores para biocombustíveis ao longo dos anos, e é visto como um salva-vidas para produtores locais. (Reuters 08/11/2017)

 

Justiça do Trabalho pode cassar selo de responsabilidade social da Raízen

Para o MPT, a Raízen não poderia ter obtido o selo "Empresa Compromissada", vinculado a boas relações trabalhistas no setor de açúcar e etanol.

Conforme uma decisão da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, a Justiça do Trabalho tem competência para julgar ação envolvendo a cassação do selo de responsabilidade social “Empresa Compromissada”, concedido pelo governo federal e condicionado ao cumprimento dos direitos trabalhistas no setor sucroalcooleiro. A lógica é de que o selo está relacionado às condições de trabalho no setor.

A decisão se deu em recurso do Ministério Público do Trabalho em ação civil pública ajuizada contra a Raízen Energia e a Raízen Araraquara Açúcar e Álcool. Na ação, o MPT explica que o selo “Empresa Compromissada” foi criado em 2009, a partir de um “compromisso nacional para aperfeiçoar as condições de trabalho na cana-de-açúcar”, aberto à adesão espontânea das empresas do setor, em muitas das quais haviam sido constatadas violações aos direitos trabalhistas ou submissão de trabalhadores a condições degradantes, análogas às de escravo.

As empresas do grupo Raízen obtiveram o selo em 2012. Para o MPT, ele não poderia ter sido concedido, pois não foram observadas as regras definidas pela União “e por não traduzir tal reconhecimento oficial a realidade das relações de trabalho existentes”.

O juízo da 2ª Vara do Trabalho de Araraquara e o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP) consideraram a Justiça do Trabalho incompetente para julgar a questão, com o entendimento de que se trata de ato administrativo praticado pela União, cuja competência seria da Justiça Federal.

Segundo o TRT-15, o termo de compromisso não envolveu somente questões trabalhistas, mas também aspectos da responsabilidade social, firmados juntamente com uma “comissão de diálogo” que incluía a Secretaria-Geral da Presidência da República, a Casa Civil e os Ministérios da Agricultura, do Trabalho, da Educação, do Desenvolvimento Agrário, do Desenvolvimento Social e da Saúde.

Relações de trabalho

A Procuradoria Regional do Trabalho e a União recorreram ao TST e defenderam a competência dessa Justiça especializada para examinar a questão. O relator do apelo, o ministro Alexandre Agra Belmonte, ressaltou que o selo diz respeito às relações de trabalho do setor sucroalcooleiro e está estritamente ligado ao cumprimento dos direitos decorrentes dos contratos de trabalho na cana-de-açúcar, notadamente os relativos à segurança, higiene e saúde do trabalhador, entre outros referentes à melhoria das condições de trabalho. No seu entendimento, isso justifica a competência da Justiça do Trabalho.

Agra Belmonte assinalou o entendimento do Supremo Tribunal Federal, disposto na Súmula 736, de que compete à Justiça do Trabalho julgar as ações que tenham como causa de pedir o descumprimento de normas trabalhistas relativas à segurança, higiene e saúde dos trabalhadores, como no caso.

Por maioria, vencido o ministro Alberto Bresciani, a turma proveu o recurso e, reconhecendo a competência da Justiça do Trabalho, determinou o retorno dos autos ao TRT-15 para exame do mérito. (Consultor Jurídico 08/11/112017)

 

Drones prometem fazer em 10 minutos o trabalho de um dia inteiro

Alguns equipamentos aplicam herbicidas e fertilizantes ao mesmo tempo em que fotografam o andamento das lavouras. Empresas japonesas entram no mercado de drones “uma após a outra.

Um drone de dois metros de diâmetro sobrevoa a plantação de cebolas e faz pulverizações aqui e ali, usando água em vez de herbicida. Na tela do controle remoto o operador acompanha a localização geográfica exata do dispositivo e as áreas pulverizadas. O equipamento é o mais recente lançamento da empresa SkymatiX, uma joint-venture criada no ano passado pelas corporações japonesas Mitsubishi e Hitachi.

O dia de campo para apresentar o superdrone à imprensa aconteceu durante a semana numa propriedade agrícola de Koriyama, na cidade de Fukushima. “Temos muita confiança na estabilidade deste drone”, disse Zentaro Watanabe, 38, diretor executivo da SkymatiX.

Os drones agrícolas levam no abdômen um tanque para aplicação de agroquímicos e fertilizantes. A título de comparação, um produtor carregando um pulverizador costal (estilo mochila) leva um dia inteiro para pulverizar um hectare de terra. O drone pode fazer o mesmo serviço em apenas 10 minutos. Esses drones custam entre US$ 26 mil e US$ 30 mil cada um.

Mercado promissor

Segundo a consultoria Seed Planning, de Tokyo, o mercado de pulverização agrícola com drones vai dar um salto, no Japão, saindo de um faturamento de US$ 10,5 milhões, em 2016, para US$ 175 milhões em 2022. As empresas entram nesse mercado uma após a outra. “É um ramo de negócios muito promissor”, disse um revendedor.

Outra empresa, a Nileworks, também de Tokyo, garante que seu drone pode aplicar herbicida e fertilizantes ao mesmo tempo em que fotografa e monitora o desenvolvimento das lavouras de arroz. O drone deverá ser apresentado ao mercado no ano que vem.

“Faremos da agricultura uma indústria de alta tecnologia capaz de atrair muitos jovens”, acredita o presidente da Nileworks, Hiroshi Yanagishita, de 57 anos.

A Kubota Corporation, que começou a vender drones agrícolas em julho deste ano, desenvolve um software que analisa as imagens da lavoura e determina, via inteligência artificial, o lugar e a quantidade certa de pulverização, sem necessidade de intervenção humana.

Há, contudo, barreiras para o avanço dos drones nas lavouras do Japão. Segundo normativas do Ministério da Agricultura, quando um drone aplica defensivos agrícolas, o operador tem de estar acompanhado em solo de pessoal de apoio, para garantir que a pulverização não ultrapasse os limites da plantação.

Uma aplicação totalmente automatizada, que se inicia com o simples apertar de um botão, não é possível pelas regras atuais. Críticos dizem que a regulamentação desatualizada acaba dificultando a adesão aos drones por parte dos produtores mais experientes.

O Ministério da Agricultura vai promover um simpósio com especialistas no início de 2018 para discutir, entre outros temas, o uso seguro dos drones. Só então as autoridades vão deliberar se permitem ou não a pulverização totalmente automatizada nas lavouras japonesas. (Gazeta do Povo 09/11/2017)

 

Isenção de impostos do óleo diesel avança na Câmara dos Deputados

A Comissão de Minas e Energia aprovou nesta quarta-feira (08), por unanimidade, Projeto de Lei (8178/2017) do deputado Nilson Leitão (PSDB/MT) que propõe a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a receita bruta ganha com a produção, importação ou comercialização de óleo diesel e suas correntes.

Para o tucano, a retirada do PIS e da Cofins pode impulsionar uma economia do preço do combustível. Segundo ele, o valor tem sido alvo de reinvindicações. “Não é justo que a sociedade brasileira pague mais tributos para resolver problemas de responsabilidade do governo e que ele pode obter fontes de substituição alternativas, como por exemplo no enxugamento da máquina pública”, finaliza.

Segundo o deputado, a frequente elevação do preço dos combustíveis em virtude de elevação de tributos incidentes sobre os mesmos e, especificamente, sobre o preço do óleo diesel, causa uma sobrecarga econômica “extremamente gravosa e excessiva” para toda a sociedade, pois o aumento do diesel gera impacto em toda a cadeia produtiva do país. “Aumentar o preço do diesel onera a produção de diversos setores da economia, o transporte de todos os setores e eleva o custo de vida da sociedade como um todo”, destaca.

Além disso, o tucano destaca que, em vista a oneração da cadeia produtiva, o aumento impacta diretamente nos índices de inflação, que consequentemente “corrói o salário dos trabalhadores”.

A proposta tramita para as Comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania. (FPA 08/11/2017)

 

Biomassa como energia sustentável

A despeito de Donald Trump, o Acordo de Paris constitui um marco histórico que encaminha inevitavelmente o mundo para uma economia de baixo carbono, uma vez que se trata de um bom negócio por criar oportunidades e mercados para novas tecnologias.

Por mais que se estimulem processos inclusivos, participativos e transparentes –como o chamado Diálogo Talanoa, sugerido pelo presidente da COP-23 (Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que vai até o dia 17, em Bonn, na Alemanha), dificilmente será por essa via que chegaremos a uma redução significativa de emissões de carbono coletiva.

Nesse sentido, paralelamente às soluções tecnológicas, inovações na área de financiamento também estão em curso. Precificação, mercado e taxação de carbono vêm sendo discutidos no mundo todo por meio de experiências piloto.

Das dez maiores economias mundiais, sete já atribuem valor ao carbono, seja em mecanismos de mercado, seja em taxação direta, cobrindo mais de 12% das emissões globais de gases de efeito estufa.

O comércio de emissões da China, previsto para 2020, mas com intenção de ser antecipado, ultrapassará a União Europeia como a maior iniciativa mundial de preços de carbono. Com isso, o valor anual de implementação de iniciativas de precificação pode passar de US$ 50 bilhões para US$ 100 bilhões.

Com isso, inúmeras alternativas tecnológicas, que hoje não são viáveis economicamente, passarão a sê-lo. Consequentemente, novos mercados e modelos de negócio surgirão. Neste cenário, um mercado certamente promissor será o de emissões negativas, ou seja, um balanço de carbono em que o total que é capturado e sequestrado é superior ao emitido.

Isso será necessário para que se mantenha o aumento de temperatura média do planeta em no máximo 2 graus no fim deste século, uma vez que mesmo uma redução drástica de carbono não será suficiente.

Neste momento, a biomassa passa a ter um valor estratégico adicional em sua cadeia de valor. Isso é possível por meio da geração de energia elétrica com biomassa e posterior captura e armazenagem geológica permanente do carbono emitido, o BioCCS (sigla em inglês para Bio-Energy Carbon Capture and Storage).

Isso tem grande valor para o Brasil, pois, mesmo tendo uma matriz elétrica de baixo carbono, já ocorre o esgotamento de aproveitamentos hidroelétricos com reservatórios.

A geração de energia elétrica, eólica e solar sofre com alta variabilidade e baixa previsibilidade, tendo dificuldade, portanto, de atender à totalidade da expansão de oferta de eletricidade.

As termoelétricas a biomassa têm grande potencial de expansão e maior previsibilidade entre as renováveis. O Brasil já liderou o setor de bioenergia por conta do emprego do etanol em motores veiculares e perdeu essa posição para os EUA, hoje o maior produtor de etanol.

Desta maneira, a possibilidade de gerar energia elétrica com biomassa poderá trazer novamente o país para uma posição de destaque, especialmente se, aliados à geração elétrica, forem incluídos o sequestro e o armazenamento do carbono gerado na queima.

Emissões negativas de carbono se apresentam, assim, como um novo negócio para as empresas de geração de energia elétrica no Brasil, promovendo liderança nacional nessa tecnologia.

O emprego de BioCCS colocaria o Brasil em uma posição estratégica no esforço de combater as mudanças climáticas e nos futuros mercados de carbono internacionais, além dos benefícios para o desenvolvimento tecnológico nacional. (Folha de São Paulo 09/11/2017)

 

Rumo tem lucro de R$ 76 milhões no 3º tri

A transportadora ferroviária Rumo reverteu prejuízo e registrou lucro atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 76,2 milhões no terceiro trimestre, reflexo do resultado operacional e da queda de custos. "Descobrimos o ponto de equilíbrio da companhia. Isso mostra principalmente o resultado da redução de custos que a companhia está fazendo sem prejudicar a qualidade do serviço", disse o presidente Julio Fontana, em entrevista ao Valor.

Após a fusão em abril de 2015 com a ALL, a Rumo deflagrou investimentos que, segundo Fontana, começaram a dar frutos. Em 2016 a safra quebrou, o que frustrou os resultados. "Mas neste ano estamos tendo oportunidade de mostrar a assertividade do que estamos fazendo. É um trabalho de reconstrução da relação e da produtividade da empresa, que vinha de um processo degradado."

Entre as operações da Rumo está o mais rentável corredor de exportação do agronegócio brasileiro, um sistema ferro-portuário que liga o Mato Grosso ao porto de Santos. Os números financeiros e operacionais do trimestre foram positivos. A receita líquida foi de R$ 1,649 bilhão, alta de 14,7% na base anual. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em R$ 800,9 milhões, aumento de 24,6%. Os dados se referem aos resultados da Rumo S.A. acrescidos dos resultados da Rumo Logística S.A., empresa resultante da incorporação reversa realizada no fim de 2016.

A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida, incluindo operações de leasing e Ebitda ficou em 3,98 vezes. Redução de 0,28 pontos sobre o fim do segundo trimestre, quando o indicador fechou em 4,26 vezes.

Se fosse considerado o efeito do aumento de capital feito pela companhia em outubro, a alavancagem seria de 2,9 vezes. A Rumo levantou R$ 2,6 bilhões na oferta pública subsequente de ações, recursos que serão utilizados para melhorar a estrutura de capital. A estimativa é chegar ao fim do ano com uma alavancagem de 2,6 vezes, para o que deve contribuir o aumento do Ebitda.

"Aquela visão que o mercado tinha de que éramos uma empresa super endividada e que oferecia algum nível de risco está revertida. Nossas negociações hoje são tremendamente diferentes em relação ao passado", disse Fontana.

O volume de cargas nas ferrovias da Rumo cresceu 17,7% no terceiro trimestre, para 14 bilhões de TKUs (tonelada por quilômetro útil), sempre na base anual. O transporte na Operação Norte (que inclui as malhas Norte e Paulista) registrou aumento de 15,4%, para 9,2 bilhões de TKUs, e a Operação Sul (malhas Oeste e Sul) fechou o trimestre com 4,3 bilhões de TKUs, alta de 20,6%.

"Com o crescimento da produção que prevemos para o futuro e com as ações que tomamos para redução do endividamento, você começa a entrar num círculo virtuoso e ter resultados melhores de uma forma mais perene. Estamos no caminho", disse Fontana.

Já os volumes embarcados no porto caíram 4,5%, para 3,9 milhões de toneladas - reflexo do cenário menos favorável para a comercialização do açúcar.

Desde 2015 a Rumo investiu quase R$ 5 bilhões de um plano de quase R$ 9 bilhões traçado para ser implantado em cinco anos. O restante será aplicado principalmente nas malhas Paulista e Sul. "Uma boa parte do que fizemos já integra o plano da renovação da Malha Paulista", disse o executivo. A Rumo pediu ao governo a prorrogação antecipada da Malha Paulista, que vence em 2028, mediante realização de investimentos imediatos para aumento da capacidade de escoamento e da eficiência. A empresa diz que entregou os questionamentos solicitados pelo TCU e ANTT, a agência reguladora. (Valor Econômico 09/11/2017)

 

Produtores de cana se reúnem com ministro da Agricultura

Representantes da cadeia produtiva de cana-de-açúcar levarão para debater com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, nesta quinta-feira (9), em Brasília, algumas questões que são importantes para melhorar a situação da cadeia produtiva do país. Entre elas destacam-se a publicação da medida provisória referente ao Renovabio, programa nacional de valorização do etanol nacional, o pedido para ampliar o prazo da Lei 13.340, que trata da liquidação do crédito rural e a intermediação junto aos órgãos ambientais para uma flexibilidade em relação às exigências de licenças ambientais, principalmente, no que diz respeito às áreas já cultivadas com cana-de-açúcar, a fim de que os produtores possam não apenas regularizar seus débitos, mas, também ter acesso aos créditos ofertados pelo sistema bancário.

A audiência que acontece a partir das 10h, no gabinete ministerial, será coordenada pelo presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Alexandre Lima e contará com a participação da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) que, na ocasião, será representada pelo presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), José Inácio de Morais. A Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) também serão representadas na audiência.

“A atual remuneração do preço da cana é uma tragédia, algo em torno de R$ 75,00, quando o mínimo necessário para cobrir os custos de produção seria cerca de R$ 100,00. O produtor está descapitalizado, essa é uma triste realidade. Há credito no mercado, mas o produtor não tem acesso. Há intenção de aderir a liquidação de crédito rural e se beneficiar da nova lei federal, que permitiu descontos na liquidação de dívidas junto às instituições financeiras, mas o excesso de formalidade dificulta a negociação, tanto que isso se reflete no baixo índice de adesão que chega a 18% no BNB, apenas 10% no Banco do BB e 12% no BASA. Diante deste quadro, precisamos da intermediação do governo para sairmos desse triste contexto”, argumenta o presidente da Asplan, José Inácio.

“Vamos expor a situação e espero que o ministro tenha sensibilidade e um olhar diferenciado com esse setor que é vital para a economia nacional”, afirma José Inácio. Ele lembra que por conta desta baixa adesão à liquidação das dívidas, não por má vontade dos produtores, mas, pela atual situação de descapitalização do setor, os produtores vão pedir ao ministro que prorrogue a validade da lei Lei 13.340que já vence em 27 de dezembro, para mais um ano, ou seja, dezembro de 2018. (Assessoria de Comunicação 08/11/2017)