Setor sucroenergético

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Pesquisadores identificam gene que pode ampliar eficiência na produção de etanol

Uma boa notícia para os produtores de etanol foi publicada nesta segunda-feira (8) na revista New Phytologist: uma equipe formada por pesquisadores do Brasil, Reino Unido e Estados Unidos identificou um gene envolvido na dureza das paredes celulares de vegetais. A supressão desse gene aumentou a liberação de açúcares em até 60%. Segundo os pesquisadores, para a produção de etanol de segunda geração, feito a partir da biomassa vegetal, a descoberta trata-se de um avanço importante.

De acordo com Hugo Molinari, pesquisador no Laboratório de Genética e Biotecnologia da Embrapa Agroenergia, o Brasil tem uma indústria de bioenergia em expansão que usa os resíduos de gramíneas como biomassas dedicadas para produzir bio-etanol. A descoberta do gene permitirá o desenvolvimento de plantas com paredes celulares mais fáceis de serem quebradas e, com isso, haverá o aumento da eficiência na produção do combustível. Isso ajudará a substituição de combustíveis de origem fóssil.

A equipe de transformação de plantas utilizou um transgene para suprimir o gene endógeno responsável pela feruloilação (rigidez nas paredes celulares) para cerca de 20% de sua atividade normal. Dessa forma, a biomassa produzida tornou-se menos rígida em comparação a uma planta não modificada. "Cientificamente, agora queremos descobrir como esse gene atua. Dessa forma, podemos tornar o processo ainda mais eficiente," prevê o pesquisador Rowan Mitchell, co-líder da equipe e biólogo de plantas do Rothamsted Research, no Reino Unido.

Para o professor de bioquímica da Universidade de Wisconsin-Madison e pesquisador do Centro de Pesquisa de Bioenergia dos Grandes Lagos do Departamento de Energia dos EUA, John Ralph, a descoberta foi muito difícil. "O nosso grupo vem trabalhando desde o início dos anos 1990 nas ligações cruzadas de ferulatos na parede celular de plantas e desenvolveu métodos de ressonância magnética nuclear (RMN) que foram úteis na caracterização deste estudo".

Efeito estufa

Para Hugo Molinari, a descoberta traz avanços importantes para um setor que movimenta bilhões ao ano. "Somente no Brasil, os mercados potenciais desta tecnologia foram avaliados no ano passado em R$ 1,3 bilhão (US$ 400 milhões) para o segmento de biocombustíveis e de R$ 61 milhões para alimentação de bovinos. Além do impacto econômico, é importante dizer que é uma descoberta muito importante para a comunidade científica ", afirmou o cientista da Embrapa.

Rowan Mitchell observa que "o impacto da pesquisa é potencialmente global, pois todos os países utilizam pastagens para alimentar seus animais e várias biorrefinarias em todo o mundo usam essa matéria-prima".

Ele lembra que bilhões de toneladas de biomassa de pastagens são produzidas todos os anos e uma característica-chave dessas forrageiras é a sua digestibilidade, o que será mais nutritivo para os animais e reduzirá a emissão de gases produzidos pela digestão, ajudando a reduzir o efeito estufa. (Agência Brasil 08/01/2018)

 

Açúcar: Apreensão em NY

Os contratos futuros de açúcar tiveram ontem quarta queda consecutiva na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam o pregão cotados a 14,78 centavos de dólar a libra-peso, desvalorização de 24 pontos.

De acordo com James Liddiard, da Agrilion Commodity Advisers, o mercado está apreensivo diante da sequência de três desvalorizações consecutivas observada na semana passada.

"Acho que o sentimento geral parece ser de que a queda da semana passada foi mais pautado por mercados externos do que pelos fundamentos", afirma Liddiard, observando que o mercado de açúcar ainda está bem abastecido.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal no Estado de São Paulo ficou em R$ 65,43 a saca de 50 quilos, queda de 0,88%. (Valor Econômico 09/01/2018)

 

Cultivo de cana movimenta R$ 100 bi e cria ‘28º Estado’

No mapa, são 27 os estados do Brasil, considerando o Distrito Federal. Mas uma região nas fronteiras dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Goiás ganhou o status de “28º estado informal”. Surgido a partir do avanço da cultura de cana-de-açúcar nas últimas décadas, esse novo “estado” tem 250 municípios em seu território, onde vivem cinco milhões de trabalhadores. Tem dinâmica, leis e orçamento próprios, além de influência econômica e política, que garantem ao Brasil o posto de maior produtor de cana-de-açúcar do mundo.

Esta é a conclusão de um estudo do pesquisador Ângelo Cavalcante, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Segundo ele, trata-se de um “estado autônomo”, que, com a produção de energia elétrica, biomassa, etanol e açúcar, movimenta mais de R$ 100 bilhões ao ano.

Essa região na fronteira de cinco estados brasileiros funciona como uma unidade federativa, a partir de uma dinâmica própria determinada pela produção da cana. O Aquífero Guarani, formação geológica de armazenamento subterrâneo de água, assegura o sucesso da produção de cana-de-açúcar nessa região, que responde por mais de 80% da produção canavieira do país, diz Cavalcante, professor da Universidade Estadual de Goiás, em Itumbiara.

A expansão desse território, segundo o especialista, também trouxe problemas. Como os ambientais, com a cana avançando sobre áreas de cerrado em Goiás e de Mata Atlântica em São Paulo. Cavalcante observa que não houve discussão ambiental nem resguardo de áreas rurais, onde era praticada uma agricultura familiar. Além disso, pequenos agricultores que tiveram suas terras arrendadas ou compradas por grandes grupos canavieiros migraram para as cidades.

Lavradores, extrativistas, indígenas e quilombolas perderam seu habitat e passaram a viver em áreas desassistidas pelo poder público, alguns em submoradias. É gente que não está acostumada a viver em cidades, diz Cavalcante.

Em Ibaté, a 247 quilômetros de São Paulo, o agricultor Sebastião Gomes de Souza, de 54 anos, mudou-se com a mulher para a cidade, há três anos, depois que a fazenda onde trabalhava pulverizando e adubando uma plantação de laranjas foi arrendada para o cultivo de cana. Souza morava em uma espécie de colônia e não pagava aluguel, nem tinha conta de luz e água, o que lhe dava folga no orçamento. Hoje trabalha com engorda de gado em outra propriedade e diz que não se acostuma com a cidade.

A vida na cidade é mais cara. Vou aguentar um tempo e voltar para o campo, diz Souza, que mora a dez quilômetros do trabalho.

'O PEQUENO VAI ACABANDO'

A cultura da cana é a vocação econômica de Ibaté desde a década de 1950. Atualmente, a maior parte das propriedades canavieiras está arrendada para grandes grupos. Marcelo Valério, de 54 anos, foi um dos últimos da região a arrendar, na safra passada, sua fazenda de cana de médio porte para uma usina controlada pela Raízen, grupo sucroalcooleiro formado por Cosan e Shell. Com a mecanização da colheita, o custo fixo de manter máquinas e empregados subiu, diz.

Além disso, quando a colheita não era mecanizada, era mais fácil manter a longevidade do canavial, com até sete cortes. Hoje, com a mecanização, são de três a quatro cortes. Depois a produção acaba e é preciso replantar, conta Valério, cuja família planta cana desde os anos 1950.

O pequeno produtor Antonio Nelo Venture, de 63 anos, é um dos poucos em Ibaté que ainda mantém produção própria de cana para vender às usinas. Mas planeja comprar uma propriedade maior para arrendá-la, já que as usinas preferem fazendas maiores. E também porque seus filhos, um administrador público e uma nutricionista, não devem tocar o negócio.

O pequeno produtor vai acabando. Não consegue sobreviver porque precisa investir em tecnologia. Um trator com GPS, por exemplo, custa R$ 200 mil. E o preço pago hoje pela cana é mais baixo, não é como o de antigamente, diz Venture.

Em São Paulo, um levantamento feito no ano passado pela Embrapa Monitoramento por Satélite comprova o avanço da cultura no estado. Por meio de imagens de satélite de 125 municípios, o trabalho mostrou que as áreas de cana, que há 30 anos ocupavam um milhão de hectares, hoje ocupam 2,3 milhões. Ao longo desse período, o lucro da atividade canavieira foi superior ao de outras atividades, o que estimulou esse avanço. Uma das culturas que mais cedeu terreno à cana foi a citricultura, segundo a Embrapa.

Na cidade paulista de Bebedouro, por exemplo, que era a capital da laranja, essa cultura começou a declinar, a partir de 2008, e deu lugar à cana. Os custos altos de produzir os cítricos, o preço baixo pago pela indústria, os estoques altos e o greening (doença que ataca os cítricos) acabaram influenciando na substituição pela cana, diz Carlos Cesar Ronquim, pesquisador da Embrapa e coordenador da pesquisa.

UNICA NEGA AVANÇO NO CERRADO

A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), que representa mais de 50% da produção nacional, informou em nota que, desde 2009, a expansão do cultivo é regulada pelo Zoneamento Agroecológico da Cana, criado pelo governo federal, orientando o crescimento do setor. A cultura da cana, diz a Unica, não pode avançar sobre vegetação nativa, como cerrado. Também é proibido o plantio em terras indígenas.

Segundo a entidade, a maior parte da área utilizada no cultivo de cana, em anos recentes, era de pastagens degradadas. No cerrado, a expansão para a produção de etanol, a partir de 2003, aconteceu exatamente sobre pastagens e entre uma ou duas safras de soja, diz a entidade, que garante que seus associados obedecem à legislação. Além disso, assegura a Unica, a produção de cana não depende nem se beneficia do Aquífero Guarani e, em sua maior parte, usa águas superficiais, não subterrâneas. A associação argumenta ainda que o avanço da cana melhorou, em termos econômicos, a vida da população das cidades que passaram por esse processo.

“Entre 2000 e 2008, a expansão da cana em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal aumentou em pelo menos R$ 1 mil o PIB per capita médio de 2,3 mil cidades”, afirmou a Unica em nota, citando ainda que, em 2016, foram gerados 794.911 empregos formais no setor sucroenergético brasileiro.

QUEDA NA PRÓXIMA SAFRA

A Unica argumenta ainda que o avanço da cana sobre as plantações de laranja em São Paulo, apontado pelo levantamento da Embrapa, foi decorrente da queda da demanda mundial pelos cítricos.

E o preço pago pela cana, atualmente, é calculado pelo teor de sacarose e regulado pelo mercado. Isso levou a uma revolução do setor, após o fim do controle de preços do governo, já que os produtores tiveram de investir em variedades mais produtivas. Antes, pagava-se pelo peso da cana, afirma Antonio de Pádua, diretor técnico da Unica.

Mas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam queda de 3,3% na safra 2017/2018 de cana no país. Serão 635,59 milhões de toneladas, contra 657,18 milhões na safra anterior. Esse recuo, segundo a Conab, seria resultante de uma retração na área cultivada. (O Globo 07/01/2018)

 

BR Distribuidora no Cadê

A BR Distribuidora afirmou ontem que considera possível uma condenação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel na área de distribuição de combustível em Minas Gerais, junto com as distribuidoras Ale, Ipiranga e Raízen.

A declaração foi feita em resposta a um ofício enviado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na sexta-feira, em que a autarquia questiona a empresa a respeito de reportagem publicada pelo Valor na quinta-feira sobre o parecer da Superintendência Geral (SG) do Cade, apontando que as quatro distribuidoras formaram um cartel em Belo Horizonte e municípios vizinhos entre 2007 e 2008.

As empresas devem receber uma multa perto do teto permitido pela legislação, de 20% do faturamento no ano anterior ao da abertura do processo nas regiões afetadas. (Valor Econômico 09/01/2018)

 

Venda de máquinas agrícolas deverá subir 3,7% este ano

Menos otimista que em 2017, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê alta de 3,7% das vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias no mercado doméstico neste ano. Se a projeção se confirmar, o número deve chegar a 46 mil unidades. Em 2017, as vendas somaram 44,4 mil máquinas, 1,5% a mais que em 2016, mas 4,9% aquém da projeção inicial de 46,7 mil unidades.

Segundo Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea, a frustração na expectativa de 2017 é resultado de menor renovação de maquinário e maior taxa de utilização das máquinas. "Para 2018, já temos um aprendizado do que aconteceu com o mercado", disse em encontro com jornalistas, na sexta-feira.

A retração de 20,8% das vendas de colhedoras de cana em 2017 foi um dos motivos para o crescimento inferior ao projetado inicialmente. "Em 2016, houve uma alta taxa de renovação desse maquinário e isso desestimulou as vendas em 2017", disse. Também houve retração de 5,3% nas vendas de retroescavadeiras. No sentido oposto, as vendas de tratores de rodas subiram 2,7% e as de colheitadeiras, 0,9%.

Se as vendas internas em 2017 desanimaram, as exportações de máquinas agrícolas foram motivo de comemoração. A Anfavea projeta que o Brasil venderá ao exterior 15,5 mil unidades em 2018, quase 10% mais que as 14,1 mil unidades de 2017, quando as vendas subiram 34,6%. A projeção inicial para 2017 era mais modesta, de 12,9 mil unidades.

Em 2017, segundo a vice-presidente da associação, as exportações foram puxadas pelas vendas para a Argentina e Estados Unidos, que cresceram 195% e 87%, respectivamente.

Com relação à produção do setor, a Anfavea prevê crescimento de 11,8%, para 61,5 mil unidades em 2018. No ano passado, foram produzidas 55 mil unidades, 1,8% mais que em 2016, mas 7,7% abaixo das 59,6 mil unidades projetadas.

A Anfavea também divulgou na sexta-feira os resultados de dezembro. As vendas recuaram 8,8% no mercado interno na comparação anual, para 3,8 mil unidades. As exportações cresceram 39,1% na mesma comparação, para 1,3 mil unidades. A produção, por sua vez, somou 2,7 mil unidades, retração de 52,1%, refletindo as férias coletivas dada pela indústria no mês passado.

Em 2017, o segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias registrou 18.365 postos de trabalho, alta de 9,5% ante 2016. (Valor Econômico 08/01/2018)