Setor sucroenergético

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Fala de Maggi sobre fim de taxação a etanol importado derruba o açúcar na bolsa

A declaração do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, de que a taxa de 20% sobre as importações de etanol pode ser derrubada fez o açúcar despencar ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em maio tiveram queda de 55 pontos, o maior recuo desde setembro do ano passado, e fecharam a 13,77 centavos de dólar a libra-peso. O ministro disse que a Pasta pode solicitar à Camex o fim da taxação sobre o etanol importado que exceder a cota de 600 milhões de litros.

A medida tende a atenuar a queda no percentual da cana destinada à produção de açúcar pelas usinas prevista para a safra 2018/19. "Dependendo do momento da mudança da regra, ela poderia pegar o começo da próxima safra, quando se esperava que o mercado fosse marcado por preços mais altos do etanol", disse João Paulo Botelho, analista da FCStone.

Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, afirmou que a medida levaria a uma enxurrada de importações de etanol, derrubando os preços internos do biocombustível após uma entressafra marcada por chuvas regulares - o que também pressiona as cotações. "Se a taxa sobre a importação for reduzida, vamos importar mais etanol anidro, com as usinas tendendo a fazer mais açúcar".

Elizabeth Farina, presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), disse que é "difícil adiantar" como uma eventual mudança alteraria a estratégia das usinas, mas ressaltou que "o mercado é ágil nesse aspecto", citando a queda do açúcar ontem. Segundo ela, as empresas já prepararam suas estratégias de comercialização e programação de safra prevendo que a cota duraria dois anos e uma mudança da regra nesse momento "cria instabilidade".

As incertezas sobre os efeitos do fim do controle de preços domésticos do açúcar na Tailândia também contribuíram para a queda de ontem. Segundo a Reuters, a medida foi uma resposta a questionamentos do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). (Valor Econômico 17/01/2018)

 

Governo estuda reverter taxa sobre o etanol dos EUA, diz Maggi

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nesta terça-feira (16) que a pasta irá estudar a possibilidade de reverter a taxa de importação de 20% sobre o etanol dos Estados Unidos para volumes maiores de 600 milhões de litros ao ano.

A medida foi tomada em agosto e ajudou a encarecer o combustível no mercado interno.

"Se acharmos que isso pode ser retirado, não terei dificuldade de levar à Camex [Câmara de Comércio Exterior]", disse o ministro, durante divulgação da balança do agronegócio em 2017. "Depende do estudo que vamos fazer. Não tenho nenhuma restrição em fazer, desde que os números mostrem que essa taxação não faz mais sentido nesse momento".

Maggi lembrou que os EUA reivindicam a retirada da taxação, ao mesmo tempo em que suspenderam as importações de carne do Brasil após a operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Segundo ele, o Brasil poderia aproveitar a situação para negociar uma solução conjunta para os dois casos.

"Os preços da gasolina no Brasil mudaram muito. Como os preços do etanol são atrelados à gasolina, me parece que não faz muito sentido a proteção que colocamos lá atrás", disse.

Questionado sobre as restrições colocadas no final do ano passado por alguns países à carne bovina e suína brasileira, como a Rússia, Maggi declarou ainda que o Brasil tentará reabrir esses mercados.

"Há muitos interesses comerciais nesse processo, é um mercado extremamente disputado. No início desse ano esperamos reabilizar esses mercados. A Rússia é um caso muito particular. Há muitos anos reclamam que querem vender para o Brasil", disse.

EXPORTAÇÕES

A pasta informou que no ano passado as exportações brasileiras de agronegócios totalizaram US$ 96 bilhões, uma alta de 13% na comparação com o ano retrasado.

O setor respondeu por 44,1% de tudo o que o Brasil vendeu para outros países. O saldo comercial do agronegócio, de acordo com o ministério, foi de US$ 81,8 bilhões, o segundo maior da história.

Maggi aproveitou a divulgação para se posicionar contra a PEC (proposta de emenda à Constituição), em tramitação no Congresso, que retoma a cobrança de ICMS na exportação de produtos primários (não industrializados) e semielaborados.

Essa cobrança foi retirada pela lei Kandir, de 1996.

"Apesar de os volumes da safra estarem aumentando, a renda do produtor vem caindo. A lei Kandir permitiu que os ganhos do produtor aumentassem. Se isso for retirado, os produtores não vão atuar, pois vão perder dinheiro", defendeu. (Folha de São Paulo 16/01/2018)

 

Novo programa de manejo para maturação eleva a qualidade e a produtividade do canavial, indicam pesquisas

Pesquisador lidera experimentos que propõem uma nova técnica de manejo para a maturação de cana-de-açúcar, apoiada no Programa Mover®, da Stoller e no maturador Curavial®, da DuPont; ganho médio de produtividade é de 10,8 toneladas de cana por hectare e retorno financeiro de R$ 1.150/ha.

Professor e pesquisador da Unesp de Botucatu (SP), o engenheiro agrônomo Carlos Alexandre Costa Crusciol deu um passo importante para derrubar o mito de que maturadores para a cana-de-açúcar, por paralisarem o crescimento da cana, interferem negativamente na produtividade da cultura, ainda que resultem em expressivos aumentos de ATR. Durante um ano, ele pesquisou o manejo integrado do maturador Curavial® ao Programa Mover®. Resultado: ganho de mais 10,8 toneladas de cana por hectare e de mais 9,5 kg de ATR por tonelada de cana.

Os estudos do professor tiveram início no final de 2016 e prosseguirão por mais dois anos, em áreas de lavouras pertencentes a cinco grandes empresas do setor sucroenergético. Segundo Crusciol, a pesquisa foi baseada em aplicações intercaladas do programa Mover®, da Stoller do Brasil, e do maturador Curavial®, produto da DuPont Brasil Proteção de Cultivos.

De acordo com o cientista, o retorno financeiro líquido obtido após a conclusão da primeira etapa dos ensaios, descontados os custos operacionais e a aquisição dos produtos, entre outros, chegou a R$ 1.150 por hectare.

Para as duas empresas que apoiam a pesquisa, o resultado do trabalho de autoria do acadêmico é altamente relevante ao setor sucroenergético.

“Significa mais cana e mais açúcar na safra, uma meta que as unidades produtoras de açúcar, etanol e energia perseguem obstinadamente, sobretudo nos ciclos de retração como o que atravessamos, em que o aumento da produtividade é estratégico à competitividade do setor”, resume Manoel Pedrosa, gerente de marketing da DuPont Brasil Proteção de Cultivos.

Roberto Risolia, gerente de marketing da Stoller do Brasil, ressalta os benefícios gerados pelo manejo desses produtos e entende que os resultados da pesquisa desenvolvida pelo pesquisador respaldam a importância da inovação na busca de soluções para o crescimento da agricultura. “Trata-se de um conceito que deverá ser absorvido rapidamente, pois eleva a qualidade da matéria-prima e impacta no desempenho agrícola e industrial das usinas”, diz o executivo.

Os executivos destacam ainda o conjunto de benefícios transferido ao setor sucroenergético pelo Programa Mover® + Curavial®, segundo indicam as pesquisas do professor Crusciol, sobretudo expressivos ganhos de ATR e a elevação da produtividade com alta velocidade de resposta.

Segundo a Stoller, o programa Mover®, formado pelos produtos Stimulate® e Mover®, atua na fisiologia da planta e auxilia na obtenção de ganhos de produtividade e de ATR. Tais insumos são também empregados com sucesso em diferentes culturas do agronegócio brasileiro, como hortifrútis, soja, milho, feijão, arroz e trigo.

Já a DuPont informa que o maturador Curavial® constitui uma ferramenta de suporte ao gerenciamento da colheita nas usinas. Segundo a empresa, o produto é um dos reguladores de crescimento mais empregados no Brasil com o objetivo de elevar a quantidade de ATR da cana, permitindo antecipar a colheita de variedades precoces, cana média ou tardia, entre outras.

As duas empresas acrescentam que firmaram um acordo de cooperação técnica com o objetivo de facilitar o acesso do mercado à tecnologia integrada do programa Mover® + Curavial®. (Informe Publicitário 16/01/2018)

 

Tailândia elimina controle de preços do açúcar para resolver disputa com Brasil na OMC

O governo militar da Tailândia eliminou o controle dos preços domésticos do açúcar e da administração de vendas, disse o ministro da Indústria nesta terça-feira, como parte de uma revisão regulamentar para evitar uma disputa comercial com o Brasil.

Os movimentos foram delineados em uma série de documentos do governo, incluindo uma ordem do primeiro-ministro, Prayuth Chan-ocha, suspendendo uma cláusula de controle de preços no Cane and Sugar Act de 1984, enquanto a lei ainda está sendo alterada.

"A partir de agora, os preços do açúcar se moverão de acordo com os preços do mercado", disse o ministro da Indústria, Uttama Savanayana, a jornalistas em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira.

Essas foram duas das etapas necessárias para desregular completamente o mercado tailandês de açúcar doméstico depois que o Brasil desafiou a Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2016, argumentando que os subsídios da Tailândia para produtores de cana estavam aumentando a produção e derrubando os preços globais.

A Tailândia, que figura entre os maiores produtores de açúcar do mundo, fornecia anteriormente subsídios domésticos de 160 bahts (5 dólares) por tonelada aos produtores de cana, estabelecia preços domésticos de açúcar entre 19 a 22,50 bahts (0,6 a 0,7 dólar) por quilo e atribuía uma certa quantidade de açúcar para consumo doméstico enquanto exportava o resto.

A Tailândia já parou seu programa de subsídio direto em 2016, de acordo com Warawan Chitaroon, vice-secretário-geral do Conselho de Açúcar e Cana do país. (Reuters 16/01/2018)

 

Brasil busca ampliar vendas de produtos agrícolas para a Ásia

Em um momento em que em alguns produtos agropecuários do Brasil são alvo de restrições ou ameaças de proibição por parte de importadores relevantes como União Europeia e Rússia, o Ministério da Agricultura decidiu focar esforços para a abertura ou ampliação, neste ano, de mercados na Ásia a produtos nacionais, como carnes bovina, de frango e suína, frutas, lácteos, ovos e farinhas.

Da lista de 49 negociações bilaterais em andamento desenhada pelo Ministério da Agricultura e que envolvem novas oportunidades para o agronegócio brasileiro, 80% focam nos países asiáticos.

Entre as prioridades da agenda comercial traçada pela Pasta na Ásia estão acelerar ou concluir a celebração de certificados sanitários para exportações de carnes in natura, processadas ou miúdos de bovinos, aves e suínos para China, Japão, Coreia do Sul, Indonésia e Taiwan; lácteos para o Egito; ovos para Cingapura; farinhas de origem animal para a Tailândia e frutas para China e Vietnã.

As negociações se encontram em estágios diferentes. Desde a venda de carne bovina in natura aos japoneses, que está em fase inicial – o setor privado deseja em acionar o Japão na Organização Mundial de Comércio (OMC) -, até os embarques de melão ao Vietnã, cuja análise de risco de pragas está mais avançada, de acordo com o Ministério da Agricultura.

Como parte da agenda que foca as exportações de produtos agropecuários ao continente asiático, entre 6 e 18 de fevereiro, o secretário-executivo da Pasta da Agricultura, Eumar Novacki, irá em missão internacional para Coreia do Sul, Vietnã, Tailândia, Malásia e Cingapura.

Desde o ano passado, a Pasta já sinaliza que daria mais importância ao mercado da Ásia. Dos 10 novos adidos agrícolas enviados pelo Ministério da Agricultura ao exterior no ano passado, seis foram para países asiáticos: China, Coreia do Sul, Índia, Vietnã, Tailândia e Arábia Saudita.

A ampliação de negócios com países asiáticos é a última grande pauta internacional que o ministro Blairo Maggi, que retorna hoje de férias, buscará avançar até abril, antes de se licenciar do cargo para disputar a reeleição para senador por Mato Grosso. E isso ocorre num cenário de tentativa de resgate da imagem da carne brasileira no exterior, após a crise de confiança decorrente da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que revelou esquema de corrupção entre fiscais federais e frigoríficos em março de 2017.

Nos últimos meses do ano passado, enquanto a Rússia e a UE suspenderam as compras de carnes bovina e suína e de pescado brasileiros, respectivamente, Hong Kong sinalizou ao país que pretende reduzir de 230 para cerca de 80 o número de frigoríficos habilitados a vender ao seu mercado. Todas as restrições se deveram a questões sanitárias.

A Ásia já é o cliente mais relevante das exportações agropecuárias do Brasil. O continente é o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, tendo respondido por 46,5% dos embarques do setor em 2017, até novembro, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços. No período, as vendas a países da Ásia cresceram 17% ante igual intervalo de 2016, para US$ 41,4 bilhões. (Brasil Agro 16/01/2018)