Setor sucroenergético

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Sem açúcar e sem afeto

A área jurídica da Cargill está mobilizada em torno da punição imposta pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), dos Estados Unidos, à Copersucar.

A empresa foi condenada a pagar uma multa de US$ 300 mil por manipulação de negociações com contratos de açúcar na Bolsa de Nova York.

O temor da Cargill é que o processo ricocheteie na Alvean, joint venture que mantém com a Copersucar.

Desde outubro de 2014, a empresa é a responsável por distribuir o açúcar físico e negociar contratos futuros em nome de suas acionistas. (Jornal Relatório Reservado 01/12/2017)

 

COFCO

A chinesa Cofco tem interesse nas duas usinas da indiana Shree Renuka no Brasil, Madhu e Revati -, ambas em São Paulo.

O leilão desta última estava marcado para setembro, mas foi adiado pela Justiça. (Jornal Relatório Reservado 28/11/2017)

 

Gargalos fazem etanol perder terreno para a gasolina

Produção pequena, logística complexa e tributos elevam preço do biocombustível na maioria dos Estados; consumidores preferem a gasolina.

A cana-de-açúcar sempre é citada como exemplo de matéria-prima para a produção de energia limpa, renovável e competitiva. É no etanol, produzido no Brasil a partir dessa cultura, que o setor deposita esperanças para cumprir as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa. Mas a cadeia do biocombustível enfrenta gargalos para a efetiva distribuição no território nacional. Postos de regiões brasileiras onde o etanol hidratado não tem competitividade econômica com a gasolina simplesmente abandonaram a venda do bicombustível. O motivo é básico: falta de demanda.

O hidratado só tem se mostrado viável em veículos flex quando seu preço representa no máximo 70% do litro da gasolina. Entre os fatores que levam o etanol a ficar acima dessa porcentagem estão a produção pequena ou inexistente do biocombustível, a logística complexa para o transporte e a alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

A situação se agravou este ano. Usinas deram prioridade, na maior parte da safra, à produção do açúcar em detrimento do etanol, porque os preços do alimento estavam mais remuneradores do que os do álcool. Só mais para o fim da colheita a situação se inverteu.

Esse fato poderia ter barateado o biocombustível, mas coincidiu com seguidas altas da gasolina em razão da nova política de preços da Petrobrás, de promover reajustes diários no combustível fóssil. Como o derivado de petróleo apresentou mais aumentos do que recuos, repassados aos postos, o hidratado se valorizou.

Levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que, no começo de novembro, de 42.171 postos em operação no País, 8.249 não possuíam bombas de etanol hidratado, ou 19,56% do total. Para a agência, “a própria dinâmica do mercado é quem dita o ritmo das vendas do etanol hidratado, de forma que não cabe à ANP interferir na situação”. 

Os dados da ANP, divulgados semanalmente, mostram que somente em Mato Grosso e em São Paulo, Estados com produção bem acima do consumo e com alíquotas diferenciadas de ICMS, o hidratado é competitivo com a gasolina. Em Goiás e Minas Gerais essa situação é comum, mas a competitividade nem sempre ocorre. Em outros 23 Estados, quase sempre o preço médio do etanol supera o porcentual de 70% e não é possível competir com a gasolina, que, por ter maior poder calorífico, rende mais por quilômetro rodado.

Nas regiões onde não há a paridade, estabelecimentos que possuem o etanol estão localizados em capitais e grandes cidades. O consumidor de etanol ou tem o viés ambiental ou é de órgão público cuja norma é usar o biocombustível. Com 2.850 postos, o Rio Grande do Sul é um dos exemplos da falta de competitividade do etanol. Distribuidoras trazem o pouco álcool consumido ali do Paraná e São Paulo. Além do preço e do frete, o combustível é tributado em 30% nos postos só de ICMS. “No interior do Estado não se encontra etanol. Alguns postos na capital e grandes cidades ainda têm para o uso de locadoras, mas boa parte está deixando de vender”, disse o presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS, Adão Oliveira. 

Sem hábito. O Distrito Federal é outro exemplo onde o álcool foi ignorado. O próprio presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicombustíveis-DF), Daniel Costa, admite ter desistido de vender etanol hidratado. “O DF não tem usina, nunca teve cultura e como os preços da gasolina e do etanol se igualaram, os postos pararam de vender por falta de consumo”, explicou Costa. Além desses motivos há um fator técnico. Em regiões quentes e úmidas, tanques acumulam água nas paredes internas em volume suficiente para adulterar o etanol. “Você coloca 5 mil litros de etanol em um tanque e demora um mês para vender. É tempo para acumular gotículas de água, que se misturam ao combustível e podem consolidar a adulteração”, disse o vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Pará, Nélio Murta. (O Estado de São Paulo 30/11/2017)

 

Preços de açúcar e suco reagem, mas seguem abaixo de 2016

Os preços de açúcar, café, suco de laranja, algodão, soja e milho, as principais commodities agrícolas exportadas pelo Brasil, continuam a oscilar em torno de patamares mais baixos que no ano passado no mercado internacional. Como o câmbio não tem compensado essa erosão, já que o real permanece firme em relação ao dólar, a tendência pesa sobre as margens de lucro dos produtores dessas culturas no país, com reflexos negativos sobre expansão de plantios e investimentos em tecnologias.

Cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega mostram que, entre as "soft commodities" referenciadas na bolsa de Nova York, as maiores erosões continuam a ser observadas nos mercados de açúcar, café e suco de laranja, que encerraram novembro novamente com recuos superiores a 20% em relação ao mesmo mês de 2016. Há um ano, as cotações ainda eram sustentadas por quebras de safra no Centro-Sul brasileiro, por causa de problemas climáticos provocados pelo El Niño. O país lidera as exportações globais dos três produtos.

Mesmo com altas superiores a 4% em relação a outubro, as médias de açúcar e suco encerraram novembro com baixas de 26,33% e 24,3% na comparação com as médias de novembro do ano passado. Mas, no que depender dos fundamentos de oferta e demanda, a reação poderá ter continuidade, o que já levou os fundos de investimentos que atuam em Nova York a ampliar suas apostas em novas valorizações. No caso do açúcar, em virtude da alta dos preços do petróleo, que motiva as usinas do Brasil a produzirem mais etanol; no do suco, em razão do encolhimento da oferta dos Estados Unidos.

Já o café viu sua curva descendente, iniciada em outubro do ano passado, se aprofundar. Conforme o Valor Data, o valor médio dos contratos de segunda posição de entrega da commodity fechou novembro com baixas de 0,75% sobre o mês anterior e de 21,49% na comparação com novembro de 2016. Nesse mercado, o alçapão continua aberto, e os fundos aumentaram suas apostas em novas quedas de preços. A pressão vem das perspectivas para a próxima safra brasileira. Mesmo que não alcance todo o seu potencial produtivo, por causa de adversidades climáticas, não há no horizonte riscos de quebras fortes e a colheita vai aumentar.

Na bolsa de Chicago, soja e milho oscilaram pouco em novembro, como tem sido a tônica nos últimos meses. A média das cotações da oleaginosa fechou o mês com variação positiva de 0,87% em relação a outubro, mas com baixa de 1,71% na comparação com novembro do ano passado. Já os contratos de segunda posição de entrega do cereal apresentaram queda de 1,89% sobre outubro, mas alta anual de 0,65%.

Tem sido assim em 2017. Tanto que, depois de pequenos altos e baixos, os patamares de negociação não mudaram. Segundo os movimentos dos fundos na semana encerrada no dia 21 de novembro, captados pela Comissão de Negociação de Futuros de commodities (CFTC, na sigla em inglês), as apostas na valorização da soja diminuíram, mas a pressão de baixa do milho arrefeceu. Para a soja, pesa o bom desenvolvimento da safra brasileira depois do atraso do plantio na fase inicial dos trabalhos, em setembro. Para o milho, o fator "altista" é a valorização do petróleo, que estimula o aumento da produção de etanol. Nos Estados Unidos, o biocombustível é produzido principalmente a partir do cereal. (Valor Econômico 01/12/2017)

 

Com joint venture, Copersucar e BP buscam otimizar operação e ampliar negócios de etanol

A Copersucar, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do mundo, e a BP Biocombustíveis pretendem otimizar a logística de fornecimento de etanol e ampliar a presença comercial no país a partir de uma joint venture anunciada nesta quinta-feira.

A parceria, em que cada empresa terá participação de 50 por cento, é para operar o terminal de armazenagem de etanol conhecido como Terminal Copersucar de Etanol, em Paulínia (SP), principal polo de combustíveis do Brasil, com acesso a importantes rodovias, dutos e, no futuro, ferrovia.

Não foram divulgados valores da transação, que está sujeita à aprovação de órgãos reguladores.

O acordo ocorre na mesma semana em que a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei do RenovaBio, política de biocombustíveis que pode gerar investimento trilionário no segmento até 2030.

Em operação desde setembro de 2014, o terminal de Paulínia possui dez tanques, com capacidade total de armazenagem de 180 milhões de litros de combustível e de movimentação de 2,3 bilhões de litros por ano, com possibilidade de ampliação.

Atualmente, o terminal é gerido exclusivamente pela Copersucar, integrada por mais de 20 grupos sucroalcooleiros do Brasil. Além dos acionistas, o terminal continuará prestando serviços aos demais clientes, informaram as empresas em comunicado.

“Essa importante parceria com a Copersucar nos permitirá ampliar de forma relevante a presença comercial da BP no Brasil. Além dos evidentes benefícios estratégicos da localização geográfica e acesso multimodal do terminal, os ativos dispõem do mais alto padrão de segurança”, disse o presidente da BP Biocombustíveis e chefe da BP no Brasil, Mario Lindenhayn.

“A nova joint venture otimizará a logística do etanol, com ganhos de competitividade e flexibilidade no atendimento ao mercado”, disse o presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, também na nota.

Essa não é a primeira joint venture formada pela Copersucar.

Em março de 2014, a empresa se uniu à Cargill para formar a Alvean, combinando as atividades globais de comercialização de açúcar na maior trading do setor.

Já a BP Biocombustíveis faz parte do negócio de Energias Alternativas da BP e opera no Brasil por meio de três unidades --duas localizadas em Goiás e uma em Minas Gerais, com capacidade combinada de moagem de 10 milhões de toneladas de cana de açúcar por ano e produção de 1GW de energia. (Reuters 30/11/2017)

 

BP e Copersucar anunciam joint venture para operar terminal de Paulínia

A BP Biocombustíveis, aposta brasileira no segmento sucroenergético da British Petroleum (BP), e a Copersucar anunciaram hoje a intenção de formar uma joint venture para operar importante terminal de armazenagem de etanol, localizado em Paulínia (SP).

Conforme acordo assinado ontem, cada empresa terá 50% de participação na joint venture, que operará de forma independente o terminal que atualmente pertence à Copersucar. Além dos acionistas, o terminal logístico continuará prestando serviços aos demais clientes.

De acordo com comunicado sobre a assinatura do acordo, a conclusão da operação e a formalização da joint venture dependerão da satisfação de condições precedentes típicas para esse tipo de negócio, incluindo a análise e aprovação da autoridade de concorrência no Brasil (CADE). Os detalhes comerciais da transação não serão divulgados de acordo com as empresas envolvidas.

O presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza, afirmou em nota que a nova joint venture otimizará a logística do etanol, com ganhos de competitividade e flexibilidade no atendimento ao mercado. “Além da identidade de valores, a parceria com a BP reforça o compromisso das duas empresas com o desenvolvimento dos biocombustíveis no País”, comenta.

O presidente da BP Biocombustíveis e Head of Country da BP no Brasil, Mario Lindenhayn, por sua vez, destaca que a parceria vai “ampliar de forma relevante a presença comercial da BP no Brasil”.

Com produção sucroalcooleira no Brasil há menos de dez anos, essa é a primeira incursão da britânica BP Biocombustíveis na logística de etanol no país. A participação da companhia no ramo de renováveis inclui três usinas de cana-de-açúcar no Brasil, a usina Tropical, em Edeia (GO), e as unidades de Itumbiara (GO) e Ituiutaba (MG).

Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, antes mesmo de manifestar seu interesse na exploração do terminal, a BP Biocombustíveis já mantinha relação comercial com o Copersucar, desde 2011, com contratos de comercialização, armazenagem e logística de produtos.

Terminal Copersucar de Etanol

Localizado no principal polo de combustíveis do Brasil, o Terminal Copersucar de Etanol (TCE) opera desde 2014 de forma multimodal. Além de receber etanol de todas as usinas sócias da Copersucar, o terminal também atende a logística de terceiros. Desde 2016, TCE está conectado à refinaria da Petrobras em Paulínia (Replan).

Por estar próximo à maior refinaria de petróleo do país, o que concentra as distribuidoras de combustíveis em Paulínia, o TCE hoje é fundamental para conectar as usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul, a principal região produtora, à rede de distribuição. Além do terminal da Copersucar, há outros três terminais que operam com etanol no município, mas com volumes menores que os movimentados pela cooperativa.

Atualmente, o terminal possui dez tanques, com capacidade total de armazenagem de 180 milhões de litros de combustível e de movimentação de 2,3 bilhões de litros por ano, com possibilidade de ampliação.

Desde a sua construção, a Copersucar previa a possibilidade de dobrar a capacidade de armazenamento e movimentação do TCE. No entanto, planos sobre possíveis ampliações não serão comentados pelas companhias até a oficialização da join venture.

Por outro lado, em breve, segundo a BP, o terminal será integrado à Ferrovia Centro-Atântica, operada pela VLI, que já é utilizado para escoar açúcar produzido no interior de São Paulo. O TCE já garante acesso de etanol ao duto da Logum - companhia que tem a Copersucar em seu bloco de controle e que hoje opera até Uberaba e Ribeirão Preto, e às rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Dom Pedro e a Estrada Velha de Campinas (SP 332). (Assessoria BP / Copersucar 30/11/2017)

 

Biosev mantém usina em Mato Grosso Sul sem operar após reunião com governo do Estado

A Biosev, uma das maiores processadoras de cana do mundo, manteve a decisão de não operar no próximo ano a usina de Maracaju, em Mato Grosso do Sul, após uma reunião na terça-feira entre o presidente da companhia, Rui Chammas, e o governador do Estado, Reinaldo Azambuja.

No encontro, realizado em São Paulo, foi discutida justamente uma eventual retomada das atividades industriais da usina, cujas operações, vistas como importantes para o município do Maracaju, foram suspensas no início do mês visando reduzir os custos da empresa.

“A suspensão das operações industriais da unidade da Biosev em Maracaju está mantida para a safra 2018/19”, disse a companhia, que é braço sucroenergético da operadora de commodities Louis Dreyfus, em nota enviada à Reuters.

“A Biosev reforça que a decisão contribui para otimizar a utilização de capacidade neste polo e visa capturar sinergia operacional com outras unidades da companhia no Estado, para reduzir seu custo de produção, trazendo ainda mais resiliência para a geração de caixa.”

Na nota, a companhia reiterou que a cana proveniente da operação agrícola em Maracaju será direcionada para as unidades Passatempo e Rio Brilhante.

“A empresa seguirá analisando as condições operacionais locais e a demanda de mercado para avaliar a viabilidade de retomada das atividades industriais da Unidade Maracaju em safras futuras”, concluiu a Biosev.

A suspensão das atividades em Maracaju ocorreu em um momento em que outras empresas, como Raízen e Glencore, buscam expandir seus negócios, inclusive com a aquisição de usinas em dificuldades financeiras.

O setor sucroenergético brasileiro está de olho na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), cujo projeto de lei foi aprovado na noite de terça-feira na Câmara dos Deputados.

A expectativa é de que o RenovaBio estimule o uso crescente de renováveis, gere investimentos de 1,4 trilhão de reais e economia de 300 bilhões de litros em gasolina e diesel importados até 2030.

Além disso, o RenovaBio pode dar suporte aos preços do açúcar em 2018, uma vez que estimularia a fabricação de álcool em detrimento do adoçante, segundo o JPMorgan. (Reuters 30/11/2017)

 

Agricultura aprova renegociação de dívidas de produtores do Proálcool

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou a renegociação de dívidas oriundas de operações de crédito rural ou agroindustrial contratadas por produtores rurais e suas cooperativas ao amparo do Programa Nacional do Álcool (Proálcool).

A medida está prevista no Projeto de Lei 3982/15, do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que estabelece as seguintes condições:

Atualização do saldo devedor a ser renegociado pelos encargos de normalidade, com expurgo de multas ou quaisquer encargos por inadimplemento

Rebate na data da renegociação de 50% sobre os saldos devedores atualizados

Prazo de pagamento do valor renegociado de até 15 anos, com até três anos de carência

Taxa efetiva de juros de 3% ao ano

Bônus de adimplência de 15% sobre o valor das parcelas pagas até a data de vencimento

O Proálcool, que teve fim em 1990, foi um programa de substituição dos combustíveis veiculares derivados de petróleo, como a gasolina, por álcool combustível com financiamento do governo federal a partir de 1975 em razão da crise do petróleo de 1973.

Dificuldades

O relator na comissão, deputado Roberto Balestra (PP-GO), recomendou a aprovação da matéria. Ele lembrou que, passados mais de 40 anos do lançamento do Proálcool, inúmeros agricultores que aderiram à produção do biocombustível encontram-se em sérias dificuldades financeiras.

“Tais dificuldades decorrem dos percalços enfrentados pelo programa desde seu início, como a inexistência de variedades de cana-de-açúcar adaptadas às condições das diversas localidades em que se pretendeu o cultivo do produto, a queda dos preços do petróleo no mercado internacional e a diminuição dos preços do etanol e o descrédito do consumidor quanto à garantia de abastecimento de etanol”, observou Balestra.

Segundo ele, mais recentemente o endividamento dos produtores e cooperativas foi agravado pelo controle governamental sobre o preço da gasolina, ao qual se vincula o mercado de etanol. “A renegociação proposta busca reverter esse quadro desanimador, pois estabelece condições que buscam a recuperação da capacidade de pagamento dos produtores”, defendeu o relator.

Fundos constitucionais

Ainda segundo o projeto, a União e os fundos constitucionais de financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO) ficam autorizados a assumir os ônus decorrentes da renegociação de dívidas referentes às operações efetuadas com recursos controlados do crédito rural.

Além disso, o Poder Executivo definirá a metodologia e as demais condições para ressarcir às instituições financeiras os custos decorrentes dos benefícios.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. (Agência Câmara 28/11/2017)

 

Shell volta a pagar dividendos em dinheiro e focará em energias renováveis

A petroleira anglo-holandesa Shell retornará ao pagamento de dividendos em dinheiro e aumentará seu investimento em energias mais limpas enquanto deixa para trás mais de dois anos de cortes de custos e vendas de ativos, devido aos fracos preços do petróleo.

O presidente-executivo da Shell, Ben van Beurden, procurou encontrar um equilíbrio tranquilizando investidores, dizendo que pode aumentar os retornos em seu principal negócio de combustíveis fósseis durante uma “era de volatilidade” nos preços do petróleo, enquanto se prepara para aumentar os investimentos em energias renováveis.

A empresa anglo-holandesa, segunda maior produtora de petróleo do Brasil e maior sócia da Petrobras no pré-sal, disse que vai abolir esquema em que os investidores podem optar por receber dividendos em ações ou em dinheiro (“scrip dividend”), no quarto trimestre de 2017.

O esquema foi introduzido no início de 2015 para ajudar a preservar o caixa depois que os preços do petróleo caíram em mais de metade, ante um pico de mais de 100 dólares o barril, e a empresa comprou o grupo britânico BG, em um negócio de 54 bilhões de dólares.

A concorrente britânica BP anunciou, no mês passado, que retomaria as recompras de ações no quarto trimestre, a fim de compensar o efeito do chamado “scrip dividend”. A norueguesa Statoil também eliminou o seu “scrip dividend”.

Simon Gergel, diretor de investimentos da britânica Allianz Global Investors, disse que a remoção do ”scrip dividend’ é bem-vinda, e que “reflete uma melhoria do perfil de geração de caixa”. (Reuters 28/11/2017)

 

EUA elevam mandato para biocombustíveis

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) estabeleceu para 2018 um mandato de biocombustíveis maior que o inicialmente proposto, já que elevou a parcela para os celulósicos - produzidos com biomassa. Contudo, a agência não alterou o restante da cota dos biocombustíveis "avançados" (categoria na qual se encaixa o etanol de cana) e reduziu pela metade sua estimativa para a importação de etanol brasileiro.

O mandato estabelecido é de 19,29 bilhões de galões de biocombustível, sendo 4,29 bilhões de galões de "avançados" (que emitem menos gás carbônico que os convencionais). A proposta anterior para os "avançados" era de 4,24 bilhões de galões. A mudança foi resultado apenas do aumento do mandato para os celulósicos, estabelecido em 288 milhões de galões, ante proposta inicial de 238 milhões de galões.

Sem considerar o mandato para celulósicos e para o biodiesel, a cota para os demais "avançados" permaneceu igual ao inicialmente previsto, em 1,902 bilhão de galões.

Em documento, a EPA previu que os EUA importarão do Brasil 100 milhões de galões de etanol, metade do previsto para 2016 e para 2017. (Valor Econômico 01/12/2017)

 

Câmara dos Deputados aprova RenovaBio

Câmara aprovou nesta terça-feira o texto principal do projeto que cria a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

Em votação simbólica, os deputados aprovaram o texto considerado estratégico para a retomada dos investimentos na indústria de biocombustíveis. O plenário ainda deve analisar emendas que podem alterar o mérito da proposta.

Para entidades do setor, caso da a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o projeto permite essa retomada sem a dependência de subsídios do governo ou de renúncia fiscal, além de ajudar o país a cumprir suas metas de “descarbonização” assumidas no Acordo de Paris, principalmente para a redução da emissão de gases de efeito estufa no transporte veicular.

A proposta prevê metas de uso de biocombustíveis e negociações de créditos de descarbonização (CBios), semelhante ao modelo utilizado nos Estados Unidos.

Para a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), ao contrário de outros países, onde a "descarbonização" da economia é um desafio, no Brasil, é uma oportunidade.

Ao apresentar seu parecer em plenário pouco antes da votação, o relator da proposta, deputado João Fernando Coutinho (PSB-PE), decidiu modificar o texto original e retirou trecho que definia metas anuais compulsórias para a adição de biodiesel ao óleo diesel e de etanol à gasolina, segundo a Agência Câmara.

Coutinho também reduziu a multa máxima a ser emitida no caso de descumprimento de metas individualizadas de 500 milhões de reais para 50 milhões, além de remeter a definição dos títulos representativos de créditos de descabornização a um regulamento, informou a agência. (Reuters 28/11/2017)

 

Produtividade sustenta avanço da Tereos

A aposta da Tereos Açúcar & Energia Brasil na produtividade de seus canaviais no país permitiu à companhia controlada pela francesa Tereos aumentar sua moagem de cana neste ciclo (2017/18) e deverá garantir, se o clima colaborar, um novo avanço na próxima safra.

Os últimos pés de cana desta temporada no país acabaram de ser processados ontem. No total, foram 20,2 milhões de toneladas, 2% mais que na safra 2016/17. Para o próximo ciclo, que começará em abril, a expectativa é que a moagem suba para aproximadamente 20,7 milhões de toneladas.

"Investimos nos canaviais, com destaque para a agricultura de precisão, inclusive com uso de drones para monitorar a cana. O aumento [da moagem] foi reflexo desses investimentos", afirma Jacyr Costa Filho, diretor da Região Brasil da Tereos. Ele também realçou a importância da busca de variedades de cana com melhor desempenho para o plantio em áreas próprias.

Com sete usinas no país, a companhia avalia que seu negócio no Brasil deverá continuar a representar entre 20% e 25% do faturamento global. A produção brasileira de açúcar deverá encerrar a safra em 1,8 milhão de toneladas e a de etanol, em 649 milhões de litros, crescimentos de 12,5% e 2%, respectivamente.

Neste ciclo, a produtividade nas lavouras da companhia cresceu 6%, para 84 toneladas de cana por hectare. A concentração de sacarose também aumentou, 4%, para 141,5 quilos por tonelada de cana.

Num momento em que muitas empresas têm receios a respeito da oferta de cana em 2018/19, a perspectiva de crescimento da moagem da Tereos no novo ciclo decorre de uma estimativa positiva para a produtividade e da expansão da área própria de cana, segundo Costa Filho. Para garantir esses avanços, a Tereos deve voltar a investir R$ 600 milhões na próxima safra, com foco na área agrícola.

Porém, novos aportes em expansão industrial, como o que foi concluído recentemente na usina localizada em Tanabi (SP), estão descartados. Este último, de cerca de R$ 60 milhões, deverá permitir um aumento da capacidade de moagem apenas nas próximas safras. A perspectiva é que a unidade processe 2,7 milhões de toneladas em 2017/18, quase 10% mais que nesta safra, e atinja sua nova capacidade de 3 milhões de toneladas em 2019/20.

O incremento da oferta de matéria-prima também ajuda a empresa a perseguir a meta de ampliar sua fatia nas vendas de açúcar no varejo brasileiro. Desde a safra passada, a empresa tem reforçado sua área de marketing e lançado novos produtos, como o açúcar demerara empacotado. O resultado foi um salto para 12,8% na participação de mercado do açúcar da marca Guarani em setembro, ante 6% na primeira metade de 2016. (Valor Econômico 29/11/2017)

 

Odebrecht pediu 'contribuição' para aprovar MP, mas não houve repasse, diz Elizabeth Farina

Em depoimento à Polícia Federal, a presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse ter ouvido do diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que seria necessária a "contribuição" de empresários do setor para aprovação de uma medida provisória no Congresso.

Farina foi intimada a depor pelo STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da Procuradoria-Geral da República, porque Melo Filho disse em sua delação que a MP favorecia também o setor sucroalcooleiro. Segundo Farina, o pagamento não foi efetuado. A Unica representa cerca de 60% da indústria da cana processada no país.

A aprovação da MP 613, segundo a delação premiada de executivos da Odebrecht, gerou pagamento de propina de cerca de R$ 7 milhões a diversos parlamentares.

Aprovada em agosto de 2013, a MP concedeu incentivos tributários aos produtores de etanol e à indústria química por meio de crédito presumido e da redução de PIS/Pasep e Cofins.

Segundo os delatores da Odebrecht, essa MP beneficiava a Braskem, braço petroquímico da empreiteira.

São alvos do inquérito os senadores Romero Jucá (RR), Renan Calheiros (AL) e Eunício Oliveira (CE), todos do PMDB, e os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Rodrigo Maia (DEM-RJ). Eles negam irregularidades.

Segundo Melo Filho, durante as negociações para a aprovação da medida, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) "alegou que tinha divergências na discussão da MP 613" e também "externou que tinha problemas de relacionamento com o representante da Unica em Brasília". Melo Filho disse que relatou o problema ao então presidente da companhia, Marcelo Odebrecht.

A presidente da Unica afirmou à PF que Melo Filho não trouxe "detalhes acerca de que tipo de 'contribuição'", mas que o pedido "posteriormente chamou a atenção da depoente [Elizabeth], fazendo-a pensar que tal 'contribuição' pudesse estar além de esforços de convencimento dos parlamentares que votariam contra a aprovação da MP".

Elizabeth disse ter ouvido de dirigentes da entidade que "era certo que a Unica não trabalhava realizando contribuição financeira para que leis de interesse da entidade pudessem ser aprovadas pelo Congresso Nacional" e que, por isso, não houve repasse.

Em seu depoimento, ela disse que um dos trabalhos da Unica era "conscientizar agentes públicos e políticos sobre a importância de uma política pública para o setor".

Elizabeth explicou que, quando uma alteração legislativa passa a ser debatida no Congresso, a Unica "intensifica sua agenda em Brasília".

Tal agenda "pode envolver, inclusive, encontro com parlamentares em seus gabinetes", do qual participam a diretoria da Unica e "eventualmente executivos de grandes indústrias sucroenergéticas e presidentes de outros sindicatos da categoria". (Folha de São Paulo 28/11/2017)

 

Vendas de etanol em alta

As vendas de etanol hidratado pelas usinas do Centro-Sul do país voltaram a registrar aquecimento na primeira metade de novembro, já que o produto continua mais vantajoso do que a gasolina nos principais polos consumidores de combustível.

Foram vendidos 684,757 milhões de litros de etanol hidratado entre os dias 1 e 16 de novembro, uma alta de 36,1% sobre o mesmo período do ano passado, de acordo com dados da União das Indústrias de Cana-deAçúcar (Unica). Na quinzena anterior, o volume foi de quase 840 milhões de litros, mas o período teve mais dias úteis.

Em nota, o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, observou que o produto segue mais competitivo que a gasolina em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, "responsáveis por quase metade da frota de veículos leves e motocicletas do país".

Mesmo em outros Estados, em que o preço do etanol está acima de 70% do valor da gasolina, conforme parâmetro mais aceito pelo mercado, para ser vantajoso o etanol tem que valer até 70% do preço da gasolina -, o produto tem sido vendido a preços bem mais baixos que o da gasolina, o que atrai a demanda. Em Goiás, o litro do etanol na semana passada estava R$ 1,262 mais barato que a gasolina, de acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No Paraná, a diferença foi de R$ 1,102 o litro. (Valor Econômico 28/11/2017)

 

Cofco ratifica seu ambicioso plano de expansão

A unidade internacional da estatal chinesa Cofco vem dando sequência a seus planos de se tornar uma empresa mundial de agronegócios capaz de rivalizar com os grandes nomes do setor, um ano depois de a descoberta de um buraco negro contábil em suas operações e da saída de um importante executivo terem deixado a empresa sob uma sombra de dúvidas.

Em entrevista exclusiva ao "Financial Times", Jingtao "Johnny" Chi, executivo-chefe da Cofco International, previu que 2018 vai ser um ano de crescimento e desenvolvimento para a empresa, que enfrentou dificuldades para digerir os US$ 4 bilhões em aquisições feitas por sua controladora.

Chi, que foi indicado ao cargo atual em janeiro, também disse que nos próximos cinco anos a Cofco International (CIL) vai tentar dobrar o volume de produtos agrícolas que compra diretamente dos fornecedores e que sua controladora continua com planos de fazer a oferta pública inicial de ações (IPO) da divisão.

Seus comentários indicam que Pequim não desistiu da meta de criar uma concorrente para fazer frente a nomes como Archer Daniels Midland (ADM), Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company, as tradings de commodities agrícolas conhecidas como "ABCD", que dominam o mercado mundial, há alguns anos juntamente com a Glencore.

"Queremos ser uma trading internacional como as ABCDs [...] não apenas uma plataforma de compras para a Cofco Corporation ou para a China" disse o executivo em seu escritório, em Genebra.

A Cofco Corporation, um amplo conglomerado com 145 mil funcionários e faturamento anual de quase US$ 70 bilhões, gastou bilhões de dólares desde 2014 para tentar transformar a CIL numa empresa de agronegócios de relevância mundial. Em etapas, adquiriu a Nidera, comercializadora holandesa de grãos, e a Noble Agri, braço de commodities agrícolas do grupo Noble. Os negócios lhe deram acesso a mercados de grãos, oleaginosas e açúcar em regiões em expansão no Brasil e na Argentina, assim como na Europa e na Austrália.

A onda de compras, no entanto, também trouxe problemas, incluindo um escândalo de US$ 200 milhões com negócios não autorizados feitos por um operador na Nidera e um buraco negro contábil de US$ 150 milhões no Brasil.

Esses problemas foram agravados pelas duras condições do mercado, o excesso mundial no mercado de grãos espremeu as margens de lucro e derrubou os preços, e pela renúncia de um prestigiado executivo arrebatado da ADM para comandar as operações.

Depois de passar somente 18 meses no cargo, Matt Jansen renunciou em janeiro, frustrado pela falta de apoio a seus planos de expansão. Sua saída trouxe temores de uma mudança significativa de estratégia, tendo em vista que seu substituto, Chi, era um veterano da Cofco que passou grande parte da carreira na área de recursos humanos, e não na comercialização.

Com a ajuda de um tradutor, Chi disse que a ambição de construir uma empresa mundial do agronegócio nunca desapareceu, mas não podia ser concretizada até que Nidera e Noble Agri, ou Cofco Agri, como foi renomeada - estivessem totalmente integradas.

Em razão de uma cláusula no acordo de acionistas, os fundadores da Nidera ainda comandaram os negócios até fevereiro, quando a Cofco completou a compra. Isso levou a situações em que a Nidera frequentemente concorria por operações com a Noble Agri, apesar de serem do mesmo grupo.

Chi admite que a mudança na gerência neste ano levou à saída de muitos operadores experientes. Essas lacunas agora foram preenchidas e a Cofco International, que vai registrar faturamento recorde em torno a US$ 37 bilhões neste ano, se prepara para "um ritmo rápido de crescimento". "Apesar do cenário desafiador para o setor, nossas operações estão tendo desempenhos lucrativos em 2017".

O executivo afirmou que não foram encontrados novos problemas na Nidera e estimou que a sua integração operacional à Cofco Agri será completada ainda em 2017, quando os 14 mil funcionários da Cofco International estarão unidos sob o lema: "Uma Equipe, Uma Voz, Uma Cofco, Um Sonho". "A partir do próximo ano, vamos usar apenas a Cofco International para comandar nossos negócios ao redor do mundo", disse Chi.

Até 2022, Chi quer que a CIL tenha dobrado o volume de commodities que compra diretamente dos agricultores, para 60 milhões de toneladas. Em termos de comparação, a unidade deverá negociar 110 milhões de toneladas de commodities neste ano, sendo que quase 75% disso terá sido comprada de operadores internacionais.

Uma forma de atingir essa meta é por meio de aquisições, afirmou Chi, mas também por meio de alianças similares ao acordo assinado com a cooperativa americana de agricultores Growmark, que deu à CIL acesso direto à produção de grãos dos EUA. Segundo Chi, os donos de cotas de participação na companhia apoiam a estratégia. Um consórcio formado pelo grupo chinês de investimentos em participações Hopu, um braço do Banco Mundial, o banco Standard Chartered, a Temasek, de Cingapura, e a China Investment Corporation, detém 40% do capital da unidade.

Chi, que prevê a continuidade dos baixos preços dos grãos por mais um ou dois anos em razão do excesso oferta no mundo, disse que a Cofco International vai ter o capital aberto em algum momento. O executivo destacou que as recentes indicações de Serge Schoen, ex-executivo-chefe da Louis Dreyfus, e de Pierre Lorinet, ex-diretor de finanças da trading de commodities Trafigura, vão ajudar nesse processo. "Os diretores independentes [do conselho de administração] já desempenharam papel importante para ajudar a CIL a avançar".

Sobre abertura do capital, Chi disse que ficou "muito claro" que as operações internacionais serão combinadas com algumas atividades domésticas da Cofco para criar uma "entidade" que terá ações listadas por meio de uma oferta pública inicial de ações. "A CIL será a parte internacional da empresa". (Valor Econômico 28/11/2017)

 

Açúcar: Indicador registra o maior aumento de toda a série para um mês de novembro

As cotações do açúcar cristal praticadas nas negociações no mercado spot do estado de São Paulo vêm registrando fortes altas no correr deste mês. Na parcial de novembro (até o dia 27), o Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (cor Icumsa de 130 até 180) acumula expressiva elevação de 16,55% - o maior aumento registrado para o Indicador em um mês de novembro, considerando-se toda a série histórica do Cepea para o produto. Esse cenário se deve às indicações de que a moagem da cana-de-açúcar será finalizada mais cedo nesta temporada, de acordo com colaboradores do Cepea. Algumas usinas, inclusive, reduziram o volume de suas vendas de açúcar para o mercado spot neste período, priorizando a entrega de contratos. (Cepea / ESALQ 28/11/2017)

 

Etanol: Preço do hidratado sobe, mesmo com queda nas negociações

Apesar do ritmo de negócios envolvendo etanol estar mais fraco no estado de São Paulo, os preços do hidratado e anidro registraram alta por mais uma semana. Apesar disso, a paridade segue favorável para o etanol hidratado frente à gasolina C nas bombas. De acordo com colaboradores do Cepea, esse cenário e a proximidade do final da moagem em São Paulo, com expectativa de aumento de preços, são os fatores que têm sustentado os valores. Devido a chuvas frequentes no estado paulista, algumas unidades produtoras ainda não finalizaram a safra. Entre 20 e 24 de novembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado para o estado de São Paulo foi de R$ 1,6810/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), ligeira alta de 0,24% em relação ao período anterior. Quanto ao etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 1,8324/litro (sem PIS/Cofins), pequeno aumento de 0,21% no mesmo comparativo. (Cepea / ESALQ 28/11/2017)

 

Brejo Alegre: Usina dispensa 150 trabalhadores por tempo indeterminado

Funcionários da área industrial da usina de açúcar e álcool Revati, em Brejo Alegre, foram dispensados pela direção da empresa para permanecer em casa por tempo indeterminado. O anúncio foi feito na semana passada e desde o início desta semana eles não estão trabalhando. Salários serão pagos normalmente.

A informação obtida pela reportagem é de que apesar de os colaboradores terem sidos dispensados, os salários serão pagos normalmente no período em que as atividades estiverem suspensas. Seriam aproximadamente 150 trabalhadores nessa situação. A usina já encerrou a moagem da safra deste ano.

A Folha da Região não conseguiu contato com a direção do Sindalco (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Fabricação de Álcool) de Araçatuba para saber se a entidade tem conhecimento da situação e tomou alguma medida.

RECUPERAÇÃO

A usina Revati, que pertence ao Grupo Renuka do Brasil S.A., está em processo de recuperação judicial e a direção da unidade não vai se manifestar sobre o assunto.

O grupo iniciou as atividades em Promissão em 1981, com a usina Equipav, e em 2008 inaugurou a unidade de Brejo Alegre (Biopav). Em 2010, a empresa indiana Shree Renuka Sugar adquiriu participação majoritária nas duas usinas e rebatizou a Biopav de Revati e a Equipav de Madhu.

Em 2015 a Renuka do Brasil entrou em recuperação judicial. No ano seguinte, credores aprovaram a venda da usina Madhu, que chegou a ir leilão, mas não houve interessados. Em setembro, leilão da Revati acabou suspenso a pedido do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). (Folha da Região 26/11/2017)

 

Gigante chinesa CCCC quer comprar participação na Malha Sul

Setor ferroviário entrou no radar da companhia asiática, que está disposta a fazer aporte de capital de R$ 2 bilhões no ativo e a investir mais R$ 6 bilhões em dez anos; negócio, porém, está atrelado à renovação da concessão da Malha Paulista.

Depois de adquirir a Concremat Engenharia e o projeto portuário de São Luís, no Maranhão, a gigante chinesa CCCC mira o setor ferroviário. A empresa negocia a compra de participação na Malha Sul, concessão de 7.208 quilômetros (km) que hoje está nas mãos da Rumo (ex-ALL), do grupo Cosan. Fontes ligadas ao grupo afirmaram que a companhia asiática tem planos de ficar com uma fatia de 55% a 60% da malha, mas não descarta ser acionista minoritário, uma vez que a Rumo não quer abrir mão do controle, apurou o Estado.

Para fechar o negócio, um exército de profissionais da CCCC está trabalhando num processo de “due diligence” (auditoria) para avaliar as necessidades de investimentos na infraestrutura, que engloba os três Estados da região Sul. A proposta inicial envolve um aporte de R$ 2 bilhões e investimentos da ordem de R$ 6 bilhões num período de dez anos.

Mas não se trata de uma negociação fácil. A chinesa, que no Brasil é representada pelo Banco Modal, tem concorrência de peso na disputa pela concessão ferroviária. No páreo, estão as japonesas Mitsubishi e Sumitomo, de acordo com pessoas familiarizadas com as negociações. Todas as três empresas estão conversando separadamente com a Rumo, que está sendo assessorada pelo Bank of America Merrill Lynch. Além disso, a venda de participação da ferrovia estaria atrelada ao processo de renovação da concessão da Malha Paulista.

Trata-se de um trecho de 2.039 km dentro do Estado de São Paulo, cuja concessão vencerá em 2028. Se o governo aceitar, a Rumo continuaria a administrar a ferrovia por mais 30 anos e, em troca, investiria quase R$ 5 bilhões. As empresas interessadas na Malha Sul entendem que, se houver a prorrogação do trecho paulista, as demais também seriam autorizadas. Sem a renovação, a compra de participação na ferrovia não se viabiliza no momento.

Um dos motivos é a necessidade de investimentos para recuperar a infraestrutura da malha, que é alta. Segundo fontes, não há tempo para recuperação do capital injetado na ferrovia se não houver prorrogação. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT), mostram que de 2006 para cá, a movimentação de cargas na Rumo Malha Sul caiu de 28,9 mil toneladas úteis para 18,3 mil.

Fontes afirmaram que, mesmo com os investimentos, alguns trechos da ferrovias não deverão ser retomados por causa da viabilidade econômica. Nem todos os ramais têm movimentação com rentabilidade. Desde o começo do ano, por exemplo, a Rumo desativou o transporte de carga que vai para a Argentina.

No radar

O apetite da gigante chinesa no Brasil não se restringe à Malha Sul. A empresa também negocia a entrada no consórcio que quer construir a Ferrogrão, uma ferrovia de quase mil quilômetros de trilhos e R$ 8 bilhões de investimentos. O projeto, idealizado por grandes produtores, como Maggi, ADM, Bunge, Cargill e Dreyfus, está em fase de audiências públicas e depois deverá ser encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU). As ferrovias Norte Sul, Oeste Leste e Transnordestina também estão no radar da chinesa.

Apesar de ter R$ 40 bilhões para investir em infraestrutura, a empresa chinesa estreou no mercado brasileiro com um negócio considerado modesto. Em novembro do ano passado, a companhia comprou 80% da construtora Concremat Engenharia, por R$ 350 milhões. Em abril deste ano, fechou acordo para comprar uma participação no porto de São Luis, no Maranhão, que está sendo feito em parceria com a construtora WTorre.

A CCCC, cujo faturamento global é US$ 60 bilhões por ano, vai fazer um aporte de R$ 1,7 bilhão no projeto. Procurados, Rumo, CCCC, Modal, Mitsubishi e Bofa não comentaram. A Sumitomo não retornou os pedidos de entrevista. (O Estado de São Paulo 29/11/2017)

 

BNDES poderá financiar até 80% de projetos vencedores em leilões de geração

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou em seu site as novas condições de financiamento para os empreendimentos de geração e de transmissão de energia vencedores dos leilões que serão realizados pelo governo federal em dezembro. As novas regras trazem mudanças que oferecem mais flexibilidade aos empreendedores na estruturação do financiamento, segundo afirma a instituição de fomento.

“No caso dos leilões de geração, uma novidade é a possibilidade de os vencedores escolherem entre três taxas: TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, que ainda está valendo para editais de leilões publicados em 2017); a nova TLP (Taxa de Longo Prazo); e moeda IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)”, destaca o banco, em nota. Os empreendedores poderão avaliar qual taxa é a mais conveniente para estruturação de seu negócio.

Outra mudança nas condições é que a participação máxima do BNDES sobre o valor dos itens financiáveis, antes dividida em três categorias (80% para energia solar; 70% para energia eólica; e 50% para hidrelétricas e térmicas), agora foi uniformizada: até 80% para todos os projetos, independentemente da fonte de geração de energia.

Os empreendedores também poderão escolher entre dois sistemas de amortização: o SAC (Sistema de Amortização Constante) e o Price. Na opção pelo sistema Price, será utilizado para o cálculo do valor da dívida com o BNDES o Índice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD) mínimo de 1,3 no sistema de amortização SAC. A dívida com o BNDES deverá manter ICSD mínimo de 1,6 no sistema Price. Caso opte por fontes de recursos complementares, tais como debêntures, o projeto deverá manter ICSD mínimo de 1,4. Na opção pelo sistema SAC, o BNDES será o único credor do projeto, com o ICSD de 1,2.

Segundo o BNDES, os aerogeradores e sistemas fotovoltaicos adquiridos pelo projeto têm de atender às determinações do sistema de Credenciamento de Fabricantes Informatizado (CFI). As recentes alterações das regras de credenciamento dos módulos e sistemas fotovoltaicos são provenientes de um diálogo com o segmento fotovoltaico e dão alternativas para o credenciamento e a manutenção no sistema CFI do BNDES.

Transmissão

No segmento de transmissão de energia, o BNDES manteve as condições de financiamento do leilão 001/2017, realizado em abril, porém com uma novidade: a possibilidade de utilização da TLP como indexador do financiamento, além da moeda IPCA, a critério do empreendedor. Além disso, para financiamento de máquinas e equipamentos, o cliente poderá optar também pelo financiamento em TJLP, além de TLP e IPCA.

“As condições para transmissão repetem a fórmula que tem garantido o sucesso dos últimos leilões e visam incentivar a emissão de debêntures de infraestrutura, ao prever financiamento mais longo, com 20 anos, e sistema Price de amortização com ICSD de 2,0, permitindo assim maior participação das debêntures de infraestrutura nos projetos”, diz o BNDES.

Tanto para geração quanto para transmissão, o BNDES estabeleceu critérios automáticos e objetivos de distribuição dos dividendos e juros sobre capital próprio, conforme critérios divulgados no site da instituição.

O leilão de empreendimentos de geração está marcado para o dia 15 de dezembro, na B3, em São Paulo. Já os leilões de energia nova A-4 e A-6 serão realizados nos dias 18 e 20 de dezembro, respectivamente. (Agência Estado 28/11/2017)