Setor sucroenergético

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O lento despertar da Dedini

A retomada dos investimentos no setor sucroalcooleiro tem representado uma lufada para a Dedini.

Em recuperação judicial, a empresa deverá faturar neste ano cerca de R$ 300 milhões, 50% a mais do que em 2016.

Trata-se, como se disse, apenas de uma lufada.

Nada que lembre os tempos em que a Dedini era a maior fabricante de equipamentos para usinas álcool e açúcar da América Latina e faturava R$ 3 bilhões por ano. (Jornal Relatório Reservado 27/11/2017)

 

Arbitragem política

Os pesos-pesados da indústria sucroalcooleira que controlam o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) entendem só haver uma saída para a contenda com a BNDESPar: politizar a questão.

A Raízen, de Rubens Ometto Silveira Mello, e a São Martinho estariam tentando sensibilizar o governo para que ele entre em campo e resolva o impasse com o braço de participações do BNDES.

Em 2014, a BNDESPar ingressou no capital da CTC comprometendo-se a injetar mais R$ 90 milhões no negócio. No meio do caminho, puxou o freio de mão, alegando que a empresa tem folga de caixa e não precisa da capitalização.

A pendenga foi parar na Câmara de Arbitragem da B3. Procurada, a São Martinho diz "não confi rmar a informação". A Raízen não se pronunciou. (Jornal Relatório Reservado 27/11/2017)

 

Do trilho ao etanol

A argelina Cevital está rondando as usinas de álcool e açúcar da Abengoa Bioenergia, que entrou com pedido de recuperação judicial.

Os africanos têm interesses múltiplos no Brasil.

Estão investindo US$ 750 milhões na instalação de uma indústria de etanol de milho no Mato Grosso e estudam montar uma fábrica de trilhos no Pará. (Jornal Relatório Reservado 24/11/2017)

 

Fosfato valioso

Deve ter uma mina de ouro debaixo da Unidade de Fertilizantes da Petrobras em Três Lagoas (MS).

Segundo o RR apurou, dez grupos estrangeiros já procuraram a estatal dispostos a assumir o negócio. (Jornal Relatório Reservado 27/11/2017)

 

Mais usinas ficarão sem operar na próxima safra

O número de usinas sucroalcooleiras que ficará de portas fechadas no Brasil na safra 2018/19, que terá início em abril, deverá ser maior que no ciclo atual. A tendência ainda reflete a crise que abalou muitas empresas do setor na primeira metade desta década e que até hoje recai sobre a produtividade dos canaviais, mas também tem relação com os problemas climáticos que limitaram a produção nos últimos anos.

De um total de 444 usinas espalhadas pelo país, pelo menos 79 não ligarão as máquinas na próxima temporada, conforme levantamento da RPA Consultoria - em 2017/18, 76 unidades não operaram. Mas o número poderá ser maior, já que diversas companhias com poucos recursos em caixa ainda estão definindo sua programação. Neste ano, o inverno mais seco que o normal no Centro-Sul, que concentra o maior número de unidades, colabora para alimentar incertezas sobre a produtividade em 2018/19 e mantém alguns planos indefinidos.

"Tem muita boca [moenda] e pouca cana", diz Ricardo Pinto, sócio da RPA. Segundo ele, será difícil o Centro-Sul chegar a uma moagem de 560 milhões de toneladas de cana no ciclo que está por vir, ante as cerca de 580 milhões estimadas pela empresa para a safra que está chegando ao fim. Como o volume de 2017/18 foi menor que o de 2016/17 (ver infográfico ao abaixo), mais usinas viram sua capacidade ociosa aumentar.

O cenário é agravado pela queda dos preços do açúcar, que tem forçado mesmo as companhias que estão com melhor saúde financeira a conter gastos para preservar margens. E há questões estratégicas que pesam na balança. A Raízen Energia, por exemplo, decidiu encerrar as operações da Usina Tamoios, em Araraquara, e a unidade que tem em Dois Córregos, município também localizado no interior paulista. A primeira produz apenas açúcar, enquanto a segunda faz açúcar e etanol.

Segundo a empresa, que tem elevado os investimentos na área agrícola, outras usinas suas nas mesmas regiões absorverão a matéria-prima disponível das unidades fechadas. Pesou nessa decisão o fato de a Raízen ter adquirido recentemente duas usinas do grupo Tonon, cujas lavouras estavam com baixa produtividade após um longo período de dificuldade financeira da empresa.

Assim, essa estratégia não reduzirá o volume de processamento do grupo. Em nota, a Raízen informou que as paralisações se dão em "um cenário de menor disponibilidade de cana nessas regiões e da otimização logística e de produção" e deverão durar ao menos dois anos.

Outra que não vai entrar em ação na próxima safra é a usina da Biosev na cidade sul-mato-grossense de Maracaju. A unidade, que produz açúcar e etanol, tem capacidade para processar 1,8 milhão de toneladas de cana por safra, mas vinha moendo menos, mesmo com mais aportes da empresa em suas operações agrícolas no país. A cana que iria para a usina agora será entregue a outras duas unidades da companhia na região, que têm maior capacidade de processamento. Além disso, essas usinas podem utilizar bagaço de cana para gerar energia elétrica, o que potencializa os ganhos com a mesma quantidade de matéria-prima.

De uma maneira geral, o fechamento de unidades tem tido mais impacto sobre os empregos do segmento do que sobre a produção. Apenas a paralisação dessas três usinas adicionais em 2017/18 significará uma redução de ao menos 750 postos de trabalho. Na terça-feira, a Raízen foi obrigada por decisão liminar da Justiça a anular as demissões que fez na unidade Tamoio para negociar os termos das dispensas com os sindicatos locais. A companhia informou que "tomará todas as medidas judiciais cabíveis".

Outra empresa que poderá paralisar uma de suas usinas é a Renuka do Brasil. Com um processo de recuperação judicial que enfrenta complicações depois que a Justiça suspendeu o leilão de uma de suas unidades, a companhia opera com menos de metade da capacidade total de suas duas unidades, de 10,5 milhões de toneladas, segundo uma fonte a par do assunto.

Sem os recursos que previa arrecadar com o leilão, a Renuka enfrenta dificuldades para pagar fornecedores. Neste semestre, a empresa demitiu cerca de 500 funcionários da Usina Madhu, em Promissão (SP), por causa da redução da moagem. A companhia ainda não sabe se vai operar as duas usinas em 2018/19. Mas, para rodá-las, precisará investir em manutenção de maquinário mesmo com o caixa apertado.

Para Ricardo Pinto, nenhuma das 76 usinas que estão paradas nesta safra deverá voltar a operar na próxima. A tendência, afirma, é que 12 unidades, além das três que fecharão as portas na próxima safra, voltem à atividade apenas "nos próximos anos". Se isso de fato acontecer. (Valor Econômico 24/11/2017)

 

Açúcar: Alta do petróleo

A valorização do petróleo no mercado internacional tem dado sustentação às cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York, apesar das previsões de superávit na oferta mundial nas safras 2017/18 e 2018/19.

Os contratos de açúcar com vencimento em maio fecharam a 15,36 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira, alta de 15 pontos.

O petróleo mais caro tende a aumentar a demanda por fontes alternativas de energia, como etanol, levando as usinas a priorizar a produção do biocombustível em detrimento do açúcar.

Na segunda metade de outubro, 49,29% da cana processada foi convertida em etanol no Centro-Sul do Brasil contra 42,85% um ano antes.

No Brasil, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 66,81 a saca, alta de 0,41%. (Valor Econômico 27/11/2017)

 

Usina Cocal emitirá R$ 119,9 milhões em CRA

A companhia sucroalcooleira Cocal, de Paraguaçu Paulista (SP), emitirá certificados de recebíveis do agronegócio (CRA) para captar R$ 119,9 milhões. A agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) classificou hoje o rating final da emissão em ‘brA+ (sf)’ na escala nacional.

Os juros remuneratórios dos CRAs equivalerão à Taxa DI Over acrescido de uma sobretaxa equivalente a 1,8% ao ano. O pagamento dos juros e do principal da emissão de CRAs será mensal, sendo que a amortização do principal terá início após um período de carência de 12 meses.

A garantia está exposta, por um lado, ao risco de desempenho da Cocal e, por outro, ao risco de crédito da Copersucar, que é a contratante.

A emissão de CRAs será feita pela securitizadora Gaia Agro e será lastreada por um Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) devido pela Cocal. Além disso, a transação contará com a garantia da cessão fiduciária dos recebíveis decorrentes dos contratos de fornecimento de cana-de-açúcar, etanol, entre outros produtos. (Valor Econômico 24/11/2017)

 

Cana lidera criação de vagas, mas indústria dá sinais de reação

Os últimos três meses sinalizaram uma inversão de tendência no emprego no Nordeste, que tem sido puxado principalmente pela indústria ligada à cana de açúcar. Mas a região também registra bom desempenho em alguns segmentos na indústria de transformação. "Pelo ritmo que temos visto até agora, a região deve fechar o ano com saldo positivo no emprego", afirmou a coordenadora do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão.

No mês de outubro, o Nordeste teve um saldo positivo de 37.801 vagas, o que representou quase metade dos 76,6 mil empregos no saldo nacional, segundo o Caged. Até setembro, a região tinha um saldo negativo de 30 mil vagas, um número que já foi maior ao longo do ano, quando o mercado de trabalho nordestino, na média, ainda não registrava a recuperação gradual exibida pela maior parte do país.

Os Estados de Pernambuco e Alagoas, os dois dos maiores produtores nordestinos de açúcar ajudaram a puxar o resultado positivo em especial após setembro, quando começa a colheita de cana na região. Impulsionada principalmente pelo segmento de alimentos e bebidas, a indústria de transformação tem sido destaque, com saldo positivo de 18.565 empregos, segundo números compilados pela Etene atualizados até setembro.

O desempenho não é exatamente uma surpresa, uma vez que esse efeito sazonal no ciclo da cana é esperado para essa época do ano. No entanto, uma análise mais minuciosa mostra que outros segmentos também apresentam melhora, afirma Hellen, da Etene. "Dentro da indústria de transformação vemos, mês a mês, um desempenho bom no setor de calçados e no de produtos químicos também", diz.

Ela destaca ainda o segmento automotivo em Pernambuco, que conta com uma fábrica da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) em Goiana. Segundo o Valor apurou, por conta das boas vendas do modelo Compass, a unidade estuda implementar um terceiro turno de trabalho e realizar novas contratações para a fábrica. Outro destaque na economia regional, afirma Hellen, é a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), empreendimento da mineradora Vale no Ceará que tem movimentado o mercado de trabalho na Região Metropolitana de Fortaleza. O Ceará criou 2.918 vagas em outubro, mas no ano ainda registra saldo negativo de 869.

Em paralelo, a fruticultura irrigada do vale do São Francisco tem puxado o bom desempenho da agropecuária, que tem saldo positivo de 10.264 vagas no Nordeste no acumulado do ano. "O motor do crescimento da economia nesse momento têm sido as exportações, por isso essa região tem se destacado", diz a economista da Etene.

Ela explica que as maiores perdas no emprego no Nordeste ocorreram até abril. "A partir de maio, esse movimento começou a ceder e, em agosto, a virada ficou mais clara", diz. Ainda pesa, no entanto, a lenta recuperação do comércio, que acumula um déficit de 22.325 vagas no ano.

O Etene projeta que, neste ano, o desempenho do PIB da região Nordeste deve ficar próximo ao da média nacional, estimado em uma alta de 0,7%. (Valor Econômico 27/11/2017)

 

Termina hoje reserva do CRA da Raízen

Termina hoje o prazo para os investidores reservarem os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Raízen, empresa resultante da fusão da Shell e da Cosan no Brasil.

Os R$ 700 milhões em papéis são isentos de imposto de renda sobre os ganhos para pessoas físicas e são garantidos por operações de compra de etanol de produtores rurais. Não há cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a operação só está disponível para investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão em investimentos financeiros.

Sem a garantia do FGC, o investidor deve levar em conta a saúde financeira da empresa, que recebeu avaliação de risco AAA (mais alta) no rating nacional da Fitch Rating. É preciso ter conta em uma corretora de valores para comprar o papel e é importante verificar quanto ela cobra pela custódia (guarda) dos títulos.

A empresa oferecerá duas séries de longo prazo, uma de seis anos corrigida pelo juro diário do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que caminha próximo da taxa básica Selic, e outra de sete anos atrelada à inflação medida pelo IPCA. A série corrigida pelo CDI pagará no máximo 98% do referencial e a atrelada à inflação seguirá a remuneração da Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-B) com vencimento em 2024 mais 0,10 ponto percentual.

Segundo a Sunrise Investments, a empresa tem alto conceito de crédito e deve haver grande procura pelos papéis. A consultoria sugere que o investidor peça 96% do CDI na série mais curta e -0,10 ponto na séria atrelada ao IPCA. A liquidação será no dia 15 de dezembro.(Arena do Pavini 24/11/2017)

 

A 'mão do gato' ameaça as exportações brasileiras de açúcar, etanol e outros produtos

Não me lembro de um período com tantas turbulências e incertezas no mundo como o atual.

As questões geopolíticas voltaram à ordem do dia: grandes levas de refugiados, novas formas de terrorismo, conflitos no Oriente Médio, disputas no entorno da China e o jeito Trump de governar.

O multilateralismo consensual do pós-guerra dá lugar às ameaças via Twitter e porrete. E, como era de esperar, já começa a afetar as correntes de comércio e investimentos no mundo.

No início do mês, Trump passou pela Ásia para discutir a questão da Coreia do Norte e reequilibrar o déficit comercial dos EUA com países-chave da região, incluindo, se necessário, a venda de armas americanas. Os EUA importam quase US$ 1 trilhão da Ásia, acumulando um déficit comercial de US$ 533 bilhões com o continente.

O déficit americano varia de US$ 13 bilhões a US$ 33 bilhões com países como Indonésia, Taiwan, Tailândia, Índia, Malásia, Coreia do Sul e Vietnã. Chega a US$ 70 bilhões com o Japão e a incríveis US$ 347 bilhões com a China. Trump está obcecado com isso e ameaça: abram-se para os EUA ou haverá retaliações.

Na mesma linha, multiplicam-se os contenciosos comerciais. Novas regulações desenhadas "ad hoc" e contenciosos de impacto começam a atingir as exportações brasileiras nos setores em que somos mais competitivos.

No agronegócio, estamos enfrentando conflitos no acesso do açúcar e da carne de frango na China, etanol para o Japão e questões complexas com Indonésia, Rússia, Hong Kong, União Europeia e EUA.

Vale destacar também o impacto do forte protecionismo à indústria doméstica, incluindo o próprio agronegócio. Continuamos sendo um dos países mais fechados do mundo ao comércio. Aço, trigo, café, bananas, camarão e pescados são exemplos de produtos nos quais a proteção contra pequenas importações já prejudica grandes volumes de exportações potenciais.

Falamos das nossas grandezas, queremos acessar o mundo, mas na hora de negociar não oferecemos quase nada em troca para os nossos parceiros. Perderemos cada vez mais oportunidades de exportação em razão disso.

Isso sem contar a crise de imagem que vivemos, gerada pela percepção de um país tomado pela corrupção, pela violência e pela instabilidade política, incapaz de se explicar de forma simples e didática. O mundo tem dificuldade de entender o que está acontecendo no Brasil.

Nesse contexto, noto que a "mão do gato" contra as nossas exportações se faz cada vez mais presente, dentro do próprio país ou escondida atrás da porta, na concorrência nos países-destino.

Já se foi o tempo em que exportávamos simplesmente porque havia demanda e éramos competitivos. Num mundo dominado pelo mercantilismo do "toma lá dá cá", com interesses geopolíticos exacerbados e arbitrariedades regulatórias se multiplicando, é fundamental manter um olho no peixe e o outro no gato.

A complexidade do mundo exige uma melhor definição do interesse público do país, tomando decisões com base no impacto socioeconômico das medidas, e não em favor de quem grita mais alto.

Exige estratégias bem montadas para lidar com a crescente agressividade geopolítica e comercial do mundo. Exige maior coordenação dentro do governo e entre este e o setor privado, para não perder mercados e oportunidades.

Precisamos também estar mais presentes no cenário internacional, muito além da representação oficial do governo, construindo relacionamentos estáveis e duradouros com nossos parceiros comerciais, que aumentem a confiança entre as partes.

Estratégia, representação e organização são a única receita de sucesso ante a imensa complexidade do mundo atual. (Folha de São Paulo 27/11/2017)

 

Açúcar: Controle seu entusiasmo – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana praticamente inalterado em relação às cotações da semana anterior. Foi uma semana de pouca atividade tendo em vista o feriado no Brasil na segunda-feira e o feriado de Ação de Graças nos EUA, na quinta-feira. Assim, o balanço da semana foi de variações positivas ao longo da curva de preços que se estende até outubro de 2020, de míseros 2 a 8 pontos, ou seja, de meio dólares por tonelada a pouco menos de dois dólares por tonelada.

Nunca é demais alertar aos produtores que tenham cuidado com o entusiasmo exacerbado. O mercado se move lentamente para níveis mais altos à custa de muito esforço. Os fundos precisaram liquidar nada menos que 50,000 contratos para que o mercado subisse pouco mais de 120 pontos. Resta saber se se vão continuar comprando. O relatório do posicionamento dos comitentes, mais conhecido como COT, será publicado apenas na segunda-feira. Assim, teremos uma ideia do atual posicionamento dos fundos.

O pior já passou? Acreditamos que sim. Aqueles 12.50 centavos de dólar por libra-peso negociados em agosto que muitos acreditaram ser o início de um debacle que faria NY buscar os 10 centavos de dólar por libra-peso jamais se concretizou. Achamos bastante improvável que o mercado possa se dirigir para aqueles níveis, muito embora não há como descartar essa possibilidade.

A boa notícia é que a curva de preços do açúcar em NY transformada em reais incorporando o spread entre os juros internos x externos aponta para uma liquidação financeira remuneradora. Na média ponderada dos meses utilizados para a fixação de preços da 2018/2019, obtém-se 1,187 reais por tonelada um retorno razoável para um custo médio de produção de açúcar (sem o financeiro) de R$ 42.59 por saca posto usina. Para 2019/2020, o retorno está melhor em 6.38% em reais, com a média em R$ 1,263 por tonelada.

A grande mudança de paradigma na maneira como observamos o mercado de açúcar, com efeito, foi a metodologia na formação do preço da gasolina introduzida pela Petrobras permitindo às usinas visibilidade dos preços da gasolina no médio e longo prazos e estabelecer parâmetros para o hidratado via paridade. A aderência que o mercado de açúcar passa a ter com o petróleo traz, pelo menos, mais uma alternativa de hedge.

O setor sucroalcooleiro muito provavelmente não estará mais refém de políticas de preço que o obrigue a subsidiar o biocombustível como ocorreu durante os governos de esquerda de Lula e Dilma, em especial em 2008 quando o petróleo negociava acima de 90 dólares por barril e as usinas vendiam etanol abaixo do custo de produção. Só para lembrar que grande parte do endividamento das usinas que hoje beira os 135 reais por tonelada de cana moída é devido não apenas à inegável má gestão, mas também, em grande parte, ao subsídio forçado dado pelo governo petista à gasolina para incentivar a indústria automobilística, que deteriorou as margens.

Essa virada de página está começando a ser sentida pelas usinas. Quanto mais houver confiança na perenidade da política de formação de preço adotada pela Petrobras, mais as usinas estarão trabalhando em sintonia com as sinalizações que o mercado de petróleo e açúcar vão dando. As questões geopolíticas que normalmente afetam o petróleo, irão afetar por contaminação o açúcar. O mercado vai mudar.

A economista Cristina Barros da MB Associados comentando sobre as eleições presidenciais de 2018, acredita que “ainda não existe grid de largada definido” e muitas indefinições pairam sobre o quadro sucessório. Cristina acredita que “apenas em meados do primeiro semestre do ano que vem teremos uma noção mais clara sobre esse quadro”. A consciência acerca dos estragos provocados pela corrupção, em especial no Rio de Janeiro que tem todos seus governadores desde 1995 atrás das grades e a segurança pública, além do desemprego serão temas recorrentes entre os candidatos. 2018 promete muita turbulência ainda no cenário político.

O livro “Derivativos Agrícolas”, minha autoria com o jornalista Carlos Raices, já está disponível na Amazon Books, iTunes, Google Play, Kobo e Livraria Cultura: é só acessar o link a seguir. Boa leitura!

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