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Usina Itamarati quer instalar usina de etanol de milho

A Usinas Itamarati, uma das maiores do País, quer instalar uma unidade produtora de etanol de milho em Mato Grosso.

O projeto prevê a fábrica em área anexa à usina que já fabrica o insumo a partir da cana-de-açúcar em Nova Olímpia, conta Ricardo Tomczyk, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

A Itamarati pertence aos herdeiros de Olacyr de Moraes, o “Rei da Soja”, morto em 2015. (Broadcast 19/1120/18)

 

Usinas começam a operar com futuros de petróleo e gasolina

Texto corrigido às 12h 43n do dia 26-jan-18.

O nome do diretor comercial da Usina Alta Mogiana é Luis Gustavo Junqueira Figueiredo, e não Luis Gustavo Junqueira Franco. Desde que a Petrobras decidiu reajustar diariamente os preços da gasolina A (pura), vendida às distribuidoras, com base na variação das cotações internacionais, algumas usinas de etanol passaram a avaliar a possibilidade de atuar nos mercados futuros internacionais de petróleo e gasolina, mesmo não produzindo nenhum dos dois produtos, para "proteger" suas margens em casos de queda dos preços.

Algumas empresas do setor estão estudando fórmulas que se aproximariam da nova estrutura de formação do preço da gasolina C (vendida nas bombas), com o qual concorre o etanol hidratado. Inclusive, já há quem tenha começado a realizar operações, como a Usina Alta Mogiana, de São Joaquim da Barra (SP).

A estratégia que está sendo avaliada pelas usinas é vender uma posição nos mercados futuros de petróleo ou gasolina nas bolsas de Londres e Nova York (ou Chicago), ou comprar uma opção de venda delas, em uma operação conjugada a um hedge de câmbio.

Dessa forma, se a companhia vende certo volume de petróleo ou gasolina e o contrato cai US$ 1 no dia seguinte, a empresa ganha esse US$ 1 multiplicado pelo volume acertado. Caso o preço suba, é preciso realizar um depósito de margem junto à corretora ou banco. Mas como as usinas não produzem nem petróleo nem gasolina, precisam liquidar suas posições antes de o contrato vencer.

Hoje, se o preço do petróleo ou da gasolina recua no mundo, a Petrobras repassa em alguma medida essa queda à gasolina A, que por sua vez é repassada, em alguma medida, à gasolina C das bombas. Mais barata, a gasolina C fica mais competitiva que o etanol, estimulando a cadeia do biocombustível a reduzir os preços. Desde que a Petrobras mudou a política, a gasolina vendida nas refinarias acumulou alta de 26,08%, enquanto a vendida nos postos subiu 20,21 - ante alta de 23,44% do concorrente etanol.

A Usina Alta Mogiana já atua nesses mercados futuros há alguns anos, mas até então eram operações marginais. Com a mudança da política da estatal, a usina desenvolveu um modelo próprio que buscou alinhar o preço interno do etanol aos preços mundiais de gasolina e petróleo.

Até agora, a Alta Mogiana já realizou operações que lhe garantiram margem para mais de 20% do etanol que deve produzir na safra 2018/19 (que começa oficialmente em abril), segundo Luis Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial da usina. Na safra atual, a produção foi de 150 milhões de litros. Com as operações, a empresa estima obter mais de R$ 2 pelo litro do etanol, quase 10% acima dos preços atuais.

Segundo César Lauro da Costa, sócio da empresa de assessoria financeira Capitânia, é possível considerar essa operação como um "hedge financeiro", já que a usina não produz o produto com o qual opera. "Não é especulação porque vai na direção da proteção. A empresa faria isso na proteção que ela necessita", diz.

Para efeito contábil, porém, a tendência é que eventuais ganhos com a operação ainda sejam encaixados no balanço como receita financeira, e não operacional. "Dentro da norma atual, é até possível argumentar que é hedge, mas não temos visto casos ainda", diz.

O analista afirma que a usina poderia operar com um volume de petróleo acima do equivalente ao que ela produziria de etanol em uma safra, já que pode "proteger" seus ganhos para mais de uma temporada. João Luiz Mascolo, professor do Insper, lembra que no passado empresas de outros setores foram enquadradas como especuladoras por terem operado com produtos financeiros em volume acima do considerado como hedge.

Essa engenharia financeira ainda é encarada com resistência pela maioria das usinas. Um dos motivos é a necessidade de boa saúde financeira - o que limita esse tipo de operação à parcela saudável, e não muito ampla, do segmento.

Outro motivo é a falta de transparência da Petrobras quanto à fórmula para calcular o preço da gasolina A. A estatal não divulga com quais contratos futuros utiliza como base, mas, em documentos públicos, a empresa menciona as oscilações dos futuros de petróleo Brent (comercializados na bolsa de Londres) e de gasolina Eurobob (referência para o produto do noroeste da Europa).

A Usina Alta Mogiana tem operado em futuros de Brent, de petróleo WTI (comercializado na bolsa de Nova York), e de gasolina RBOB (comercializado na bolsa de Chicago). "Usamos um ou outro, dependendo do viés do mercado. Mas acreditamos que nosso modelo tem aderência", afirma Franco.

Também há incerteza sobre em que medida as oscilações da gasolina A chegam à gasolina C, já que há diferenças nas margens dos intermediários. Mas, para Costa, da Capitânia, a correlação é maior que 80%.

Há dúvidas também em relação à permanência desse tipo de política de preços no futuro. A recente mudança na política de preços do gás, por exemplo, gera desconfiança de que a Petrobras poderia fazer o mesmo com sua política para a gasolina.

Ainda assim, Franco diz que tem recebido muitas consultas a respeito de suas operações. Para o sócio da Capitânia, o momento mais alcooleiro da safra "contribui para a tomada de risco", e a realização de tal "hedge" pode ser mais generalizada já em seis meses. (Valor Econômico 26/01/2018 às 12h: 43m)

 

Etanol anidro cai 2,41% e hidratado recua 0,83% nas usinas

O preço do etanol anidro nas usinas paulista caiu 2,41% nesta semana, de R$ 1,9495 o litro para R$ 1,9479 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

O etanol hidratado também caiu, mas menos. O recuo foi de 0,83% na semana, de R$ 1,8550 o litro para R$ 1,8395, segundo o Cepea/Esalq. (Reuters 29/01/2018)

 

Onda de aquisições da Shell evidencia corrida por energia limpa

A Shell gastou mais de 400 milhões de dólares em uma série de aquisições nas últimas semanas, de uma empresa de energia solar a pontos de recarga de carros elétricos, intensificando sua corrida para crescer além do negócio de petróleo e gás e reduzir suas emissões de carbono.

As aquisições são ainda de pequeno porte diante do orçamento anual de 25 bilhões de dólares da petroleira anglo-holandesa para investimentos, mas seus primeiros passos nos setores de energia solar e de varejo em eletricidade em muitos anos mostram uma crescente urgência em desenvolver negócios em energia limpa.

Os investimentos não se limitaram a renováveis como biocombustíveis, energia solar e eólica. A Shell, assim como suas rivais BP, Exxon Mobil e Chevron, está apostando em uma crescente demanda por gás, o combustível fóssil menos poluente, como fonte que produzirá a energia para abastecer a esperada expansão dos carros elétricos nas próximas décadas.

Para isso, a Shell fechou em dezembro a compra da fornecedora independente de energia britânica First Utility, por cerca de 200 milhões de dólares, segundo diversas fontes próximas ao negócio. O valor da aquisição não havia sido divulgado anteriormente.

A Shell recusou-se a comentar.

Mais cedo neste mês, a companhia voltou a investir no setor solar após um hiato de 12 anos, com a compra de uma fatia de 43,86 por cento na Silicon Ranch Corporation, por 217 milhões de dólares.

Nos últimos três meses de 2017 a Shell também investiu em dois projetos para desenvolver estações de carga de veículos elétricos em rodovias europeias e assinou acordos para comprar energia solar no Reino Unido e desenvolver redes de energia renovável na Ásia e na África.

Segundo analistas do Bernstein, as grandes petroleiras investiram mais de 3 bilhões de dólares em aquisições renováveis ao longo dos últimos cinco anos, a maior parte dos recursos em energia solar.

As fusões e aquisições “verdes” hoje representam em média 13 por cento da atividade total de M&A, disseram os analistas.

Outras empresas também fizeram investimentos, como a BP, que voltou à energia solar com um investimento de 200 milhões de dólares na geradora solar Lightsource, no final do ano passado, seis anos após sair do setor com grandes prejuízos. A Total também comprou uma empresa de produção de baterias, a Saft, por 1 bilhão de dólares em 2016. (Reuters 26/01/2018)

 

Pequenas refinarias dos EUA buscam isenções em biocombustíveis

Mais de duas dúzias de pequenas refinarias dos Estados Unidos estão buscando isenções da lei de biocombustíveis do país, um número anormalmente elevado que reflete a crescente resistência da indústria do petróleo ao programa, de acordo com fontes com conhecimento do tema.

Os pedidos, feitos à Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês), aumentam a pressão sobre o governo do presidente Donald Trump para ajudar uma indústria que se queixa que o Padrão de Combustível Renovável dos EUA (RFS, em inglês) custa bilhões de dólares ao ano ao exigir que refinarias misturem crescentes volumes de biocombustíveis, como etanol produzido do milho, na gasolina e diesel do país.

A Philadelphia Energy Solutions, maior refinaria da Costa Leste dos EUA, declarou falência na segunda-feira e culpou o programa por suas dificuldades financeiras.

Enquanto a Casa Branca e o chefe da EPA, Scott Pruitt, expressam preocupações com refinarias e mediam conversas entre representantes da indústria e o lobby do etanol, até o momento se aliaram em grande parte com Estados produtores de milho onde há ampla maioria republicana.

As fontes disseram que a EPA está atualmente revisando 27 pedidos de isenções de pequenas refinarias, cobrindo diversos anos. Elas disseram que mais refinarias fizeram pedidos neste ano do que o comum, encorajadas pela postura anti-regulatória do governo Trump, assim como decisões judiciais recentes que ampliaram os critérios da EPA para garantir isenções.

A EPA possui a autoridade para isentar do programa refinarias com capacidade inferior a 75 mil barris ao dia caso a companhia possa comprovar dificuldades financeiras, mas a agência foi relutante em fazer isso no passado.

Nos quatro anos até 2016, a EPA isentou um total de 29 pequenas refinarias – menos do que oito ao ano em média, de acordo com dados fornecidos à Reuters pela EPA em resposta ao pedido da lei de liberdade de informação.

Há 53 refinarias nos Estados Unidos com capacidade de menos de 75 mil barris ao dia, e seus proprietários incluem algumas das maiores companhias de petróleo do país, como a Chevron e a Andeavor (no passado Tesoro).

Um porta-voz da EPA se negou a comentar. (Reuters 26/01/2018)

 

Indústria de etanol dos EUA quer explicação sobre exceções ao RFS

A indústria de etanol dos Estados Unidos está pressionando a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do governo americano para divulgar informações sobre os pedidos feitos por pequenas refinarias para ficarem isentas do cumprimento dos mandatos de mistura de biocombustíveis dentro do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês).

Para Bob Dineen, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), há uma “falta de transparência” na forma como a agência americana pode conceder exceções ao cumprimento dos mandatos e que a EPA não informou até o momento se pretende divulgar informações sobre o total de pedidos de exceção recebidos para os próximos anos, inclusive para 2018.

Em carta à EPA divulgada à imprensa, Dineen pediu que a agência informe quais critérios deverá adotar para aprovar ou recusar os pedidos das refinarias, quantas exceções já foram autorizadas nos últimos dois anos, se o RFS foi o responsável por problemas financeiros dessas empresas, entre outros detalhes.

Para a RFA, a expansão das isenções pode desestabilizar o mercado de biocombustíveis e os objetivos do Congresso americano para o RFS. “Seria desapontador, para dizer o mínimo, se a EPA agora começar a aumentar o número e a magnitude das exceções garantidas, uma década depois do início do programa”, declarou Dineen.

A EPA pode isentar refinarias do cumprimento das regras do RFS, desde que tenham capacidade de produzir até 75 mil barris por dia e comprovem dificuldades financeiras.

Pelo RFS, as refinarias precisam comprar para adicionar aos combustíveis fósseis determinados volumes de biocombustíveis, ou “créditos” de biocombustíveis, os RINs, das refinarias que misturaram volumes maiores.

O etanol de cana brasileiro é considerado pelo RFS um biocombustível “avançado”, categoria que possui um mandato específico determinado pela EPA. (Valor Econômico 26/01/20148 às 16h: 46m)

 

Alta dos combustíveis líquidos amplia economia do GNV no último ano

Diferença entre preços do gás natural veicular e outros combustíveis do mercado ficou ainda maior desde o ano passado.

Em tempos de alta no preço de combustíveis como gasolina e etanol, é cada vez maior o número de motoristas que estão adaptando os veículos para o gás natural veicular, o GNV. Segundo informações da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), na comparação entre 2016 e 2017, houve um aumento de 45% no número de adaptações de veículos no país.

O dado representa um total de 130 mil motoristas que, ao longo de 2017, adaptaram seus carros para utilizar o GNV. A economia com combustível explica essa evolução: entre junho e dezembro do ano passado, os preços da gasolina e do etanol subiram mais de 15%. Já o GNV, apenas 3,73%.

Em Alagoas, de acordo com informações da distribuidora de gás natural do Estado, a Algás, mais de 19 mil consumidores contam com o uso do gás natural veicular. Nos postos de combustíveis de Maceió, a economia do GNV pode chegar a 52% na comparação com a gasolina e a 54% quando comparado ao etanol.

O motorista alagoano André Feliciano foi um dos consumidores que adaptaram seu veículo em 2017. Feliciano, que trabalha há cinco anos em Maceió com empreendimentos imobiliários, notou no GNV uma alternativa mais segura e econômica em relação aos outros combustíveis do mercado.

“Meu trabalho me exige rodar cerca de 80 km por dia. A economia e a segurança do gás natural veicular em relação à gasolina e ao etanol foram um dos atrativos que me motivou a migrar para o combustível”, declara o empresário.

A Algás observa ainda que, além da economia, outra vantagem do GNV é a baixa emissão de resíduos na atmosfera. “Uma característica marcante desse combustível, além da impossibilidade de ser adulterado, o que o torna extremamente seguro, é de ele ser o mais limpo do mercado, sendo o melhor para o meio ambiente”, destaca o gerente comercial da Companhia, Fabio Sousa.

Para usar o GNV, ainda segundo o gerente da Algás, é simples e basta adaptar o veículo. Os kits de quinta geração, adequados aos veículos com injeção eletrônica multiponto, variam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.

“O retorno sobre o investimento inicial muda com a distância percorrida pelo motorista, pois quanto mais quilômetros ele percorrer, mais rápido o investimento retornará. Se você percorrer uma média de 80 km por dia, como Feliciano, por exemplo, o seu investimento retornará em no máximo oito meses”, diz Sousa. (Governo de Alagoas 26/01/2018)

 

Ainda existe 'muita gente contra' carro elétrico, diz presidente da Nissan

Marca se prepara para lançar no Brasil o Leaf, elétrico mais vendido no mundo. E até o Kicks poderá entrar nesse segmento, afirmou Marco Silva.

A Nissan se prepara para lançar no Brasil o carro elétrico mais vendido do mundo, o Leaf. A data ainda é um mistério, mas a marca sabe que tem um desafio grande pela frente. "Ainda tem muita gente contra a questão da eletrificação, por vários motivos. Ou com dúvida", diz Marco Silva, presidente da montadora no país.

Em entrevista ao G1, na série com presidentes de montadoras, o executivo falou também em "eletrificar" o Kicks, SUV compacto que é o atual campeão de vendas da marca no Brasil.

Mas não há pressa. Silva afirmou que a marca quer encontrar "o momento certo" para lançar os elétricos no país. Mesmo que isso signifique não ser a pioneira entre as grandes.

"Não preciso ser o primeiro. Sei que várias montadoras têm trabalhado em projetos similares, com outras perspectivas. Mas hoje o carro elétrico mais vendido no mundo é o Leaf", afirma.

Futuro do carro

Além de falar sobre o Leaf, um elétrico tradicional (carregado na tomada), Silva respondeu sobre o sistema ePower, em que o combustível é transformado em energia elétrica para recarregar a bateria. A montadora fez testes no Brasil com esse sistema usando etanol, em 2017.

"Trouxeram resultados positivos", comenta o executivo. "Ela vai ter que passar ainda por uma série de outras avaliações, desenvolvimento, para ver se é factível ou não é colocar no produto aqui no Brasil". (Revista Auto Esporte 26/01/2018)

 

Açúcar: O que está errado com esse cenário?

Segundo o Fundo Monetário Internacional, a economia dos países emergentes vai crescer em 2018 em média 4.9%, enquanto nas economias avançadas o crescimento deve ser de 2%, com a média global alcançando os 3.7%. Apenas três países vão ter crescimento abaixo de zero: a Venezuela do ditador Maduro (queda de 6%), a República da Guiné Equatorial, outra ditadura, com queda de 7.8% do PIB e a recém independente Sudão do Sul com queda de 3.4%.

As principais regiões consumidoras de açúcar, no entanto, Ásia, Norte da África e Oriente Médio crescem este ano 5.4%, 4.1% e 2.8%, respectivamente. Para os dois próximos anos, o FMI acredita em números continuamente ascendentes variando uns poucos décimos. O crescimento do consumo de açúcar, após análise desses números do FMI, deverá ser maior do que o estimado pela maioria das casas comercializadoras da commodity.

O consumo mundial de açúcar cresceu em média 1.85% ao ano nos últimos oito anos e pode ser incrementado pelo vigor da atividade econômica nas regiões mencionadas. É factível, acredita-se, no crescimento em torno de 2.3%, ligeiramente superior ao número apresentado pelo Diretor Executivo da Organização Internacional do Açúcar, José Orive, em recentes palestras, o que pode demandar adicionais 1.6 milhões de toneladas de açúcar até a 2019/2020.

Enquanto isso, os fundos continuam adicionando mais vendas a descoberto em suas robustas posições vendidas (agora com inacreditáveis 166.533 contratos equivalentes a 8.46 milhões de toneladas de açúcar) muito embora – se usarmos apenas a razão como discutido extensamente no último comentário semanal, nenhuma mudança nos fundamentos ocorreu nos últimos dias que justificasse uma queda de 200 pontos no mercado!

No acumulado do ano, o açúcar lidera sozinho a queda expressiva de 12.5% seguido muito de longe por outra soft commodity, o café, com queda de 1.3%. No mais, todas as commodities agrícolas operam no azul este ano. No mercado de energia, o petróleo acumula alta de quase 10% no WTI e pouco mais de 5.5% no Brent.

Desde a introdução da política de formação de preços da Petrobras acompanhando o mercado internacional, abriu-se a oportunidade para as usinas fazerem operações de proteção contra variações negativas de preço do etanol usando o petróleo. E desde então, a Archer tem acompanhado os fechamentos do petróleo e comparado com os preços do hidratado.

Após compilar esses dados e fazer os ajustes necessários para diminuir as dispersões e melhorar a aderência do modelo então desenvolvido, já dá para perceber que a correlação é bastante alta; hoje está em 95.1%. O modelo é capaz de prever com razoável acurácia qual o preço do hidratado nos próximos cinco dias úteis. Não é por outra razão, que estamos vendo algumas usinas hedgear o preço do etanol usando o Brent. Apesar de o risco de hedge cruzado (quando usamos um mercado para hedgear outro) ser inerente, a aderência das duas curvas (Brent e hidratado) dá muito conforto em usar essa estratégia.

O argumento favorito dos baixistas quando vemos a disparidade entre o preço do etanol e o preço do açúcar (hidratado negociando a 400 pontos sobre NY) é de que o etanol vai cair de preço no começo da safra pois as usinas vão precisar de dinheiro imediato para fazer frente às despesas incorridas no plantio. É possível. Mas, ainda assim, como observamos no comentário da semana passada, o ponto que queremos fazer é quão baixista ainda podemos ser a 13.36 centavos de dólar por libra-peso?

Alguns ingredientes seriam necessários para que o mercado de açúcar em NY se mantenha no atual nível até o início da safra: o etanol precisaria despencar, mas não a tal ponto que o colocasse na paridade de 65% senão a demanda por ele seria cada vez maior. Então, temos que colocar numa equação alguns limitantes: o etanol pode cair, mas não pode ficar mais barato do que 65% do preço da gasolina na bomba; para se igualar ao valor do açúcar equivalente em NY, o petróleo precisa cair ou o real precisa se valorizar (ou uma combinação dos dois). Mas, não podemos nos esquecer de que o preço na bomba é composto por 40% de combustível (28% gasolina A importada pela Petrobras e 12% do anidro), ou seja, para que o preço caísse na bomba o Brent teria que derreter.

Se esperássemos uma tempestade perfeita que combinasse o real se valorizando em relação ao dólar a R$ 3,0000, o Brent despencando para 55 dólares por barril, o etanol no limite de 65% do preço da gasolina na bomba, ainda assim o hidratado estaria negociando ao equivalente a 100 pontos sobre NY.

Dessa forma, estressando o cenário com muito cuidado, onde caros leitores, vocês colocariam suas fichas apostando a direção que o mercado vai tomar? Para onde estão os próximos 100 pontos de variação? Para cima ou para baixo. O que está errado com esse cenário?

Restam apenas seis vagas para o XXIX Curso de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas que vai ocorrer nos dias 06, 07 e 08 de março de 2018, em São Paulo, Capital, no Hotel Wall Street. O próximo Curso, só vai ocorrer no segundo semestre. Não perca essa oportunidade. Para mais informações: priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)