Setor sucroenergético

Notícias

Usinas devem parar de pagar por horas que trabalhadores ficam no transporte

Reforma trabalhista alterou regra. Sindicato vê perda de 20% para trabalhador.

Empresas do setor sucroalcooleiro propõem pagar o valor das horas “in itinere” como abono.udanças trazidas pela reforma trabalhista, empresas do segmento sucroalcooleiro e de extração de minérios já comunicaram aos sindicatos ao redor do país a intenção de extinguir o pagamento das horas in itinere (período em que o empregado é transportado para o trabalho) a partir de 2018. A nova lei retirou das empresas que possuem instalações em locais de difícil acesso a obrigação de contabilizar esse tempo na jornada de trabalho. Sem o benefício, os trabalhadores veriam o contracheque ficar, em média, de 10% a 20% menor.

As horas in itinere são pagas sobretudo a trabalhadores rurais, que exercem atividade em locais distantes das cidades. O benefício tinha o objetivo de cobrir o período que o empregado perdia no trajeto, considerando-o como parte da jornada de trabalho. Uma súmula do Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinava, inclusive, que, se o tempo total (trabalho e trajeto) ultrapassasse a jornada diária legal, o valor deveria ser pago como hora extra.

A reforma trabalhista, no entanto, entendeu que esse tempo não deve ser considerado como “à disposição do empregador”, mesmo que o meio de transporte seja fornecido pelo patrão. Com a nova lei, o pagamento assume caráter de benefício, fica fora da jornada e é opcional.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Assalariados (Contar), que representa mais de dois milhões de empregados, diz que o movimento das empresas em relação à extinção do benefício ocorre em vários estados. A grande preocupação das companhias é retirar a previsão das horas in itinere da convenção coletiva. Isso porque a reforma trabalhista estabelece que os acordos terão, a partir de agora, força de lei. A presença desse pagamento nos próximos acordos pode trazer um precedente indesejável para os empregadores.

Algumas empresas oferecem continuar pagando o adicional, mas em forma de abono. Querem mudar o nome, a fim de não abrir um precedente para que o trabalhador cobre isso depois, afirma o consultor jurídico da Contar, Carlos Eduardo Chaves.

NEGOCIAÇÃO FICARÁ MAIS DIFÍCIL

Em Goiás, por exemplo, onde estão quase 40 usinas de etanol, com 35 mil funcionários rurais, os sindicatos negociam uma saída para 2018, por meio de um abono proporcional ao que hoje é pago como horas in itinere, mas sabem que essa negociação ficará mais difícil nos próximos anos.

Para 2018, o pagamento já estava previsto no orçamento das empresas quando a reforma trabalhista entrou em vigor, por isso não há tanta resistência. Depois disso, a tendência é que o benefício acabe mesmo, explica José Maria Lima, presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Assalariados de Goiás (Fetaer).

Em Minas Gerais, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas do estado (FTIEMG) explica que já foi procurada pelas empresas e está se preparando para as negociações. As companhias também querem, de acordo com boa parte das propostas apresentadas, que o adicional a ser pago não seja contabilizado como verba remuneratória. Ou seja, que não entre na base de cálculo do Imposto de Renda e da contribuição previdenciária.

Esse cenário desagrada aos sindicatos, uma vez que o trabalhador pode sair perdendo na hora do cálculo da rescisão contratual, de uma possível indenização ou mesmo na aposentadoria. Isso porque esses benefícios seriam calculados em cima de um salário menor.

Não vamos ocultar pagamento por fora. Vamos denunciar quem tentar fazer isso, diz Chaves, da Contar.

Para o especialista em mercado de trabalho Rodolfo Torelly, a lei endureceu muito as regras justamente para uma parcela que não ganha muito e que tem condições peculiares de trabalho. Segundo ele, o pagamento de um abono, ainda que nas mesmas proporções da hora in itinere, será menos vantajoso para o trabalhador.

O abono é algo mais aberto. Pode ou não ser dado em um ano. O valor também pode variar de ano a ano. E, se retirado da convenção coletiva, fica de fora até da regra do acordado sobre o legislado, afirma Torelly. (O Globo, 10/12/17)

 

Açúcar: Oferta abundante

A elevada oferta mundial de açúcar em meio à recuperação da produção na Ásia e na Europa na atual temporada pressionou as cotações do demerara na última semana na bolsa de Nova York.

Na sexta-feira, os papéis com vencimento em maio fecharam a 13,97 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 27 pontos e queda de 97 pontos na semana.

As previsões são de um superávit na oferta mundial entre 5 milhões e 10 milhões de toneladas na atual temporada.

Isso deve impedir que o preço do açúcar se recupere mesmo após a recente alta puxada pela queda dos números de moagem no Brasil, avaliou o Commerzbank em nota.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 69,89 a saca de 50 quilos, alta de 0,49%. (Valor Econômico 11/12/2017)

 

IAC: uma única variedade de cana domina 43% dos plantios no Centro-Sul

Fato pode colocar em risco a canavicultura de alguns Estados, aponta o instituto, já que isso pode favorecer o surgimento de pragas e doenças resistentes.

O Instituto Agronômico (IAC) divulgou os dados do seu segundo censo nacional de variedades de cana-de-açúcar, realizado entre abril e novembro nos canaviais do Centro-Sul. Conforme o instituto, houve redução na concentração de variedades utilizadas nos canaviais - de 77% para 75,1%. Ainda há, porém, grande predominância da variedade RB867515, "o que pode colocar em risco a canavicultura de alguns Estados, como Paraná e Espírito Santo", comentou o IAC, em nota. Conforme o levantamento, essa variedade representa 43% dos canaviais e soma 42,8% da intenção de plantio em 2018/2019.

De todo modo, o IAC comenta que a redução detectada na concentração é "positiva" para o setor, por proporcionar maior segurança biológica frente ao surgimento de novas pragas e doenças. No censo, as variedades desenvolvidas pelo IAC representam 3,5% - além disso, na área a ser replantada ou plantada na safra 2018/2019 devem representar 6% das variedades escolhidas.

No total, os trabalhos recensearam, entre abril e novembro, área equivalente a 6 milhões de hectares em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Paraná, com informações de 216 unidades produtoras. Agora, em dezembro, o IAC iniciou a coleta de dados para a Região Norte-Nordeste.

Segundo o pesquisador e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, a criação de indicadores resultantes do censo objetiva apurar se alguma região apresenta concentração de variedades tão grande que possa oferecer riscos, caso ocorra algum problema de doença ou praga com determinada variedade que represente grande parte do canavial. "Vale destacar que o índice de atualização varietal, ou seja, o uso de variedades modernas representa maior produtividade", resume o pesquisador. Ainda conforme o IAC, a próxima safra a ser colhida será uma das mais "velhas", ou seja, com canaviais não renovados.

O boletim informa ainda que o Programa Cana IAC recomenda que, em uma área de produção, uma única variedade de cana-de-açúcar não represente mais do que 15% do total.

Intenção de plantio

O levantamento sobre a intenção de plantio para a próxima safra, quando deverão ser plantados ou renovados cerca de 1 milhão de hectares, aponta para uma tendência na queda no índice de concentração. O Instituto Agronômico (IAC) apurou as informações junto a 146 unidades, totalizando 703.848 hectares. Portanto, foi recenseada cerca de 70% da área que será plantada. No Estado de São Paulo, a intenção de plantio aponta para 17% da área com a variedade RB966928; 10,5% com a RB867515 e 1,6% com a IACSP95-5094. A região de Assis - bastante modernizada - é onde se encontra a maior área de variedades IAC, com 3,7% da IAC87-3396, 3,2% da IACSP95-5000 e 1,8% da IACSP95-5094. Na região de Ribeirão Preto, a IACSP95-5094 é mencionada por 2,5% da intenção de plantio. Em São José do Rio Preto, esta variedade é citada por 2,3% dos respondentes. A região de Piracicaba intenciona plantar 1,9% da IACSP95-5000 e 1,3% da IACSP95-5094. (Canal Rural 10/12/2017)

 

Em recuperação judicial, grupo usineiro demite 800 funcionários no interior paulista

Afetada pela crise do setor, decorrente do baixo preço do açúcar e do controle nos preços do etanol, companhia enfrenta dificuldades.

As demissões nas usinas do grupo sucroalcooleiro Renuka do Brasil, que está em processo de recuperação judicial, já somam 800 empregados, segundo os Sindicato dos Trabalhadores da Indústria e Fabricação de Álcool (Sindalco), com sede em Araçatuba.

Até esta quarta-feira, 6, tinham sido dispensados cerca de 400 trabalhadores da Usina Madhu, em Promissão, e outros 400 na Usina Revati, em Brejo Alegre, ambas na região noroeste do Estado. As demissões coincidem com o período de entressafra da cana-de-açúcar, mas, conforme o Sindalco, os funcionários foram informados de que a usina Revati não vai operar na próxima safra.

Os demitidos em Brejo Alegre ainda aguardam a homologação das dispensas e o pagamento das verbas rescisórias. De acordo com o sindicato, a empresa propôs parcelar os pagamentos em até oito meses. A unidade, com capacidade para moer quatro milhões de toneladas por safra, está em operação desde 2008. Na usina Madhu, que funciona desde 1981 e tem capacidade para outras seis milhões de toneladas, as dispensas começaram há dois meses e geraram impacto na economia da cidade de Promissão.

Segundo a Associação Comercial, houve queda de 20% nas vendas. “O comércio da cidade gira é influenciado pelos trabalhadores da usina e já vinha sendo afetado pelo corte de horas extras que antecedeu as demissões”, disse o presidente Wilson Coutinho.

As usinas foram adquiridas pela empresa indiana Shree Renuka Sugar em 2010. Afetada pela crise do setor, decorrente do baixo preço do açúcar e do controle nos preços do etanol, em 2015 a Renuka do Brasil entrou em processo de recuperação judicial. No ano seguinte, os credores aprovaram um plano para o leilão da Madhu, mas não houve compradores. Este ano, foi proposto o leilão da Revati, sem pendências para o comprador, mas a venda foi suspensa a pedido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), titular de garantias hipotecárias em relação à empresa.

Áreas arrendadas para o plantio de cana-de-açúcar na região de Brejo Alegre já foram devolvidas aos donos. A suspensão do leilão da Revati, obtida através de liminar, aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A reportagem entrou em contato com a Reduka e, conforme orientação da assessoria, enviou os questionamentos por e-mail. A empresa não se manifestou no prazo acertado.

Outro caso. No dia 13 de novembro, um dia após a entrada em vigor da reforma trabalhista, o grupo Raízen demitiu 250 trabalhadores e suspendeu temporariamente as operações da Usina Tamoio, em Araraquara. O Ministério Público do Trabalho (MPT) acionou a justiça alegando falta de negociação prévia com o sindicato, o que a nova lei já não exige. A Vara do Trabalho local considerou que esse item da reforma trabalhista fere princípios constitucionais e determinou a readmissão dos empregados.

A empresa recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que manteve as demissões. Em audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Campinas, a empresa não aceitou a proposta de reintegração dos dispensados. Uma contraproposta será apresentada em nova reunião, ainda sem data marcada. (O Estado de São Paulo 07/12/2017)

 

Prêmio nominal de açúcar branco continuou resiliente a novas quedas, diz OIA

O prêmio nominal do açúcar branco permaneceu resiliente a novas queda em novembro, conforme o previsto. A constatação foi apresentada nesta sexta-feira, 8, pela Organização Internacional do Açúcar (OIA), entidade que tem sede em Londres, por meio do relatório mensal de novembro. O prêmio nominal é o diferencial entre o índice de preços do açúcar branco ISO e o preço diário ISA (açúcar bruto).

A média mensal chegou a registrar uma ligeira melhora no mês passado em relação a outubro, passando de US$ 58,19 por tonelada para US$ 60,63 por tonelada. O novo patamar, no entanto, ainda está muito distante da média de longo prazo (um período de três anos), em que a cotação é de US$ 85,34 por tonelada.

"Não há uma recuperação considerável do prêmio do açúcar branco no horizonte, levando em conta as expectativas do mercado de exportações maciças de açúcar branco pela União Europeia em 2017/18, bem como o fornecimento adicional previsto para o Paquistão, a Rússia e a Tailândia", salientaram os técnicos da entidade no relatório.

O documento também mostrou que, pela primeira vez desde o início de maio de 2017, durante a semana encerrada em 27 de novembro, os hedge funds tornaram-se nitidamente comprados em futuros de açúcar bruto e opções na ICE Futures US, em Nova York. A posição líquida, no entanto, é muito marginal, de acordo com a OIA e não excede 76 lotes (3.500 toneladas). "Assim, o mercado mundial de açúcar aparentemente termina em 2017 em um ambiente neutro para os fundos", concluiu. (Agência Estado 11/12/2017)

 

40% da dívida de empresas brasileiras está em dólar

Quase metade do endividamento das empresas brasileiras está concentrada em 57 companhias, e uma análise dos balanços mostra que a exposição delas ao dólar avançou em três anos.

Cerca de 40% da dívida desse grupo segue a variação da moeda americana. O índice era de 28% em 2014, quando estourou a Lava Jato. A busca por dinheiro no exterior foi uma reação à retração na oferta do crédito local, em particular após a operação.

Bancos brasileiros tinham volumes elevados de financiamentos em empresas pegas pela Polícia Federa, como Petrobras e Odebrecht. Para se protegerem, reduziram o crédito não apenas para as investigadas, mas até para negócios vistos como idôneos.

A recessão piorou o ambiente. Temendo que as empresas não tivessem musculatura para resistir a crise, os bancos se fecharam ainda mais.

A saída para grandes empresas foi buscar dinheiro lá fora. No grupo estão companhias como a mineradora Vale; a Fibria, do setor de papel e celulose; e a Cosan, gigante global em açúcar e etanol.

Dados do Banco Central mostram que a dívida total das empresas atingiu R$ 2,7 trilhões até setembro deste ano e, segundo levantamento da Fitch Ratings, as 57 maiores empresas brasileiras monitoradas pela agência americana de risco devem, no Brasil e no exterior, R$ 1,29 trilhão —quase metade disso, R$ 548 bilhões é da Petrobras.

Antes da Lava Jato, a dívida total era de R$ 962 bilhões.

RISCO

Para Ricardo Carvalho, diretor sênior de finanças corporativas da Fitch, ao menor sinal de inversão na rota de retomada da economia, o endividamento dessas empresas pode virar um problema.

"A Petrobras, por exemplo, voltaria para aquela dívida dos níveis agudos da crise", afirmou Carvalho.

Segundo a empresa de análise financeira Economatica, com base no balanço da petroleira, 79% da dívida de R$ 335 bilhões da estatal está em dólar. Para a Fitch, o endividamento da petroleira é de R$ 548 bilhões, porque inclui outros compromissos financeiros não bancários.

Outras agências de risco também seguem esse critério, incluindo, por exemplo, o pagamento de aluguel por sondas de petróleo.

Segundo a mesma Economatica, a exposição da JBS, uma das maiores produtoras de alimentos do mundo, também é grande: da dívida de R$ 47,8 bilhões, R$ 26,7 bilhões são em moeda estrangeira, pelos cálculos da Fitch, é de R$ 65,5 bilhões.

Na Eldorado, empresa de celulose recentemente vendida pelos donos da JBS, o câmbio interfere em 76% da dívida, que, segundo a consultoria, é de R$ 8 bilhões.

No cenário político incerto das eleições do próximo ano, analistas de agências de risco e dos principais bancos de investimento consultados pela Folha consideram que há risco de exposição cambial caso, por exemplo, a reforma da Previdência não seja aprovada. Para eles, o efeito sobre as empresas seria imediato.

Desde a Lava Jato, com a promessa de reformas do governo Temer, o dólar valorizou-se ante o real, passando de R$ 2,20 para R$ 3,30. Ainda sem um candidato que defenda a política de reformas e o ajuste fiscal, hoje sob o comando do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles–, os bancos continuam cautelosos.

Essas instituições sabem que, ao menor sinal de que a reforma da Previdência não será aprovada pelo Congresso ou por outro solavanco político, os juros futuros começarão a trajetória de alta que marcaria a depreciação dos demais indicadores da economia. Nesse cenário, a expectativa dos bancos para o dólar é de R$ 3,50 apenas num primeiro momento. (Folha de São Paulo 10/12/2017)

 

Senado aprovada urgência e deve votar PL do Renovabio na terça (12)

Na próxima terça-feira (12), o Senado pode dar um passo importante na consolidação do Programa Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). A data de votação conclusiva do então Projeto de Lei (PL) foi decidida pelo plenário da casa, após aprovação do requerimento do senador Cidinho Santos (PR/MT), chancelado por parlamentares de 14 partidos, pedindo a urgência na tramitação. O mesmo rito ocorreu na Câmara Federal na última semana. O senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho foi então escolhido ontem para ser o relator de plenário do referido projeto, como revela a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) - órgão que representa 70 mil agricultores do setor no território nacional.

"O Renovabio objetiva reduzir o volume de emissões carbônicas da frota circulante de veículos, através do estímulo e reconhecimento do papel dos combustíveis limpos na matriz energética brasileira", disse o relator na tribuna do Senado esta semana. O parlamentar, que é pai do ministro de Minas e Energias (Fernando Filho), fez questão de frisar que o Brasil nunca possuiu uma política específica para todos os biocombustíveis. E lembrou que tampouco foram criadas as bases para o desenvolvimento sustentado dessa atividade, com previsibilidade para os agentes públicos e privados, como bem registrado na justificativa do projeto.

Com essa previsibilidade, a estimativa do mercado produtor é de que haja novos investimentos na ordem de R$ 1,4 trilhão na cadeia produtiva de combustível renovável e nacional até 2020, ano que, conforme define  o projeto, o Renovabio passa a ser implementado. Para isso, precisa ser aceito pelo plenário do Senado na terça, e sancionado pelo presidente Michel Temer na sequência. "A nossa expectativa é de sua aprovação e sanção ainda este ano", comenta Alexandre Andrade Lima, presidente da Feplana. Se não fosse aprovação unanime da urgência, o PL teria um trâmite bem longo no Senado. Passaria pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Meio Ambiente e a de Serviços de Infraestrutura. (FEPLANA 08/12/2017)

 

Preços do açúcar no mercado mundial tiveram ganhos modestos em novembro

Os valores do açúcar no mercado mundial apresentaram ganhos "modestos" em novembro, de acordo com o relatório mensal divulgado nesta sexta-feira, 8, pela Organização Internacional do Açúcar (OIA), que tem sede em Londres. O movimento, de acordo com a entidade, refletiu as expectativas de uma menor proporção de cana a ser direcionada para a produção de açúcar no Brasil e também uma redução acentuada da posição líquida vendida pelos especuladores na bolsa de Nova York (ICE Futures US), em Nova York.

O preço spot do açúcar bruto começou o mês em 14,69 centavos de dólar por libra-peso e aumentou gradualmente até chegar a 15,37 centavos de dólar por libra-peso no dia 24. No fim de novembro, no entanto, os preços retornaram a um nível próximo a 15 centavos de dólar por libra-peso, resultando em uma média mensal em 14,98 centavos de dólar por libra-peso, o que significa um aumento de 4,5% em relação ao mês anterior.

Os preços do açúcar branco (índice de preços do açúcar branco ISO, como é a sigla da instituição em inglês) mantiveram um comportamento semelhante ao longo do mês, de acordo com a OIA.

Em 1º de novembro, estavam cotados a US$ 382,60 por tonelada e atingiram a marca de US$ 398,40 por tonelada no dia 24, mas recuaram para US$ 391,65 por tonelada no fim do mês. A média mensal foi de US$ 390,78 por tonelada, o que representa um aumento de 4,4% em relação a outubro. (Agência Estado 11/12/2017)

 

Etanol hidratado sobe 1,65% e anidro avança 1,46% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 1,65% nesta semana, de R$ 1,7097 o litro para R$ 1,7380 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro avançou 1,46%, de R$ 1,8745 o litro para R$ 1,9019 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 11/12/2017)

 

Centro-Sul deve produzir 6% mais etanol em 18/19; açúcar cairá na mesma proporção

As usinas do centro-sul do Brasil deverão processar na safra 2018/19 um volume de cana apenas ligeiramente maior na comparação com 2017/18, cujos trabalhos estão se encerrando, e haverá uma grande disparidade entre a produção de açúcar e etanol, uma vez que o setor se volta ao biocombustível, nos últimos meses mais atrativo que o adoçante.

De acordo com a média de uma primeira pesquisa da Reuters para a próxima temporada, que se inicia oficialmente em abril, as usinas e destilarias da região deverão moer cerca de 590 milhões de toneladas de cana, alta de quase 1 por cento ante as 585 milhões de toneladas previstas para o atual ciclo pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Conforme consultorias e agentes de mercado ouvidos pela Reuters, condições climáticas desfavoráveis em alguns momentos deste ano e a baixa renovação de canaviais impedirão uma expansão significativa na colheita e, consequentemente, no esmagamento da principal região canavieira do maior produtor e exportador de açúcar.

"As questões climáticas têm pesado na revisão quando combinadas com o envelhecimento dos canaviais", resumiu Eduardo Sia, analista da Sucden.

Esse equilíbrio ante 2017/18, no entanto, não deve ser observado nos produtos.

Na média, é esperada uma fabricação de 33 milhões de toneladas de açúcar, queda de 6,3 por cento ante 2017/18, e uma produção de 26,1 bilhões de litros de etanol, alta de 5,9 por cento em relação ao previsto para a safra vigente.

O etanol voltou a ser bem atrativo para o setor sucroenergético neste semestre, na esteira de altas tributárias maiores para a gasolina, concorrente direto do hidratado, e pode manter competitividade especialmente se o programa RenovaBio passar no Congresso Nacional.

Pelos dados mais recente da Unica, que aposta em uma aprovação da nova política de biocombustíveis ainda em 2017, as vendas totais de etanol (anidro e hidratado) cresceram 15,2 por cento na primeira metade de novembro, com mais de 1 bilhão de litros.

AÇÚCAR EM BAIXA

Na contramão, o açúcar deixou de ser atrativo como o foi em 2016, quando os preços do bruto na Bolsa de Nova York chegaram a 24 centavos de dólar por libra-peso, máxima em cerca quatro anos.

De lá para cá, as cotações da commodity retomaram a trajetória de queda, refletindo, em especial, a perspectiva de um novo superávit global de oferta após dois anos de déficit.

Segundo a Organização Internacional do Açúcar, o excedente em 2017/18 deverá ser de 5 milhões de toneladas, o que limitará os preços do adoçante no próximo ano, na avaliação do Citi.

De dezembro até meados de março de 2018, o centro-sul do Brasil estará no período de entressafra, e as chuvas necessárias para o desenvolvimento dos canaviais serão monitoradas.

Conforme João Paulo Botelho, analista da INTL FCStone, outro ponto de atenção nos próximos meses será os preço do petróleo no mercado internacional, uma vez que essa commodity em alta puxa as cotações da gasolina e, por tabela, as do etanol, o que estimularia a fabricação do álcool pelas usinas brasileiras.

No último dia 30 de novembro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e produtores de fora do grupo, liderados pela Rússia, concordaram em prolongar os cortes de produção de petróleo até o fim de 2018, em meio a uma tentativa de terminar de eliminar um excesso global. (Reuters 08/12/2017)

 

Açúcar e carnes devem impulsionar exportações brasileiras aos países árabes

As perspectivas para as exportações brasileiras do agronegócio aos países árabes em 2018 são de expansão, afirma Osmar Chohfi, vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. "Esperamos uma expansão do comércio de açúcar e proteína animal, principalmente", disse ele ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para Chohfi, o crescimento demográfico e do poder aquisitivo dos países naquela região é que o deve impulsionar essa pauta de exportação. "Atualmente, mais de 50% da população desses países tem menos de 30 anos", acrescentou.

De janeiro a novembro deste ano, a exportação de açúcar do Brasil para os países árabes cresceu 36,25%, para U$S 4,27 milhões. Os embarques de carne de aves avançaram 6,1%, na mesma base de comparação para US$ 2,46 milhões. Os dados são da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira que representa 22 países. As exportações brasileiras totais a estes países somaram US$ 12,5 bilhões entre janeiro e novembro. O resultado representa aumento de 21,66% em relação ao mesmo período de 2016.

O vice-presidente salientou que o Brasil deve se manter como um dos principais fornecedores de carne halal, produzida seguindo preceitos muçulmanos. "As indústrias brasileiras estão em constante treinamento para este tipo de produção", observou. Chohfi acredita que os efeitos da Operação Carne Fraca da Polícia Federal ficaram para trás e que a confiança dos árabes nos produtos brasileiros foi completamente restaurada. "Fornecemos todas as informações necessárias aos governos e empresas árabes e isso já ficou no passado", garantiu.

A Câmara Árabe-Brasileira promoveu nesta sexta-feira o Encontro Empresarial Brasil-Egito para discutir formas de ampliar o comércio bilateral entre as duas nações. O Egito é atualmente o terceiro maior mercado dos produtos brasileiros no mundo árabe. As exportações para o país do Norte da África somaram em 2016 US$ 1,7 bilhão.

Outro objetivo do encontro foi avaliar o acordo de livre comércio Mercosul-Egito, referendado em 2016. Há oportunidades nas áreas de alimentos, na qual o Brasil é competitivo, fertilizantes e de têxteis, uma especialidade egípcia. O acordo de livre comércio Mercosul-Egito deve ampliar e facilitar os negócios entre os países. Uma das apostas é a importação de fertilizantes pelo Brasil. O crescimento da safra de soja brasileira deve favorecer as importações do produto. (Agência Estado 11/12/2017)

 

Acordo entre Mercosul e UE é adiado de novo

Proposta apresentada pelo bloco europeu não atendeu expectativas dos sul-americanos; segundo Temer, assinatura deve ficar para dia 21, no Brasil.

A União Europeia frustrou a expectativa do Mercosul e não melhorou a proposta de acesso ao mercado europeu para dois importantes produtos sul-americanos: carne e etanol. A decisão deve adiar a prometida assinatura do pré-acordo para a criação da área de livre comércio entre os dois blocos. O presidente Michel Temer indicou que a nova data passou a ser 21 de dezembro, quando Brasília sedia a reunião de cúpula do Mercosul.

Até a semana passada, negociadores do Mercosul estavam animados com a promessa europeia de entregar em Buenos Aires uma “proposta melhorada” para que a carne e o etanol do bloco sul-americano possam entrar com condições tributárias mais favoráveis na UE. O gesto era encarado como peça fundamental para que os dois mercados chegassem ao pré-acordo. Otimistas, diplomatas sul-americanos chegaram a prever o anúncio para a quarta-feira em encontro paralelo à reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) que acontece na Argentina.

Na conversa realizada no início da tarde de ontem na sede da chancelaria argentina, porém, não trouxe nenhuma cota maior para o Mercosul. Europeus pediram mais detalhes sobre o mercado local para apresentar uma nova proposta que não tem prazo para ser entregue. A ausência dos novos números foi recebida com surpresa pelos sul-americanos.

A reação mais assertiva foi a dos diplomatas argentinos, que apostavam muitas fichas para que o presidente Maurício Macri pudesse anunciar o pré-acordo. Entre os brasileiros, houve pedido para que a UE estabeleça uma data limite para entrega das novas cotas para importação da carne e etanol do Mercosul. Negociadores voltarão a se reunir em Buenos Aires até quarta-feira.

Logo após participar da sessão inaugural da OMC, o presidente Michel Temer sinalizou que a nova data considerada para assinatura do pré-acordo passou a ser 21 de dezembro. Temer disse que a nova referência “é muito provável”. A data é bastante simbólica para o governo brasileiro porque será quando Brasília receberá uma reunião de cúpula do Mercosul.

Para o presidente brasileiro, que tem executado uma ampla agenda de reformas econômicas, assinar o documento em casa será uma ótima maneira de ficar para a história ao anunciar o maior acordo comercial do Mercosul aos brasileiros. “Se não concluir no dia 21, seguramente vamos concluir em seguida”, disse Temer.

Questionado sobre eventual frustração com o andamento das negociações, Temer disse que as conversas “vão em ritmo normal”. “O avanço até agora foi significativo”, disse. Entre os diplomatas brasileiros, porém, o clima era de decepção.

O ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, usou mesmo tom, mas evitou falar em frustração. “Não sei se será possível concluir ainda (esta semana) porque há muitas questões técnicas que estão em andamento”, disse. O tucano disse apenas que acredita que “será possível nessa reunião avançar muito” nas conversas entre os blocos econômicos.

Além do acesso da carne e etanol à Europa, outro tema de discórdia é o prazo para que os países do Mercosul abram seus mercados aos carros europeus. Brasil e Argentina pedem a maior transição possível e defendem 15 anos para a abertura total do mercado. Do outro lado, europeus querem o menor período para a transição para iniciar logo o embarque de carros que chegariam mais baratos aos consumidores brasileiros e argentinos. (O Estado de São Paulo 11/12/2017)

 

CMAA arremata usina da massa falida da Laginha por R$ 133,8 milhões

A Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), que possui duas usinas em Minas Gerais, arrematou a Usina Triálcool, da massa falida da Laginha Agro Industrial, por R$ 133,8 milhões. A empresa foi a única que apresentou lance no leilão judicial, realizado pelo Superbid.

A unidade, localizada em Canápolis (MG), foi vendida com 40% de desconto sobre seu valor inicial, de R$ 223 milhões. Os ativos envolvem uma unidade industrial com capacidade de moagem de 1,8 milhões de toneladas de cana por safra e uma área agrícola de 6.048,86 hectares, compostas por 24 fazendas.

Para a massa falida, os recursos serão utilizados para pagar seus compromissos com os credores.

A aquisição por parte da CMAA marca mais um avanço da companhia no segmento, que vem recentemente demonstrando interesse em adquirir outras unidades industriais de empresas em dificuldades financeiras.

No fim do último trimestre da safra atual (2017/18), a CMAA tinha R$ 72,384 milhões em caixa e uma dívida de curto prazo (com vencimento em 12 meses) de R$ 205,477 milhões.

O pagamento da Triálcool não será a vista. A CMAA pagará 25% do valor total em cinco dias e pagará o restante em três parcelas semestrais.

Nos seis primeiros meses desta temporada, encerrados em 30 de setembro, a companhia mineira registrou uma receita líquida de R$ 418,3 milhões, avanço de 23,6% em relação ao mesmo período da última temporada, e um lucro líquido de R$ 71,3 milhões, ante um resultado quase nulo no mesmo período da safra passada. (Valor Econômico 07/12/2017)

 

Onda de consolidação abre espaço para FMC

Aproveitando a janela de oportunidades criada pelo movimento de consolidação da indústria de agroquímicos no mundo, a americana FMC Agricultural Solutions, que até outubro era a oitava no ranking global do setor, assumiu a quinta posição e espera avançar mais.

O salto da FMC no ranking é resultado da aquisição, no começo de novembro, de parte dos ativos da área de defensivos da DuPont, que se fundiu com a Dow este ano. Para as operações da FMC no Brasil, essa aquisição representa um aumento imediato de 30% no faturamento, o equivalente a US$ 157 milhões, considerando os resultados de 2016. Em nível global, eleva a receita da área agrícola da empresa de US$ 2,3 bilhões para US$ 3,8 bilhões, também considerando dado do ano passado.

Ronaldo Pereira, presidente da FMC América Latina, disse ao Valor, que a aquisição significa uma oportunidade para a companhia crescer em áreas em que tinha pouca ou nenhuma representatividade. Segundo ele, a participação no mercado mundial pode avançar mais, já que a empresa pretende investir anualmente 8% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, após a aquisição. Até então, investia entre 3% e 3,5% da receita anual.

A DuPont teve de vender parte de ativos do setor de defensivos para ter sua fusão com a Dow aprovada pelos órgãos antitruste. A FMC ficou com parte do negócio - herbicidas para espécies de folhas largas e de inseticidas contra insetos mastigadores -, e com a pesquisa e desenvolvimento da área de agroquímicos, incluindo 15 projetos de moléculas em fase inicial de desenvolvimento.

"Alguns desses projetos incluem moléculas de famílias químicas que não têm paralelo no mercado", afirmou Pereira. Também passaram para as mãos da FMC 13 plantas em todo o mundo - uma no Brasil, em Barra Mansa (RJ) -, elevando o parque fabril da FMC no mundo para 27 unidades. Como pagamento, a FMC entregou à DuPont a área de saúde e nutrição e mais US$ 1,2 bilhão.

Num momento em que fábricas de químicos são fechadas na China - maior produtora de princípios ativos para agroquímicos no mundo - por não se adequarem à legislação ambiental mais restritiva, a ampliação do parque fabril é uma excelente vantagem, avaliou Pereira.

Ganhar mercado por meio de aquisições tem sido uma estratégia da FMC. Em 2014, a empresa comprou a dinamarquesa Cheminova por US$ 1,8 bilhão e passou a ter uma participação mais significativa no Brasil em café e cana-de-açúcar.

A FMC está no Brasil desde 1970, e tem fábrica em Uberaba (MG). No ano passado, faturou US$ 523 milhões no país, cerca de 23% da receita global da área agrícola. Segundo estimativas da consultoria Allier Brasil, o faturamento da empresa no Brasil deve chegar a US$ 580 milhões neste ano.

Pereira acredita que mesmo com um estoque ainda elevado no canal de distribuição, a empresa ampliará as vendas no Brasil este ano. "A FMC começou com um ajuste há dois anos e isso significou renunciar vendas para escoar estoque do canal de distribuição", disse.

Para o executivo, ainda há bastante espaço para crescer no mercado brasileiro. "A FMC tem uma área de expansão importante para buscar ainda em soja em milho", afirmou.

Com os ativos adquiridos, a empresa passa a ocupar o segundo lugar no segmento de defensivos para algodão, atrás da Syngenta. Nas categorias cana, arroz irrigado, tomate e tabaco, a FMC tem participação de mercado entre 15% e 20%. O mercado de agrotóxicos movimentou US$ 9,56 bilhões no Brasil em 2016, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Afora a aquisição, o aumento da base de produtos biológicos - que representam 4% da receita da FMC, também faz parte da estratégia de crescimento da empresa.

O peso do Brasil no faturamento global da FMC deve crescer, mas o da América Latina, que inclui as operações do México, deve cair após a consolidação da compra dos ativos da DuPont, prevista para meados de 2018. Em 2016, a região representou 35% da receita. Segundo Pereira, essa fatia deve cair a 28% do resultado global da divisão agrícola. (Valor Econômico 11/12/2017)

 

O mercado nunca está errado - Por Arnaldo Luiz Corrêa

Há muitos anos quando eu trabalhava numa multinacional, um colega de outro departamento carregava uma enorme posição comprada de determinada commodity. Estava tomando um baile do mercado. Ele comprava e o mercado caia. Ele vendia e o mercado subia. Era realmente uma daquelas fases complicadas para esse pobre trader. No meio do desabafo naquela mesa de bar, numa sexta-feira chuvosa após o expediente, num dia em que uma vez mais o mercado lhe dera outra surra, ele saiu-se com essa: “esse mercado está errado”. Impossível não se lembrar daquela piada do sujeito que descia a serra a caminho do mar pela contramão e no rádio o locutor dava o alerta: “atenção motorista, tem um maluco na estrada na contramão”, ao que ele respondeu em voz alta para si mesmo: “um não, são vários”.

Esse introito serve para ilustrar o que está acontecendo com o mercado de açúcar hoje, depois desse banho de sangue que vimos na semana. O vencimento março/2018 encerrou a semana a 14.05 centavos de dólar por libra-peso, uma queda brutal de 93 pontos na semana, ou mais de 20 dólares por tonelada. Todos os demais vencimentos tiveram desempenho parecido, com quedas entre 23 e 97 pontos, ou seja, um encolhimento nos preços de 5 a 21 dólares por tonelada.

Certamente, o mercado não está errado. Errados podem estar os fundos que entraram muito cedo numa posição comprada, logo após terem zerado suas vendas e embolsado um lucro estimado em mais de 400 milhões de dólares, num mercado que carece de sustentação. Entraram comprados e tão logo o mercado caiu por razões exógenas, vomitaram de volta a posição comprada pressionando o mercado a atraindo novos vendedores para ela.

A aderência que o mercado de açúcar ganhou com o mercado do petróleo por conta da política de formação de preços introduzida pela Petrobras, como dissemos aqui há algumas semanas, traz maior volatilidade ao preço por ser mais um fator de influência na curva de preços. Os relatórios sobre as perspectivas do petróleo que chegaram ao mercado, em sua maioria, apontam para preços mais baixos, dentro o patamar de 50 a 60 dólares por barril, embora alguns poucos analistas acreditam que estamos no fim deste ciclo e entrando num outro de 60 a 70 dólares por barril.

A baixa volatilidade do açúcar nas últimas semanas levava-nos a crer que o mercado estava satisfeito com o intervalo de preços entre 14.50 e 15.50 centavos de dólar por libra-peso. O preço médio do fechamento de NY para novembro foi de 14.97 centavos de dólar por libra-peso e o nosso modelo de previsão de preços, informado aos clientes, aponta que dezembro teria uma queda para 14.61 e o janeiro também (14.20). A média de dezembro até agora é de 14,63 centavos de dólar por libra-peso.

Caso o mercado se mantenha nesse novo patamar de 14 centavos de dólar por libra-peso, acredito que vamos apenas represar a enorme diferença que existe hoje entre o preço do etanol e do açúcar, acelerando a produção de etanol no início da próxima safra e piorando bastante a disponibilidade de açúcar para o próximo ano. Seriam os 14 centavos de dólar por libra-peso uma ótima oportunidade de compra? Eu diria que sim.

O Brasil exportou até novembro/2017, no acumulado de 12 meses, 29.4 milhões de toneladas de açúcar, quantidade que contrasta com a fraqueza que temos visto ao longo dos meses no mercado spot, mas que de certa forma explica: a grande massa de açúcar negociado este ano estava vinculada a contratos de longo prazo das usinas com as tradings. Quem deixou para vender no spot, ou seja, na ultima hora, teve que dar maiores descontos para negociar o produto. Por outro lado, o encurtamento dos descontos no mercado FOB nas últimas semanas demonstra que começa a haver preocupação em relação à disponibilidade do produto para o início da próxima safra.

Um grupo de produtores de cana responsável por aproximadamente 10% do volume de cana negociado no país, quer reivindicar uma remuneração adicional àquela que já recebe pela cana por meio do Consecana.

A proposta do grupo é que um prêmio seja pago pelas usinas para corrigir a defasagem, segundo eles, do atual modelo que calcula o valor devido pelas usinas ao produto entregue. Todo mundo sabe que o Consecana leva em consideração o volume de ATR extraída após o processamento da cana entregue pelo produtor às usinas. Seria justa essa reivindicação?

Exatamente há um ano, no comentário semanal de 25 de novembro de 2016, cujo título era “Hora de Rever o Consecana”, argumentávamos que o setor necessitava urgentemente promover uma ampla discussão a respeito da eficiência do modelo de apreçamento do Consecana. Muito embora, por muito tempo, o Consecana pareceu refletir os anseios do setor e definir de maneira justa a remuneração dos fornecedores de cana, era incontestável que em determinados momentos, como aquele em que vivíamos no último trimestre de 2016, o modelo prejudicava igualmente às usinas e aos próprios fornecedores de cana.

Usei como exemplo que a política de risco da maioria das usinas recomenda que o percentual correspondente à produção de açúcar oriundo de cana de terceiros não seja fixado. O risco de a usina fixar cana de terceiros se explica pois caso o mercado continue em ascensão, o custo mais alto pela cana que terá que pagar ao fornecedor poderá afetar a rentabilidade do produto final já fixado (açúcar).

Argumentei enfaticamente que seguindo essa orientação, a usina assistiu ao contrato de maio/2017 negociar a 23.00 centavos de dólar por libra-peso sem fixar nada da parcela correspondente à cana de fornecedor. Essa “lei imutável” que existe na maioria das usinas de não fixar cana de terceiros por achar que ela tem um hedge natural é uma falácia. Ambos perderam. A usina que não fixou e, consequentemente, o fornecedor de cana. Fornecedores e usina precisam buscar modelos em que ambos possam ganhar num mercado ascendente (que foi o caso no ano passado).

Portanto, embora a reivindicação dos produtores vá fazer com que eles, finalmente, entendam as imperfeições do sistema e possam sentar-se à mesa de negociação buscando critérios mais justos, querer um prêmio por algo que as usinas efetivamente não obtiveram é querer socializar o prejuízo.

O ideal seria que houvesse um contrato futuro de ATR na Bolsa em que cada um pudesse fixar seu preço quando o mercado lhe permitisse. Como isso é utópico no estágio atual, quem sabe poder-se-ia estudar um mecanismo em que o fornecedor pudesse fixar parcialmente o preço da cana usando o mercado futuro de açúcar ou petróleo (para etanol).

O que dá para concordar é que há muito alertamos aqui que o Consecana precisava ser revisto. Chegou o momento.

As inscrições para XXIX Curso de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas que vai ocorrer nos dias 06, 07 e 08 de março de 2018, em São Paulo, Capital, no Hotel Wall Streetcontinuam abertas. Para mais informações: priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)