Setor sucroenergético

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Declaração de Maggi sobre fim de taxa cria instabilidade, diz setor de etanol

O setor sucroenergético do Brasil avalia que declarações do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, sobre a possibilidade de o Brasil acabar com uma taxação sobre etanol importado criam insegurança jurídica, mas a aposta ainda é de que a medida será mantida, segundo associações do segmento.

Na terça-feira (16), durante evento em Brasília, Maggi disse que o governo avalia acabar com uma taxa de 20% sobre o biocombustível importado, algo que poderia ajudar a reabrir o mercado dos Estados Unidos à carne bovina brasileira.

A fala até mexeu com os preços futuros do açúcar bruto na Bolsa de Nova York, que renovaram mínimas na sessão de terça-feira.

Aprovada em agosto e colocada em prática em setembro do ano passado, a taxa de 20% sobre o etanol importado, para volumes que excederem 600 milhões de litros ao ano, afeta principalmente os EUA, principais exportadores do biocombustível ao Brasil. Inicialmente, a medida teria validade de 24 meses.

"A fala [de Maggi] foi ruim, pois cria instabilidade jurídica, as cotas foram estabelecidas para um período de dois anos e não houve nenhuma conversa com o setor a respeito", afirmou o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha.

"Esperamos que seja mantido o modelo implementado em setembro."

Na mesma linha, a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que a entidade "recebeu com muita surpresa" as declarações do ministro da Agricultura.

"Definitivamente não se esperava que isso acontecesse... A mudança de regra tão precoce para uma medida transitória é surpreendente. Qual é a consequência? Cria insegurança jurídica no setor. Isso não coaduna com o RenovaBio, cujo processo de regulamentação já está acontecendo", acrescentou, mencionando a Política Nacional de Biocombustíveis, sancionada no fim de 2017.

Para ela, é necessária uma "conversa" com Maggi para se entender exatamente o que o ministro quis dizer com as declarações.

A presidente da Unica também defendeu que não é possível atribuir apenas à taxação da importação de etanol a alta nos preços do biocombustível ao longo do segundo semestre. "São vários fatores", comentou.

As importações de etanol pelo Brasil cresceram 121% em 2017 na comparação com 2016, segundo dados do Ministério da Agricultura. As compras se concentraram no primeiro semestre, graças a uma arbitragem favorável para se trazer o produto do exterior. (Folha de São Paulo 17/01/2018)

 

Açúcar: Novas perdas

Os contratos futuros do açúcar demerara ampliaram ontem as perdas registradas na última terça-feira, quando foram pressionados pelo possível revogação da taxa de 20% sobre a importação de etanol pelo Brasil.

Os papéis com vencimento em maio fecharam a 13,58 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 19 pontos.

Segundo analistas, a medida tende a atenuar a queda no percentual da cana destinada à produção de açúcar pelas usinas prevista para a safra 2018/19 diante da alta nos preços dos combustíveis e do petróleo.

Também pressionam as cotações previsões de superávit de mais de 10 milhões de toneladas na oferta mundial em 2017/18.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,95 a saca de 50 quilos, baixa de 2,4%. (Valor Econômico 18/01/2017)

 

Tirar taxa do etanol dos EUA em troca da liberação da carne brasileira é "importar concorrente"

O titular do Mapa foi bastante claro em tentar negociar com os americanos a liberação do mercado para a volta da carne fresca brasileira em troca do fim do imposto de importação do etanol deles. Além de surpreso, o setor sucroenergético já mostrou preocupação.

Horas antes de o ministro Blairo Maggi pedir o fim do imposto de importação do etanol dos Estados Unidos para facilitar a volta da carne brasileira àquele país, em coletiva nesta terça (16), o presidente do Sindaçúcar Pernambuco, Renato Cunha, reclamava ao vivo, no Notícias Agrícolas, da inundação do biocombustível de milho no Nordeste, afirmando taxativamente que os 20% de taxação atuais não inibem as importações. O titular da pasta da Agricultura e Pecuária voou em seguida para a China e deixou um rastro de preocupação para trás, ainda que pegando muita gente no setor tentando entender se a declaração já é algo que pode ser dado como definitiva.

Se apenas nos primeiros meses de 2017 as importações do combustível renovável do cereal superou 800 milhões de litros, sem taxação alguma a concorrência com o etanol brasileiro vai ser mais pesada. E vai contra disposição regulatória (ver mais abaixo).

Até aqui, a opinião mais contundente contra o que Maggi disse veio do presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Alexandre Andrade de Lima, para quem a “moeda de troca” se dá por “motivos falaciosos, para justificar tamanho retrocesso e prejuízos à cadeia da cana”, já que, completou, o Brasil vai importar a concorrência. O ministro alegou que não haveria de manter a taxação do etanol americano, já que o brasileiro não precisa mais de proteção na medida em que ele sobe junto com o aumento da gasolina. Textualmente: “Sempre que a gente negocia com algum um país a gente pega alguma coisa em troca, espera ter alguma coisa em troca. A taxação que nós colocamos no etanol foi num momento bastante difícil da indústria do etanol brasileiro, mas os preços da gasolina no Brasil subiram muito nos últimos meses pela forma como a Petrobras está fazendo o seu reajuste, portanto eu creio que aquela defasagem que tinha no etanol não seja tão importante hoje”.

O assunto inclusive já foi encaminhado à Secretaria de Relações Internacionais, segundo nota expedida há pouco pelo gabinete do ministro, e completa o que ele declarou na véspera: “para que a gente possa verificar se não há importância nesse momento, nós vamos pedir a Camex para que retire e obviamente se retirar isso eu vou pedir em contrapartida uma agilização dessa questão da carne do Brasil”. A carne fresca brasileira foi barrada em junho de 2017, na esteira do temor mundial, à época, em relação à sanidade e fiscalização brasileiras.

Etanol barato e subsidiado

Como a Feplana tem peso maior no Nordeste, embora diz representar 70 mil produtores de cana no Brasil, a entidade enxerga a região com maio preocupação. Em 2017, somente em Pernambuco circularam mais de 500 milhões de litros de etanol de milho, bem acima da própria produção estadual do etanol de cana. “Esse etanol deles é barato pelas super-safras de milho naquele país e pelos subsídios que os produtores recebem”, nos explicou Renato Cunha, na entrevista de ontem.

André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, lembrou, como os demais, que além da taxação, a cota do etanol dos Estados Unidos para entrar no Brasil é muito maior, proporcionalmente, à cota que o país determinou para o açúcar brasileiro em seu mercado (156 mil/t curtas), “equivalente a 1/6”.

Além disso, ainda de acordo com Rocha, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não estaria cumprindo a Resolução 11 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que é de garantir a competitividade do etanol nacional, “ao contrário, está dando competitividade ao produto importado”, e até por questões de segurança nacional, entre outros pontos.

Ao juntar a sua surpresa a todas implicações que a medida poderia acarretar para o setor sucroenergético, Edmundo Barbosa, presidente do Sindálcool Paraíba, aguarda novoas esclarecimentos: “Deve ter sido um equívoco. Já esclareci sobre o mal estar no mercado e a insegurança jurídica criada com tais declarações. Vamos aguardar”. (Notícias Agrícolas 17/01/2018)

 

São Paulo e Goiás devem ter as maiores produção e área plantada enquanto Bahia e Minas devem ficar com a maior produtividade

O Boletim do Setor Sucroalcooleiro do Ceper/Fundace, que analisa os dados divulgados em dezembro de 2017 pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) referentes à estimativa dos indicadores de produção de cana de açúcar e açúcar e etanol para a safra 2017/2018 mostra que as regiões Sudeste e Centro-Oeste devem apresentar maiores volume de produção, produtividade e área plantada de cana de açúcar.

Já entre os estados, a expectativa é que São Paulo e Goiás registrem maiores produção e área plantada, enquanto Bahia e Minas Gerais devem ficar com a maior produtividade.

A região Sudeste destaca-se por produzir quase três quartos do açúcar brasileiro devido, principalmente, ao desempenho do estado de São Paulo. Pelo mesmo motivo, a região também lidera a produção de etanol. Neste item, espera-se que a região produza mais da metade (57%) do que for produzido na safra 2017/18.

São esperadas quedas nas produções das regiões Sul e Sudeste, o que deve levar a uma retração de 3,28% da produção nacional. Já a área plantada deve sofrer redução de 3,43% em nível nacional, devido à queda esperada para todas as regiões do país visto que alguns produtores optaram por cultivar outros produtos nesta safra.

Ao longo de todo o período analisado, desde a safra 2005/2006, com exceção da safra 2015/16, a região Sudeste sempre foi a mais produtiva. Na próxima safra, porém, o Sudeste deve registrar produtividade sutilmente inferior (-0,3%) em comparação com 2016/17 e 4,7% menor em relação à safra 2015/16.

No País, espera-se leve crescimento da produtividade na comparação com a safra anterior (0,15%). Uma das causas para isso é o envelhecimento das lavouras. Já em relação à safra 2015/16, o Brasil deve registrar queda considerável (-5,4%) devido às menores produtividades do Sudeste e do Centro-Oeste.

É esperada queda na produção de etanol (total) na região Sudeste e no Brasil. Especificamente, espera-se aumento da produção nacional de etanol anidro, que é misturado à gasolina, e queda da produção nacional de etanol hidratado em decorrência de um maior consumo da gasolina em detrimento do etanol hidratado.

 A destinação de cana-de-açúcar para a produção de açúcar deve aumentar na próxima safra em relação à safra anterior e a produção de açúcar em São Paulo, no Sudeste e no Brasil deve ser a maior dos últimos anos, com um acréscimo de 2% em relação à safra anterior.

Ceper

O Centro de Pesquisa em Economia Regional foi criado em 2012 e tem como objetivo desenvolver análises regionais sobre o desempenho econômico e administrativo regional do País. Sua criação reúne a experiência de diversos pesquisadores da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto) da Universidade de São Paulo em pesquisas relacionadas ao Desenvolvimento Econômico e Social em nível regional, a análise de Conjuntura Econômica, Financeira e Administrativa de municípios e Gestão de Organizações municipais, entre outros.

A iniciativa de criação do Centro foi dos pesquisadores Rudinei Toneto Junior, Sérgio Sakurai, Luciano Nakabashi e André Lucirton Costa, todos da FEA-RP/USP. Os Boletins Ceper têm o apoio do Banco Ribeirão Preto, Stéfani Nogueira Incorporação e Construção, São Francisco Clínicas, Citröen Independance, Ribeirão Diesel e CM Agropecuária e Participações.

Fundace

A Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace) é uma instituição privada sem fins lucrativos criada em 1995 para facilitar o processo de integração entre a FEA-RP e a comunidade. Oferece cursos de pós-graduação (MBA) e extensão em diversas áreas. Também realiza projetos de pesquisa in company além do levantamento de indicadores econômicos e sociais nacionais regionais. (Assessoria de Comunicação 17/01/2018)

 

Processadores de açúcar da Índia reduzem próprias margens para cumprir com pagamento a produtores

Processadores de açúcar da Índia prejudicaram suas próprias margens para cumprir os mandatos do governo sobre quando pagar aos produtores de cana, o que exigiu que eles vendessem o produto ao mercado ao mesmo tempo em que concordavam em pagar mais pela cana.

A Índia, o segundo maior produtor de açúcar do mundo, exige que os processadores paguem os produtores de cana dentro de duas semanas após a colheita. As usinas concordaram em maio a pagar aos agricultores 11 por cento mais pela cana no ano comercial 2017/18, que começou em 1º de outubro.

Muitas usinas lutaram para arrecadar fundos de bancos locais para fazer os pagamentos, disse um funcionário sênior da fábrica de açúcar Sahyadri, localizada no Estado ocidental de Maharashtra.

Isso levou algumas usinas a atrasarem os pagamentos em cerca de 20 bilhões de rupias (312 milhões de dólares), disse um funcionário do governo que não quis se identificar.

Para atender ao déficit de financiamento, as usinas impulsionaram as vendas de açúcar, o que levou o mercado de refinado a cair 13,1 por cento, para 3.189,50 rupias (49,77 dólares) por 100 kg. (Reuters 17/01/2018)

 

Brasil deve atrair gigantes globais com leilões para energia renovável em 2018

O Brasil deve atrair gigantes globais do mercado de energia em leilões para contratação de novos projetos de geração renovável previstos para este ano, em meio a projeções de que uma forte competição restringirá a participação de empresas locais e fundos de investimento, disseram especialistas à Reuters.

O país já agendou uma licitação para abril, que viabilizará usinas para iniciar a operação a partir de 2022, e ao menos mais um certame deve ser realizado no ano, para empreendimentos com entrega em 2024, este também aberto a termelétricas, disse o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso.

Para o leilão de abril, o chamado “A-4”, há um recorde de 48,7 gigawatts em projetos cadastrados por investidores, maior volume já registrado em certames voltados a fontes renováveis, o montante equivale a mais de três usinas do porte de Itaipu, maior geradora do mundo.

“O grande número de projetos cadastrados indica um mercado ainda muito atrativo para os investidores. Apesar de alguns percalços, o Brasil possui a confiança de desenvolvedores e investidores nacionais e internacionais”, disse Barroso, em respostas por e-mail.

Uma prova do apetite do mercado foi dada em dezembro passado, quando após dois anos sem licitações o governo brasileiro conseguiu contratar novas usinas solares e eólicas pelos menores preços já registrados no país, com deságios de cerca de 60 por cento ante os preços-teto definidos para a produção futura dos empreendimentos.

Em relação à biomassa, os dois leilões realizados em dezembro do ano passado contrataram sete projetos de um total de 42 cadastrados. Foram 111,2 MW médios, com 8,6 MW médios comercializados a R$ 144,51/MWh no A-4, além de 102,6 MW médios a R$ 189,45/MWh no A-6.

A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, avalia que esse novo cenário de preços deve continuar, o que favorece grandes elétricas europeias em detrimento de fundos e investidores locais.

“Tem um perfil de investidor que continua super animado, animadíssimo, querendo participar. E tem quem está começando a achar que os deságios estão muito grandes e não vale mais a pena, as margens diminuem”, disse.

Para o sócio da consultoria Thoreos, Rodrigo de Barros, os retornos ficaram mais baixos e próximos dos oferecidos para projetos de energia renovável em leilões recentes ao redor do mundo, mas com a diferença de que no Brasil os contratos são em reais, e não em dólar como em alguns outros países, o que representa um risco cambial para o empreendedor.

“Está bem mais difícil para os players locais. A gente não espera retornos muito bons. Ao preço que está, só quem tem acesso a capital lá fora, com juros muito baixos. Só essas gigantes”, afirmou ele, que citou como exemplos o grupo italiano Enel e a francesa Engie.

O especialista em energia da Deloitte, Luis Carlos Tsutomu, afirmou que essas grandes elétricas possuem projetos por todo o mundo e presença forte na América Latina, o que reduz o risco cambial.

“No somatório de todo portfólio, se você está em vários países, consegue diversificar e diluir esse risco. Mesmo grandes players globais se assustaram com o que aconteceu no final do ano passado. Aumentou muito o nível de competição”, disse.

As expectativas são de que os leilões brasileiros em um ano em que o país sai da maior recessão em décadas devem contratar mais que os 4,5 gigawatts de 2017– um volume que poucos mercados de energia no mundo movimentam anualmente.

Riscos e retorno

O consultor da Deloitte ressaltou ainda que o governo precisa ficar atento à evolução dos empreendimentos contratados, uma vez que tarifas muito baixas acabam também por aumentar chances de alguns projetos não saírem do papel.

“É só ver o que aconteceu com projetos solares do leilão de 2014. Na hora em que venderam, fazia sentido. Depois, teve uma variação do câmbio e foi por água abaixo”, afirmou.

No caso citado pelo especialista, diversos empreendedores paralisaram projetos de energia após uma forte desvalorização do real em 2015 e 2016, em meio à instabilidade gerada por um processo que culminou no impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Na época, o governo acabou por promover um inédito leilão reverso, em que investidores pagaram um prêmio em troca de desistir sem multas de 25 projetos que não saíram do papel, incluindo usinas solares e eólicas.

Ainda assim, os consultores são unânimes em apontar que há apetite suficiente dos investidores para manter os preços baixos dos leilões do ano passado, embora já exista algum ceticismo no mercado devido aos baixos retornos.

Nesta quarta-feira, o UBS cortou o preço-alvo para as ações da geradora AES Tietê, que viabilizou um projeto solar no leilão A-4 de 2017.

“Não acreditamos que os projetos solares anunciados recentemente serão geradores de valor”, afirmaram os analistas do banco em relatório.

Além da AES Tietê, da norte-americana AES, os leilões de 2017 tiveram como principais vencedores elétricas estrangeiras como a italiana Enel, a portuguesa EDP, a francesa Voltalia e a dinamarquesa European Energy, todas já com projetos anteriores no Brasil. (Reuters 18/01/2018)