Setor sucroenergético

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Justiça determina que Raízen terá que reintegrar 250 trabalhadores

O juiz Carlos Alberto Frigieri, da 2ª Vara do Trabalho de Araraquara, declarou nulas as demissões dos 250 trabalhadores feitas pela Raízen Energia na Usina Tamoio, localizada na mesma cidade, e estabeleceu um prazo de cinco dias para a readmissão dos funcionários. A empresa já foi notificada.

As demissões foram anunciadas em 13 de novembro, o primeiro dia útil de vigência das novas regras da legislação trabalhista. A reforma trabalhista determinou que demissões coletivas não precisam mais de autorização do sindicato.

Porém, o magistrado julgou que a empresa deveria ter comunicado previamente o sindicato para uma tentativa de negociação, argumentando que o "princípio da intervenção sindical nas questões coletivas de trabalho" não foi suprimido pela reforma.

Na liminar, o juiz criticou a mudança na legislação por "retirar direito dos trabalhadores" e avaliou que a Raízen Energia agiu de "má fé" por ter realizado as demissões logo após a vigência das novas regras.

Os trabalhadores terão que ser readmitidos com os mesmos salários até que a empresa conclua a negociação com os sindicatos locais. Uma audiência de conciliação deverá ser desginada para resolver a questão. Caso a determinação não seja cumprida, a Raízen Energia terá que pagar multa diária de R$ 10 mil por trabalhador atingido.

A decisão acolhe uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Para o procurador Rafael de Araújo Gomes, a Raízen Energia optou por redirecionar seus investimentos para as usinas Santa Cândida e Paraíso, que foram adquiridas da Tonon Bioenergia em setembro.

O problema, segundo o procurador, não foi a decisão em si das demissões, mas a forma como foi executada. “[A decisão ocorreu] sem qualquer preocupação com o impacto social negativo das medidas sobre as comunidades envolvidas, e sem buscar, em momento algum, a discussão e negociação com os sindicatos, a fim de serem estudadas alternativas menos gravosas aos trabalhadores. Não houve qualquer preocupação em se atenuar o impacto do súbito e inesperado desaparecimento de centenas de empregos nas duas cidades”, explicou, em nota.

Procurada, a empresa informou que "tomará todas as medidas judiciais cabíveis". Segue o posicionamento da companhia:

"A Raízen informa que foi notificada sobre a decisão da Justiça e esclarece que tomará todas as medidas judiciais cabíveis.

Esclarecemos ainda que todos os direitos trabalhistas foram cumpridos, sendo oferecidos inclusive benefícios que vão além do que prevê a legislação, como pacote de benefícios e extensão dos planos de saúde. A empresa reforça que sempre atua com base nos princípios de respeito às pessoas e na valorização de seus trabalhadores.

A suspensão temporária das atividades da unidade produtora Tamoio, em Araraquara/SP, foi uma decisão de negócio atrelada a menor disponibilidade de cana-de-açúcar na região e otimização logística e de produção. A cana-de-açúcar destinada à unidade Tamoio será redirecionada a outras unidades da empresa, não havendo redução da moagem total do Grupo Raízen. A operação agrícola própria e dos fornecedores de cana da Raízen não será impactada". (Valor Econômico 21/11/2017 às 18h: 23m))

 

Chineses investem US$ 1 bi no agronegócio brasileiro

Os acordos firmados pelo presidente Michel Temer durante sua visita à China, em setembro, começam a deixar o campo da pirotecnia das relações bilaterais para dar seus primeiros resultados práticos.

Segundo informações filtradas do Ministério da Agricultura, autoridades chinesas são aguardadas no Brasil no início de 2018 para anunciar uma série de projetos agropecuários, notadamente no Centro-Oeste e no sul do Pará.

A expectativa é que os investimentos passem de US$ 1 bilhão.

A maior parcela destes recursos virá do China-LAC Cooperation Fund.

Neste caso, as tratativas já estão ocorrendo com alguma velocidade.

Em viagem à Ásia há duas semanas, o governador do Mato Grosso, Pedro Taques, se reuniu com a direção do fundo para alinhavar investimentos no estado.

Em contrapartida, segundo o RR apurou, desde o mês passado, representantes do fundo têm visitado cidades do Centro-Oeste.

Estiveram também em uma das maiores cooperativas agrícolas da região. (Jornal Relatório Reservado 22/11/2017)

 

Cade aprova venda de fatia da Shell na Comgás para a Cosan

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a venda da fatia detida pela Shell na Comgás para a Cosan. A decisão está no “Diário Oficial da União” (DOU) desta terça-feira (21).

Com a operação, a Cosan passa a deter 79,88% da Comgas. De acordo com o parecer do Cade, “a operação envolve o exercício, pela Shell, da prerrogativa de venda de participação acionária que lhe foi concedida pela Cosan em 2012, por meio do contrato de opção de venda”.

“A decisão de alienar sua participação na Comgás decorre de uma revisão do portfólio da Shell no Brasil, que concluiu não ser a Comgás um ativo estratégico para seus negócios”, diz o texto.

A autoridade antitruste não viu problemas concorrenciais no negócio porque a empresa já detinha uma fatia considerável da Comgás, entre outros pontos. (Valor Econômico 21/11/2017 às 10h: 19m)

 

Produtividade da cana pode aumentar em consórcio com milho no Cerrado

No setor sucroenergético é comum considerar o etanol de milho como um concorrente direto do proveniente da cana-de-açúcar. Pesquisa em andamento conduzida pela Embrapa mostra o contrário. É possível obter benefícios e até aumentar a produtividade da cana-de-açúcar via uma técnica de consórcio com o milho. Ao mesmo tempo pode-se intensificar a produção de milho em áreas já ocupadas por cana solteira.

Resultados de experimentos conduzidos na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF) apontam para maior produtividade da cana-de-açúcar de ano consorciada com milho. A cana-de-açúcar solteira, plantada em março de 2016, produziu 114 TCH (Toneladas de Colmos por Hectare), enquanto que a produtividade da cana de ano consorciada, plantada em novembro de 2015, foi de 127 TCH. A produtividade do milho não foi afetada pelo consórcio.

Com esses dados preliminares pesquisadores das unidades Embrapa Cerrados, Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG), Meio Ambiente (Jaguariúna-SP) e Agropecuária Oeste (Dourados-MS) aprovaram, este ano, projeto de pesquisa no Portfólio Sucroalcooleiro Energético da Embrapa. Durante três anos serão feitas avaliações nas regiões de Goiás (Embrapa Cerrados), de São Paulo (Milho e Sorgo e Meio Ambiente) e Mato Grosso do Sul (Agropecuária Oeste).

A equipe do projeto espera ter um protótipo da tecnologia implantado em escala de talhão no ano agrícola de 2019. “Modificações no atual sistema de produção de cana-de-açúcar são necessárias para que o sistema consorciado seja operacional em nível de talhão. Essa é uma questão importante e estamos atentos nas pesquisas”, afirma o pesquisador da Embrapa Cerrados Kleberson Souza.

Impacto maior na cana de ano

O consórcio com milho impacta mais na cana de ano, plantada no início do período chuvoso e, assim, denominada porque é colhida em um ano. Quando a cana-de-açúcar de ano é plantada, apesar da disponibilidade de água e temperaturas adequadas, a brotação e crescimento inicial da cultura são lentos.

“Quando a cana de ano sai da fase inicial de brotação e começa o crescimento exponencial já terminou o período chuvoso. Nesse caso, a cultura entra no período seco com elevada área foliar e grande demanda por água, reduzindo sua produtividade ao ser colhida ao final do período seco”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados João de Deus Santos Jr.

O prejuízo na produtividade alcança também as socas seguintes. A melhor estratégia para contornar esse problema é plantar a cana-de-açúcar de ano e meio, no final do período chuvoso entre os meses de janeiro a abril. Isto proporcionaria adequado teor de água no solo e temperatura para uma brotação rápida e baixa evapotranspiração da cultura durante os meses seguintes de déficit hídrico. Com o sistema radicular mais desenvolvido, a cultura da cana-de-açúcar terá no próximo período chuvoso a possibilidade de maximizar a utilização da água e da radiação solar.

Embora a cana-de-açúcar de ano e meio seja a mais indicada, não é possível renovar os canaviais apenas no final do período chuvoso e, por isso, o sistema de plantio de cana-de-açúcar de ano é necessário para atingir a meta de renovação anual de canavial de cada usina, em maior ou menor grau. Outra consequência dos plantios de cana-de-açúcar no início do período chuvoso (cana de ano), considerando o espaçamento largo (1,5m) adotado no cultivo, é o de expor o solo a risco de erosão.

Aumento da produtividade

Por meio do consórcio da cana-de-açúcar e milho é possível antecipar o plantio de cana-de-açúcar do final do período chuvoso (cana de ano e meio) para o período em que é plantada a cana de ano (início do período chuvoso), alterando, portanto, o ciclo de ano para de ano e meio.

Quando consorciada com milho no início do período chuvoso, a cana-de-açúcar apresenta excelente brotação, porém, paralisa o crescimento devido à competição por luz. Somente retoma o perfilhamento e crescimento após a colheita do milho no final do período chuvoso. “A cultura é plantada antecipada, mas fica em modo de espera até o final do período chuvoso. Ou seja, a cana é plantada como se fosse cana de ano, mas se comportará como uma cana de ano e meio”, ressalta João de Deus Jr.

O produtor, como frisou o pesquisador, por uma questão de logística de plantio, pode optar por aumentar sua área de cana-de-açúcar de ano e meio intensificando os plantios de cana-de-açúcar de ano consorciada com milho, sem os problemas inerentes ao cultivo da cana-de-açúcar de ano. “Isso intensifica a produção de milho em áreas já ocupadas pelo plantio de cana-de-açúcar solteira, mitigando a questão de prioridade entre alimentos e energia no uso da terra”, complementa João de Deus. “Com a utilização da cultura intercalar do milho, o problema de erosão também é minimizado pois o solo é rapidamente coberto pela área foliar de ambas as culturas”, destaca.

Renovação de canaviais

De acordo com a pesquisadora Nilza Patrícia Ramos, da Embrapa Meio Ambiente, a renovação dos canaviais com a tecnologia da consorciação da cana-de-açúcar e milho é excelente opção para as usinas flex, nas quais o milho é utilizado para a produção de etanol. “Estudos da Embrapa Meio Ambiente evidenciam o bom desempenho econômico e ambiental das usinas flex”, afirma a pesquisadora.

Do ponto de vista ambiental, os resultados da integração da cana-de-açúcar e milho para as usinas flex não comprometem o desempenho do etanol produzido, tanto pela ótica do balanço energético quanto pela redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

As emissões de GEE evitadas podem chegar a 70% neste arranjo, enquanto o balanço energético atinge 6,9 MJ etanol hidratado/MJ energia fóssil, a depender da estrutura industrial usada. Nilza Ramos destacou que a realidade brasileira difere significativamente da norte-americana, onde as emissões evitadas, para etanol de milho, variam entre 19% e 48%. O grande diferencial das usinas flex de etanol de milho no Brasil é que a matriz energética é renovável, provenientes da queima do bagaço da cana-de-açúcar.

A utilização do milho nas usinas flex também gera um subproduto de maior valor agregado, conhecido como DDGS (sigla em inglês para grãos secos por destilação). Trata-se de um material com excelente propriedade para a suplementação de animais ruminantes. Dessa forma, o milho pode ser utilizado para alimentação animal em arranjos produtivos de confinamento bovino com plantio de milho em áreas de reforma de canavial.

Intensificar de forma sustentável a produção de cana-de-açúcar e milho pode ser potencializada com o programa governamental RenovaBio 2030, que pretende aumentar a produção de biocombustíveis para atingir as metas de redução de emissão de poluentes, estabelecidas pela COP-21. (Embrapa 21/11/2017)

 

Milho dos EUA ameaça domínio da cana brasileira no Japão

Os produtores de milho dos EUA poderão entrar em breve no mercado japonês de biocombustíveis, ameaçando o domínio da cana-de-açúcar brasileira sobre um dos maiores consumidores de gasolina do mundo.

O Ministério do Comércio Exterior do Japão planeja permitir que suas refinarias usem o etanol americano, baseado no milho, em um aditivo misturado à gasolina, disse Kiyohide Yasuhara, vice-diretor do escritório de planejamento de políticas de combustível da pasta, em entrevista em Tóquio. Atualmente, o Japão usa apenas cana-de-açúcar brasileira como fonte para o aditivo do combustível, disse Yasuhara.

Os biocombustíveis estão ganhando popularidade em todo o mundo e Londres está entre os últimos a dizer que usarão borra de café velha para impulsionar seus icônicos ônibus vermelhos de dois andares. O Japão, terceiro maior consumidor de petróleo do mundo, busca diversificar suas fontes de abastecimento de gasolina para expandir o uso de energia sustentável no país.

Segundo Yasuhara, o ministério espera que o uso de etanol americano baseado no milho ajude a reduzir custos. O produto americano atualmente é 35 por cento mais barato que a variedade à base de cana do Brasil, disse Melissa George Kessler, porta-voz do Conselho de Grãos dos EUA, que desenvolve mercados de exportação para a cevada e o milho dos EUA, por e-mail.

Detalhes dos planos do Ministério da Economia, Comércio Exterior e Indústria do Japão:

O uso de etanol americano baseado no milho será permitido a partir de abril de 2018. O Ministério do Comércio Exterior e da Indústria planeja manter a exigência de volume de bioetanol em 500 milhões de litros equivalentes de petróleo por ano até março de 2023 sob as novas regras.

Sob as regras de 2010 destinadas a reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, o governo japonês exigiu que as refinarias aumentassem gradualmente o volume de bioetanol misturado à gasolina para 500 milhões de litros equivalentes de petróleo por ano até março de 2018.

O ministério também planeja introduzir 10 milhões de litros equivalentes de petróleo por ano de biocombustíveis de segunda geração derivados de não-alimentos, como borra de café e resíduos de celulose, no período de um ano a partir de abril de 2020.

A região Ásia-Pacífico foi identificada como prioridade para desenvolvimento de mercado "dado o baixo consumo de etanol na região e o mercado de combustível grande (e crescente)", disse Kessler, do Conselho de Grãos dos EUA, que desenvolve mercados de exportação para o milho e o sorgo dos EUA. (Bloomberg 21/11/2017)