Setor sucroenergético

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Trilhos que não se encontram

O governo insiste em colocar em risco um dos maiores investimentos privados da área de infraestrutura.

Até o momento, a ANTT não deu sinal de prazo e muito menos se vai ou não autorizar a renovação antecipada da concessão da Malha Paulista, pertencente à Rumo Logística.

A extensão da licença é uma peça importante no quebra-cabeças ferroviário, por se tratar de condição fundamental para a expansão da Ferronorte, também controlada pela companhia.

O investimento previsto seria da ordem de R$ 5 bilhões. (Jornal Relatório Reservado (22/01/2018)

 

Com dívida de R$ 100 bi, usinas apostam em etanol para tentar se recuperar

Motivadas pelos preços mais competitivos do combustível, reflexo da política de reajustes da Petrobrás, empresas vão reduzir oferta de açúcar.

Dez anos após atingir seu auge, com investimentos bilionários em novas usinas e produção recorde de cana-de-açúcar, as indústrias sucroalcooleiras amargam hoje um endividamento pesado em seus balanços, de cerca de R$ 100 bilhões, e buscam alternativas para melhorar a rentabilidade. A aposta do setor para este ano é aumentar a produção de etanol, que está com os preços mais competitivos que os do açúcar, como reflexo da atual política de reajuste dos combustíveis adotada pela Petrobrás.

A temporada no centro-sul, que responde por cerca de 90% da produção nacional, começou oficialmente em abril.

Nesta safra, que se encerra em março, a 2017/18, o faturamento das indústrias do setor deve ficar em R$ 90 bilhões, de acordo com levantamento preliminar da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Se confirmadas as estimativas, será um recuo de 8% sobre o ciclo 2016/17. A produção de cana no País deve encolher, ficando entre 630 milhões e 640 milhões de toneladas, ante uma oferta de 651 milhões de toneladas da safra anterior. A estratégia para este ano é reduzir a produção de açúcar em pelo menos 3 milhões de toneladas (dos atuais 38,5 milhões) para se concentrar no etanol.

Embora muitas empresas do setor tenham conseguido refinanciar suas dívidas, são poucos os grupos que efetivamente estão com fôlego para fazer investimentos novos em expansão das áreas agrícola e industrial, diz Alexandre Figliolino, sócio da MB Associados.

A maior parte delas gera caixa apenas para pagar suas dívidas. “Uma nova onda de consolidação, como a de há dez anos, está longe de ocorrer. Vejo aquisições mais pontuais nos próximos meses”, diz Figliolino.

A expectativa é de que as usinas invistam, de modo geral, cerca de R$ 10 bilhões na próxima safra, metade do que seria necessário para fazer uma ampla manutenção dos canaviais, necessária para elevar a produtividade das lavouras, afirma Guilherme Bellotti, analista sênior de agronegócio do Itaú BBA.

Por conta dos baixos investimentos nos últimos anos, é esperada uma estagnação da produção de cana no País em 2018. Mas especialistas ouvidos pelo Estado projetam uma melhora para os próximos ciclos.

Incentivos. Além da recuperação da economia, o setor conta com a ajuda de um novo programa do governo para voltar a crescer. Sancionado por Michel Temer no fim do ano passado, o Plano Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, estimula a produção de combustíveis limpos por meio do estabelecimento de metas para a redução da emissões de carbono e prevê um ágio nos preços para os produtores que adotarem essas práticas.

“O programa estabelece o papel do etanol como matriz energética para o futuro e dá previsibilidade à commodity. Mas ainda são os primeiros passos. Embora o mercado reaja rapidamente, não esperamos nenhuma mudança drástica em 2018”, diz Fabio Venturelli, presidente do grupo São Martinho.

Fontes do mercado financeiro e analistas são reticentes sobre uma recuperação do setor impulsionada por incentivos. O último boom ocorreu entre 2003 e 2008, durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, que deu estímulos à produção de etanol e fez a demanda do combustível deslanchar no País com a venda de veículos flex. Dezenas de usinas foram erguidas e investidores locais e estrangeiros deram início a um movimento de consolidação. Na gestão de Dilma Rousseff, contudo, que teve como bandeira o controle dos preços da gasolina, o etanol perdeu a competitividade e muitos projetos, que mal tinham saído do papel, sofreram revés.

Enxuto

O País chegou a ter cerca de 450 usinas em 2008, hoje são 366 em operação no Brasil, segundo a Unica, com base nos dados do Ministério da Agricultura. A região do Centro-Sul, que responde por mais de 90% da produção do País, tem 279 usinas em atividade. Até o momento, mais de 30 unidades estão em recuperação judicial e outras dezenas estão paradas.

O grupo Odebrecht foi um dos principais investidores do setor nos anos 2000 por meio de aquisições e logo ficou entre os cinco maiores produtores do País. Assim como boa parte dos novatos do setor, hoje está em busca de sócios e não descarta se desfazer dos ativos, segundo fontes. A companhia, que agora se chama Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial), está entre as mais endividadas do segmento. Em 2016, alongou R$ 11 bilhões em dívidas. O desafio atual é atrair capital, mas o excesso de usinas à venda aumenta a concorrência. A Atvos nega que esteja à venda.

Com dívidas bilionárias acumuladas no passado recente, as companhias passaram esses últimos anos tentando melhorar a saúde financeira. “Acreditamos em um movimento de reversão de queda da dívida do setor”, diz Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA. Investidores locais e estrangeiros já estão atentos a esse movimento, mas sem tanta pressa para fechar bons negócios. (O Estado de São Paulo 22/01/2018)

 

Investidor volta a olhar negócios no setor sucroalcooleiro, mas está mais exigente

Usinas de grupos em situação financeira difícil são os maiores alvos; no entanto, muitas unidades não receberam oferta.

Passado o período mais crítico da crise do setor sucroalcooleiro, investidores nacionais e estrangeiros começam a olhar, ainda de forma tímida, ativos que estão à venda no País. Os principais alvos, nos últimos meses, têm sido usinas de empresas que entraram em recuperação judicial ou que foram a leilão.

Usina Costa Pinto, da Raízen, produz atualmente 6,7 milhões de litros de álcool de segunda geração

A Raízen (joint venture entre Cosan e Shell), maior grupo do setor e responsável pelo movimento de consolidação nos anos 2000, arrematou, por cerca de R$ 820 milhões, em setembro do ano passado, duas unidades que pertenciam ao grupo Tonon Bionergia, que está em recuperação judicial. Essas unidades são estratégicas para a Raízen por estarem no centro-oeste do Estado de São Paulo e complementarem o déficit de cana detectado pelo grupo na região.

A Tonon, que entrou com pedido de proteção à Justiça em 2015, ainda ficou com uma usina no Mato Grosso do Sul. Já a Renuka, também em recuperação judicial, não conseguiu comprador para suas duas unidades, que ficam no noroeste do Estado. A empresa, que colocou usinas em leilão, não atraiu comprador, de acordo com pessoas com conhecimento no assunto.

A grande oferta de grupos com problemas financeiros à venda deixou o investidor mais seletivo, mesmo com ativos de empresas com boa estrutura financeira.

É o caso da multinacional Cargill, que há meses tenta vender sua unidade paulista Cevasa, segundo uma fonte com conhecimento no assunto. Procurada, a trading não quis comentar.

A Petrobrás tem o mesmo problema. No fim de 2016, a petroleira se desfez de participações de duas importantes unidades, uma em sociedade com o Grupo São Martinho, a Nova Fronteira, em Goiás, e outra com a francesa Tereos, a Guarani, levantando no total US$ 235 milhões. A petroleira agora tenta, sem sucesso, se desfazer de uma unidade em Minas Gerais que tem investidores locais como sócios.

Em nota, a estatal reforçou que o Plano de Negócios e Gestão 2018-2022 prevê “otimizar o portfólio de negócios, saindo integralmente das atividades de produção de biocombustíveis, distribuição de GLP, produção de fertilizantes e das participações em petroquímica, preservando competências tecnológicas em áreas com potencial de desenvolvimento”.

Interesse

O Estado apurou que o grupo alemão Sudzucker voltou a olhar ativamente negócios no Brasil, o banco Rabobank tem o mandato da companhia. Com tradição em comercialização global de açúcar no mundo, a trading alemã informou, em nota, que estuda oportunidades dentro e fora do País, mas não quis comentar estratégia, nem confirmar o assessor financeiro contratado para avaliar potenciais negócios. (O Estado de São Paulo 22/01/2018)

 

Açúcar: Parada técnica

As cotações do açúcar demerara subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira, interrompendo uma sequência de mais de uma semana de queda.

Os contratos para maio fecharam a 13,40 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 16 pontos.

O açúcar está sendo pressionado pela entrada de produto da Índia e da União Europeia no mercado internacional, reforçando as previsões de superávit da oferta mundial.

Na semana passada, os preços ganharam pressão adicional das especulações sobre os efeitos de uma eventual alteração no Brasil da cota de importação de etanol sobre o mix de produção das usinas.

Mas etanol continua remunerando mais que o açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal teve queda de 0,24%, para R$ 58,32 a saca. (Valor Econômico 22/01/2018)

 

Etanol hidratado sobe 0,19% e anidro avança 0,10% nas usinas de SP

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,19% nesta semana, de R$ 1,8515 o litro para R$ 1,8550 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Já o valor do anidro avançou 0,10%, de R$ 1,9476 o litro para R$ 1,9495 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq.

O valor do hidratado segue como o maior nominal em mais de um ano, ou desde a semana encerrada em 6 de janeiro de 2017, quando esse tipo de etanol foi negociado a R$ 1,8570 por litro. Já o valor do anidro é o maior desde o de R$ 1,9656, em média, da semana finalizada em 27 de janeiro do ano passado. Os indicadores são também recordes na safra 2017/2018, iniciada em 1º de abril. (Agência Estado 22/01/2018)

 

UNICA destaca nova diretoria de energias renováveis pelos Europeus

Em processo arbitrado pela Comissão Europeia, tem grande relevância para o setor sucroenergético brasileiro.

Dando seguimento ao processo legislativo para a adoção da nova Diretiva Europeia sobre a Promoção das Energias Renováveis (REDII), o plenário do Parlamento europeu aprovou, na última quarta-feira (17), seu posicionamento sobre a legislação, que irá vigorar entre 2021 e 2030.

Para a assessora sênior da presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) para Assuntos Internacionais, Geraldine Kutas, a medida, cujo texto final será costurado até o final do verão europeu (setembro), em processo arbitrado pela Comissão Europeia, tem grande relevância para o setor sucroenergético brasileiro.

A executiva comenta os principais pontos do posicionamento aprovado pelo Parlamento sobre REDII que impactarão futuramente as exportações de etanol brasileiro para a União Europeia (UE):

O bagaço de cana voltou para a lista de matérias-primas consideradas como avançadas

“O Brasil é um dos líderes na produção de etanol de segunda geração produzido a partir do bagaço e da palha, resíduos fibrosos da cana. Os europeus reconheceram isso.”

O Parlamento Europeu rejeitou a inclusão dos fatores de mudança indireta do uso de terra (ILUC, na sigla em inglês) nos cálculos de redução dos gases do efeito estufa (GEEs)

“Com fatores ILUC nossa redução de GEE teria caído para 55% em vez de 70%. Teriamos corrido o risco de não poder participar do mercado europeu em 2030. Sempre questionamos a metodologia e dados utilizados pela UE.”

Foi aprovada uma meta mínima de energia renovável no setor de transporte em 12% até 2030

“Poderia ser maior já que a meta atual é de 10% até 2020. No posicionamento do Conselho consta 14%, o que seria melhor. Entretanto, é importante ter uma meta já que o transporte é responsável por mais de 20% das emissões europeias. A proposta da Comissão não tinha meta de renováveis para transporte.”

Limite de 7% de participação de biocombustíveis de primeira geração (1G) no setor de transportes de cada estado-membro da EU.

“Isso quer dizer que países que já usam mais de 7% vão ter que baixar ou substituir por 2G ou outros renováveis. Esse é o caso da Suécia, da Áustria e da Finlândia. Os países que tinham um nível de consumo muito baixo de 1G em 2017 poderão aumentar seu consumo de 1G para até 2%.”

A meta de combustíveis avançados (2G, eletricidade, hidrogênio etc) será de 10% até 2030, com contagem dupla. Dentro da mesma, haverá uma submeta de 3,6% para biocombustíveis avançados.

“Na prática, esse número só deixaria uma participação de 2% para os biocombustíveis de 1G. Porém, é possível que a proposta não seja aceita pelo Conselho da União europeia, pois os estados-membros da UE têm forte receio de não ter produto disponível a um preço competitivo para poder cumprir com a meta.”

O Parlamento Europeu considerou o melaço de cana-de-açúcar como uma matéria-prima 1G

“A medida não impactará as exportações do Brasil, e sim outros países que utilizam este subproduto do açúcar para fabricar etanol, caso da Índia.”

Foi banido o uso de biocombustíveis produzidos de óleo de palma a partir de 2021

“Se isso for aprovado na legislação final, existe a possibilidade de que a EU enfrente um novo caso na Organização Mundial do Comércio (OMC). (Assessoria de Comunicação 19/01/2018)

 

Grupo Ultra aumenta a octanagem da Ipiranga

Dono, historicamente, de um dos caixas mais abastecidos do Brasil, o Grupo Ultra prepara-se para deslanchar a maior expansão da Ipiranga desde que adquiriu a bandeira, há 11 anos. Segundo o RR apurou, o plano estratégico prevê a abertura de 400 postos ao longo de 2018, aproximadamente 50 a mais do que no ano passado.

A se confirmar, serão 750 unidades no biênio. Para se ter uma ideia do que estes números significam, entre 2013 e 2016 a Ipiranga adicionou “apenas” 300 novos postos. A aposta no greenfield, é bem verdade, vem menos por opção e mais por imposição: o caminho seria outro se o Cade tivesse aprovado a compra da rede Ale.

De toda a forma, tratase de um vistoso cartão de visitas para Frederico Curado, que assumiu recentemente o comando do Ultra e terá a missão de administrar um plano de investimentos de R$ 2,7 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 19/01/2018)

 

Esalq e setor produtivo dialogam sobre o RenovaBio

Encontro reuniu docentes, pesquisadores e representantes do mercado sucroenergético.

O RenovaBio, política de Estado para a descarbonização do transporte no País, foi a pauta de um encontro realizado na tarde de sexta-feira, 19/01, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/Esalq).

Na ocasião, professores, pesquisadores, políticos e empresários ligados ao setor sucroenergético avaliaram o programa que pretende alinhar a produção com os compromissos que o Brasil assumiu mundialmente na Conferência do Clima.

Para Pedro Isamu Mizutani, presidente do Conselho Deliberativo da Raízen, traçou um panorama sobre a política econômica destinada às fontes de energia no País e posicionou para que chamou de momento adequado para o desenho de um novo plano estratégico. “O setor empresarial, os fornecedores de cana-de-açúcar e a academia precisam unir forças para que a cana no Brasil ganhe ainda mais produtividade”.

Segundo o diretor da Esalq, professor Luiz Gustavo Nussio, trata-se de uma causa de soberania nacional. “Essa é uma oportunidade para que nossos docentes possam empreender esforços em pesquisas que atendar uma demanda em parceria com o setor produtivo”. (USP / ESALQ 19/01/2018)

 

Entressafra da cana-de-açúcar deixa postos sem álcool em Tocantins e motoristas reclamam

Preço da gasolina subiu quase R$ 1 em um ano e consumidores começaram a buscar mais o etanol para economizar. Sindicato diz que produto está em falta devido entressafra da cana-de-açúcar.

Em um ano, o preço da gasolina ficou quase R$ 1 mais alto. Em janeiro de 2017, o produto podia ser encontrado por R$ 3,66 e este ano chega a R$ 4,51. Com tantos aumentos, muitos motoristas buscam abastecer com o etanol para tentar economizar, mas está sendo difícil encontrar o produto nos postos de combustíveis de Palmas.

Nesta semana, um novo reajuste, de 0,7% foi anunciado para a gasolina foi anunciado. "Cada vez que eu vou tem sido uma surpresa. A gente não consegue mais ter um preço exato da gasolina para fazer uma projeção de quanto vai gastar", reclamou o funcionário público, Bruno Camargo.

A última pesquisa feita pelo Procon apontou que pelo menos 10 postos de combustível em Palmas estavam sem o etanol no dia do levantamento. A justificativa dos empresários seria a baixa procura, mas agora com o preço da gasolina aumentando constantemente, o álcool deve voltar às bombas.

"Vendo o aumento da gasolina, a gente percebeu que era viável para o consumidor ter as duas opções”, comentou a gerente de um posto da capital, Sandra Rais.

Embora os postos não sejam obrigados a vender o etanol, precisam seguir regras. "Uma vez que ele sinaliza que existe esse produto no estabelecimento, ele tem que fornecer. O consumidor que se sentiu lesado pela precariedade da informação. Pode ligar no 151 do Procon e fazer a denúncia, ou registrar uma reclamação na Agência Nacional de Petróleo", explicou Liliane Borges.

Por telefone, o presidente do sindicato dos postos do Tocantins, Wilber Santos, disse que o etanol está mais caro por causa do período de entressafra da cana-de-açúcar e porque o estoque do combustível é baixo. Além disso, o clima quente no estado aumenta a umidade nos tanques e pode interferir na qualidade do combustível. (G1 22/01/2018)