Setor sucroenergético

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O setor precisa de cana

 “O ano de 2018 não será fácil. A expectativa é de que nos próximos anos, esse cenário seja muito mais positivo. Mas para sobrevivermos até lá, precisamos fazer nosso trabalho bem-feito, plantar cana direito. Há tarefas fundamentais para o sucesso da produção agrícola que deixamos de lado e que acarreta na perda de produtividade”, alerta Ismael Perina Jr, aos associados da Socicana, Associação dos Produtores de Cana de Guariba, da qual é diretor, durante evento realizado pela entidade em dezembro de 2017.

Ismael lembra que na última expansão do setor, na primeira década dos anos 2000, muitos formaram canavial sem o mínimo controle. Que quase ninguém plantou cana 100% com qualidade, não se preocupou com viveiro e fez todas as tarefas conforme manda a boa e velha agronomia. Resultado: a produtividade caiu para a casa das 60 toneladas por hectare (TCH). Nos últimos anos, o setor realiza uma marcha de recuperação de produtividade, a média está em 77 TCH, ainda longe da estimada para o setor, de 85 e mais longe ainda da sonhada marca de 100 TCH, a famosa cana de três dígitos considerada fundamental para a prosperidade da atividade.

Mas o setor precisa de cana, nas últimas duas safras a produção vem registrando queda, no ciclo de 2016/17 a moagem da região Centro-Sul foi de 617 milhões de toneladas, já 2017/18 estimativas apontam que deve fechar na casa das 590 milhões e a expectativa para a safra 2018/19 é que o volume seja menor ainda, em torno de 580 milhões. (Cana Online 23/01/2018)

 

Petróleo 'continuará aí por muitos anos', diz presidente da Petrobras

A Petrobras quer acelerar seus investimentos em inovação para reduzir seu impacto ambiental, mas a indústria de óleo e gás "continuará aí por muitos anos", afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, nesta terça-feira (23), em conferência do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

O executivo participou de uma mesa sobre o futuro do fornecimento de energia ao lado de líderes ligados a energias renováveisl: o indiano Piyush Goyal, ministro das Ferrovias, o espanhol Ignacio Galán, presidente da Iberdrola, o francês Jean-Pascal Tricoire, presidente da Schneider Electric e e Rachel Kyte, presidente do programa SEforAll (Sustainable Energy for All).

"Às vezes é difícil para grandes corporações mudar sua mentalidade. O que faremos é criar fundos de venture capital [capital de risco] para contratar pequenas empresas, para acelerar e dar mais qualidade às propostas para melhorar a eficiência", disse o executivo.

Parente também destacou uma provável entrada da Petrobras no programa Oil and Gas Climate Initiative (associação de petroleiras para propor iniciativas contra mudanças climáticas).

"Somos totalmente favoráveis a combustíveis mais limpos, mas o óleo e p gás continuarão aí por muitos anos", disse ele, destacando que é preciso ter uma preocupação, por exemplo, em relação ao tipo de fonte de abastecerá carros elétricos.

Para o presidente da estatal, o gás natural será o combustível da transição. "É fóssil, mas polui muito menos que petróleo e diesel. É um tema importante para minha companhia. A Petrobras hoje é 20% gás e 80% óleo, precisamos equilibrar essa participação."

O problema, segundo ele, é que hoje a exploração do gás natural está associada à extração do petróleo, e uma expansão dele no país implicaria em mais importação. "Em 2016, decidimos nos concentrar no nosso core business [petróleo], para sobreviver. Mas o gás é muito importante, e estamos melhorando tecnologias para ter um melhor uso", disse.

Parente ainda criticou a taxação a equipamentos de energia renovável, anunciada nesta segunda (22) pelo presidente americano Donald Trump, o assunto foi um dos temas levantados no painel.

"O pico de consumo de óleo e gás pode ser inclusive antes de 2030. Mas o carvão ainda vai representar 30% do consumo de energia em 2030. Então, quando o presidente dos EUA coloca impostos em renováveis, está estimulando o carvão de novo. É uma preocupação."

O presidente da Petrobras foi o único representante do setor de petróleo no debate, que destacou a redução dos preços da geração eólica e solar e o aumento da geração distribuída, em que consumidores injetam energia renovável no sistema, fenômenos globais que já são realidade no Brasil.

O executivo ainda ressaltou políticas no país como o incentivo ao etanol, os carros flex e o aumento de fontes limpas na matriz, como a eólica e, mais recentemente, a solar. (Folha de São Paulo 23/01/2018)

 

Açúcar: Indicador cai forte 5,5% na semana

Apesar do período de entressafra da safra 2017/18, a disponibilidade de açúcar disponível no spot tem sido suficiente para atender à demanda, mesmo que boa parte do produto tenha sido comprometida por meio de contratos. Assim, usinas continuam flexíveis nos valores de venda, cedendo à pressão baixista de compradores.

Além disso, os preços do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures) também têm caído desde o início deste mês, influenciando o comportamento das cotações do cristal no mercado doméstico. Entre 15 e 22 de janeiro, o Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ, cor Icumsa de 130 até 180 caiu fortes 5,5%, fechando a segunda, 22, a R$ 58,37/saca de 50 kg. (Reuters 23/01/2018)

 

Preço do etanol hidratado se eleva pela 18ª semana consecutiva

O preço do etanol hidratado registra alta pela 18ª semana consecutiva no estado de São Paulo, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Isso porque distribuidoras anteciparam os negócios nas primeiras semanas de janeiro e, agora, mostram menor interesse de compra, o que arrefeceu o ritmo de alta nos valores do biocombustível. Os repasses dos aumentos nas cotações nos últimos meses no segmento varejista fizeram com que o etanol hidratado perdesse a competitividade frente à gasolina C, o que também influenciou o menor interesse das distribuidoras.

Do lado das usinas, houve baixa presença de vendedores, visto que muitas unidades estão em entressafra. As poucas usinas ativas no spot negociaram a preços menores.

De 15 a 19 de janeiro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou a R$ 1,8550/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), ligeiro aumento de 0,18% em relação à semana anterior. Já o valor do anidro avançou 0,10%, de R$ 1,9476 o litro para R$ 1,9495 o litro, em média.

Conforme a Agência Estado, o valor do hidratado segue como o maior nominal em mais de um ano, ou desde a semana encerrada em 6 de janeiro de 2017, quando esse tipo de etanol foi negociado a R$ 1,8570 por litro. Já o valor do anidro é o maior desde o de R$ 1,9656, em média, da semana finalizada em 27 de janeiro do ano passado. Os indicadores são também recordes na safra 2017/2018, iniciada em 1º de abril. (Reuters 23/01/2018)

 

Presidente da Toyota do Brasil: “Cada mercado vai decidir o tipo de energia”

“Algo importante é competitividade. Esta é uma palavra-chave para o Brasil se tornar jogador mundial”, Rafael Chang (Toyota).

A crise já acabou no setor de automóveis. Ao menos é o que diz Rafael Chang, que comanda a Toyota do Brasil. A companhia espera que a indústria feche 2018 com 2,5 milhões de veículos emplacados, um crescimento de cerca de 10%, semelhante ao do ano passado.

O executivo participou de uma entrevista com perguntas enviadas por internautas e comentou assuntos como o Rota 2030 e os carros híbridos.

Quando questionado sobre o Rota 2030, conjunto de regras para o setor automotivo, ele disse acreditar que ele vai colocar o Brasil no caminho de exportador global.

“[O Rota 2030] vai colocar o Brasil como um jogador mundial, para desenvolver carros que podem competir e podem ser inseridos em outros mercados do mundo”, afirma.

Contudo, embora exista a expectativa de que o programa deve vigorar a partir deste ano, ele ainda não foi aprovado pelo governo.

Futuro é dos híbridos?

Apesar de ser a Toyota liderar a venda de carros híbridos no Brasil, com o Prius, Chang não crava que esse tipo de veículo irá dominar os mercados. E, por isso, a montadora desenvolve várias tecnologias, inclusive elétricos com célula de hidrogênio.

“Ao final do dia, cada mercado vai decidir qual o tipo de energia vai tomar. Não vai ser a montadora, não vai ser uma marca que vai dizer: ‘Aqui vai ser elétrico’ ou ‘Vai ser híbrido’”, afirma.

O executivo diz que a marca já testa o carro híbrido com etanol, conforme o G1 noticiou em outubro, mas que ainda não existe “um plano concreto em termos de quando ou como vai ser”.

Além disso, respondendo a um internauta sobre quando o Brasil terá carros elétricos e híbridos com preços acessíveis, Chang afirmou que o valor dos produtos atuais está de acordo. O Prius custra R$ 126.600.

“Voltaríamos à primeira conversa sobre a estrutura de impostos etc., etc. Mas, se olhar as alternativas que temos agora no mercado, (elas) estão de acordo com os preços de outros modelos que estão aqui no Brasil”, alega.

Ele também disse que não há nenhum plano de produzir o Prius no Brasil. (Auto Esporte 23/01/2018)

 

Senado analisa fim de desconto nas taxas de transmissão e distribuição para fontes alternativas de energia

Está na pauta de votações da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado Federal, um projeto de lei que define o ano de 2027 como prazo final para o desconto de 50% no uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica concedido aos pequenos geradores de energia a partir de fontes alternativas. O projeto (PLS 622/2015) também elimina a possibilidade de a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) custear o desconto. Apresentada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), a proposta foi modificada pelo relator na CAE, Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE).

As pequenas hidrelétricas (com potência de até 3 mil kilowatts) e as usinas solares, eólicas, de biomassa e de cogeração qualificada com potência de até 30 mil kilowatts pagam pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição tanto sobre a energia que produzem como sobre a que consomem. Esses produtores, que incluem os pequenos sistemas de energia solar instalados em residências e prédios comerciais, por exemplo, vendem o excesso da energia gerada à respectiva distribuidora e constituem o que o setor chama de geração distribuída.

Segundo o autor do projeto, com o avanço das fontes alternativas, o subsídio concedido pela Lei 9.427/1996 e pago pela CDE vai ficando cada vez maior. E, como a CDE é mantida por tarifa paga pelos consumidores finais, em especial os grandes consumidores, ou seja, as indústrias, ele adverte que, “sem o ajuste proposto, empresas responsáveis pela geração de emprego e renda custearão ainda mais parte da energia direcionada aos consumidores regulados [pequenos consumidores, que não podem escolher de qual produtor comprar]”.

Cálculo da tarifa

O PLS 622/2015 também modifica o cálculo da tarifa de compra de energia pelos consumidores finais. Pela Lei 10.438/2002, o custo de aquisição de energia elétrica e o de contratação de capacidade de geração pelo Executivo são divididos entre todos os consumidores, na proporção do consumo de cada um, sem considerar a fonte da energia adquirida ou o tipo de consumidor, se regulado ou livre (grandes consumidores que têm liberdade para escolher de quem comprar, na maior parte, indústrias).

Otto Alencar propõe que o cálculo do valor de referência do custo da aquisição de energia proveniente de geração distribuída, que integra o cálculo global da tarifa, seja feito segundo a fonte, levando em conta também a quantidade adquirida de cada fonte.

Segundo o autor, o fim do desconto em 2027 coincide com o fim do subsídio da CDE às usinas elétricas que usam carvão, o que corrigiria distorções.

Para Alencar, os benefícios das alterações seriam a redução da necessidade de construir grandes hidrelétricas, termelétricas e linhas de transmissão e das perdas elétricas. Além disso, argumenta, com a eliminação dos descontos concedidos pela Lei 9.427/1996 e a proibição de que eles sejam cobertos pela CDE, seriam reduzidas as distorções econômicas causadas pelo modelo brasileiro de encargos setoriais pagos pelos consumidores, que impedem um maior crescimento da geração de energia a partir de fontes alternativas. Outra consequência seria a redução do custo da energia para os grandes consumidores que, no atual modelo, acabam subsidiando as tarifas do mercado regulado.

Em seu substitutivo à proposta, Bezerra concorda com o fim do desconto, sob o argumento de que a “manutenção indevida pode significar que essa política estatal fracassou e que recursos públicos estão sendo gastos sem uma contrapartida benéfica para a sociedade, além de impedir o setor de continuar se desenvolvendo. O desconto em questão remonta ao ano de 1998 e, entre diversos sinais de que já atingiu seu objetivo, pode ser citado que em recentes leilões a energia eólica obteve preço de venda inferior ao de diversas hidrelétricas”. Ele acrescentou, no entanto, que a norma deve valer apenas para os contratos feitos após a publicação da lei.

Quanto à retirada da CDE do ônus de arcar com o desconto, Bezerra reconhece que há subsídio cruzado, mas lembra que, como o desconto incide tanto na produção quanto no consumo de energia elétrica, os consumidores livres que compram energia das fontes incentivadas também recebem o desconto. Além disso, como o PLS 622 não prevê outra fonte de recursos para o pagamento do desconto, o relator propõe a supressão desse item do projeto.

Valor de referência

Outra alteração importante feita pelo relator refere-se ao cálculo do valor de referência da energia adquirida da geração distribuída. Ele esclarece que, após a apresentação da proposta, o Ministério de Minas e Energia editou portaria que adota, entre outros critérios, o de fixar um valor de referência para cada fonte de geração de energia elétrica. Bezerra argumenta, no entanto, que o cálculo de uma média ponderada das quantidades adquiridas de cada fonte de geração de energia elétrica não está previsto na portaria e que se trata de tema muito técnico e minucioso para ser tratado em lei. Ele mantém o cálculo do valor de referência com discriminação da fonte de energia, mas retira a previsão de média ponderada.

Depois de analisado pela CAE, o PLS 622/2015 segue para a Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), que terá decisão final, caso não haja recurso para votação em Plenário. (Agência Senado 24/01/2018)