Setor sucroenergético

Notícias

Próximo ato da Cargill na Cevasa

A Cargill selou a compra dos 37% da cooperativa Canagril na Cevasa, usina sucroalcooleira paulista.

Mas o grupo norte-americano não quer ficar nessa lavoura.

Agora, como único acionista do negócio, pretende se livrar do controle.

A Cevasa teria cerca de R$ 500 milhões em dívidas. (Jornal Relatório Reservado 10/11/2017)

 

A ingratidão de João Lyra

O RR apurou que o usineiro João Lyra pretende se unir ao bloco de empresas sucroalcooleiras que processa a Petrobras na Justiça. São mais de 30 companhias, entre elas pesos-pesados como Raízen e São Martinho, que cobram da estatal uma indenização por supostos prejuízos decorrentes da sua política de preços de combustíveis.

A empresa de Lyra, a Usina Laginha, entrou em recuperação judicial em 2008 e teve sua falência decretada em 2012, com aproximadamente R$ 2 bilhões em dívidas.

O usineiro, ao que parece, busca um bode expiatório para a quebra da companhia.

Logo a Petrobras, que tanto o ajudou.

A Lava Jato investiga supostos repasses ilegais de recursos da BR à Usina Laginha, no valor de R$ 7,2 milhões, que teriam sido feitos com a intermediação de Fernando Collor. (Jornal Relatório Reservado 13/11/2017)

 

Endividamento das usinas de açúcar e etanol cresceu 138% em cinco anos

Nível de investimento também é pressionado e fica 30% abaixo do ideal.

Nos últimos cinco anos, o endividamento das usinas de açúcar e etanol, especialmente da região Centro-sul do País, cresceu 138%, e o nível de investimento tem ficado 30% abaixo do ideal para saúde financeira das empresas.

Foi o que destacou Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, em palestra nesta terça-feira (07), durante o segundo dia 17a. Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol.

Em sua apresentação, com base em levantamento do próprio Itaú BBA, Fernandes dividiu as usinas em quatro grupos distintos. O primeiro é composto por 09 empresas, que apresentam ótima performance financeira e capacidade de investimento. O segundo é formado por 28 empresas, que estão com a saúde financeira estável, mas que apresentam alguma dificuldade para realizar grandes movimentos estratégicos de investimento.

O terceiro grupo, por sua vez, é composto por 13 empresas, com saúde financeira razoável, mas que precisam estar atentas à alocação de recursos. E por fim, o grupo mais sensível, de 17 empresas, que estão em situação difícil, como, por exemplo, recuperação judicial.

Segundo o executivo, a implantação do RenovaBio será fundamental para reversão deste quadro, para dar fôlego às usinas no tocante à geração de caixa, com vistas à diminuição do endividamento, além de funcionar como um imã para investimentos e negócios, entre os quais um novo ciclo de fusões e aquisições.

Fernandes destacou, ainda, o avanço da emissão de CRAs no setor, como forma de captação de recursos de financiamento, mas ressalvou que as operações vinculadas ao mercado de capitaisainda são parte pequena do crédito para o segmento. (InfoMoney 10/11/2017)

 

Cosan se mostra 'empolgada' com possível compra de ativos na Argentina

O presidente da Cosan, Mario Augusto da Silva, afirmou nesta segunda-feira que a companhia está “empolgada” com a possibilidade de compra de ativos da Shell na Argentina. Em setembro, a Raízen Combustíveis, na qual a companhia possui 50% de participação, apresentou uma proposta vinculante pelo negócio de refino, distribuição de combustíveis e lubrificantes da Shell naquele país.

Os detalhes do processo de venda estão protegidos por acordo de confidencialidade, mas agências internacionais indicaram que o valor dos ativos poderia chegar a US$ 1 bilhão. “Entendemos que são ativos bons, num mercado com potencial de expansão interessante. Estamos bastante empolgados com a possibilidade”, disse o executivo. “Mas ainda estamos numa segunda fase do processo, com outros concorrentes participando. Isso deve acontecer mais para o fim do ano ou começo do ano que vem. Estamos em compasso de espera, no ‘timing’ do vendedor”, acrescentou.

Conforme Silva; há oportunidade de captura de sinergias operacionais e logísticas e, uma vez que a potencial aquisição será feita pela Raízen, o impacto na alavancagem financeira da Cosan S/A será “marginal”. Hoje, a alavancagem da Raízen, na qual a participação da Cosan é de 50%, está em torno de 1 vez.

Desempenho

Sobre o resultado do terceiro trimstre, o diretor de relações com investidores da Cosan, Guilherme Machado, ressaltou que o melhor desempenho operacional de todas as divisões da companhia impulsionou o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado.

De julho a setembro, o Ebitda ajustado totalizou R$ 1,62 bilhão, com alta de 27,9% na comparação anual. Esse desempenho operacional, combinado com a menor despesa financeira, explica o lucro líquido de R$ 499,7 milhões no intervalo, 53,4% acima do verificado um ano antes.

Uma combinação de fatores no trimestre, porém, levou a Cosan a consumir R$ 518,6 milhões em caixae, em comparação a geração de caixa livre R$ 908,2 milhões no mesmo intervalo de 2016. “Houve alguns efeitos no trimestre, entre os quais a queda de 35% no fluxo de caixa operacional por causa da base de comparação, que considerava um impacto positivo da dinâmica de capital de giro da Raízen Combustíveis”, disse Machado.

Além disso, houve neste trimestre maior consumo de caixa em investimentos com a aquisição de duas usinas da Tonon e a base de comparação também é elevada porque o terceiro trimestre do ano passado inclui os ganhos com a venda da fatia da Raízen na Serviços e Tecnologia de Pagamentos (STP). (Valor Econômico 13/11/2017)

 

Raízen fecha unidade de Dois Córregos

Usina Tamoio, em Araraquara, também tem atividade suspensa por dois anos.

A Raízen comunicou ontem o encerramento das atividades industriais das unidades de Dois Córregos e Araraquara. O motivo alegado pela empresa é menor disponibilidade de cana-de-açúcar nas duas regiões e tem por objetivo otimização da logística e da produção.

Nota da empresa, divulgada pelo Portal Morada, informa que “a Raízen decidiu suspender as atividades industriais das unidades Dois Córregos, localizada na cidade de Dois Córregos (SP), e Tamoio, em Araraquara (SP) por um período, inicialmente, previsto de dois anos”.

Ainda de acordo com o informativo, a cana destinada a Dois Córregos e Araraquara será redirecionada para outras empresas, sem que haja redução da moagem total do grupo. “A operação agrícola própria e dos fornecedores de cana da Raízen não será impactada.”

Centenas trabalham em Dois Córregos e em Araraquara, na Usina Tamaio, eram cerca de 250 funcionários. A Fundação Raízen tem núcleo em Dois Córregos, voltado à formação profissional e educacional, oferecendo cursos e atividades.

Negociação

A Raízen comprou em junho, por R$ 823 milhões, as Usinas Santa Cândida (Bocaina) e Paraíso (Brotas). Na época, a empresa se posicionou informando que as duas unidades estão estrategicamente localizadas próximas as suas área de atuação, permitindo acesso a mais de 60 mil hectares de áreas cultiváveis e com expectativa de moer 4,9 milhões de toneladas de cana por ano.

A Raízen é líder individual em moagem de cana do Brasil, principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar e terceira maior distribuidora de combustíveis. A empresa tem faturamento de R$ 79,2 bilhões, com produção anual de 4,2 milhões de toneladas de açúcar e comercialização anual de 25 bilhões de litros de combustível. (Diário de Jahu 14/11/2017)

 

Raízen encerra atividades na Usina Tamoio e demite cerca de 200 funcionários

Empresa informou que a paralisação se deve ao cenário de menor disponibilidade de cana-de-açúcar na região de Araraquara (SP).

Cerca de 200 funcionários da Raízen foram demitidos em Araraquara (SP) nesta segunda-feira (13), segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústrias de Alimentação. A empresa informou que vai suspender as atividades na cidade por dois anos.

Os trabalhadores foram comunicados da demissão pela diretoria de recursos humanos e já encerraram as atividades. A falta de matéria-prima foi uma das justificativas, afirmou o sindicato.

Em comunicado à imprensa, a Raízen informou que a paralisação se dará devido a um cenário de menor disponibilidade de cana-de-açúcar nesta região e otimização logística e de produção.

“A cana-de-açúcar destinada à unidade Tamoio será redirecionada a outras unidades da empresa, não havendo redução da moagem total do Grupo Raízen. A operação agrícola própria e dos fornecedores de cana da Raízen não será impactada", informou a nota. (Reuters 13/11/2017)

 

Raízen planeja incorporar capacidade de usinas da Tonon ao longo da próxima safra

A Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, planeja incorporar aos poucos a capacidade de moagem de cana das duas usinas da Tonon Bioenergia, adquiridas neste ano, em um processo que deve se estender pela próxima safra, afirmaram nesta segunda-feira executivos da Cosan em teleconferência com analistas e investidores.

A oferta pelas duas unidades (Santa Cândida e Paraíso), no valor de 823 milhões de reais, foi feita pela Raízen em junho, e a aquisição foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em agosto.

“Devemos, gradualmente, crescer a moagem dentro das novas unidades da Tonon, que têm capacidade de moer 5 milhões de toneladas (por temporada). Queremos capturar eficiência ao longo da próxima safra”, afirmou o diretor de Relações com Investidores da Cosan, Guilherme Machado.

O próximo ciclo, o 2018/19, inicia-se no centro-sul do Brasil em abril do que vem.

“Estamos no início desse processo de trazer a moagem dessas unidades para dentro da nossa operação como um todo”, acrescentou.

A unidade Santa Cândida, em Bocaina (SP), possui capacidade de moagem de cana-de-açúcar de aproximadamente 3,2 milhões de toneladas por safra.

A usina tem capacidade de produção de 123 milhões de litros de etanol ao ano e de 221 mil toneladas de açúcar, segundo informação do website da Tonon, empresa em recuperação judicial.

Já a Paraíso, em Brotas (SP), tem capacidade de moagem de 2,5 milhões de toneladas por safra e pode produzir 91 milhões de litros de etanol por safra, assim como 140 mil toneladas de açúcar.

Atualmente, a Raízen é o maior grupo sucroenergético do mundo, com outras 24 usinas e capacidade para moer quase 70 milhões de toneladas de cana por safra.

Para atual temporada, a Raízen pode processar até 63 milhões de toneladas.

Argentina

Os executivos da Cosan também comentaram brevemente sobre o interesse da Raízen Combustíveis em ativos da Shell na Argentina.

“O processo na Argentina está sob confidencialidade, mas estamos bastantes empolgados com a aquisição desses ativos. Estamos em um compasso de espera no timing do vendedor”, afirmou o presidente-executivo da Cosan, Mario Silva.

A proposta vinculante para adquirir o negócio de refino, distribuição de combustíveis e lubrificantes da Shell na Argentina foi submetida em setembro. (Reuters 13/11/2017)

 

Raízen eleva previsão de investimento para até R$ 2,6 bi na safra

A Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, elevou em R$ 200 milhões a projeção para os investimentos em bens de capital (Capex) que fará nesta safra 2017/18, que terminará em março. A companhia passou a estimar aportes entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,6 bilhões, ante o intervalo de R$ 2,1 bilhões e R$ 2,4 bilhões previsto anteriormente.

O "ajuste" reflete investimentos que serão realizados nas duas usinas que a Raízen adquiriu da Tonon Bioenergia, tanto na incorporação dessas unidades como em sua manutenção. Anunciada recentemente, a aquisição foi fechada por R$ 823 milhões.

Em teleconferência com analistas, Guilherme Machado, diretor de relação com investidores da Cosan, os investimentos nessas duas usinas no interior paulista - a Santa Cândida, localizada em Bocaina, e a Paraíso, situada em Brotas -, ficarão "um pouco abaixo" de R$ 200 milhões.

Na época da aquisição, a Raízen sinalizou que iria priorizar investimentos nos canaviais ligados às duas plantas industriais, mas que também realizaria aportes em manutenção preventiva e na troca de máquinas agrícolas.

O negócio com a Tonon foi concluído em setembro, já no fim do segundo trimestre da safra 2017/18. Dessa forma, o impacto das operações das duas novas plantas no resultado da Raízen Energia foi "quase imaterial" no período, disse Machado. A companhia encerrou o trimestre com lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 1,033 bilhão.

Em contrapartida, a incorporação dos novos ativos já aumentou a incidência de "despesas incrementais", conforme relatório de resultados divulgado pela joint venture. Não foi um fator determinante, mas influenciou o crescimento de 34% das despesas da Raízen Energia no segundo trimestre da safra atual ante o mesmo período do ciclo passado, para R$ 435 milhões, a variação refletiu com mais força o maior volume de vendas e a concentração de despesas gerais e administrativas, segundo a companhia.

As duas novas usinas da Raízen têm capacidade para moer, juntas, 5 milhões de toneladas de cana por safra. Ambas estão em atividade, mas abaixo de sua capacidade, e o aumento da ocupação ocorrerá "capturando eficiência ao longo da próxima safra", segundo Guilherme Machado. (Valor Econômico 14/11/2017)

 

Lucro líquido da Cosan cresce 53,4% no 3º trimestre, para R$ 499,7 milhões

A Cosan registrou lucro líquido de R$ 499,7 milhões no terceiro trimestre de 2017, alta de 53,4% sobre lucro de R$ 325,8 milhões de igual período de 2016. O período, entre julho e setembro deste ano, corresponde ao segundo trimestre da safra 2017/2018 de cana-de-açúcar, principal ramo de atividade da companhia.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Cosan somou R$ 1,434 bilhão no trimestre, contra R$ 1,420 bilhão no terceiro trimestre do ano passado, alta de 1%. O Ebitda ajustado proforma atingiu R$ 1,6 bilhão, alta de 27,9% na mesma base de comparação

A receita líquida da Cosan foi de R$ 12,920 bilhões entre julho e setembro, alta de 10,2%. O capex atingiu R$ 453 milhões no trimestre, ante R$ 389,6 milhões no terceiro quarto de 2016, avanço de 16,5%. Já a dívida líquida caiu 12,6% entre os períodos, para R$ 9,789 bilhões. Com isso, a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, fechou em 30 de setembro em 2,1 vezes, ante 2,2 vezes em igual data do ano anterior.

Açúcar e etanol

Na Raízen Energia, braço sucroenergético da empresa, a receita líquida ajustada cresceu 25,7% entre os trimestres, para R$ 4,135 bilhões. A receita com a venda de açúcar cresceu 22,4%, para R$ 1,938 bilhão, e o faturamento com etanol avançou 23,4%, a R$ 1,729 bilhão. O Ebitda ajustado da Raízen Energia subiu 50%, para R$ 1,394 bilhão.

A empresa fechou o trimestre com moagem total de 28 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, alta de 10% sobre igual trimestre da safra passada. O mix de destino para a cana-de-açúcar ficou em 57% para a produção do açúcar e 43% para etanol, contra 59% e 51%, respectivamente, no ciclo passado.

Combustíveis

A Raízen Combustíveis, joint venture da Cosan com a Shell, obteve Ebitda ajustado de R$ 893,8 milhões no terceiro trimestre, alta de 21,4% sobre os R$ 736,3 milhões de igual período de 2016. A receita líquida da divisão foi R$ 18,5 bilhões no terceiro trimestre do ano, aumento de 7% sobre o mesmo período do ano anterior, "reflexo do maior volume vendido, principalmente gasolina e diesel", informou a companhia.

A venda total de combustível entre julho e setembro cresceu 4,2% sobre igual período de 2016, para 6,594 bilhões de litros. As vendas de combustíveis do Ciclo Otto - gasolina e etanol, avançaram 2% no trimestre, para 2,958 bilhões de litros, e a comercialização de diesel cresceu 8,4% ante o mesmo período de 2016, para 3,028 bilhões de litros.

Guidance

A Cosan reafirmou seu guidance e prevê receita líquida proforma de R$ 45 bilhões a R$ 48 bilhões em 2017, contra R$ 47 bilhões em 2016. Já o Ebitda proforma foi revisto para entre R$ 4,9 bilhões e R$ 5,3 bilhões, ante R$ 4,75 bilhões a R$ 5,25 bilhões no guidance anterior e R$ 4,50 bilhões no Ebitda fechado ano passado.

Quanto à Raízen Energia o guidance foi mantido e a perspectiva é de moagem entre 59 milhões e 63 milhões de toneladas em 2017/2018, com produção de 4,3 milhões a 4,7 milhões de toneladas de açúcar e entre 2 bilhões e 2,3 bilhões de litros de etanol. (Agência Estado 13/11/2017)

 

Açúcar: Atenção ao clima

Com as previsões de superávit na oferta mundial já precificadas, os investidores voltam suas atenções para o pequeno risco climático que ainda ronda as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York.

Ontem, os papéis com vencimento em maio fecharam a 15,04 centavos de dólar a libra-peso na bolsa, avanço de 8 pontos.

Segundo a consultoria Agrilion Commodity Advisers, há um pequeno risco climático caso se confirme o desenvolvimento do La Niña este ano.

De acordo com o Escritório de Meteorologia da Austrália, há 50% de chances de formação do fenômeno até o fim deste ano, o que dá margem às especulações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 64,03 a saca de 50 quilos, alta de 0,63%. (Valor Econômico 14/11/2017)

 

Aumento da gasolina ajuda a ampliar demanda por etanol

As vendas de etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) das usinas do Centro-Sul do país às distribuidoras surpreenderam em outubro e registraram incremento de 21% em relação ao mesmo mês de 2016. Foi a primeira vez neste ano que esse tipo de comparação resultou em variação positiva.

O salto é explicado basicamente pelo aumento dos preços da gasolina. Como o derivado do petróleo está cada mais caro nos postos, em razão de repasses de valorizações no mercado internacional, o biocombustível tem se tornado uma alternativa economicamente vantajosa nos grandes centros de consumo do país, como São Paulo.

Conforme a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas do Centro-Sul venderam às distribuidoras 1,5 bilhão de litros de hidratado em outubro, melhor resultado mensal desde outubro de 2015. Mesmo que nem todo esse volume tenha necessariamente sido vendido nos postos, o dado é um termômetro do comportamento da demanda ao longo da cadeia produtiva.

Analistas concordam que o aquecimento da demanda, que começou a ganhar força em agosto, não teria acontecido se não fosse a forte alta da gasolina, que reflete a nova diretriz da Petrobrás de repassar ao mercado interno as variações internacionais de preços.

Do início do ano até a semana passada, o preço médio da gasolina nos postos de São Paulo subiu 0,37% (já descontada a inflação), para R$ 3,687 o litro. No exterior, a gasolina tem acompanhado o petróleo, cujas cotações atingiram o maior nível em cerca de dois anos em meio a tensões geopolíticas.

Embora também estejam em ascensão nas últimas semanas, os preços do etanol têm se mantido vantajoso em grandes Estados consumidores. Em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, que concentram mais de dois terços da demanda nacional pelo biocombustível, os preços do etanol seguem equivalentes a menos de 70% dos valores cobrados pela gasolina.

No padrão mais aceito pelo mercado, 70% é o limite para a manutenção da vantagem econômica do etanol em relação à gasolina. Mas em muitos Estados onde o percentual está acima de 70%, como Rio de Janeiro, Paraná e Goiás, a diferença nominal está acima de R$ 1 por litro, o que favorece o etanol, como lembra Martinho Ono, presidente da SCA Trading. "Talvez o brasileiro nunca tenha pago uma gasolina tão cara como agora. E o etanol, mesmo com preços altos, mostra-se muito competitivo".

Segundo Ono, a demanda por etanol deverá continuar forte no país ao menos até dezembro por causa dessa vantagem. Mas há uma possibilidade de que as vendas sejam ligeiramente menores em novembro que em outubro por causa dos feriados e porque o mês tem um dia útil a menos. Mas em dezembro a demanda tende a ser vultosa, até porque normalmente as compras aumentam com viagens de fim de ano e associadas às férias escolares.

Ono avalia, entretanto, que o etanol poderá subir mais no início de 2018, durante a entressafra, e perder sua vantagem ante a gasolina, caso as usinas precisem "forçar" uma redução da demanda para adequá-la à oferta. Mas ele não vê risco de desabastecimento.

A eventual continuidade da "escalada" dos preços do etanol e seus efeitos sobre a demanda preocupa o mercado como um todo. Para uma fonte do setor de combustíveis, se o etanol deixar de ser uma opção mais econômica que a gasolina, o consumo do ciclo Otto - que inclui etanol e gasolina - poderá recuar, já que a renda da população ainda não se recuperou. (Valor Econômico 14/11/2017)

 

Setor de cana pode ter movimento de consolidação “como jamais visto”

Aprovação do RenovaBio pode ser o gatilho para uma próxima onda de produção no setor sucroenergético.

O setor de açúcar e etanol está próximo de passar por um dos momentos mais marcantes de sua história recente: um forte movimento de consolidação para os próximos meses. Essa movimentação depende da efetivação do RenovaBio, um programa de incentivo aos biocombustíveis lançado no final do ano passado pelo Governo Federal, mas que ainda permanece parado no Ministério da Casa Civil desde agosto.

“Se o RenovaBio emplacar, eu não tenho a menor dúvida de que vamos ter um movimento de consolidação no setor de açúcar e etanol como jamais visto”, afirmou Alexandre Figliolino, sócio da consultoria MB Agro, durante o evento Agrifinance Brazil.

O RenovaBio tem como objetivo expandir a produção de biocombustíveis do Brasil adotando regras previsíveis e em linha com a sustentabilidade econômica, social e ambiental. A ideia é que o programa também contribua para o Brasil alcançar as metas de redução nas emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com Figliolino, as condições intrínsecas para a consolidação do setor estão dadas, mas as fusões e aquisições ainda não ocorrem por conta de um nível de incertezas muito elevado. O setor atravessa cinco anos de estagnação, refletindo um período de forte intervenção governamental, como o congelamento dos preços da gasolina a níveis baixos, o que impactou os números do setor para a produção de etanol.

O sócio da MB Agro lembra que o setor sucroenergético apresenta uma “disparidade enorme” em termos de eficiência das usinas, dando abertura a um cenário no qual os participantes mais eficientes podem liderar um forte movimento de consolidação. É essa pulverização do setor, acrescenta, que faz com que o Brasil não consiga ditar os preços no mercado internacional de açúcar, embora seja o líder mundial na comercialização da commodity.

O otimismo de Figliolino com o RenovaBio também é compartilhado por Guilherme Nastari, diretor da consultoria agrícola independente DATAGRO. Ele sugeriu que a aprovação do RenovaBio pode ser o gatilho necessário para a próxima grande onda de produção do setor, para um salto significativo nos próximos anos. “Estamos muito próximos de conseguir assinar o RenovaBio”, comemora.

Por enquanto, o que tem sido observado no setor sucroenergético é o que Figliolino chama de “consolidação silenciosa”, ou seja, apenas pequenos movimentos de aquisição, no qual as usinas assumem canaviais de produtores vizinhos.

Caso a aprovação do RenovaBio realmente seja anunciada, os reflexos podem chegar até mesmo ao mercado acionário. Mais cedo, o diretor financeiro do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato, também comentou o assunto e sugeriu que a novidade pode, também, incentivar para que mais empresas do setor busquem a listagem na Bolsa. (InfoMoney 09/11/2017

 

Indústria americana de etanol quer Brasil fora do SGP

A indústria americana de etanol quer que o governo dos Estados Unidos suspenda o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), que garante acesso de produtos de países em desenvolvimento a mercados desenvolvidos. A medida seria uma retaliação depois que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) brasileira taxou importações de etanol que excedam uma cota de 600 milhões de litros por ano.

Em carta enviada na quinta-feira ao secretário americano de Agricultura, Sonny Perdue, e a assistentes diretos do presidente Donald Trump, associações ligadas ao setor afirmam que a criação da cota foi uma medida protecionista que distorce o mercado. O argumento é que a medida viola a regra de garantir "acesso equitativo e razoável aos mercados", o que impediria o Brasil de atender aos requisitos para estar no SGP.

Os EUA são praticamente os únicos países que exportam etanol ao Brasil. Desde meados de 2016, até metade deste ano, o Brasil vinha acumulando déficits na balança comercial do etanol, uma vez que a produção nacional do biocombustível estava sendo preterida por causa das vendas aquecidas de açúcar. A correlação mudou logo depois que a tarifa da Camex foi aprovada, no fim de agosto.

Os produtores americanos sentiram imediatamente o golpe. Em setembro, o Brasil deixou de ser o principal destino das exportações de etanol dos EUA após 16 meses, segundo a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA). O volume de etanol que saiu dos portos americanos ao Brasil no mês foi de 72,6 milhões de litros, queda de 29% ante agosto e de 70% ante maio, pico das vendas.

"Nossa indústria foi injustamente atingida e colocada em uma posição de competitividade desvantajosa", afirmaram a RFA, a associação Growth Energy e o Conselho de Grãos dos EUA. Para elas, a medida foi resultado de um déficit de curto prazo e orientada pelo mercado. (Assessoria de Comunicação 13/11/2017)

 

Usinas do Brasil fixaram 19% da exportação de açúcar de 18/19, diz Archer

As usinas do Brasil haviam fixado até 29 de outubro preços futuros para 5,271 milhões de toneladas de açúcar da safra 2018/19, o equivalente a 19,4 por cento da exportação esperada para o ciclo que se inicia em abril do próximo, disse nesta segunda-feira a Archer Consulting.

Esse é o menor percentual observado nesta época desde que a consultoria começou a monitorar as fixações das usinas, na temporada 2012/13. Há um ano, o hedge para 2017/18 estava em 30,64 por cento.

"O baixo volume de fixação até o momento pode ser explicado pela falta de crédito das usinas para adiantarem seus hedges e atraso na fixação na espera de preços melhores para a safra 2017/18, o que acabou fazendo com que as usinas deixassem a safra 2018/19 para segundo plano", disse o diretor da Archer, Arnaldo Luiz Corrêa, em nota.

O preço médio alcançado pelas usinas nas fixações foi de 16,17 centavos de dólar por libra-peso FOB até o momento. (Reuters 13/11/2017)

 

Nota de esclarecimento da Biosev

 “Em relação à matéria publicada no portal sobre a suspensão das atividades industriais na Unidade Maracaju, a Biosev esclarece que serão mantidas atividades agrícolas locais. Cerca de 40% dos 813 colaboradores desta Unidade permanecem na companhia, já que a cana continuará a ser colhida e direcionada às unidades Passa Tempo e Rio Brilhante, também localizadas no MS.

Outros 500 colaboradores tiveram o seu contrato de trabalho rescindido, e terão todos os direitos trabalhistas preservados, em estrita observância à lei. Além disso, a Biosev segue analisando, em conjunto com o Sindicato dos Trabalhadores, formas de minimizar os impactos destas rescisões, bem como segue com uma rede de contatos com organizações locais, associações e empresas do setor para auxiliar na recolocação destes profissionais.

Representantes da Biosev estiveram no município e conversaram sobre o assunto com o prefeito de Maracaju, Sr. Maurílio Ferreira Azambuja.

A suspensão da atividade industrial da unidade de Maracaju contribui para otimizar a utilização de capacidade das outras duas usinas da Biosev no MS (Passa Tempo e Rio Brilhante) e visa capturar sinergia operacional e logística no Estado para reduzir seu custo de produção e melhorar performance, trazendo ainda mais resiliência para a geração de caixa, de forma a manter sua competitividade”. (Assessoria de Comunicação 13/11/2017)

 

Projeto quer anular aprovação da cana-de-açúcar transgênica

Para o autor, deputado Nilto Tatto (PT), a liberação desrespeita o consumidor e o meio ambiente e aponta para a falta de ética nas relações entre a CTNBio e o setor canavieiro.

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto que anula a sessão de 8 de junho na qual a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) que aprovou a liberação comercial da cana de açúcar transgênica. Trata-se do Projeto de Decreto Legislativo de Sustação de Atos Normativos do Poder Executivo (PDC) 715, de 13 de julho.

De autoria do presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara (CMADS), o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), a proposta leva em consideração o desrespeito aos direitos do consumidor, à preservação do meio ambiente e da saúde coletiva e à conduta ética nas relações entre o atual presidente da CTNBio, o professor da Faculdade de Ciências Agronômicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, Edivado Domingues Velini, e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que desenvolveu a cana geneticamente modificada, além de outras empresas interessadas na liberação dessas biotecnologias.

Entre as referências do projeto de Tatto está a reportagem publicada pela RBA em 21 de junho passado, que mostrou fortes indícios de conflitos de interesses entre Velini e o setor canavieiro. A cana transgênica foi liberada pouco mais de um mês após a Câmara de Meio Ambiente do Ministério Público Federal (MPF) ter enviado ofício ao órgão com recomendações para mais transparência e zelo quanto as questões envolvendo conflitos de interesses no âmbito da Comissão.

Nesta quarta-feira (9), a Revista do Brasil publicou reportagem em que destaca o aumento de casos de câncer e de malformações associado ao maior uso de agrotóxicos nas lavouras de soja modificadas geneticamente para resistir a herbicidas. E embora a cana aprovada em junho seja resistente a insetos, o CTC anunciou recentemente aos seus acionistas os planos de novas variedades transgênicas resistentes a herbicidas – sobre os quais é possível fazer estimativas. Até porque, segundo as fontes ouvidas, os canaviais, mesmo convencionais, já utilizam muito agrotóxico e fazem muitas vítimas.

Exorbitância

Conforme o deputado Nilto Tatto, o decreto legislativo é uma prerrogativa do Poder Legislativo para anular ou ratificar portaria, decreto, medida provisória ou qualquer outra deliberação de órgão vinculado ao Executivo que exorbite do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa.

No caso, a exorbitância parte da aprovação da cana de açúcar transgênica pela CTNBio, órgão auxiliar do Executivo – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), para questões relacionadas a organismos geneticamente modificados.

"Entre os vários aspectos envolvidos na liberação estão a rapidez na tramitação do processo de aprovação, o que nos leva a crer que não houve tempo suficiente para serem tomadas todas as providências necessárias em termos de avaliação de pesquisas e testes", disse Tatto. "Além disso, há o fato de a cana de açúcar ser usada também na produção de açúcar, fortemente presente na indústria de alimentos, o que envolve direito do consumidor. E há ainda a questão ambiental, inerente aos transgênicos".

Renca

A tramitação do projeto de decreto legislativo passa pela análise de deputados integrantes das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) – esta dominada por ruralistas e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC).

Apesar da configuração conservadora do Congresso, que torna mais difícil a aprovação da matéria, Tatto acredita que é possível trazer o tema, de grande importância para a sociedade, para o centro do debate.

"Quanto mais o assunto for discutido e ganhar repercussão, mais a sociedade vai entender as ameaças e riscos envolvidos. E vai passar a pressionar o governo, que já recuou diante de temas que também pareciam definidos, como é o caso da abertura da área de mineração na Amazônia, a Renca", destacou o parlamentar. (Rede Brasil Atual 10/11/2017)

 

Biosev registrou resultado positivo

Apesar de um cenário de preços mais baixos de açúcar e etanol no segundo trimestre da safra 2017/18, a Biosev registrou um lucro líquido de R$ 33 milhões no período, uma alta de 40% ante o mesmo período do ciclo passado.

Segundo a companhia, o resultado positivo deriva principalmente do reflexo da queda do dólar sobre as despesas financeiras. O recuo da moeda americana gerou um saldo financeiro positivo de R$ 36 milhões no trimestre, um ano antes, o saldo havia sido negativo em R$ 234,8 milhões.

No lado operacional, a Biosev aprofundou seu programa de redução de custos e aumento de produtividade. Dessa forma, enquanto a receita líquida (incluindo os ganhos com a revenda de produtos) recuou 20%, para R$ 1,8 bilhão por causa dos preços menores de açúcar e etanol ante igual período da safra passada, o custo total dos produtos vendidos caiu na mesma proporção, 20%, a R$ 1,4 bilhão.

Rui Chammas, presidente da Biosev, disse, ao Valor, que a companhia está buscando "trazer a operação para o menor custo possível", o que tem implicado na intensificação da adoção de tecnologias para elevar a produtividade agrícola, na redução do portfólio de produtos e em demissões.

A companhia não soube precisar quantas demissões foram relacionadas ao programa de produtividade, mas as rescisões contratuais desde o início da safra geraram gastos de R$ 15 milhões.

Chammas disse que a empresa tem conseguido reduzir a necessidade de investimentos em plantio, já que os canaviais estão mais produtivos por mais tempo. O próximo passo é diminuir os gastos com tratos culturais, especialmente com fertilizante, através do uso de vinhaça.

O passo mais recente nesse ciclo de ajustes internos foi anunciado ontem, com a decisão de suspender as operações da Usina Maracaju, em Mato Grosso do Sul, na próxima safra (2018/19). Toda a cana processada na planta irá para as unidades vizinhas Passa Tempo e Rio Brilhante, que operarão com capacidade máxima, o que deve diluir os custos. Com a decisão, cerca de 500 funcionários serão demitidos.

Essa mudança, segundo o executivo, tende a reforçar o caixa da companhia, até porque as duas usinas produzem energia a partir do bagaço de cana, enquanto de Maracaju não tem cogeração.

Outro ponto que contou a favor na contabilização dos custos totais do segundo trimestre foi o ganho de R$ 153,2 milhões com a mudança no valor justo do ativo biológico (canavial), já tirados os custos estimados com as vendas.

Entretanto, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, excluindo atividade de revenda e contabilidade de hedge, caiu 23%, para R$ 401 milhões, e a margem Ebitda recuou 1,9 ponto percentual, para 33,1%. (Valor Econômico 10/11/2017)

 

São Martinho venderá etanol de forma paulatina e com preços maiores

A São Martinho tem cerca de 64% do etanol desta safra para ser vendido na segunda metade da temporada e pretende vender todo o volume de forma paulatina, sem reservar estoque do produto para ser vendido no mercado físico para a próxima safra, afirmou Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, em teleconferência com analistas.

Na visão da companhia, o mercado de etanol na entressafra deverá ter uma oferta e demanda ajustadas. “Não terá escassez de etanol, a oferta está razoável para atender a demanda, mesmo que esta suba nos próximos meses”, afirmou.

Até o fim do segundo trimestre, a companhia detinha 453 milhões de litros de etanol em estoque e previa produzir mais 156 milhões de litros. O volume, acima do usual para a companhia, deve-se à consolidação da Usina Boa Vista, que produz apenas etanol. A opção de carregar mais etanol para a segunda metade da safra, segundo ele, foi mantida de acordo com a estratégia usual do grupo.

A venda desse montante mais elevado do biocombustível deve se beneficiar da recente reação dos preços, o que deve ajudar a geração de caixa da companhia no segundo semestre. “Após setembro, o preço de etanol está melhor, subiu próximo de 20%. E é nesses preços melhores que vamos vender o restante dos estoques”, observou.

Vicchiato avaliou que, mesmo que o preço da gasolina caia no mercado internacional neste verão, período em que o combustível costuma recuar sazonalmente no mundo, o repasse não chegará integralmente na bomba. Ele ressaltou que a recente alta do dólar deve compensar uma eventual queda do preço da gasolina. (Valor Econômico 10/11/2017)

 

Wilmar tem lucro de US$ 370 milhões no 3º trimestre, queda de 5,7%

O baixo desempenho dos negócios de óleos tropicais e de açúcar atingiram o lucro líquido da companhia de agronegócios Wilmar, sediada em Cingapura, que caiu 5,7% no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para US$ 370,0 milhões.

A receita total do grupo ficou praticamente estável, em US$ 11,1 bilhões, sustentada pelo aumento das vendas dos negócios de oleaginosas e grãos. Esse segmento registrou lucro antes de impostos de US$ 253,7 milhões no trimestre passado, e foi favorecido pelo aumento do volume processado e pelas boas margens de esmagamento.

Já o segmento de açúcar registrou uma queda de 13% no lucro antes de impostos, que somou US$ 75,2 milhões. Segundo a companhia, essa redução foi resultado do novo programa do governo da Austrália para o mercado de açúcar, que determina que certa proporção do adoçante produzido deve ser vendido apenas nos trimestres seguintes. O resultado desse negócio só não foi pior porque houve um bom desempenho nas negociações de açúcar, informou a companhia, em nota.

Quanto ao segmento de óleos tropicais, o lucro antes de impostos recuou 51%, para US$ 83,1 milhões, por causa da redução das margens de processamento. Isso foi parcialmente compensado pelo aumento da produtividade e do volume nas plantações durante o trimestre.

No segmento “Outros”, que abriga negócios de trading e fertilizantes, o lucro antes de impostos bateu recorde de US% 56,4 milhões.

A Wilmar também obteve lucro antes de impostos de US$ 51,3 milhões com suas empresas associadas e joint ventures, um crescimento de 79% ditado principalmente por ganhos na Índia, no Leste Europeu e no Marrocos.

No fim do trimestre, a dívida da companhia era de US$ 11,06 bilhões, e a proporção da dívida de longo prazo sobre o capital empregado havia caído ante o mesmo trimestre do ano passado, para 0,72 vez. Em nove meses, a companhia gerou caixa das atividades operacionais de US$ 1,56 bilhão, resultando em um fluxo de caixa livre de US$ 1,23 bilhão.

Segundo o CEO e presidente do conselho da Wilmar, Kuok Khoon Hong, a expectativa é que o segmento de oleaginosas e grãos tenham um “bom desempenho” no quarto trimestre, enquanto nos outros segmentos o desempenho deve ser “satisfatório”.

O executivo disse que o grupo vai continuar com seus planos de expansão, especialmente em oleaginosas e grãos, incluindo produtos ao consumidor. “Com bom desempenho nos países-chave asiáticos, nós continuamos otimistas sobre o futuro da Ásia”, afirmou, em nota. (Valor Econômico 13/11/2017)

 

Vendas de etanol em outubro atingem maior volume da safra 2017/18, diz Unica

As vendas de etanol pelas usinas e destilarias do centro-sul do Brasil alcançaram 2,46 bilhões de litros em outubro, alta de 15,21 por cento na comparação com igual mês do ano passado, sendo o maior volume mensal da atual safra 2017/18, informou a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta segunda-feira.

A quantidade refere-se ao somatório de vendas para o mercado interno (2,29 bilhões de litros) e para o externo (171,96 milhões de litros).

"Esse resultado decorre principalmente da ampliação das vendas de etanol hidratado ao mercado interno. Estas totalizaram 1,50 bilhão de litros, aumento de 21,66 por cento sobre os 1,23 bilhão de litros apurados em outubro de 2016", destacou a Unica.

O hidratado vem se mostrando atrativo para as usinas desde agosto, na esteira de mudanças tributárias envolvendo as alíquotas PIS/Cofins que tornaram o biocombustível mais competitivo que a gasolina em postos do país.

"Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo, há dez semanas consecutivas abastecer com etanol é mais econômico", citou a Unica.

Especificamente para a segunda metade de outubro, o volume comercializado de hidratado no mercado doméstico atingiu 839,63 milhões de litros, alta de 32,48 por cento na comparação anual e o segundo maior valor já observado para uma quinzena, superado apenas pelos 877,33 milhões de litros registrados na última quinzena de outubro de 2015.

Em relação ao etanol anidro, as vendas ao mercado interno somaram 794,46 milhões de litros em outubro de 2017 (queda de cerca de 4,7 por cento).

As exportações totais de etanol alcançaram 171,97 milhões de litros em outubro, dos quais 79 por cento foram de etanol anidro, concluiu a Unica. (Reuters 13/11/2017)

 

Monsanto reafirma a validade da patente da Intacta, em nota de esclarecimento

Na semana passada a Aprosoja-MT pediu a nulidade da patente da soja Intacta na Justiça.

São Paulo, 13 de novembro de 2017 - Tendo tomado conhecimento pela imprensa de uma suposta ação contra a patente da tecnologia INTACTA por parte da Aprosoja Mato Grosso, a Monsanto esclarece que desconhece os detalhes dessa medida, portanto, não pode se posicionar de modo definitivo a respeito. 

Ainda assim, é importante destacar que não existia soja com proteção contra lagartas antes do lançamento da tecnologia INTACTA, disponível comercialmente no Brasil há mais de quatro anos. O produtor rural sabe disso e escolheu adotar essa inovação por entender os grandes benefícios que traz para a lavoura e, por consequência, ao seu negócio. Essa inovação trouxe benefícios econômicos e ambientais para os produtores brasileiros assim como para a agricultura do país. Essa é razão da sua rápida adoção no campo. 

Igualmente importante reiterar que a tecnologia INTACTA foi devidamente patenteada no Brasil e em outros países, sempre seguindo os mais rigorosos critérios de exame. O INPI - Instituto Nacional de Propriedade Industrial, assim como os órgãos de concessão de patentes no exterior, peritos no assunto, avaliam criteriosamente os requisitos para concessão de patentes. Portanto, esta patente da tecnologia INTACTA seguiu as mais rigorosas regras de exame e todos os requisitos de patenteabilidade foram devidamente atendidos. 

A Monsanto reafirma a validade de sua patente, confia no Poder Judiciário e tem certeza de que, assim como inúmeras outras empresas de Pesquisa e Desenvolvimento, contribui com inovações importantes para o crescimento da agricultura no Brasil. Acreditamos também que só com a intensificação desses investimentos continuaremos superando os grandes desafios que a Agricultura Tropical apresenta, e consolidando nosso país como um dos maiores produtores de alimentos do mundo. (Reuters 13/11/2017)

 

Áreas de expansão da cana podem sofrer impactos das mudanças climáticas

As áreas de expansão de cultivo de cana-de-açúcar no país – compreendidas pelo extremo oeste do Estado de São Paulo e sul de Goiás – podem sofrer os impactos das mudanças climáticas previstos para essas regiões do Brasil, como o aumento da temperatura e da duração de períodos secos. A estimativa é de uma pesquisa feita na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os principais resultados do trabalho, apoiado pela FAPESP, foram reunidos no livro Planejamento da produção de cana-de-açúcar no contexto das mudanças climáticas globais, lançado em agosto pela Editora Unicamp.

“O estudo envolveu pesquisadores não só da área agrícola, como também de demografia, saúde, política científica e tecnológica, engenharia genética e divulgação científica, uma vez que as mudanças climáticas representam um problema que precisa ser abordado de formas multi e interdisciplinar”, disse Jurandir Zullo Junior, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores do Cepagri, em colaboração com colegas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Universidade de São Paulo (USP), têm gerado nos últimos anos cenários de possíveis impactos das mudanças climáticas na agricultura brasileira para diferentes culturas, como o café, o milho e a soja.

Por meio do projeto apoiado pela FAPESP eles se propuseram a gerar cenários para a cana-de-açúcar, uma vez que há interesse na ampliação das áreas de plantio da cultura no país com o intuito de atender à demanda por etanol. “A cana sempre aparecia como a única cultura agrícola no Brasil que apresentava vantagens em um cenário de mudanças climáticas. Por isso, decidimos confirmar ou refutar essa hipótese ao gerar cenários que envolvessem não só a parte agrícola, mas também outras áreas, e que fossem úteis aos tomadores de decisão sobre políticas públicas voltadas à adaptação do setor sucroalcooleiro nacional às mudanças climáticas”, disse Zullo.

Os pesquisadores estimaram os possíveis impactos das mudanças no clima na produtividade da cana em três áreas: na região de Ribeirão Preto – considerada uma área tradicional de plantio da cultura –, no extremo oeste de São Paulo e no sul de Goiás, denominadas regiões de expansão de produção da cana.

Segundo Zullo, nessas regiões de expansão tem sido observado um aumento da produção de cana em comparação com outras culturas agrícolas, principalmente em áreas antes destinadas à pecuária.

“Constatamos que tem ocorrido uma expansão da produção de cana nessas regiões, especialmente no sul de Goiás, que tem sido muito incentivada pelos próprios governos municipais, porque é uma forma de captarem um volume significativo de recursos para suas cidades”, disse.

As análises das simulações de cenários indicaram que a região tradicional de cultivo de cana não deve ter problemas relacionados a mudanças climáticas.

O problema maior nessa região, segundo os pesquisadores, é o de planejamento e escoamento da produção. “Há áreas produtivas de cana naquela região onde estão concentradas 14 usinas produzindo e competindo pela venda de etanol. Isso é prejudicial porque acaba tendo impacto no preço do produto”, disse Zullo.

Já as áreas de expansão da cana devem sofrer os impactos das mudanças climáticas, uma vez que necessitam da chamada “irrigação de salvamento” durante o período de estiagem, indicam os pesquisadores.

“Considerando o atual cenário de crises hídricas no país e de disputa pela água, essas regiões enfrentarão o desafio de assegurar água para irrigação de lavouras de cana e de outras culturas e, ao mesmo tempo, manter o abastecimento residencial e industrial”, disse Zullo.

Os pesquisadores também observaram que não tem havido uma preocupação dos programas de melhoramento genético da cana em desenvolver variedades mais bem adaptadas às mudanças climáticas.

“Os programas de melhoramento genético têm pensado mais em curto prazo, em questões como melhorias da produtividade, resistência a pragas ou adaptar uma variedade para uma região nova de cultivo. Mas nós não observamos uma preocupação de mais longo prazo, como desenvolver uma variedade mais adaptada aos estresses hídrico e térmico”, disse Zullo.

Planejamento da produção de cana-de-açúcar no contexto das mudanças climáticas globais. (Agência FAPESP 14/11/2017)

 

Fábrica na Dinamarca testará uso de cana-de-açúcar na produção de garrafa

O projeto é uma parceria com a empresa dinamarquesa Haldor Topsoe e produção começa em 2019 em fase de testes.

A petroquímica Braskem vai contruir uma fábrica-piloto na Dinamarca para produzir uma matéria-prima usada para fazer garrafas PET a partir de cana-de-açúcar. O projeto é uma parceria com a empresa dinamarquesa Haldor Topsoe e começa a operar em 2019.

A fábrica é uma planta de demonstração e será usada para validar a viabilidade técnica e econômica da nova tecnologia. Serão feitos testes com a cana-de-açúcar e também com outros açúcares provenientes do milho ou de biomassa. Se a tecnologia for viável, o próximo passo é a produção em larga escala.

Hoje o monoetilenoglicol (MEG), petroquímico usado na produção de PET, é feito a partir de nafta, gás ou carvão.

“Com essa parceria, fortalecemos nossa posição de protagonistas no desenvolvimento de soluções inovadoras que irão alavancar a competitividade de diferentes biomassas e complementar as soluções tradicionais oferecidas pelo setor petroquímico”, disse Gustavo Sergi, diretor de Químicos Renováveis da Braskem, em comunicado.

Braskem não divulga o investimento no projeto. (G1 10/11/2017)